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terça-feira, 14 de julho de 2015

O ANÃO NO OMBRO DO GIGANTE







| Por Raphael de la Trinité |


Nos tempos do Brasil-Colônia, dizia-se que os portugueses recebiam ouro e diamante dos índios e davam em permuta espelhinhos e colares de contas. Noutros termos, trocavam objetos de grande valor por bugigangas…

No caso do PT, era com míseros trocados que ‘compravam’ o apoio popular. Sucede, porém, que, mesmo sendo esquálidos, tais ‘favores’ e artimanhas, ao lado de muitas outras, foram perdendo o seu ‘poder de compra’ e exauriram-se... O feitiço virou-se contra o feiticeiro.

Que fazer agora?

*** * ***

FRACASSO DA PROPAGANDA COMUNISTA

O comunismo, no Brasil, nunca teve penetração nas chamadas massas. Não se trata de particularidade nacional.


No mundo inteiro, décadas a fio, a não ser quando se valeu de artimanhas sórdidas, tais como coligações espúrias, uma das mil facetas ao estilo 'companheiros de viagem', o comunismo jamais logrou conquistar o poder em eleições livres e limpas.

Limitamo-nos a recordar um exemplo não muito recente. À caça do poder em Cuba, Fidel Castro, subindo a Sierra Maestra, fez questão de mostrar-se a todos (que o denunciavam como comunista) com o Rosário no pescoço. Logo depois, perpetrado o golpe, arrancou a máscara de vez, proclamando, sem rebuços, que nunca deixara de ser comunista...

Frei Betto explicou a Fidel Castro (segundo narra o livro-entrevista em que o ditador barbudo respondia a perguntas feitas pelo frade dominicano, conhecido ‘companheiro de viagem’ de comunistas e terroristas, entre os quais Marighella) que a melhor tática em relação aos católicos não era persegui-los e fazê-los mártires, mas integrá-los à revolução comunista em torno de metas supostamente comuns a católicos e a comunistas. Fidel desde há muito intuía isso. Em discurso na Universidade de Havana, já havia traçado essa maquiavélica retificação: "Não cairemos no erro histórico de semear o caminho com mártires cristãos, pois bem sabemos que foi precisamente o martírio que deu força à Igreja. Nós faremos apóstatas, milhares de apóstatas" ( cf. Juan Clark, "Cuba: mito e realidade", Edições Saeta, Miami-Caracas, 1ª. ed. 1990, páginas 358 e 658).

A seu modo, também entre nós — mas sem estardalhaço e sem derramamento de sangue —, a mesma manobra seria conduzida, mesmo com percalços diversos.

UM ATALHO SALVA-VIDAS

Na década de 1980, após rotundos e repetidos fracassos, nutria a esquerda perspectiva real de empalmar o governo do Brasil? 

Praticamente nenhuma.

Seria possível contornar esse enorme obstáculo? À primeira vista, nada faria supor.

Nesse ínterim, um expediente muito oportuno teve o condão de aplainar a via: por que não uma força auxiliar, condimentada de cristianismo?

Camuflando ao máximo o desastroso rótulo e surrados símbolos da foice e martelo, organizou-se o novo partido a partir de células da esquerda-católica, isto é, das Comunidades Eclesiais de Base. Constituído assim o Partido dos Trabalhadores (PT), aquele aparentemente utópico projeto da esquerda — abiscoitar o poder não mais pela persuasão, nem pela força das armas, mas pelo ardil e engodo — passava a ganhar, com esse novo recurso, força e plausibilidade.


Prevalecendo esta e outras formas de camuflagem análoga, após diversas tentativas, coroou-se de êxito o malfadado plano.

Realmente, segundo confirma o depoimento dos maiores próceres petistas — religiosos ou não, entre os quais avulta o de Lula —, não seria exagero apontar as CEBs como núcleo condutor, ou espinha dorsal, da agremiação política que então era oficializada, ou seja, do Partido dos Trabalhadores (PT).

*** * ***

COMO SE DESENVOLVEU A OPERAÇÃO 'CAÇA-AO-PODER'?


Graças à presença maciça do PT junto às sacristias e aos chamados 'grotões' (lugares muito distantes dos centros urbanos), foram granjeados votos em profusão para essa agremiação de esquerda. Uma vez aboletada no poder, teria todas as condições para fincar pé na administração pública, ‘loteando todos os postos-chave’. Foi o que concretamente ocorreu.


À luz desses esclarecimentos, não é difícil ajuizar o motivo pelo qual Lula, o ‘showman’ desse novo partido, reuniu-se, dias atrás, com representantes da CNBB. Tratava-se do encontro de velhos amigos, à busca de uma solução para o evidente descrédito da ‘coligação’ (esquerda partidária e esquerda católica) junto a camadas significativas da população brasileira.

ANGRURAS DE QUEM É INCAPAZ DE PERSUADIR 

De duas ou três décadas para cá, presenciamos um fenômeno curioso: ao mesmo tempo em que estendia os seus tentáculos pelo País afora e avançava sobre a administração pública, o polvo PT-esquerda católica perdia, por sucessivas etapas, o arremedo de força de magnetização no âmago da vida popular, precisamente aquilo que, num primeiro instante, imaginara ter. Paradoxo digno de nota. 

Ambos os processos (esquerdismo petista e esquerdismo clerical), de certo modo, entrecruzaram-se. Tanto a esquerda política como a esquerda religiosa — talvez por uma espécie de envelhecimento precoce — estiolaram-se. Longe estiveram de fincar raízes profundas na alma nacional.

Mais recentemente, algo ficou patente aos olhos de todos: piruetas, mandiga e sortilégios, empregados pelos ‘progressistas’, nada disso chegou a causar grande efeito sobre largas parcelas da juventude, que, em seus filões mais sadios, já deixara de ser porta-voz de correntes de esquerda. De fato, a esquerda demorou bastante a perceber essa fundamental metamorfose nas fileiras juvenis. 

Fazendo eco a isso, um expoente representativo da mentalidade petista reconheceu, semanas atrás: ‘em primeiro lugar, [o problema é que] apareceram no cenário jovens de direita, o que há muito não existia. Desde os anos 1960, a juventude no Brasil inclinava-se à esquerda. Agora há uma divisão...’ (http://www1.folha.uol.com.br/…/1605819-pt-precisa-mudar-rap…). [grifos nossos]

Abaixo, transcreveremos o texto completo de vários depoimentos nesse sentido, o que constitui eloquente confirmação do que afirmamos aqui. 

Faixas populacionais, de condições e idades diversas, andam entediadas pelo ‘empanturrar’ dessas ’acrobacias’, coreografias litúrgico-pastorais. Permanentemente em voga, e progressivamente mais insossas, em muitos locais, sequer despertam atenção, exceto desgosto e visível mal-estar.

Não era, entretanto, à custa de ‘modernizações’ e vulgaridades desse naipe que os ‘progressistas’ julgavam estar investidos da missão de ‘rejuvenescer’ a Igreja, atraindo o ‘poder jovem’ para o seu lado? Notório revés! 

Não há como esquivar-se à realidade dos fatos: é inequívoco que a esquerda católica está em descompasso com a maioria silenciosa do Brasil.

Tantos artifícios conjugados acabaram por espantar e afugentar dos dessacralizados templos católicos sucessivas levas de jovens. Desalentadas e confusas, inconformadas e rejeitadas, legiões de jovens ‘pedem pão’, mas recebem ‘pedra’ (Mateus, 7-9). Sedentos de ideal verdadeiro e formação séria, rapazes e moças, em proporções crescentes, manifestam clara repulsa pelas velhas algazarras e pirotecnias balofas litúrgico-clericais. Numa palavra, autênticos órfãos da chamada Igreja ‘pós-conciliar’.

Desassistidos em suas melhores apetências de alma, e dotados de visão mais ampla, souberam não se deixar fisgar pelo ‘canto de sereia’. 

Cavou-se, por aí, verdadeiro fosso: parcelas do Clero ‘autodemolidor’ da Igreja, de um lado, e idealismo de certa juventude, de outro. 

Em sentido oposto, esclerosados e turrões, viciados e obstinados, muitos próceres do Clero progressista fecharam os olhos para a desagradável realidade do próprio fracasso, embevecendo-se apenas com o estridente eco da própria voz.

Ao cabo e ao termo, retraiu-se o poder de expansão ‘progressista’, para além dos grupelhos que, por um sinuoso trabalho de ‘baldeação ideológica inadvertida’, a duras penas, puderam, num primeiro momento, reunir em torno.


'A CNBB DECRÉPITA E A JUVENTUDE DA FÉ CATÓLICA'

Nessa direção, merecem registro eloquentes desabafos de certas figuras do Clero, atestando quão desconcertados ficam quando grande número de ovelhas (principalmente jovens) lhes fazem ouvidos moucos, por descobrirem que, por detrás do cajado do pastor, o indesejável uivo do lobo.
Já o título de certa matéria — ‘A CNBB decrépita e a Juventude da Fé Católica’ — resume, com objetividade inequívoca, o grande embaraço do clero ‘progressista’, em face da crescente falta de ‘emprise’ (influência, domínio) sobre grupos cada vez mais expressivos da juventude. Muitos dentre estes, efetivamente, ao se desgarrar da ditadura do ‘politicamente correto’, e vendo-se ‘agredidos pela realidade’ do escandaloso descompasso entre o que Igreja sempre ensinou e os desmandos sem fim que se estadeiam impunemente agora, só encontram como saída lutar pela preservação da fé em si e à sua volta. Assim agindo, estão em plena consonância com os preceitos da Lei Natural e do Direito Canônico. Aliás, isso não constitui uma extensão do direito de legítima defesa? Ou, por acaso, deveriam ser recriminados por isso?

“Quando o pastor se transforma em lobo, compete primeiramente ao rebanho se defender” (D. Guéranger, L’Anneé Liturgique, na festa de S. Cirilo de Jerusalém).

Aliás, se assim não fosse, onde iria parar a decantada liberdade de consciência, de que o período pós-conciliar se fez arauto e propagandista?


Tendo em vista, pois, o alcance da matéria que analisamos aqui, segue na íntegra o texto.

INDIGNAÇÃO DA CNBB... CONTRA 'O CONSERVADORISMO' DOS JOVENS!!!



A CNBB decrépita e a Juventude da Fé Católica.
FratresInUnum.com - Da matéria de Alexandre Trindade, Assessor de Imprensa da Câmara dos Deputados, sobre o encontro de Lula com religiosos, dentre os quais, Dom Pedro Luiz Stringuini, bispo de Mog...


*** * ***

Impasse: o anão, quer dizer, a esquerda travestida de católica, só progride no dorso do gigante. De seu lado, o gigante, quer dizer, a opinião católica reluta mover-se na direção que lhe é imposta. Pergunta-se, então: há como desvencilhar-se do imbróglio?
O gigante continuará dando corcovas? 

Nesse caso, que fará o anão? Continuará saltitando infrene no lombo do gigante, enquanto este, do indesejável e oportunista aliado tenta escapar? 

Com a aproximação do Sínodo dos Bispos, em outubro, novas relações entre anão e gigante poderão despontar.

Capciosas metamorfoses? ‘Correções de rota’? Como será tudo isso? 

Ergamos o olhar para as promessas e ameaças que, há praticamente cem anos, Nossa Senhora formulou em Fátima, e teremos resposta: ‘Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará!’

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A REALIDADE MUDOU, OU MUDAMOS NÓS?



Raphael de la Trinité


ESTAMOS AGORA EM JUNHO DE 2015.

Que presenciamos no momento atual? Eis o que noticia O GLOBO:

Em encontro com religiosos, Lula faz duras críticas a Dilma e a sua gestão: ‘ela está no volume morto’. Ex-presidente admitiu ainda que é ‘um sacrifício’ convencer sua sucessora a viajar pelo país e defender sua gestão.

O Globo – Como se estivesse em um confessionário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o coração a um seleto grupo de padres e dirigentes de entidades religiosas no auditório de seu instituto, anteontem, em São Paulo. Em tom de desabafo, criticou duramente a presidente Dilma Rousseff e creditou ao governo dela, sobretudo no segundo mandato, a crise vivida pelos petistas. Para Lula, a taxa de aprovação da companheira está no “volume morto”, numa referência à situação hídrica paulista, e, com o silêncio do Planalto, o “governo parece um governo de mudos”. O ex-presidente admitiu ainda que é “um sacrifício” convencer sua sucessora a viajar pelo país e defender sua gestão.

Dom Pedro Luiz Stringhini discursa alegremente em encontro com o bezerro de ouro da Teologia da Libertação.

— Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto, e eu estou no volume morto. Todos estão numa situação muito ruim. E olha que o PT ainda é o melhor partido. Estamos perdendo para nós mesmos — disse Lula.

Para ilustrar a profundidade do poço em que se meteu o PT, Lula citou uma pesquisa interna do partido, que revela que a crise se instalou no coração da legenda, o ABC Paulista. Muito rouco, o ex-presidente dizia coisas como “o momento não está bom” e “o momento é difícil”.

— Acabamos de fazer uma pesquisa em Santo André e São Bernardo, e a nossa rejeição chega a 75%. Entreguei a pesquisa para Dilma, em que nós só temos 7% de bom e ótimo — disse Lula aos religiosos.

Ele afirmou ter dito à presidente: “Isso não é para você desanimar, não. Isso é para você saber que a gente tem de mudar, que a gente pode se recuperar. E entre o PT, entre eu e você, quem tem mais capacidade de se recuperar é o governo, porque tem iniciativa, tem recurso, tem uma máquina poderosa para poder falar, executar, inaugurar”.Na mesa, os mais de 30 participantes do encontro, entre eles o bispo dom Pedro Luiz Stringhini, não deram trégua ao ex-presidente. Sobraram críticas para o PT, o governo, o próprio Lula e seu pupilo, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Os religiosos defenderam que o partido volte à antiga liturgia e se aproxime mais dos trabalhadores.
Lula concordou com a tese, dizendo que os petistas trocaram a discussão da política pela do mandato.
A reunião faz parte da estratégia do partido de tentar se reaproximar de sua base social. O interlocutor da ala religiosa é o ex-ministro Gilberto Carvalho, mencionado diversas vezes por Lula, em seu discurso de mais de 50 minutos, para exemplificar como o governo Dilma perdeu o contato com os movimentos sociais. Lula cobrou da presidente, e tem feito isso em outras reuniões reservadas, uma agenda positiva e mais exposição pública. Para o petista, Dilma deixou o governo mais distante dos mais pobres.

— Na falta de dinheiro, tem de entrar a política. Nesses últimos cinco anos, fizemos muito menos atividade política com o povo do que fizemos no outro período — disse ele, citando as conferências nacionais com grupos sociais.

— Isso acabou, Gilberto!

Lula reclamou que Dilma tem dificuldade de ouvir até mesmo os conselhos dados por ele:

— Gilberto sabe do sacrifício que é a gente pedir para a companheira Dilma viajar e falar. Porque na hora que a gente abraça, pega na mão, é outra coisa. Política é isso, o olhar no olho, o passar a mão na cabeça, o beijo.

Nesse ponto da conversa, o ex-presidente fez questão de ressaltar: falar com a população não é “agendar para falar na televisão”.

Durante a reunião, Gilberto Carvalho, que saiu do núcleo central do governo Dilma depois de muitas críticas à atuação da equipe da presidente, concordava com Lula, completava frases e assentia com a cabeça enquanto o ex-presidente subia o tom:

— Aquele gabinete (presidencial) é uma desgraça. Não entra ninguém para dar notícia boa. Os caras só entram para pedir alguma coisa. E como a maioria que vai lá é gente grã-fina… Só entrou hanseniano porque eu tava no governo, só entrou catador de papel porque eu tava no governo — disse Lula, que completou:

— Essa coisa se perdeu.

Lula revelou o quem tem conversado com Dilma nos encontros privados. Os dois têm feito reuniões em São Paulo, e a presidente só as informa na agenda oficial depois que são realizadas. Ele disse que fala para a presidente que a hora é de “ ir para a rua, viajar por esse país, botar o pé na estrada”. Diz ainda que os petistas não podem temer as vaias. Uma das armas para recuperar a combalida gestão, segundo ele, é investir na execução do Plano Nacional de Educação. O problema seria, de acordo com ele mesmo, que o próprio PT desconhece o conteúdo do plano.

“OS MINISTROS TÊM DE FALAR”

O petista, que não falou com os padres sobre uma possível candidatura à Presidência em 2018, mas não esconde que pode concorrer ao terceiro mandato, disparou fortemente contra os ministros, sobretudo os do PT.

— Os ministros têm de falar. Parece um governo de mudos. Os ministros que viajam são os que não são do PT. Kassab já visitou 23 estados, não sei quem já visitou 40 estados —exagerou.

O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, preside o PSD e quer recriar o Partido Liberal. Foi citado mais uma vez, para criticar o desânimo dos líderes petistas:— Aí não dá. Kassab já tá criando outro partido e a gente não tá defendendo nem o da gente!

Lula disse que também tem chamado a atenção do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, dizendo que ele deveria fazer mais discursos públicos.

— Pelo amor de Deus, Aloizio, você é um tremendo orador — disse ele, que emendou, arrancando risos dos religiosos: — É certo que é pouco simpático.

O ex-presidente ressaltou ainda que “inaugura-se (obra do) Minha Casa Minha Vida todos os dias”, mas que os políticos locais não destacam o papel do governo nas obras.

Para criticar o empenho de Dilma na aprovação do ajuste fiscal, Lula afirmou:

— Falar é uma arma sagrada. Estamos há seis meses discutindo ajuste. Ajuste não é programa de governo. Em vez de falar de ajuste… Depois de ajuste vem o quê? — criticou Lula, apontando que é preciso “fazer as pessoas acreditarem que o que vem pela frente é muito bom”. Segundo o petista, “agora parece que acabou o (assunto) do ajuste”.


A VACA TOSSIU

Lula disse que o governo não dá boas notícias ao país.

— Nós tivemos as eleições no dia 26 de outubro. De lá pra cá, Gilberto, nós temos que dizer para vocês, porque vocês são companheiros, depois de nossa vitória, qual é a noticia boa que nós demos para este país? Essa pergunta eu fiz para a companheira Dilma no dia 16 de março, na casa dela.
Segundo Lula, nesse encontro estavam os ministros Mercadante, Jacques Wagner (Defesa) e Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência), além de Rui Falcão, presidente nacional do PT.

—Eu fiz essa pergunta para Dilma: “Companheira, você lembra qual foi a última notícia boa que demos ao Brasil?” E ela não lembrava. Como nenhum ministro lembrava. Como eu tinha estado com seis senadores, e eles não lembravam. Como eu tinha estado com 16 deputados federais, e eles não lembravam. Como eu estive com a CUT, e ninguém lembrava.


 Para os religiosos — que foram recebidos no Instituto Lula com café, refrigerantes, sanduíches e docinhos como brigadeiro e olho de sogra — Lula continuou a “confissão”, elencando as más notícias dadas pelo governo:

— Primeiro: inflação. Segundo: aumento da conta de água, que dobrou. Terceiro: aumento da conta de luz, que para algumas pessoas triplicou. Quarto: aumento da gasolina, do diesel, aumento do dólar, aumento das denúncias de corrupção da Lava-Jato, aquela confusão desgraçada que nós fizemos com o Fies (Financiamento Estudantil), que era uma coisa tranquila e que foram mexer e virou uma desgraceira que não tem precedente. E o anúncio do que ia mexer na pensão, na aposentadoria dos trabalhadores.

Nesse momento, Lula resgatou as promessas não cumpridas por Dilma durante a última campanha eleitoral.

— Tem uma frase da companheira Dilma que é sagrada: “Eu não mexo no direito dos trabalhadores nem que a vaca tussa”. E mexeu. Tem outra frase, Gilberto, que é marcante, que é a frase que diz o seguinte: “Eu não vou fazer ajuste, ajuste é coisa de tucano”. E fez. E os tucanos sabiamente colocaram Dilma falando isso (no programa de TV do partido) e dizendo que ela mente. Era uma coisa muito forte. E fiquei muito preocupado.

O ex-presidente ainda disse aos religiosos — entre eles o padre Julio Lancelotti, dirigentes de pastorais católicas e um pastor evangélico — não acreditar na existência do mensalão.

 — Não acredito que tenha havido mensalão. Não acredito. Pode ter havido qualquer outra coisa, mas eu duvido que tenha havido compra de voto — disse ele, mencionando que o ex-deputado Luizinho, do PT de Santo André, não poderia ter voto comprado no mensalão porque era, na época do escândalo, em 2005, líder do governo.

Lula repetiu a crítica que tem feito desde o início do ano nas reuniões do partido: a de que os petistas saíram derrotados do caso do mensalão porque trataram do caso “juridicamente”, quando a discussão, segundo ele, é política. Os petistas têm se desdobrado para defender, desta vez, o ex-tesoureiro João Vaccari Neto, acusado de integrar o esquema descoberto pela Operação Lava-Jato, numa mudança em relação à postura adotada sobre o ex-tesoureiro Delúbio Soares.

Durante as investigações do mensalão, a direção do PT expulsou Delúbio, que só voltou a ser defendido pelos principais nomes da legenda quando começou o julgamento no Supremo.

— Nós começamos a quebrar a cara ao tratar do mensalão juridicamente. Então, cada um contratou um advogado. Advogado muito sabido, esperto, famoso, desfilando por aí, falando que a gente ia ganhar na Justiça. E a imprensa condenando. Todo dia tinha uma sentença. Quando chegou o dia do julgamento, o pessoal já estava condenado — disse Lula.

*** *** ***

Após divulgar fotos do encontro em seu perfil no Facebook e receber uma avalanche de críticas, o bispo diocesano de Mogi das Cruzes se pronunciou:


*** *** ***

E EM REALIDADE SEMELHANTE NOS ENCONTRÁVAMOS HÁ CINQUENTA ANOS:

A REALIDADE MUDOU, OU MUDAMOS NÓS?

 O EPISÓDIO (QUE RELATAREMOS ABAIXO) FAZ RECORDAR (MUTATIS MUTANDIS, SERVATIS SERVANDIS), ALGO OCORRIDO ÀS VÉSPERAS DA REVOLUÇÃO DE 31 DE MARÇO DE 1964.

NAQUELA ÉPOCA, JOÃO GOULART ACHAVA-SE NO ÁPICE DA DESMORALIZAÇÃO, CAMINHANDO O BRASIL EM MARCHA CÉLERE PARA O COMUNISMO.

NAQUELE AUGE DE DESPRESTÍGIO IMENSO, QUEM EMPRESTOU TODO APOIO AO COMUNISMO-JANGUISMO, REUNINDO-SE COM O PRESIDENTE, ENTÃO ÀS VÉSPERAS DE SER DEPOSTO?

Duas fotos publicadas pela imprensa carioca no dia 25 de março de 1964, uma no ‘Jornal do Brasil’ e outra na ‘Última Hora’, mostraram João Goulart entre o cardeal de São Paulo, d. Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, e o recém-nomeado arcebispo de Olinda e Recife, d. Helder Câmara, após um almoço no Palácio das Laranjeiras, no Rio.

(Encontramos apenas uma das fotos)

Os três estavam sorridentes, o que levou os jornais a interpretar o encontro como uma demonstração de apoio da Igreja ao governo. O cardeal Motta presidia a CNBB e d. Hélder era o secretário-geral.
A tranquilidade era só aparente. O clima era tenso e todos se mostravam ‘aflitíssimos’, segundo Marina Bandeira, secretária de d. Hélder, a quem ele relatou detalhes da conversa. Nada foi divulgado sobre a audiência, que havia sido solicitada pelo arcebispo de Recife, com a condição de absoluto sigilo.

Nem garçom seria admitido na sala. A entrada de um fotógrafo da Secretaria de Imprensa da Presidência da República surpreendeu os bispos, que protestaram. Goulart alegou que seriam fotos para seu arquivo pessoal, mas determinou ou permitiu que fossem divulgadas. O historiador e teólogo pe. José Oscar Beozzo conseguiu essas informações nos arquivos da CNBB. 

(cf. Jango teve reunião secreta com bispos pouco antes do golpe - José Maria Mayrink, O ESP, 28/3/2014)

Eles tentaram convencer o presidente a dar ‘novo rumo’ ao governo

*** *** ***


O leitor tem todos os elementos para julgar...


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

PARA ONDE NOS LEVA A ‘TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO’?


DESTAQUE
 

O materialismo precisa da ajuda da teologia para ser redentor. (Walter Benjamin).

O pessoal da teologia da libertação, leitor atento do antigo testamento, se apropriou. Há uma relação forte desse elemento profético com o cristianismo da libertação na América Latina.

Nasci no Brasil, fui para a Europa fazer tese sobre Marx e vivo na França há 40 anos. Tenho estudado o judaísmo libertário e o grupo de pensadores que articulou a tradição messiânica com a utopia revolucionária. Sou um ateu religioso. Acredito no marxismo e no homem, mas essa já é uma fé profana... Há uma relação forte desse elemento profético com o cristianismo da libertação na América Latina(Michael Lowy, cientista social)


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Michael Lowy fala sobre religião e marxismo, dá sua opinião sobre utopia e comenta tropicalismo - Marcelo Carnaval / Agência O Globo











Michael Lowy, cientista social - ‘Agora é que
a história do socialismo está começando’

por Pedro Gueiros


Michael Lowy fala sobre religião e marxismo, dá sua opinião sobre utopia e comenta tropicalismo:

“Nasci no Brasil, fui para a Europa fazer tese sobre Marx e vivo na França há 40 anos. Tenho estudado o judaísmo libertário e o grupo de pensadores que articulou a tradição messiânica com a utopia revolucionária. Sou um ateu religioso. Acredito no marxismo e no homem, mas essa já é uma fé profana”.


Conte algo que não sei

— O derretimento das calotas polares [levará] as principais cidades a ficarem debaixo d’água. A sociedade industrial capitalista ocidental nos faz caminhar para o desastre. Estamos sob a ameaça do dilúvio, como na Bíblia. Precisamos pensar numa alternativa civilizatória radical, determinada pela decisão coletiva e democrática. Chamo isso de ecossocialismo.

Boa parte dos intelectuais marxistas, como o senhor, tem origem judaica. A religião que oprime é a mesma que liberta?

— Walter Benjamim denuncia o capitalismo como religião mas diz que o materialismo precisa da ajuda da teologia para ser redentor. Há na tradição judaica o messianismo, promessa de um mundo do qual a opressão, a fome, a miséria, a guerra desaparecerão. Isso tem potencial subversivo, mas não é monopólio dos judeus. O pessoal da teologia da libertação, leitor atento do antigo testamento, se apropriou. Há uma relação forte desse elemento profético com o cristianismo da libertação na América Latina.

O uso da força faz do oprimido de hoje o opressor de amanhã. A revolução definitiva será obtida por meio do amor?

— O ideal seria a revolução do amor, pacífica. Infelizmente, sabemos que as classes dominantes resistem às mudanças. É importante buscar a transformação pela consciência, mas em certas circunstâncias você será obrigado a se defender.

Com a queda do muro, o que restou da utopia?
— O que fracassou nos países do leste foi uma caricatura burocrática do socialismo. Talvez no começo, havia uma tentativa, mas virou uma ditadura totalitária. Só que não acabou. Na verdade, é agora que a história do socialismo está começando.

Vistos como a civilização do atraso, os índios agora são o paradigma do futuro?

— Benjamim dizia que o capitalismo tem relação assassina com a natureza. As comunidades primitivas do Brasil e de toda a América Latina consideravam a natureza como uma mãe generosa. Não por acaso, indígenas estão na vanguarda da luta. Não podemos voltar a viver como eles, mas aprender a respeitar essa mãe generosa.


Fonte: O Globo

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

"O PARAÍSO PERDIDO"



DESTAQUE


"A Teologia da Libertação é mais importante que o marxismo para a revolução latino-americana" Fidel Castro, citado por Frei Betto em "O Paraíso perdido", pag. 166.


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Frei Betto e Fidel Castro

por Percival Puggina

"A Teologia da Libertação é mais importante que o marxismo para a revolução latino-americana" Fidel Castro, citado por Frei Betto em "O Paraíso perdido", pag. 166.
Paraíso perdido é o título de uma obra poética de John Milton sobre a tentação e queda de Adão e Eva. E é, também, o título de um livro de memórias gastronômicas e de militância comunista em que Frei Betto descreve suas andanças pela América Latina e Leste Europeu nos anos 80.
São mais de 400 páginas relatando dezenas, talvez mais de uma centena de viagens e itinerários em contato com lideranças católicas e governos comunistas, cumprindo dois objetivos: aproximar os católicos do comunismo e apresentar a Teologia da Libertação (TL) às lideranças comunistas. Muitas dessas viagens tiveram Cuba como destino e Fidel como figura central. Ao longo dessa jornada em que o frei vendia mercadoria avariada para os dois lados, ele e Fidel se tornaram amigos.
O relato se encerra pouco após a queda do Muro de Berlim, com o desfazimento da União Soviética. As longas páginas finais em que discorre sobre a perda do "paraíso", podem ser resumidas nestas palavras do autor: "Mudar a sociedade é modificar também os valores que regem a vida social. Essa revolução cultural certamente é mais difícil que a primeira, a social. Talvez por isso o socialismo tenha desabado como um castelo de cartas no Leste Europeu. Saciou a fome de pão, mas não a de beleza. Erradicou-se a miséria, mas não se logrou que as pessoas cultivassem sentimentos altruístas, valores éticos, atitudes de compaixão e solidariedade”.
Ora, economias comunistas são estéreis. Não saciam a fome de pão. E a fome de beleza, a cultura de valores, compaixão e solidariedade, jamais foi gerada sob o materialismo de tal regime. Sem qualquer exceção, onde ele se instalou, avançou com ferocidade contra tudo que os poderia produzir. Família, liberdades, religiões e seus valores foram sempre espezinhados sob o tacão do Estado totalitário. Quem quiser detalhes, informe-se sobre o que aconteceu com padres, bispos, cardeais, instituições religiosas na Hungria do cardeal Jószef Mindzensty, na Tchecoeslováquia do cardeal Josef Beran, na Polônia do cardeal Wyszynski, na Ucrânia do arcebispo Josyf Slipyj, na Iugoslávia, do arcebispo Stepinac. O comunismo foi, sempre, uma usina de mártires.
Aliás, Nero, Décio, Diocleciano e Galério foram mais moderados e indulgentes com os cristãos do que os governantes comunistas. "Qual o produto de tantos anos de trabalho do frei?" indagará o leitor. Pois é. Ele foi razoavelmente bem sucedido em levar a desgraça do comunismo aos cristãos. E fracassou totalmente em levar o "cristianismo" da TL às elites do comunismo. Apesar disso, a Teologia da Libertação volta a ganhar vida e adeptos no ambiente católico.
_____________
* Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.

Fonte: Puggina
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