terça-feira, 4 de março de 2014

No Altar à Hora Nona - O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional.

Mas, e a Ressurreição? Ela é o triunfo, isso é verdade. Porém, ela é o triunfo vivido de maneira oculta, por um Deus sem arrogância. Ela acontece novamente, mas em silêncio e solidão. Dentro do túmulo de pedra, de noite, ninguém estava lá, exceto os soldados que guardavam a entrada. Da mesma maneira, em uma voz mais baixa, no silêncio que permanece escondido nas profundezas das palavras do sacerdote, o “Alter Christus” no altar do Sacrifício, a Ressurreição novamente estará presente. Em silêncio e solidão. 
E assim vemos o “porquê” e o “como” o que significa “estar na Missa”, como alguém “assiste” ao Santo Sacrifício da Missa, a Missa antiga. Isso está longe da gritaria e dos aplausos, longe do comportamento frenético e da síndrome de querer ser o centro das atenções, longe os microfones crepitantes e com deformação de som, longe da inundação de fraseologia fria, longe da Missa reformada no estilo dos anos 70, uma década cheia de retórica cansativa ornada de slogans populistas que no final não têm utilidade alguma para alguém de qualquer tempo, uma das piores décadas já vividas na face da terra.

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No Altar à Hora Nona - O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional




É UMA PENA QUE POUCOS...OU TALVEZ NINGUÉM VÁ LER ESTE TEXTO.

(HOJE PODEMOS DIZER COM CERTEZA: O POVO SE PERDE POR PREGUIÇA: DE LER, DE PENSAR.... A GRANDE MAIORIA PREFERE SÓ OLHAR FIGURAS E ‘CURTIR’ BOBAGENS.

Traduzido do italiano pelo Padre Richard G. Cipolla
Fonte original: “La Cuccia del Mastino”, 14 de janeiro de 2014



No Altar à Hora Nona. O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional


Há duas facetas em particular que nos permitem uma compreensão mais profunda da Missa, especialmente, de acordo com a Forma Extraordinária, que pessoalmente prefiro: o silêncio e a solidão. O altar, antes, durante e depois do Sacrifício, é coberto em silêncio. E pela solidão: a do celebrante, o “AlterChristus.”

Mas como isso pode acontecer, alguém dirá, uma vez que a Páscoa e, portanto, a celebração são triunfos? Isso é verdade. Mas a celebração da Missa também é a renovação da Paixão e Morte de Cristo, que se desenrola no silêncio, na solidão, na traição, na negação e na fuga dos discípulos. Na Última Ceia, Cristo é traído e vendido por Judas. No Jardim das Oliveiras, na noite antes de sua morte, Cristo é deixado sozinho para suar sangue, enquanto seus discípulos dormem, em vez de rezar com Ele, a única coisa que lhes pedira. Naquela mesma noite, Pedro o nega três vezes. Ninguém tenta salvá-Lo, ninguém se oferece para suportar o peso de Sua cruz, mesmo por pouco tempo (o Cireneu foi forçado a fazê-lo). Ninguém parece conhecê-Lo ou reconhecê-Lo.


Cristo, em um momento de verdadeira dor humana, clama em voz alta ao Seu Deus, ao Abba, o abismo de miséria e solidão em que mergulha em silêncio. “Solidão”. A mesma solidão que o sacerdote, o AlterChristus, experimenta nesse momento no altar do Sumo Sacrifício, o Gólgota renovado, onde, de um modo real e mais uma vez, a Paixão de Cristo irrompe. O sacerdote está sozinho no altar. E a esta solidão soma-se a sombra protetora da solidão: silêncio. Na colina desolada do Gólgota, primeiro no Jardim [das Oliveiras] e é assim em seguidacomo no túmulo, Cristo está sozinho e em silêncio: o silêncio de sua obediência, do cálice de amarga aflição, o suor misturado com sangue. E este é o silêncio da impotência, uma impotência que por um momento parece até mesmo ser uma impotência deDeus. “Meu Pai, Abba, por que me abandonaste?” O “silêncio” de Deus, neste momento, quando a onda do abismo está quebrando sobre Cristo, parece quase como o naufrágio da Divindade no nada.


Porém, também é a impotência e a desolação que vem do primeiro e eterno “Sim”, em obediência da Maria aos pés da Cruz, ao aceitar este Filho que não era para ela conservar para Si: “StabatMater dolorosa…” Esse é o silêncio temeroso que foi experimentado pela maravilhosa Santa Teresa de Lisieux em seu leito de morte, quando ela gritou, naquele momento derradeiro de agonia e escuridão, que ela não tinha sensação da presença de Deus.


Silêncio. Assim como os discípulos estavam em silêncio, tal estava Maria, e igualmente todos os que amavam Cristo como homem e Messias.


Havia silêncio aos pés da Cruz.

Havia silêncio quando os outros se esconderam. Havia silêncio por causa da obediência.

Havia silêncio por causa da covardia.

Estavam silenciosos, paralisados pela dor.

Estavam silenciosos em confusão. Ou porque, ao final, as coisas “tinham mesmo que acabar” daquela maneira… Todos permaneceram em silêncio.

Apenas continuaram onde estavam: na Paixão e Morte do Filho de Deus.

Pelo mesmo motivo, na Missa do Sacrifício, os fiéis não deveriam “participar”, mas “assistir”, mantendo o silêncio — aquele mesmo silêncio que resguarda o sacerdote enquanto ele oferece o Sacrifício de Cristo e de si mesmo.

E, ao mesmo tempo, em estado de aceitação ativa, devem oferecer a sua parte naquilo que compõe o mistério, ou seja, no milagre, assim como prometeu o Messias, quando disse que não nos deixaria órfãos.

Entretanto, e a Ressurreição? É o triunfo, isso é bemverdade. É, porém, o triunfo vivido de maneira oculta, por um Deus sem arrogância. Na Missaacontece novamente, mas em silêncio e solidão.

Dentro do túmulo de pedra, de noite, ninguém estava lá, exceto os soldados que guardavam a entrada.

Da mesma maneira, em uma voz mais baixa, no silêncio que permanece escondido nas profundezas das palavras do sacerdote, o AlterChristus no altar do Sacrifício, a Ressurreição novamente estará presente. Em silêncio e solidão.

E assim vemos o “porquê” e o “como” do significado de “estar na Missa”, como alguém que “assiste” ao Santo Sacrifício da Missa, isto é, da Missa antiga. Isso está longe da gritaria e dos aplausos, longe do comportamento frenético e da síndrome de querer ser o centro das atenções, longe dos microfones crepitantes e do som desafinado, longe da inundação de fraseologia fria, e longe da Missa reformada no estilo dos anos de 1970 — década cheia de retórica cansativa, ornada de slogans populistas, que, em suma, nada tem de útil para oferecer, a ninguém de nenhuma época (nesta, que é uma das piores décadas já vividas na face da terra).






[O programa] ‘PORTA A PORTA’ [da RAI UNO] ‘FACILITOU’ TANTO, COMO SE FOSSE FAZER GOL SEM GOLEIRO... MESMO ASSIM, BERTONE MARCOU GOL CONTRA…


Mais atual do que nunca...
Foi mostrado por Vespa o texto manuscrito da Irmã Lúcia (reproduzido na parte de fora de  dois envelopes), que dizia: “Por ordem expressa de Nossa Senhora este envelope pode ser aberto em 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria”. 
Em várias outras ocasiões, a Irmã Lúcia afirmou que aquela data fora indicada pela Virgem. Contudo, ficamos sabendo agora (graças a Vespa), sem sombra de dúvida, que essas palavras haviam sido escritas sobre o envelope por ordem de Nossa Senhora. Ora, isso é o oposto do que assevera o Cardeal Bertone, que expressamente atribuiu à Irmã Lúcia a escolha daquela data. 
[A pergunta é imediata]: se partiu de Nossa Senhora  a indicação da data, por que  estipulou com exatidão o ano de 1960? A qual acontecimento, relacionado com a história da Igreja, sucedido na década de 1960, Nossa Senhora teria feito alusão (ainda que indireta)? 
No início da década de 1960, o Papa Roncalli [João XXIII] convocara o Concílio Vaticano II. Por isso, não seria nada surpreendente — conforme dizem os especialistas em Fátima — se o Segredo contivesse a profecia acerca de uma terrível apostasia após o Concilio (apostasia que inegavelmente aconteceu e continua em curso). Aí está o motivo pelo qual Roncalli, apavorado, tornou tudo secreto. 

A Igreja não é uma espécie de quadrilha de malfeitores, onde se impõe a lei do silêncio [omertà]. 
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[O programa] ‘PORTA A PORTA’ [da RAI UNO] ‘FACILITOU’ TANTO, COMO SE FOSSE FAZER GOL SEM GOLEIRO... MESMO ASSIM, BERTONE MARCOU GOL CONTRA…

Antonio Socci http://www.antoniosocci.it/Socci/index.cfm  



O verdadeiro golpe de misericórdia no Vaticano, quinta feira à noite, não foi dado por Michele Santoro (com a partida, afinal de contas, “empatada” sobre os padres pedófilos), mas foi dado por Bruno Vespa, que colocou no ar o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcísio Bertone. Este, de fato,fez o mais clamoroso gol contra: demonstrou(involuntariamente)  haver uma parte explosiva no Terceiro Segredode Fátima, ainda que bem escondida. Isto simé bem embaraçoso para o Transtevere [para o Vaticano]...

Por tal serviço prestado à verdade (indiretamente, é claro), cumpre agradecer ao Cardeal Bertone. E encorajá-lo agora a dizer tudo, porque – como diz o Evangelho – “a verdade vos fará livres”.

(De tudo quanto foi antecipado pela Irmã Lúcia, por exemplo, ao Padre Fuentesse deduz que o “Quarto Segredo” contém exatamente a advertência profética feita por Nossa Senhora sobre a apostasia na Igreja, incluindo nela a terrível crise do clero que se seguiu ao Concílio e, portanto, também os escândalos, dos quais hoje se fala, como o dos “padres pedófilos”).

Resumimos os fatos antecedentes.

Em Novembro passado, saiu o meu livro “O quarto segredo de Fátima”, no qual demonstro que há uma parte do famoso “Terceiro Segredo que o Vaticano não publicou.

 Em Maio, o Secretário de Estado do Vaticano [Cardeal Bertone] publicou um panfleto contra mim, contendo alguns insultos, mas nenhuma resposta. E, ademais, acrescentando novas contradições (que coloquei em evidência nestas colunas, em 12 de maio último).

 Quinta Feira à noite, foi ao ar [na TV RAI UNO] uma mesa-redonda do “Porta a porta”, intitulada: “Não existe o quarto segredo de Fátima”.

O titulo visa a meu livro como alvo direto.

Admissível conceber uma mesa redonda “imparcial, se o assunto é apresentado, desde logo, como tese [comprovada]”? [O locutor] Vespa talvez tenha pretendido dar a Santoro uma lição de objetividade e de imparcialidade. Enquanto no programa de Santoro estavam presentes os dois lados, Vespa chamou a seu programa apenas o Cardeal Bertone e não trouxe à baila o abaixo-assinado, que, embora sendo o “alvo” central da transmissão, não foi levado em consideração, nem apresentado ao público. Com relação a mim, apresentaram apenas cenas de um filme ilustrando algumas das teses de meu livro. Desse modo, foi oferecida, em bandeja de prata, ao Cardeal Bertone, a possibilidade de me atacar sem nenhum contraditórioMas o Cardeal evitou os tons que usara em seu livro (pelo que lhe sou grato) e, sobretudo, evitou responder a qualquer contestação minha — sequer deu uma resposta a meus argumentos.

Entretanto, preferiu ir alémofereceu a prova de que tenho razão.

De fato, a certo ponto de sua exposição, o Prelado mostrou os envelopes que foram abertos no ano 2000, quando foi revelada a parte do Terceiro Segredo contendo a visão do “Bispo vestido de branco”.

Pois bem, sobre esses envelopes faltava uma coisa que absolutamente não poderia faltar: uma frase do Papa João [XXIII].  De fato, Monsenhor Capovilla, secretário de João XXIII, em duas entrevistas — a OraziolaRocca (Repubblica, 26.6.2000) e a Marco Tosatti (no livro “O segredo Não Revelado”) — relatou que, em 1959, quando o Papa Roncalli leu o Terceiro Segredo e decidiu mantê-lo secreto, disse ao mesmo Capovilla que “fechasse o envelope”, escrevendo sobre o mesmo: “não emito nenhuma opinião a respeito”, porque a mensagem “pode tanto pode ser uma manifestação do divino como pode não ser”. 
Agora, a pergunta: onde está a frase que João XXIII mandou escrever no envelope? Não estando no envelope exibido, só pode estarnoutro envelope. Naquele que o Cardeal apresentou às câmeras, positivamente não está.

Depreende-se, pois, com toda evidência, que só pode estar escrito sobre o envelope que contém o “Quarto Segredo”, cuja existência foi clamorosamente confirmada (pela primeira vez)justamente por Monsenhor Capovilla a SolideoPaolini, como relato em meu livro. Bertone não deu nenhuma explicação sobre a ausência daquela frase, e não respondeu à revelação de Monsenhor Capovilla acerca disso.

 Ademais, a dúvida de Roncalli sobre a origem sobrenatural daquela mensagem não podia referir-se ao texto da visão revelada no ano 2000, já que essa visão nada contém de “delicado”. Logo, somente poderia fazer alusão ao “quarto segredo”, que (segundo revelaram os Cardeais Ottaviani e Ciappi) falavam da apostasia e da traição das altas hierarquias eclesiásticas.

Aquele “quarto segredo” do qual João Paulo II, disse, em 1982, que “não o publicaria porque podia ser mal interpretado[SIC!]. Aquele “quarto segredo” do qual Ratzinger, em 1996, disse que, naquele momento, certos “detalhes” podiam prejudicar a fé[SIC!]. Aquele “quarto segredo” do qual o secretário do Papa Wojtyla disse a Marco Politi (que o relatou no programa de Vespa): “é preciso ter prudência para compreender o que diz Irmã Lúcia e o que diz Nossa Senhora”.[SIC!].

Mas o Cardeal Bertone, em “Porta a porta”, involuntariamente forneceu outra prova, ainda mais clamorosa, de que o “quarto segredo” existe realmente.

De fato, ele deu as medidas do envelope que contém o texto da visão: “9 centímetros por 14”. O Prelado evidentemente ignorava que desde 1982 é conservado no Arquivo do Santuário de Fátima um documento de Monsenhor Venâncio, o qual levou pessoalmente o envelope com o “quarto segredo” à Nunciatura, para enviá-lo a RomaMonsenhor Venâncio transcreveu as medidas exatas do envelope de Irmã Lúcia, que eram de 12 centímetros por 18. Portanto, pelos dados oficiais,conclui-se que aquele era outro envelope.

 Ali estava contido o papel do “quarto segredo”, que era constituído por “uma só página” com “25 linhas escritas”, como testemunhou o Cardeal Ottaviani, e não por 4páginas com 62 linhas, como é o texto da visão mostrado pelo Cardeal Bertoneo qual, embaraçadonão soube o que responder a Vespa, quando este lhe recordou as palavras de Ottaviani.

Foi mostrado por Vespa o texto manuscrito da Irmã Lúcia (reproduzido na parte de fora dedois envelopes), que dizia: “Por ordem expressa de Nossa Senhora este envelope pode ser aberto em 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria.

Em várias outras ocasiões, a Irmã Lúcia afirmara que aquela data fora indicada pela Virgem. Contudo, ficamos sabendo agora (graças a Vespa), preto no branco, que essas palavras haviam sido escritas sobre o envelope por ordem de Nossa Senhora. Ora, isso é o oposto do que assevera o Cardeal Bertone, que expressamente atribuiu à própria Lúcia a escolha daquela data.

[A pergunta é imediata]: se partiu de Nossa Senhoraa indicação da data, porque  estipulou com exatidão o ano de 1960? A que acontecimento, referente à história da Igreja, que ocorreria na década de 1960, Nossa Senhora teria feito alusão (indireta)?

No início da década de 1960, o Papa Roncallifizera a convocação do Concílio Vaticano II. Por isso, não seria nada surpreendente — conforme fazem os especialistas em Fátima — se o Segredo contivesse a profecia a respeito de uma terrível apostasia que seguira ao Concílio (apostasia que inegavelmente aconteceu e continua em curso). Aí está o motivo pelo qual Roncalli, aterrorizado, tornou tudo secreto.

Quanto à frase da Virgem que sempre foi considerada o ”incipit” do Terceiro Segredo (“Em Portugal, conservar-se-á sempre o dogma da fé, etc..), importa assinalar que vai nessa mesma direçãoEm horas e horas de conversa, o Cardeal Bertone sempre evitou perguntar à Irmã Lúcia se alguma vez ela teria escrito a sequência daquela frase [o que seria esse“ETC...”]. Ora, o Purpurado furtou-se por inteiro de explicar o sentido do [enigmático]“ETC...”. Com efeito, seria concebível que as palavras de Nossa Senhora se interrompessem com um ETCOETERA, após ter dito umas poucas palavras?

Reportando-se àquela frase, o Cardeal Bertonesimplesmente a denomina de “certa anotação” de LúciaPretenderia assim dar a entender que aquelas palavras de Nossa Senhora seriam, na verdade, uma fantasia de Lúcia, como já insinuara Roncalli?

 Se assim é, seria bom dizê-lo de público, sem embaraços, como sucedeu com todas as mensagens dessa natureza(desde 1966, Paulo VI liberou essa “literatura”).

 Por que continuar negando a existência do segredo, ao sustentar uma versão que faz água por todos os lados, expondo a Igreja a graves “ricatti” [formas diversas de chantagem]?

O Cardinal Bertone vê-se obrigado a desenvolver uma tarefa dura e ingrata. A cada dia vêm à luz fiapos de verdade que desmontam a sua versão (Em “Porta a porta”, para não mencionar outras particularidades, a história da reunião plenária do Santo Ofício, em 1960, bem como o relato que diz respeito ao envelope da tradução, referente a 6 de Março de 1967, o que não corresponde à  versão oficial). 

No fundo, o Papa, na carta publicada por Bertone, abre o caminho para a verdade, quando diz que no ano 2000 foram publicadas “as palavras autênticas da terceira parte do segredo”. Afirmando isso, subentende que existem palavras do segredo tidas como “não autênticas”.

Então, coragem; publicai tudo. “A verdade vos fará livres”.




Resposta a alguns leitores:


           Houve quem – mesmo entre leitores e admiradores – se tenha escandalizado com minha investigação sobre o Terceiro Segredo de Fátima, bem como em razão dos artigos respondendo ao Cardeal BertoneNinguém contesta os fatos e os dados, mas me objetam que, dizendo tais verdades que descobri, prejudicarei a Igreja.


Respondi que me limito a fazer o meu trabalho de jornalista, segundo os deveres indicados até mesmo pelo Compêndio da doutrina social do Pontifício Conselho da Justiça e da paz, o qual afirma: “Para quantos atuam por vários títulos no campo das comunicações sociais ressoa forte e clara a advertência de São Paulo: ‘Por isso, banida a mentira, cada um de vós diga a verdade ao próprio próximo’”.

            Escrevo aquilo que me parece ser a verdade; se escrevesse o contrário, agiria contra a consciência e – como ensina Inocêncio III, citado no Catecismo Universal(n.1790) –“agir contra a consciência conduz à danação eterna”.


          De outro lado,
como explicou o Papa em Ratisbona, a pesquisa racional da verdade não é jamais contra Deus (Veja a Fides etRatio). Mais ainda, quando se trata de pesquisar as autênticas palavras da Santa Virgem, em Fátima! Enfim, o mesmo princípio vale como resposta àqueles que presumem dever ocultar a verdade para obter alguma forma de bem. Estes, sem dúvida, se acham em total dissonância com a verdadeira ortodoxia católica. Quem diz isso não sou eu.


Mais uma vez, é o Catecismo Universal da Igreja Católica, publicado por ordem de João Paulo II e do Cardeal Ratzinger. Eis as palavras: “Jamais será permitido fazer o mal,a fim de obter algum bem”- 1789). Em suma, o mandamento “não prestar falso testemunho” vale também para os Cardeais, e não podem ser alegados motivos superiores para mentir…

         Penso, de resto, que sempre será mais conveniente dizer a verdade. O Evangelho fala muito claro. Jesus diz: “A verdade vos fará livres”. Não diz: atenção, porque por vezes a verdade pode criar-vos problemasDiz: a verdade vos fará livres (isto é também o sentido dos “mea-culpa do Papa Wojtyla). Aquela passagem evangélica indica a belíssima liberdade dos filhos de Deus. A Igreja não é uma espécie de quadrilha de malfeitores, onde se impõe a lei do silêncio [omertà]. Ao contrário, éa casa dos filhos de Deus, a casa da liberdade e da verdade de Deus, e não precisa de nossa mentira, mas sim de nossa humilde escuta e do reconhecimento de nossas misérias (mesmo por parte dos eclesiásticos).


Aconselho a todos o memorável discurso do Cardeal Ratzinger sobre a consciência e a liberdade dos cristãos,texto que se intitula “O brinde do Cardeal”. Não por acaso, o Catecismo Universal (n. 1778) cita a belíssima frase do Cardeal Newman, que diz: “A consciência é a primeira dos vigários de Cristo”.

(Tradução e destaques de Raphael de la Trinité)

domingo, 2 de março de 2014

O teólogo favorito de João Paulo II - URS VON BALTHASAR, O PAI DA APOSTASIA ECUMÊNICA



O que é, então, o ecumenismo para von Balthasar? É a "integração no todo da Católica"52, a qual "Católica" não existe ainda e no momento é "somente uma promessa, uma esperança escatológica".

Em conclusão, é importante assinalar que von Balthasar, como também Blondel e De Lubac, cultivou "sua" teologia com evidente desprezo pelo Magistério da Igreja e especialmente por São Pio X, que, na encíclica Pascendi (1907), condenou o ecumenismo, em que desemboca inevitavelmente o naturalismo dos modernistas; e por Pio XII, que em Humani Generis condena tanto as tentativas de conciliar o idealismo, e portanto Hegel, com a teologia católica como o ecumenismo, em que todos se teriam, "sim, unidos, mas em ruína geral". Em 1946, escrevia o Pe. Garrigou-Lagrange: "Para onde vai a nova teologia com os novos mestres em que se inspira? Para onde senão o caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia?" E os novos "mestres" eram Hegel e Blondel, que Fessard (da "turma" de De Lubac) chamava, não sem razão, "nosso Hegel"59. Hoje, no domínio ecumênico, mais do que na fantasia, estamos no delírio. Num dos documentos "ecumênicos" dos mais escandalosos: "Indicações Úteis para Apresentar Corretamente o Judaísmo", da Comissão para Relações com o Judaísmo, presidida pelo cardeal Willebrands60, pode-se ler que os católicos e os judeus, "ainda que partindo de pontos de vista diferentes [ler:opostos], tendem para fins análogos [sic], a vinda ou o retorno [é a mesma coisa!] do Messias". É textualmente o pensamento de von Balthasar, que, como Hegel, encontra o modo de conciliar todos os opostos, fazendo violência à realidade dos fatos:

"Pedro, o renegado, abandona o julgamento do Senhor e se solidariza [sic] com os judeus [que crucificaram Cristo] [...]; juntamente com vós, judeus, também nós, cristãos, esperamos a (re)vinda [sic] do Messias."61

O que é, então, o ecumenismo para von Balthasar? É a "integração no todo da Católica"52, a qual "Católica" não existe ainda e no momento é "somente uma promessa, uma esperança escatológica". Eis como Schönborn explica "a importância ecumênica" da "figura" de Maria em von Balthasar: "em Maria a Igreja aparece como a Igreja santa e imaculada, em quem a plena figura da Igreja, sua 'catolicidade', é não somente promessa, esperança escatológica, mas antes plenitude já realizada".Então, contrariamente à Fé constante e infalível da Igreja, repetida por Pio XI em Mortalium Animos, e contrariamente ao dogma que todo e qualquer católico tem o dever de professar (Credo Ecclesiam unam, sanctam, catholicam), a catolicidade da Igreja não é uma realidade, realizada há dois mil anos, mas uma realidade que ainda está por se realizar, uma simples "promessa, uma esperança escatológica". E o que é, então, a atual Igreja Católica para von Balthasar? Um "sistema" entre outros, uma das numerosas "configurações eclesiais", teses ou antíteses (consoante ela recusa ou é recusada), que será ultrapassada e aniquilada na "Católica", como as seitas, as religiões pagãs e idólatras e os diversos "marxismos".

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O teólogo favorito de João Paulo II - URS VON BALTHASAR, O PAI DA APOSTASIA ECUMÊNICA



Depois do Concílio - Missa na Alemanha
Depois do Concílio - Missa no Brasil 

Chegou a vez de outro representante da "nova teologia", hoje exaltado como "pedra angular da Igreja" (J. Meinvielle), o ex-jesuítasuícoUrs von Balthasar. Se Maurice Blondel encarna o tipo do filósofo modernista e apologeta, se Henri de Lubac é o tipo do teólogo modernista, UrsvonBalthasar encarna o aspecto pseudomístico e ecumenista do modernismo.

Temos em mãos a obra Urs von Balthasar ? Figura e Opera1, de Karl Lehmann e Walter Kasper, personalidades da "nova teologia". Lemos na orelha do livro: "escrito por seus amigos e discípulos [Henrici, Haas, Lustiger, Roten, Greiner, Treitler, Löaser, Antonio Sicari, Ildefonso Murillo, Dumont, O´Donnel, Guido Sommavilla, Rino Fisichella, Max Shönborn... e Ratzinger], pretende fazer redescobrir toda a importância e o valor de sua obra e de sua pessoa". Descubramo-lo também nós; é de extrema importância.

"Brilhante,  mas Vazio"

Von Balthasar foi apaixonado, desde a juventude, pela música e, como Montini, pela literatura, mais do que pelos estudos filosóficos e teológicos2. Somente a filosofia "mística" de Plotino teve o poder de fasciná-lo. Ao contrário, a filosofia e a teologia escolástica suscitaram seu horror:

"Todos os meus estudos durante os anos de formação na Ordem dos Jesuítas foram uma luta enfurecida com a desolação da teologia, com o que os homens tinham feito da glória da Revelação; não podia suportar essa figura da palavra de Deus, queria aplicar golpes à direita e à esquerda com a fúria de um Sansão, queria, com sua força, derrubar o templo e nele me enterrar. mas isso era, agora que a missão começava, querer impor meus planos, era viver com minha indignação infinita porque as coisas ficavam assim. Tudo isto eu não dizia praticamente a ninguém. Przywara compreendia tudo, mesmo sem palavras; dos demais ninguém me poderia compreender. Escrevi o "Apocalypse" com essa fúria que se propunha destruir o mundo pela violência e reconstruí-lo a partir das fundações, custasse o que custasse"3

A "missão" do futuro demolidor se esboçava. Pelo momento, o resultado foi que seus estudos na Companhia de Jesus terminaram pela "dupla licença eclesiástica em filosofia e teologia; Balthasar nunca obteve doutorado nessas matérias"4.

Em compensação, porém, o jovem von Balthasar aprendera a correr atrás dos sistemas e tendências agitadas do pensamento moderno, encorajado pelos "grandes animadores da época de seus estudos"5. Erich Przywara, da Universidade de Pullach-Munique, que o forçou a "confrontar Agostinho e Tomás com Hegel, Scheler e Heidegger"6, e Henri de Lubac, da Maison d´études de Lyon Fourvières. "Por sorte e para minha consolação", escreve vonBalthasar, "Henri de Lubac morava na casa conosco. Foi ele que, além do material de estudo escolástico, nos levou aos Padres da Igreja e com magnanimidade nos emprestava a nós todos [Balthasar, Daniélou e Bouillard] seus próprios estudos e notas."7 Foi assim que von Balthasar, "durante as aulas, com os ouvidos tapados com algodão, leu todo [Santo] Agostinho" e aprendeu, pelas notas generosamente emprestadas por De Lubac, a opor, com afetação, a patrística à escolástica, cuja linguagem rigorosa não permitia os jogos interpretativos com textos dos Padres da Igreja a que se entregavam os "novos teólogos"8. Ao mesmo tempo, vonBalthasar conhecia a poesia francesa: Péguy, Bernanos, Claudel, na tradução dos quais ele trabalhará durante vinte e cinco anos.

No fim de seus estudos, aquele que, segundo De Lubac, seria "o homem mais dotado de nosso século" (outro sistema dos modernistas consiste em criar, uns para os outros, um halo de grandeza inexistente9), leva consigo somente uma poeira, tão vasta quanto superficial, nos domínios que testemunham um verdadeiro diletantismo. O Pe. Labourdette O.P., numa tirada significativa, definiu um dos primeiros artigos de vonBalthasar como "uma página brilhante, mas vazia"10.

Com esse "defeito de origem", von Balthasar estava pronto para engrossar o número dos eclesiásticos modernistas, "que, sob as aparências de amor à Igreja, absolutamente deficientes em filosofia e teologia sérias, impregnados, ao contrário, até os miolos, de um veneno de erro recebido dos adversários da fé católica, se colocam, sem nenhuma modéstia, como renovadores da Igreja"[ 11.

Privado de sólida formação filosófica e teológica, admirador apaixonado da poesia e da música, von Balthasar misturará, com inacreditável superficialidade, a teologia e a literatura, acreditando poder criar uma teologia "dele" com a mesma imaginação com que um artista cria sua obra de arte.

"Somente mais tarde", escreve ele, "quando o brilho da vocação já me acompanhava havia vários anos e quando eu tinha terminado meus estudos filosóficos em Pullach (acompanhado de longe por Erich Przywara) e os quatro anos de teologia em Lyon (inspirados por Henri de Lubac) com meus condiscípulos Daniélou, Varillon, Bouillard e muitos outros, compreendi como seria de grande ajuda para a concepção de minha teologia o conhecimento de Goethe, Hölderin, Nietzsche, Hofmannsthal e, sobretudo, dos Padres da Igreja, para os quais me dirigiu De Lubac. O postulado fundamental de minha obra Gloria foi a capacidade de ver uma 'Gestalt' [forma complexa] na sua coerente totalidade: a visão goethiana devia ser aplicada ao fenômeno de Jesus (sic) e à convergência das teologias neotestamentárias"12

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

QUAL A DIFERENÇA ENTRE FÉ E SENTIMENTO RELIGIOSO?



A natureza não pode elevar-se sozinha; o sentimento religioso puramente natural não pode, de modo algum, levar o homem a Deus nem tirá-lo do pecado.

Esse sentimento nada vê; nada quer, nada pode contra o pecado. O sentimento religioso quando permanece em estado natural, é indiferente em matéria de religião. O sentimento religioso se acomoda a tudo, se arranja com tudo, se presta a tudo e não se entrega a nada.

- A Fé esclarece o espírito e o despoja do erro; levanta o homem caído, recoloca-o no caminho de Deus: a Fé põe as bases da obra da salvação, encaminha o homem para o bem.

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QUAL A DIFERENÇA ENTRE FÉ E SENTIMENTO RELIGIOSO?





A senhora leu com atenção minha carta anterior e pede-me para que eu a ajude a compreender bem a diferença que há entre Fé e sentimento religioso. A tarefa será fácil, desejo que meu trabalho lhe seja útil.

Lembre-se das breves palavras do Pe. Lacordaire: A Fé é a Fé.

O sentimento é assim o respeito que temos, como criaturas, por nosso Pai que está no Céu e que, unicamente porque a nós criou, olha-nos como filhos, dá-nos o pão de cada dia, a luz de seu sol, os frutos da terra, a vida, a saúde, e mil outros bens igualmente da ordem natural.

O sentimento religioso, sendo natural ao homem, encontra-se em todos os homens fiéis ou infiéis; pois todos têm esse fundo comum de respeito a Deus, que algumas vezes se traduz por um ato religioso fundado sobre a verdade, como entre os cristãos; outras vezes por um ato religioso manchado de erros como entre os infiéis, os idólatras, etc..

Entre os povos, há alguns cujo sentimento religioso é naturalmente muito profundo, por exemplo, os árabes.

Um árabe não faltará à prece da manhã, à do meio dia e à da noite. Ao escutar o muezzin gritar do alto do minarete a fórmula sagrada: La Allah, etc., imediatamente ele se põe a rezar, esteja na companhia de quem quer que seja, no lugar que for, no meio de uma praça ou no trabalho; quando chega a hora, ele reza. Por este mesmo sentimento religioso, o árabe relaciona tudo à vontade de Deus; os acidentes da vida, a saúde, a doença, mesmo a morte, ele relaciona com Deus e em todas as circunstâncias ele repete: Deus é grande!

Eis o sentimento religioso em todo seu poder.

Mas lembre-se que nossa natureza decaiu com Adão, e uma natureza decaída só pode ter um sofrimento religioso também abatido pela decadência. A natureza não pode elevar-se sozinha; o sentimento religioso puramente natural não pode, de modo algum, levar o homem a Deus nem tirá-lo do pecado.

Com toda a religiosidade natural, este mesmo árabe conservará todos os vícios que, infelizmente, são-lhe também naturais: ele será vaidoso, mentiroso, ladrão; praticará, por exemplo, a hospitalidade, mas sabendo por onde seu hóspede vai passar, mandará alguém para assaltá-lo, ou irá ele mesmo fazer ao longe o que não faria estando em sua tenda. Por este traço característico a senhora poderá reconhecer o sentimento natural; este sentimento nada vê; nada quer, nada pode contra o pecado. O sentimento religioso quando permanece em estado natural, é indiferente em matéria de religião. O sentimento religioso se acomoda a tudo, se arranja com tudo, se presta a tudo e não se entrega a nada. Perdão, pode até entregar-se à maçonaria, ao menos quando os maçons reconhecem o Grande Arquiteto, como dizem.

Tendo mostrado o primeiro quadro, chego ao segundo.

- A Fé não é um sentimento, a Fé não é da ordem natural.

- A Fé é um assentimento de nosso espírito à verdade revelada por Deus. É um bem que não deriva de nossa natureza, mas lhe é dado para curá-la.

- A Fé é essencialmente purificante. Fidepurificans corda – Purificando, pela Fé, os corações(At. 15,9).

- A Fé esclarece o espírito e o despoja do erro; levanta o homem caído, recoloca-o no caminho de Deus: a Fé põe as bases da obra da salvação, encaminha o homem para o bem.

- A Fé é essencialmente fortificante. Confortusfide, diz São Paulo (Rom. 4,20). E ainda, Fidestas:se estás em pé, é pela Fé (id. 11,20).

- A Fé é vivificante: o justo vive da Fé, diz São Paulo (Gal. 3,11)

- Se o sentimento religioso nos deixa frios em relação a Nosso senhor Jesus Cristo, já não é assim com a Fé; pela Fé, Nosso Senhor Jesus Cristo se torna presente, vivo em nossos corações: Christumhabitare per fidem in cordibusvestris – Cristo habite pela Fé em vossos corações. (Ef. 3,17).

- A Fé é o princípio de um mundo novo, regenerado em Jesus Cristo Nosso Senhor; a Fé é a luz que anuncia os esplendores da eternidade onde veremos Deus; a Fé é a mãe da santa Esperança e da divina Caridade.

- A Fé é, sobre a terra, a fonte pura de todas as verdadeiras consolações. É ainda São Paulo quem nos diz: Simulconsolari per eamquaeinvicem est, fidemvestramatquemeam - Consolemo-nos juntos na Fé que nos é comum, a vós e a mim (Rom. 1,12).

Quando se fala da Fé, São Paulo é um mestre incomparável. Dele é que tomo uma última palavra para terminar esta carta: Salutaeosqui nos amant in fide - Saudai os que nos amam na Fé.

Digamos juntos: Credo.


Cartas sobre a Fé Pe. Emmanuel-André.


Papa São Pio X - Profeta da Grande Guerra



Cem anos atrás, il Guerrone - São Pio X prevê, meses antes, a eclosão da Primeira Guerra Mundial


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Para colocar de uma forma simples: a I Guerra Mundial começou quando Yanushkyevitch, com a ajuda do ministro russo da Guerra, Sukhomlinov, transformou o conflito armado austro-sérvio em uma guerra mundial preparando, portanto, para a vinda do comunismo e da "propagação dos erros da Rússia" em todo o mundo.

É isso, talvez, este pensamento que São Pio X tinha em mente quando, em 28 de julho de 1914, o embaixador austríaco apareceu diante de Pio X para informá-lo que o Império tinha formalmente declarado guerra contra o Reino da Sérvia. Durante esta reunião, o embaixador pediu ao Papa para abençoar as armas do exército imperial e real da Áustria e Hungria. A isso Pio X respondeu: "Diga ao Imperador que eu não posso abençoar nem a guerra, nem aqueles que desejaram a guerra. Eu abençôo a paz". Quando o embaixador então seguiu com um pedido de bênção pessoal para o imperador, Franz Josef, o Papa afirmou: "Eu só posso rezar para que Deus possa perdoá-lo. O Imperador deve considerar-se sortudo por não receber a maldição do Vigário de Cristo!".

Qual teria sido o resultado de uma bênção papal ou de uma maldição papal nunca se saberá. O que está claro, porém, é que o Papa São Pio X percebeu o que imperador Franz Josef e a maioria dos generais europeus parecem ter se esquecido, pela declaração de guerra contra a Sérvia, o monarca Habsburgo havia soltado os cachorros de uma luta longa e assassina que iria nivelar tudo o que sua dinastia tinha construído ao longo de cerca de 700 anos.



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Papa São Pio X - Profeta da Grande Guerra


Por Dr. Peter E. Chojnowski
Traduzido por Andrea Patrícia



O Papa São Pio X, Giuseppe Melchior Sarto, parou diante da gruta de Lourdes, durante seu passeio nos jardins do Vaticano, na primavera do ano de 1914. Virou-se para Dom Bressan, seu confessor, e disse: "Eu estou pesaroso pelo próximo Papa. Eu não vou viver para ver isso, mas, infelizmente, é verdade que a religio depopulata está chegando muito em breve. Religio depopulata". O termo "religião despovoada", refere-se a profecia vinda do irlandês São Malaquias, e deveria ser aplicada ao reinado do sucessor no trono de São Pedro do próprio Pio X. Que São Pio X poderia prever o despovoamento da Europa, especialmente na medida em que essa tragédia iria afetar a Igreja Católica é realmente uma das características mais marcantes da relação entre este papa e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Muitos geo-políticos e estrategistas observadores de alto nível poderiam claramente vislumbrar algum tipo de briga entre duas ou mais das seis grandes potências da Europa (ou seja, Rússia, Grã-Bretanha, França, Áustria-Hungria, Itália e Alemanha), ninguém previu a queda da civilização cristã tradicional, exceto o Papa São Pio X. Mesmo seu próprio secretário de Estado e confidente íntimo, o anglo-espanhol Cardeal Merry del Val, ficava perdido ao tentar explicar a insistência do Papa de que o que ele previu não era guerra justa e sangue, mas a perda da Casa Comum Europeia; uma perda que explicita as dores para a Igreja Católica e a miséria e perda para a preponderância da humanidade.

Uma situação muito semelhante, envolvendo uma visão do Papa em um acontecimento geopolítico futuro, ocorreu durante sua audiência com a futura imperatriz austríaca Zita, no verão de 1911. A Princesa Zita da casa real franco-italiana de Bourbon-Parma acabara de se tornar noiva do futuro herdeiro do trono imperial austríaco, o arquiduque Charles. Charles, em 1911, era o segundo na linha sucessória do trono de seu tio-avô Franz Josef que reinou sobre o Império multi-nacional da Áustria desde 1848. O Papa, que, juntamente com o Cardeal Merry del Val foi um grande defensor da tradição européia dos Habsburgos, parabenizou a princesa por suas próximas núpcias. No final de uma conversa que começou com: "Eu estou muito feliz com esse casamento e eu espero muito dele para o futuro... Charles é um dom do Céu pelo que a Áustria fez para a Igreja", o Papa parecia vagar seu pensamento quando ele se referiu ao futuro marido de Zita como o herdeiro do trono. Quando a jovem princesa apontou gentilmente que seu futuro marido não era o herdeiro direto do trono, vindo primeiro seu tio, o predestinado Franz Ferdinand, São Pio X olhou sério e insistiu que Charles em breve seria imperador. Quando ela garantiu que Franz Ferdinand certamente não abdicaria dado o fato de que ele estava no auge da vida, o Papa parecia perturbado e ponderadamente disse em voz baixa: "Se é uma abdicação... Eu não sei".

Que o Papa São Pio X deve ter tido pressentimentos precisos sobre os dois grandes acontecimentos do ano de 1914, anos antes que esses eventos realmente de fato tenham ocorrido, é simplesmente fantástico e uma manifestação de sua intimidade com o Divino e sua preocupação paterna com as vidas diárias dos fiéis Europeus. O que essas ideias também revelam é o claro reconhecimento do Papa do fato primário europeu de seu tempo, que Áustria Habsburgo era a pedra angular da Europa. Para mover o edifício, era preciso cavar e remover a pedra. A Primeira Guerra Mundial ou a Grande Guerra foi simplesmente a erradicação desta pedra. Foi uma guerra em que o coração político da cristandade católica foi destruído, aparentemente para sempre.

Éssa é a nossa tese, que a Áustria foi a razão para a Grande Guerra e que o resultado mais tangível do conflito foi o desmembramento do Império. Além disso, em artigos posteriores sobre os papas e a sua relação com o Grande Conflito, vou tentar mostrar como o destino da Áustria tem muito a ver com sua ligação com o Papado e como, nos anos mais críticos de 1917-1918, a política da Áustria estava em pleno acordo com os objectivos do Papa Bento XV. Que o fracasso da Áustria-Hungria marcou a exclusão da voz dos papas dos conselhos da Europa moderna, simplesmente confirma o fato de que, historicamente falando, o prestígio e a influência do altar e do trono têm aumentado e diminuído em conjunto.




A) Europa Pré-1914: A Torre Orgulhosa

Quando olhamos para a Europa de 1914, somos forçados a admitir um fato incontestável: funcionava. Com isso, quero dizer que existia uma sociedade, sustentada pelas mesmas instituições que tinham-na amparado por mais de um milênio (por exemplo, a aldeia rural, a Igreja, as dinastias reais, as aristocracias transnacionais). Esta sociedade estava confiante em si mesma, testemunhando a colonização européia do mundo este ano. Suas taxas de natalidade eram muito altas; seus reis eram venerados e, mesmo, amados. A indústria, mesmo na Rússia agrária, foi se expandindo a uma taxa desconhecida na anterior história da humanidade.


Por que, em um mundo em que as luzes estavam finalmente brilhando, elas tão de repente se apagaram? Estou, é claro, referindo-me aqui a famosa declaração de Sir Edward Grey, secretário britânico das Relações Exteriores em 1914 e, ironicamente, um dos homens mais responsáveis ​​pelo início do conflito sangrento, no qual ele comentou sobre as luzes de Whitehall gradualmente sendo extintas à noite, em agosto de 1914, quando o Império Britânico e o Império Alemão foram à guerra. "As luzes estão se apagando por toda a Europa; não vamos vê-las acesas novamente em nossa vida".

Como pode ser que as luzes da "Torre Orgulhosa", como Barbara Tuchman nomeou seu livro sobre a Europa pré-guerra, tenham ido embora? Como é possível que uma civilização que estava melhor alimentada, alojada melhor que qualquer outra no passado, uma de alfabetização quase universal --- foi afirmado por alguns historiadores contemporâneos que há mais analfabetismo na Inglaterra hoje do que em 1914 - uma civilização em que as normas da cultura e do debate parlamentar eram tão altas que, na década de 1890, em Berlim, havia até um mercado negro de ingressos para as galerias públicas do Parlamento alemão, caiu no esquecimento devido ao auto-abate?

Aqui, pode-se dar fatos históricos e opiniões sobre bastidores da diplomacia, os níveis de tropas, o estado das estradas de ferro, e postura geopolítica, no entanto, estas coisas somente eram apenas manifestações de uma desorientação mais fundamental na vida européia, aquela que São Pio X identificou em sua encíclica inaugural E Supremi Apostolatus em 4 de outubro de 1903. Aqui, o Papa, falando de sua própria época, diz: "como se poderia esperar encontramos extinto entre a maioria dos homens todo o respeito ao Deus Eterno, e nenhuma consideração prestada nas manifestações da vida pública e privada à Suprema Vontade."

É isso, talvez, este pensamento que São Pio X tinha em mente quando, em 28 de julho de 1914, o embaixador austríaco apareceu diante de Pio X para informá-lo que o Império tinha formalmente declarado guerra contra o Reino da Sérvia. Durante esta reunião, o embaixador pediu ao Papa para abençoar as armas do exército imperial e real da Áustria e Hungria. A isso Pio X respondeu: "Diga ao Imperador que eu não posso abençoar nem a guerra, nem aqueles que desejaram a guerra. Eu abençôo a paz". Quando o embaixador então seguiu com um pedido de bênção pessoal para o imperador, Franz Josef, o Papa afirmou: "Eu só posso rezar para que Deus possa perdoá-lo. O Imperador deve considerar-se sortudo por não receber a maldição do Vigário de Cristo!".

Qual teria sido o resultado de uma bênção papal ou de uma maldição papal nunca se saberá. O que está claro, porém, é que o Papa São Pio X percebeu o que imperador Franz Josef e a maioria dos generais europeus parecem ter se esquecido, pela declaração de guerra contra a Sérvia, o monarca Habsburgo havia soltado os cachorros de uma luta longa e assassina que iria nivelar tudo o que sua dinastia tinha construído ao longo de cerca de 700 anos.

Qual era exatamente a situação europeia, que deu a São Pio X tal preocupação em 1914? Como a "guerra de curta duração" que todos planejaram, tornar-se-ia a Grande Guerra, que pouquíssimos, exceto o Papa, previram? Para entender a situação europeia, de um modo geral, tal como existia em 1914, deve-se focalizar a atenção sobre duas outras datas, a da Revolução Francesa de 1789 e a da derrota de Napoleão e da restauração do sistema monárquico em 1815. A Revolução Francesa, um ressurgimento de entusiasmo por duas formas antigas de governo, o da república e o da democracia, havia aterrorizado a grande massa de europeus - e americanos - por sua violência, sua estúpida derrubada de antigas instituições, e sua impiedade anticlerical e hostilidade a tudo o que era cristão. Esta aberração política guiada pela inveja teria sido sufocada em 1795, por uma multidão monarquista em Paris, que estava reagindo à guerra, à fome incessante, e ao anticatolicismo da regicida Primeira República, se um corso jovem de origem italiana, Napoleão Bonaparte, não tivesse usado uma metralha sobre a multidão em busca de justiça. Esta intervenção salvou a República, a herança da Revolução, e criou as condições necessárias para espalhar esse fervor Revolucionário em toda a Europa.

Foi exatamente isso que aconteceu quando Napoleão Bonaparte institucionalizou a Revolução no Primeiro Império. Fazendo a si mesmo Jacobino coroado, Napoleão tentou trazer a revolta maçônica para toda a Europa, de Lisboa a Moscou. Ele não conseguiu, após uma geração de guerra devido à vitória do Almirante Nelson na Batalha de Trafalgar e da sua derrota para o Duque de Wellington na Batalha de Waterloo em 1815. Após o Congresso de Viena, as potências europeias da Rússia, Prússia (que viria a se tornar líder do Segundo Reich alemão), Áustria, Grã-Bretanha, e a França monarquicamente reabilitada, estabeleceram-se em uma um tanto tensa e relativamente estável ordem política de impérios multi-nacionais unidos pela lealdade a um monarca e pelo desejo comum de evitar outro surto da barbárie que foi experimentado durante a Revolução Francesa. Por, aproximadamente, 100 anos este sistema foi a Ordem Europeia, apesar de sentimentos democráticos e revoltas, do republicanismo francês e seitas maçônicas sempre agindo como células cancerosas prontas para matar o corpo dessa Ordem.

Foi em participação especial que a Grande Ordem Europeia se viu entrar na incerteza do século XX. Este Sistema firmemente interligado tinha uma especial preocupação e ponto de instabilidade: o Império Otomano, a Turquia, o "Homem Doente da Europa". Os turcos Osmanli, uma tribo turco-tártara islâmica fora da Ásia Central, no início do Renascimento começaram a empurrar os gregos bizantinos para fora da Ásia Menor e, finalmente, cruzaram pela Europa, onde subjugaram os búlgaros, sérvios, gregos e bósnios. O ponto alto do avanço islâmico turco foi em 1683 às portas de Viena, onde o rei polonês Jan Sobieski os parou. A partir de então houve uma retirada lenta e agonizante em toda a Península Balcânica, até o século XIX, quando os otomanos perderam a soberania sobre a Sérvia, Grécia e Romênia. Durante a Guerra dos Bálcãs de 1912-1913, as propriedades europeias do sultão foram reduzidas à Trácia Oriental ou às propriedades que a Turquia tem até hoje. Devido à mistura étnica e religiosa desta área, e a vulnerabilidade dos pequenos reinos, que, como rochas marítimas, surgiram com a recessão do dilúvio islâmico, a instabilidade crônica, que caracterizou a região, teve que ser "resolvida" pelos impérios multinacionais da Áustria ou da Rússia.

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