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segunda-feira, 7 de julho de 2014

PREPARA-SE OUTRO CASO ‘FRANCISCANOS DA IMACULADA’? INTERVENÇÃO EM CIUDAD DEL ESTE À VISTA...


DESTAQUE

Creio que Dom Rogelio Livieres será afastado. Não resta dúvida disso. O seminário sofrerá uma intervenção nos moldes daquela sofrida pelos Franciscanos da Imaculada. As comunidades tradicionais que se refugiaram em Ciudad del Este, uma delas brasileira, ficarão à deriva.

É muito claro que o projeto de destruição de Ciudad del Este já estava no coração de muitos prelados, paraguaios ou não. Só precisavam de um motivo prático para a inquisição régia, que é a marca deste pontificado, começar. Tudo o que é tradicional deve ser neutralizado.

E o Pe. Urrutigoity? O seu destino não importa, o que importa é que Francisco não esquece, Francisco não perdoa!


O que se passou ultimamente foi uma briga pública e lamentável entre o arcebispo de Assunção e o bispo de Ciudad del Este, inclusive com o primeiro sendo chamado de homossexual pelo segundo.


*** * ***



Agora é oficial - Visitação Apostólica à diocese de Ciudad del Este



 
Carta Oficial da Nunciatura

Mons. Eliseo Ariotti, núncio apostólico no Paraguai, informou hoje que a Santa Sé realizará uma visita apostólica à diocese de Ciudad del Este. A visita será comanda pelo cardeal Santos Abril, arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior, e Mons. Milton Luis Tróccoli Cebélio, bispo auxiliar de Montevidéu.

Em primeiro lugar, é preciso rever alguns "dados históricos" antes de listarmos os motivos apresentados para a visitação.

Como já 
escrevemos aqui - e recomendamos a leitura completa do post - Mons. Livieres, bispo de Ciudad del Este, recebeu um sacerdote argentino em sua diocese em 2008. Trata-se de Carlos Urrutigoity que tem um longo histórico de acusações de abuso de menores nos EUA, inclusive alguns processos criminais foram iniciados contra ele.

Mons. Livieres afirmou que Carlos Urrutigoity foi enviado à Ciudad del Este pelo próprio Vaticano que, na época, não sabia o que fazer com ele, palavras do próprio Mons. Livieres. Entretanto acredito que o bispo cometeu uma imprudência ao dar cargos elevados à Carlos Urrutigoity, sobretudo ao confiar-lhe um apostolado junto aos jovens. Mons. Livieres acredita na inocência de Carlos Urrutigoity, afirmando que o mesmo é vítima de calúnia e perseguição.
Conferência de imprensa na sede da CEP


A diocese de Ciudad del Este é um oásis teológico dentro do lamaçal modernista que se tornou a América Latina. Guardadas as devidas proporções, poderíamos chamá-la de "Ecône do Iguaçú", pois muitas comunidades de carisma tradicional encontraram abrigo e proteção paternal na diocese. Por isso é possível que a familiaridade de Carlos Urrutigoity com a missa tradicional tenha advogado a favor do padre na análise do bispo.
 

Entretanto MonsLivieres é um antigo desafeto do então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco. E Francisco não esquece, Francisco não perdoa.

As desavenças entre os dois prelados de diferentes nacionalidades começaram quando o seminário maior de Ciudad del Este foi se tornando conhecido entre os países de língua espanhola por sua formação mais tradicional. O seminário paraguaio começou a atrair seminaristas de outras dioceses, sobretudo de Buenos Aires, que fugiam horrorizados com o que viam na casa de formação argentina. O então cardeal Bergoglio iniciou uma guerra de acusações contra Livieres junto ao Vaticano, exigindo uma intervenção na diocese e o afastamento do bispo. Isso é o que reportamos de fontes espanholas já em 2012, portanto estamos isentos de qualquer sentimento anti-franciscano. Leia mais no famoso texto "
A Máfia Argentina do Cardeal Bergoglio" para ter referências sobre o assunto.

Na época Bergoglio tentou sem sucesso atacar o bispo paraguaio. Hoje, entretanto, ele é Papa. E Francisco não esquece, Francisco não perdoa.

Revisitada a história recente da diocese, podemos prosseguir com as razões apresentadas pelo Núncio para a visitação apostólica. Questionado sobre o motivo da visita, durante uma coletiva de imprensa, o Núncio afirmou:

"É para averiguar não apenas o que se passou ultimamente, mas ver tudo o que acontece na casa de Ciudad del Este".

O que se passou ultimamente foi uma briga pública e lamentável entre o arcebispo de Assunção e o bispo de Ciudad del Este, inclusive com o primeiro sendo chamado de homossexual pelo segundo.

Mas perceberam? Não se trata de uma intervenção em torno do caso do Pe. Urrutigoity, mas irão investigar TODA a diocese. Segundo informou o 
site de notícias paraguaio ABC:
"Também chama a atenção da Santa Sé as denúncias de má gestão dos recursos financeiros dentro da diocese, que inclusive chegaram a processos judiciais. Os enviados do Papa Francisco também avaliarão as supostas irregularidades no seminário de Ciudaddel Este"

No comunicado em papel timbrado da Nunciatura, que apresentamos no início da postagem, estranhamente não se fala de uma investigação de Pe. Urrutigoity, mas é possível ler claramente a vontade do Papa em investigar os seminários da diocese. O seminário? Jura!? Quem diria... Francisco não esquece, Francisco não perdoa!

Investigar Pe. Urrutigoity é uma prioridade, sem dúvida. Se culpado, que o punam, mas se for inocente que se faça justiça e limpem seu nome.


O que realmente está em jogo

Como eu já disse o Papa Francisco não esquece e não perdoa. Mons. Livieres foi uma pedra em seu sapato por muitos anos porque provava que o modelo adotado em Buenos Aires era um modelo fracassado. Livieres fazia Bergoglio encarar o seu próprio fracasso enquanto pastor.

Enquanto o seminário de Ciudaddel Este tem mais seminaristas do que todos os outros seminários paraguaios juntos, a arquidiocese de Buenos Aires - a mais importante da Argentina! - patina com duas dúzias de jovens.

A visita não será focada em Urrutigoity, mas no seminário. A casa de formação é sim o grande alvo dos visitadores.

De fato, como informa no 
site oficial da diocese, Mons. Livieres alega que desde 2013 pediu ao Vaticano uma visita ao seminário diocesano "para que eles possam nos ajudar a levar da melhor forma possível o governo da nossa Diocese, e aperfeiçoou o trabalho que já estamos fazendo, porque nós temos experimentado um crescimento incrível nos últimos anos, graças a Deus". Certamente o bispo está muito seguro do trabalho que vem executando.

Como também 
reportamos aqui em 2012:
Chegou a diocese de Ciudaddel Este um relatório da Congregação para a Educação Católica aprovando os métodos, a espiritualidade, enfim, tudo no seminário São José!Após a análise de mais de 200 páginas de um relatório enviado por MonsLivieres, contendo currículo, cronograma, histórico, professores e perfil de cada candidato de forma detalhada, a Congregação não só aprovou como elogiou o seminário.

Diferentemente de outras casas de formação, Mons. Livieres sempre fez questão de manter o Vaticano informado de tudo, desde o currículo até o perfil dos candidatos. Nada foi feito na encolha, como se costuma dizer.

Agora, entretanto, falam de irregularidades no seminário! Como pode ser? O que mudou em dois anos? Bem... mudou o Papa e Francisco não esquece, Francisco não perdoa!

Se a visitação será feita também no seminário, nada mais natural do que enviar alguém da Congregação para Educação Católica ou da Congregação para o Clero (que é a atual responsável pelos seminários). Entretanto caberá provavelmente a um bispo auxiliar de Montevidéu, que é reitor de um seminário interdiocesano, investigar o seminário de Ciudaddel Este. O 
seminário comandado pelo bispo tem 25 seminaristas e segue a mesma linha do seminário de Buenos Aires com disciplina relaxada.
Formadores do Seminário Uruguaio


Irregularidades Financeiras

Depois dos escândalos de má gestão do Banco do Vaticano, parece que a tendência é fazer tais escândalos aconteceram na esfera diocesana para se livrar de algum bispo. Foi assim com o bispo alemão de Limburgo, Franz-Peter Tebartz van Elst, e com o arcebispo argentino de Rosário, José LuisMollagha, também um antigo desafeto de Bergoglio.

Quais seriam essas supostas irregularidades financeiras? Nada se explica, só se afirma que existem.
Quantos milhões podem ser escondidos numa diocese paraguaia? Fracamente... Meu bispo construiu um seminário enorme para pouco mais de 20 seminaristas, numa área próspera e cara, sendo que a diocese já contava com dois (!!!) outros prédios construídos. Não vejo o Vaticano desembarcando por essas bandas...

O que virá?

Creio que Dom Rogelio Livieres será afastado. Não resta dúvida disso. O seminário sofrerá uma intervenção nos moldes daquela sofrida pelos Franciscanos da Imaculada. As comunidades tradicionais que se refugiaram em Ciudaddel Este, uma delas brasileira, ficarão à deriva.

É muito claro que o projeto de destruição de Ciudad del Este já estava no coração de muitos prelados, paraguaios ou não. Só precisavam de um motivo prático para a inquisição régia, que é a marca deste pontificado, começar. Tudo o que é tradicional deve ser neutralizado.

E o Pe. Urrutigoity? O seu destino não importa, o que importa é que Francisco não esquece, Francisco não perdoa!



Fonte: Blogonicvs

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O perigo da obediência indevida ou servilismo e da perda daquilo que representamos


DESTAQUE

(...) em vista de condenações generalizadas que muitas vezes foram pronunciadas em alguns ambientes, os quais afirmam categoricamente que a celebração segundo os ritos novos é ipso facto matéria de pecado mortal.
o documento todavia não exclui a possibilidade de nutrir reservas teológicas, não impede de agir consequentemente (leia-se aqui), não impõe como obrigação o birritualismo.
Escrevemos no passado que a esse propósito fazemos nossas as reservas que expressou Sua Eminência o Cardeal Ottaviani ao escrever a carta de acompanhamento ao Breve exame crítico do Novus Ordo Missae. Tanto prelados, aliás, dos quais não é o último o atual Pontífice Reinante, já escreveram pedindo uma “reforma da reforma”: evidentemente, haverá motivos… Parece-nos então que o termo “exclusivo” exprima bem a nossa posição e como tal foi admitido em nossos Estatutos pela Santa Sé, em uma recíproca atitude de lealdade. Sem querermos substituirmo-nos a um futuro pronunciamento da autoridade eclesiástica, afirmamos, com prudência e moderação, mas sem subterfúgios, nossa opinião; esse não é peremptória, mas quer ser franca e supõe consequências. Se não agíssemos assim e escondêssemos o pensamento de nossos corações, ou pior ainda, se agíssemos contra a consciência, faltaremos realmente com o respeito à Autoridade que queremos servir na clareza de posições. Pensamos, portanto, que o termo exclusivo deve ser mantido, mesmo por observância dos compromissos por nós publicamente assumidos. O Bom Pastor, de fato,  não nasceu para ocupar-se do próprio interesse pessoal –  vitam suam dat pro ovibus suis – mas para oferecer um testemunho da possibilidade de uma posição eclesial que inclua os citados pressupostos.
*** * ***
O ‘rito próprio’ e a ‘hermenêutica da continuidade’ são suficientes?
[Comentário da Montfort em 3 de maio de 2012]:

O texto abaixo foi publicado no blog “Disputationes Theologicae”, mantido pelos padres Stefano Carusi e Mathieu Raffray, do Instituto do Bom Pastor. O artigo responde às especulações e críticas levantadas pela publicação misteriosa de uma carta de Monsenhor Guido Pozzo, da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei e de um relatório da visita canônica ao IBP, acontecida por ocasião do fim do período de experiência concedido pela Santa Sá, após sua fundação, em 2006.
 
[Texto do Padre Carusi]
Nossa Redação, após a publicação do relatório da visita canônica do Instituto do Bom Pastor, tem recebido perguntas que podem ser resumidas pelo título deste artigo. A questão nos parece ter um relevante interesse eclesial, ainda mais se levarmos em conta as solicitações a que nos pronunciássemos presentes em vários artigos aparecidos sobre esse assunto, como aquele do superior do distrito italiano da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Exporemos, portanto, algumas considerações a nossos leitores, as quais, evidentemente, comprometem apenas a linha editorial desta revista livre.
O texto produzido pela Reverenda Comissão Pontifícia Ecclesia Dei oferece ao Instituto do Bom Pastor algumas indicações, em parte de ordem prático-jurídica, e em parte teológico-eclesial.  Essas indicações tocam a “especificidade” do Instituto, não em termos peremptórios, mas antes em forma de conselho: a respeito da celebração da Missa tradicional tal como é prevista pelos Estatutos, a Comissão convida a falar de “rito próprio”, nós citamos literalmente, “sem falar de exclusividade” (é um convite a modificar os Estatutos fundadores?). Ela pede também – e sobre esse segundo ponto com uma formulação um pouco mais forte – para diminuir a “crítica, mesmo séria e construtiva” dos aspectos do Concílio Vaticano II que levantam dificuldades, para insistir mais “sobre a hermenêutica da renovação na continuidade” adotando “como base” o “Novo Catecismo”.
Quanto a esses dois pontos, a questão, longe de ser uma simples discussão terminológica, nos parece crucial para o futuro do Bom Pastor. No mais, a Comissão parece ter querido, em seu conjunto, apresentar seu próprio ponto de vista teológico-litúrgico e, sempre sem se tratar de ordens formais, ela deixa a escolha ao Capítulo Geral.

A natureza do texto de Monsenhor Pozzo e as circunstâncias históricas

O documento é o resultado da visita canônica efetuada após o prazo de seis anos desde a fundação do Instituto. Nós lembramos que o reconhecimento desse último foi querido pessoalmente pelo Santo Padre Bento XVI, para oferecer a possibilidade da “experiência da Tradição”, com duas especificidades expressamente previstas pelos Estatutos (aprovados por Roma) e em virtude das quais se falou de um “avanço” da causa tradicional: a celebração exclusiva da “Missa gregoriana” (conforme a expressão do Cardeal Castrillon Hoyos) e a possibilidade explícita de uma “crítica séria e construtiva” dos pontos do Concílio Vaticano II que parecem dificilmente conciliáveis com a Tradição.
Ora, do ponto de vista litúrgico, o texto afirma que seria desejável uniformizar os Estatutos do Instituto com o “espírito” do Motu Proprio Summorum Pontificum, aparecido um ano mais tarde, eliminando a palavra “exclusiva”, e substituindo-a pela expressão “rito próprio” (o termo, já presente nos Estatutos em dois pontos, é, no entanto, invocado em contraposição ao outro e não em integração com ele). Notemos, entretanto, que tal termo, assim como na redação aprovada pela Santa Sé em 2006, não é incompatível com a recente legislação na matéria, sendo antes o reconhecimento jurídico de uma peculiaridade. Na Igreja, a existência de uma lei geral (e, nesse caso, simplesmente de uma orientação) não impede o reconhecimento de um direito próprio: a fortiori em presença de uma precedente aprovação de autoridade eclesiástica. Nesta perspectiva, pode-se compreender que tal indicação da Comissão esteja na ordem do convite.
Do ponto de vista teológico, o documento convida a privilegiar a “hermenêutica da renovação na continuidade” sobre a “crítica, mesmo séria e construtiva” e, mais geralmente, a atitude “positiva”. A Comissão parece reconhecer que a atitude do Bom Pastor não é aquela de uma crítica selvagem, desrespeitosa, extremista e temerária, mas permaneceu no âmbito dos compromissos assumidos em 2006. Naquele contexto, o Instituto, não havendo pleno acordo sobre algumas questões doutrinárias, subscrevia um “acordo prático-canônico” – incluindo também os dois pontos supramencionados – em um espírito de filial colaboração com a Santa Sé e levando a sério as declarações de Sua Eminência Cardeal Castrillon Hoyos, o qual repetia que, se há evidência de incoerências, “a crítica construtiva é um grande serviço a prestar à Igreja”.

Uma proposta de reflexão

O citado texto deve ser acolhido com o respeito que é devido a um documento proveniente de um Dicastério Romano, e, ao mesmo tempo, naquele mesmo espírito de abertura e de franqueza no qual agora nos empenhamos. Ele contém algumas indicações de ordem prático-jurídica que são inspiradas pela solicitude em vista de um aperfeiçoamento da justiça administrativa que deve caracterizar toda sociedade; mostra-se preciosa a solicitação a aprofundar “o pastoreio de Cristo”; inevitavelmente, em uma fundação jovem, há aspectos a melhorar e a Comissão oferece indicações que não devem ser desprezadas. Mas o documento pede também a reconsideração de dois pontos que constituem a especificidade do Instituto; sob este aspecto, nosso ponto de vista discorda daquele do relator.

A celebração “exclusivamente” no rito tradicional

Não vemos uma incompatibilidade legislativa entre tal faculdade e o Motu Proprio Summorum Pontificum mesmo porque a aludida referência que manda não “excluir, em princípio a celebração segundo os livros novos”, não está contida na parte normativa, mas na carta argumentativa. Além disso, a passagem pode ser entendida como recomendação a não excluir que outros sacerdotes católicos celebrem segundo os novos livros, em vista de condenações generalizadas que muitas vezes foram pronunciadas em alguns ambientes, os quais afirmam categoricamente que a celebração segundo os ritos novos é ipso facto matéria de pecado mortal. Em todo caso, não foi posto pelo Supremo Legislador como obrigação de lei. Também a Instrução Universae Ecclesia (o artigo 19, por exemplo) afirma a impossibilidade de uma exclusividade que é acompanhada de ataques violentos (sint infensae) e sentenças categóricas contra textos aprovados pela Santa Sé: o documento todavia não exclui a possibilidade de nutrir reservas teológicas, não impede de agir consequentemente (leia-se aqui), não impõe como obrigação o birritualismo.
Escrevemos no passado que a esse propósito fazemos nossas as reservas que expressou Sua Eminência o Cardeal Ottaviani ao escrever a carta de acompanhamento ao Breve exame crítico do Novus Ordo Missae. Tanto prelados, aliás, dos quais não é o último o atual Pontífice Reinante, já escreveram pedindo uma “reforma da reforma”: evidentemente, haverá motivos… Parece-nos então que o termo “exclusivo” exprima bem a nossa posição e como tal foi admitido em nossos Estatutos pela Santa Sé, em uma recíproca atitude de lealdade. Sem querermos substituirmo-nos a um futuro pronunciamento da autoridade eclesiástica, afirmamos, com prudência e moderação, mas sem subterfúgios, nossa opinião; esse não é peremptória, mas quer ser franca e supõe consequências. Se não agíssemos assim e escondêssemos o pensamento de nossos corações, ou pior ainda, se agíssemos contra a consciência, faltaremos realmente com o respeito à Autoridade que queremos servir na clareza de posições. Pensamos, portanto, que o termo exclusivo deve ser mantido, mesmo por observância dos compromissos por nós publicamente assumidos. O Bom Pastor, de fato,  não nasceu para ocupar-se do próprio interesse pessoal –  vitam suam dat pro ovibus suis – mas para oferecer um testemunho da possibilidade de uma posição eclesial que inclua os citados pressupostos.

A “crítica séria e construtiva”

Com efeito, nestes seis anos nos esforçamos – também no cumprimento dos compromissos assumidos com a Santa Sé – por analisar os documentos mais recentes em um espírito sereno, obsequioso, mas que não esconde aprioristicamente nenhuma real dificuldade de conciliação com a Tradição. Teria sido esconder essas dificuldades uma atitude não só pouco científica teologicamente, mas sobretudo desleal em relação à Igreja. Isso não basta? Este posicionamento não exclui –  aprioristicamente – que alguns pontos problemáticos de certos pronunciamentos possam ser interpretados segundo uma leitura de “continuidade da hermenêutica teológica”, ainda que apresentando algumas vezes expressões ambíguas. A crítica “séria e construtiva” não exclui forçosamente a eventualidade,  sempre que possível, de ler em continuidade com o Magistério anterior algumas passagens recentes; mas quer exprimir também a possibilidade – e o dever filial – de dizer abertamente à Santa Sé que certas coisas poderiam pedir uma reconsideração. Em razão do poder das Chaves, no supremo obséquio à Verdade e no interesse da Igreja, o Sumo Pontífice pode fazê-lo com textos magisteriais não infalíveis, especialmente onde a continuidade fosse não demonstrada. Se, com nossa história, deliberadamente ofuscássemos tal humilde testemunho, essa poderia ser a maior falta de respeito em relação à Sé Apostólica; estaríamos em busca de um imediato benefício pessoal – ainda que social – “pro domo sua” , abandonando o compromisso em virtude do qual alguns aderiram justamente a essa Congregação, compromisso que a Santa Sé aprovou por escrito no recente 2006.

O perigo da obediência indevida ou servilismo e da perda daquilo que representamos

Quisemos oferecer nossas considerações, levando em conta a natureza do Instituto do Bom Pastor. Se este se privasse de suas especificidades estatutárias, seria – é a opinião de nossa revista – radicalmente desnaturado e perguntamos: sem a “exclusividade” e deixando de lado a “crítica séria e construtiva”, o Bom Pastor conservaria sua razão de existir? Por que não preferir então qualquer outra Congregação? Depois do “espírito do Concílio” há realmente necessidade do “espírito do Motu Proprio”, erigido em norma? Nas disputas atuais, não é importante pedir uma clara distinção entre uma argumentação e uma obrigação, um convite e uma lei, uma opinião (ainda que autorizada) e um claro ensinamento? Se confirmássemos a impressão [de] que as concessões previstas em acordos são instáveis, renderíamos um serviço à Igreja? Um estudioso como Mons. Nicola Bux evitou “dogmatizar”, enfatizando-a excessivamente, a hermenêutica da continuidade (que os progressistas continuam tranquilamente a ignorar), dizendo sobriamente que essa “forneceu um critério para enfrentar a questão e não para fecha-la”. Seremos críveis se quiséssemos ser (ou simular ser) mais ratzingerianos que  Mons. Bux?
Além disso, é realista esperar que a Fraternidade São Pio X adote, agora ou dentro de seis anos, as orientações que foram sugeridas? Mais ainda, se determinados pontos fossem juridicamente incompatíveis e eclesialmente impossíveis, isso nós já o saberíamos, em um espírito de direito, tanto quanto à Fraternidade São Pio X quanto  ao Instituto do Bom Pastor (que ainda por cima não pretendeu a “contrapartida” dos preliminares). Devemos portanto considerar, confiantes na Providência, que são precisamente sugestões. Não esqueçamos de que há hoje, na Igreja, pressões desagregadoras e gravíssimas dificuldades; mas parece que as citadas peculiaridades do Instituto do Bom Pastor, mais que um obstáculo ao bem do Corpo Místico, sejam um humilde e sincero serviço à Igreja.
 Pe. Stefano Carusi, IBP

sábado, 15 de março de 2014

A INFANTILIZAÇÃO E O 'DESFIBRAMENTO' DA MISSA CATÓLICA‏




Bajo el título «¿El primer y último concilio pastoral?» - da 

revista tradicionalista "Der Fels"

El provecho que hay que sacar de la infeliz experiencia del Segundo Concilio Vaticano consiste en que la Iglesia estará curada de la tentación de reunir otros concilios pastorales nuevos. La pastoral es efímera de por sí: se adecua a una época determinada. (En una época determinada, por ejemplo, podría ser aconsejable retirarse del mundo antes que lanzarse a él precipitadamente). La pastoral no puede ser objeto de decisiones irrevocables. Por ello tampoco comparto la opinión de Marcel Clement, quien afirma en el «Homme Nouveau», de julio/agosto de 1985, que el Segundo Concilio Vaticano posee, en la vida de la Iglesia, la misma autoridad que los concilios anteriores. Fue el primer concilio pastoral (y en consecuenciatransitorio). ¡Probablemente habrá sido, a la vez, el último!».

Tomado de: KLINGER, E. EL CONCILIO COMO TAREA DOGMATICA. En rev. Salmanticensis (1988), volumen 35, n.º 1-2. Ps 63-75.

terça-feira, 4 de março de 2014

No Altar à Hora Nona - O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional.

Mas, e a Ressurreição? Ela é o triunfo, isso é verdade. Porém, ela é o triunfo vivido de maneira oculta, por um Deus sem arrogância. Ela acontece novamente, mas em silêncio e solidão. Dentro do túmulo de pedra, de noite, ninguém estava lá, exceto os soldados que guardavam a entrada. Da mesma maneira, em uma voz mais baixa, no silêncio que permanece escondido nas profundezas das palavras do sacerdote, o “Alter Christus” no altar do Sacrifício, a Ressurreição novamente estará presente. Em silêncio e solidão. 
E assim vemos o “porquê” e o “como” o que significa “estar na Missa”, como alguém “assiste” ao Santo Sacrifício da Missa, a Missa antiga. Isso está longe da gritaria e dos aplausos, longe do comportamento frenético e da síndrome de querer ser o centro das atenções, longe os microfones crepitantes e com deformação de som, longe da inundação de fraseologia fria, longe da Missa reformada no estilo dos anos 70, uma década cheia de retórica cansativa ornada de slogans populistas que no final não têm utilidade alguma para alguém de qualquer tempo, uma das piores décadas já vividas na face da terra.

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No Altar à Hora Nona - O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional




É UMA PENA QUE POUCOS...OU TALVEZ NINGUÉM VÁ LER ESTE TEXTO.

(HOJE PODEMOS DIZER COM CERTEZA: O POVO SE PERDE POR PREGUIÇA: DE LER, DE PENSAR.... A GRANDE MAIORIA PREFERE SÓ OLHAR FIGURAS E ‘CURTIR’ BOBAGENS.

Traduzido do italiano pelo Padre Richard G. Cipolla
Fonte original: “La Cuccia del Mastino”, 14 de janeiro de 2014



No Altar à Hora Nona. O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional


Há duas facetas em particular que nos permitem uma compreensão mais profunda da Missa, especialmente, de acordo com a Forma Extraordinária, que pessoalmente prefiro: o silêncio e a solidão. O altar, antes, durante e depois do Sacrifício, é coberto em silêncio. E pela solidão: a do celebrante, o “AlterChristus.”

Mas como isso pode acontecer, alguém dirá, uma vez que a Páscoa e, portanto, a celebração são triunfos? Isso é verdade. Mas a celebração da Missa também é a renovação da Paixão e Morte de Cristo, que se desenrola no silêncio, na solidão, na traição, na negação e na fuga dos discípulos. Na Última Ceia, Cristo é traído e vendido por Judas. No Jardim das Oliveiras, na noite antes de sua morte, Cristo é deixado sozinho para suar sangue, enquanto seus discípulos dormem, em vez de rezar com Ele, a única coisa que lhes pedira. Naquela mesma noite, Pedro o nega três vezes. Ninguém tenta salvá-Lo, ninguém se oferece para suportar o peso de Sua cruz, mesmo por pouco tempo (o Cireneu foi forçado a fazê-lo). Ninguém parece conhecê-Lo ou reconhecê-Lo.


Cristo, em um momento de verdadeira dor humana, clama em voz alta ao Seu Deus, ao Abba, o abismo de miséria e solidão em que mergulha em silêncio. “Solidão”. A mesma solidão que o sacerdote, o AlterChristus, experimenta nesse momento no altar do Sumo Sacrifício, o Gólgota renovado, onde, de um modo real e mais uma vez, a Paixão de Cristo irrompe. O sacerdote está sozinho no altar. E a esta solidão soma-se a sombra protetora da solidão: silêncio. Na colina desolada do Gólgota, primeiro no Jardim [das Oliveiras] e é assim em seguidacomo no túmulo, Cristo está sozinho e em silêncio: o silêncio de sua obediência, do cálice de amarga aflição, o suor misturado com sangue. E este é o silêncio da impotência, uma impotência que por um momento parece até mesmo ser uma impotência deDeus. “Meu Pai, Abba, por que me abandonaste?” O “silêncio” de Deus, neste momento, quando a onda do abismo está quebrando sobre Cristo, parece quase como o naufrágio da Divindade no nada.


Porém, também é a impotência e a desolação que vem do primeiro e eterno “Sim”, em obediência da Maria aos pés da Cruz, ao aceitar este Filho que não era para ela conservar para Si: “StabatMater dolorosa…” Esse é o silêncio temeroso que foi experimentado pela maravilhosa Santa Teresa de Lisieux em seu leito de morte, quando ela gritou, naquele momento derradeiro de agonia e escuridão, que ela não tinha sensação da presença de Deus.


Silêncio. Assim como os discípulos estavam em silêncio, tal estava Maria, e igualmente todos os que amavam Cristo como homem e Messias.


Havia silêncio aos pés da Cruz.

Havia silêncio quando os outros se esconderam. Havia silêncio por causa da obediência.

Havia silêncio por causa da covardia.

Estavam silenciosos, paralisados pela dor.

Estavam silenciosos em confusão. Ou porque, ao final, as coisas “tinham mesmo que acabar” daquela maneira… Todos permaneceram em silêncio.

Apenas continuaram onde estavam: na Paixão e Morte do Filho de Deus.

Pelo mesmo motivo, na Missa do Sacrifício, os fiéis não deveriam “participar”, mas “assistir”, mantendo o silêncio — aquele mesmo silêncio que resguarda o sacerdote enquanto ele oferece o Sacrifício de Cristo e de si mesmo.

E, ao mesmo tempo, em estado de aceitação ativa, devem oferecer a sua parte naquilo que compõe o mistério, ou seja, no milagre, assim como prometeu o Messias, quando disse que não nos deixaria órfãos.

Entretanto, e a Ressurreição? É o triunfo, isso é bemverdade. É, porém, o triunfo vivido de maneira oculta, por um Deus sem arrogância. Na Missaacontece novamente, mas em silêncio e solidão.

Dentro do túmulo de pedra, de noite, ninguém estava lá, exceto os soldados que guardavam a entrada.

Da mesma maneira, em uma voz mais baixa, no silêncio que permanece escondido nas profundezas das palavras do sacerdote, o AlterChristus no altar do Sacrifício, a Ressurreição novamente estará presente. Em silêncio e solidão.

E assim vemos o “porquê” e o “como” do significado de “estar na Missa”, como alguém que “assiste” ao Santo Sacrifício da Missa, isto é, da Missa antiga. Isso está longe da gritaria e dos aplausos, longe do comportamento frenético e da síndrome de querer ser o centro das atenções, longe dos microfones crepitantes e do som desafinado, longe da inundação de fraseologia fria, e longe da Missa reformada no estilo dos anos de 1970 — década cheia de retórica cansativa, ornada de slogans populistas, que, em suma, nada tem de útil para oferecer, a ninguém de nenhuma época (nesta, que é uma das piores décadas já vividas na face da terra).






segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A JUVENTUDE QUER A TRADIÇÃO, NÃO OS DESTROÇOS DO 'PROGRESSISMO' DECRÉPITO!


Jornal “A Tarde” publica matéria sobre Missa Tridentina em Salvador





[A Missa Tradicional celebrada em Salvador foi assunto de uma simpática matéria no "A Tarde", conhecido jornal da Bahia. 
Maravilhosa a explicação do pe. Gilson: “O sacerdote não está de costas para o povo, mas, com o povo, olha o oriente”. E isso, que não ouvimos nas nossas paróquias, exposto assim com clareza e sem preconceitos num jornal secular! São as pedras falando, porque se calaram os que tinham o dever de instruir o povo de Deus.
Cliquem aqui para obterem o arquivo .pdf em maior resolução.]



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

MÁRTIRES EM PROL DA VERDADEIRA MISSA - INGLATERRA, QUASE QUINHENTOS ANOS ATRÁS

“É a missa que importa”. A Resistência do Oeste Inglês ao protestantismo.


Por Maria Pia Ghislieri, Corrispondenza Romana | Tradução: Lucas Janusckiewicz Coletta, Fratres in Unum.com -  Durante o reinado de Henrique VIII, após seu ato cismático, muitas mudanças foram feitas na Inglaterra no campo religioso. Embora isso não fosse do agrado dos católicos Ingleses, os mesmos foram assegurados de que a fé professada em suas paróquias continuaria a ser a fé de seus antepassados. Henrique VIII rompeu com Roma, mas a Igreja da qual ele tinha se proclamado chefe não havia se separado da doutrina romana.

Thomas Cranmer
Thomas Cranmer

Após a morte do rei, Cranmer (que fora nomeado arcebispo de Canterbury em 1532) mostrou a sua verdadeira face. Fora um dos mais influentes conselheiros do menino-rei Eduardo VI e, graças a essa influência, ele levou a cabo o seu plano de remover os últimos vestígios do catolicismo inglês, começando com a destruição das imagens, relíquias, cerimônias, procissões (também a do Corpus Christi), mas especialmente a da Santa Missa, que ele substituiu com a pseudo liturgia de comunhão protestante, que foi imposto em duas fases, em 1549 e 1552.
Essa tarefa destrutiva na Cornualha [ndr: um ducado na Inglaterra] foi confiada a William Body, cuja ação foi vista como uma profanação dos lugares sagrados, o que levou a seu assassinato 05 de abril de 1548. Entendia-se desde o início que o povo da Cornualha não havia aceitado facilmente a “nova” imposição no campo religioso.
O Livro de Oração Comum (Book of Common Prayer), que refletia a teologia protestante, embora mantendo algum vestígio do rito católico, deveria traduzir para o idioma inglês os quatro antigos textos litúrgicos latinos, ou seja, missal, breviário, ritual e do pontifical. Essa mudança foi vista com desconfiança e muita oposição, especialmente naqueles lugares felizmente conhecidos por sua lealdade para com a Igreja Católica Romana, como nos condados da Cornualha e Devonshire. Foi esse ataque à Igreja, e particularmente à Santa Missa, que levou a uma resistência armada conhecida na Inglaterra como a “insurreição ocidental” (the wester rising). É interessante notar que para os agricultores e trabalhadores que encorajaram tal resistência, muitos dos quais eram simples analfabetos, o repúdio ao Papa não era muito preocupante. Eles estavam lutando, antes de tudo, pela sua missa.
Em 09 de junho de 1549, Domingo de Pentecostes, a nova Missa ou Liturgia de comunhão protestante entrou em vigor com punição severa para aqueles que se recusassem a se adequar às novas normas. Em um lugar remoto de Devonshire, chamado Samford Courtney, um sacerdote que contava com mais de setenta anos, em obediência às ordens do rei, celebrou a missa de acordo com o novo rito. Os paroquianos que estavam presentes, quando pela primeira vez se viram privados de sua eterna Missa, decidiram rejeitar a nova liturgia. No dia seguinte, eles foram até o pároco e o obrigaram a utilizar o antigo Missal e a celebrar a missa haviam participado por toda a vida, não querendo que ela jamais fosse alterada. O bom padre cedeu aos pedidos de seu rebanho e celebrou a Missa de sempre. Os fiéis católicos, de fato, sustentavam que a nova liturgia em inglês não era mais do que “uma comemoração natalícia” e não tinham nenhuma intenção de aceitá-la. Na cerimônia sucessiva vieram alguns juízes para impor as mudanças litúrgicas, mas durante a celebração houve uma briga que levou à morte de um dos defensores das inovações (William Hellyons), que foi perfurado com uma foice nos degraus da igreja.
Um “gentleman” do local tentou convencer o povo a aceitar o novo rito com a ameaça de que o protesto traria uma necessária intervenção armada do governo. Mas o povo da Cornualha e Devonshire não tinha nenhuma intenção de ceder a qualquer pressão, alegando que a sua resistência foi motivada por uma profunda fé na Santa Missa, que – eles compreendiam bem – dizia respeito não só a sua vida terrena, mas também, e acima de tudo, a sua salvação eterna.
Houve uma longa tentativa de negociação entre esses católicos, “rebeldes” para com o novo rito, mas fiel à tradição de seus pais, e o governo oficial que os obrigava a usar o novo rito protestante. Estes homens simples e iletrados, analfabetos, mas de uma fé límpida e profunda prometeram acabar com a insurreição desde que o rei e os seus conselheiros não ousassem modificar a verdadeira religião. Era óbvio que a verdadeira razão da resistência era a defesa da fé católica.
A proposta não foi aceita, e eis que muitos milhares de camponeses, mineiros e pescadores (que representavam muitos outros com as mesmas crenças), marcharam em direção Exeter para protestar contra a introdução do novo rito. Eles estavam avançando com o estandarte com as Cinco Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, com crucifixos, velas e incenso. Eram homens simples, que formaram uma força organizada, armada e disciplinada que combatia contra o poder do Estado.
Lideravam a procissão sacerdotes que, vestidos com seus paramentos tradicionais, levavam consigo o Santíssimo Sacramento sob um magnífico baldaquino. Enquanto o grupo atravessava o condado de Devonshire, ganhava mais adeptos entre os católicos fervorosos da área. Embora a maioria fosse composta de camponeses da Cornualha e Devonshire, se uniram a eles também membros da aristocracia Inglesa como Humphrey Arundell, que pertencendo a uma nobre e respeitada família de Devonshire, também era conhecido por suas proezas militares.
O governo não deixou de divulgar uma série de acusações infundadas sobre as “supostas” atrocidades cometidas pelos “rebeldes”. Mas das 15 demandas que eles expuseram contra o governo, provando claramente a natureza puramente religiosa da resistência, citemos, por exemplo, apenas três:
* Nós não aceitamos o novo rito (protestante), porque ele é como uma “festinha de aniversário”, mas queremos as Matinas, a Missa, as Vésperas e Procissões em latim, como era antes. E por isso nós, homens da Cornualha (e também porque alguns de nós não entendem o inglês) rejeitamos firmemente o novo rito inglês.
* Nós queremos a missa em latim como era antes, celebrada só pelo sacerdote sem qualquer diálogo com o povo.
* Todo pregador nas suas homilias e cada sacerdote em suas missas devem rezar especialmente pelas almas do Purgatório, citando os nomes, como faziam no tempo dos nossos pais. (Cranmer, não acreditando no purgatório, havia removido qualquer traço no culto protestante).
Cranmer, diante dessas demandas assinadas por muitos agricultores, mas também por Humphrey Arundell, não teve outra reação a não ser o desprezo. Considerou o desejado retorno para a liturgia latina simplesmente “ridículo” porque ele havia imposto a língua vernácula para o bem daquela gente iletrada. É importante notar que se esses homens, por um lado, em consciência desobedeciam ao rei quanto à nova Missa e os novos ritos, por outro, reconheciam sua autoridade e não pensaram em nenhum momento em depô-lo. Eles o obedeceriam com a condição de que não fossem privados de sua fé. Eram homens humildes que se rebelavam espontaneamente para defender a fé de seus pais.
Mas o governo teve tempo de organizar um exército para destruí-los. Contra toda a esperança, os rebeldes continuaram a lutar suas batalhas até que restaram apenas alguns. Lutaram bravamente e não tiveram medo de perder suas vidas. A última batalha teve lugar em 29 de agosto de 1549, em Sampford Courtenay, onde a rebelião começou. As forças eram desiguais e os católicos militantes sabiam que estavam condenados à derrota. Mas, em sua homenagem, um historiador da época escreveu: “Os fiéis católicos da Cornualha não se renderam até que a maioria deles não havia sido morta ou capturada”. Nesta última batalha extenuante, Humphrey Arundell, que estava entre os líderes da insurreição, foi capturado. Levado a Londres depois de alguns meses, foi julgado e acusado de alta traição. Em 27 de janeiro de 1550, foi executado com uma das piores punições previstas pelo regime da época: enforcado, estripado e esquartejado.
Ao longo da resistência, cerca de 5000 homens perderam sua vida, morreram pela fé, mas sobretudo pela Missa de sempre. O rito de Cranmer foi imposto a preço do sangue desses heróis da fé.
Naqueles tempos difíceis, era um espetáculo aterrorizante, mas muito comum ver padres enforcados nos campanários, vestidos com seus sagrados paramentos e com aspersório [de água benta], sineta e rosário pendurados com eles. Todos os livros litúrgicos tradicionais foram queimados. Os grandes e sonoros sinos das igrejas que chamavam os fiéis para a missa tradicional foram removidos para dar lugar a sinos pequenos para o uso na liturgia protestante. E, assim, também as pobres pessoas do Oeste Inglês foram constrangidas a aceitar a nova religião em língua vernácula.
O futuro do mundo e da salvação das almas depende da “sobrevivência” da Missa tradicional na Igreja Católica. Por quê? Porque lex orandi lex credendi. A lei da oração é a lei da fé. Em todos os lugares onde se continua a celebrar a Missa de sempre a fé não pode ser extinta.
Os valorosos heróis da resistência inglesa, que daquele longínquo ano de 1549 até hoje, continuam a gritar com o seu memorável exemplo que levou até ao derramamento de sangue: “É a Missa que importa”.

Tradução e adaptação para a língua portuguesa de Lucas Janusckiewicz Coletta, a quem agradecemos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Missa Nova ou Missa Tradicional?



(Artigo do antigo Pe. Fernando Rifan, antes da rifa)…

Há muitos católicos, aliás no mundo inteiro, que dizem não poder, em consciência, aceitar a Missa Nova.
Missa Tradicional
Missa Tradicional: Voltada para a adoração a Deus, o princípio e o fim do Sacrifício, diante do qual todos os homens se humilham e descem dos seus pedestais. Para Deus se há de dar o melhor: a melhor arte, os melhores paramentos, as melhores intenções, a maior preocupação em fazer tudo para dar a ele um sacrifício o mais digno de sua glória possivel, dentro da capacidade humana.
Contra eles, costuma-se dar três objeções:
1ª. A Missa Nova na verdade é a mesma Missa de sempre. Não há portanto razão para recusá-la;
2ª. O Papa mandou explicitamente a Missa Nova. Ora, os fiéis devem obedecer ao Papa, mesmo quando não fale “ex-cathedra”;
3ª. O Papa, apesar de não usar neste caso a sua infalibilidade, não poderia errar em matéria tão grave.
RESPOSTAS
1.ª OBJEÇÃO: A Missa Nova é a MESMA Missa de sempre.
É melhor deixar responder a isto a próprio Mons. Aníbal Bugnini, então secretário da Congregação do Culto Divino, o grande mentor da Missa Nova: “Não se trata apenas de retoques numa obra de grande valor, mas às vezes é preciso dar estruturas novas a ritos inteiros. Trata-se de uma RESTAURAÇÃO FUNDAMENTAL, eu diria quase uma MUDANÇA TOTAL e, para certos pontos, de uma verdadeira NOVA CRIAÇÃO” (Doc. Cat. n.º 1493, 7/5/1967). Por estas palavras se vê que a Missa Nova já não é a mesma Missa Tradicional.
Aliás, se é a mesma coisa, então por que criticar e até perseguir os que querem ser fiéis à Missa Tradicional?
2.ª OBJEÇÃO: O Papa MANDOU explicitamente a Missa Nova.
Antes de responder, gostaria de fazer quatro perguntas a quem fizesse essa objeção:
a) Um Papa pode entrar em DESACORDO com a TRADIÇÃO?
b) Se um Papa estiver em desacordo com a TRADIÇÃO, a quem devemos seguir, ao Papa ou à Tradição?
c) Um Papa pode terminar FAVORECENDO UMA HERESIA?
d) Se o Papa favorece a heresia, neste caso o que se deve fazer: obedecer ao Papa e favorecer a heresia ou conservar a Fé intacta?
Existem graves razões de Fé para não se aceitar a Missa Nova.
A Igreja condenou os erros protestantes. Definiu, com infalibilidade, dogmas de Fé sobre a PRESENÇA REAL de Jesus Cristo na Ssma. Eucaristia, sobre o SACERDÓCIO HIERÁRQUICO distinto do dos simples fiéis, sobre o SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA.
A Igreja condenou aqueles que dizem que Missa deve ser celebrada só em vernáculo (em português) (Concílio de Trento).
A Igreja reprovou os que querem que a Congregação seja em voz alta (Concílio de Trento e Pio VII).
A Igreja reprovou o altar em forma de mesa (Pio XII).
Ora, na Missa Nova, OS ERROS QUE A IGREJA ME ENSINOU A REPROVAR agora são tidos como certos e aprovados. E mais. Os dogmas de fé acima citados, não são mais tão explícitos como o eram na Missa Tradicional, e isso é tão evidente que os Protestantes, que jamais toleraram a Missa Tradicional (Lutero a chamava de abominável), afirmaram que, com a Missa Nova, TEOLOGICAMENTE É POSSÍVEL que eles celebrem a sua ceia com as mesmas orações da liturgia reformada da Igreja Católica (cf. Max Thurian, La Croix, 30/5/1969). Não é sintomático?!
Será que podemos conservar a fé e agradar a Deus, oferecendo-lhe um culto assim ambíguo, que agrada também aos seus inimigos, e fazer deste culto o centro de nossa vida, como deve ser a Santa Missa?
Pode uma autoridade, por suprema que seja, nos impor algo que é contra a nossa Fé e que é ofensivo a Deus, Nosso Senhor?
Eis o dilema para todo bom católico: ou sacrificar a Fé e a Tradição em nome da obediência, ou manter-se firme na Fé e na Tradição, obedecendo ao que foi sempre ensinado pela Santa Igreja, e por isso ser taxado de rebelde e de desobediente!
São Paulo já nos advertiu: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do Céu vos anuncie um Evangelho diferente daquele que vos tenho anunciado, seja anátema.” (Gal. 1,8)
Não se trata de desobediência ou de rebeldia. Trata-se de FIDELIDADE E LEALDADE à Fé do nosso Batismo, e, portanto, à cátedra de Pedro e à Santa Igreja.
Pode-se cair em heresia ou favorecer a ela por palavras ou por atos. E os hereges sempre procuraram manifestar na liturgia os seus erros. Assim, por exemplo, no tempo da heresia monofisita, que negava as duas naturezas em Jesus Cristo, os hereges, quando celebravam a Missa, não colocavam a gotinha de água no vinho no ofertório, porque isto significa também a natureza humana de Cristo unida à natureza divina. Se um padre, naquela época, celebrasse a Missa assim, estaria fazendo, por este simples gesto, uma profissão de fé herética, terrivelmente ofensiva a Deus. E nenhuma autoridade poderia obrigá-lo a tal, porque era uma questão de fé.

Missa Nova: de pobreza visual que revela a mesquinhez do homem moderno, que dessacraliza o ambiente, oferece um culto fingidamente pobre, uma oferta inferior, e de costas para o crucifixo. No fundo desprezam A CRUZ, e voltam-se para si mesmos, fecham-se como num círculo de frente para a assembléia dos fiéis, como se Deus saísse do povo, e não das palavras da Consagração dos Ministros ordenados. Nesta foto se vê como reservaram para a Santa Missa o pior altar, a pior arte, os piores paramentos, até mesmo a pior pavimentação… Não se trata de imitação da pobreza cristã, mas de uma religião “básica”, descartável, moldável a qualquer temperamento, digerível por qualquer pessoa, agradável a qualquer homem. É a religião onde o homem se tornou tão grande que Deus está simbolicamente de lado, e o padre lhe vira as costas para se banquetear numa mesa, ao invés de humilhar-se ante a majestade divina, num altar-calvário…
O Papa Leão XIII afirmou na encíclica “Satis Cognitum”: “Nada poderia ser mais perigoso que estes hereges que, conservando em tudo o mais a integridade da doutrina, por uma só palavra, como por uma só gota de veneno, corrompem a pureza e a simplicidade da Fé que nós recebemos da Tradição de Nosso Senhor e, depois, dos Apóstolos.”
A OBEDIÊNCIA é uma virtude moral, inferior à Fé, que é uma virtude teologal. A obediência está condicionada à Fé. A Fé não tem limites. A obediência os tem. Obedecer é fazer a vontade de Deus, expressa na vontade dos superiores representantes de Deus. Mas se a ordem dos superiores se revela em contradição com a vontade de Deus, então vale aplicar a frase de São Pedro: “É preciso obedecer a Deus antes que aos homens” (Atos, 5,29). Assim, o 4º Mandamento manda ao filho obedecer aos pais. Mas se o pai lhe manda algo contra a vontade de Deus, o filho não deve fazer o que o pai lhe ordena, E PECA SE O FIZER.
3.ª OBJEÇÃO: O Papa, apesar de NÃO EMPENHAR neste caso a sua INFALIBILIDADE, NÃO PODERIA ERRAR em matéria tão grave.
Os que afirmam que o Papa, fora do campo da infalibilidade, não pode errar, apesar de ser matéria muito grave, estão afirmando mais do que o Concílio Vativano I afirmou, mais do que Pio IX definiu. Estão querendo, segundo disse alguém, saber mais do que o Papa, ser mais católicos que o Papa. Pois se o Concílio definiu OS CONTORNOS dentro dos quais não há possibilidade de erro, querer ampliar por conta própria estes contornos, é querer saber mais do que o Papa e a Igreja.
Aliás, isso seria contraditório com a HISTÓRIA DA IGREJA. Por exemplo, o Papa Honório I, em matéria muito grave e que interessava à Igreja toda, pois era uma decisão em assunto de heresia, ao dar uma ordem, falhou e foi anatematizado por um Papa posterior, porque favoreceu a heresia.
Portanto, nas coisas em que o Papa não é infalível, ele normalmente não erra, mas pode errar. Qual é o critério que nos ilumina sempre: a TRADIÇÃO. O que for de acordo com a Tradição da Igreja é certo. O que não for é falso. Foi por esta razão que o Papa Honório foi anatematizado. Eis as palavras de São Leão II, Papa: “Anatematizamos Honório, que não ilustrou esta Igreja Apostólica com a doutrina da TRADIÇÃO apostólica, mas permitiu, por uma traição sacrílega, que fosse maculada a Fé imaculada (“…”) da TRADIÇÃO apostólica, que recebera de seus predecessores”. “… Não extinguiu, como convinha à sua Autoridade Apostólica, a chama incipiente da heresia, mas a FOMENTOU por sua negligência” (Denz-Sch. 563 e 561). Do mesmo modo o VI Concílio Ecumênico rejeitou de modo absoluto e execrou como nocivas às almas (sic) as cartas do Papa Honório, por ter “verificado estarem elas em inteiro desacordo” com a Tradição.
Eis porque o Concílio Vaticano I definiu: “O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de São Pedro para que estes, sob a revelação do mesmo, pregassem uma nova doutrina, mas para que, com sua assistência, CONSERVASSEM SANTAMENTE e expusessem fielmente o depósito da Fé, ou seja, a revelação herdada dos Apóstolos”. (D. 3070).
“Virgem Mãe de Deus Maria,
Que sozinha destruístes todas as heresias no mundo inteiro,
Rogai pelo povo, intercedei pelo clero.”

Padre Fernando Arêas Rifan 

Ex-Diretor do Ensino Religioso 
Campos - RJ.



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