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quarta-feira, 4 de março de 2015

CAMINHAREMOS EM DIREÇÃO A UMA IGREJA 'FAST-FOOD', COMO SE DIZ, OU SEJA, AO 'GOSTO DE CADA UM'?



Participe da campanha em desagravo às ofensas a Nosso Senhor da página: Não ofendam mais a Deus, Nosso Senhor, que já está muito ofendido.


NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM


 ‘EGO SUM - SOU EU’ (JO 18, 5)


ATTRITUS EST PROPTER SCELERA NOSTRA "FOI DESPEDAÇADO POR CAUSA DE NOSSOS CRIMES" (ISAÍAS 53,5)

QUAL A VERDADEIRA FISIONOMIA DO HOMEM-DEUS?


PARA A SEITA CANADENSE DAVIS PARK CHURCH, JESUS SURFOU SOBRE A ÁGUA.


PODE UM CATÓLICO CONCEBER A IMAGEM DE UM JESUS SURFISTA?














*** * ***




QUAL A VERDADEIRA FACE DO DIVINO MESTRE?



É a do Santo Sudário.

O Santo Sudário de Nosso Senhor Jesus Cristo é certamente a relíquia mais preciosa e venerada de toda a Cristandade.

Tendo passado por todo tipo de vicissitudes e desastres ao longo da História, inclusive um princípio de incêndio, ele se encontra atualmente na catedral de Turim, Itália, onde é exposto à visitação dos fiéis em certos períodos.

Trata-se do lençol de linho que envolveu o corpo sagrado do Salvador, descido ao sepulcro onde permaneceu por três dias, após os quais ressuscitou. Quis a Providência Divina que, milagrosamente, a figura de Nosso Senhor ficasse impressa nesse tecido, de forma indelével e humanamente inexplicável. Foi o modo que Deus Padre encontrou para legar aos homens a fotografia impressa de seu Divino Filho.


SANTO SUDÁRIO, SEMPRE PRESENTE NA VIDA DA IGREJA


O Santo Sudário alimentou a fé e a piedade dos primeiros cristãos, em Jerusalém, sustentou os mártires e os perseguidos nas catacumbas, inspirou a expansão dos católicos por toda a vastidão do Império Romano, extasiou os homens da Idade Média e, em particular, acendeu o zelo dos cruzados. Nas épocas posteriores, de decadência religiosa, foi ainda o Santo Sudário uma luz de fixação da fidelidade dos fiéis e de esperança de perdão para toda a humanidade.

Chegamos assim aos tempos presentes, em que o considerável desenvolvimento das ciências foi interpretado por muitos ateus, hereges e católicos decadentes como sendo o dobre de finados da veneração ao Santo Sudário, o qual não teria mais nenhuma missão a cumprir. As ciências o estudariam, provariam que ele é fruto de simples confecção humana, talvez até uma falsificação feita na Idade Média.

Verificou-se precisamente o contrário. Atraídos pela originalidade daquele misterioso tecido, os mais categorizados cientistas de diversos países, representando os mais diferentes ramos da ciência, debruçaram-se sobre o Sudário para estudá-lo e interpretá-lo, mediante os mais sofisticados aparelhos que a ciência conseguiu inventar, e aplicando os conhecimentos mais recentes. O resultado foi surpreendente para os detratores do Sudário: ficou provado que a figura ali impressa não tem qualquer explicação natural.

Mais ainda, os estudos mostraram que a origem do Sudário se situava na Palestina no primeiro século, e que a figura nele representada coincidia com a descrição dos Evangelhos, sendo totalmente inexplicável pela ciência o modo pelo qual fora ela impressa no linho.


A CONTEMPLAÇÃO DA VERDADEIRA FACE DE NOSSO SENHOR



Qual é o alcance de nós contemplarmos a Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Sabemos que em todo homem a face é um símbolo da alma. Contudo, entre nós, ocorre de ser com muita frequência um símbolo mentiroso. Explica-se: de um lado, muitas vezes os homens simulam uma fisionomia para encobrir os seus defeitos; de outro, à vista de nossa propensão ao mal (consequência do pecado de Adão), muitas vezes a face de um homem — ainda que não intencionalmente — é ambígua, não exprimindo tudo quanto lhe passa na alma.

Por essa razão, quando não muito adestrada no assunto, a pessoa pode facilmente não perceber em alguém o fundo da alma de que aquela fisionomia é um símbolo. Dito em outros termos, pode não ser capaz de perceber o valor simbólico de certa fisionomia.

Entretanto, não era assim em Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Enquanto Homem era Homem perfeitíssimo, era o mais perfeito dos homens que jamais houve e haverá. Portanto, a Sua fisionomia era, de fato, a expressão perfeita de Sua santidade insondável.

Olhando a Sagrada Face, tem-se a impressão viva daquele episódio do Evangelho: os algozes que O iam prender, perguntaram se Ele era Jesus Nazareno. Foi quando Jesus respondeu: "Sou Eu!" E todos caíram com a face no chão, isto é, aqueles mesmos que O iam prender. Tal era a sua majestade, sua segurança. Esta resposta: "Sou Eu!", lembra a definição que Deus deu de si mesmo a Moisés, quando Ele apareceu numa sarça ardente. Moisés perguntou quem Ele era. Ele disse: "Eu sou Aquele que é!" Se disséssemos que esta figura se define assim: "Eu sou Aquele que é!", estaria absolutamente definida, porque é uma comunicação com o todo absoluto, uma posse do todo absoluto, uma segurança de si por onde se vê que Ele é o padrão e a medida de todas as coisas, e que julga, como Rei e como Deus, todas as coisas, à luz de Si mesmo, o que é uma verdadeira maravilha.

Ao mesmo tempo, entrevemos o que poderia conter de divinamente suave e afável o Seu olhar. Igualmente, o que poderia haver de supremamente afável na linguagem e no timbre de sua voz. É a coexistência de todas as virtudes, de todas as perfeições, em todos os graus que possam caber na natureza, como reflexo da natureza divina ligada a Ele pela união hipostática.

Não menos digna de nota é a severidade da expressão. Nosso Senhor morreu vítima de um crime atroz. Noutros termos, do pior de todos os crimes, o crime do deicídio produzido e operado pelo maior tormento de que há notícia na história.

Olhando essa fisionomia, vemos que Ele está como um Juiz diante de seus algozes. Verificamos, no olhar divino, uma rejeição, uma censura, um desacordo, e uma condenação àqueles que O mataram. Ao pé da letra, expressão verdadeiramente divina. Estaria como a dizer: "Eu sou a Lei, Eu sou o Juiz, e Eu sou a Vítima! E julgo, a esses três títulos, o crime que contra Mim foi praticado". Quer dizer, é verdadeiramente majestoso e assombroso.

A face (no Sudário) é de homem quase envelhecido pelo sofrimento... A face direita está inchada e a esquerda contusa; a barba e os cabelos desalinhados e cheios de manchas de sangue. Contudo, os sentimentos que nela se leem são os mais comoventes e misteriosos. É um sentimento de infinita tristeza, que envolve toda a fisionomia, acompanhada de um sentimento de doçura e resignação, misturada da impressão de serenidade, grandeza, e, sobretudo de MAJESTADE!

O profeta Isaías descreve ainda a aparência que Cristo teria ao ser açoitado, antes de Sua crucificação. "...sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem; não parecia um ser humano" (Isaías 52:14). Estas palavras descrevem a crueldade desumana que Ele sofreu a ponto de não mais parecer um ser humano (Mateus 26:67, 27:30, João 19:3). Sua aparência era tão terrível que as pessoas olhavam para Ele com espanto.

Muito antes da vinda de Nosso Senhor, o Profeta Jeremias colocara na boca do Messias: "Ó vós, que passais pelo caminho, olhai e vede se há dor semelhante à minha dor”(Lam. 1, 12).

Para se compreender o que há de profundo e misterioso nisso, é preciso imaginar Nosso Senhor dizendo aos Apóstolos: "Minhas cogitações não são as vossas, e as minhas vias não são as vossas".

Deflui da fisionomia deste Varão Divino a impressão de que Ele é cheio das cogitações mais altas, e nas quais Ele vive permanentemente colocado, de um modo estável. Além disso, Ele é a via. Em síntese, o que está de acordo com Ele é certo e o que está em desacordo com Ele é errado. Pode-se imaginar a Cristo dizendo de Si: "Eu sou o caminho, a verdade, a vida".

Haveria como negar que Ele seja isso em sua plenitude?

Há, porém, um mistério inviscerado aí, algo que é próprio do absoluto. Denota prodigiosa certeza que Ele tem a respeito de si mesmo, e que se expande por todo o seu ser, de um modo indizível: comunicação com a natureza divina, com a Santíssima Trindade, e, num mesmo conjunto, a atenção posta nos mistérios de Deus e nos homens, em cujo meio Ele está. É realmente o Mediador entre Deus e os homens.


Os textos do Evangelho dão a impressão de que o aspecto físico de Jesus devia ser agradável e atraente. É o que se depreende do impacto que Ele causava às multidões e também aos enfermos, aos pecadores e às pecadores (cf. Mc 1,27.37.45; Lc 7,16s...). Esse impacto provinha não somente do vigor espiritual e religioso de Jesus, mas também da graça de Seu semblante e do Seu porte. Principalmente o olhar de Jesus deveria fazer estremecer, censurar, inflamar, como se deduz da locução familiar a São Marcos: "Ele, olhando em tomo de si, disse..." (cf. Mc 3,5.34; 5,32; 10,23; 11,11).


O CARÁTER DIVINAMENTE SAGRADO DA FISIONOMIA E DA VIDA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO – O TESTEMUNHO DOS MILAGRES POR PARTE DOS JUDEUS E PAGÃOS DA ÉPOCA



“Eis o caráter de Jesus Cristo, tal como os Evangelhos o retratam: no que se refere à inteligência, sublimidade contínua; no que se refere ao coração, ternura casta e inefável; no que se refere ao poder de vontade, certeza absoluta acerca de si. Ora [entre outros aspectos], esse caráter é incompatível com o vício ignóbil, que não ousa nomear-se.



Jesus Cristo era sincero, acreditava no que dizia. De fato, afirmava que era Deus. Foi isso que disse aos discípulos, aos amigos. Disse o mesmo ao povo, à suprema magistratura de seu país. Ele foi condenado à morte e crucificado por causa dessa afirmação [quer dizer, por causa da afirmação de sua divindade]. Portanto, sabia que era Deus. (...).



Simultaneamente, a Igreja Católica, filha e esposa de Jesus Cristo, comprova a divindade de seu Fundador e seestriba nos Evangelhos para provar aos filhos da Igreja a divindade daquele que a fundou.



Disseram-lhe os habitantes de Belém: ‘Provai, por meio de alguns milagres, que sois Deus’. 



Jesus Cristo responde-lhes: ‘Consinto em fazê-los. Trazei-me um morto e Eu o ressuscitarei’.



Com máxima prontidão, gente do povo sai em busca de um túmulo. Aí chegando, abrem esse túmulo, onde se encontram ossos ressecados.



Trazendo esses ossos para junto de Jesus, este os põe em alinhamento certo, revestindo-os de pele, carne e articulações, e devolve a vida a esse indivíduo.



À vista desse prodígio, ficam todos num transporte de admiração.



Jesus volta a dizer: ‘Estais admirados? Trazei agora um leproso e Eu o curarei’. 



Assim que trouxeram um leproso à Sua presença, num instante, Ele o curou.



Assombrados diante de tais maravilhas, os habitantes de Belém prostraram-se diante dele e o adoraram, dizendo: ‘Sois verdadeiramente o Filho de Deus’.



Chegando a Jerusalém notícia dessas maravilhas, [alguns] sentiram muita alegria, mas os sábios, representantes da nação, experimentaram a maior amargura, tomando a resolução de atrair [a Jesus] para Jerusalém, a fim de condená-lo [à morte] (...)”.    



Quem teria sido o autor do relato acima?



Um ‘fundamentalista’ católico — como, nos dias de hoje, muitos ousam apodar aos verdadeiros fiéis, isto é, aos que não se curvam às imposições do ‘politicamente correto’ da autodemolição eclesiástica em curso? 



Estamos nos antípodas disso.



Eis a fonte: Extrato do segundo Talmude, ou Talmude da Babilônia, escrito no fim do século V; redigido por vários rabinos, os quais, após a dispersão dos judeus sob o reinado de Adriano, retiraram-se para a Babilônia, em cujo território mantiveram escolas durante alguns séculos (Voy Tela Ignea Satanae, etc; Alcorf., 168, 2 vols – in 4º). [apud Dictionnaire Apologétique, MIGNE, p. 772, 773, 775, 776].


Ver, também, La Réligion Chrétienne autorisée par le témoignage des auteurs paiens, par le P. de COLONIA; et l’Histoire de l’établissement du christianisme tirée des seuls auteurs juifs et paiens, par Bullet [idem, ibidem].



*** * ***



QUE PENSAR, ENTÃO, DE UM JESUS HIPPIE, JESUS ‘POP-STAR’, JESUS ‘ROCKEIRO’ OU JESUS ‘SURFISTA’?


‘APÓS O CONCÍLIO NÃO CONSEGUIRAM TRANSMITIR CONCRETAMENTE O QUE ESTÁ CONTIDO NA FÉ CRISTÃ...’ – BENTO XVI


Uma grande revista de circulação nacional estampou em sua capa, anos atrás, o rosto de Jesus rodeado por símbolos hippies, com a seguinte manchete: "Deus é pop". Essa mesma publicação punha em realce peculiaridades desses novos movimentos, ditos ‘juvenis’, que pretenderiam veicular uma fisionomia de Jesus Cristo ‘adaptada à nossa época’ e num contexto de completa dessacralização do cerimonial católico. Assim, por exemplo, falso altar, em forma de prancha; rock n'roll durante os cultos, grandes baladas ‘cristãs’, etc. De uns tempos para cá, essa investida contra a verdadeira imagem do Salvador,e contra a reverência devida aos templos católicos, faz devastações.

De momento, a erisipela da irreverência blasfema assola Botucatu, onde membros de grupos católicos ‘progressistas’ decidiram divulgar a imagem de Nosso Senhor como surfista!

Isso é o cúmulo da irreverência e deve despertar máxima indignação.

Tal expediente, que consiste em deformar a sagrada imagem de nosso Divino Redentor, eis precisamente algo que jamais será de molde a atrair jovens sérios e sedentos de ideal católico para o recinto sagrado (aliás, cada vez menos sagrado e mais profano...).

Tais ultrajes contra a fisionomia de Jesus Cristo constituem mais um capítulo clamoroso do processo de autodemolição da Igreja, mencionado por Paulo VI, em 1968. 

Não será com artimanhas injuriosas à Fé que se fará cessar a catastrófica crise no seio da Igreja.


A ‘DESCATOLICIZAÇÃO’ DO POVO CRESCE NUM RITMO GALOPANTE.

Há mais de cinquenta anos, praticamente não se faz outra coisa senão dessacralizar os ambientes católicos, vilipendiando as mais santas e legítimas tradições, sob o falacioso pretexto de tornar a religião mais acessível à multidão. — Com que resultado?

A esse respeito, ouçamos uma voz autorizada.

Eis como o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Emérito Bento XVI, via a situação, dez anos atrás:

“ [...] torna-se patente que a ausência de conhecimentos em matéria de religião é hoje uma realidade tremenda. Basta falar com as novas gerações [para nos darmos conta disso]. Evidentemente, após o Concílio não conseguiram transmitir concretamente o que está contido na fé cristã” (Cfr. “La Razón”, edicióndel 28 de mayo del 2003. www.conoze.com/doc.php?doc=1806 destaques nossos).

Vejamos, no mesmo sentido, o que Bento XVI afirmou na quinta-feira santa, em abril de 2012: “Os elementos fundamentais da fé, que no passado toda criança sabia, são cada vez menos conhecidos”. (destaques nossos).

A quem aproveitou, então, a propalada “tática” do “aggiornamento”, procedimento surrado, ‘atrasado’ em cinquenta anos? Positivamente, não ao incremento e à exaltação da Fé...

Ouçamos, neste particular, ainda uma vez, as esclarecedoras palavras do Papa Emérito, Bento XVI, quando ainda Cardeal:

"Os resultados que se seguiram ao Concílio parecem cruelmente opostos às expectativas de todos, a começar do papa João XXIII e depois de Paulo VI [...] Os Papas e os Padres conciliares esperavam uma nova unidade católica e, pelo contrário, se caminhou para uma dissensão que — para usar as palavras de Paulo VI — pareceu passar da autocrítica à autodemolição. Esperava-se um novo entusiasmo e, em lugar dele, acabou-se com demasiada frequência no tédio e no desânimo. Esperava-se um salto para a frente e, em vez disso, ocorreu um crescente processo de decadência [...]. A Igreja pós-conciliar tornou-se um grande estaleiro. Mas é um estaleiro do qual se perdeu o projeto e todos continuam a construir segundo o seu gosto”.(Card. Joseph RATZINGER, Rapportosulla Fede, Entrevistado por Vittorio Messori, EdizioniPaoline, Milão, 1985, pp. 27-28; destaques e negrito nossos).

Será essa a mais recente novidade do ‘estaleiro’ da Igreja pós-conciliar?

Caminhar em direção a uma igreja ‘fast-food’, como se diz, ou seja, ao ‘gosto de cada um’?


Ao leitor amigo, católico de princípios e não apenas de propaganda, a palavra.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Palavra do Sacerdote: Mentalidade racionalista levou ao protestantismo



DESTAQUE


 O protestantismo nasceu sob o signo do racionalismo, que, principalmente a partir do teólogo franciscano inglês Guilherme de Occam (1300 – 1350), vicejou então nos meios católicos, e foi fazendo o seu caminho até ser mais tarde, por assim dizer, codificado pelo filósofo francês René Descartes (1596-1650) em seu tristemente célebre Discurso sobre o método.

A fé em Jesus Cristo é necessária à salvação, é claro! Mas se eu tenho fé em Cristo Jesus, devo ser coerente em seguir os seus mandamentos, e, portanto, praticar as boas obras que ele mandou! Que sentido faz ter fé em Jesus Cristo e não conformar a vida aos seus ensinamentos? Por isso disse Jesus aos fariseus: “E vós também, por que transgredis o mandamento de Deus? [...] Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15, 3 e 7-8). E no Evangelho de São João (14, 15): “Se me amais, observai os meus mandamentos”. De onde conclui São João: “Quem diz que O conhece [a Deus], e não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso e a verdade não está nele”(I Jo 2, 4).
[...] o homem é justificado pelas obras, e não pela fé somente [...] Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2, 14-26).
É que as boas obras são dispostas por Deus no nosso caminho, isto é, Ele é Quem nos dá o impulso (a graça) para as praticarmos, de modo que a fonte delas vem toda da graça de Deus. Nem por isso Deus dispensa a nossa predisposição à cooperação, sem a qual Ele não nos salva. Essa cooperação –– portanto, fruto da graça –– é necessária, e conseqüentemente meritória para alcançarmos a salvação. Daí a frase lapidar do grande Santo Agostinho: "Qui creavit te sine te, non salvabit te sine te" (Aquele que te criou sem tua cooperação, não te salvará sem tua cooperação) (Serm. 169, XI; PL 38, 923).


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A Palavra do Sacerdote


Cônego José Luiz Villac

Pergunta — A paz de Cristo. Gostaria de expressar através destas linhas minha discordância quanto às explicações referentes às perguntas feitas quanto às passagens que se referem ao ladrão na cruz e à parábola do rico e de Lázaro. O Apóstolo São Paulo, um dos formadores da espinha dorsal da doutrina do Novo Testamento, é bem nítido em suas palavras em Efésios (cap. 2, vers. 8 e 9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe”. Fica claro, neste e em muitos outros textos do Novo Testamento, que o único elemento necessário à salvação do homem é a fé em Cristo Jesus. “Mas a todos quantos o receberam, aos que Crêem [sic, em maiúscula] no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Evangelho de João, cap. 1, vers. 12). Vale ainda mencionar as palavras de Paulo em Romanos cap. 3, vers. 16: “Sabemos, contudo, que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas sim pela fé em Jesus Cristo. Nós também temos crido em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei, pois pelas obras da lei ninguém será justificado”. Desde já agradeço a atenção. Na graça de Cristo Jesus.

Resposta — A presente seção de Catolicismo tem por finalidade a orientação e formação dos católicos; portanto, é a eles primordialmente dirigida. Curiosamente, ela tem sido lida também por protestantes, que têm manifestado frequentemente sua discordância, às vezes em termos agressivos, outras vezes em termos cordatos, como é o caso da presente missiva. Pareceu-nos conveniente, como exceção, aproveitar o ensejo para apontar aos que nos leem um dos equívocos fundamentais da exegese protestante, que os leva a não aceitar a interpretação católica das Sagradas Escrituras. Quiçá isso possa ajudar as almas retas que entre eles existam a reencontrar o caminho da verdade e aceitar o ensinamento da Igreja.

Mentalidade racionalista levou ao protestantismo

Lutero, para salvar a doutrina que inventara, teve a desfaçatez de excluir a Epístola de São Tiago da lista dos livros canônicos...

O protestantismo nasceu sob o signo do racionalismo, que, principalmente a partir do teólogo franciscano inglês Guilherme de Occam (1300 – 1350), vicejou então nos meios católicos, e foi fazendo o seu caminho até ser mais tarde, por assim dizer, codificado pelo filósofo francês René Descartes (1596-1650) em seu tristemente célebre Discurso sobre o método. A meio caminho, o racionalismo infectou o frade agostiniano Martinho Lutero (1483-1546), que criou o protestantismo.
O racionalismo se caracteriza por uma simplificação artificial do raciocínio, que o inabilita a perceber a realidade em toda sua complexidade, cheia de nuances e matizes. Como alguém que quisesse desenhar uma curva com uma sequência de segmentos retos... Não sem razão, Pascal comparou-o ao raciocínio geométrico (esprit geométrique), em oposição ao espírito de finura (esprit de finesse), que sabe captar e se conformar à multiplicidade de aspectos dos entes, fatos e situações.
A carta que estamos analisando está voltada a defender a conhecida tese protestante da sola fide, que tínhamos impugnado nesta seção no nº 655 de Catolicismo (em julho do ano passado). Isto é, a falsa tese de que “o único elemento necessário à salvação do homem é a fé em Cristo Jesus”, como afirma o missivista. Consequentemente, para ele, como para os protestantes em geral, não há necessidade das boas obras para alcançar a salvação: o indivíduo pode pecar à vontade, cometer os maiores crimes; se tiver fé, se salvará. É uma doutrina muito cômoda, mas falsa, e evidentemente não leva à salvação. O missivista aduz em sua defesa dois textos de São Paulo, que analisaremos em seguida.

A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma

Antes de fazê-lo, porém, convém apontar desde logo a falta de bom senso do raciocínio, característico da mentalidade racionalista. A fé em Jesus Cristo é necessária à salvação, é claro! Mas se eu tenho fé em Cristo Jesus, devo ser coerente em seguir os seus mandamentos, e, portanto, praticar as boas obras que ele mandou! Que sentido faz ter fé em Jesus Cristo e não conformar a vida aos seus ensinamentos? Por isso disse Jesus aos fariseus: “E vós também, por que transgredis o mandamento de Deus? [...] Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15, 3 e 7-8). E no Evangelho de São João (14, 15): “Se me amais, observai os meus mandamentos”. De onde conclui São João: “Quem diz que O conhece [a Deus], e não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso e a verdade não está nele”(I Jo 2, 4).
O Apóstolo São Tiago resume toda essa doutrina de modo lapidar: “Que aproveitará, irmãos meus, se alguém diz que tem fé e não tem obras? Porventura poderá salvá-lo tal fé? [...] Assim, também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. [...] Mas queres tu saber, ó homem vão, como a fé sem obras é morta? Abraão, nosso pai, não foi ele justificado pelas obras, oferecendo seu filho Isaac sobre o altar? Tu vês que a fé cooperava com as suas obras; e que a fé foi consumada por meio das obras. [...] Vedes, pois, que o homem é justificado pelas obras, e não pela fé somente? [...] Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2, 14-26).
O trecho é tão concludente, que Lutero, para salvar a doutrina que inventara, teve a desfaçatez de excluir a Epístola de São Tiago da lista dos livros canônicos... Exclusão inútil, pois, como vimos, ela nada mais é do que a conclusão lógica das palavras de Nosso Senhor relatadas por São Mateus e São João, que citamos no parágrafo anterior.

De que obras fala o Apóstolo São Paulo?
Não obstante, São Paulo afirma taxativamente que “pelas obras da lei não será justificado nenhum homem diante dele [de Deus]” (Rom. 3, 20). E mais adiante: “Porquanto sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rom 3, 28). [Nossas referências à Sagrada Escritura diferem das do missivista, pois naturalmente ele utilizou uma versão protestante, com outra numeração dos versículos].
“Aí está –– bradará o missivista –– a doutrina de Paulo contradiz a de Tiago!”.
A exegese católica, diante dessa aparente contradição, analisa profundamente o texto em questão, para ver exatamente em que contexto se encaixam as palavras de um e outro Apóstolo, pois não há contradição na doutrina revelada.
Ora, lendo o trecho todo de São Paulo, vê-se que ele não está falando das boas obras de modo geral, mas sim de certos preceitos da lei mosaica que cabia aos judeus observar, e que alguns destes, já convertidos ao cristianismo, queriam que os gentios também convertidos observassem — como a circuncisão, por exemplo —, ao que São Paulo se opunha. Essa questão foi levada a São Pedro e demais Apóstolos reunidos em Jerusalém, os quais, no chamado Concílio de Jerusalém, o primeiro concílio da Igreja, resolveram de acordo com o parecer de São Paulo (cfr. Act 15, 1-34).
À luz destes esclarecimentos, releiamos São Paulo: “Onde está pois, [ó judeu] a tua glória? Foi excluída. E por que lei? Pela das obras? Não; mas pela lei da fé. Porquanto sustentamos que o homem é justificado pela lei da fé, sem as obras da lei. Porventura Deus só o é dos judeus? Não o é ele também dos gentios? Sim, certamente ele o é também dos gentios; porque há um só Deus, que justifica pela fé os circuncidados, e que também pela fé justifica os incircuncisos. Destruímos nós, pois, a lei com a fé? Longe disso; antes confirmamos a lei” (Rom 3, 27-31).
Mais adiante, prossegue São Paulo: “Também David proclama bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem obras [...]. Ora, esta bem-aventurança é somente para os circuncidados, ou também para os incircuncisos? Porquanto dizemos que a fé foi imputada a Abraão como justiça. Como lhe foi ela, pois, imputada? Depois da circuncisão ou antes da circuncisão? Não foi depois da circuncisão, mas antes dela. E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça, recebida pela fé antes da circuncisão, a fim de que fosse pai de todos os crentes incircuncisos, para que também a eles lhes seja imputada a justiça” (Rom. 4, 6 e 9-11).
Fica claro que as obras, às quais São Paulo se refere, são aqueles preceitos legais (cerimoniais) que os judeus deviam observar como ratificação de sua Aliança com Deus, como a circuncisão, repetidamente mencionada, a qual não havia necessidade de impor aos gentios convertidos. Quanto aos Dez Mandamentos da Lei de Deus, dados a Moisés no Monte Sinai, constituem uma síntese da Lei Moral, que tanto circuncisos quanto incircuncisos devem observar. O que resulta na prática de boas obras. Não há, pois, contradição entre São Paulo e São Tiago.
O outro trecho alegado pelo missivista é da Epístola de São Paulo aos Efésios: “Porque é pela graça que fostes salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, porque é um dom de Deus, não vem das vossas obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2, 8-9).
Aqui temos um exemplo típico do vezo protestante de isolar uma frase da Escritura e começar a raciocinar a partir dela, sem verificar o contexto. Ora, bastaria que o missivista tivesse lido o versículo seguinte, para perceber que Deus não dispensa a prática das boas obras: “Porque somos obra sua, criados em Jesus Cristo para boas obras, que Deus preparou para caminharmos nelas” (Ef 2, 10).
Qual é a interpretação autêntica deste versículo, dada pela Igreja Católica? É que as boas obras são dispostas por Deus no nosso caminho, isto é, Ele é Quem nos dá o impulso (a graça) para as praticarmos, de modo que a fonte delas vem toda da graça de Deus. Nem por isso Deus dispensa a nossa predisposição à cooperação, sem a qual Ele não nos salva. Essa cooperação –– portanto, fruto da graça –– é necessária, e consequentemente meritória para alcançarmos a salvação. Daí a frase lapidar do grande Santo Agostinho: "Qui creavit te sine te, non salvabit te sine te" (Aquele que te criou sem tua cooperação, não te salvará sem tua cooperação) (Serm. 169, XI; PL 38, 923).
Como se vê, estamos diante de raciocínios um tanto complexos, pouco ao gosto da mentalidade racionalista, mas nem por isso deixam de ser inteiramente verdadeiros!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O debate entre Lutero e Eck



DESTAQUE


A 14 de julho encerrou-se a discussão, levando os louros do triunfo o Dr. Eck, como o próprio Lutero depois declarou em uma carta a Melanchton: ‘Eck tem as vantagens: ele triunfa e reina. Estes leipziganos não nos saudaram, nem visitaram, mas nos trataram como inimigos, enquanto acompanharam Eck em toda parte... para nossa vergonha... aí está todo o drama: começou mal e acabou pior... discutimos mal.’ (Enders: corr. II, 85, 20 de julho de 1519).

O conde Jorge de Saxe, o povo de Leipzig, a universidade e os católicos hesitantes sentiram-se fortalecidos em sua fé, mas Lutero, recolhendo-se sob a capa do seu amor próprio ferido, se tornou cada vez mais intratável e grosseiro.

Ei-lo feito definitivamente herege.



*** * ***


A disputa entre Doutor Eck e Lutero



Tendo falecido o imperador Maximiliano, em 12 de janeiro de 1519, foi só depois da eleição do seu sucessor, Carlos V (out. de 1519), que o processo contra Lutero foi retomado. Nesse ínterim um novo acontecimento patenteara a má vontade de Lutero: a discussão de Leipzig. Os erros de Lutero foram-se espalhando com a repulsa de uns e a aprovação de outros. Em breve as próprias universidades da Alemanha veriam as suas opiniões divididas, efeito das dúvidas e discussões suscitadas.

O enfraquecimento da fé e o relaxamento da moral eram um terreno propício para as novidades e revoltas.

As universidades de Wittemberg, Ingolstad e Leipzig combinaram entre si um debate público para resolver a pendência. O lugar escolhido foi o castelo do conde Jorge de Sax, em Leipzig. Ali deviam reunir-se os representantes de cada partido. O salão de honra do castelo foi dividido em duas partes destinadas às duas facções, com dois púlpitos no centro, um em frente ao outro.

O grande teólogo John Eck, paladino invencível da religião católica, com a idade de 43 anos.

Ilustre sacerdote que denunciou a fraude e o logro das heresias. Ano de 1572.

A discussão teve início a 27 de junho de 1519 entre Carlostad e Eck. O enviado de Lutero foi vergonhosamente vencido, não podendo provar as suas teses, nem refutar as do seu antagonista.

Referindo-se, mais tarde, a esse fracasso, falou Lutero: ‘Em Leipzig Carlostad recolheu vergonha em vez de honra, mostrando-se um miserável polemista, com espírito tapado e tolo.’ (H. Boeckmer: Der Junge Luther 1929, pág. 255). A impressão foi péssima para a pretensa reforma. Os partidários chamaram Lutero para vingar a desfeita e soerguer a honra comprometida da nova doutrina.

Em 4 de julho reencetou-se a polêmica, desta vez entre Lutero e Dr. Eck. Tudo convergiu logo para a palpitante questão: a autoridade da Igreja em matéria doutrina. Lutero havia opugnado as indulgências, proclamando o valor supremo da Bíblia e a inutilidade das boas obras, mas não tinha ainda opinião formada sobre a jurisdição da Igreja em questões de doutrina. Caiu em contradição, titubeou, aderindo, publicamente às condenadas doutrinas de Huss, rejeitando a autoridade da Igreja. O Dr. Eck refutou vitoriosamente as asserções heréticas, e Lutero não fez papel mais brilhante do que o seu representante vencido, Carlostad. Os ânimos dos sectários se exaltaram e vários começaram a gritar contra as asserções católicas de Eck.

A 14 de julho encerrou-se a discussão, levando os louros do triunfo o Dr. Eck, como o próprio Lutero depois declarou em uma carta a Melanchton: ‘Eck tem as vantagens: ele triunfa e reina. Estes leipziganos não nos saudaram, nem visitaram, mas nos trataram como inimigos, enquanto acompanharam Eck em toda parte... para nossa vergonha... aí está todo o drama: começou mal e acabou pior... discutimos mal.’ (Enders: corr. II, 85, 20 de julho de 1519).

O conde Jorge de Saxe, o povo de Leipzig, a universidade e os católicos hesitantes sentiram-se fortalecidos em sua fé, mas Lutero, recolhendo-se sob a capa do seu amor próprio ferido, se tornou cada vez mais intratável e grosseiro.

Ei-lo feito definitivamente herege.


LOMBAERDE, Pe. Julio Maria de. O Diabo, Lutero e o Protestantismo. 2ª Ed. Manhumirim: O Lutador, 1950.

Fonte: Apologética Tradicional
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