domingo, 10 de novembro de 2013

QUEM FINANCIA O ‘QUEBRA-QUEBRA’?


Black Blocs afirmam - são financiados por ONGs nacionais e estrangeiras

Leonel Rocha, ÉPOCA


Em um sítio no interior de São Paulo, pouco mais de 30 pessoas se reuniram, no fim de semana do Dia dos Finados, para organizar uma nova onda de protestos contra tudo e contra todos. O local se tornou um centro de treinamento para uma minoria que adotou o quebra-quebra como forma de manifestação política e ficou conhecida como Black Bloc.

O repórter Leonel Rocha testemunhou as reuniões e relata na edição de ÉPOCA desta semana que, ao contrário do que afirmam órgãos de segurança federais e estaduais, eles não são manifestantes que aparecem nos protestos "do nada", sem organização. Os Black Blocs têm método, objetivos, um programa de atuação e, segundo afirmaram, acesso a financiamento de entidades estrangeiras.

De acordo com Leonardo Morelli, jornalista que coordena a ONG Defensoria Social, braço visível e oficial que apoia os Black Blocs, a ONG Instituto St Quasar, ligada a causas ambientais, já repassou, neste ano, € 100 mil aos cofres da entidade. Morelli recebeu a reportagem de ÉPOCA no sítio em São Paulo.

Segundo ele, o próprio veículo (uma Kombi) que levou Leonel Rocha ao local do treinamento, a partir do vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), foi financiado com doação de entidades nacionais e estrangeiras. Morelli diz que um Jeep Willys também foi comprado com esse dinheiro. Ele também cita entre seus doadores organizações como as suíças La Maison des Associations Socio-Politiques, sediada em Genebra, e Les Idées, entidade ligada ao deputado verde Jean Rossiaud.

Procurados por ÉPOCA, ambas negaram ter enviado dinheiro. Morelli diz que a Defensoria Social também foi abastecida pelo Fundo Nacional de Solidariedade, da CNBB. A CNBB negou os repasses. Morelli ainda relacionou entre seus contatos os padres católicos Combonianos e a Central Operária Boliviana.


Fonte: O Globo

O Milagre da ‘Revolução Espontânea’



O processo se assemelha em tudo ao da Revolução da Sorbonne de 1968, espécie de ensaio geral para essa revolução que agora pretende ser mais universal do que aquela. Lá também ninguém visava à derrubada do poder, pois é o próprio poder que eles odeiam; tudo era feito de forma a parecer que a revolução brotava espontaneamente dos estudantes e operários, inclusive até mesmo as frases e manifestações escritas eram as mais rústicas possíveis (apenas pichações, sem manifestos escritos ou de pasquins) para dar a ideia de que aquilo não provinha de uma preparação prévia feita por um grupo revolucionário organizado. É como se o "crime organizado" passasse a dar a entender à população que os assaltos são espontâneos e não feitos por grupos organizados. Seria possível?


Raphael de la Trinité


*** * ***








A espontaneidade está produzindo um dos maiores “milagres” da História. Em primeiro lugar, produziu o milagre da “geração espontânea” do Universo, hoje um dogma evolucionista sempre presente não só entre pseudo-cientistas mas na cabeça de muitos leigos e da quase unanimidade da mídia. Ora, se o universo surgiu por “geração espontânea”, por que não também as revoluções?


E foi assim que, segundo essa mentalidade, o Protestantismo, a Revolução Francesa e o Comunismo brotaram espontaneamente do chão e produziram essa monstruosa Revolução que hoje campeia pelo mundo moderno. Foi dessa forma também que brotou a revolução da Sorbonne de 1968, uma das mais “espontâneas” de toda a História, aliás a que mais se caracterizou por uma suposta espontaneidade. É uma qualidade que daria crédito e autenticidade ao movimento.

Vem agora a revolução dos “indignados” (ou dos indignos), produzida e gerada “espontaneamente” em vários países do mundo. “Esponaneamente” brotou ela em solo árabe (fruto das “redes sociais” da internet, segundo dizem) e de lá foi transplantada sua semente para a Europa, Estados Unidos e o resto do mundo. Entre os árabes produziu quedas de governos, mas não tinha como objetivo visível colocar um sucessor à altura das aspirações populares. A palavra mágica era “democracia” , coisa que aqueles povos só poderão saber o que seja daqui a alguns séculos, mas algo tão vago que ninguém sabe o que vem surgindo após as quedas de odiosas ditaduras.
No resto mundo é diferente. Sempre com o caráter de “espontaneidade”, marcam uma data para se iniciar uma simples marcha de protestos e, coincidentemente, a “espontaneidade” registra também hora, data, local do encontro, e até mesmo algumas características que as manifestações devem ter, como, por exemplo, ser composta de “jovens”, de estudantes, de operários, etc., etc.

É tão bela e admirativa essa “espontaneidade” que a revista “Veja” a elogia, numa de suas últimas edições em que propaga a manifestação dos “indignados” brasileiros contra a corrupção, um tema muito fácil de atrair multidões para uma praça. A revista só não explica como é que, “espontaneamente”, a manifestação teve fórum de debates na internet, local, data e hora para ser feita, além de se caracterizar unicamente como um movimento apolítico (quer dizer, sem partido) e dirigido contra os corruptos. E, depois, teve a mídia que “espontaneamente” vai lhe colocando no foco dos acontecimentos. É muita “espontaneidade” para um movimento tão bem organizado e de caráter universal...

Alguns dos anarquistas, aqueles mesmos que vivem num mundo virtual à procura de algo para sair de seu “autismo consentido” para o mundo real, o qual eles odeiam porque não o suportam, se aproveitam para “espontaneamente” botar fogo em tudo, queimar veículos, depredar lojas, jogar pedras na polícia, e aí ameaçam estragar o movimento. Que deve ser espontâneo, mas não deve assustar.

O processo se assemelha em tudo ao da Revolução da Sorbonne de 1968, espécie de ensaio geral para essa revolução que agora pretende ser mais universal do que aquela. Lá também ninguém visava à derrubada do poder, pois é o próprio poder que eles odeiam; tudo era feito de forma a parecer que a revolução brotava espontaneamente dos estudantes e operários, inclusive até mesmo as frases e manifestações escritas eram as mais rústicas possíveis (apenas pichações, sem manifestos escritos ou de pasquins) para dar a ideia de que aquilo não provinha de uma preparação prévia feita por um grupo revolucionário organizado. É como se o "crime organizado" passasse a dar a entender à população que os assaltos são espontâneos e não feitos por grupos organizados. Seria possível?

Para quem analisa as coisas friamente, não parece que essa revolução dos “indignados” se assemelha em tudo ao a da Sorbonne, em Paris, de maio de 1968?

Os “excessos”, dizem, não fazem parte dessa impressionante “espontaneidade”, pois em geral são cometidos por grupos isolados e radicais. Mas o que vemos é que os excessos são tão comuns, que parecem até ser espontâneos, agora de verdade. Vejam o que vem ocorrendo nos Estados Unidos e na Europa, em particular na Itália. Lá também houve excessos, como o divulgado pelo jornal Corriere de la Sera, em que um grupo de anarquistas quebra uma estátua da Madonna, Nossa Senhora de Lourdes. O jornal fala em “a guerrilha de 15 de outubro”, porque na verdade houve uma espécie de guerrilha dos manifestantes contra a polícia. O responsável pela blasfêmia foi um grupo anarquista denominado “black bloc”, em tudo semelhante aos demais, até mesmo na “espontaneidade” com que se organizaram, saíram juntos para a rua e fizeram sua parte.

A imagem, de gesso, era venerada no salão paroquial de São Marcelino e São Pedro, cujo pároco, o padre Pino Ciucci, disse que a aquela ação foi pior do que a dos fascistas. Para atuar, o grupo “black bloc”, com o rosto coberto com gorros de lã preta, capacetes e paus negros, invadiu o salão paroquial em meio às manifestações dos “indignados” que ocorriam nas imediações, deixando “espontaneamente” o local para que se diga depois que o vandalismo também é uma ação “indignada” do povo contra a Religião. No final, via-se a imagem de Nossa Senhora de Lourdes totalmente despedaçada na calçada, objeto de fotógrafos, curiosos e passantes... Um crucifixo também foi profanado...

O arcebispo de Milão, Angelo Scola, logo se manifestou sobre o crime, considerando-o muito grave. O prelado previu coisas mais graves perante o fanatismo das turbas que se manifestam em Roma. 






Explosão revolucionária na Europa em 2011






Não há semelhança com a de maio-68, na Sorbonne?








Fonte: Quod Libeta

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 10 de Novembro: O que leva ao purgatório (Parte XI)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre






10 de Novembro

O QUE LEVA AO PURGATÓRIO


Tibieza e pecado venial



A grande porta aberta para os tormentos do pur­gatório quando pela misericórdia não se precipitam muitas almas no pecado grave e no inferno, é a ti­bieza e o seu sintoma certo o pecado venial. Medite­mos um pouco o mal da tibieza para vermos como é arriscado viver assim, sem procurar uma vida fer­vorosa, arriscando a própria salvação e preparando um horrível purgatório depois da morte. Vejamos o que é a tibieza:

A tibieza define-a Santo Afonso pelo que a caracteriza: o pecado venial.

A tibieza, diz o Santo Doutor, é o hábito do peca­do venial plenamente voluntário. “A tibieza é o há­bito não combatido do pecado venial, ainda que seja um só. É um hábito fundado num cálculo implícito:

— Esta falta não ofenderá a Nosso Senhor gravemente, não me há de condenar. Pois vou cometê-la.

É um hábito dificílimo de se desarraigar da al­ma. E um hábito muito espalhado, sobretudo entre as pessoas que fazem profissão de piedade e entre as almas consagradas a Deus”.

É uma doença espiritual e das mais graves e pe­rigosas. É o verme roedor da piedade. Micróbio ter­rível! Mina o organismo espiritual, sem que o enfer­mo o perceba. Enfraquece a pobre alma. Amortece as energias da vontade. Inspira horror ao esforço. Afrouxa a vida cristã. Espécie de langor ou torpor, diz Tanquerey, que não é ainda a morte, mas que a ela conduz sem se dar por isso, enfraquecendo gradualmente as nossas forças morais. Pode-se compa­rá-la a estas doenças que definham, como a tísica, e consomem pouco a pouco algum dos órgãos vitais. É uma sonolência, um sistema de acomodações na vida espiritual.


sábado, 9 de novembro de 2013

A fantástica história de um Imã que se converteu ao catolicismo





Fonte: Aleteia - Tradução: Annales Historiae - Mario Joseph era imã aos 18 anos, ele se tornou cristão e seu pai tentou matá-lo. Hoje, ele é pregador católico na Índia. Um caso único no mundo! Ele é o primeiro dignitário muçulmano que abraçou o cristianismo, o que acarretou sua condenação à morte.

No cemitério indiano de seu vilarejo, há uma lápide com seu nome e, embaixo, um ataúde com uma escultura em argila do seu tamanho. Seu pai lhe disse: "Se você quer ser cristão, devo te matar".

Mas o túmulo está vazio. E Mario José está bem vivo. Lartaun de Azumendi pôde entrevistá-lo na rádio espanhola Cope:


Mario Joseph, você tinha 18 anos e era um religioso muçulmano. O que aconteceu para que teu olhar mudasse assim?

Era o terceiro de seis filhos, e tinha 8 anos quando meu pai me enviou para uma escola corânica para me tornar imã. Depois de dez anos de estudos, com 18 anos, me tornei imã.

Um dia, enquanto eu pregava na mesquita que Jesus Cristo não era Deus, uma pessoa presente me disse para eu não dizer isso, e me perguntou quem era Jesus Cristo. Não tendo resposta para dar, me coloquei a ler o Corão de uma ponta à outra, e lá eu descobri que, no capítulo 3, se trata de Jesus, frequentemente citado sob o nome de Jesus Cristo, e que no capítulo 19, fala-se de Maria.

No Corão, Maria é o único nome de mulher que aparece, e é dito que Jesus é a Palavra de Deus.

Você vivia na Índia em uma área muçulmana?

Sim. A maioria é muçulmana e hindu, não há praticamente cristãos.

E a partir desta dúvida que se apoderou de você enquanto você pregava, como começou o processo de tua conversão?

No Corão, é dito que Maomé está morto, mas que Jesus Cristo ainda está vivo. Quando eu li isso, pensei, então... qual devo aceitar, aquele que está morto, ou aquele que está vivo? 

Perguntei a Alá qual eu deveria aceitar, e comecei a rezar afim que ele me ajudasse, e quando comecei a rezar, eu abri o Corão; e o Corão, no capítulo 24, versículo 10, diz que se você está em dúvida sobre o Corão, interrogue a Bíblia. 

Então decidi estudar a Bíblia. Foi então que entendi quem é o Deus verdadeiro e, a partir daí, abracei o cristianismo.

Você conta isso de modo muito natural, sabendo a situação que você poderia viver se o aceitasse. O que aconteceu com aqueles próximos de você? 

Quando me converti, fui a um centro de retiro e minha família começou a me procurar. Eles me encontraram lá. Meu pai me bateu duramente e me levou para casa. Quando chegamos, ele me fechou em um cômodo, me amarrou as mãos e os pés, me despiu, me esfregou nos olhos, na boca e no nariz substâncias picantes, e me deixou lá sem comida durante 28 dias. Passado esse lapso de tempo, meu pai veio e me pegou pelo pescoço para ver se eu estava vivo. 

Abri os olhos e vi que ele tinha uma faca em sua mão. Ele me perguntou se eu aceitava Jesus e me disse que ele me mataria se eu o aceitasse. Sabia que meu pai ia me matar, pois ele é um muçulmano muito duro, estava convencido disso. Eu lhe disse que aceitava Jesus Cristo e, neste momento, uma luz muito poderosa atingiu meu espírito e me deu a força para gritar com todas as minhas forças: Jesus!

Foi então que meu pai caiu e a faca que ele tinha em mãos se fixou em seu peito, lhe ocasionando um grande corte. Ele começou a sangrar abundantemente, enquanto que saia espuma da sua boca. Minha família, temendo por ele, o levou ao hospital e esqueceram de fechar a porta. Assim pude sair e pegar um táxi para ir ao centro de retiros onde eles tinham me pegado, e fiquei escondido lá. 

Parece inacreditável que você tenha tido a força física para sair e ir para este centro de acolhida católico....

Ainda que debilitado e estando em pele e osso, esta luz me fez recuperar forças e uma saúde que eu não sabia de onde vinha. Contudo, ainda sofro as sequelas deste castigo, pois tenho uma úlcera do estômago e úlceras na boca. 

Uma história que traz a marca de Deus. Não é normal que se possa sair assim aprimorado. Isso aconteceu há quanto tempo?

Há 18 anos. O sofrimento ainda me acompanha, pois está escrito no Corão, em mais de 18 lugares, que aquele que rejeita o Corão, é preciso eliminá-lo.

A partir de então, você não reviu mais teu pai?

Não voltei para o meu vilarejo. Nunca mais pisei em minha terra. Melhor ainda, estou enterrado lá, porque meus pais construíram uma lápide, com meu nome e o dia em que nasci. 



Nota dos editores: Pena que o clero modernista vê o proselitismo, a apologética, a conversão, como coisas ultrapassadas, tolas. Se assim não o fosse, certamente histórias como essas estariam pululando pelos quatro cantos da terra.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 9 de Novembro: Os esquecidos (Parte X)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre




9 de Novembro

OS ESQUECIDOS

Como são esquecidos os mortos!


Santo Agostinho se queixava de que os mortos são muito esquecidos. Realmente. Vai-se logo a me­mória dos defuntos com os últimos dobres do sino e as derradeiras flores lançadas sobre a sepultura. Quando morremos, partimos para aquela região que a Escritura chama terra oblivionis — a terra do es­quecimento. Não tenhamos muita vaidade nem ilu­sões. Seremos esquecidos!

Quem se lembrará de nós alguns anos após a nos­sa morte? Talvez uma lembrança vaga, uma evocação de saudade muito apagada. E como somos orgulho­sos hoje! Tanto nos fere a mágoa um esquecimento mesmo involuntário! Felizes os que se desiludem e se desapegam das amizades e vanglorias da terra an­tes que chegue a Mestra e Doutora da Vida — a Morte!

Como se compadecem todos dos enfermos! Que carinho e solicitude e mil sacrifícios em torno do lei­to de um pobre doente que geme! Porém, veio a mor­te. Pranto, homenagens sentidas, flores, túmulos, necrológios, e... esquecimento. Hoje afastam a idéia da morte como se fôssemos todos imortais. É mis­ter esquecer os defuntos, deixá-los no túmulo, evitar esta preocupação doentia da morte e da eternidade.

Morreu, acabou-se! Vamos rir, vamos dançar e cantar. Deixemos que a vida corra alegre e feliz. Não pensemos mais na morte e muito menos em mor­tos. Não é assim que fala e age o mundo louco e ma­terialista de hoje?

Ai! Como são esquecidos os mortos! O materia­lismo estúpido não compreende nem a beleza, nem a consolação, e o culto da memória dos mortos como o tem a Igreja católica. Para nós, eles não morreram, mudou-se-lhes a condição da vida: Vita mutatur, non tollitur!

Na sepultura não se acaba para sempre o ho­mem. Cremos no que dizemos cada dia no Credo: — Eu creio na ressurreição da carne e creio na vida eterna.

A piedade para com os mortos é um ato de fé na vida eterna, urna doce certeza de que nossos mortos queridos não estão perdidos para sempre ao nosso amor. Havemos de os encontrar um dia no seio de Deus! Como é doce, consolador e belo crer na imor­talidade e esperar a vida eterna!

Pois se cremos na vida eterna, cremos no purga­tório. E se cremos no purgatório, oremos pelos nossos mortos.

Requiem aeternam dona eis Domine! — Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!

Não sabemos então que é nosso próprio interesse orar pelos mortos?

Um dia também iremos para a eternidade e nas chamas do purgatório acharemos tudo quanto tiver­mos feito na terra pelos mortos. Vamos, pois, neste mês dos defuntos: Missas, Rosários, esmolas, peni­tencia, orações fervorosas pelos nossos mortos queridos!

Como são esquecidos os mortos! Exclamava San­to Agostinho! E, no entanto, acrescenta São Francis­co de Sales, em vida eles nos amavam tanto e (quem sabe?) estão no purgatório por nossa causa...

Nos funerais, lágrimas, soluços e flores. Depois, um túmulo e o esquecimento... Como são esquecidos os mortos!

Tende compaixão de mim!
Tende compaixão de mim!
Miseremini mei! Miseremini mei!

Tal é o gemido do purgatório, o gemido das po­bres almas esquecidas.

A Igreja, Mãe carinhosa, nunca se esquece dos seus filhos, mesmo depois que partiram para as re­giões da morte e da eternidade. Todos os dias, no altar, ela suplica: — Memento!

Lembrai-vos, Senhor, dos vossos servos e servas que nos precederam com o sinal da fé e agora descan­sam em paz. A estes e a todos os mais que repousam em Cristo, nós vos pedimos, Senhor, concedei lugar de refrigério, luz e paz.

Que tocante lembrança da Santa Igreja, nossa Mãe! E em todas as Missas que se celebram em todo universo!


PSIQUIATRAS DOS EUA: CHAMAR PEDOFILIA DE "ORIENTAÇÃO SEXUAL" FOI UM "ERRO"







ACI/EWTN Noticias - A Associação Americana de Psiquiatria (APA, por suas siglas em inglês), publicou recentemente um comunicado assegurando que considerar a pedofilia como uma "orientação sexual" dentro da quinta edição do seu Manual de Diagnóstico e Estatística das Desordens Mentais (DSM-5) foi um "erro", que será corrigido na edição digital do livro, assim como nas próximas impressões. 

Em seu comunicado, titulado "erro no texto de desordem pedofílica será corrigido", a APA indicou que "a ‘orientação sexual’ não é um termo usado no critério de diagnóstico para a desordem pedofílica, e seu uso na discussão do texto do DSM-5 é um erro e deve ler-se como ‘interesse sexual’. De fato, a APA considera a desordem pedofílica como uma ‘parafilia’ (uma separação sexual), não uma ‘orientação sexual’".

"Este erro será corrigido na versão eletrônica do DSM-5 e na próxima impressão do manual", indicou a associação de psiquiatras americanos.

Entretanto, Mat Staver, presidente e fundador do Liberty Counsel dos Estados Unidos, uma organização defensora da liberdade religiosa, da santidade da vida e da família, expressou sua desconfiança respeito a que se tratou de um erro.

Staver recordou que a APA, ao apresentar seu manual assegurou que este marcava "o final de uma viagem de mais de uma década revisando os critérios para o diagnóstico e classificação das desordens mentais".

"Claramente, se reclassificar a pedofilia foi um mero ‘erro’, teria sido detectado na ‘viagem da década’", advertiu o líder pró-família.

Mat Staver advertiu que "já seja que se classifique como uma ‘orientação sexual’ ou como um ‘interesse sexual’, qualquer esforço para tornar a pedofilia legítima dará aos pederastas todos os argumentos que precisam para remover as leis de idade de consentimento, e as crianças sofrerão".

O Liberty Counsel qualificou de "não científicas" as mudanças realizadas nas diversas edições do Manual de Diagnóstico e Estatística das Desordens Mentais (DSM).

"Na terceira edição do DSM, a APA disse que aquele que atua segundo a própria atração sexual pelas crianças é um pedófilo", recordou a organização defensora da família, indicando que para a quarta edição do manual psiquiátrico mudou "o critério, dizendo que a pedofilia era uma desordem somente ‘se causasse um mal-estar clinicamente significativo ou deterioração nas áreas sociais, ocupacionais ou outras importantes do funcionamento’".

Para o Liberty Counsel, depois dos dez anos que levou desenvolver este novo manual psiquiátrico "é difícil aceitar que a sua publicação tenha sido um equívoco ou um engano".

"É mais provável que o protesto público tenha ocasionado o recente comunicado de imprensa da APA", indicou a organização.

Mat Staver advertiu que a Associação Americana de Psiquiatria "perdeu a credibilidade com este último desatino sobre a classificação para a pedofilia. A APA se viu cooptada por uma agenda política. É difícil ver a APA de qualquer outra forma".

"As implicações de reclassificar a lei natural, seja para o matrimônio homossexual ou para as relações adulto-crianças, são de longo alcance", indicou.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Grave lapso teológico do Pe. Federico Lombardi







08.11.2013
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1] Nos últimos meses a imprensa internacional divulgou amplamente duas entrevistas do Papa Francisco, a primeira concedida ao Diretor da Civiltà Cattolica (1), e a segunda ao fundador do jornal romano La Repubblica (2). Ambas provocaram reações veementes de numerosos setores católicos antimodernistas de todo o orbe (3), porque ali o Papa adotava posicionamentos de todo aberrantes da doutrina católica tradicional, como os seguintes:
a. Insinuava que a fé admite incertezas.  Ora, a Igreja sempre ensinou que, pela virtude sobrenatural da fé, temos um conhecimento absolutamente seguro da verdade revelada, não sujeito a dúvidas, baseado na palavra de Nosso Senhor, que não pode enganar-Se nem enganar-nos.
b. Dizia: “não podemos insistir apenas sobre as questões ligadas ao aborto, casamentohomossexual e uso dos métodos contraceptivos”. — Essa asserção, que sugere seja atenuada a posição da Igreja em face dos mencionados pecados, desestimula, de modo talvez indireto mas possante, as magníficas reações que tem havido em todo o mundo católico a esse respeito.
c. Declarava que “uma pastoral missionária não tem obsessão pela transmissão desarticulada de uma multidão de doutrinas a serem impostas com insistência”. — Esse deplorável dito do Pastor supremo ecoa a oposição visceral e sistemática dos modernistas à escolástica. Nele o Pontífice: (i) qualifica como “obsessão” a firmeza em defender a fé e a moral; (ii) apoda como “desarticulada” a forma tradicional de transmissão da verdade revelada por Nosso Senhor; (iii)insinua depreciativamente que, apresentada dessa forma, tal verdade não passaria de “uma multidão de doutrinas a serem impostas com insistência”; e (iv) sugere que o zelo missionário é mera ideia fixa de “impor” aos demais, e “com insistência”, princípios que na verdade seriam opinativos, duvidosos e entre si mal estruturados.
d. Afirmava que é preciso rever e aprofundar a teologia sobre a mulher. — Não é verdade que tal afirmação sugere uma modernização do papel da mulher na Igreja, favorecendo em tese a posição dos que querem até a ordenação sacerdotal de mulheres?
e. Dizia que tem sido “acusado de ultraconservador” mas jamais foi de direita. — Essa expressão claramente convida os fieis a adotarem um posicionamento antes de esquerda.
f. Proclamava que “Deus é maior do que o pecado”. — O que insinua que o pecado não é tão grave, desde que se creia em Deus e em sua misericórdia.
g. Asseverava que “não existe um Deus católico, existe Deus— A expressão é ambígua, podendo ter interpretação ortodoxa, mas de si leva à ideia de que todas as religiões cultuam o verdadeiro Deus (4).
h. Sustentava que “o proselitismo é um solene disparate, não tem sentido. — Tal enunciado parece condenar todo apostolado e todo esforço para converter à Igreja Católica quem dela se afastou ou a ela jamais pertenceu.
i. Indicava Henry de Lubac como um de seus pensadores contemporâneos preferidos— O Cardeal de Lubac, S.J., foi modernista notório, paladino da nouvelle théologie (5)Essa indicação, partida de um Papa, só pode ser entendida como enfática recomendação para que dito autor seja lido e seguido.
j. Observava que “cada um de nós tem sua visão do bem e também do mal”, e acrescentava: “devemos incitar cada qual a proceder segundo o que ele pensa ser o bem— Não se pode deixar de ver aí a tese modernista, tantas vezes condenada pela Igreja, de que a noção de bem é subjetiva, dependendo da consciência de cada pessoa.
k. Apontava que “os cabeças da Igreja foram com frequência narcisistas, adulados e instigados por seus cortesãos”; que “a corte é a lepra do Papado”; que “a Cúria é vaticano-centrista”. Tais críticas, de sabor voltairiano, ressaltam o lado humano do Papado, desconsiderando o principal, que é o caráter essencialmente sobrenatural e sagrado do Sumo Pontificado e da Cúria Romana.
l. Segundo o Papa, muitos dos defensores da teologia da libertação tinham um “alto conceito de humanidade— Ora, é sabido que esse “alto conceito de humanidade” é falso e enganoso, antropocentrista, anticristão, inspirado pelo velho socialismo da esquerda católica.
m. Anunciava que “a nossa espécie acabará mas não acabará a luz de Deus que então invadirá todas as almas e tudo estará em todos”. — Tal proposição, formulada em tom poético e sem nenhuma explicação complementar, sugere a ideia modernista de que ao final todos os homens serão salvos.

2] Dessas surpreendentes declarações papais, quase todas aberram claramente dos ensinamentos católicos tradicionais. Muitas são ambíguas e escorregadias, favorecedoras da confusão doutrinária, marcadas por uma imprecisão sibilina e por insinuações estranhas que causam grave perplexidade aos fies. Todas apadrinham, com extraordinário vigor, a revolução modernista na Igreja. E também na sociedade civil, pois o que a Revolução hoje busca com todo o seu ímpeto satânico é fazer reinar nos costumes, e oficializar nas instituições da sociedade temporal (6), gravíssimos pecados que bradam aos céus e clamam a Deus por vingança, como são o aborto e os atos sexuais contra a natureza. As aludidas declarações pontifícias são, no mínimo, escandalosas e ofensivas aos ouvidos pios, e no seu conjunto merecedoras pelo menos da censura teológica de heretizantes.

3] Não se pretende, aqui, analisar em profundidade as afirmações e insinuações estranhas do Papa Francisco. Isso constituiria o objeto de outro trabalho. As presentes linhas visam sobretudo comentar declaração do Pe. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, segundo a qual as referidas entrevistas representam “uma forma ‘conversacional’ ou ‘coloquial’ de comunicação” do Pontífice com seus entrevistadores, não constituindo por isso um “documento magisterial” (7).

4] É patente que, nas entrevistas em questão, o Papa Francisco quis dirigir-se a todo o mundo católico. Foram dois pronunciamentos de impacto, que abordaram questões fundamentais da doutrina católica, tanto de ordem teórica quanto prática, tanto de matéria dogmática quanto moral. Como bem observou o professor Pietro de Marco, “a quem invoca o estilo inaciano de aproximação ao pecador e ao que está afastado, eu replico que esse estilo concerne à relação no foro interno, ou à direção de consciência, ou ao colóquio privado; mas se o Papa assim se expressa em público, suas palavras entram na corrente do magistério ordinário, convertem-se em catequese” (8).

5] Ora, entender que um texto, por ser “coloquial” ou “conversacional”, não constitui magistério, caracteriza grave lapso teológico, por se opor frontalmente à doutrina já hoje consolidada sobre a natureza do Magistério ordinário da Igreja. O Pe. Lombardi, certamente para responder a sérias questões que os repórteres de todo o mundo lhe apresentavam, e para atenuar o escândalo inaudito causado pelas duas entrevistas pontifícias, apegou-se a uma noção ultrapassada do Magistério ordinário, concebido por muitos de modo formalístico, como se só houvesse ensino papal em documentos escritos ou orais cercados de certa solenidade protocolar, isto é, em atos magisteriais promulgados oficialmente enquanto tais.

Da árdua missão do Pe. Lombardi, porta-voz do Vaticano

6] O Pe. Federico Lombardi, S.J., nasceu na Itália em 1942. Estudou em instituições jesuítas na Itália e na Alemanha, onde se licenciou em teologia. Ordenado sacerdote em 1972, foi membro do Colégio dos escritores da Civiltà Cattolica de 1973 a 1977, quando se tornou vice-diretor da revista. Provincial da Companhia de Jesus na Itália de 1984 a 1990, foi posteriormente Diretor dos Programas da Radio Vaticana, do Centro Televisivo Vaticano, e Diretor-Geral da Radio Vaticana. Em 2006 Bento XVI o nomeou Diretor do Ofício de Imprensa da Santa Sé, cargo que mantém até hoje.

7] Dado o caráter heretizante do Concílio Vaticano II (9), o qual manifestamente rompeu com a doutrina tradicional da Igreja, e dados os numerosos desatinos oficiais do período pós-Concílio, o Pe. Lombardi se vê obrigado, no seu dia-a-dia, a justificar o injustificável, em defesa da orientação adotada pela maior parte dos órgãos vaticanos. Ressalte-se, entretanto, que ele não é mero transmissor de recados, encarregado apenas de apresentar à mídia o que seus superiores determinam. Não é figura adjetiva e periférica dos círculos vaticanos oficiais, mas é um antigo provincial da Companhia de Jesus na Itália, teólogo com longa história na direção de órgãos da mídia da Santa Sé, incumbido de comentar questões maiores perante a imprensa, dando delas explicações que necessariamente envolvem sua responsabilidade pessoal perante Deus e os homens. Ora, nas circunstâncias aqui consideradas, Sua Reverendíssima cometeu erro teológico grave, que postula reparo público.

O conceito de Magistério ordinário

8] O conceito de “Magistério ordinário” foi amplamente adotado por Pio IX e pelo Vaticano I, e foi posteriormente aprofundado e desenvolvido pela teologia tradicional. No passado mais remoto era frequente, mesmo entre grandes teólogos, santos e doutores, a conceituação bipartida do Magistério, segundo a qual o Papa ou falava numa definição ex cathedra, ou como simples doutor privado. Essa concepção bipartida esquecia, ou não ressaltava devidamente, a terceira possibilidade, de que o Papa falasse num ato oficial de ensino, mas sem preencher as condições da infalibilidade (10).

9] A partir do Vaticano I aprofundou-se sempre mais a doutrina segundo a qual os ensinamentos do Papa não estão sempre e necessariamente garantidos pelo carisma da infalibilidade. O Sumo Pontífice não pode afastar-se da verdade quando, dirigindo-se à Igreja universal, no uso da plenitude de seus poderes, define solenemente uma verdade de fé ou moral a ser crida. Quando essas condições não estão todas preenchidas, os atos docentes do Papa constituem seu magistério simplesmente “ordinário”, o qual inclui o ensino pontifício comum, quotidiano, orgânico (11). Inclui também os pronunciamentos correntes dos bispos, suas cartas pastorais, e enfim tudo que é ensinado pela Igreja. O estudo das condições em que o Magistério ordinário envolve a infalibilidade não diz respeito à matéria aqui tratada .

Até por atos e gestos o Papa pode ensinar

10] O Magistério ordinário, concebido organicamente, como é necessário que o seja, e não de modo formalista, mecânico e livresco, envolve a ideia de ensinar em sua concepção ampla. Assim como um pai de família não ensina seus filhos apenas de modo expresso, quando lhes ministra uma lição formal ou lhes dá uma ordem, mas também os instrui e educa de modo implícito pelos atos mais comuns da vida diária, pelo seu modo de comportar-se, pelas boas maneiras que infunde na alma das crianças, assim o Papa e os bispos podem igualmente ensinar, e de fato ensinam, tanto expressamente por pronunciamentos escritos ou orais, quanto implicitamente por atos, gestos, atitudes, omissões, símbolos. Esses ensinamentos implícitos incluem ainda as lições contidas na liturgia, nas leis da Igreja, no culto aos santos, na vida católica em geral. Tudo isso integra a Pastoral, em seu sentido largo, a qual sempre e necessariamente traz consigo o ensino vivo da dogmática, da moral católica, do sentire cum Ecclesia, de tudo enfim que os fieis devem conhecer e amar.

11] Comentaristas das mais diversas tendências têm observado, com razão, que numerosos atos do Papa Francisco são densos da doutrina que ele quer transmitir a respeito da pobreza, da simplicidade de vida, do que ele apresenta como o espírito franciscano. Assim, abrir mão de indumentárias papais tradicionais e de formalismos protocolares é inquestionavelmente uma forma de ensinar.

12] Já que é possível exercer o magistério até mesmo por atos e gestos (12), com mais razão, pode haver ensino através de um colóquio, de uma conversa. E se uma troca de ideias pessoal do Papa com um jornalista se destina a divulgação ampla, é patente que uma simples conversação pode conter ensinamentos destinados a muitos fieis, e mesmo a toda a Igreja, não se podendo então negar seu caráter de verdadeiro e autêntico magistério papal.

13] Foi isso que ocorreu nas entrevistas do Papa Francisco à Civiltà Cattolica e ao diário La Repubblica. A intenção do Pontífice, não apenas subjetiva mas real e manifesta, era de que suas palavras fossem amplamente divulgadas pela imprensa internacional. Suas considerações de ordem estritamente pessoal, algumas delas muito singelas e até caseiras, não tiram ao todo o caráter de fixação da orientação fundamental de seu pontificado em matéria pastoral. E é claro que essa orientação não é de natureza unicamente administrativo-pastoral, mas envolve posicionamentos doutrinários extremamente graves.

A forma canônica ou midiática do pronunciamento é de importância menor

14] Os teólogos têm ressaltado, especialmente do pontificado de Pio XII a esta parte, que a autoridade doutrinal de uma declaração papal não está essencialmente vinculada à sua forma canônica ou jornalística de divulgação. Como ressalta D. Paul Nau, OSB, em seu importante estudo sobre a autoridade doutrinária das encíclicas, uma constituição apostólica pode conter, ou não, uma definição dogmática; uma encíclica, uma bula papal, um motu proprio ou uma carta apostólica têm autoridade maior ou menor segundo o seu conteúdo e as circunstâncias que cercam sua divulgação. É claro que, para uma definição infalível, o Papa normalmente se servirá de um documento mais solene, mas a regra não é cogente. Pio XII se utilizou de alocuções radiofônicas para transmitir a todo o orbe numerosos de seus ensinamentos. Como igualmente ressalta D. Paul Nau, o que importa é a intenção objetiva e manifesta do Papa em dar tal grau de autoridade a seu ato magisterial. A divulgação maior ou menor de uma encíclica, por exemplo, assim como a insistência do Papa em ulteriores pronunciamentos sobre a mesma matéria, a recepção dessa doutrina por toda a Igreja, as circunstâncias enfim, que cercam o ato papal, são de valor fundamental para o estabelecimento da autoridade teológica daquele ensinamento.

15] Eis as palavras de D. Paul Nau: “Instrumento consciente, o Vigário de Cristo somente pode empenhar a autoridade de que ele é o depositário na medida em que ele o tenciona (...). A vontade de comprometer-se do Papa, assim como o peso que ela confere aos ensinamentos dele, são suscetíveis de graus diversos (...). Dessa vontade do Santo Padre, a natureza mais ou menos solene do instrumento escolhido é certamente um primeiro indício. É conhecida a longa gama de documentos pontifícios, desde as Litterae encyclicae, as mais solenes depois das Bulas, até as simples cartas dirigidas a bispos, a grupos ou mesmo a presidentes leigos de diversas obras (...). A natureza do documento utilizado não pode, contudo, ser mais que um indício. O Papa permanece livre, mesmo no caso de um juízo solene, para escolher o modo de expressão que ele julgar mais oportuno. Ele poderia, para uma definição, utilizar uma encíclica ou radiomensagem, tanto quanto uma constituição apostólica majestosamente inscrita numa bula”. Depois de observar que não se pode “fiar unicamente na natureza do documento escolhido”, D. Paul Nau conclui: “Não estamos aqui em matemática, e querer simplificar ao extremo, por categorias rígidas demais, seria expor-se a erros perigosos” (13).

16] Logo, uma entrevista papal pode, em tese, constituir magistério, ou não. A questão não é teórica, mas concreta: as duas entrevistas foram por si mesmas atos magisteriais, em vista de seu conteúdo pastoral e doutrinário específico, da extraordinária repercussão que tiveram, e do modo como foram acolhidas ou rejeitadas pelos fieis de todas as latitudes. No dizer do prof. De Marco (item 4 retro) elas entraram “na corrente do magistério ordinário”, convertendo-se “em catequese”. Não se diga, portanto, que o Pe. Lombardi, porta-voz do Vaticano, as teria declarado oficialmente atos do Papa como doutor privado, pois elas têm caráter magisterial ex ipsa natura rei.

O ato magisterial pode conter erro e mesmo heresia

17] Também não se diga que, como o Papa não pode errar, as duas referidas declarações pontifícias são a priori imunes a todo e qualquer desvio doutrinário. Com efeito, já se tornou pacífico, em sã teologia, que em princípio pode haver erro e mesmo heresia, não só em documentos papais privados, mas também em documentos públicos, tanto papais quanto conciliares. É o que bem observa o Pe. Daniel Pinheiro, do Instituto Bom Pastor: “o Magistério desse segundo tipo – não infalível – pode (...)conter erros porque, ao contrário do primeiro grau estudado, não se encontra garantido na verdade por Deus. (...). A possiblidade de erro nesse grau de Magistério é, praticamente, unanimidade entre os teólogos. É incompreensível que alguns afirmem a impossibilidade de erros em atos do Magistério não-infalível. Negar a possiblidade de erro desse Magistério seria torná-lo infalível” (14). “Deve ser assimilado a esse Magistério o magistério de um Concílio Ecumênico que não possui a voluntas definiendi/obligandi. Trata-se da autoridade suprema que ensina, mas sem a intenção de engajar toda a sua autoridade e revesti-la inteiramente da assistência divina infalível” (15).

18) Como já escrevíamos em 1969, “o simples fato de se dividirem os documen­tos do Magistério em infalíveis e não infalíveis, deixa aberta, em tese, a possibilidade de erro em algum dos não infalíveis. Essa conclusão se impõe com base no princípio metafísico enunciado por Santo Tomás de Aquino: ‘quod possibile est non esse, quan­doque non est’ — ‘o que pode não ser, às vezes não é’ (Summa Th., I, q. 2, a. 3, c.,tertia via)” (16).

Conclusão: o eminente Pe. Federico Lombardi equivocou-se

19] A imprensa tem noticiado que a referida entrevista à Civiltà Cattolica foi pessoalmente revisada pelo Papa antes da publicação, o que não teria ocorrido com o mesmo cuidado com as declarações aLa Repubblica, embora estas tenham sido publicadas de imediato no Osservatore Romano. De toda forma, se houvesse alguma infidelidade num texto ou no outro, o Papa não poderia deixar de fazer a devida retificação. Não se diga, portanto, que as duas entrevistas, manifestamente planejadas para ampla divulgação no mundo todo, talvez não exprimam o pensamento papal, ou talvez não tenham intenção magisterial.

20] O ilustre Pe. Federico Lombardi enganou-se ao entender que aquelas entrevistas não constituem atos magisteriais em razão de seu caráter “coloquial” ou “conversacional”. Ele prestará relevante serviço à Santa Igreja se houver por bem retificar esse grave erro teológico, que na prática induz a pensar que ditas entrevistas não têm o caráter histórico e apocalíptico que na verdade têm, como atos, que são, do Magistério ordinário da Igreja.

NOTAS
1.        Entrevista publicada no Osservatore Romano, ed. semanal em português, ano XLIV, n. 39, 29/09/2013,http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/september/documents/papa-francesco_20130921_intervista-spadaro_po.html
2.        Entrevista publicada no Osservatore Romano, ed. semanal em português, ano XLIV, n. 40, 06/10/2013,http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/october/documents/papa-francesco_20131002_intervista-scalfari_po.html
3.        Ver Luiz Sérgio Solimeo, “In times of extreme confusion, stand fast, and hold the traditions which you have learned",www.tfp.org/tfp-home/catholic-perspective/is-the-pope-s-interview-an-act-of-the-pontifical-magisterium.html
4.        Ver o artigo do Pe. João Batista Almeida Prado Ferraz Costa “Não existe um Deus católico?”,http://santamariadasvitorias.org/nao-existe-um-deus-catolico/
5.        Ver, neste site Bonum Certamen, o artigo “Cinco cardeais e a nouvelle théologie”, itens 3 e 13.
6.        Ver Plínio Corrêa de Oliveira, “Revolução e Contra-Revolução”, ed. IPCO, São Paulo/Brasil, 2009,http://www.pliniocorreadeoliveira.info/RCR.pdf
7.        Durante a sessão de perguntas e respostas, foi dada atenção significativa à longa entrevista (do Papa) publicada na edição de terça-feira do diário italiano La Repubblica. O Pe. Lombardi, S.J., explicou que o texto, assim como o da entrevista publicada recentemente na Civiltà Cattolica e na America Magazine (entre outras revistas jesuítas em todo o mundo) representa uma forma de comunicação ‘conversacional’ ou ‘coloquial’. ‘Não é’ explicou ele, ‘um documento magisterial’” (Rádio Vaticana, 02.10.2013, http://en.radiovaticana.va/print_page.asp?c=733695).
8.        Artigo “Un messagio ‘liquido’”, http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350619 ─ Pietro De Marco, historiador e sociólogo, é professor na Faculdade de Florença e na Faculdade de Teologia da Itália Central.
9.        Ver, neste site Bonum Certamen, o artigo “Da qualificação teológica extrínseca do Vaticano II”.
10.     Ver, neste site Bonum Certamen, o livro “Considerações sobre o ‘Ordo Missae’ de Paulo VI”, parte I, cap. X.
11.     Ver, neste site Bonum Certamen, o artigo “O caráter orgânico do Magistério ordinário”.
12.     Ver, neste site Bonum Certamen, o artigo “O Magistério ordinário pode ensinar por atos e gestos”.
13.     O Magistério Pontifício Ordinário, lugar teológico - Ensaio sobre a autoridade dos ensinamentos do Soberano Pontífice”, Solesmes, 1956, trad. bras. por Felipe A. Coelho, São Paulo, blog Acies Ordinatahttp://wp.me/pw2MJ-dT, a partir do original: “Le Magistère pontifical ordinaire, lieu théologique”, in: Revue Thomiste, ano LXIV, tomo LVI, n.º 3, julho-setembro de 1956, págs. 389-412.
14.     Ensaio “Assentimento ao Magistério”, parte II, item 3.2.2, no blog Scutum Fidei,http://scutumfidei.org/2013/01/07/assentimento-ao-magisterio-ii/
15.     Idem, ibidem.
16.     Ver, neste site Bonum Certamen, o livro “Considerações ...”, parte I, cap. IX, págs. 43/44.
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