domingo, 13 de abril de 2014

Conselho dos Judeus e traição de Judas - Santo Afonso Maria de Ligório


DESTAQUE

Refere São João que se ajuntaram os pontífices e os fariseus em conselho e diziam: Que fazemos nós? Este homem faz muitos milagres; se o deixamos assim livre, todos crerão nele.

Minha alma, deixa Judas, e fixa em ti mesma os teus pensamentos. Dize-me, por que preço vendeste, tu mesma, tantas vezes a graça divina ao demônio?


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Conselho dos Judeus e traição de Judas - Santo Afonso Maria de Ligório



Expedit vobis, ut unus moriatur homo pro populo, et non tota gens pereat — “Convém que morra um homem pelo povo e que não pereça toda a nação (Io. 11, 50). 




Sumário. 

Tendo os iníquos pontífices decretado a morte de Jesus Cristo, tiveram grande satisfação ao ver que Judas, um dos discípulos, se oferecia a traí-Lo e entregar-Lho nas mãos. O Senhor conhece perfeitamente a felonia de Judas e, todavia, não deixa de tratá-lo como amigo na mesma forma que d´antes; olha-o com benevolência, não recusa a sua companhia e chega a prostrar-se-lhe aos pés para os lavar. Ó inefável benignidade! Que belo exemplo para nós, se o quisermos aproveitar!

I. No mesmo tempo em que Jesus andava derramando graças e fazendo milagres para benefício de todos, reúnem-se os primeiros personagens da cidade de Jerusalém, a fim de tramarem a morte do Autor da vida. Refere São João que se ajuntaram os pontífices e os fariseus em conselho e diziam: Que fazemos nós? Este homem faz muitos milagres; se o deixamos assim livre, todos crerão nele. Mas um deles, por nome Caifás, respondeu que lhes convinha que um homem morresse pelo povo, e não perecesse a nação toda. “E desde aquele dia”, diz o mesmo São João, “pensavam em como haviam de o fazer morrer.” — Ah, Judeus! Não temais; vosso Redentor não fugirá, porquanto veio à terra exatamente para morrer, e pela sua morte livrar-vos a vós e a todos os homens da morte eterna.

Entretanto, Judas apresenta-se aos pontífices e diz: Quid vultir mihi dare, et ego vobis eum tradam? (1) — “Que me quereis dar, e eu vo-Lo entregarei?” Oh! Que alegria deviam sentir os Judeus, pelo ódio que devotavam a Jesus Cristo, ao verem que um dos seus discípulos o queria trair e entregar-Lho nas mãos! Consideremos nisso o júbilo que, por assim dizer, reina no inferno, quando uma alma, depois de servir a Jesus Cristo por muitos anos, vem a traí-Lo por qualquer miserável bem ou vil satisfação.

Mas, ó Judas, já que estás resolvido a vender o teu Deus, exige pelo menos o preço que Ele vale. É um bem infinito, merecedor, portanto, de um preço infinito. Porque, pois, concluis o negócio por trinta dinheiros? At illi constituerunt ei triginta argenteos (2) — “E eles prometeram-lhe trinta dinheiros de prata”. — Minha alma, deixa Judas, e fixa em ti mesma os teus pensamentos. Dize-me, por que preço vendeste, tu mesma, tantas vezes a graça divina ao demônio?

Ah, meu Jesus, quantas vezes Vos virei as costas, e a Vós preferi um capricho, um empenho, um prazer passageiro e vil! Sabia que, pecando, perdia a vossa amizade e voluntariamente a troquei por um nada. Tivesse morrido antes de fazer-Vos tão grande ultraje! Ó meu Jesus, arrependo-me de todo o coração e quisera morrer de dor.

II. Contemplemos agora a benignidade de Jesus Cristo, que, sabedor do ajuste feito por Judas, contudo, vendo-o, não o repele de si, nem o olha com maus olhos; admite-o em sua companhia, e ainda à sua mesa; repreende-o pela sua traição com o único intuito de chamá-lo à resipiscência; e vendo-o obstinado, chega a prostrar-se diante dele e a lavar-lhe os pés para desta arte o enternecer.

Ah, meu Jesus, é assim também que fizestes comigo. Eu Vos desprezei e traí, e não me repelis; não deixais de olhar-me com amor, e me admitis à vossa mesa da santa comunhão. Meu amado Salvador, nada mais podeis fazer para me obrigar a Vos amar. E eu terei ânimo de continuar a ofender-Vos e pagar-Vos com a minha ingratidão? Não, meu Deus, não quero mais abusar da vossa misericórdia. Agradeço-Vos a luz com que me iluminais e prometo que mudarei de vida. Vejo que já não me podeis suportar mais tempo. Porque, pois, esperarei até que Vós mesmo me mandeis ao inferno, ou me abandoneis em minha vida de perdição, castigo este maior do que a própria morte?

Meu Jesus, eis que me prostro aos vossos pés. Peço-Vos perdão das ofensas a que Vos fiz e rogo-Vos que me recebais em vossa graça. Quem me dera poder recomeçar os anos passados; quisera empregá-los unicamente em vosso serviço, ó Senhor meu. Os anos, porém, não voltam mais; por piedade, fazei ao menos que empregue o que me resta de vida, unicamente em amar-Vos e fazer que outros também Vos amem. — Ó grande Mãe de Deus e minha Mãe Maria, socorrei-me com a vossa intercessão, pedi a Jesus que me faça todo seu. Peço-vos esta graça pela parte que tomastes na Paixão de vosso divino filho. (I 603.)

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1. Matth. 26, 15.
2. Matth. 26, 15.


(Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 377-379.)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

São João Fisher, São Thomas More e a seita do anglicanismo



DESTAQUE


Henrique VIII, provavelmente, nunca mais foi feliz. Nem poderia. No total, casou-se seis vezes, um fracasso após o outro. Henrique herdou uma grande fortuna, mas não foi cuidadoso com seu dinheiro. Depois de diversas manobras para obter dinheiro, incluindo tomar posse de terras monásticas e desvalorizar a moeda, ainda assim morreu endividado. Nos últimos anos de sua vida, tornou-se grosseiramente obeso, mal podendo se locomover. Tinha muitas dores, suportando furúnculos e possivelmente sofria de gota. Sua obesidade foi consequência de um ferimento na perna, que depois tornou-se uma úlcera. Ele morreu após alegadamente proferir as palavras: “Monges! Monges! Monges!”


Afinal, o que se poderia esperar de uma Igreja que não segue a uma Tradição firme e imutável de dois mil anos, mas aos gostos e caprichos de um Rei e um Livro de Orações de alguns séculos atrás, a uma seleta de Credos? Que surgiu por motivações não religiosas, mas deveras políticas?
As conversões [ao Catolicismo] têm acontecido em grande escala. De acordo com o influente diário de Londres “The Times”, no fim do processo, a igreja anglicana poderia ficar reduzida a uma insignificância residual.


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São João Fisher, São Thomas More e a seita do anglicanismo



São Thomas More
São João Fisher era Cardeal e Arcebispo de Rochester, foi tutor do príncipe Henrique, reitor da Universidade de Cambridge, e esteve presente no Concílio Lateranense V. Ele opôs-se ao plano do Rei Henrique que tencionava se divorciar da Rainha Catarina, do qual era confessor, lembrando-o do caráter indissolúvel do Matrimônio.
São Thomas More, por sua vez, era um leigo, Chanceler do Reino Inglês. Depois que o Arcebispo de York, Thomas Wolsey, falhou em conseguir a anulação do casamento de Henrique VIII, ele foi forçado a demitir-se para dar lugar a S. Thomas More na chancelaria. Este era íntimo do rei, mas aparentemente este ainda não tinha se apercebido da retidão de caráter de More.[¹] Mostrou-se eficiente, imparcial e justo em seu cargo.

Estes dois homens de grande erudição e participação política e religiosa na Inglaterra foram firmes em opor-se às tentativas do Rei de divorciar-se da Rainha, colocando que isto era matéria da jurisdição do Papa. A Rainha apelou para o Papa, e este disse que não concederia a anulação do matrimônio.

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São João Fisher
Em 1534, finalmente, o Rei respondeu com uma reação que teria trágicas consequências: separando-se da Igreja Católica, criou a nova Igreja da Inglaterra (Anglicana), e atribuiu-se a si mesmo a liderança desta, como Chefe Supremo da Igreja, ao invés do Papa. Obrigou todos os sacerdotes a um juramento ao abrigo de seu Ato de Supremacia. Embora tivesse sido duramente contra as heresias de Lutero, chegando a queimar os livros deste publicamente. Mas a luxúria e a ambição de ter filhos homens falaram mais alto que a sua fidelidade a Igreja.
Sir Thomas More foi convocado para fazer o juramento no dia 17 de abril de 1534, e, dada a sua recusa, foi preso na Torre de Londres junto com o Cardeal João Fisher. Note-se que São João Fisher foi feito cardeal pelo Papa durante o tempo que estava na prisão. Depois de julgados, foram condenados à pena capital por traição e desobediência. Desobedientes ao rei mas obedientes e fiéis a Deus, morreram como mártires, mortes que eram apenas o começo de muitas outras que aconteceriam na Inglaterra por causa da luta dos monarcas em estabelecer ali sua nova heresia do anglicanismo.
Henrique VIII, provavelmente, nunca mais foi feliz. Nem poderia. No total, casou-se seis vezes, um fracasso após o outro. Henrique herdou uma grande fortuna, mas não foi cuidadoso com seu dinheiro. Depois de diversas manobras para obter dinheiro, incluindo tomar posse de terras monásticas e desvalorizar a moeda, ainda assim morreu endividado. Nos últimos anos de sua vida, tornou-se grosseiramente obeso, mal podendo se locomover. Tinha muitas dores, suportando furúnculos e possivelmente sofria de gota. Sua obesidade foi consequência de um ferimento na perna, que, depois, tornou-se uma úlcera. Ele morreu após alegadamente proferir as palavras: “Monges! Monges! Monges!”

Henrique VIII EM 1542
Há quem diga que a “emancipação” da Igreja feita por Henrique VIII ainda não a havia tornado verdadeiramente protestante, já que continuou “católica quanto à doutrina”. Disso terei que discordar, pois colocar o Rei no lugar do Papa é erro grave. Mas ainda assim, continuaram semelhantes nos artigos de fé, até que veio a Rainha Elisabeth I (que os filmes idolatram, mas que não foi nada clemente com os católicos), e aí sim a Igreja Anglicana tornou-se um híbrido de catolicismo com protestantismo, característica que mantém até hoje. Como diz meu pároco, Pe. Ulysses, “a casca é católica, mas o interior é protestante”. Daí uma dificuldade em discernir a primeira vista uma Igreja Anglicana, mas é algo que não demora muito.
Como não poderia deixar de ser, ao exemplo das suas irmãs protestantes, na segunda metade do séc. XX,a Comunhão Anglicana viu surgirem várias denominações independentes, devido a divergências teológicas ou pastorais. Atualmente, está passando por uma grande crise interna, em que o sentido de unidade, de comunhão está sendo questionado, por fatos que ocorreram no século XX: a ordenação feminina, e no XXI, a sagração de um bispo homossexual assumido, pela Igreja dos Estados Unidos, e a bênção matrimonial de casais do mesmo sexo, por uma diocese canadense. Sem falar que o celibato já ficou pra trás há muito tempo. É uma grave crise que os assola – a qualcontrapõe conservadores e liberais. Afinal, o que se poderia esperar de uma Igreja que não segue a uma Tradição firme e imutável de dois mil anos, mas aos gostos e caprichos de um Rei e um Livro de Orações de alguns séculos atrás, a uma seleta de Credos? Que surgiu por motivações não religiosas, mas deveras políticas?

Abadia de westminster,
antiga igreja católica
tomada pelos anglicanos.
É onde se realizam as
coroações reais.
Quando Maximin, vidente de La Sallete, redigiu o Segredo que lhe confiou Nossa Senhora em 1851, escreveu: “um grande país no norte da Europa, hoje protestante, se converterá. Pelo apoio desta nação, todos os outros países se converterão”. Maximin registrou que este país seria a Inglaterra. Em 2009, o Papa Bento XVI publicou a Constituição Apostólica Anglicanorumcoetibus, sobre a instituição de ordinariados pessoais para os anglicanos que se convertem de volta para a Igreja Católica, se aprestando a receber grandes blocos de anglicanos. As conversões têm acontecido em grande escala. De acordo com o influente diário de Londres “The Times”, no fim do processo, a igreja anglicana poderia ficar reduzida a uma insignificância residual.

Daí se entende por que a visita do Papa a Inglaterra em 2010 foi histórica: pela primeira vez em 476 anos, um Papa foi convidado pela monarquia britânica para uma viagem de Estado. Na ocasião excepcional, o Papa foi quem presidiu a cerimônia de beatificação do Cardeal Newman, que se converteu do anglicanismo para o catolicismo e dizia: “Liberdade de consciência não equivale a ter direito a prescindir da consciência, a ignorar o legislador e juiz, a ser independente de obrigações invisíveis”. A visita não deixou de causar um mal-estar entre os anglicanos, talvez pelos fortes significados que trazia a ocasião.

Cardel Newman
Por isso, que todos rezemos fervorosamente, pedindo que, pela intercessão de São João Fisher e São Thomas More, e confiantes em Nossa Senhora de La Salette, a Inglaterra possa retornar a Fé Católica, como foi revelado por Deus a São Domingos Sávio:

Certa manhã, durante minha ação de graças, após a comunhão, voltei a ter uma distração (êxtase), que me pareceu estranha. Eu julguei ver uma grande parte de um país envolvida em grossas brumas, e estava cheia com uma multidão de pessoas. Estavam se movendo, mas como homens que, tendo perdido seu caminho, não estavam certos onde pisavam. Alguém próximo disse: ‘Esta é a Inglaterra’. Eu estava para fazer algumas perguntas a respeito disso quando vi Sua Santidade Pio IX, representado da mesma maneira que vi nas figuras. Ele estava majestosamente vestido, e carregava uma tocha brilhante com a qual ele se aproximou da multidão, como que para iluminar sua escuridão. À medida que se aproximava, a luz da tocha parecia dispersar a névoa, e as pessoas foram trazidas à plena luz do dia. “Esta tocha,” disse meu informante, “é a religião Católica que está para iluminar a Inglaterra”.


domingo, 6 de abril de 2014

Lefebvrianos dispostos a deixar morrer ‘a geração Vaticano II’

  • NOTA DO BLOG: A matéria pode parecer ultrapassada em termos cronológicos; no entanto, merece realce no que diz respeito a um ponto: Fellay está a apostar em algo, que muitos já notaram, que a nova geração de sacerdotes (e, por conseguinte, a próxima geração de bispos) é significativamente mais conservadora e tradicionalista que a actual.

  • Pergunta-se: como será isso daqui a cinco ou dez anos?



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Lefebvrianos dispostos a deixar 

morrer ‘a geração Vaticano II’

Dom Bernard Fellay, superior-geral da FSSPX, com o Papa Bento XVI


A reintegração dos lefebvrianos da Sociedade de São Pio X na Igreja poderá levar cinco a dez anos, disse ontem (2 de fevereiro de 2012) o superior-geral desta organização, o arcebispo Bernard Fellay.

Numa homilia ontem (2 de fevereiro de 2012), no Minnesota, Estados Unidos, Fellay falou de forma franca sobre as negociações com Roma e as perspectivas de sucesso das mesmas. Deixando bem claro que uma resolução será difícil.

Quem se interessa pelo assunto deve ler o texto completo aqui, em inglês. Contudo, realço os seguintes aspectos.

Afinal, nada está perdido. No final do ano passado, com base em palavras do mesmo Fellay, tinha-se ficado com a ideia de que a SSPX ia simplesmente rejeitar a proposta de Roma. Desde então a sociedade mandou uma resposta para o Vaticano que, pelos vistos, dava alguma margem de manobra e por isso as negociações continuam.

Os Lefebvrianos estão dentro ou fora da Igreja? A resposta não é simples. Vejamos esta passagem da homilia: “Mesmo se estamos a lutar contra Roma estamos ainda, por assim dizer, com Roma. Lutamos com Roma, ou se preferirem, contra Roma, mas ao mesmo tempo ao lado de Roma. E dizemos, e continuamos a dizer, que somos católicos. Queremos permanecer católicos”.

O que eu tenho dito antes é que este estatuto de “dentro mas simultaneamente fora” é incomportável durante muito mais tempo. Se as negociações falharem definitivamente, então a SSPX pode-se considerar definitivamente fora, com tudo o que isso implica, e que descrevi aqui.

Contudo, o bispo tem razão ao apontar uma incoerência nas atitudes de Roma: “Seria mais fácil estarmos fora. Teríamos muito mais vantagens. Tratar-nos-iam muito melhor! Olhem os protestantes, como lhes abrem as portas das suas igrejas. A nós fecham-nas”. Não são apenas palavras, são factos. Bem sei que as disputas são tanto mais dolorosas quanto mais próximas são as pessoas, mas vejam isto pelos olhos dos tradicionalistas: Deve doer ver que as antigas catedrais se abrem mais rapidamente a celebrações protestantes do que a comunidades seguidoras de Lefebvre.

Fellay continua a usar um tom pouco realista quando diz que estão dispostos a negociar, mas que a única solução viável é que a Igreja renuncie a todos os “erros” do Concílio Vaticano II. Contudo, olhando mais de perto, entrevê-se outra possibilidade: “Dissemos-lhes muito claramente, se nos aceitarem como somos, sem nos obrigarem a aceitar estas coisas, então estamos prontos. Mas se querem que aceitemos estas coisas, então não estamos”.

Portas fechadas, ou prestes a abrir?

Ou seja, deixem-nos voltar sem nos obrigarem a aceitar o que o Concílio diz e não nos chateamos mais. “Live andletlive”. Curiosamente há precedentes para esta atitude, o que não significa que Roma aceite. Se SSPX está dividida internamente, a Igreja Católica também. Há muita pressão no sentido de não permitir a reentrada desta sociedade sem que ela ceda, sobretudo no que diz respeito à questão da liberdade religiosa e do diálogo ecuménico, as duas grandes questões do Concílio que eles não aceitam. O que nos leva a…

O factor tempo

Fellay refere que uma solução poderá ser possível, mas que não prevê que isso aconteça num futuro próximo. “Talvez em cinco, ou dez anos”, diz.

Como é que se pode ler esta frase? Basicamente o que Fellay está a dizer é que daqui a cinco ou dez anos a “geração Vaticano II” já terá, efectivamente, partido para conhecer o seu Criador. E insinua que a geração seguinte será mais compreensiva, sem uma ligação tão forte ao Concílio.

Fellay está a apostar em algo, que muitos já notaram, que a nova geração de sacerdotes (e, por conseguinte, a próxima geração de bispos) é significativamente mais conservadora e tradicionalista que a actual.

Tudo bem, mas não deixa de ser uma aposta arriscada. Como estará a SSPX dentro de cinco a dez anos? Manter-se-á unida? O que achará uma nova geração de lefebvrianos que nunca esteve em comunhão plena com Roma? Sentirão a falta? Vale a pena correr esse risco? Ou será tudo isto bluff, tendo em conta a próxima ronda de negociações que se aproxima?

Em conclusão, contudo, pode-se dizer que esta intervenção de Fellay é substancialmente mais positiva no seu tom do que aquelas que ele teve antes de enviar a resposta para Roma. Para todos os efeitos a bola está agora no campo do Papa, que estará a meditar uma contraproposta. Por enquanto só sabemos que a proposta que está em cima da mesa “já é bastante diferente daquilo que nos foi apresentado a 14 de Setembro”, nas palavras de Fellay, por isso a situação não está tão negra como parecia estar em finais do ano passado.

E agora? Cá estaremos para ver.



A magnífica cena se repetirá na Semana Santa de Málaga, neste ano?



Marines estadounidenses y militares de varios países piden desfilar conel Cristo de la Legión



Marines estadounidenses y militares de varios países piden desfilar con el Cristo de la Legión
Legionarios en un acto religioso
La imagen de los legionarios llevando al Cristo de la Buena Muerte dio la vuelta al mundo durante la JMJ Madrid 2012 y ahora los marines estadounidenses y militares de varios países han pedido permiso para desfilar junto al Cristo de la Legión durante la Semana Santa de Málaga.


Así es lo da a conocer Libertad Digital recordando que la última Jornada Mundial de la Juventud reunió a algunas de las principales piezas de la imaginería religiosa española. Las imágenes del Vía Crucis presidido por Benedicto XVI y la posterior procesión por el centro de Madrid dieron la vuelta al mundo e impactaron sobremanera a los miles de peregrinos, especialmente el Cristo de la Buena Muerte. 

Según el mismo diario digital, el Hermano Mayor de la Cofradía, Antonio Jesús González, ha señalado que grupos de marines de Estados Unidos y militares de distintos países se han puesto en contacto con la Congregación para poder participar en los actos del "Cristo de la Legión" durante la Semana Santa. Algunos de ellos ya participaron en la Jornada Mundial junto a los legionarios y a los hermanos de esta cofradía.

"Este año se prevé mayor público durante los actos debido a la JMJ", asegura el Hermano Mayor, que añade que son gente, entre ellos muchos militares, que "han visto los actos y ahora quieren participar".

De confirmarse la llegada de los marines y las fuerzas de otros países su participación consistiría en su "presencia en el desembarco en la ciudad por parte de la Armada, en el acto de traslado de la Buena Muerte con los legionarios y en la procesión posterior saliendo en la presidencia militar".

Además, González ha indicado que también numerosos cadetes de la Academia Militar de Zaragoza quieren participar en la Semana Santa de Málaga junto a esta congregación. "Para nosotros esto es muy importante porque son los futuros oficiales", afirma el Hermano Mayor de una Cofradía históricamente vinculada al cuerpo de la Legión.

Los militares que han hecho la solicitud proceden de seis nacionalidades como por ejemplo Bélgica, Francia e Italia y participarán en el desembarco en el puerto de Málaga, en el traslado del Cristo al trono y en la procesión de seis horas por las calles de la ciudad. Eso sí, nunca podrán llevar la imagen del Cristo.



A epopeia de um capitão militar italiano na Rússia‏


DESTAQUE

Junto a aquellos soldados, como en todos los ejércitos de la Segunda Guerra Mundial, expusieron com valentia su pecho a las balas y a las bombas miles de capellanes que hicieron presente a Cristo en sus últimos segundos, para que les acompañara de su mano a la morada eterna.
Constituyen una fuente documental importantísima para compreender la mentalidad de la época y, como cuenta Diego Andreatta em el diário L´Avvenire, acaban de ser publicadas en forma de libro bajo el título: Y aquí ¿cuándo florecerá la tierra?

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Un ‘sagrado deber’ - convertir a los sin Dios

Teniente del 201º Regimiento de Artillería Motorizada, cruz en mano entre bombas mientras la Armir paraba la ofensiva soviética a orillas del Don.


Esel 26 de agosto de 1942 y la Armir (Armata Italiana in Rusia, launidad que mandó Benito Mussolini a luchar contra Stalin) se bate como puede para frenar la ofensiva soviética sobre el río Don.
Em um cuerpo a cuerpo em el que vuelan las bombas de mano y las granadas, um joven de 29 años, teniente del 201ª Regimiento de Artillería Motorizada, recorre el frente entre explosiones, disparos y cuerpos retorcidos por el dolor para administrar extremaunciones y llevar el perdón de los pecados y una última palabra de consuelo espiritual a los hombres que ya no tienen esperanza de sobrevivir a sus heridas.

Cartas de un valor irreemplazable
Es Onorio Spada (1913-1977), Don Onorio, como lellaman sus compañeros de filas. Em un descanso de la batalla, saca un rato para escribir a sus ancianos padres:
“Queridos papá y mamá. Para ser sinceros, no sé de qué escribiros, porque no puedo daros noticias militares, y por otro lado ya sabéis que mi vida es siempre lamisma. Estar entre los soldados como buen camarada, compartiendo com ellos las noches tristes y evocando com ellos la familia y la tierra lejanas, y haciendo proyectos para el futuro. Un futuro que, como sabemos, está en manos de Dios”.

Aunque siempre comedidas em el contenido, Don Onorio escribió abundantes cartas a sus padres entre marzo de 1942 y septiembre de 1943. Constituyen una fuente documental importantísima para comprender la mentalidad de la época y, como cuenta Diego Andreatta em el diario L´Avvenire, acaban de ser publicadas en forma de libro bajo el título: Y aquí ¿cuándo florecerá la tierra?

Héroes com sotana
La labor de los capellanes militares italianos em Rusia contabaya com otras fuentes testimoniales, como las obras de Carlo Gnocchi, Carlo Caneva, Rinaldo Trappo, Enelio Franzoni o el padre Giovanni Brevi, todos ellos sacerdotes destinados a un frente particularmente duro de la Segunda Guerra Mundial.
Pero, señala Andreatta, las cartas de Don Onorio destacan por su elevación poética. La experiencia militar sirvió al valiente cura para su posterior labor pastoral. Al volver a Italia ”hablaba raras veces de la guerra”, pero se convirtió em um conocido dirigente del asociacionismo juvenil y universitario católico.
Pero ¿por qué se alistó Don Onorio, a pesar de que todas las personas de su entornointentaron disuadirle?
Según se desprende del prólogo del editor del volumen, Paolo Zanlucchi, fue por razones que a los españoles nos recuerdan las de muchos voluntarios de la División Azul, y que han passado desapercebidas cuando la historia se ha escrito después.
“Él mismo lo dejó por escrito”, disse Zanlucchi: “Quería hacer algo por su país y cumplirun sagrado deber: convertir a quienes em aquella época eran denominados los sin Dios“. 
La religión superviviente del comunismo
Don Onorio se encontró que, a pesar de que el régimen comunista ya llevaba decenios de totalitarismo, el sentido religioso de la población había permanecido intacto. A sus misas de campaña, por ejemplo, si no se celebraban em primera línea del frente, además de soldados italianos o de otras nacionalidades asistían ancianos, mujeres y niños ucranianos (un país mayoritariamente católico) que desde el triunfo del bolchevismo no habían podido hacerlo.
También había contacto com los sacerdotes ortodoxos. Pasó vários díase n casa de uno de ellos que, em um dechado de cortesía, superaba todo recelo hacia la Iatinidad de la Iglesia llamándole pater Honorius.
Lo peor de la guerra llegó com la retirada. “¡Cuántas comuniones em estosdías…!”, escribe Spada, “sabedor de esta realizando una tarea preciosa”. Porque muchos de aquellos jóvenes nunca volvieron de la estepa.

Unhijo desaparecido
“Detengo el vehículo”, escribe em certa ocasión, “junto a unpequeño Monte Calvario. Tres cruces. Um teniente. Un sargento. Y alguien desconocido. Esse desconocido… Pasarán los años, y una madre seguirá esperando cada amanecer que um paso familiar suene junto a la puerta. Um pequeño toque, ella corre a abrir, abre los brazos… pero el camino está desierto, y el viento passa com esse sordo gemido de los otoños ante el cual son los hombres sombras que pasean, indiferentes. Durante años las palavras oficiales martillearán sucorazón: Desaparecido…”.
Estas páginas inéditas dan cuenta del espíritu de los batallones alpinos que mantuvieron alto el estandarte del valor italiano en combate. Junto a aquellos soldados, como en todos los ejércitos de la Segunda Guerra Mundial, expusieron com valentia su pecho a las balas y a las bombas miles de capellanes que hicieron presente a Cristo en sus últimos segundos, para que les acompañara de su mano a la morada eterna.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O perigo da obediência indevida ou servilismo e da perda daquilo que representamos


DESTAQUE

(...) em vista de condenações generalizadas que muitas vezes foram pronunciadas em alguns ambientes, os quais afirmam categoricamente que a celebração segundo os ritos novos é ipso facto matéria de pecado mortal.
o documento todavia não exclui a possibilidade de nutrir reservas teológicas, não impede de agir consequentemente (leia-se aqui), não impõe como obrigação o birritualismo.
Escrevemos no passado que a esse propósito fazemos nossas as reservas que expressou Sua Eminência o Cardeal Ottaviani ao escrever a carta de acompanhamento ao Breve exame crítico do Novus Ordo Missae. Tanto prelados, aliás, dos quais não é o último o atual Pontífice Reinante, já escreveram pedindo uma “reforma da reforma”: evidentemente, haverá motivos… Parece-nos então que o termo “exclusivo” exprima bem a nossa posição e como tal foi admitido em nossos Estatutos pela Santa Sé, em uma recíproca atitude de lealdade. Sem querermos substituirmo-nos a um futuro pronunciamento da autoridade eclesiástica, afirmamos, com prudência e moderação, mas sem subterfúgios, nossa opinião; esse não é peremptória, mas quer ser franca e supõe consequências. Se não agíssemos assim e escondêssemos o pensamento de nossos corações, ou pior ainda, se agíssemos contra a consciência, faltaremos realmente com o respeito à Autoridade que queremos servir na clareza de posições. Pensamos, portanto, que o termo exclusivo deve ser mantido, mesmo por observância dos compromissos por nós publicamente assumidos. O Bom Pastor, de fato,  não nasceu para ocupar-se do próprio interesse pessoal –  vitam suam dat pro ovibus suis – mas para oferecer um testemunho da possibilidade de uma posição eclesial que inclua os citados pressupostos.
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O ‘rito próprio’ e a ‘hermenêutica da continuidade’ são suficientes?
[Comentário da Montfort em 3 de maio de 2012]:

O texto abaixo foi publicado no blog “Disputationes Theologicae”mantido pelos padres Stefano Carusi e Mathieu Raffray, do Instituto do Bom Pastor. O artigo responde às especulações e críticas levantadas pela publicação misteriosa de uma carta de Monsenhor Guido Pozzo, da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei e de um relatório da visita canônica ao IBP, acontecida por ocasião do fim do período de experiência concedido pela Santa Sá, após sua fundação, em 2006.
 
[Texto do Padre Carusi]
Nossa Redação, após a publicação do relatório da visita canônica do Instituto do Bom Pastor, tem recebido perguntas que podem ser resumidas pelo título deste artigo. A questão nos parece ter um relevante interesse eclesial, ainda mais se levarmos em conta as solicitações a que nos pronunciássemos presentes em vários artigos aparecidos sobre esse assunto, como aquele do superior do distrito italiano da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Exporemos, portanto, algumas considerações a nossos leitores, as quais, evidentemente, comprometem apenas a linha editorial desta revista livre.
O texto produzido pela Reverenda Comissão Pontifícia Ecclesia Dei oferece ao Instituto do Bom Pastor algumas indicações, em parte de ordem prático-jurídica, e em parte teológico-eclesial.  Essas indicações tocam a “especificidade” do Instituto, não em termos peremptórios, mas antes em forma de conselho: a respeito da celebração da Missa tradicional tal como é prevista pelos Estatutos, a Comissão convida a falar de “rito próprio”, nós citamos literalmente, “sem falar de exclusividade” (é um convite a modificar os Estatutos fundadores?). Ela pede também – e sobre esse segundo ponto com uma formulação um pouco mais forte – para diminuir a “crítica, mesmo séria e construtiva” dos aspectos do Concílio Vaticano II que levantam dificuldades, para insistir mais “sobre a hermenêutica da renovação na continuidade” adotando “como base” o “Novo Catecismo”.
Quanto a esses dois pontos, a questão, longe de ser uma simples discussão terminológica, nos parece crucial para o futuro do Bom Pastor. No mais, a Comissão parece ter querido, em seu conjunto, apresentar seu próprio ponto de vista teológico-litúrgico e, sempre sem se tratar de ordens formais, ela deixa a escolha ao Capítulo Geral.

A natureza do texto de Monsenhor Pozzo e as circunstâncias históricas

O documento é o resultado da visita canônica efetuada após o prazo de seis anos desde a fundação do Instituto. Nós lembramos que o reconhecimento desse último foi querido pessoalmente pelo Santo Padre Bento XVI, para oferecer a possibilidade da “experiência da Tradição”, com duas especificidades expressamente previstas pelos Estatutos (aprovados por Roma) e em virtude das quais se falou de um “avanço” da causa tradicional: a celebração exclusiva da “Missa gregoriana” (conforme a expressão do Cardeal Castrillon Hoyos) e a possibilidade explícita de uma “crítica séria e construtiva” dos pontos do Concílio Vaticano II que parecem dificilmente conciliáveis com a Tradição.
Ora, do ponto de vista litúrgico, o texto afirma que seria desejável uniformizar os Estatutos do Instituto com o “espírito” do Motu Proprio Summorum Pontificum, aparecido um ano mais tarde, eliminando a palavra “exclusiva”, e substituindo-a pela expressão “rito próprio” (o termo, já presente nos Estatutos em dois pontos, é, no entanto, invocado em contraposição ao outro e não em integração com ele). Notemos, entretanto, que tal termo, assim como na redação aprovada pela Santa Sé em 2006, não é incompatível com a recente legislação na matéria, sendo antes o reconhecimento jurídico de uma peculiaridade. Na Igreja, a existência de uma lei geral (e, nesse caso, simplesmente de uma orientação) não impede o reconhecimento de um direito próprio: a fortiori em presença de uma precedente aprovação de autoridade eclesiástica. Nesta perspectiva, pode-se compreender que tal indicação da Comissão esteja na ordem do convite.
Do ponto de vista teológico, o documento convida a privilegiar a “hermenêutica da renovação na continuidade” sobre a “crítica, mesmo séria e construtiva” e, mais geralmente, a atitude “positiva”. A Comissão parece reconhecer que a atitude do Bom Pastor não é aquela de uma crítica selvagem, desrespeitosa, extremista e temerária, mas permaneceu no âmbito dos compromissos assumidos em 2006. Naquele contexto, o Instituto, não havendo pleno acordo sobre algumas questões doutrinárias, subscrevia um “acordo prático-canônico” – incluindo também os dois pontos supramencionados – em um espírito de filial colaboração com a Santa Sé e levando a sério as declarações de Sua Eminência Cardeal Castrillon Hoyos, o qual repetia que, se há evidência de incoerências, “a crítica construtiva é um grande serviço a prestar à Igreja”.

Uma proposta de reflexão

O citado texto deve ser acolhido com o respeito que é devido a um documento proveniente de um Dicastério Romano, e, ao mesmo tempo, naquele mesmo espírito de abertura e de franqueza no qual agora nos empenhamos. Ele contém algumas indicações de ordem prático-jurídica que são inspiradas pela solicitude em vista de um aperfeiçoamento da justiça administrativa que deve caracterizar toda sociedade; mostra-se preciosa a solicitação a aprofundar “o pastoreio de Cristo”; inevitavelmente, em uma fundação jovem, há aspectos a melhorar e a Comissão oferece indicações que não devem ser desprezadas. Mas o documento pede também a reconsideração de dois pontos que constituem a especificidade do Instituto; sob este aspecto, nosso ponto de vista discorda daquele do relator.

A celebração “exclusivamente” no rito tradicional

Não vemos uma incompatibilidade legislativa entre tal faculdade e o Motu Proprio Summorum Pontificum mesmo porque a aludida referência que manda não “excluir, em princípio a celebração segundo os livros novos”, não está contida na parte normativa, mas na carta argumentativa. Além disso, a passagem pode ser entendida como recomendação a não excluir que outros sacerdotes católicos celebrem segundo os novos livros, em vista de condenações generalizadas que muitas vezes foram pronunciadas em alguns ambientes, os quais afirmam categoricamente que a celebração segundo os ritos novos é ipso facto matéria de pecado mortal. Em todo caso, não foi posto pelo Supremo Legislador como obrigação de lei. Também a Instrução Universae Ecclesia (o artigo 19, por exemplo) afirma a impossibilidade de uma exclusividade que é acompanhada de ataques violentos (sint infensae) e sentenças categóricas contra textos aprovados pela Santa Sé: o documento todavia não exclui a possibilidade de nutrir reservas teológicas, não impede de agir consequentemente (leia-se aqui), não impõe como obrigação o birritualismo.
Escrevemos no passado que a esse propósito fazemos nossas as reservas que expressou Sua Eminência o Cardeal Ottaviani ao escrever a carta de acompanhamento ao Breve exame crítico do Novus Ordo Missae. Tanto prelados, aliás, dos quais não é o último o atual Pontífice Reinante, já escreveram pedindo uma “reforma da reforma”: evidentemente, haverá motivos… Parece-nos então que o termo “exclusivo” exprima bem a nossa posição e como tal foi admitido em nossos Estatutos pela Santa Sé, em uma recíproca atitude de lealdade. Sem querermos substituirmo-nos a um futuro pronunciamento da autoridade eclesiástica, afirmamos, com prudência e moderação, mas sem subterfúgios, nossa opinião; esse não é peremptória, mas quer ser franca e supõe consequências. Se não agíssemos assim e escondêssemos o pensamento de nossos corações, ou pior ainda, se agíssemos contra a consciência, faltaremos realmente com o respeito à Autoridade que queremos servir na clareza de posições. Pensamos, portanto, que o termo exclusivo deve ser mantido, mesmo por observância dos compromissos por nós publicamente assumidos. O Bom Pastor, de fato,  não nasceu para ocupar-se do próprio interesse pessoal –  vitam suam dat pro ovibus suis – mas para oferecer um testemunho da possibilidade de uma posição eclesial que inclua os citados pressupostos.

A “crítica séria e construtiva”

Com efeito, nestes seis anos nos esforçamos – também no cumprimento dos compromissos assumidos com a Santa Sé – por analisar os documentos mais recentes em um espírito sereno, obsequioso, mas que não esconde aprioristicamente nenhuma real dificuldade de conciliação com a Tradição. Teria sido esconder essas dificuldades uma atitude não só pouco científica teologicamente, mas sobretudo desleal em relação à Igreja. Isso não basta? Este posicionamento não exclui –  aprioristicamente – que alguns pontos problemáticos de certos pronunciamentos possam ser interpretados segundo uma leitura de “continuidade da hermenêutica teológica”, ainda que apresentando algumas vezes expressões ambíguas. A crítica “séria e construtiva” não exclui forçosamente a eventualidade,  sempre que possível, de ler em continuidade com o Magistério anterior algumas passagens recentes; mas quer exprimir também a possibilidade – e o dever filial – de dizer abertamente à Santa Sé que certas coisas poderiam pedir uma reconsideração. Em razão do poder das Chaves, no supremo obséquio à Verdade e no interesse da Igreja, o Sumo Pontífice pode fazê-lo com textos magisteriais não infalíveis, especialmente onde a continuidade fosse não demonstrada. Se, com nossa história, deliberadamente ofuscássemos tal humilde testemunho, essa poderia ser a maior falta de respeito em relação à Sé Apostólica; estaríamos em busca de um imediato benefício pessoal – ainda que social – “pro domo sua” , abandonando o compromisso em virtude do qual alguns aderiram justamente a essa Congregação, compromisso que a Santa Sé aprovou por escrito no recente 2006.

O perigo da obediência indevida ou servilismo e da perda daquilo que representamos

Quisemos oferecer nossas considerações, levando em conta a natureza do Instituto do Bom Pastor. Se este se privasse de suas especificidades estatutárias, seria – é a opinião de nossa revista – radicalmente desnaturado e perguntamos: sem a “exclusividade” e deixando de lado a “crítica séria e construtiva”, o Bom Pastor conservaria sua razão de existir? Por que não preferir então qualquer outra Congregação? Depois do “espírito do Concílio” há realmente necessidade do “espírito do Motu Proprio”, erigido em norma? Nas disputas atuais, não é importante pedir uma clara distinção entre uma argumentação e uma obrigação, um convite e uma lei, uma opinião (ainda que autorizada) e um claro ensinamento? Se confirmássemos a impressão [de] que as concessões previstas em acordos são instáveis, renderíamos um serviço à Igreja? Um estudioso como Mons. Nicola Bux evitou “dogmatizar”, enfatizando-a excessivamente, a hermenêutica da continuidade (que os progressistas continuam tranquilamente a ignorar), dizendo sobriamente que essa “forneceu um critério para enfrentar a questão e não para fecha-la”. Seremos críveis se quiséssemos ser (ou simular ser) mais ratzingerianos que  Mons. Bux?
Além disso, é realista esperar que a Fraternidade São Pio X adote, agora ou dentro de seis anos, as orientações que foram sugeridas? Mais ainda, se determinados pontos fossem juridicamente incompatíveis e eclesialmente impossíveis, isso nós já o saberíamos, em um espírito de direito, tanto quanto à Fraternidade São Pio X quanto  ao Instituto do Bom Pastor (que ainda por cima não pretendeu a “contrapartida” dos preliminares). Devemos portanto considerar, confiantes na Providência, que são precisamente sugestões. Não esqueçamos de que há hoje, na Igreja, pressões desagregadoras e gravíssimas dificuldades; mas parece que as citadas peculiaridades do Instituto do Bom Pastor, mais que um obstáculo ao bem do Corpo Místico, sejam um humilde e sincero serviço à Igreja.
 Pe. Stefano Carusi, IBP

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