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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Palavra do Sacerdote: Mentalidade racionalista levou ao protestantismo



DESTAQUE


 O protestantismo nasceu sob o signo do racionalismo, que, principalmente a partir do teólogo franciscano inglês Guilherme de Occam (1300 – 1350), vicejou então nos meios católicos, e foi fazendo o seu caminho até ser mais tarde, por assim dizer, codificado pelo filósofo francês René Descartes (1596-1650) em seu tristemente célebre Discurso sobre o método.

A fé em Jesus Cristo é necessária à salvação, é claro! Mas se eu tenho fé em Cristo Jesus, devo ser coerente em seguir os seus mandamentos, e, portanto, praticar as boas obras que ele mandou! Que sentido faz ter fé em Jesus Cristo e não conformar a vida aos seus ensinamentos? Por isso disse Jesus aos fariseus: “E vós também, por que transgredis o mandamento de Deus? [...] Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15, 3 e 7-8). E no Evangelho de São João (14, 15): “Se me amais, observai os meus mandamentos”. De onde conclui São João: “Quem diz que O conhece [a Deus], e não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso e a verdade não está nele”(I Jo 2, 4).
[...] o homem é justificado pelas obras, e não pela fé somente [...] Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2, 14-26).
É que as boas obras são dispostas por Deus no nosso caminho, isto é, Ele é Quem nos dá o impulso (a graça) para as praticarmos, de modo que a fonte delas vem toda da graça de Deus. Nem por isso Deus dispensa a nossa predisposição à cooperação, sem a qual Ele não nos salva. Essa cooperação –– portanto, fruto da graça –– é necessária, e conseqüentemente meritória para alcançarmos a salvação. Daí a frase lapidar do grande Santo Agostinho: "Qui creavit te sine te, non salvabit te sine te" (Aquele que te criou sem tua cooperação, não te salvará sem tua cooperação) (Serm. 169, XI; PL 38, 923).


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A Palavra do Sacerdote


Cônego José Luiz Villac

Pergunta — A paz de Cristo. Gostaria de expressar através destas linhas minha discordância quanto às explicações referentes às perguntas feitas quanto às passagens que se referem ao ladrão na cruz e à parábola do rico e de Lázaro. O Apóstolo São Paulo, um dos formadores da espinha dorsal da doutrina do Novo Testamento, é bem nítido em suas palavras em Efésios (cap. 2, vers. 8 e 9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe”. Fica claro, neste e em muitos outros textos do Novo Testamento, que o único elemento necessário à salvação do homem é a fé em Cristo Jesus. “Mas a todos quantos o receberam, aos que Crêem [sic, em maiúscula] no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Evangelho de João, cap. 1, vers. 12). Vale ainda mencionar as palavras de Paulo em Romanos cap. 3, vers. 16: “Sabemos, contudo, que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas sim pela fé em Jesus Cristo. Nós também temos crido em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei, pois pelas obras da lei ninguém será justificado”. Desde já agradeço a atenção. Na graça de Cristo Jesus.

Resposta — A presente seção de Catolicismo tem por finalidade a orientação e formação dos católicos; portanto, é a eles primordialmente dirigida. Curiosamente, ela tem sido lida também por protestantes, que têm manifestado frequentemente sua discordância, às vezes em termos agressivos, outras vezes em termos cordatos, como é o caso da presente missiva. Pareceu-nos conveniente, como exceção, aproveitar o ensejo para apontar aos que nos leem um dos equívocos fundamentais da exegese protestante, que os leva a não aceitar a interpretação católica das Sagradas Escrituras. Quiçá isso possa ajudar as almas retas que entre eles existam a reencontrar o caminho da verdade e aceitar o ensinamento da Igreja.

Mentalidade racionalista levou ao protestantismo

Lutero, para salvar a doutrina que inventara, teve a desfaçatez de excluir a Epístola de São Tiago da lista dos livros canônicos...

O protestantismo nasceu sob o signo do racionalismo, que, principalmente a partir do teólogo franciscano inglês Guilherme de Occam (1300 – 1350), vicejou então nos meios católicos, e foi fazendo o seu caminho até ser mais tarde, por assim dizer, codificado pelo filósofo francês René Descartes (1596-1650) em seu tristemente célebre Discurso sobre o método. A meio caminho, o racionalismo infectou o frade agostiniano Martinho Lutero (1483-1546), que criou o protestantismo.
O racionalismo se caracteriza por uma simplificação artificial do raciocínio, que o inabilita a perceber a realidade em toda sua complexidade, cheia de nuances e matizes. Como alguém que quisesse desenhar uma curva com uma sequência de segmentos retos... Não sem razão, Pascal comparou-o ao raciocínio geométrico (esprit geométrique), em oposição ao espírito de finura (esprit de finesse), que sabe captar e se conformar à multiplicidade de aspectos dos entes, fatos e situações.
A carta que estamos analisando está voltada a defender a conhecida tese protestante da sola fide, que tínhamos impugnado nesta seção no nº 655 de Catolicismo (em julho do ano passado). Isto é, a falsa tese de que “o único elemento necessário à salvação do homem é a fé em Cristo Jesus”, como afirma o missivista. Consequentemente, para ele, como para os protestantes em geral, não há necessidade das boas obras para alcançar a salvação: o indivíduo pode pecar à vontade, cometer os maiores crimes; se tiver fé, se salvará. É uma doutrina muito cômoda, mas falsa, e evidentemente não leva à salvação. O missivista aduz em sua defesa dois textos de São Paulo, que analisaremos em seguida.

A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma

Antes de fazê-lo, porém, convém apontar desde logo a falta de bom senso do raciocínio, característico da mentalidade racionalista. A fé em Jesus Cristo é necessária à salvação, é claro! Mas se eu tenho fé em Cristo Jesus, devo ser coerente em seguir os seus mandamentos, e, portanto, praticar as boas obras que ele mandou! Que sentido faz ter fé em Jesus Cristo e não conformar a vida aos seus ensinamentos? Por isso disse Jesus aos fariseus: “E vós também, por que transgredis o mandamento de Deus? [...] Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15, 3 e 7-8). E no Evangelho de São João (14, 15): “Se me amais, observai os meus mandamentos”. De onde conclui São João: “Quem diz que O conhece [a Deus], e não guarda os seus mandamentos, é um mentiroso e a verdade não está nele”(I Jo 2, 4).
O Apóstolo São Tiago resume toda essa doutrina de modo lapidar: “Que aproveitará, irmãos meus, se alguém diz que tem fé e não tem obras? Porventura poderá salvá-lo tal fé? [...] Assim, também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. [...] Mas queres tu saber, ó homem vão, como a fé sem obras é morta? Abraão, nosso pai, não foi ele justificado pelas obras, oferecendo seu filho Isaac sobre o altar? Tu vês que a fé cooperava com as suas obras; e que a fé foi consumada por meio das obras. [...] Vedes, pois, que o homem é justificado pelas obras, e não pela fé somente? [...] Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2, 14-26).
O trecho é tão concludente, que Lutero, para salvar a doutrina que inventara, teve a desfaçatez de excluir a Epístola de São Tiago da lista dos livros canônicos... Exclusão inútil, pois, como vimos, ela nada mais é do que a conclusão lógica das palavras de Nosso Senhor relatadas por São Mateus e São João, que citamos no parágrafo anterior.

De que obras fala o Apóstolo São Paulo?
Não obstante, São Paulo afirma taxativamente que “pelas obras da lei não será justificado nenhum homem diante dele [de Deus] (Rom. 3, 20). E mais adiante: “Porquanto sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rom 3, 28). [Nossas referências à Sagrada Escritura diferem das do missivista, pois naturalmente ele utilizou uma versão protestante, com outra numeração dos versículos].
“Aí está –– bradará o missivista –– a doutrina de Paulo contradiz a de Tiago!”.
A exegese católica, diante dessa aparente contradição, analisa profundamente o texto em questão, para ver exatamente em que contexto se encaixam as palavras de um e outro Apóstolo, pois não há contradição na doutrina revelada.
Ora, lendo o trecho todo de São Paulo, vê-se que ele não está falando das boas obras de modo geral, mas sim de certos preceitos da lei mosaica que cabia aos judeus observar, e que alguns destes, já convertidos ao cristianismo, queriam que os gentios também convertidos observassem — como a circuncisão, por exemplo —, ao que São Paulo se opunha. Essa questão foi levada a São Pedro e demais Apóstolos reunidos em Jerusalém, os quais, no chamado Concílio de Jerusalém, o primeiro concílio da Igreja, resolveram de acordo com o parecer de São Paulo (cfr. Act 15, 1-34).
À luz destes esclarecimentos, releiamos São Paulo: “Onde está pois, [ó judeu] a tua glória? Foi excluída. E por que lei? Pela das obras? Não; mas pela lei da fé. Porquanto sustentamos que o homem é justificado pela lei da fé, sem as obras da lei. Porventura Deus só o é dos judeus? Não o é ele também dos gentios? Sim, certamente ele o é também dos gentios; porque há um só Deus, que justifica pela fé os circuncidados, e que também pela fé justifica os incircuncisos. Destruímos nós, pois, a lei com a fé? Longe disso; antes confirmamos a lei” (Rom 3, 27-31).
Mais adiante, prossegue São Paulo: “Também David proclama bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem obras [...]. Ora, esta bem-aventurança é somente para os circuncidados, ou também para os incircuncisos? Porquanto dizemos que a fé foi imputada a Abraão como justiça. Como lhe foi ela, pois, imputada? Depois da circuncisão ou antes da circuncisão? Não foi depois da circuncisão, mas antes dela. E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça, recebida pela fé antes da circuncisão, a fim de que fosse pai de todos os crentes incircuncisos, para que também a eles lhes seja imputada a justiça” (Rom. 4, 6 e 9-11).
Fica claro que as obras, às quais São Paulo se refere, são aqueles preceitos legais (cerimoniais) que os judeus deviam observar como ratificação de sua Aliança com Deus, como a circuncisão, repetidamente mencionada, a qual não havia necessidade de impor aos gentios convertidos. Quanto aos Dez Mandamentos da Lei de Deus, dados a Moisés no Monte Sinai, constituem uma síntese da Lei Moral, que tanto circuncisos quanto incircuncisos devem observar. O que resulta na prática de boas obras. Não há, pois, contradição entre São Paulo e São Tiago.
O outro trecho alegado pelo missivista é da Epístola de São Paulo aos Efésios: “Porque é pela graça que fostes salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, porque é um dom de Deus, não vem das vossas obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2, 8-9).
Aqui temos um exemplo típico do vezo protestante de isolar uma frase da Escritura e começar a raciocinar a partir dela, sem verificar o contexto. Ora, bastaria que o missivista tivesse lido o versículo seguinte, para perceber que Deus não dispensa a prática das boas obras: “Porque somos obra sua, criados em Jesus Cristo para boas obras, que Deus preparou para caminharmos nelas” (Ef 2, 10).
Qual é a interpretação autêntica deste versículo, dada pela Igreja Católica? É que as boas obras são dispostas por Deus no nosso caminho, isto é, Ele é Quem nos dá o impulso (a graça) para as praticarmos, de modo que a fonte delas vem toda da graça de Deus. Nem por isso Deus dispensa a nossa predisposição à cooperação, sem a qual Ele não nos salva. Essa cooperação –– portanto, fruto da graça –– é necessária, e consequentemente meritória para alcançarmos a salvação. Daí a frase lapidar do grande Santo Agostinho: "Qui creavit te sine te, non salvabit te sine te" (Aquele que te criou sem tua cooperação, não te salvará sem tua cooperação) (Serm. 169, XI; PL 38, 923).
Como se vê, estamos diante de raciocínios um tanto complexos, pouco ao gosto da mentalidade racionalista, mas nem por isso deixam de ser inteiramente verdadeiros!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O debate entre Lutero e Eck



DESTAQUE


A 14 de julho encerrou-se a discussão, levando os louros do triunfo o Dr. Eck, como o próprio Lutero depois declarou em uma carta a Melanchton: ‘Eck tem as vantagens: ele triunfa e reina. Estes leipziganos não nos saudaram, nem visitaram, mas nos trataram como inimigos, enquanto acompanharam Eck em toda parte... para nossa vergonha... aí está todo o drama: começou mal e acabou pior... discutimos mal.’ (Enders: corr. II, 85, 20 de julho de 1519).

O conde Jorge de Saxe, o povo de Leipzig, a universidade e os católicos hesitantes sentiram-se fortalecidos em sua fé, mas Lutero, recolhendo-se sob a capa do seu amor próprio ferido, se tornou cada vez mais intratável e grosseiro.

Ei-lo feito definitivamente herege.



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A disputa entre Doutor Eck e Lutero



Tendo falecido o imperador Maximiliano, em 12 de janeiro de 1519, foi só depois da eleição do seu sucessor, Carlos V (out. de 1519), que o processo contra Lutero foi retomado. Nesse ínterim um novo acontecimento patenteara a má vontade de Lutero: a discussão de Leipzig. Os erros de Lutero foram-se espalhando com a repulsa de uns e a aprovação de outros. Em breve as próprias universidades da Alemanha veriam as suas opiniões divididas, efeito das dúvidas e discussões suscitadas.

O enfraquecimento da fé e o relaxamento da moral eram um terreno propício para as novidades e revoltas.

As universidades de Wittemberg, Ingolstad e Leipzig combinaram entre si um debate público para resolver a pendência. O lugar escolhido foi o castelo do conde Jorge de Sax, em Leipzig. Ali deviam reunir-se os representantes de cada partido. O salão de honra do castelo foi dividido em duas partes destinadas às duas facções, com dois púlpitos no centro, um em frente ao outro.

O grande teólogo John Eck, paladino invencível da religião católica, com a idade de 43 anos.

Ilustre sacerdote que denunciou a fraude e o logro das heresias. Ano de 1572.

A discussão teve início a 27 de junho de 1519 entre Carlostad e Eck. O enviado de Lutero foi vergonhosamente vencido, não podendo provar as suas teses, nem refutar as do seu antagonista.

Referindo-se, mais tarde, a esse fracasso, falou Lutero: ‘Em Leipzig Carlostad recolheu vergonha em vez de honra, mostrando-se um miserável polemista, com espírito tapado e tolo.’ (H. Boeckmer: Der Junge Luther 1929, pág. 255). A impressão foi péssima para a pretensa reforma. Os partidários chamaram Lutero para vingar a desfeita e soerguer a honra comprometida da nova doutrina.

Em 4 de julho reencetou-se a polêmica, desta vez entre Lutero e Dr. Eck. Tudo convergiu logo para a palpitante questão: a autoridade da Igreja em matéria doutrina. Lutero havia opugnado as indulgências, proclamando o valor supremo da Bíblia e a inutilidade das boas obras, mas não tinha ainda opinião formada sobre a jurisdição da Igreja em questões de doutrina. Caiu em contradição, titubeou, aderindo, publicamente às condenadas doutrinas de Huss, rejeitando a autoridade da Igreja. O Dr. Eck refutou vitoriosamente as asserções heréticas, e Lutero não fez papel mais brilhante do que o seu representante vencido, Carlostad. Os ânimos dos sectários se exaltaram e vários começaram a gritar contra as asserções católicas de Eck.

A 14 de julho encerrou-se a discussão, levando os louros do triunfo o Dr. Eck, como o próprio Lutero depois declarou em uma carta a Melanchton: ‘Eck tem as vantagens: ele triunfa e reina. Estes leipziganos não nos saudaram, nem visitaram, mas nos trataram como inimigos, enquanto acompanharam Eck em toda parte... para nossa vergonha... aí está todo o drama: começou mal e acabou pior... discutimos mal.’ (Enders: corr. II, 85, 20 de julho de 1519).

O conde Jorge de Saxe, o povo de Leipzig, a universidade e os católicos hesitantes sentiram-se fortalecidos em sua fé, mas Lutero, recolhendo-se sob a capa do seu amor próprio ferido, se tornou cada vez mais intratável e grosseiro.

Ei-lo feito definitivamente herege.


LOMBAERDE, Pe. Julio Maria de. O Diabo, Lutero e o Protestantismo. 2ª Ed. Manhumirim: O Lutador, 1950.

Fonte: Apologética Tradicional

terça-feira, 25 de março de 2014

Como podem estar todos certos ao mesmo tempo?


  • DESTAQUE


  • Como podem todos ter interpretado corretamente a Bíblia, se a Bíblia de todos é a mesma e se as doutrinas de cada um não correspondem às doutrinas de outro?‏

Uns batizam e outros não. Uns acatam o divórcio e outros tantos o repudiam. Tem quem case pessoas do mesmo sexo e tem quem se recuse a fazê-lo. Tem quem condene e quem aprove o sacerdócio feminino. As diferenças são tantas que já podemos contar somente no Brasil mais de 50.000 seitas. Tem até quem defenda o aborto ou o evangelho judaizante.
Como podem estar todos certos ao mesmo tempo? Como podem todos ter interpretado corretamente a Bíblia, se a Bíblia de todos é a mesma e se as doutrinas de cada um não correspondem às doutrinas de outro?
Então, o que “garante” salvação é o rótulo protestante adquirido a partir do momento que alguém levantou o dedo em uma denominação protestante e fez o favor de “aceitar” Jesus.

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O Católico que conhece a Santa Fé jamais muda de religião


Máscara mortuária do herege alemão Martinho Lutero


É muito comum na Web encontrarmos textos de católicos e protestantes justificando porque aderiram ou repudiaram ao catolicismo ou ao protestantismo. Qualquer pessoa que esteja com dúvidas sobre sua fé por certo terá dificuldades em entender todos os contextos. E mesmo que esta pessoa possa compreender a maioria dos apontamentos, não saberá definir para si próprio o caminho que deve abraçar. Católicos escrevem razões porque alguém não deve ser protestante. Protestantes dizem porque deixaram de ser católicos e vice-versa.

Basicamente, os protestantes acusam os católicos de práticas antibíblicas. Os católicos por sua vez, comprovam que os protestantes não seguem a Bíblia quando adotam ou eliminam dogmas e credos previstos nas sagradas escrituras.
Mas quem está com a razão? Provaremos que são os católicos que estão certos. Mas como? Ora, o protestante é aquele que parte de um critério de homens para contestar o catolicismo. Como assim? O critério “Só a Bíblia” ou Sola Scriptura é um critério meramente humano. Tal critério não está previsto na Bíblia. Também sabemos que Jesus nunca disse: “Só a Bíblia”. E tampouco os apóstolos que lhe sucederam o disseram. Como surgiu o critério “Só a Bíblia” ou “Sola Scriptura”? Partiu de Lutero. Lutero homem e pecador.
Lutero fundador do protestantismo:
“Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: ‘Que fez, então, com ela?’ E, com Madalena, depois com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve de fornicar antes de morrer”. (Martinho LuteroTischreden, nº 1472, ed. Weimer, 11, 107)”.

Quando um protestante diz “Só a Bíblia”, deveria usar para si o critério que pretende estabelecer para os demais. É no mínimo repugnante que alguém cobre de outro aquilo que ele próprio não faz. E como sabemos que os protestantes não seguem a Bíblia? Porque deixam de observar regras fundamentais estabelecidas pelo livro sagrado.
Podemos destacar duas destas regras:
1)A Bíblia diz que interpretação alguma é de caráter individual. O protestante faz o contrário. Ele diz que todo e qualquer homem pode interpretar a Bíblia com o auxílio do Espírito Santo.
Diz o protestante que a Bíblia é de fácil interpretação. No entanto, para justificar seus desvios e teorias desconhece o aramaico, hebraico e grego, o que por si só invalida a dita “facilidade” na interpretação da Bíblia.
Perguntamos se todo e qualquer protestante conhece os idiomas aqui citados? Então como o protestante pode dizer que é fácil interpretar a Bíblia ? E se todos são assistidos pelo Espírito Santo, por que cada um tem sua própria doutrina, se sabemos que o Espírito Santo nunca se divide?
2) A Bíblia diz que a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade. O que isto significa? Significa que sem a igreja a verdade não se sustenta. O protestante, fazendo o contrário, diz que igreja não serve para nada.
Por outro lado, além das regras não observadas pelos protestantes, outras disposições bíblicas são totalmente ignoradas por eles em conseqüência da não observância dos critérios iniciais.
Podemos citar a não observância da Bem Aventurança de Maria, a recitação do Pai Nosso e a confissão dos pecados. Ora, os apóstolos receberam poder para reter e perdoar pecados. Como alguém pode reter pecados ou perdoá-los se ninguém irá confessá-los? Teria Jesus Cristo dado uma ordem sem sentido aos seus apóstolos?
Portanto, temos três principais erros que levam o protestante a cometer todos os demais desvios.
Primeiro: A Bíblia não diz ser a única fonte de revelação. Nem Jesus o disse. Nem os apóstolos. Pelo contrário, São Paulo nos ensinou que guardássemos as tradições de tudo que nos foi ensinado. E a própria Bíblia ensina que muitas outras coisas foram feitas e ditas por Jesus, as quais não foram escritas.
Segundo: O protestante ignora que a Bíblia não pode ser interpretada privadamente. Ou seja, nem todos podem ser intérpretes. No protestantismo todos se julgam intérpretes.
Terceiro: O protestante ignora que somente a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade. A Bíblia não fala de si mesma como sendo coluna e sustentáculo da verdade.
A partir das deficiências protestantes em entender o papel da Igreja e da Bíblia, todos os demais enganos são consequências de interpretações bíblicas à margem do magistério da Igreja.
Além disto, existe o ranço contra o catolicismo, que parece ser prioridade entre os protestantes, e que faz surgir uma animosidade, que elimina qualquer gesto de boa vontade para compreensão dos dogmas de fé e doutrinas católicas.
Onde está a solução da questão ?
Ora, os católicos não estão obrigados ao “Sola Scriptura ou Só a Bíblia”. Este é um critério meramente humano. Não foi criado por Jesus, nem pela Bíblia e nem pela Igreja, mas somente por Lutero. E Lutero é ídolo dos protestantes e não dos católicos. Quem escolheu Lutero e rejeitou a Igreja foi o protestante.
Os católicos não estão obrigados a provarem suas crenças e costumes pela Bíblia. Os católicos seguem corretamente o magistério da Igreja, coluna e sustentáculo da verdade (Timóteo). Os católicos corretamente ouvem a interpretação da Igreja, pois sabemos que interpretação alguma é de caráter particular. O que escrevo aqui, eu não ouvi de mim mesmo.
Ora, uma vez que nem todas as coisas que foram feitas e ditas por Jesus estão escritas (Evangelho de João), como poderiam estar todas estas mesmas coisas na Bíblia?
Ora, se São Paulo nos ensina que devemos guardar a tradição, por que deveríamos ignorar a transmissão oral que é a tradição viva ?
Ora, se os cristãos dos 367 primeiros anos não dispunham de Bíblia e por certo eram melhores do que nós e seguramente foram mais provados, como é possível tornar a Bíblia maior do que Cristo e sua Igreja? Ora, não é a Igreja anterior à Bíblia?
Foi a Igreja que criou a Bíblia ou a Bíblia que criou a Igreja?
Não é DEUS antes de todas as coisas? Como é possível ao protestante criar um DEUS que está restrito a tinta, ao papel e a interpretação de cada homem?
Sem Bíblia, como foi possível transmitir o cristianismo nos quase 400 primeiros anos, exceto pela tradição oral? Quem está obrigado ao critério “Só a Bíblia” é quem dele se utiliza para julgar aos demais.
É o protestante e somente ele que precisa provar pela Bíblia suas teses, teologias e doutrinas. É pela Bíblia que devem provar Lutero, Calvino, o protestantismo, o Canon, a Bíblia protestante, as traduções que usam e também o tradutor “insuspeito” dos protestantes, João Ferreira de Almeida.
Não fosse tudo o que já dissemos acima, bastaria verificar que um protestante não concorda com o outro em matéria de fé e doutrina.
Metodologia Protestante: Tão logo surge uma discordância já surge uma nova “igreja”.
Uns batizam e outros não. Uns acatam o divórcio e outros tantos o repudiam. Tem quem case pessoas do mesmo sexo e tem quem se recuse a fazê-lo. Tem quem condene e quem aprove o sacerdócio feminino. As diferenças são tantas que já podemos contar somente no Brasil mais de 50.000 seitas. Tem até quem defenda o aborto ou o evangelho judaizante.
Como podem estar todos certos ao mesmo tempo? Como podem todos ter interpretado corretamente a Bíblia, se a Bíblia de todos é a mesma e se as doutrinas de cada um não correspondem às doutrinas de outro?
Quem procurar na internet não terá dificuldades em encontrar protestantes chamando outros protestantes de hereges. Uns condenando as doutrinas dos outros. Não há protestante que não tenha chamado outro protestante de herege. E quem chamou outro de herege provavelmente também já foi chamado ou ainda será.
Quando um protestante faz a lista de suas razões para não ser católico, reparem sempre, meus amigos, que as razões fazem referências a textos bíblicos soltos.

É sempre um tal de “biblicamente correto, ou porque a palavra diz isso ou aquilo, ou ainda porque isto não está na Bíblia…”
Além de interpretações equivocadas, já que ao contrário do que diz a Bíblia, cada protestante sente-se um intérprete e acaba interpretando do seu jeito, o critério usado “Só a Bíblia” nunca é provado. O protestante, este parte de uma premissa falsa para contestar o catolicismo e esquece-se de provar para si mesmo que o critério que ele utiliza é o critério adequado.
Tudo isto engana os mais inocentes, que chegam ingenuamente a acreditar que a Igreja, que compilou e traduziu a Bíblia, não dispõe de homens que leiam a Bíblia ou que já a leram.

Imaginem se seria possível que nos últimos 2000 anos todos os católicos, vivos e mortos, incluindo mais de 260 papas, jamais tivessem tido a ideia de consultar as Sagradas Escrituras?
Por outro lado, quando um católico faz a lista de suas razões para não ser protestante ou para deixar o protestantismo, sempre são provados os enganos e erros protestantes, a partir da não observância dos critérios bíblicos que evidenciamos acima.
Reparem que um protestante, contestando textos católicos, nunca esgota um tema. Vencido em um argumento, ele parte imediatamente para outro tema, sem esgotar o primeiro. Confrontado, um protestante nunca responde objetivamente o que lhe é perguntado, mas antes faz outras duas perguntas para desviar seu oponente do tema para o qual não tem resposta. E isto acontece rapidamente, tão logo um católico pergunte a um protestante onde está escrito que a Bíblia ensina “Só a Bíblia”.
Antes mesmo de um protestante listar suas razões para não ser católico, deveria enumerar os motivos pelos quais ele integra uma determinada denominação protestante e não as outras 49.999 denominações. Desejando ser honesto, o protestante deveria mencionar uma a uma e as razões porque não adere a cada uma das quase 50.000 outras seitas.
Afinal de contas, todo protestante parece conhecer todas as seitas e todos os crentes do mundo inteiro em todos os tempos. Como assim?
Porque ele mesmo, sem conhecer todas as 50.000 seitas e todos os seus crentes, entende que todos estão salvos a partir do “aceitar Jesus” e porque todos se consideram “irmãos em Cristo”, ainda que cada um pregue um Cristo diferente ou ainda que ele, protestante, não conheça o tipo de cristianismo que é praticado ou apresentado em outras denominações.
O que “garante” salvação é o rótulo protestante adquirido a partir do momento que alguém levantou o dedo em uma denominação protestante e fez o favor de “aceitar” Jesus.
Para finalizar, citamos outra contradição que prova a debilidade da doutrina protestante: O protestante que desconhece a diferença entre infalibilidade e impecabilidade, contesta a igreja e o papado.
O papa é infalível quando se pronuncia em matéria de fé e doutrina. Não se ensina no catolicismo que o papa não é pecador.
Diz o protestante que todos os homens são pecadores e, portanto, falhos em suas interpretações. O protestante que contesta a infalibilidade papal pretende impor aos seus pares e aos católicos sua particular doutrina.
Onde está a contradição?
O protestante, antes mesmo de convencer aos demais de que sua doutrina é a doutrina correta, necessita convencer os demais de que homem algum é confiável. Ora, se o protestante antes mesmo de defender sua doutrina tem que convencer a todos que homem algum é digno de confiança em matéria de fé e doutrina, por que acha que quem lhe ouve deveria com ele concordar? Como pretende o protestante impor seus conceitos ao católico, se antes de qualquer outra coisa pretende negar-se a si próprio como intérprete infalível?

São os próprios pregadores protestantes que negando a si mesmo dizem: “…não é o que o pastor está falando, mas é ao que diz a palavra”.
Como pretendem unidade aqueles que contestam o dogma da infalibilidade?
É de fato impossível ao protestante defender a infalibilidade de um eventual protestante, seita ou conselho protestante se todos negam o dom da infalibilidade. Como admitir a infalibilidade entre protestantes e negar a infalibilidade da igreja peregrina que deu origem a tudo que está relacionado ao cristianismo?
Como pretendem fazer discípulos aqueles que se negam a si próprios? Como pretendem eliminar do meio protestante todas as heresias, se todo e qualquer homem pode ser um intérprete da Bíblia “infalível” para si mesmo?
O processo que dá origem a uma denominação protestante séria é o mesmo que dá origem a uma denominação protestante repleta de heresias. Se todos podem fundar denominações e se dizer inspirados pelo Espírito Santo, como cercear a ação dos maus e ignorantes? Como saber previamente se aquele que diz ter tido uma visão para fundar uma nova denominação é um homem temente a DEUS, ou se é um abutre?
Ora meus amigos, o protestante crê apenas na sua própria “infalibilidade”. Julgando-se sábios aos seus próprios olhos, ele acaba sendo infalível apenas para si mesmo.

Concluímos que os filhos de Lutero, mesmo que não queiram, acabam fazendo exatamente as obras de seu pai:
“Quem não crê como eu, esse é destinado ao inferno. Minha doutrina e a doutrina de Deus são a mesma. Meu juízo é o juízo de Deus (Martinho Lutero – Weimar, X, 2 Abt, 107)”
Católicos, provem como sempre seus credos pelo magistério da Igreja, pela Bíblia e pela transmissão oral. Desta forma, jamais serão vencidos.
Protestantes: Façam um teste. Tentem provar todos os seus credos e costumes pela Bíblia.

Nem mesmo a rebeldia protestante pode ser provada pela Bíblia.
Agora, pense meu amigo que me lê, seja católico ou protestante: Em tudo na vida, quando temos dúvidas sobre a seriedade e luminosidade das propostas que nos apresentam, devemo-nos lembrar de algumas regras que podem fazer cair por terra doutrinas e ideologias que nos remetem aos erros. Uma destas regras é a unidade.
Ora, a verdade não se divide. A verdade é una. Quando lhe apresentam uma doutrina que mais divide do que agrega, pode acreditar sem medo de errar que seus defensores estão longe da verdade. Não existe meia verdade. Meia verdade também é meia mentira.
No caso específico do debate entre protestantes e católicos, além da regra da unidade, quando alguém estiver com dúvidas sobre os textos que descrevem as razões para não ser católico e as razões para não ser protestante, lembre-se de pedir a cada parte que prove suas teorias, teologias, doutrinas e costumes pelos critérios que pretendem impor aos outros.
Você pode perguntar, sem receio de deparar com um protestante que eventualmente viva de modo correto todo o contexto da Bíblia. Se isto fosse possível, o mesmo seria católico e não protestante. Os católicos vivem exatamente o que pregam para os protestantes. Ninguém pode nos acusar do contrário. Atendemos ao magistério da Igreja, coluna e sustentáculo da verdade e por isto nos chamam de papistas.
Confiamos na transmissão oral e, portanto, para nós nem todas as coisas precisam estar na Bíblia e por via de consequência nos acusam em alto e bom som: “Católicos leiam a Bíblia”!
Pregamos a veneração a Virgem Maria e aos santos, e nossos acusadores protestantes nos dizem: “Mariólatras, idólatras!”.
Pregamos a Eucaristia e a vivemos intensamente. O que dizem os nossos opositores? “A hóstia católica é só uma bolachinha”. Dizem ainda os protestantes sobre a Eucaristia Católica: “Os católicos crucifixam a Cristo em cada Missa”.
Então Cristo está de fato vivo na Eucaristia Católica? Então Cristo está verdadeiramente presente na Santa Missa?

Enfim, pregamos ainda o purgatório e a confissão e por isto somos repudiados.
Pregamos o batismo de crianças e disto nos acusam os protestantes aos gritos: “As crianças não possuem capacidade de entendimento”.
Ora, no passado alguns perguntaram a Jesus: “Então, tu és o Filho de Deus?” O que lhe respondeu o Senhor da Glória? Respondeu ele: “Vós o dizeis: eu o sou!”.
São os protestantes, com suas críticas e apontamentos, que dão testemunho de nós e da doutrina da Santa Igreja que pregamos e que vivemos.
Por outro lado, se vivemos tudo que pregamos aos protestantes, provamos também os defensores do “Só a Bíblia” não vivem o que a Bíblia ensina e, portanto, não vivem pelo conceito que pretendem impor a nós católicos. Se ainda você tiver dúvidas, pergunte ainda a cada católico e a cada protestante quais são as suas fontes de revelação.
E uma vez que cada parte respondeu, peça provas de que tais fontes de revelações são divinas e não apenas meras doutrinas de homens. E sendo você católico, nunca se esqueça, que não estamos obrigados a provar tudo pela Bíblia. Foram os protestantes que se obrigaram ao “Só a Bíblia”.
Não estamos dizendo que católicos são melhores do que protestantes. Não duvidamos que existem protestantes que levam vidas mais saudáveis do que católicos.
Reconhecemos o direito de todos homens e mulheres aderirem e professarem a fé que lhes pareçam mais convenientes. Limitamos nossas questões aos aspectos de fé e doutrina.
O que não aceitamos é o velho “pulo do gato” protestante de exigir de um católico que prove tudo pela Bíblia antes mesmo do protestante provar para si próprio e para os demais que o critério por ele escolhido vem de DEUS e não dos homens.
E todos nós sabemos que o critério protestante “Só a Bíblia” veio da árvore má que é Lutero. Quem cobra de mim deve ser o primeiro a fazer o que me pede.
Quem diz “Só a Bíblia” deve de fato considerar a Bíblia e assim não pode ignorar que interpretação alguma é de caráter pessoal e tampouco que a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade.
Quem diz “Só a Bíblia” deve provar todos os seus conceitos pela Bíblia que jura defender, inclusive que todas as coisas estão na Bíblia e que a Bíblia é a única fonte de revelação.
“Onde está na bíblia?”.

Ora, essa tese é refutada pelo próprio Evangelho.

No final do Evangelho de São João nos foi dito: 

Jesus, as quais se se escrevessem uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que delas se houvessem de escrever" (Jo XXI, 25).


Nem tudo o que Deus revelou foi posto na Bíblia! Se o que Cristo fez, e não foi posto na Bíblia, não deve ser acreditado, então não se tem Fé em Cristo, mas só na Bíblia: colocou-se um livro no lugar de Cristo. Transformou-se a Bíblia em ídolo. 

E Nosso Senhor Jesus Cristo anunciou que o Espírito Santo completaria a instrução dos Apóstolos:

 "Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas vós não as podeis compreender agora. Quando vier, porém, o Espírito de verdade, ele vos guiará no caminho da verdade integral, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir" (Jo. XVI, 12-113). 

E o que Cristo ensinou e fez nos foi transmitido pela Tradição Apostólica. Por isso, duas são as fontes da Revelação: a Sagrada Escritura e a Tradição. Também os Atos dos Apóstolos nos dizem que Cristo ensinou outras coisas mais que não foram postas nos livros sagrados, mas guardadas pela Tradição: 

"Na primeira narração, ó Teófilo, falei de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até o dia em que, tendo dado as suas instruções por meio do Espírito Santo, foi arrebatado ao (céu); aos quais também se manifestou vivo, depois de sua paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes por quarenta dias e falando do reino de Deus". (Atos I, 1-3) 

Será que aquilo que Jesus fez e ensinou nesses quarenta dias não tem valor? 

Falou, ensinou e fez Ele coisas inúteis? 

E as Instruções que Ele deu, e o que Ele falou então aos Apóstolos sobre o Reino de Deus - a Igreja - não teriam nenhum valor? 

É evidente que essas instruções e ensinamentos têm valor sim, porque provém de Deus, apesar de não terem sido registradas na Sagrada Escritura. Elas nos foram guardadas pela Tradição. Ora, em São Paulo foi escrito o contrário: 

"Permanecei, pois constantes, irmãos, e conservai as tradições que aprendesses, ou por nossas palavras ou por nossa carta" (II Tess. II, 14). 

Portanto, a tese protestante de que se deve crer só no que está na Bíblia é negada pela própria Bíblia. E há muitas coisas que os Apóstolos praticaram e ensinaram que não foram registradas antes na Bíblia. Assim, por exemplo, a "imposição de mãos". Dela não se acha menção nos Evangelhos, e, entretanto, os Apóstolos a praticaram. 

Teriam eles inventado da própria cabeça tal costume? Claro que não! Cristo deve tê-los instruído a fazer a "imposição de mãos" (Atos, VIII, 14-17; e Heb VI, 1-2). São Tiago - embora os protestantes, seguindo Lutero, recusem essa epístola, nos fala da unção sobre os enfermos: 

"Está entre vós algum enfermo? Chame os presbíteros da Igreja, e [esses] façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor; a oração da Fé salvará o enfermo e o Senhor o aliviará; se estiver com pecados, ser-lhe-ão perdoados" (S. Tiago, V, 15). E também essa unção dos enfermos não aparece nos evangelhos. Ora, nem a imposição de mãos (Sacramento da Confirmação), nem a unção dos enfermos (Sacramento da Extrema Unção) poderiam transmitir a graça, se não tivessem sido instituídos pelo próprio Cristo. Cristo legou aos Apóstolos um conjunto de verdades reveladas e de sacramentos instituídos por Ele mesmo que formam o "Depósito da Fé" que deveria ser guardado: "Ó Timóteo, guarda o depósito (da Fé), evitando as novidades profanas de palavras e as contradições de uma ciência de falso nome, professando a qual alguns se desviaram da Fé"(I Tim . VI, 20) 

Concluindo: a Bíblia não é a única fonte da Revelação.  


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Quem foi Chico Xavier?


Santo? Insano? Farsante? Amplie seus conhecimentos sobre o assunto




Em 2010 os espíritas de todo o país comemoraram 100 anos do nascimento deste que consideram o maior "médium" brasileiro, e em 2012 um programa de TV o elegeu, por meio de votação popular, "o maior brasileiro de todos os tempos". Podemos sem dúvida considerar o Sr. Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mais conhecido como "Chico Xavier", uma das personalidades mais populares e também mais polêmicas da história recente do nosso país. E como a nossa mídia (incluindo grandes emissoras de TV, redações dos grandes jornais e revistas e o meio artístico em geral) está repleta de militantes do espiritismo, estamos presenciando atualmente um verdadeiro festival de apologia à figura de Chico Xavier. Filmes nos cinemas, peças de teatro, lançamentos de uma infinidade de livros, especiais de TV, matérias de capa nas revistas...

Mas o fato é que é muito raro a grande mídia abordar as diversas facetas desse controverso personagem: existe uma outra realidade bem diferente dessa que estamos acostumados a ver nos meios de comunicação, e que pode ser comprovada muito facilmente. A revista Voz da Igreja é uma publicação comprometida com a verdade. Para falar de uma personalidade tão conhecida, o bom senso e a boa consciência nos obrigam a abordar o assunto de maneira responsável e imparcial. - Algo bem diferente da tremenda propaganda que temos presenciado nos meios de comunicação.

Apresentamos uma série de fatos a respeito de Chico Xavier que é desconhecida da maioria. Advertimos que todas as questões aqui colocadas são fundamentadas na pesquisa histórica e documentada, e em depoimentos que foram publicados em veículos sérios e respeitados.




1. Foi comprovado que Chico Xavier usou truques de mágica e pirotecnia em "shows de mediunidade" no começo de sua carreira.



As fotos ao final deste texto retratam algumas dessas exibições. Existem muitas outras, que se encontram facilmente na internet: em salões alugados, ele se sentava em frente a uma cortina, diante da plateia. Luzes piscavam por detrás do pano, e um cheiro de éter enchia a sala. Aos poucos, vultos surgiam atrás das cortinas e Xavier, junto com outros "médiuns", diziam que eram espíritos se materializando... Fotos da revista “O Cruzeiro” (1964) mostram claramente que eram pessoas vestindo lençóis brancos e véus cobrindo a cabeça. Mesmo assim, alguns ingênuos pareciam acreditar na farsa. O pesquisador Eurípedes Tahan disse que as pessoas da plateia podiam até tocar as tais "entidades" e tirar fotos! Nessa época, "médiuns" e mágicos costumavam viajar pelo país com seus shows. Chico dizia que usava seus "poderes" para materializar os espíritos. Ele ficava sentado e dizia se concentrar, enquanto as “entidades” saíam de trás do pano. Curioso é que as figuras nunca “apareciam” na frente da plateia, como deveriam, se fossem entidades etéreas se materializando. Convenientemente, elas saiam de trás da cortina, como se vê nos shows de mágica mais rudimentares. Anos mais tarde, a farsa foi definitivamente desmascarada, e Otília Diogo, uma das pessoas que se passava por “espírito” chegou a ser presa. Foi com esses shows que Chico começou a se tornar conhecido.




2. O sobrinho de Chico Xavier, numa entrevista ao jornal "O Diário de Minas", confessou que as psicografias do tio não passavam de farsa.


Amauri Pena Xavier, sobrinho de Chico, também se dizia "médium" e afirmava psicografar textos e cartas de pessoas falecidas. Aos 25 anos de idade, sondado por jornalista do referido jornal, ele declarou, textualmente:"Aquilo que tenho escrito foi criado pela minha própria imaginação". Na ocasião, ele também desmascarou o tio famoso, Chico Xavier, dizendo que as cartas "psicografadas" por ele não passavam de fraude: "Assim como tio Chico, tenho enorme facilidade para fazer versos, imitando qualquer estilo de grandes autores. Com ou sem auxílio de outro mundo, ele vai continuar escrevendo seus versos e seus livros". - O mais incrível é que, depois dessa, tanta gente tenha continuado a acreditar nas psicografias de Chico Xavier. Foi nessa época que ele, acuado pelas investigações, saiu de Pedro Leopoldo e foi para Uberaba, local onde o espiritismo se encontrava em expansão, onde recebeu apoio.


3. Em 1971, o repórter José Hamilton Ribeiro, da revista Realidade, visitou as sessões de psicografia de Chico, e denunciou que ali aconteciam truques para impressionar os mais crédulos.

Declarou o repórter: "Meu fotógrafo viu um dos assessores de Chico levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar". Chico era famoso pelo perfume que parecia surgir "do nada" em meio às sessões de “psicografia”. - "As pessoas pensavam que o perfume vinha dos espíritos", completou Ribeiro.


4. Em muitos livros de Chico Xavier, especialistas encontraram casos claros de plágio de obras literárias publicadas por diversos autores.

O pesquisador especializado Vitor Moura, criador do website "Obras Psicografadas", comparou trechos dos livros ditos psicografados por Chico com livros de outros autores e descobriu evidências inquestionáveis. Um dos casos mais impressionantes é o da cópia quase literal de trechos da obra "Vida de Jesus", do filósofo Ernest Renan, no livro "Há dois mil anos", que Chico afirmou ter sido psicografado pelo "espírito Emmanuel".

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