sábado, 4 de outubro de 2014

A batalha eleitoral do Brasil se deflagra nas redes



DESTAQUE


A maioria dos eleitores não acompanha os debates nem as pesquisas, nem lê os editoriais dos jornais, mas sabe de tudo através do filtro do Facebook, onde colecionam amigos às centenas e passam mais tempo do que usuários de outros países.
“Existe um diálogo muito forte entre a mídia tradicional e a mídia social. As redes funcionam como caixa de ressonância, repercutem uma notícia e a amplificam enormemente. Muitas vezes, são as redes sociais que geram os temas que acabam sendo abordados na mídia tradicionais”, explica Ronaldo Lemos, diretor do Diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

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Facebook e Twitter condenam ou exaltam os candidatos. Rousseff tem vantagem graças à máquina criada para se defender dos escândalos de corrupção

Por María Martín



Rede dos Retweets do último debate, a partir da hashtag #debateNaRecord. A rede vermelha é a de Dilma. A azul é a de Aécio. E a laranja claro é a de Marina. A rede amarela é a da Dilma Bolada. Arquivo cedido por Labic / ARQUIVO CEDIDO POR LABIC


Os candidatos à presidência do Brasil travam uma batalha paralela distante dos comícios, das campanha e dos debates veiculados na televisão. O dito brasileiro de que futebol, política e religião não se discutem se esvai nas redes sociais em clima eleitoral. Por trás de até perfis falsos e bem-humorados, militantes profissionais e robôs que disparam publicações à velocidade da luz, os 76 milhões de usuários das redes sociais —quase 40% da população— estão dizendo o que é importante e o que não é nessa campanha. Hoje, quase 40% das publicações fala da campanha eleitoral, segundo um informe doInstituto Brasileiro de Opinião Pública (IBOPE).
poder das redes prejudicou a imagem de Marina Silva, a principal rival de Dilma Rousseff, por retirar de seu programa seu apoio aos homossexuais depois, precisamente, de ser criticada no Twitter pelo pastor Silas Malafaia. Os internautas da oposição colocaram Rousseff na berlinda em função do mais recente escândalo de corrupção na Petrobras, enquanto permitem que Aécio Neves, acusado de usar robôs para divulgar ataques contra suas adversárias, permaneça imune aos escândalos do mundo virtual.
“Existe um diálogo muito forte entre a mídia tradicional e a mídia social. As redes funcionam como caixa de ressonância, repercutem uma notícia e a amplificam enormemente. Muitas vezes, são as redes sociais que geram os temas que acabam sendo abordados na mídia tradicionais”, explica Ronaldo Lemos, diretor do Diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.
Na guerra pela conquista do internauta, Dilma Rousseff ganha de goleada, segundo os especialistas, enquanto Marina Silva perde qualquer enfrentamento que se dispute nas redes.
A potente máquina do Partido dos Trabalhadores, já construída para se defender dos escândalos de corrupção, tem à sua disposição portais próprios, milhões de militantes ativos e até contratou o jovem autor do Dilma Bolada, o perfil falso da presidenta que, com um milhão e meio de seguidores no Facebook, satiriza o dia a dia da dirigente.
Marina, no entanto, candidata de surpresa depois da morte de Eduardo Campos em um acidente de avião em agosto, tem poder e influência minúsculos no mundo virtual. “Qualquer controvérsia relacionada a Marina Silva explode na Internet. Ela foi bombardeada a cada uma das mudanças e contradições de seu programa. E sempre vai perder. Marina surgiu com uma carga emocional enorme, mas não construiu uma estrutura de redes que lhe permita responder com a mesma emoção. E as defesas pouco apaixonadas em um contexto eleitoral como o do Brasil não têm repercussão”, firma Fábio Malini, coordenador do laboratório de estudos sobre imagem e ciberculturaLabic. “Marina tem consistência política, mas as redes lhe são desfavoráveis”, acredita Malini.
O humor está sendo outra das chaves dessa campanha. Com a mesma criatividade com que foi ilustrada a derrota espetacular da seleção brasileira contra a Alemanha, os memes, vídeos e comentários satíricos elevaram a figura do candidato do Partido Verde, Eduardo Jorge, sem nenhuma possibilidade de chegar à presidência, a um status de ídolo das massas. Ao mesmo tempo em que, em menos de uma noite, destruíram a imagem de Levy Fidelix, candidato pelo diminuto Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, por declarações homofóbicas. A maioria dos eleitores não acompanha os debates nem as pesquisas, nem lê os editoriais dos jornais, mas sabe de tudo através do filtro do Facebook, onde colecionam amigos às centenas e passam mais tempo do que usuários de outros países.
A três dias das eleições, muitos brasileiros não têm claro a quem vão confiar seu voto, mas sabem em quem seu vizinho vai votar para deputado, governador e presidente. Em uma reinvenção do conceito de voto secreto, a moda agora é publicá-lo no Facebook.

Fonte: El País


Também em São Paulo, o PT 'comprou' o Correio








sexta-feira, 3 de outubro de 2014

AVISO AOS ELEITORES CATÓLICOS



DIVIDIR OS VOTOS DA OPOSIÇÃO AO PT É FAZER O JOGO DE DILMA

NÃO CAIAM NO CONTO DA CAROCHINHA LEVY FIDELIX

POR QUE NÃO JOGAR FORA O VOTO





Quem é Levy Fidelix?


Eis como se apresentava, em 2010, esse candidato, que hoje fustiga o homossexualismo:

‘Sempre apoiei o presidente Lula e sou entusiasta defensor de Dilma para a presidência...’. (o vídeo abaixo revela um Levi Fidelix muito diverso do que vemos agora...)





De fato, nesta eleição, ao menos no apoio a Dilma, parece ter feito meia-volta (ainda que tardia).

Contudo, Votar em Levy Fidelix a seu modo, equivale a votar em Dilma ou em Marina Silva. Isso é um cálculo de compreensão primária.

Todo católico preza as afirmações corajosas de Levy em defesa da família e contra a propaganda homossexual. Isso, porém, não basta.

Encetamos uma luta de enorme envergadura, qual seja, a de preservar o que ainda resta de civilização cristã no Brasil, em todos os âmbitos da vida social.


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Por Raphael de la Trinité



Libertar o Brasil das garras do PT


Esse é o primeiro ponto: o Brasil inteiro foi 'loteado' pelo PT — o vasto terreno daquilo que se chama de 'administração pública'. Isso inclui praticamente tudo, não estando à margem desse processo os órgãos de divulgação das pesquisas. Logo, o objetivo primeiro de todo esforço conjugado nacional deve consistir em ejetar esse partido do poder.

Segundo ponto: já nem há o que falar das volumosas e estarrecedoras denúncias de manipulação fraudulenta das urnas, assunto de clamorosa e decisiva importância que, inexplicavelmente, tem sido posto de lado em meio às discussões eleitorais. O nosso voto, infelizmente, não versa sobre esse ponto tão decisivo.

Por outro lado, apesar de certos currais eleitorais petistas —segundo parece, bem sedimentados sobretudo em diversas regiões do Nordeste —, no âmbito nacional não seria tarefa hercúlea desalojar do comando do país um partido que, inspirado na Teologia da Libertação, pode conduzir o Brasil a uma situação não muito diversa da que é hoje vigente em Cuba e na Venezuela.

Condição precípua para isso: unir esforços no sentido de que não haja dispersão de votos entre os que desejam um retumbante revés do PT.


O que Aécio não é e o que representa, ‘malgré-lui’


Se Aécio fosse o que teria tudo para ser, enfrentando de rijo as duas candidaturas do PT — ou seja, a oficial, que é de Dilma, e, por assim dizer, a extra-oficial, que é a de Marina Silva, egressa das mesmas fileiras —, é de crer que poderia empalmar a vitória, congregando em torno de si a maioria anti-petista de nossos compatriotas.

De qualquer modo, mesmo lamentando que Aécio se abstenha de fazer uso da melhor estratégia para triunfar, na hipótese de que venha a obter ampla e inequívoca votação, o seu triunfo não significaria principalmente uma vitória do PSDB (enquanto partido de origem esquerdista, que é), mas, de um ‘renouveau’ anti-petista, que aliviaria, ao menos num primeiro momento, a tão flagelada Nação brasileira do fardo que a oprime.

Com efeito, acha-se o Brasil entregue à sanha dos que desejam prostrá-lo por inteiro e para sempre. Algo que lacera e contunde gravemente os nossos anseios de real grandeza cristã. Ora, é esse elo condutor para o abismo que precisamos romper.

Vale lembrar que os esquerdistas – comumente, muito mais disciplinados e sagazes do que os seus opositores — não titubeiam em votar maciçamente em prol da candidata que, em profundidade, os representa a todos.

Objetará alguém: mas, uma eventual vitória de Aécio representaria, de fato, um recuo tão significativo no processo de socialização em marcha?

Sem dúvida, seria tolice conceber isso.

Por que, então, esse empenho?


Deter o avanço da Revolução é derrotá-la


Conforme foi assinalado alhures, a questão capital consiste em assestar um golpe certeiro na força propulsora da Revolução.

Seria mais ou menos como diminuir a velocidade do vagão numa locomotiva em marcha. Por quê? Para salvar o que resta, antes que deslizemos rumo ao abismo.

Ademais, frear o impulso dessa socialização crescente, por si só, desajusta o mecanismo interno da locomotiva, que vive na necessidade de uma permanente aceleração em direção ao fim extremo. Caso contrário, pode encalhar no meio do percurso.

Atuando dessa forma, imitamos o médico que, não podendo debelar por completo a doença, procura, à míngua do melhor, mitigar os efeitos do mal  no paciente, circunscrevendo e refreando o avanço da enfermidade, até onde e quando for possível.

É uma regra assente na história: quando a esquerda toma a dianteira, isso se deve à desunião e desorientação, sob diversas formas, daqueles que a combatem.

Não faríamos o papel de ‘inocentes-úteis’, se provocássemos divisão e desorientação entre os que pensam de modo afim?

Tenhamos cuidado: uma precipitação e uma ilusão de momento podem ser causa de grandes danos futuros.

A visão de longo alcance é indispensável para que não nos deixemos lograr.


Por isso, o voto maciço na única candidatura que poderá derrubar o predomínio petista é um dever de consciência. 

O CATÓLICO E A VOTAÇÃO EM PARTIDOS COMUNISTAS OU PRÓ-COMUNISTAS


DESTAQUE


1949 - Fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e, sobretudo, os que defendem ou propagam, incorrem pelo próprio facto, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica: o comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de facto, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo. (Pio XII, decreto do Santo Ofício, 1949).

LEMBRE-SE DISSO NAS ELEIÇÕES!

2014 – Mascarados, ou não, de Teologia da Libertação ou de pruridos ecológicos...

Votar em Dilma (PT) ou em Marina (PSB) equivale a dar um voto de aprovação ao comunismo ou ao socialismo.  Seria trair as promessas do nosso Batismo.

Compete, pois, sufragar (escolher pelo voto) o candidato que não pertence a nenhuma dessas duas agremiações partidárias.


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Por Raphael de la Trinité

LEMBRE-SE DISSO NAS ELEIÇÕES!

Pio XII diz o motivo:

"Foi perguntado à Suprema Sagrada Congregação:

1. Se é permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira?

2. Se é lícito publicar, divulgar ou ler livros, revistas, jornais ou tratados que sustentam a doutrina e a ação dos comunistas, ou escrever neles?

3. Se fiéis cristãos que consciente e livremente fizeram o que está em 1 e 2, podem ser admitidos aos sacramentos?

4. Se fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e sobretudo os que defendem ou propagam, incorrem pelo próprio facto, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica?

Os Eminentíssimos e Reverendíssimos Padres, responsáveis pela proteção da fé e da moral, tiveram o voto dos Consultores, na reunião plenária de 28 de junho de 1949, e responderam decretando:

Quanto a 1.: Não; o comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de facto, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo.

Quanto a 2.: Não, pois são proibidos pelo próprio direito (cf, CIC, cân. 1399);

Quanto a 3.: Não, segundo os princípios ordinários determinando a recusa dos sacramentos àquele que não tem a disposição requerida.

Quanto a 4.: Sim.
No dia 30 do mesmo mês e ano, o Papa Pio XII, na audiência habitual ao assessor do Santo Ofício, aprovou a decisão dos Padres e ordenou a sua promulgação no comentário oficial da Acta ApostolicaeSedis. De Roma, dia 1 de Julho de 1949".

VEJA TAMBÉM:


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Em face disso, pergunta-se: é possível um socialismo cristão?

O Papa Pio XI já respondeu a esta questão na Encíclica Quadragesimo Anno: "Se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda-se, contudo numa concepção da sociedade humana diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista".

E se o socialismo for muito moderado? Mesmo neste caso continua incompatível com o Catolicismo.

Pio XI é explícito também neste ponto. Ouçamo-lo: "E, se o socialismo estiver tão moderado no tocante à luta de classes e à propriedade privada, que não mereça nisto a mínima censura? Terá por isto renunciado à sua natureza essencialmente anticristã? Eis uma dúvida que a muitos traz suspensos. Muitíssimos católicos, convencidos de que os princípios cristãos não podem abandonar-se nem jamais obliterar-se, volvem os olhos para esta Santa Sé e suplicam incessantemente que definamos se este socialismo repudiou de tal maneira as suas falsas doutrinas, que já se possa abraçar e quase baptizar, sem prejuízo de nenhum princípio cristão.

Para lhes respondermos, como pede a Nossa paterna solicitude, declaramos: o socialismo, quer se considere como doutrina, quer como facto histórico, ou como ‘acção’, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos, não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de um modo completamente avesso à verdade cristã". (Encíclica Quadragesimo Anno).

Realmente, Deus estabeleceu uma ordem natural, que não é lícito ao homem violar, e a esta ordem pertencem dois pontos que todo o socialismo viola. São os seguintes:

a) O papel subsidiário do Estado. O Estado não existe para absorver ou substituir os indivíduos, as famílias e as associações, mas para realizar as tarefas que estes elementos não podem realizar por si mesmos. Assim João XXIII, na Encíclica Materet Magistra: "Essa acção do Estado, que protege, estimula, coordena, supre e complementa, apoia-se no ‘princípio de subsidiariedade’ (A. A. S., XXIII, 1931, p. 203), assim formulado por Pio XI na Encíclica Quadragesimo Anno: "Permanece, contudo, firme e constante na filosofia social aquele importantíssimo princípio que é inamovível e imutável: assim como não é lícito subtrair aos indivíduos o que eles podem realizar com as próprias forças e indústria para confiá-lo à colectividade, do mesmo modo passar para uma sociedade maior e mais elevada o que sociedades menores e inferiores poderiam conseguir, é uma injustiça ao mesmo tempo que um grave dano e perturbação da boa ordem. O fim natural da sociedade e da sua acção é coadjuvar os seus membros e não destruí-los nem absorvê-los" (ibid., p. 203) (apud "Catolicismo", n.° 129, de Setembro de 1961).

b) O indivíduo, as famílias, as associações têm direito de possuir bens de raiz, bens móveis e bens produtivos. O Estado não pode açambarcar estes bens para si. Os homens têm o direito e o dever de proverem às suas necessidades, e o Estado não pode arvorar-se em Providência e suprimir este direito ou substituir-se a este dever.

Por isto tudo, o socialismo é condenado pelo direito natural, e não pode haver socialismo cristão.

Objeção: A Igreja primitiva foi comunista? As ordens religiosas são comunistas?

Nem a Igreja primitiva praticou, nem as Ordens Religiosas jamais praticaram o comunismo.

Com efeito, o essencial do comunismo é a negação do direito de propriedade.

Ora, examinemos sob este aspecto a Igreja primitiva. Levadas da vontade de seguir de perto o exemplo do Divino Mestre e realizar os conselhos evangélicos, várias famílias cristãs de Jerusalém resolveram viver no voto de pobreza. Para isto venderam tudo o que tinham e entregaram o dinheiro aos Apóstolos para que com ele fosse mantida a comunidade. Note-se bem: os indivíduos desta comunidade renunciavam aos seus bens porque queriam. Quem não quisesse viver na pobreza, não precisava.

Assim disse São Pedro a Ananias: "Conservando o campo, ele não permanecia teu? E vendendo-o, não dependeria de ti o que farias com o dinheiro?" (At. 5, 4).

A Igreja permitia que os que quisessem viver sem possuir nada pessoalmente, o fizessem. Mas, de um lado, isto era livre; de outro, o imóvel ou o dinheiro apurado passava a ser propriedade da comunidade. Ficava, pois, de pé o direito de propriedade da comunidade; não era negado nem transferido ao Estado.

Para desiludir os comunistas utópicos, devemos dizer que a primeira tentativa de realizar o ideal da pobreza não foi bem sucedida. Consumidos os capitais apurados na venda dos imóveis, criou-se em Jerusalém uma situação difícil, e foi preciso as outras comunidades cristãs enviar periodicamente esmolas para Jerusalém a fim de sustentarem os irmãos que tinham renunciado aos seus bens. Verificou-se que o voto de pobreza só é possível juntamente com o voto de castidade, e que o estado de pobreza evangélica não é possível quando há família: marido, mulher e filhos. Para pessoas casadas o caminho da santidade está no trabalho e na recta administração das riquezas temporais.

Mais tarde, a Igreja retomou a experiência: primeiro com indivíduos isolados, os anacoretas; depois com pequenas comunidades de eremitas, os cenobitas. Só quando raiou a liberdade para o Cristianismo é que dois grandes Santos organizaram a vida de pobreza evangélica aliada à obediência e à castidade: no Oriente, São Basílio; no Ocidente, São Bento. Mas, se o monge renuncia a toda a propriedade pessoal, o mosteiro passa a ser o proprietário. Verifica-se o que se dá muitas vezes na família: se os indivíduos não são donos, a família é a proprietária.

Vejamos agora o valor que tem a afirmação de que as Ordens Religiosas são comunistas ou socialistas.

Ninguém afirmará que as doutrinas filosóficas, sociológicas, teológicas do comunismo se encontram realizadas nas Ordens Religiosas. Tal afirmação é tão absurda, que ninguém a tomaria a sério. Restaria então o tipo de vida econômica das Ordens Religiosas. Perguntamos: o tipo de vida econômica que o comunismo pretende implantar é aquele que as Ordens Religiosas realizam há tantos séculos? Para respondermos com clareza a este absurdo, que, no entanto, se repete com enfadonha monotonia, vamos analisar um pouco mais de perto o tipo de vida económica das Ordens Mendicantes. É sabido que, dentre as comunidades religiosas, são as que realizam o ideal de pobreza evangélica de modo mais completo. Verificado que nelas não há sombra do tipo econômico comunista, fica provado que as outras Ordens e Congregações, em que o tipo de pobreza é mais suave, a fortiori não podem ser tachadas de comunistas.

Nas Ordens Mendicantes mais rigorosas, não só os Religiosos individualmente nada possuem de próprio, mas, nem mesmo a Ordem, as Províncias ou conventos são os titulares das propriedades. Em vez deles, a Santa Sé ou a Diocese são os proprietários formais. A administração dos bens destinados à Ordem, à Província ou ao convento, é realizada por pessoas nomeadas pela Santa Sé ou pela Diocese. Mas, se a propriedade não é nominalmente da Ordem, etc., os frutos do patrimônio que existirem, ou as esmolas dadas pelos fiéis, aplicam-se formalmente à manutenção daquele convento e daquela comunidade, para que são destinados. Assim, os Religiosos não têm os ônus da propriedade e da sua administração, caridosamente suportados pela Autoridade Eclesiástica, mas têm as rendas necessárias para conseguirem manter-se. É a realização da pobreza de Cristo e da fé na Providência. É o "nihilhabentes, etomnia possidentes" de São Paulo (2 Cor. 6, 10 ) . Assim, as Ordens Mendicantes são a mais formal refutação do comunismo. Assim se explica:

a) A renúncia às propriedades é uma afirmação clara da existência do direito de propriedade, pois ninguém renuncia seriamente ao que não existe.

b) Cada comunidade e cada Religioso tem o direito de viver dos frutos do patrimônio e das esmolas que tocam ao convento, e que são administradas pela Autoridade Eclesiástica em favor da comunidade, e não arbitrariamente.

c) O Religioso renuncia ao direito de propriedade voluntariamente. O comunismo nega este direito e confisca as propriedades violentamente.

d) O Religioso abraça a pobreza voluntária para melhor seguir Nosso Senhor Jesus Cristo e santificar melhor a sua alma, na esperança da vida eterna. O comunismo diz que destrói a propriedade particular para proporcionar a todos os homens a maior soma de prazeres nesta terra, uma vez que não existe a vida eterna.

e) Na realidade, a pobreza voluntária dos Religiosos leva-os à maior liberdade no serviço de Deus. O comunismo, prometendo a maior soma de prazeres, realmente tem por fim escravizar os homens, e depois, por meio da fome, obrigá-los à total apostasia de Deus.

f) A pobreza voluntária das Ordens Religiosas serve a Deus. O comunismo serve a Satanás.

Concluindo, devemos, pois, dizer que a afirmação de que as Ordens Religiosas realizam o tipo econômico do comunismo é uma verdadeira blasfêmia.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Destruir grupo jihadista é uma missão impossível


DESTAQUE

“Destruir uma organização significa erradicá-la para sempre, como as potências aliadas fizeram com o partido nazista na Alemanha durante a 2ª Guerra”, disse Christopher Harmer, ex-oficial da Marinha americana e analista do Institute for the Study of War. “Se você usa a palavra ‘destruir’, está falando de uma vitória política e militar abrangente”, disse Harmer. “Se a missão é destruir (o EI), o que estamos fazendo agora é inteiramente inadequado”.

Para destruir efetivamente o EI seria preciso um grande comprometimento de forças de combate terrestres, mas Obama já disse que elas não virão dos EUA. Com isso, qualquer estratégia com base na eliminação do grupo é tolhida pela falta de um ingrediente básico.

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Análise: Shane Harris / Foreign Policy



Em pronunciamento transmitido pela TV, o presidente americano, Barack Obama, falou ao povo americano e estabeleceu o que a Casa Branca está apregoando como uma estratégia firme para “degradar e finalmente destruir” o Estado Islâmico (EI). Um problema: isto será literalmente impossível.

Os EUA passaram mais de uma década tentando eliminar a Al-Qaeda, mas apesar de dizimar o grupo, seu líder fugitivo, Aymanal-Zawahiri, continua vivo e as ramificações do grupo operam no Mali, Iêmen, Somália e em uma lista crescente de outros países. Israel passou décadas combatendo o Hezbollah e o Hamas, mas estes grupos continuam capazes de lançar operações de combate em larga escala, como a recente guerra em Gaza.

“Destruir uma organização significa erradicá-la para sempre, como as potências aliadas fizeram com o partido nazista na Alemanha durante a 2ª Guerra”, disse Christopher Harmer, ex-oficial da Marinha americana e analista do Institute for the Study of War. “Se você usa a palavra ‘destruir’, está falando de uma vitória política e militar abrangente”, disse Harmer. “Se a missão é destruir (o EI), o que estamos fazendo agora é inteiramente inadequado.”

Destruir o EI, por esta definição, exigiria erradicar ou neutralizar milhares de combatentes, expulsando-os dos territórios que o grupo controla no Iraque e privando-os de sua base de operações na Síria, para onde os consultores militares de Obama disseram que a luta deve se encaminhar. O fato de terem recrutado centenas de combatentes ocidentais, assim como consideráveis somas de dinheiro e acesso a receitas de petróleo, também o torna resistente.

A escolha de palavras do presidente é crucial porque moldará o futuro da intervenção militar americana no Iraque, que até agora conta mais de 150 ataques aéreos realizados em coordenação com forças terrestres iraquianas e curdas. No entanto, os EUA não informaram quantos combatentes radicais foram mortos e a campanha até agora parece não ter causado danos significativos na capacidade da organização de se movimentar no Iraque e na Síria ou de controlar grandes cidades em ambos os países.

Logo que é expulso de uma área, o EI aparece em outra, como fez recentemente em Haditha, onde aviões americanos haviam bombardeado seus militantes. Para destruir efetivamente o EI seria preciso um grande comprometimento de forças de combate terrestres, mas Obama já disse que elas não virão dos EUA. Com isso, qualquer estratégia com base na eliminação do grupo é tolhida pela falta de um ingrediente básico. Destruir o EI, porém, exigiria uma reconciliação política no Iraque para quebrar a aliança do grupo rebelde com baathistas e tribos sunitas e voltá-los contra o EI.


A lição é clara: redes terroristas são persistentes e elas voltam a seus alvos favoritos várias vezes. Se destruir o EI não está no programa, o que dizer de “derrotá-lo”? Trata-se de um objetivo mais limitado e potencialmente mais viável, mas ainda assim muito ambicioso e, provavelmente, impossível de se alcançar.

Fonte: ESP

Cristãos no Iraque – ‘Preferimos morrer a esconder a nossa cruz’



DESTAQUE

Das igrejas fizeram casa. Continuam a ir à missa – rezam pela paz. Mas onde havia milhares de cristãos, como em Mossul, não há agora nenhum. "A vida deles está completamente virada do avesso", diz à Renascença, a partir do Iraque, um elemento da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.


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Cristãos num abrigo em Erbil, Iraque. Foto: Ahmed Jalil/EPA


















Das igrejas fizeram casa. Continuam a ir à missa – rezam pela paz. Mas onde havia milhares de cristãos, como em Mossul, não há agora nenhum. "A vida deles está completamente virada do avesso", diz à Renascença, a partir do Iraque, um elemento da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

De um dia para o outro, tudo mudou para os cristãos no Iraque. Entre conversão ao Islão ou o pagamento do imposto exigido pelo autoproclamado Estado Islâmico, não tiveram escolha. Deixaram tudo para trás. No meio do desespero não sobrou tempo para preparos. Muitos fugiram de mãos vazias e sem dinheiro nos bolsos.

"Os refugiados estão a abrigar-se em igrejas, alguns deles estão em parques a viver em tendas. Nesta altura do ano, as temperaturas atingem os 43, 45 graus. São condições muito difíceis", conta à Renascença Regina Lynch, directora de projectos da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), organização dependente do Vaticano.

"Conhecemos uma família que demorou cinco horas a fazer uma viagem que normalmente demoraria uma hora e meia. Eram 24 pessoas numa carrinha que transporta oito no máximo. Isto mostra a forma desesperada como as pessoas tiveram que abandonar a região", conta, por telefone.

Com Regina Lynch, estão no Iraque o presidente internacional da AIS, Johannes von Heereman, e a directora de comunicação, Maria Lozano. Querem conhecer de perto os cristãos perseguidos e as suas necessidades. Querem lembrar-lhes que não estão sós e dar-lhes voz.

A vida "do avesso"

"Há pessoas a viver em abrigos e que estão a ser registadas neste momento. Há muitos a viver com familiares em casas sobrelotadas. É difícil ter um número exacto, mas sabemos que há cerca de 70 mil refugiados à volta de Ankawa e 60 mil nas áreas a norte de Mossul. Mas a todo o momento há pessoas a chegar, famílias a bater à porta à procura de lugar para ficar", conta Lynch.

A AIS já recolheu e enviou mais de 230 mil euros para a Igreja do Iraque. O apoio vai permitir suportar necessidades básicas de milhares de cristãos iraquianos refugiados.

São urgentes "alimentos, colchões, ventiladores, frigoríficos". E alguém que os escute. "Os refugiados viram-se para a Igreja e esperam que a Igreja os ajude. Que os ajude a resolver os problemas. Outras vezes só esperam que alguém possa ouvi-los".

Têm muito para contar. Num abrir e fechar os olhos, a vida que conheciam deixou de existir. Em 2003, só em Mossul, viviam 35 mil cristãos. Pela primeira vez em dois mil anos, não sobra um único.

"As pessoas que conhecemos estão muito traumatizadas porque aconteceu tudo muito rápido. Os cristãos em Mossul, por exemplo, achavam que o exército do Governo ia protegê-los. Foi um choque para eles. A vida deles está completamente virada do avesso".

"Esta é a nossa casa, esta é a nossa história"

A delegação da AIS chegou na quarta-feira ao Iraque para uma viagem de cinco dias. Visitaram Ankawa, um subúrbio cristão da cidade de Erbil que acolhe muitos dos que fugiram de Qaraqosh. Passaram por Dohuk, onde, vindos de Mossul, cristãos em fuga procuraram refúgio. Reúnem-se com bispos, visitam abrigos, ouvem esperanças e vontades.

"Alguns dizem que querem sair, que querem emigrar. Outros contam que querem voltar para as suas aldeias, para as suas casas porque estão lá há gerações e gerações. Dizem: ‘esta é a nossa casa, esta é a nossa história’. Mas só podem voltar se houver alguma espécie de protecção internacional, uma garantia de que isto não vai acontecer outra vez".

O Patriarca Caldeu do Iraque, D. Louis Sako, tem-se desdobrado em apelos. A ele, já se juntaram os bispos da Europa numa carta enviada esta semana ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Pedem decisões urgentes para "para pôr fim às atrocidades cometidas contra os cristãos e outras minorias religiosas no Iraque".

Uma cruz tatuada

Por enquanto, resta confiar na generosidade dos que no terreno fazem de tudo para ajudar. 

"Soubemos de uma vila cristã que não teria mais de 60 famílias e que agora tem mais 250 famílias cristãs refugiadas. Dá para imaginar o impacto que isto tem na comunidade. As pessoas são muito generosas. Fazem tudo para ajudar os refugiados".

Pouco sabem do que vem a seguir. "É difícil para eles perceber como é que a situação se vai desenvolver. Alguns expressaram-nos o desejo, a esperança, de que uma equipa internacional de manutenção de paz entre no país e garanta a sua protecção. Outros esperam que os peshmerga, as tropas curdas, ganhem força para lutar contra o Estado Islâmico."

Regina Lynch ficou "muito comovida com a fé" dos cristãos iraquianos.

"Hoje falamos com uma senhora de idade que tem uma cruz tatuada na mão e contamos-lhe como hoje em dia na Europa são poucas as pessoas que usam cruzes. Ela respondeu: ‘nós preferimos morrer a esconder a nossa cruz'".

Fonte: Renascença
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