segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O primeiro 'passo' em direção aos homossexuais





REPRESENTANTE DE MOVIMENTO “HOMOSSEXUAL CRISTÃO” ELOGIA “PRIMEIRO PASSO EM DIREÇÃO AOS HOMOSSEXUAIS”, DADO PELO PAPA FRANCISCO...:

‘De certa forma, sim [houve “um primeiro passo em direção aos homossexuais”]. Mudam-se as palavras pejorativas ditas por certos cardeais que alinham o casamento civil dos homossexuais com a poligamia ou com a pedofilia. Pela primeira vez estamos diante de uma proposta bem moderada...’

E FAZ ABERTO DESAFIO:

‘Que o Vaticano deixe o lobby gay fazer seu trabalho.
Existe o lobby católico com a Opus Dei. 
Nós queremos simplesmente ser um grupo de pressão que permita um dia mostrar que deve haver igualdade  entre seres humanos, sejam homo ou heterossexuais. 
Até que exista o reconhecimento do amor gay, haverá um lobby gay. Temos que nos organizar para que nossos direitos avancem e a homofobia recue’.

*** * ***


DEFESA DA HOMOSSEXUALIDADE EM NOME DA FÉ CATÓLICA
‘Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel (9,27)...’ (São Mateus 24, 15)



RAPHAEL DE LA TRINITÉ


Não é de hoje que proliferam sites e blogs que procuram coonestar o homossexualismo...

Existe uma orquestração mundial nesse sentido, que se avoluma sempre mais.

Há pouco correu o mundo a surpreendente “confirmação”, feita pelo Papa Francisco, da existência do ‘lobby-gay’ no Vaticano. Segundo na ocasião se divulgou fartamente pela imprensa, o poder discricionário desse malfadado “lobby” teria sido a causa determinante da renúncia de Bento XVI ao Pontificado, em princípios do ano.

Mais recentemente, encerrada a JMJ Rio 2013, o Papa Francisco, entrevistado no avião que o conduzia de volta a Roma, ventilou novamente o tema. E, ao fazê-lo, exprimiu-se em termos que se esperaria fossem bem mais categóricos e inequívocos, sobretudo em se tratando de um “pecado que clama aos Céus, pedindo a Deus vingança”, consoante a imutável doutrina da Igreja.

Referidos de passagem, os comentários do Pontífice Romano deram margem a manifestações de perplexidade e mal-estar, sobretudo nos meios católicos mais fiéis a Roma. Refiro-me especificamente àqueles católicos que — em presença do devastador panorama de “autodemolição” da Igreja que se desenrola à vista de todos —, proclamam com ufania a sua inquebrantável fidelidade à Sé de Pedro. 

De forma concomitante, em sentido oposto — de forma mais ou menos discreta, com maior ou menor alarde —, círculos homossexuais “católicos” vieram a público externar a sua satisfação pela mudança de tom, que, de imediato, discerniram nos termos empregados pelo Papa Francisco com relação à sodomia.Campeiam, nessa mesma direção, comentários aberrantes e ilações espúrias. A serviço da causa homossexual, e na mais completas impunidade, sublimes ensinamentos e sacrossantos episódios da história da Igreja são afrontosamente distorcidos, conforme se pode atestar pelas inaceitáveis declarações que reproduzimos a seguir. São de autoria de Patrick Sanguinetti, presidente da associação homossexual David et Jonathan.   

Não há palavras para exprimir a nossa indignação, em face da propaganda, aberta ou (mal) velada, feita no interior da Santa igreja, em favor do vício nefando.

Ao retratar o perfil de Patrick Sanguinetti, o jornal Libération apresenta-o como jurista católico e homossexual declarado que, embora discordando das posições da Igreja Católica, considera que a Igreja não pode ser acusada de homofobia, pois conhece  muitos padres que não o são...

Segundo ele, Jesus nunca rejeitou ninguém por sua orientação sexual. E acrescenta: “A Igreja católica defende a família clássica. Mas na Bíblia encontramos diversos tipos de família [SIC! SIC! SIC!]. Jacó teve filho de duas mulheres. Ruth se ligou afetuosamente a Noêmia. [SIC! SIC! SIC!].E a Sagrada Família? Jesus, Maria, José e o Espírito Santo não formam exatamente uma família clássica, não? Maria ficou grávida antes do casamento com José [SIC! SIC! SIC!] [SIC! SIC! SIC!].que foi, portanto, o pai adotivo de Jesus. E além disso, há Davi e Jonatan [SIC! SIC! SIC!].. Davi disse que o amor de Jonatan era mais maravilhoso que o amor das mulheres”.

Abaixo, a tradução da entrevista de Patrick Sanguinetti a NOUVEL OBSERVATEUR, de 30 de julho do corrente. Os destaques e grifos são nossos.



Le pape et l'homosexualité – ‘Un changement de ton’

30/7/2013
Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Guillaume Stoll
Le pape a pour la première fois évoqué ouvertement la question homosexuelle. Une ouverture saluée prudemment par Patrick Sanguinetti, président du mouvement gay chrétien David et Jonathan. Interview.
Mots-clés : homosexuels, Pape François
, David et Jonathan, Patrick Sanguinetti
Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Le pape François à Rio au Brésil lors des JMJ, dimanche 28 juillet. (GALAZKA/SIPA)
Le pape François à Rio au Brésil lors des JMJ, dimanche 28 juillet. (GALAZKA/SIPA)



 N.O- O Papa Francisco declarou que não quer julgar os gays que "procuram o Senhor com boa vontade" É uma evolução?  
P.S - Não há nada de novo sob o sol do Vaticano (parodiando o Eclesiastes).No catecismo oficial da Igreja Católica, redigido pelo cardeal Joseph Ratzinger — depois Bento XVI — está dito com clareza que a pessoa homossexual não deve ser rejeitada mas o ato, em si, é condenável. O que o Papa Francisco declarou está totalmente nesta linha. 
No entanto, é preciso reconhecer que depois de numerosos atos homofóbicos que aconteceram no debate sobre o casamento gay na França, estes propósitos moderados reconfortam. 
Assim, de memória, digo que nenhum Papa havia falado de maneira tão clara sobre o assunto. Existe uma mudança de tom, mas não uma revolução.
 N.O- Pode-se falar de um primeiro passo em direção aos homossexuais?  
 P.S- De certa forma, sim. Mudam-se as palavras pejorativas ditas por certos cardeais que alinham o casamento civil dos homossexuais com a poligamia ou com a pedofilia. 
Pela primeira vez estamos diante de uma proposta bem moderada.Dá a impressão que a Igreja toma consciência de sua grande dureza para com os gays. Talvez tenha, também, tomado consciência das palavras agressivas e injuriosas contra eles  
N.O- Depois das palavras apaziguadoras, que atos concretos vocês esperam do Vaticano? 
 P.S.- Em 2005,o papa Bento XVI deu uma instrução para que não fossem ordenados padres  os candidatos que tivessem tendências homossexuais profundas.
 Foi uma decisão grave — porque era o homossexual que estava sendo julgado. Ao contrário de seu antecessor, o Papa Francisco dá a impressão de se importar com a condição deste indivíduo. 
Esperamos que ele junte atos às palavras e reveja a instrução papal de 2005. 
Há, no discurso do papa Francisco, uma tímida doçura franciscana que é bem-vinda. Que os homofóbicos da Igreja ouçam o Papa: é preciso parar de nos insultar, nos injuriar e de pensar que somos seres perversos e imaturos.
N.O.- O Papa  Francisco lembrou que "a homossexualidade continua a ser um ato desordenado" 
P.S.- Sobre esta questão basta consultar o catecismo oficial da Igreja católica. Isso prova que, no fundo, nada muda na politica do Vaticano e é por este motivo que estamos aguardando atos. Basta de hipocrisia. Pode-se ser homossexual e excelente padre.
N.O-O papa também condenou o "lobby gay ? Vocês se sentem atingidos?  
P.S.- Que o Vaticamo deixe o lobby gay fazer seu trabalho.
Existe o lobby católico com a Opus Dei. 
Nós queremos simplesmente ser um grupo de pressão que permita um dia mostrar que deve haver igualdade  entre seres humanos, sejam homo ou heterossexuais. 
Até que exista o reconhecimento do amor gay, haverá um lobby gay. Temos que nos organizar para que nossos direitos avancem e a homofobia recue.

sábado, 3 de agosto de 2013

O silêncio do Papa que autoriza debate sobre temas tabus


Quando a maioria é contra as aberrações morais, talvez para não dar a impressão de ser contra a maioria, Papa Francisco prefere silenciar...

É o que, na dor de nossas almas, osculando o anel pontifício, a realidade nua e crua dos fatos nos impõe observar...

Não será a primeira vez, ao longo da história, que alguém “lava as mãos”...



Fonte: O Globo
Chico Otavio


Rio — Para os católicos conservadores, que distribuíram réplicas de fetos em garrafinhas na vigília de Copacabana, foi um “silêncio comprometedor”. Já os progressistas, que marcharam na orla por uma Igreja mais tolerante, preferiram chamar de “silêncio libertador”. Ao tangenciar assuntos polêmicos, como o aborto, a eutanásia e a união civil entre pessoas do mesmo sexo durante a JMJ, o Papa Francisco faz história sem abrir a boca [SIC! SIC! SIC!]. Mostrou aos católicos que, ao não condenar e repetir a velha retórica do Vaticano, abre caminho para o debate interno de temas até então considerados tabus.

— Ele não está querendo reiterar posições. Não se afasta da doutrina tradicional, mas evita insistir nela. Ao fazer isso, permite uma reflexão mais ampla. Há um clima novo para o debate. Não há mais medo da autocensura. O silêncio do Papa é libertador — festeja o sociólogo Luiz Alberto Gomes de Souza, diretor do Programa de Ciência e Religião da Universidade Candido Mendes.

Conservadores inquietos — Ao advertir que a Igreja já disse o que tinha de falar, sem explicar exatamente o que, Francisco inquieta os setores conservadores, cujas lutas encontravam eco nas pregações de João Paulo II e Bento XVI. Ontem mesmo, o site Frates in Unum, um dos mais expressivos dessa corrente no Brasil, lamentava que, “às vésperas da legalização da prática do aborto no Brasil”, a JMJ tenha feito “poucas referências a este crime abominável, que brada ao Céu e clama a Deus por vingança”.

Os conservadores, que se juntam aos evangélicos na resistência cristã aos projetos que avançam na legalização do aborto, não escondem a frustração por não terem ouvido de Francisco uma condenação enfática: “Da boca do Santo Padre, o pedido de proteção à ‘vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido’. E até agora foi só. Nenhuma outra palavra mais contundente que poderia mudar o triste cenário em nosso país”. E arrematam: “A esperança de um pronunciamento de última hora foi vã”.

O movimento gay, sempre reticente com a Igreja, viu nas palavras do Papa um adversário a menos a ser enfrentado no cenário político: — Ele não chegou a defender a união civil. Mas, só em não nos atacar, já é positivo.

Mesmo no rebanho mais jovem, as mudanças deverão encontrar dificuldade. O Instituto Datafolha, ao ouvir 1.279 peregrinos na quinta-feira, em Copacabana, durante a Cerimônia da Acolhida, revelou que a distribuição das garrafinhas com a réplica de fetos na 12ª semana de vida, iniciativa do projeto Pró-Vita para atacar a legalização do aborto, teve boa acolhida. Apenas 22% disseram que são a favor da liberação do aborto, dentro da lei; e os mesmos 22%, que o Papa deveria ser favorável. Por outro lado, 75% disseram que são contrários; e também 75%, que o Papa deve mesmo ser contra. Sobre a legalização da união homossexual, 25% são favoráveis; e 21% disseram que o Papa deveria ser a favor; 67% são contrários; e 71% disseram que o Papa deve mesmo ser contra. Isso mostra que o debate está aberto, mas os seus efeitos ainda encontrarão barreiras até chegar às dioceses. É a Igreja Católica de sempre.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A indulgência plenária da Porciúncula



Interior da Porciúncula



I - ORIGEM

Numa noite do mês de Julho de 1216, como acontecia em tantas outras noites, na silenciosa solidão da pequena Igreja da Porciúncula, São Francisco ajoelhado no chão, estava profundamente mergulhado nas suas orações, quando de súbito, uma luz vivíssima e fulgurante encheu todo o recinto e, no meio dela, apareceu JESUS ao lado da VIRGEM MARIA sorridente, sentados num trono e circundados por diversos Anjos. JESUS perguntou-lhe:

“Qual o melhor auxílio que desejaria receber, para conseguir a salvação eterna das almas?”

Sem hesitar Francisco respondeu: “Santíssimo PAI, peço que a todos aqueles, que, arrependidos e confessados, vierem visitar esta Igreja, se lhes conceda um amplo e generoso perdão, uma completa remissão de todas as suas culpas”.

“O que você pede Frei Francisco, é um benefício muito grande”, disse-lhe o SENHOR, “muito embora você seja digno e merecedor de muitas coisas. Assim, acolho o seu pedido, com uma condição, você deverá solicitar essa indulgência ao meu Vigário na Terra”.

No dia seguinte, bem cedinho, Francisco acompanhado de Frei Nassau, seguiu para Perugia, a fim de se encontrar com o Papa Honório III. Diante de sua Santidade, falou:

“Santo Padre, há algum tempo, com o auxílio de DEUS, restaurei uma Igreja em honra de Santa Maria dos Anjos. Venho pedir a Sua Santidade colocar nesta Igreja uma indulgência para quem visitá-la, sem a obrigação de a pessoa oferecer qualquer coisa em pagamento (naquela época, toda indulgência concedida a uma pessoa estava ligada à obrigação dessa pessoa fazer uma oferta), a partir do dia da dedicação dessa mesma igreja”.

O Papa ficou surpreso e comoveu-se com o incomum pedido. Depois perguntou: “Por quantos anos você quer esta indulgência?”.

“Santo Padre, não peço anos, mas penso em almas”, respondeu Francisco.

“O que você quer dizer com isto?”

“Se Sua Santidade estiver de acordo, eu queria que todas as pessoas que visitassem Porciúncula, contritos de seus pecados, em estado de graça, tendo confessado e recebido a absolvição sacramental, obtenham a remissão de todos os seus pecados, na pena e na culpa, no Céu e na Terra, desde o dia de seu batismo até o dia em que entrarem na Igreja”.

“Mas não é um costume da Cúria Romana conceder tal indulgência!”

“Senhor, falou o Poverello, este pedido, não o faço por mim, mas por ordem de JESUS CRISTO. É da parte dEle que estou aqui”.

Ouvindo isto, o Papa, cheio de amor, respondeu três vezes seguidamente:

“Em nome de DEUS, meu filho, concedo-lhe esta indulgência”.

Como alguns Cardeais presentes quisessem interferir, o Papa confirmou:

“Já concedi a indulgência. Todo aquele que entrar na Igreja de Santa Maria dos Anjos, sinceramente arrependido de suas faltas e tendo confessado, seja absolvido de toda pena e de toda culpa. Esta indulgência valerá somente durante um dia, em cada ano, in perpetuo, a começar das primeiras vésperas, incluída a noite, até as vésperas do dia seguinte”.

A “consagração” da Igrejinha aconteceu no dia 2 de Agosto do mesmo ano de 1216. Assim sendo, a mencionada indulgência começa às 12 horas do dia 1 de Agosto até o entardecer do dia 2 de Agosto, todos os anos. A indulgência é conhecida com o nome: “DIA DO PERDÃO”. Para recebê-la, o fiel deve achar-se em "estado de graça", rezar um CREDO, um PAI NOSSO, fazer o pedido da Indulgência Plenária, e rezar um PAI NOSSO, uma AVE MARIA e um GLÓRIA pelas intenções de Sua Santidade o Papa.

Igreja da Porciúncula, atualmente contida dentro de uma Igreja 
muito maior, a basílica de Santa Maria dos Anjos, construída 
para proteger e venerar a tradição da pequena Igreja.

II - ENTRE A TARDE DO DIA 1 AGOSTO E O PÔR-DO-SOL DO DIA 2 AGOSTO, VÁLIDO PARA QUALQUER TEMPLO DA IGREJA CATÓLICA NO MUNDO, SEGUNDO AS CONDIÇÕES REQUERIDAS.

A Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre à tarde do dia 1 agosto e o pôr-do-sol do dia 2 agosto.  Em 9 de julho de 1910, o Papa São Pio X concedeu autorização aos bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer igreja pública de suas Dioceses, a fim de que, também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226).

Por último, este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por  decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, em 26 março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4). Significa dizer, que atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de JESUS para toda humanidade.

Assim, ganharão a Indulgência todas as pessoas que, em "estado de graça", visitarem uma Igreja nos dias mencionados, rezarem um
CREDO, um PAI NOSSO e um GLÓRIA, suplicando a DEUS o benefício da indulgência, e rezando também, um PAI NOSSO, uma AVE MARIA e um GLÓRIA, pelas intenções do Santo Padre o Papa. Poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, ou em favor de pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de serem ajudadas na conversão do coração. 



quarta-feira, 31 de julho de 2013

A reencarnação sob o olhar da fé






Em 1982, uma sondagem do instituto Gallup revelava um fenômeno impressionante da mentalidade ocidental. Um em cada quatro europeus declarava ser adepto da teoria da reencarnação. O fenômeno tinha todas as oportunidades para se expandir, uma vez que, no mesmo ano, 28% dos britânicos apoiavam esta doutrina enquanto, dez anos antes, não eram mais de 18%.

As cifras crescem sem parar nos últimos 12 anos. Mostram de modo evidente que essa crença não se limita às margens do Ganges, mas que exerce uma real força de sedução nas mentalidades ocidentais. A multiplicação dos livros, artigos, programas televisivos, filmes, que se prestam a gravá-la na inteligência, convida-nos a examiná-la atentamente.

Apresentação geral

A reencarnação, ou metempsicose, é uma doutrina filosófica que prega a transmigração da alma, ao considerá-la suficientemente independente do corpo para que não esteja ligada a ele de modo exclusivo. Depois da morte, ela une-se a outro corpo para começar nova vida. A alma é semelhante a um homem que tem de mudar-se regularmente. Em uma determinada data, deixa necessariamente uma morada para ir habitar em outra. A metempsicose distingue-se da reencarnação no que admite a migração das almas nos animais e nas plantas, enquanto esta última a restringe ao gênero humano.

Uma breve exposição nos ajudará a conhecer melhor tais doutrinas1. As tribos animistas da África conservaram a religião das hordas ancestrais. Na morte, a alma lamenta pelo seu corpo, desejando assim unir-se seja aos objetos a que era apegada, seja aos animais ou mesmo aos seres humanos. As coisas ou animais tornavam-se protetores da família dos descendentes. A metempsicose encontra-se aqui mais próxima da superstição que da religião. Ainda que de modo secundário, essa crença ressurge em uma forma mais elaborada no Egito das pirâmides. Para os egípcios, a alma, depois da morte, vai juntar-se às estrelas incontáveis (versão mais antiga), ou fundir-se na alma universal que habita o sol (versão panteísta mais tardia). Por vezes, todavia, a alma do pecador pode ser constrangida a entrar no corpo de um porco para que ali leve uma vida miserável sobre a terra.

Tal doutrina aparece na Grécia por volta do século VI a.C.. Desconhecida até então, logo adota um novo formato, elaborado através do mito de Orfeu. Composto de um elemento mal e outro divino, o homem deve se libertar do princípio maligno que quer governá-lo, para permitir o triunfo da força divina. Logra-o por purificações sucessivas, reiteradas ao longo de uma série de existências terrestres, até o ponto em que se escuta dizer esta sentença liberadora: Bem-aventurado e feliz, serás deus e não mais mortal2.

Pitágoras faz sua a teoria. Mais ainda, afirma lembrar-se de todas as vidas anteriores, que faz começar em Aitalides, filho de Hermes. Platão é mais prudente em seus escritos: Em tal matéria, é impossível, ou pelo menos dificílimo, chegar a uma evidência. (Fédon, 85) Contudo, sua concepção da metempsicose não é menos precisa. Na morte, a alma passa uma estada no inferno para um tempo de provações, depois do que se une por iniciativa própria aos seres que se lhe assemelham. Se a alma se encontra pura no momento da morte, isto é, isenta de todas as máculas do corpo, é-lhe imposta não obstante uma provação de três mil anos, em meio de que precisará sofrer três outras vidas terrestres, conservando a inocência. Só então será fundida para sempre em um espírito divino, imortal e cheio de sabedoria. Por outro lado, a alma dos tiranos e dos incorrigíveis viverá em uma eterna infelicidade, unida aos seres corrompidos que se lhe assemelham. Quanto àqueles cuja malícia não é invencível, podem reencarnar para se purificar e avançar até à sabedoria. A despeito disso, mil anos de provação separam duas encarnações sucessivas. Aristóteles considera com desdém o que chama de “fábulas pitagóricas”3 Recusa-as baseado em graves razões filosóficas, que iremos examinar. A alma não é estranha ao corpo. Constitui, com o corpo, um todo substancial, uma só realidade concreta. Uma alma determinada dá o ser e aperfeiçoa um determinado corpo: “Uma alma não pode entrar num corpo qualquer”4

No final do século II antes de nossa era, a metempsicose passou da Grécia para Roma por intermédio do poeta Ênio (239-169 a.C.). Aí parece ter sido admirada, já que descobrimos menções a seu respeito em Horácio, Ovídio e Virgílio.

Mas é na Índia e no Oriente Distante que a teoria da reencarnação encontrou sua terra de predileção, conhecendo sucesso prodigioso. Notemos, antes de tudo, que os livros védicos, levados pelos Arianos ao norte do país (2000 anos a.C.), não davam qualquer sinal da metempsicose. Essa só aparece com os Upanishads (700 anos a.C.). Tal moral está subtendida por um princípio primordial: a felicidade das almas consiste na fusão com a alma universal do tudo. A boa ação é a que favorece o aniquilamento da personalidade, dos apetites, da atividade própria. E, já que a fonte de todo mal é a sede de existência, o ato mal é o que a alimenta. Enquanto a soma dos atos maus não for compensada pela dos atos bons, a alma deverá renascer à vida terrestre. Ela será liberada dessa fatalidade quando tiver apagado todo desejo de existir, quando tiver atingido a inação absoluta, o vazio completo. É a absorção na alma universal (o brahma) ou nirvana.

O budismo na China retoma o mesmo pensamento, radicalizando-o. Como seu predecessor, segue a destruição da personalidade, mas parece ignorar a alma suprema, a ponto de só se interessar pelo nirvana em si mesmo. Acentua, destarte, o niilismo hindu. Métodos ascéticos mui austeros são estabelecidos, a fim de se realizar o nada, não mais obstando a reminiscência das vidas passadas.

No Oriente assim como no Ocidente, a metempsicose nos parece como um fenômeno em contínua expansão. Nada parece deter sua progressão. Nada, salvo o cristianismo. Com efeito, só o formidável esforço da Igreja nos dois primeiros séculos de nossa era pôde estancar tal doutrina. Em todo lugar onde o Evangelho foi pregado, ela caiu no esquecimento ou teve de se esconder. No Ocidente, vemo-la refugiar-se na cabala do século II. Qualquer alma, ensina, possui em si o princípio de seu próprio aperfeiçoamento, devendo conduzi-la até à substância divina, onde entrará depois de uma ou várias vidas terrestres.

Os gnósticos retomam a mesma concepção dinâmica da reencarnação. Esta não é tão-somente punição pelas faltas de vidas passadas, mas uma etapa da ascensão da alma à divindade pelo impulso de seu próprio dinamismo interior.

Veiculada pela cabala e pela gnose, tal pensamento é retomado, no século XVI, pelo matemático Jerome Cardan (1501-1576) e pelo filósofo Giordano Bruno (1548-1600). O século XIX fornece vários adeptos notórios desse pensamento, mas é contudo com a teosofia e a antroposofia, no século XX, que o movimento toma um formidável alcance.

Tal é, por exemplo, o vaticínio de Rudolf Steiner5, fundador da antroposofia: “Quando superamos a ilusão do EU terrestre habitual, escreve ele, quando logramos a visão espiritual, podemos reconhecer o EU tal como atravessou o mundo espiritual entre a morte e um novo nascimento, e como no seio desse mundo dotado de impulsos morais, ele se comporta em função de sua vida terrestre precedente, e como introduz na vida terrestre atual tudo o que vimos exprimir-se nas inclinações do ser humano (...). “Quando observo uma planta, me é possível perceber que ela tem em si um impulso vital durável, que reaparecerá em uma outra planta quando a primeira já estiver, muito tempo depois, reduzida a cinzas.”6

Nos anos 60, com a fascinação pela Índia, a expansão toma aspecto de um grande contágio. Assistimos a uma verdadeira campanha orquestrada por todos os meios de comunicação. Os livros se multiplicam, os testemunhos mais perturbadores são transmitidos pelas ondas e telas7. Logo, a “Nova Era” faz disso um de seus temas favoritos, dando a ele a eficaz sustentação de sua organização e finanças. A propaganda alcançou um formidável sucesso, o que constatamos até à hora presente.

Concluamos este sobrevôo de séculos e civilizações por um comentário geral. O cônego Vernette observa, com justeza, que a teoria da reencarnação não aparece nas diversas religiões, nem no seu nascimento nem à sua idade de ouro, mormente em seu declínio. Denuncia certo desgaste, marca o fim de uma era. “A crença na reencarnação parece surgir no momento das grandes crises de sentido: quando buscamos uma nova resposta religiosa às questões metafísicas a respeito da origem e do fim do homem, sobre o mal e o sofrimento”. A religião é sufocada e torna-se impotente para responder as inquietudes do homem. Este, pois, se refugia na metempsicose. Graças a ela, em primeiro lugar, nossos mortos não nos deixam mais, porém continuam a viver entre nós. Ela também nos vem consolar de nossos fracassos e de nossa impotência em fazer o bem, fazendo-nos crer que outra vida nos tornará melhores. Nada está definitivamente decidido. O sofrimento toma um novo sentido. Não é mais um escândalo revoltante para aqueles que  não são cristãos, mas a justa expiação de uma vida anterior. Enfim, essa doutrina nos dá serenidade para enfrentar os males do tempo presente. Os cataclismos e a morte são apenas passagens obrigatórias para uma nova existência mais feliz. O “paraíso terrestre” permanece sempre possível. Compreendemos melhor a força de sedução que essa doutrina exerce sobre os espíritos deste fim de século XX. Mas a metempsicose cumpre suas promessas? Tem alguma possibilidade de conduzir o homem à felicidade? É crível? É verdadeira?

Para responder, devemos examinar tal doutrina de um duplo ponto de vista: o da fé e o da razão natural.

Súmula bíblica contra protestantes


Fonte
Permanência
 Pe. Antônio Miranda, S. D. N.Manhumirim, 1960




ABSOLVIÇÃO


1 ― JESUS PROMETEU CONFERIR O PODER DE PERDOAR PECADOS

MAT. XVI, 19 ― “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: e tudo o que ligares sobre a terra será ligado nos céus e tudo o que  desligares sobre a terra será desligado também nos céus”.

Aqui vemos o poder de perdoar, conferido primeiramente ao chefe dos Apóstolos, no singular; depois, Jesus conferirá o mesmo poder a todo o Colégio Apostólico, no plural. Leia-se o texto seguinte:

MAT. XVIII, 18 ― “Em verdade, vos digo: tudo que ligares sobre a terra, será ligado também no céu: e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado também no céu”.


2. JESUS CONFERIU ESTE PODER, APÓS A RESSURREIÇÃO

JOÃO, XX, 22-23: ― “Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

NOTA-SE que, no texto último, Jesus faz questão de, antes de conferir aos Apóstolos o poder de perdoar pecados, soprar sobre eles, conferindo-lhes o Espírito Santo.  Logo, o poder de perdoar não convém, de maneira nenhuma, a todo e qualquer indivíduo, como o entendem os protestantes, mas é um poder sacramental, conferido mediante a colocação do Espírito Santo.

Vide também o verbete CONFISSÃO.


ADORAÇÃO

1 ― EM SENTIDO ESTRITO, SÓ SE PODE ADORAR A DEUS
MAT. IV, 10 e LUC. IV, 8: “Está escrito: Adorarás ao Senhor teu Deus e a Ele só servirás”.

ATOS, X, 25, narram que Cornélio, ao receber S. Pedro, “prostrou-se para adorá-los, mas S. Pedro lhe disse: “Levanta-te. Também eu sou um homem”

APOC. XIX, 10, narra também que São João se prostrou aos pés de um Anjo para o adorar, mas este lhe disse: “Não faças isto !  Eu sou um servo como tu e teus irmãos, que tem o testemunho de Jesus. Adora a Deus”.

2 ― MAS, EM SENTIDO IMPRÓPRIO, A ESCRITURA FALA DE ADORAÇÃO EM VÁRIOS LUGARES

GEN.  XXXIII, 1 :  ― “Levantando, porém, Jacó os seus olhos viu Esaú,  ...  3. E ele, adiantando-se, adorou-o sete vezes prostrado por terras”.

NÚMEROS, XXII, 31: ― “No mesmo ponto abriu o Senhor os olhos a Balaão, ele viu  o Anjo parado no caminho com a espada desembainhada, e, prostrado por terra, o adorou”.

II REIS, XIV,22: ― “Joab, prostrando-se por terra sobre o seu rosto, adorou e felicitou o rei”.

III REIS, 1, 16: ― “Inclinando-se Betsabé profundamente, adorou o rei”.

IV REIS, IV, 36 e 37: ― “Chegou ela e lançando-se-lhe aos pés (de Eliseu), adorou prostrada em terra”.

IPAR. XXIX,20: ― “E todo o povo bendisse o Senhor Deus; e se prostraram e adoraram a Deus, e depois ao rei”.

A adoração de que fala a Escritura nestes textos não é propriamente adoração, e, sim, veneração profunda que se demonstra com a prostração. A Escritura narra estes fatos sem reprová-los, porque o sentido deles é fácil de entender-se, entre os orientais principalmente.

É neste mesmo sentido que, em português antigo. falavam alguns autores de adoração dos Anjos e Santos. Estavam, pois, muito de acordo com a Sagrada Escritura.

Hoje em dia se usa o termo adoração só para Deus. E para a Sma. Virgem e os Santos se usa o termo veneração.

ADORAR EM ESPÍRITO E VERDADE

JOÃO, IV, 23 e 24: ― “A hora vem, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Por que é destes adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram”.

Deste texto os protestantes deduzem contra a Igreja Católica a abolição de todo culto externo, principalmente o culto das imagens. Mas é dar à palavra de Jesus uma extensão que não tem. Jesus apenas quer dizer à samaritana que vai ser abolido o culto da lei antiga e que não será necessário ir mais ao templo de Jerusalém para ali adorar a Deus, porque, em a nova religião cristã, não são as formas antigas, prescritas por Moisés, que vão agradar ao Pai, e sim a adoração “em espírito e verdade” isto é: adoração espiritual e sincera, não só externa, mas partindo do intimo da alma, sobretudo adoração de almas em estado de graça.


ANJOS

1. ― SOMOS CONFIADOS À SUA GUARDA

MAT. XVIII,10: “Vede que não desprezeis a nenhum destes pequeninos; porque eu vos declaro que os seus anjos, no céu contemplam sempre a face do Pai que está no céu”.

HEBR. I, 14: ― “ Não são eles espíritos ministradores, enviados para exercer  o seu ministério em favor daqueles que deverão herdar a salvação ?”

ÊXODO, XXIII, 20: ― “Eis que te envio um anjo (mensageiro), diante de ti para que te guarde no caminho, e te leve ao lugar que te guarde no caminho, e te leve ao lugar que te preparei”.

ÊXODO, XXIII, 21: ― “Guarda-te diante dele e ouve a sua voz, e não provoques a ira. Porque não perdoará a vossa rebelião; porque meu nome está nele”

NOTE-SE a força destes textos. Deus encarregou os Anjos de zelar pelos homens. Eles estão, assim, constituídos intermediários, de algum modo medianeiros entre Deus e nós.

2.  ELES OFERECIAM NOSSAS PRECES A DEUS, A  MODO DE MEDIANEIROS

APOC. VIII, 3:  ― “ Veio, pois, outro anjo, e parou diante do altar, tendo um turíbulo de ouro, e foram-lhe dados  muitos perfumes para oferecer com as orações de todos os santos, sobre o altar de ouro que está ante o trono de Deus”.

APOC. VIII. 4: ― “ E da mão do anjo subiu a fumaça dos perfumes das orações dos santos diante de Deus”.


 ELES ROGAM POR NÓS DIANTE DO TRONO DE DEUS

ZACARIAS, I, 12: ― “ Então o Anjo do Senhor respondeu e disse: ― “ Então o Anjo do Senhor respondeu e disse: “O Senhor dos Exércitos ! Até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos ?”

GÊN. XL.VIII. 16: ― “ O anjo que me livrou de todo mal, abençoe estes rapazes, seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaac e se multipliquem como peixes em multidão no meio da terra”.

OSÉIAS, XII, 3 E 4: ― “Jacó suplantou seu irmão no ventre materno e com fortaleza lutou com seu anjo. E prevaleceu contra o anjo e ficou vencedor. Chorou e suplicou-lhe”.
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