domingo, 6 de julho de 2014

Tradicionalista: Um católico autêntico, mas de segunda categoria, diz TV Aparecida


DESTAQUE

Padre Pedro toma como conclusão inicial que é menos preocupante ter filho ateu do que ter um filho que participe da missa tridentina, pois se participa da missa antiga, é um fundamentalista.
Obs: Esse vídeo deixa claro  porque suas missas são com “alegria”. 


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Tradicionalista: Um católico autêntico, mas de segunda categoria, diz TV Aparecida


Por Renato Aquino





No dia 26 de Junho de 2014, o programa “Em Frente”, da rede Aparecida recebeu a ligação de uma telespectadora, Vânia Bonatto. A telespectadora após cumprimentar os apresentadores fez uma pergunta ao padre Pedro Cunha, integrante do programa, e recebeu uma resposta simplesmente lamentável.
A seguir você lerá o dialogo realizado na emissora com grifos nossos e com notas em negrito azul escuro.
Padre Pedro, eu tenho uma duvida muito grande. – Eu tenho um filho e ele era extremamente religioso católico, ministro da palavra, de repente meu filho desvirtuou. Quer dizer, ele fala para mim: “Mãe, eu sou católico e continuo sendo verdadeiramente católico”, só que ele virou aquele católico antes do concílio Vaticano II, aquele tradicional. "Ummm, sei”.
Que eles vão numa capela, porque lá não tem igreja, eles vão numa capela que o padre celebra de costas para o povo, né!? minha nora de véu e só de saia. E, eles falam muito em mosteiro. Ele não perdia uma missa na rede Vida e na (TV) Aparecida, todos os dias, e era assíduo, e hoje está assim. E, eu estou muito triste. Ele me fala: ‘mãe, eu rezo o santo rosário todos os dias, eu sou católico e eu levo a fundo minha religião’, mas eu não concordo e não sei se estou errada ou não.
Até o momento, como é evidente, a telespectadora não apontou que seu filho seja sedevacantista, apostasta ou herético, apenas apontou um “modo de viver a fé” que ela não concorda – por ignorância – que ele pertença. Neste caso, o pedido da telespectadora era para esclarecer se seu filho era católico, pois sua ignorância e preconceito dizia justamente o contrário.
O padre Pedro pediu para que o apresentador Rodolfo Ferraz, um claro adepto da Teologia da Libertação (corrente condenada pelo Papa João Paulo II) ,  respondesse a telespectadora. Entretanto dá uma breve introdução: Trata-se de Igreja Católica, trata-se de fiel católico autêntico, mas a gente tem um reacionismo (nisso), não tem não!? Rodolfo dá uma risada e é interrompido por Denise Procópio, uma das apresentadoras do programa, que deseja colocar uma situação que para ela é parecida:
Deixa eu só colocar uma coisinha antes, eu tenho um e-mail aqui em mãos que até ia fazer uma leitura (apresentar como pauta a duvida), só que é a mesma colocação, só que (neste caso) a mãe diz que o menino se diz ateu. Posso ler? Porque se aí você quiser, você já faz um combinado…
Então, é apresentado o drama de uma mãe que quer reascender a fé em seu filho… Rodolfo pergunta ao pe. Pedro: O senhor gostaria de dar uma palavrinha e depois eu falo?
Olha,  com referência a esse jovem eu não tenho nenhuma preocupação, eu estou muito mais preocupado com a primeira questão do que com a segunda. E pode-se dizer assim: Nossa padre, pelo amor de Deus. ‘A pessoa é católica e está vivendo profundamente sua fé’. Gente, o fundamentalismo religioso é tão perigoso ou até mais perigoso que o ateísmo. Por quê? Porque o fundamentalismo religioso pode levar você a fazer loucuras. (como a história comprova, diz Rodolfo) exatamente. 
Sobre o adolescente: Ele está vivendo a fase dele. Sabe o que a senhora tem que fazer? Não precisa discutir, nem convencê-lo de nada. A senhora tem que ser uma excelente católica, uma excelente cristã para que ele receba o evangelho vivo, não o evangelho falado, não o evangelho lido. Se ele receber isso, fique tranquila que quando ele crescer um pouquinho mais, que a coisa apertar, ele vai dizer ‘aí meu Deus.’ É igual aquelas pessoas que eram católicas e se tornam evangélicas, que não querem saber de Nossa Senhora, mas quando dão um tropeção, a primeira coisa que faz é: Aí minha nossa Senhora. Né!? Agora vamos voltar a aquele caso porque eu acho que é importante, concluí o padre.
Padre Pedro toma como conclusão inicial que é menos preocupante ter filho ateu do que ter um filho que participe da missa tridentina, pois se participa da missa antiga, é um fundamentalista.
Rodolfo: Então, de fato, eu compartilho da preocupação do padre porque há muitos grupos hoje com viés fundamentalistas,e, eu não estou, e sei que o padre também não, dizendo que é o caso deste grupo que seu filho pertence, mas o que aconteceu? Há uns anos atrás (2007), o Papa Bento XVI autorizou que aquelas comunidades bem formadas para isso e que quisessem celebrar no rito antigo, que chamamos o rito do concílio de Trento, pudessem fazê-lo. Por uma sensibilidade do Papa de respeitar aquelas comunidades que gostariam de manter essa maneira de rezar.

O que aconteceu foi uma proliferação que é o contrário ao que o próprio Papa Bento XVI quis.


Opa, não é isso que Bento XVI diz na Summorum Pontificum  (documento que liberou a missa antiga). Bento XVI é enfático que << é lícito celebrar o Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano, promulgada por João XXIII em 1962 e nunca ab-rogada>> Rodolfo pega Artigo terceiro do documento, que fala a respeito de como as comunidades religiosas podem viver isso, e diz que é o desejo do Papa que somente tal grupo tenha acesso. Totalmente falso, pois diz o artigo 2: 
“Nas Missas celebradas sem o povo, todo o sacerdote católico de rito latino, tanto secular como religioso, pode utilizar seja o Missal Romano editado pelo Papa  João XXIII em 1962 seja o Missal Romano promulgado pelo Papa  Paulo VI em 1970, e fazê-lo todos os dias à excepção do Tríduo Pascal. Para tal celebração segundo um ou outro Missal, o sacerdote não necessita de qualquer autorização da Sé Apostólica nem do seu Ordinário.”
Tudo o que vai alem dessas palavras é acréscimo do senhor Rodolfo.
A pergunta veio calhar porque ontem ainda (25/06) o Papa Francisco  recebeu um grupo de religioso (leia-se Franciscanos da Imaculada) que só querem rezar a missa assim e o Papa os recebeu para os dizer: ‘Não, mesmo que a Igreja com Bento XVI tenha autorizado, eu quero que vocês peçam autorização porque oficialmente o rito da missa é aquela do Paulo VI, do concílio Vaticano II, da igreja povo de Deus em que todo mundo participa’. Então, há uma volta a esse tipo de movimento que é perigosíssimo e que não é pela liturgia ou porque esse grupo foi formado por muitas pessoas antigas no latim ou que gostariam, como o Papa quis, respeitar, continuar rezando assim.
É o tradicionalismo pelo tradicionalismo. Pra fazer afronta a nossa maneira de ser Igreja hoje, como se estivesse errado participar com o povo participando, com o padre voltado para o povo. Então, infelizmente não fica só na celebração da liturgia, mas em toda uma mentalidade que acompanha e que critica o concílio Vaticano II, que é o espírito no qual a Igreja vive, e está celebrando as graças desse concílio 50 anos depois.
Opa, como dito anteriormente, o filho da telespectadora apenas participa de missas na forma extraordinária, não foi dito nada a respeito de criticas ao missal de Paulo VI que não é uma obra do concílio em si, mas concomitante ao concilio.

 Agora vem a parte mais desastrosa da conversa: padre Pedro prova por A+B que não sabe sequer o que é uma missa.

Pe. Pedro Cunha toma a palavra:
Olha, olha Rodolfo, eu sei que tem um telefonema aguardando, mas eu queria dizer uma coisa como padre: Eu sou padre há 25 anos, você já foi as minhas missas, Denise já foi há muitas missas minhas e eu celebro com alegria, eu celebro com gosto, celebro com entusiasmo, mas eu celebro com o povo, com a participação deles, com a vida deles e eu não celebro missa para mim.

E, e eu sinceramente eu não consigo me imaginar eu dar as costas a um povo e rezar uma missa, como? De que jeito e que de modo? De que forma eu vou fazer isso? Pelo amor de Deus. É o povo de Deus que está ali. Eu sou a presença de Jesus Cristo para aquele povo, então eu tenho que abraçar aquele povo, estar com ele, cantar com ele, sorrir com ele, falar com eles e rezar com eles, porque é povo de Deus, não sou eu sozinho.

Ele parte do pressuposto de que o povo não tem “participação” na missa de Pio V, pobrezinho, confunde a santa missa com um showzinho. Claro que o povo “interage” no missal de Pio V, mas se não interagisse, não muda nada. Acredite padre Pedro, ninguém acorda cedo aos domingos para assistir seus numerozinhos, nem para ver seu belo rosto, pois o centro da missa é Cristo, não o padre Pedro Cunha, nem o povo. A missa que o centro é o dialogo entre o povo e o sacerdote é uma invenção de Lutero.



Sobre o sacerdote estar de costas para o povo: Querido sacerdote, como podes dizer uma besteira dessas? A missa é o sacrifício de Cristo em favor do povo, não para o povo. O padre celebra in persona Christi para Deus pai.
A missa é portanto o sacrifício de Cristo dirigido a Deus pai em favor do povo de Deus, entende a diferença? Alias, pe. Pedro, já que gosta tanto de  atitudes do Papa,  porque não disserta um pouco a respeito do Papa Francisco celebrar “de costas” (adotando sua linguagem) para o povo?
Não sabeis que essa posição está no missal de Paulo VI? Alias, usais o missal em suas missas ou só vai com pompons para ajudar na alegria, gosto e entusiasmo?
Já que a questão é o novo caminhar da Igreja, poderia nos mostrar onde tem no missal as atitudes do vídeo abaixo?  


Obs: Esse vídeo deixa claro  porque suas missas são com “alegria”. 
Outra coisa que eu tenho muito medo, é de se esconder de um modo, parece, eu estou julgando, talvez seja um pecado meu, né!? E acho que estou julgando mesmo, mas as vezes eu tenho a impressão que algumas pessoas dessas escondem e utilizam isso como uma espécie de cortina, de véu mesmo, para esconder outras coisas, né!? E, não é por conta disso – quem sou eu para dizer isso, viu!? – é uma percepção que eu tenho, mas eu tenho a impressão de que  é como se dissesse assim:  É, eu faço assim para que ninguém perceba de fato quem eu sou.
Logo, missas com arremesso de bola, como o vídeo acima, mostram o mais profundo do padre Pedro. 
Rodolfo retoma a palavra e diz:
Então, né padre!? Como eu dizia, a liturgia não é só o rito, e toda uma mentalidade, aqueles gestos, aqueles movimentos, aqueles cerimoniais, é uma mentalidade para vida. Veja o que ela (a telespectadora) diz: Que o filho largou a comunidade que ele servia como ministro da palavra, que a esposa do filho agora só pode usar saia e fica de véu na liturgia, provavelmente a igreja separada, de um lado só os homens do outro só as mulheres, ou seja, vai contra o espirito do concílio e não foi isso que o Papa Bento XVI quis ao autorizar a celebração da missa de Trento.
Mais uma mentira. O missal de Paulo VI não é obra do concílio. O missal de Paulo VI foi criado no mesmo período, mas é obra de Paulo VI , não do concílio, pois a sacrosanctum concilium (documento do Vaticano II que fala sobre a liturgia) não mandou hora alguma que se fizesse um novo missal!

Fonte: Fidespress

sábado, 5 de julho de 2014

Casamento homossexual é ‘sacramento luciferino’, diz porta-voz do “Templo Satânico” nos EUA








Luis Dufaur
         

Sempre que o povo americano tentar conter o aborto ou manter leis do casamento tradicional, os seguidores de Satanás estarão lá para se opor — prometeu o porta-voz nacional do Templo Satânico. Esse grupo ganhou notoriedade pela tentativa de realizar uma “Missa Negra” na Universidade de Harvard, a qual foi repelida pelos estudantes católicos. Segundo seu porta-voz, Lucien Greaves, as restrições ao aborto violam as crenças religiosas satânicas, e o “casamento” homossexual é um “sacramento” da religião diabólica.

“Uma das coisas com a qual fortemente nos importamos é o direito dos homossexuais”, disse Greaves. “Para nós, o casamento [homossexual] é um sacramento. Nós o reconhecemos e achamos que o Estado deveria reconhecê-lo por motivos de liberdade religiosa” — acrescentou.
Em sentido contrário, Adam Cassandra, gerente de comunicações da Human Life International, disse à imprensa que essa postura do Templo Satânico “confirma a posição de muitos no movimento pela vida, de que  os ataques à vida humana inocente e à família são demoníacos em sua origem”. E completou: “Mesmo que advoguem por ‘justiça’ e ‘direitos’, eles se identificam com aquele que tem sido a fonte de todos os males e os enganos ao longo da história humana”.
Defensores da vida vinham notando que, em suas manifestações públicas, alguns progressistas liberais invocavam forças demoníacas em seus esforços de lobby por esse ou aquele projeto. Em julho de 2013, um grupo de apoiadores do aborto gritava “Ave Satã!”, enquanto cristãos pró-vida cantavam “Amazing Grace” na Assembleia do Texas, antes de ser aprovada a  lei proibindo os abortos após 20 semanas nesse estado.
“Este lance do Templo Satânico torna simplesmente mais forte o argumento de que há alguma tramoia ou mal por detrás do ataque mundial à vida por nascer e ao casamento”, disse Cassandra ao LifeSiteNews.
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( * ) Luis Dufaur é escritor e colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)


Fonte: Abim

quinta-feira, 3 de julho de 2014

EM QUE CONSISTE A FELICIDADE CELESTE?


DESTAQUE

‘Qualquer um que deseje algo, não goza nem se alegra nem descansa enquanto não o obtém. E nas coisas temporais ocorre que se apetece o que não se tem, e o que se possui se despreza e produz tédio; mas não é assim nas coisas espirituais. Pelo contrário, quem ama a Deus o possui, e por isso o ânimo de quem O ama e O deseja n’Ele descansa’.


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EM QUE CONSISTE A FELICIDADE CELESTE?


Segundo Pe. Royo Marín, O.P., para que um objeto seja a causa de alegria e felicidade perfeita para o homem, ele deve resumir em si quatro condições essenciais: ser o bem supremo que não entre em confronto com outro maior; excluir toda e qualquer mescla de mal; saciar por completo todas as aspirações do coração humano; e, por último, ser estável, ou seja, que uma vez obtido não possa ser perdido. Segundo este moralista, tais requisitos não são cumpridos por nenhum dos seres criados, sejam eles dinheiro, fama, glória, beleza, etc.; essa tese é confirmada taxativamente pela Santa Mãe Igreja (CCE 1723): “a verdadeira alegria não está nas riquezas ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo o bem e de todo amor“.

O Pe. Royo Marín dá as razões: as riquezas, por exemplo, além de fomentarem progressivamente o desejo de mais fortunas, não excluem certos infortúnios como enfermidades e mortes, e podem ser perdidas por qualquer eventualidade. Similarmente, as honras, a fama e o poder são instáveis, pois cessam após a morte. Quem, por exemplo, se lembra hoje das personalidades que encheram os jornais de há um século?


Como ensina, pois, Santo Agostinho, só a posse de Deus pode proporcionar ao homem a máxima felicidade. Todavia, sendo Deus infinito, como poderia o homem obter a Deus? Esta resposta, a dá, de forma magistral, o Doutor Angélico: [A caridade] produz no homem a perfeita alegria. Com efeito, ninguém tem verdadeiro gáudio se não vive na caridade. Porque qualquer um que deseje algo, não goza nem se alegra nem descansa enquanto não o obtém. E nas coisas temporais ocorre que se apetece o que não se tem, e o que se possui se despreza e produz tédio; mas não é assim nas coisas espirituais. Pelo contrário, quem ama a Deus o possui, e por isso o ânimo de quem O ama e O deseja n’Ele descansa. (ANDRIA, Pedro de. Los mandamientos comentados por Santo Tomas de Aquino. 2. ed. Mexico: Tradición, 1981, p. 12: “[La caridad] produce en el hombre la perfecta alegría. En efecto, nadie posee en verdad el gozo si no vive en la caridad. Porque cualquiera que desea algo, no goza ni se alegra ni descansa mientras no lo obtenga. Y en las cosas temporales ocurre que se apetece lo que no se tiene, y lo que se posee se desprecia y produce tedio; pero no es así en las cosas espirituales. Por el contrario, quien ama a Dios lo posee, y por lo mismo el ánimo de quien lo ama y lo desea en El descansa”)

EM QUE CONSISTE A VERDADEIRA LIBERDADE?























É grande erro, crer que a faculdade ou poder de pecar pertença à essência da liberdade. Pelo contrário, essa defectibilidade da liberdade humana que lhe põe nas mãos o triste privilégio de poder pecar, é um grande defeito e imperfeição da mesma liberdade, que afeta unicamente às criaturas defectíveis [...]. A faculdade de poder pecar não é liberdade, mas sim depravação, libertinagem e, em definitivo, triste e vergonhosa escravidão. (Es un gran error, en efecto, creer que la facultad o poder de pecar pertenezca a la esencia de la libertad. Al contrario, esa defectibilidad de la libertad humana que le pone en las manos el triste privilegio de poder pecar, es un gran defecto e imperfección de la misma libertad, sino depravación, libertinaje y, en definitiva, triste y vergonzosa esclavitud” (ROYO MARIN, Antonio. Jesucristo y la vida cristiana. Madrid: BAC, 1961. p. 16)7.


Onde se encontra então esta liberdade extremamente procurada?

A liberdade consiste em que o homem siga aquele primeiro impulso que o incita invariavelmente para o bem. De acordo com o ensinamento de Leão XIII, em sua encíclica Libertas praestantissimum: Tal é a lei natural, a mais eminente de todas, escrita e gravada no coração de cada ser humano, pois a própria razão humana ordena fazer o bem e proíbe pecar. Mas esta prescrição da razão humana só pode ter força de lei porque é voz e intérprete de uma razão mais elevada, à qual se devem submeter nosso espírito e nossa liberdade (D 3247). A dignidade do homem exige que ele proceda segundo a própria consciência e por livre adesão [...] O homem atinge essa dignidade quando, libertando-se das escravidões das paixões, tende para o fim pela livre escolha do bem e procura a sério e com diligente iniciativa os meios convenientes (VS 42). Assim sendo, o homem verdadeiramente livre não é aquele que faz tudo quanto lhe passa pela cabeça, inclusive o mal, mas é o homem que aceita o seu primeiro impulso bom, o segue sempre e não admite embaraços que venham tolher este impulso.

Muitos padres para poucos, poucos padres para muitos. O insucesso das dioceses brasileiras


DESTAQUE


Minha diocese vem enfrentando um processo de secularização intenso, com conselhos de leigos comandando a vida paroquial e tomando, com a devida anuência episcopal, diversas funções reservadas aos ordenados. Tudo por aqui se resolve com planos e conselhos, de forma burocrática. Não por acaso a eficiência da diocese é semelhante ao de uma repartição pública.

Várias dioceses perceberam que a Tradição não deve ser evitada ou ridicularizada. Na França, por exemplo, onde a crise vocacional nas dioceses é imensa e onde o movimento tradicional tem a sua maior força, alguns bispos abriram as portas dos seminários ao rito tradicional. Em Lião o cardeal Barbarin já permite que os seus seminaristas aprendam a rezar a missa antiga. A diocese de Fréjus-Toulon abriga o maior seminário da França em números totais de seminaristas e desde a posse de Dom Dominque Rey como bispo se permite que os seminaristas aprendam o rito antigo e, ainda mais, escolham a forma da ordenação - no rito moderno ou tradicional. Inclusive Dom Rey fundou uma sociedade sacerdotal (Missionários da Divina Misericórdia) voltada para o rito antigo.

A abertura à tradição não acontece exclusivamente no ambiente religioso das fraternidades ou institutos. Algumas dioceses, com bispos realmente comprometidos com a causa da fé, também realizam experiências bem sucedidas nesse campo. Tomemos, por exemplo, Ciudaddel Este, que só este mês recebeu mais de uma dezena de novos seminaristas. Há ainda o seminário de Guadalajara, o maior do mundo, com mais de 1200 seminaristas. As duas casas de formação apostaram na abertura generosa à tradição católica e agora colhem os frutos. Já escrevemos sobre elas aqui.


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Muitos padres para poucos, poucos padres para muitos. O insucesso das dioceses brasileiras


Três diáconos da FSSP sendo ordenados ao sacerdócio - junho/2014



Chegamos ao final do mês de junho, um mês que dentro do calendário católico é marcado tradicionalmente por ordenações. Chegamos ao final do mês e minha diocese não terá o que comemorar, pois o número de novos padres é zero.

Minha diocese é um espelho daquela diocese típica do Brasil. Conta com mais de 1 milhão de pessoas, sendo aproximadamente 600 mil católicos. São 15 cidades, 66 paróquias e quase-paróquias e apenas 60 padres diocesanos, alguns deles já aposentados. Se não fosse pelo clero religioso, com 49 padres de 11 congregações/institutos, muitas paróquias estariam sem padres.

O grande número de padres religiosos se deve ao passado recente da diocese que, imediatamente depois do Concílio Vaticano II, viu seu seminário diocesano vazio. Não estou falando de uma diminuição de vocações, mas de uma verdadeira extinção em massa de seminaristas por aqui, que durou praticamente 10 anos. Dois ou três seminaristas, na década de 70, foram enviados à São Paulo para o período formativo. E retornaram para a diocese como bastiões da Teologia da Libertação, diga-se de passagem.

A década perdida na igreja diocesana é um sintoma do fracasso da teologia liberal e que nos marca até hoje. Queria poder dizer que essa página já foi virada e superada na nossa história, mas ela ainda persiste.


Ordenados na FSSPX (EUA)

Meu bispo diocesano goza de 9 anos à frente da diocese. Nesses nove anos ele ordenou 8 padres e um dos neo-sacerdotes abandonou o sacerdócio para se casar antes do primeiro aniversário de ordenação. Em termos numéricos, naquela função primordial que é própria do bispo diocesano, que é dar à comunidade de fiéis pastores, meu bispo fracassa, a diocese fracassa categoricamente.

Corremos o risco de outra década perdida em termos vocacionais. O seminário diocesano conta, hoje, com cinco seminaristas na etapa inicial (propedêutico), doze cursando filosofia e nove cursando teologia. Temos três seminários funcionando e consumindo recursos para apenas 26 seminaristas, sendo que a maioria nem será ordenada. Este ano, como em 2008 ou 2011, não teremos novos sacerdotes.

Meu bispo é contrário a tudo - absolutamente tudo - que cheira a tradição. Missa tradicional? Nem pensar! Inclusive ameaça padres que manifestam alguma vontade em celebrá-la, ainda que remotamente. Sem dúvida é uma pena que, como bispo, se comporte de forma tão intolerante, porque se desse espaço para a Tradição tenho certeza que seus três seminários poderiam estar em situação muito diferente da atual.

Mons. Schneider com mais sacerdotes ordenados para a FSSP


Enquanto 600 mil católicos não conseguem ter pelo menos um neossacerdote por ano, muitas comunidades tradicionais mostram seu vigor com inúmeras vocações. Os números até o momento:

Fraternidade São Pedro - 10 sacerdotes
Fraternidade São Pio X - 20 sacerdotes
Cônegos de São João Câncio - 3 sacerdotes (biritualistas)
Cônegos do Instituto Cristo Rei - 5 sacerdotes (número ainda não oficialmente confirmado, a ordenação se dará em agosto)

Com as ordenações deste ano a Fraternidade de São Pio X atinge +600 sacerdotes, a Fraternidade São Pedro chega a 420. Certamente todas as comunidades listadas acima não atendem a um universo de 600 mil almas. Seu apostolado é muito mais restrito, porém é espiritualmente eficiente.

Ordenação em Econe (Suíça)


Meu bispo, como vários outros bispos brasileiros, não percebe ou não quer perceber que o caminho trilhado até agora é infrutífero. Sobretudo o orgulho é a grande trave nos olhos de muitos mitrados.

Minha diocese vem enfrentando um processo de secularização intenso, com conselhos de leigos comandando a vida paroquial e tomando, com a devida anuência episcopal, diversas funções reservadas aos ordenados. Tudo por aqui se resolve com planos e conselhos, de forma burocrática. Não por acaso a eficiência da diocese é semelhante ao de uma repartição pública.

O ápice da secularização foi, em 2008, um processo de revisão "ampla" orientado por um leigo contratado ($) especialmente para prestar consultoria. O resultado da revisão foi festejado pelo bispo na forma de mais um plano de pastoral (o 6º!) que diz praticamente a mesma coisa que os outros cinco planos anteriores. O 6º Plano de Pastoral é alardeado como a maior conquista deste episcopado, sendo considerado uma verdadeira panaceia para todos os males pastorais que essa igreja particular enfrenta.

Neo-sacerdotes da FSSP, ordenados em Roma
por Mons. Guido Pozzo


Por outro lado, os membros das Fraternidades de São Pedro e São Pio X não parecem apostar na burocracia, nos planos pastorais, como ponto de partida. Jesus não disse "Ide e fazei Planos Pastorais", mas pediu que seus apóstolos fizessem discípulos. É na missão, na conversão pessoal que as comunidades tradicionais focam seu apostolado e conseguem tantos frutos espirituais, apesar do seu tamanho e da perseguição dentro da própria igreja. Seguir o Evangelho é o melhor plano pastoral possível e somente uma diocese esvaziada da sua essência cristã pode focar tanto em papel, conselhos, comissões, etc.


Experiências também nas dioceses 

A abertura à tradição não acontece exclusivamente no ambiente religioso das fraternidades ou institutos. Algumas dioceses, com bispos realmente comprometidos com a causa da fé, também realizam experiências bem sucedidas nesse campo. Tomemos, por exemplo, Ciudaddel Este, que só este mês recebeu mais de uma dezena de novos seminaristas. Há ainda o seminário de Guadalajara, o maior do mundo, com mais de 1200 seminaristas. As duas casas de formação apostaram na abertura generosa à tradição católica e agora colhem os frutos. 
Já escrevemos sobre elas aqui.

Novos seminaristas de Ciudaddel Este. O reitor do seminário ao centro
depois de rezar a missa tradicional e dar a tonsura aos novos seminaristas



Várias dioceses perceberam que a Tradição não deve ser evitada ou ridicularizada. Na França, por exemplo, onde a crise vocacional nas dioceses é imensa e onde o movimento tradicional tem a sua maior força, alguns bispos abriram as portas dos seminários ao rito tradicional. Em Lião o cardeal Barbarin já permite que os seus seminaristas aprendam a rezar a missa antiga. A diocese de Fréjus-Toulon abriga o maior seminário da França em números totais de seminaristas e desde a posse de Dom Dominque Rey como bispo se permite que os seminaristas aprendam o rito antigo e, ainda mais, escolham a forma da ordenação - no rito moderno ou tradicional. Inclusive Dom Rey fundou uma sociedade sacerdotal (Missionários da Divina Misericórdia) voltada para o rito antigo.

Dom Dominque Rey, bispo de Fréjus-Toulon, com dois
novos sacerdotes ordenados no rito tradicional (maio/2014)


Quem não tem cão, caça com gato


Devido a ausência de vocações, minha diocese decidiu, talvez guiada pelo espírito do 6º Plano de Pastoral, dar atenção aos diáconos permanentes. Não sou um crítico do diaconato permanente e acredito que a Igreja deva ter diáconos não-transitórios em suas fileiras, mas há um grave problema quando colocamos os diáconos permanentes (casados) como um paliativo para a falência da atividade vocacional. Por aqui são 56, dentre os quais 26 foram ordenados nos últimos 9 anos. Corremos o risco de nos tornarmos uma diocese parecida com "San Cristóbal de Las Casas", no México, que já foi assunto neste blog.

Nos próximos 10 anos o clero diocesano atingirá aquela faixa de idade crítica, onde mais da metade dos padres terá chegado aos 60 anos ou mais. Se as ordenações continuarem acontecendo no ritmo atual - e acredito que elas tendem a cair ainda mais - teremos problemas ainda mais sérios. O número crescente de logdenominações protestantes já é notado por aqui há muito tempo, com bairros de periferia com mais de 8 "igrejas" neo-pentecostais abertas e com um número cada vez maior de pastores. Não por acaso temos um dos mais baixos índices de católicos apurados pelo IBGE no último censo, abaixo da média brasileira que já é preocupante.

A resposta para esses problemas não virá com um 7º Plano de Pastoral, nem com a construção de mais um seminário, mas de uma verdadeira conversão do alto. Precisamos que o bispo perceba o caminho danoso que vem trilhando junto com os milhares de conselheiros, administradores, consultores, etc. ou que Deus nos mande um outro bispo.



Fonte: Blogonicvs

domingo, 29 de junho de 2014

Sínodo sobre a família - um documento que reflete sobre a realidade


DESTAQUE


A pastoral familiar, neste âmbito, deve evitar o risco de “fechar-se numa perspectiva legalista”.

Também é significativa a alusão à tendência, que parece prevalecer na Europa e em alguns países da América Latina, de resolver as questões encomendando-se a algum sacerdote condescendente. O autor destas linhas pôde constatar, entre “casais irregulares” segundo a doutrina canônica e entre sacerdotes ou bispos, quão frequentes são estas soluções “ad personam”, inclusive entre quem se apresenta como inflexível, mas depois está disposto a fazer notáveis exceções no confessionário. Mostra-se fundamental, com respeito aos divorciados recasados, a necessidade de agilizar os processos para chegar à nulidade matrimonial, seguindo a linha indicada por Bento XVI, mas sem alimentar a ideia de que existe um “divórcio à moda católica”.

É preciso distinguir, lê-se no texto, entre as pessoas que “fizeram uma escolha pessoal, muitas vezes sofrida, e que vivem com delicadeza para não dar escândalo a outros”, e as pessoas que têm “um comportamento de promoção e publicidade ativa, habitualmente agressivo”.

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Sínodo sobre a família - um documento que reflete sobre a realidade


Depois de ler o Instrumentumlaboris (o texto que servirá de base para o trabalho do próximo Sínodo sobre a Família), a impressão mais forte que se tem é que não tem a ver com este ou aquele detalhe, com este ou aquele aspecto, com este ou aquele problema (como os sacramentos para os divorciados que contraíram novas núpcias ou a atitude que é preciso ter e, relação às uniões entre pessoas do mesmo sexo). É, antes de mais nada, uma visão de conjunto. Desta vez, o texto-base para o trabalho dos padres sinodais representa uma fotografia real das vivências dos fiéis, assim como da percepção que os fiéis têm das mudanças que suas respectivas sociedades sofreram em relação a temas relacionados com a sexualidade, o casamento e a vida familiar.




A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio VaticanInsider, 26-06-2014. A tradução é de André Langer.


Tranquilizando a todos os que se preocupavam e temiam que com o questionário de 39 perguntas os ensinamentos da Igreja fossem submetidos a uma espécie de plebiscito, o documento apresenta-se muito equilibrado em suas três partes. Destaca-se, por exemplo, a dificuldade na hora de apresentar a lei natural e seus fundamentos, posto que a expressão “lei natural” é “problemática” ou “inclusive incompreensível”. Também é evidente que o que estabelece a lei civil, em muitos contextos, converte-se cada vez mais na mentalidade dominante e inclusive “moralmente aceitável”. A grande questão do sínodo será, pois, refletir sobre a forma de anunciar o Evangelho e os ensinamentos da Igreja nestes novos contextos.
É interessante a insistência sobre o risco de esquecer que “a família é a ‘célula fundamental da sociedade, o lugar onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer a outros’”. Daí a necessidade de propor “uma visão aberta de família, fonte de capital social, ou seja, de virtudes essenciais para a vida comum”. Também se destaca o “ponto chave” para a promoção da família, ou seja, o testemunho da beleza e da alegria “que dá acolher o anúncio evangélico no matrimônio e na vida familiar”. Atitude que evidentemente contrasta tanto com as atitudes daqueles que passam seus dias condenando, lançando anátemas e fazendo exames de consciência de todo o mundo, assim como com o laxismo daqueles que acabam achando que tudo é lícito.
O documento assinala a “percepção equivocada e moralista” daqueles que consideram “o ideal da família” como uma “meta inatingível e frustrante, em vez de ser considerado como uma indicação de um caminho possível, por meio do qual aprender a viver a própria vocação e missão”.
Também é muito interessante a análise do documento sobre as “situações críticas”: a violência e o abuso, as “dependências dos meios de comunicação e das redes sociais” que monopolizam o tempo das relações familiares, as pressões exercidas pelos horários e pelos ritmos de trabalho, os fenômenos migratórios, a pobreza, o consumismo e a mentalidade do “filho a qualquer custo”. É significativo que se cite a “perda de credibilidade moral” da Igreja na percepção dos habitantes da América do Norte e do norte da Europa devido aos escândalos sexuais e, particularmente, à pederastia clerical.

Um dos grandes problemas é acolher e acompanhar as pessoas que vivem em situações familiares difíceis ou irregulares. O terceiro capítulo, dedicado às “situações pastorais difíceis”, ocupa-se dos temas das “situações matrimoniais difíceis”. “A verdadeira urgência pastoral – lê-se no Instrumentumlaboris – é permitir a estas pessoas que curem suas feridas, voltem a ser pessoas saudáveis e retomem o caminho junto com toda a comunidade eclesial. A misericórdia de Deus não provê uma cobertura temporal do nosso mal; pelo contrário, abre radicalmente a vida à reconciliação, dando-lhe nova confiança e serenidade, mediante uma autêntica renovação”.A pastoral familiar, neste âmbito, deve evitar o risco de “fechar-se numa perspectiva legalista”.

Quanto às convivências, o documento indica, entre as razões que levam os jovens a viver juntos sem se casar, “políticas familiares inadequadas para sustentar a família; problemas financeiros; o desemprego juvenil; a falta de moradia”. Além disso, o documento indica que é fundamental ajudar os jovens a sair de uma “visão romântica de amor, percebido apenas como um sentimento intenso para o outro, e não como uma resposta pessoal a outra pessoa, no âmbito de um projeto de vida comum, no qual se abre um grande mistério e uma grande promessa”.

Quanto às situações de “irregularidade canônica”, o Instrumentumlaboris reconhece que é bastante “alto o número daqueles que consideram sem preocupação sua situação irregular” e, portanto, não pedem para serem admitidos à eucaristia nem à reconciliação. Mas também há um sofrimento profundo por parte de “muitos” que se sentem marginalizados e frustrados por não poder fazer a comunhão devido a uma situação familiar particular. É preciso notar que foram as Conferências Episcopais que pediram para exercer “uma misericórdia, clemência e indulgência mais amplas em relação às novas uniões”. É preciso acompanhar as pessoas, os casais, “com compreensão e paciência”, explicando que “o fato de não poderem aceder aos sacramentos não significa que são excluídos da vida cristã e da relação com Deus”.

Também é significativa a alusão à tendência, que parece prevalecer na Europa e em alguns países da América Latina, de resolver as questões encomendando-se a algum sacerdote condescendente. O autor destas linhas pôde constatar, entre “casais irregulares” segundo a doutrina canônica e entre sacerdotes ou bispos, quão frequentes são estas soluções “ad personam”, inclusive entre quem se apresenta como inflexível, mas depois está disposto a fazer notáveis exceções no confessionário. Mostra-se fundamental, com respeito aos divorciados recasados, a necessidade de agilizar os processos para chegar à nulidade matrimonial, seguindo a linha indicada por Bento XVI, mas sem alimentar a ideia de que existe um “divórcio à moda católica”.

A este respeito, todos concordam com o fato de que a preparação catequética para o matrimônio é substancialmente inadequada para o objetivo. A falta de uma fé vivida coloca em dúvida a validade de muitos casamentos.
Também é particularmente significativo o enfoque sobre o delicado tema das uniões entre pessoas do mesmo sexo e as leis que as reconhecem. O documento para o sínodo explica que as duas atitudes contrárias (a mais intransigente e a condescendente) não ajudam no desenvolvimento de uma “pastoral eficaz”. É preciso distinguir, lê-se no texto, entre as pessoas que “fizeram uma escolha pessoal, muitas vezes sofrida, e que vivem com delicadeza para não dar escândalo a outros”, e as pessoas que têm “um comportamento de promoção e publicidade ativa, habitualmente agressivo”. Assinala-se a necessidade de “não identificar uma pessoa com expressões como ‘gay’, ‘lésbica’ ou ‘homossexual’”. O documento faz notar que não existe “um consenso” na Igreja sobre como acolher concretamente as pessoas que vivem uniões com outras pessoas do mesmo sexo. Também há um parágrafo dedicado à acolhida das crianças de casais do mesmo sexo, que não devem sofrer nenhuma discriminação no âmbito do batismo nem na preparação à iniciação cristã, embora seja “unânime” o consenso diante da negação para a adoção por parte destes casais.
Para concluir, é preciso notar, na parte dedicada à recepção e à atualidade da Encíclica Humanae Vitae, que é muito difundida entre os fiéis a percepção de que o aborto é um “pecado grave”, mas também a percepção de que a regulação da natalidade mediante a utilização de anticoncepcionais não é pecado.


Trata-se, pois, de um documento no qual aparece claramente a marca do novo Pontificado e que, talvez, pela primeira vez, oferece uma síntese da situação real das vivências nas paróquias dos cinco continentes, fruto de um trabalho capilar e colegial. Uma fotografia da realidade, inclusive da realidade do fracasso ou da objetiva dificuldade na hora de transmitir o anúncio da fé e seus conteúdos, muito útil para o trabalho dos padres sinodais. Ninguém pode antecipar o que acontecerá em outubro, quando os membros do próximo sínodo se reunirem no Vaticano. Encontramo-nos no começo de uma “profunda reflexão” sobre a família, que terminará somente em outubro de 2015, com o segundo sínodo dedicado a este tema.


Fonte: Unisinos
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