sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

PODE UM PAPA CAIR EM CISMA?



DESTAQUE

Vários deles insinuam, mesmo, que a posição verdadeira seria aquela que mais se opõe à boa doutrina. Em face de pedidos para esclarecer tais dúvidas e eliminar tais ambiguidades, o Papa vem-se calando há bem mais de ano. Pergunta-se aos teólogos tradicionais: tal silêncio não envolve renúncia à obrigação de ensinar, e portanto cisma? Não é verdade que o ensino há de ser claro, objetivo e definido, sob pena de não ser verdadeiro ensino?

11)  Insista-se em que o mais grave é que a indefinição papal sobre ambiguidades de tal tamanho se mantém, apesar dos numerosos, reiterados e respeitosos pedidos, vindos de todo o orbe, para que tais dúvidas sejam eliminadas. Em seus breves pronunciamentos diários, o Papa faz, cá e lá, declarações que pareceriam resolver uma ou outra dessas questões, mas logo em seguida apresenta afirmações em sentidos diversos, que restauram, renovam e agravam as dúvidas anteriores. Objetivamente tudo se passa como se se tratasse de modo de agir sistemático.


 *** * ***



─ “Ide, pois, ensinai todas as gentes,
batizando-as em nome do Pai,
e 
do Filho, e do Espírito Santo”.
─ “Pedro, eu roguei por ti,
para que a tua fé não desfaleça;
e tu, 
confirma teus irmãos na fé”.




5-2-2015                                                                                  Arnaldo Xavier da Silveira
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Onde está o Papa está a Igreja

1)  Segundo Santo Tomás de Aquino, “a heresia e o cisma se distinguem por aquilo a que essencial e diretamente se opõem. A heresia se opõe essencialmente à fé; ao passo que o cisma, à unidade da caridade eclesiástica”. E Santo Tomás cita São Jerônimo: “Julgo haver entre o cisma e a heresia a diferença seguinte: a heresia professa dogmas perversos, ao passo que o cisma separa da Igreja”. E, concluindo: “não há cisma que não venha acompanhado de alguma heresia, para parecer que o cismático se separou, com razão, da Igreja”([1]).  É princípio corrente na doutrina católica que onde está o Papa está a Igreja. Assim, pareceria à primeira vista impossível que um Papa caísse em cisma, porque ele não poderia romper consigo mesmo; nem com a Igreja, porque desta ele é a Cabeça visível, Vigário de Nosso Senhor.

2)  No entanto, os grandes e prestigiosos teólogos da idade de prata da Escolástica (séculos XV a XVII) admitiram largamente a hipótese de um Papa cismático, explicando que é em princípio possível, ou pelo menos a teologia não aponta como impossível, a ruptura do Pontífice com a Igreja. O Papa que chegasse a tal ruptura deixaria de estar na Igreja, e a Igreja nele.

3)  Os exemplos dados pela doutrina falam por si, num primeiro momento até melhor do que os argumentos dogmáticos. Seria cismático o Papa que pretendesse subverter toda a liturgia de origem apostólica. Seria cismático o Papa que, no exercício do cargo, cuidasse sobretudo dos interesses materiais seus e de sua família, abandonando ou negligenciando gravemente as questões da Igreja. E o que excomungasse toda a Igreja. Assim discorrem sobre a matéria alguns dos maiores teólogos daquele período:
3.a – O Cardeal Torquemada (1388-1468), tio do inquisidor do mesmo nome, e uma das primeiras e principais figuras da idade de prata da escolástica, escreveu que o Papa pode tornar-se cismático “ordenando o que é contrário ao direito natural ou divino”. 
3.b – O mesmo Cardeal Torquemada escreve que o Papa será cismático “se não observar aquilo que foi, pelos concílios universais ou pela autoridade da Sé Apostólica, ordenado universalmente, sobretudo quanto ao culto divino”.
3.c – Assim se exprime o Cardeal Caietano (1469–1534), grande figura da ordem dominicana: “O Papa poderia romper a comunhão renunciando a comportar-se como chefe espiritual da Igreja, decidindo, por exemplo, agir como mero príncipe temporal.”
3.d – Ainda o Cardeal Caietano: “A Igreja está no Papa quando este se comporta como Papa, isto é, como Cabeça da Igreja; mas caso ele não quisesse agir como Cabeça da Igreja, nem a Igreja estaria nele, nem ele na Igreja”.
3.e – Francisco Suárez (1548–1617), um dos maiores teólogos da Companhia de Jesus, ensina: “o Papa poderia ser cismático caso não quisesse ter, com todo o corpo da Igreja, a união e a conjunção devida, como seria se tentasse excomungar toda a Igreja, ou se quisesse subverter todas as cerimônias eclesiásticas fundadas em tradição apostólica”.

4)  Foram sobretudo os pujantes movimentos de fervor e ortodoxia já anteriores ao Concílio de Trento (1545-1563) e que a ele se seguiram em reação contra o protestantismo, e foram os escândalos causados por Papas daqueles tempos, que deram ocasião aos estudos dos grandes autores do período sobre a possibilidade de um Papa cismático e sobre o que daí adviria. Os doutores e comentaristas posteriores estudaram a matéria sempre de modo sérioe atento, mas pouco ou quase nada a desenvolveram.  


Aprofundando a noção do Papa cismático

5)  Os princípios básicos sobre a possibilidade teológica de um Papa cismático vêm expostos sinteticamente em nosso estudo sobre “A Hipótese Teológica de um Papa Herege”([2]). Cumpre no entanto, no momento atual, aprofundar tais princípios. Para isso, permitimo-nos formular, em sede teórica, uma pergunta aos teólogos especialistas na matéria: não é verdade que seria cismático o Papa que abrisse mão de pelo menos uma das prerrogativas essenciais de seu cargo? Como não pretendemos aqui apresentar uma monografia acadêmica a respeito, suscitamos a questão em termos genéricos, na esperança de que especialistas de boa cepa tragam fundamentação histórico-teológica nova, válida para o enriquecimento dessa delicada doutrina.

6)  Vejamos os termos exatos em que o problema se põe. Nas funções do Papa como vigário de Cristo, há faculdades, direitos, prerrogativas, que não são da essência do cargo. Que o Pontífice seja senhor temporal em determinados territórios, por exemplo,  é conveniente, mas não é essencial a sua função vigária de Nosso Senhor. Que todos os bispos sejam nomeados pessoalmente pelo Papa é norma salutar, mas não se trata de prerrogativa essencial ao Sumo Pontífice. Outras obrigações, entretanto, são da essência do Papado, como custodiar o depósito revelado, ensinar a boa doutrina, buscar a conversão de todos os povos, confirmar seus irmãos na fé.

7)  Assim, põe-se o problema: não seria cismático o Papa que efetivamente abrisse mão de alguma dessas obrigações essenciais de seu cargo? Se, por exemplo, deixasse de batalhar pela conversão dos não católicos? Ou se abrisse mão, em princípio, de ensinar? Ou se se recusassea aceitar a conversão de não católicos à Santa Igreja?


Um caso concreto de nossos dias

8)  Um exemplo atual contribui para a devida intelecção do assunto. Em setembro e outubro de 2013 foram publicadas entrevistas do Papa Francisco, respectivamente naCiviltà Cattolica e no jornal romano La Repubblica, nas quais o Pontífice exprimiu dúvidas e usou de fórmulas ambíguas que chocaram o mundo católico. Não foram ali abordados apenas pontos livres e secundários da doutrina católica, mas algumas questões relativas a teorias e fatos absolutamente fundamentais à fé e aos bons costumes.

9)  Eis alguns desses textos ambíguos ([3]):
a. “Nesse procurar e encontrar a Deus em todas as coisas fica sempre uma zona de incerteza. Deve ser assim. Se uma pessoa diz que encontrou a Deus com certeza total e nisso não aflora uma margem de incerteza, então as coisas não vão bem. Para mim, essa é uma chave importante”.
b. “Cada  um de nós tem sua visão do bem e também do mal; devemos incitar cada qual a proceder segundo o que ele pensa ser o bem”.
c.  “Deus é maior do que o pecado”.
d. “Durante o voo de retorno do Rio de Janeiro, eu disse que se uma pessoa homossexual tem boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-la”.
e. “Não podemos insistir apenas nas questões ligadas ao aborto, ao matrimônio homossexual e ao uso dos métodos contraceptivos. Isso não é possível”.
f.  “Uma pastoral missionária não tem obsessão pela transmissão desarticulada de uma multidão de doutrinas a serem impostas com insistência”.
g.  “O proselitismo é um solene disparate, não tem sentido”.

10)  Ora, tais modos de falar lançam um véu de dúvida e ambiguidade sobre princípios e fatos de todo em todo essenciais da fé e da moral. Vários deles insinuam, mesmo, que a posição verdadeira seria aquela que mais se opõe à boa doutrina. Em face de pedidos para esclarecer tais dúvidas e eliminar tais ambiguidades, o Papa vem-se calando há bem mais de ano. Pergunta-se aos teólogos tradicionais: tal silêncio não envolve renúncia à obrigação de ensinar, e portanto cisma? Não é verdade que o ensino há de ser claro, objetivo e definido, sob pena de não ser verdadeiro ensino?

11)  Insista-se em que o mais grave é que a indefinição papal sobre ambiguidades de tal tamanho se mantém, apesar dos numerosos, reiterados e respeitosos pedidos, vindos de todo o orbe, para que tais dúvidas sejam eliminadas. Em seus breves pronunciamentos diários, o Papa faz, cá e lá, declarações que pareceriam resolver uma ou outra dessas questões, mas logo em seguida apresenta afirmações em sentidos diversos, que restauram, renovam e agravam as dúvidas anteriores. Objetivamente tudo se passa como se se tratasse de modo de agir sistemático.

12)  O que acaba de ser dito sobre as duas entrevistas jornalísticas de 2013 vale igualmente para outras questões suscitadas com frequência em declarações papais, como sua proclamação de que há marxistas de boa vontade; como sua condenação escorregadia do regime capitalista sem qualquer matiz, e sem uma proscrição do socialismo; como sua afirmação de que as mulheres não podem ser irresponsáveis a ponto de ter filhos qual coelhas; e como seu comportamento pelo menos omisso, quando não favorável, às tese heterodoxas do Cardeal Kasper, por ocasião do Sínodosobre a família, que abalou os fundamentos da indissolubilidade do matrimônio e da qualificação do homossexualismo como pecado gravíssimo, que brada aos Céus e clama a Deus por  vingança.


Alguns esclarecimentos fundamentais

13)  Não se pretendendo, nestas linhas, apresentar um tratado sobre a hipótese teológica de um Papa cismático, não há lugar aqui para observações sistemáticas mais cuidadosas, mas alguns esclarecimentos básicos se impõem:
a)  Os grandes doutrinadores raramente afirmam em termos positivos e seguros que o Papa possa ser herege, mas o conjunto de seus escritos mostra que na Revelação não consta a impossibilidade de queda de um Papa em heresia. Isso vale também para a hipótese do Papa cismático, de modo a tornar-se em verdade impossível declarar que, segundo os grandes teólogos  que estudaram a matéria, um Papa não possa cair em cisma.
b)  Os grandes autores em geral consideram apenas a possibilidade de heresia de um Papa “como pessoa privada”. A tese contrária, da possibilidade de heresia no exercício oficial de sua função, todavia, aflora cá e lá na tradição, e com ênfase, baseada em fortes e mesmo inafastáveis argumentos de razão teológica. Do mesmo modo, o Papa eventualmente cismático não o será apenas “como pessoa privada”, tanto mais quanto, nessa matéria específica, sua ruptura com a Igreja dificilmente poderia dar-se no âmbito meramente particular.
c)  As presentes considerações sobre a doutrina do Papa cismático poderiam dar a algum leitor desavisado a impressão de que, em assim sendo, vários Papas, na história da Igreja, teriam perdido o cargo  por caírem em cisma. Ora, essa ideia seria errônea já nos seus pressupostos, porque, à semelhança do Papa herege, o cismático não perderia seu cargo ipso facto e de imediato. Com efeito, São Roberto Bellarmino, com muitos outros autores de peso, mostra que a perda do pontificado pelo herege só ocorre quando a defecção do Papa na fé se torna “manifesta”( [4] ). Ora, o mesmo se dá com o Papa cismático, e por análogas razões.  No estado presente dos debates teológicos sobre essa questão específica, entendemos que seria aberrante do fluxo geral do pensamento ortodoxo, e seria mesmo irresponsável, pretender que a perda efetiva do Papado, no caso de heresia como no de cisma, se daria ipso facto e de imediato. Hoje, somente algumas correntes sedevacantistas defendem essa perda imediata( [5] ).

                                                                                  
Ensino ambíguo não é verdadeiro ensino

14)  Repita-se a pergunta que aqui dirigimos aos doutores: o descumprimento de uma obrigação essencial ao Papado, como seria a recusa sistemática de exercer um Magistério claro e unívoco sobre dúvidas e ambiguidades do porte indicado, não revelaria que um Papa, pertinaz nessa matéria, estaria renunciando a sua obrigação de ensinar, merecendo, então, a censura teológica de cismático?

15)  Que Nossa Senhora ampare Sua Igreja.


([1])  Sum.Th., II-II, q. 39, a. 1, ad 3.
([2])In“Considerações sobre o ‘Ordo Missae” de Paulo VI”, edição mimeografada, S.Paulo/Brasil, 1970. ─ “La Nouvelle Messe de Paul VI: Qu’en Penser?”, Diffusion de la Pensée Française, Chiré-en-Montreuil, França, 1975.
([3])  Nos artigos “Grave Lapso Teológico do Pe. Federico Lombardi” e “Entrevista papal retirada do site vaticano”, publicados neste site, analisamos com alguns pormenores esses e outros textos papais.
([4])Ver “La Nouvelle Messe ...”, parte II, cap. VII. 
([5])Ver “La Nouvelle Messe ...”, parte II, cap. VII; ver também nosso artigo “Surpreendente condenação pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé”, neste site. 

sábado, 31 de janeiro de 2015

Militares da VENEZUELA fogem para os EUA. O barco vai afundar? – “Nas forças armadas há medo, raiva…”



DESTAQUE

Não é só no Brasil que a credibilidade no governo despenca a olhos vistos. Na Venezuela, após as estrondosas denuncias do Capitão Salazar, principal guarda costas de Hugo Chaves e do líder do governo no Congresso, a sociedade está cada vez mais inquieta. Maria Corina tem dado declarações com frequência contra a violência perpetrada pela polícia, que é cada vez mais arbitrária na repressão às manifestações. O governo, que dá sinais que se prepara para um combate, assinou essa semana nova norma que autoriza o uso de munição letal em manifestações.

Chama a atenção o fato da maioria dos desertores serem membros da segurança presidencial, o que indica que, sendo militares e profundos conhecedores dos hábitos e negociatas de membros do governo, devem ter abandonado o barco por achar que pode “afundar” a qualquer momento e, obviamente, eles não desejam ser arrolados entre aqueles que apoiam o chavismo.


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Não é só no Brasil que a credibilidade no governo despenca a olhos vistos. Na Venezuela, após as estrondosas denuncias do Capitão Salazar, principal guarda costas de Hugo Chaves e do líder do governo no Congresso, a sociedade está cada vez mais inquieta. Maria Corina tem dado declarações com frequência contra a violência perpetrada pela polícia, que é cada vez mais arbitrária na repressão às manifestações.  O governo, que dá sinais que se prepara para um combate, assinou essa semana nova norma que autoriza o uso de munição letal em manifestações.
O general Angel Vivas publicou um ultimato para que o governo renuncie. O general convoca os patriotas para “pegar em armas” e enfrentar o governo nesse final de semana. Vivas dirigiu também uma mensagem aos dirigentes políticos, instando-os para que “abandonem seus interesses pessoais e venham a unir-se em demora a luta patriótica, que também é sua, lutando para salvar a pátria.” 


Chama a atenção o fato da maioria dos desertores serem membros da segurança presidencial, o que indica que, sendo militares e profundos conhecedores dos hábitos e negociatas de membros do governo, devem ter abandonado o barco por achar que pode “afundar” a qualquer momento e, obviamente, eles não desejam ser arrolados entre aqueles que apoiam o chavismo.
Carlos Ramirez Lopez, um conhecido advogado venezuelano, emitiu comunicado informando que oito militares do primeiro escalão da segurança presidencial de Nicolás Maduro desertaram.  Disse ainda que os mesmos estão nos EUA bem protegidos.
O advogado disse ainda que “Quando soube-se da deserção do capitão Salazar ocorreu uma intensa pesquisa que detectou quais membros da segurança de maduro haviam fugido”. Vejam o nome de alguns dos militares:  “Tenente Cristian T. Rodriguez, o tenente-comandante Javier Rodriguez Marquez, o tenente-comandante Franklin Rodríguez Rodríguez, tenente Erick Morales Capitão Alexis Infante Uranga, Tenente Eusebio Martinez Reyes, comandante William Almea Guevara e tenente Alexis Coronado Patiño “.
Segundo o advogado, todos esses homens “são detentores de informações importantes que corroboram o que disse Leamsy Salazar”, e por isso também passam a ser protegidos nos EUA. Ramirez disse que a investigação está em trâmites finais e que logo deve ser divulgada para o mundo.
Leamsy Salazar denunciou nos EUA que o líder do Legislativo Venezuelano, Diosdado Cabello, capitão do Exército, está envolvido, junto com vários militares e o governo de CUBA, em operações de tráfico de drogas, inclusive com o uso de aeronaves do governo venezuelano.
Ramirez informou que existem outros oficiais militares que permanecem ainda na Venezuela que estão se opõem ao governo atual, mas ressaltou que não fornecerá seus nomes por questão de segurança. Segundo o advogado nas forças armadas da Venezuela há um clima de insatisfação generalizada.
“Nas forças armadas há de tudo, medo, raiva, desejo de sair, outros que querem fazer alguma coisa…”.


Fonte: Go Tropa News

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Nova organização mundial de católicos gays escreveu ao Sínodo



DESTAQUE

No documento enviado a Roma, os participantes do congresso escrevem que o matrimônio é uma realidade em constante mudança e defendem que o Sínodo apoie e abençoe os esforços dos católicos homossexuais “no sentido de estabelecer relações autênticas”.
O documento ainda sugere que a Igreja deveria abençoar os “casais constituídos por pessoas do mesmo sexo casadas civilmente, seguindo o exemplo de Jesus que nunca rejeitou ninguém que se aproximasse dele com um coração sincero”. Para estes católicos homossexuais, o Evangelho se resume “em uma palavra: amor”.
Confia que “a semente está lançada”, após escutar as palavras do Papa Francisco, domingo passado, durante a beatificação de Paulo VI.

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Um congresso fundador da nova Organização Mundial de Associações Gay Católicas (WOHCA) enviou uma carta ao Sínodo dos Bispos, contestando algumas ideias da doutrina tradicional da Igreja sobre a questão homossexual e pedindo uma “acolhida autêntica” das comunidades cristãs aos gays.


Fonte: http://goo.gl/p27cYC





A reportagem é de António Marujo, publicada por Religión Digital, 25-10-2014. A tradução é do Cepat.


O documento enviado a Roma – de fato, uma carta seguida de um documento doutrinário – pede que na Igreja não se faça “discriminação entre as pessoas, não marginalizando a ninguém, mas, sim, dando a cada um o que se pode dar, imitando a Deus Pai”.
O texto, que se preocupa em estender a mão à Igreja oficial e enfatizar os aspectos positivos da visão da doutrina católica sobre o fenômeno, começa dizendo que a homossexualidade “existe na história de todas as sociedades e culturas”. O documento não se limita a pedir acolhida, mas acrescenta: “Expressamos nosso desejo sincero, ardente e honesto, de amar e servir à Igreja de uma maneira mais concreta e ativa nos diversos ministérios leigos abertos a todos os membros do povo de Deus, de acordo com as nossas possibilidades”.

José Leote, do grupo português Rumos Novos, responsável pela organização do congresso, afirmou que é importante entender que os homossexuais “possuem experiências espirituais e religiosas tão dignas como as outras pessoas”.

No documento enviado a Roma, os participantes do congresso escrevem que o matrimônio é uma realidade em constante mudança e defendem que o Sínodo apoie e abençoe os esforços dos católicos homossexuais “no sentido de estabelecer relações autênticas”.



Pedindo uma atitude de respeito, compaixão e delicadeza, dizem que o Sínodo sobre a Família deveria incluir, em suas conclusões, “uma linguagem para a acolhida na misericórdia, como expressão de amor” e que haja “linhas pastorais” necessárias para a integração e acolhida dos homossexuais nas comunidades cristãs.

Fonte: http://goo.gl/p27cYC

O documento ainda sugere que a Igreja deveria abençoar os “casais constituídos por pessoas do mesmo sexo casadas civilmente, seguindo o exemplo de Jesus que nunca rejeitou ninguém que se aproximasse dele com um coração sincero”. Para estes católicos homossexuais, o Evangelho se resume “em uma palavra: amor”. Apesar de muitas vezes sofrerem “a dor da discriminação, da intolerância e da separação” em muitas comunidades, seu maior desejo é “construir pontes” dentro da Igreja.

José Leote descreve os diferentes estados de ânimo das duas semanas do Sínodo: “O relatório provisional mostrou a abertura, no sentido que o Papa pediu, de uma Igreja mais próxima de todas as pessoas. Ao final, viu-se que uma parte da hierarquia quer continuar com uma Igreja alfandegária da fé e não um hospital de campanha, com uma insistência no direito canônico, esquecendo que ‘o sábado foi feito para o homem’ e não ao contrário”. Entretanto, confia que “a semente está lançada”, após escutar as palavras do Papa Francisco, domingo passado, durante a beatificação de Paulo VI.

O congresso fundador da nova WOHCA ocorreu em Portimão (Algarve, sul de Portugal), coincidindo com o início doSínodo dos Bispos. Participaram quarenta representantes de associações de homossexuais católicos de oito países: Portugal, Espanha, Argentina, Brasil, Costa Rica, México, Peru e Estados Unidos.

Paralelamente ao Sínodo, um II Congresso acontecerá em Sevilha, em outubro de 2015, para debater e aprovar os estatutos da nova evangelização, após prepará-los durante os próximos meses.

Fonte: Unisinos

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O impacto da pornografia sobre os meninos — Um grande desafio da educação atual


DESTAQUE
Graças a este veneno, a ilusão e a culpa estão amolecendo o caráter de nossos meninos. Como dizia meu antigo diretor, “você não pode esculpir numa gelatina”. Meninos sempre tiveram dificuldades com motivação e atenção. A pornografia agrava esses problemas ao conduzir os garotos a um mundo turvo onde eles, apenas eles, estão no controle. A escola tenta ajudar os meninos a saírem de si. A pornografia puxa-os para dentro de si, e depois de um tempo, acorrenta-os para mantê-los ali, presos em si mesmos e separados do mundo que eles estão chamados a conhecer como homens de garra e sensibilidade.


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Por Sean Fitzpatrick


O diretor da escola onde estudei na minha adolescência era sempre muito reticente quanto à admissão de alunos que tinham sido expostos à pornografia.
Ele sabia que meninos que tinham contato com pornografia frequentemente tinham seu processo de educação prejudicado. Hoje sou diretor da mesma escola e estou cada vez mais convencido de que meu antigo diretor estava certo. A pornografia destrói a inocência própria de certos anos da vida do menino, um componente importante na sua educação – especialmente quando essa educação é fundamentada na pedagogia clássica do encanto, da imaginação e da satisfação. Além disso, estou cada vez mais convencido de que estou enfrentando uma crise que o meu antigo diretor não teve de enfrentar. Enquanto ele considerava a possibilidade de que algum menino talvez tivesse tido contato com pornografia, eu tenho de considerar a possibilidade de que todo menino já teve algum contato com pornografia.
A pornografia avançou muito nas últimas décadas. Há uma cena em um filme de Woody Allen da década de 70 em que ele examina e compra material pornográfico em uma banca de esquina. Ele é forçado a encarar as censuras de um balconista sem tato e o escrutínio de um cliente antipático. Esses dias já se foram. As revistas não ficam mais guardadas no topo das estantes. Já não é necessário fazer compras em público. Já não há mais evidências físicas. Tudo é anônimo, instantâneo e fácil. A grande disseminação da pornografia veio com os avanços da tecnologia da informação. Hoje temos a internet e, para muitos, internet é sinônimo de pornografia.
Não há dúvida de que desde o advento da internet a pornografia está amplamente mais acessível e mais difundida. Tornou-se uma tentação padrão, sistemática: um fato impregnado à vida das pessoas, especialmente à vida dos mais jovens – e, especificamente, à vida dos homens. Há inúmeras pesquisas que analisam o número de páginas de internet dedicadas à pornografia, seu poder viciante ou seu impacto nos relacionamentos, no corpo e no cérebro. Mas uma coisa é certa, mesmo sem dados científicos ou estudos acadêmicos: a pornografia da internet está prejudicando a vida e as mentes de possivelmente todos os meninos neste país, levantando obstáculos a sua capacidade para se tornarem virtuosos e sábios – em outras palavras, impedindo sua educação.
Supor que meninos em geral – e até mesmo meninos de boas famílias – não estão expostos a alguma forma de pornografia é ingenuidade. Em nossos dias, a presença da pornografia é um fato consumado. Ela tem sido amplamente difundida, de forma estratégica e insidiosa. A pornografia é inescapável, pois está imediatamente acessível. Está a apenas um clique de distância e, portanto, em todo lugar. Essa é a realidade que precisa ser encarada antes de ser combatida e a prudência requer que pais e educadores já levem em conta os efeitos da pornografia nos meninos de hoje. De forma intencional ou não, hoje em dia é difícil imaginar que a maioria dos meninos – senão todos – não tenha encontrado material pornográfico e não tenha se tornado vítima de suas mentiras.
Como qualquer mentira, a pornografia é inimiga da verdade e portanto inimiga de uma educação autêntica. A pornografia impede que o menino aceite e aprecie a educação pois cria uma barreira à imaginação ao entorpecer a capacidade de admiração e contemplação. Sem essa capacidade, a educação é, na melhor das hipóteses, manca. Sócrates ensinou que a capacidade de contemplar é o princípio da sabedoria, o pré-requisito para a educação. A pornografia fere a habilidade de contemplar por meio do desnudamento descarado de uma das fontes mais sagradas de admiração. Torna os garotos indiferentes à beleza, subtraindo dos meninos sua inocência por meio da eliminação dos mistérios do coração, prejudicando gravemente sua capacidade de sentir prazer e veneração pelo belo. Espíritos que perderam a sensibilidade não são maleáveis à formação. O cinismo logo se desenvolve como uma defesa. Os meninos finalmente são derrotados pela apatia em um mundo que não mais os encanta. A fantasia – ou a blasfêmia – do simulacro produzido pela pornografia traz consigo a perda do desejo pela realidade, fundamento de toda a educação. A educação por meio da exposição à realidade é uma ferramenta particularmente poderosa para educar meninos, já que os meninos são normalmente muito sensoriais e ativos. A experiência do mundo e seus mistérios é a arena da imaginação e da contemplação. A pornografia erradica o mistério e, sem mistério, os meninos perdem sua habilidade de admirar e, por conseguinte, de alcançar a sabedoria – principal finalidade da educação.
Evidentemente, a pornografia afeta garotos e homens com enorme força devido à particular fraqueza masculina para estímulos sexuais visuais. Mas, além disso, a pornografia também distorce o impulso masculino de exercer controle, transformando-a em um vício. A pornografia cria um falso mundo de supremacia masculina, distorcendo a balança da verdade – de atividade e passividade – que a educação introduz e fomenta. Homens têm uma natural predisposição para proteger a mulher, mas a pornografia introduz um elemento de violação da dignidade da mulher – quase um estupro – que destrói o senso do garoto de uma identidade essencial da masculinidade. Essas perversões no auto-conhecimento inibem o conhecimento das coisas do mundo exterior. Garotos aprendem bem por meio da experiência pessoal e, se essa experiência está deturpada, as demais experiências também sofrerão uma deturpação. Além disso, o senso hipertrofiado de domínio e manipulação que a pornografia cria pode provocar um bloqueio instintivo para a recepção de verdades supremas e sólidas. A realidade não pode ser escravizada como uma fantasia. Como consequência, a realidade é rejeitada tão logo se instala o gosto pela ilusão pornográfica.
O veneno da pornografia pode ser descrito como a mistura de um paradigma anti-masculino e uma propaganda anti-feminina. Graças a este veneno, a ilusão e a culpa estão amolecendo o caráter de nossos meninos. Como dizia meu antigo diretor, “você não pode esculpir numa gelatina”. Meninos sempre tiveram dificuldades com motivação e atenção. A pornografia agrava esses problemas ao conduzir os garotos a um mundo turvo onde eles, apenas eles, estão no controle. A escola tenta ajudar os meninos a saírem de si. A pornografia puxa-os para dentro de si, e depois de um tempo, acorrenta-os para mantê-los ali, presos em si mesmos e separados do mundo que eles estão chamados a conhecer como homens de garra e sensibilidade.
A pornografia retrata as mulheres como objetos sexuais descartáveis, distanciando os meninos da ideia de permanência. A educação, por outro lado, versa sobre coisas permanentes, eternas. Tudo aquilo que afasta de realidades transcendentes impede o trabalho da educação. Sem os mistérios da beleza e do amor intactos, surgem obstáculos graves para a educação, onde toda a atração é fruto do mistério e do desejo. A pornografia, e o acesso à pornografia, solapa os domínios mais sagrados da mente jovem e pode transformar qualquer objeto belo em algo dúbio e sujo, indigno de ser considerado seriamente, respeitado, admirado e venerado.
A pornografia mata a imaginação e o sentido do sagrado, tornando a educação algo ainda mais difícil do que já é, especialmente para os meninos. Os meninos buscam um sentido, especialmente na educação. Os danos e a insensibilidade causados pela pornografia impedem que meninos encontrem um caminho para fora da caverna das sombras, para fora de uma realidade virtual, para um mundo que Deus fez bom: um mundo cheio de sentido, repleto dos mistérios da beleza onde Ele pode ser encontrado e dar a verdadeira satisfação.
(Texto publicado em 31/10/2014 na revista Crisis Magazine.)
Retirado de: Igreja Hoje
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