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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

QUE PENSAR DO MOTU PROPRIO DE FRANCISCO SOBRE A ‘SIMPLIFICAÇÃO’ DOS PROCESSOS DE NULIDADE MATRIMONIAL?


HAVERÁ ALGUÉM TÃO INGÊNUO E SIMPLÓRIO QUE NÃO SEJA CAPAZ DE DISCERNIR QUE, soltando-se ainda mais as amarras dos(já tão frouxos) liames matrimoniais— mediante uma PERIGOSA 'simplificação' e 'aceleração' dos processos —, TAL INCOMPREENSÍVEL AÇODAMENTO SÓ TENDERÁ A FAVORECER A PROLIFERAÇÃO AD INFINITUM DE CONTROVERSAS ‘DECLARAÇÕES DE NULIDADE’?



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TEXTO REFORMULADO, COM RETIFICAÇÕES E ACRÉSCIMOS




RAPHAEL DE LA TRINITÉ


É certo que GRANDE PARTE DOS QUE CONTRAEM MATRIMÔNIO, FAZEM-NO SEM CONHECER DEVIDAMENTE O QUE ESTÃO REALIZANDO.

Entretanto, pergunta-se: a que se deve essa gravíssima lacuna?
PRECISAMENTE ao fato de que, depois do Vaticano II, O CLERO DEIXOU DE ENSINAR TODA A VERDADE A RESPEITO DO SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO, COMO, ALIÁS, TAMBÉM DE VÁRIOS OUTROS PONTOS DA FÉ E DA MORAL.



‘Foram difundidas verdadeiras heresias, no campo dogmático e moral, criando dúvidas, confusões e rebeliões (...) [caminha-se para um] cristianismo sociológico, sem dogmas definidos e sem moral objetiva"(João Paulo II, L' Osservatore Romano, 7-2-81).


A fé se estabelecia sobre certezas. Abalando-as, semeou-se a perplexidade.
Esta, por sua vez, nutriu-se da ambiguidade, das contemporizações, das negações e dos subterfúgios, nos casos em que não houve manifesta distorção dos princípios basilares de nossa santa Religião.

Vejamos em que termos o Papa Bento XVI retrata, de forma bem sugestiva, essa ruína do ensinamento católico, após a hecatombe pós-conciliar: “OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA FÉ, QUE NO PASSADO TODA CRIANÇA SABIA, SÃO CADA VEZ MENOS CONHECIDOS” (Alocução da quinta-feira santa, 5 de abril de 2012). Mais recentemente, o Cardeal Burke afirmou, em sentido análogo: “NÃO COMBATEMOS ADEQUADAMENTE OS ERROS MODERNOS, PORQUE NÃO NOS FOI ENSINADA A FÉ CATÓLICA (…). UMA FALÊNCIA DA CATEQUESE, OU SEJA, DA CATEQUESE (…) REALIZADA NOS ÚLTIMOS 50 ANOS” (http://www.ilfoglio.it/soloqui/19951; grifos nossos) [cumpre observar que a referência aos últimos cinquenta anos coincide exatamente com o período pós-conciliar].

O futuro Papa Bento XVI, que, em 1984, fez referência ao desastre do ensino catequético, reafirmou, em 2003, que nada mudara nesse ponto de importância capital (sem dúvida, capítulo decisivo do processo de “autodemolição” da Igreja, apontado em 1968 por Paulo VI).

Expondo a necessidade de ensinar [adequadamente] o catecismo, o então Cardeal Ratzinger reitera: “Embora sem intenção de condenar a ninguém, TORNA-SE PATENTE QUE A AUSÊNCIA DE CONHECIMENTOS EM MATÉRIA DE RELIGIÃO É HOJE UMA REALIDADE TREMENDA. BASTA FALAR COM AS NOVAS GERAÇÕES [PARA NOS DARMOS CONTA DISSO]. EVIDENTEMENTE, APÓS O CONCÍLIO NÃO CONSEGUIRAM TRANSMITIR CONCRETAMENTE O QUE ESTÁ CONTIDO NA FÉ CRISTÔ
(Cfr. “La Razón”, edicióndel 28 de mayo del 2003. www.conoze.com/doc.php?doc=1806; grifos nossos).

Numa visão global sobre a devastação operada no período pós-conciliar, o mesmo Papa Bento XVI, quando ainda Cardeal Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, teve estas significativas palavras:

"Os resultados que se seguiram ao Concílio parecem cruelmente opostos às expectativas de todos, a começar do papa João XXIII e depois de Paulo VI [...] Os Papas e os Padres conciliares esperavam uma nova unidade católica e, pelo contrário, se caminhou para uma dissensão que — para usar as palavras de Paulo VI — pareceu passar da autocrítica à autodemolição. ESPERAVA-SE UM NOVO ENTUSIASMO E, EM LUGAR DELE, ACABOU-SE COM DEMASIADA FREQUÊNCIA NO TÉDIO E NO DESÂNIMO. ESPERAVA-SE UM SALTO PARA A FRENTE E, EM VEZ DISSO, ENCONTRAMO-NOS ANTE UM PROCESSO DE DECADÊNCIA PROGRESSIVA”
(Cfr. Vittorio Messori, “A coloquioconilcardinaleRatzinger, Rapportosulla fede”, EdizioniPaoline, Milano, 1985, pp. 27-28; grifos nossos).



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O papel do católico militante


Perante esse quadro de formidável e insanável crise, o que fazer?

Diante disso, não pode o fiel calar-se, segundo ensina Dom Guéranger: "Quando o pastor se transforma em lobo, é ao rebanho que, em primeiro lugar, cabe defender-se. Normalmente, sem dúvida, a doutrina desce dos Bispos para o povo fiel, e os súditos, no domínio da Fé, não devem julgar seus chefes. Mas HÁ, NO TESOURO DA REVELAÇÃO, PONTOS ESSENCIAIS, QUE TODO CRISTÃO, EM VISTA DE SEU PRÓPRIO TÍTULO DE CRISTÃO, NECESSARIAMENTE CONHECE E OBRIGATORIAMENTE HÁ DE DEFENDER. O PRINCÍPIO NÃO MUDA, QUER SE TRATE DE CRENÇA OU PROCEDIMENTO, DE MORAL OU DE DOGMA. [...]. OS VERDADEIROS FIÉIS SÃO OS HOMENS QUE EXTRAEM DE SEU BATISMO, EM TAIS CIRCUNSTÂNCIAS, A INSPIRAÇÃO DE UMA LINHA DE CONDUTA; NÃO OS PUSILÂNIMES" (12).
(D. ProsperGuéranger, “L'annéeliturgique, Le temps de laSeptuagésime, fête de Saint Cyrille d’Alexandrie”, p. 321; grifos nossos).

Ouçamos, neste particular, ainda uma vez, as esclarecedoras palavras do Papa Emérito, Bento XVI, quando ainda Cardeal: "A IGREJA PÓS-CONCILIAR TORNOU-SE UM GRANDE ESTALEIRO. MAS É UM ESTALEIRO DO QUAL SE PERDEU O PROJETO E TODOS CONTINUAM A CONSTRUIR SEGUNDO O SEU GOSTO”.(Card. Joseph RATZINGER, Rapportosulla Fede, Entrevistado por Vittorio Messori, EdizioniPaoline, Milão, 1985, pp. 27-28; destaques e negrito nossos).

A indagação é evidente: PODE HAVER CONFISSÃO DE MAIS ROTUNDO FRACASSO?


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O ‘estaleiro’ da Igreja pós-conciliar


Será essa a mais recente novidade do ‘estaleiro’ da Igreja pós-conciliar — ou seja, ‘facilitar’ a declaração de ‘nulidade matrimonial’?

Não há como, em sã consciência, escapar ao trágico paralelo: há cinco séculos, Lutero investiu contra erros e abusos existentes em profusão no Episcopado e na Cúria Romana. Alegava, então, o heresiarca que havia abusos na Igreja, sendo, pois, imprescindível suprimi-los. De fato, porém, o que fez Lutero?

Desferiu golpe contra a Igreja, atribuindo todo o mal à instituição do papado, contra a qual se rebelou. Os abusos não passaram de pretexto para a sua sedição monstruosa.


Nos dias atuais, como Francisco pretende sanar erros e abusos que desfiguram o matrimônio católico? 

Removendo, em tese, óbices, delongas e etapas que dificultam o rápido reconhecimento de que, em muitos casos, não houve casamento. Em suma, supostos ou reais erros e abusos. Contudo, qual o clima reinante na Igreja atual?

DISSEMINA-SE O ERRO DE QUE A FÉ SE BASEIA EM UM SENTIMENTO INTERIOR. Era, por exemplo, o que já propugnava Maurice Blondel, filósofo "católico" que aderiu ao modernismo, heresia condenada por São Pio X, na Pascendi, no início do século 20. SENDO ASSIM, AO INVÉS DA CATEQUESE TRADICIONAL, O QUE IMPORTA É ATENDER ÀS ASPIRAÇÕES PSICOLÓGICAS DO HOMEM MODERNO. De fato, quantos são hoje os que falam na vida sobrenatural ou na necessidade de mortificar as paixões? Pelo contrário, a ênfase é na felicidade já, aqui, e a todo preço. Os grandes doutores da Igreja — Santo Tomás, Santo Agostinho, São João da Cruz, Santa Teresa de Ávila, Santo Afonso de Ligório —, na mente de muitos católicos neomodernistas, foram substituídos por JUNG, FREUD, SCHELLER, HUSSERL (AUTORES NÃO CATÓLICOS E, EM GRANDE MEDIDA, MILITANTEMENTE ANTICATÓLICOS), ALÉM DE NOÇÕES CORRIQUEIRAS TIRADAS DO CAMPO DO MARKETING, OU DA PSICOLOGIA APLICADA, ETC... A ISSO MUITOS DENOMINAM ‘PISCOLOGISMO’.
Alguém, em sã consciência, pode ser levado a crer que muitos não entendam o Motu Proprio como um sinal verde para que o critério supracitado passe a servir, quase oficialmente, como baliza NO SENTIDO DE AFIRMAR QUE ESTES OU AQUELES,‘NÃO GOZANDO DE CERTAS CONDIÇÕES PSICOLÓGICAS’, TERIAM CONTRAÍDO NÚPCIAS ILEGITIMAMENTE? 


‘A história é mestra da vida’

Aqui vai o paralelo: HÁ MUITO QUE RECEAR que, após algum tempo de aplicação do Motu Proprio do Papa Francisco sobre ‘nulidade matrimonial’, nos deparemos, em presença do matrimônio, com situação semelhante àdo processo desencadeado por Lutero contra a Igreja, em consequência de sua insurreição.

Noutros termos, assim como Lutero ensejou a proliferação de seitas que se entrechocavam, também não é nada improvável que o que resta do matrimônio católico acabe em frangalhos, cada qual com sua ‘concepção’ particular de matrimônio.

Objetivamente falando, o resultado prático bem pode não sermuito diverso. Noutros termos, há certas iniciativas que, vendo o mal só pela rama, agravam-lhe a profundidade e extensão.

Lutero afirmava: há abusos sem fim na Cúria Romana — papas que causam indizíveis escândalos; péssimo comportamento de eclesiásticos muito bem colocados no Vaticano, e assim por diante.
O que fazer, diante disso?


Um Papa destemido


Ao ver que o edifício eclesiástico apresentava graves rachaduras, pura e simplesmente, Lutero resolveu lançar mão da picareta, em seu intento sacrílego de derrubar a construção divina...
Pouco tempo depois da revolta luterana, houve um Papa -- Adriano VI – que, entretanto, declarou:(...) “não é de espantar que a enfermidade se tenha propagado da cabeça aos membros, DESDE O PAPA ATÉ AOS PRELADOS.NÓS TODOS, PRELADOS E ECLESIÁSTICOS, NOS AFASTAMOS DO CAMINHO RETO, E JÁ HÁ MUITO NÃO HÁ UM QUE PRATIQUE O BEM... (...) E ACONTECERÁ QUE, ASSIM COMO A ENFERMIDADE POR AQUI COMEÇOU, TAMBÉM POR AQUI COMECE A SAÚDE (...)”.

Um documento memorável, nesse sentido, foi a instrução do Papa Adriano VI (1522-1523), lida pelo Núncio pontifício Francisco Chieregati aos Príncipes alemães reunidos em dieta, em Nuremberg, em 3 de janeiro de 1523.

Transcreve largos trechos desse documento o historiador austríaco Ludwig von Pastor, em sua obra célebre "Geschichte der papste" – História dos Papas (LUDOVICO PASTOR, Historia de los Papas, Editorial Gustavo Gili, Barcelona, 1952, tomo IV, vol. IX, pp. 107 a 109 / Imprimase: El Vicario General José Palmarolla, por mandato de SuSeñoria, L.c. Salvador Carreras, Pbro., Strio, Canc.)

Leiamos alguns trechos a seguir, para que se conheça melhor o contexto de tal terrível declaração: "Deves (dirige-se o Pontífice ao Núncio Chieregati) dizer também que RECONHECEMOS LIVREMENTE HAVER DEUS PERMITIDO ESTA PERSEGUIÇÃO À SUA IGREJA, POR CAUSA DOS PECADOS DOS HOMENS, E ESPECIALMENTE DOS SACERDOTES E PRELADOS, pois de certo não se encurtou a mão do Senhor para nos salvar; mas são nossos pecados que nos afastam dEle, de modo que não nos ouve as súplicas. A SAGRADA ESCRITURA ANUNCIA CLARAMENTE QUE OS PECADOS DO POVO TÊM ORIGEM NOS PECADOS DOS SACERDOTES, E POR ISTO, COMO OBSERVA (SÃO JOÃO) CRISÓSTOMO, NOSSO DIVINO SALVADOR, QUANDO QUIS PURIFICAR A ENFERMA CIDADE DE JERUSALÉM, DIRIGIU-SE EM PRIMEIRO LUGAR AO TEMPLO, PARA REPREENDER ANTES DE TUDO OS PECADOS DOS SACERDOTES; E NISSO IMITOU O BOM MÉDICO, QUE CURA A DOENÇA EM SUA RAIZ. BEM SABEMOS QUE, MESMO NESTA SANTA SÉ, HA JÁ ALGUNS ANOS VEM OCORRENDO, MUITAS COISAS DIGNAS DE REPREENSÃO; ABUSOU-SE DAS COISAS ECLESIÁSTICAS, QUEBRANTAM-SE OS PRECEITOS, CHEGOU-SE A TUDO PERVERTER. ASSIM, NÃO É DE ESPANTAR QUE A ENFERMIDADE SE TENHA PROPAGADO DA CABEÇA AOS MEMBROS, DESDE O PAPA ATÉ AOS PRELADOS.NÓS TODOS, PRELADOS E ECLESIÁSTICOS, NOS AFASTAMOS DO CAMINHO RETO, E JÁ HÁ MUITO NÃO HÁ UM QUE PRATIQUE O BEM. Por isso devemos todos glorificar a Deus e nos humilharmos em sua presença; que cada um de nós considere por que caiu, e se julgue a si mesmo, ao invés de esperar a justiça de Deus no dia de sua ira. Por isto (igualmente) deves tu prometer em nosso nome que estamos resolvidos a empregar toda a diligência a fim de que, em primeiro lugar, seja reformada a Corte romana, da qual talvez se tenham originado todos esses danos; E ACONTECERÁ QUE, ASSIM COMO A ENFERMIDADE POR AQUI COMEÇOU, TAMBÉM POR AQUI COMECE A SAÚDE. Nós nos consideramos tanto mais obrigados a levar isto a bom termo, quanto todo o mundo deseja semelhante reforma. Porém não procuramos nossa dignidade pontifícia (o Papado que Adriano VI exerce), e de mais bom grado teríamos terminado na solidão da vida privada nossos dias; de bom grado teríamos recusado a tiara, e só o temor de Deus, a legitimidade da eleição e o perigo de um cisma nos determinaram a aceitar o supremo munus pastoral. Em consequência, queremos exercê-lo não por ambição de mando, nem para enriquecer nossos parentes, mas para restituir à Santa Igreja, Esposa de Deus, sua antiga formosura, prestar auxilio aos oprimidos, elevar os varões sábios e virtuosos, e genericamente fazer tudo o que compete a um bom pastor e verdadeiro sucessor de São Pedro (...)”.

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O divórcio ‘católico’



Aqui está bem expresso o papel precípuo de um Pontífice: é o de CONSTRUIR, EDIFICAR, SANAR O MAL PELA RAIZ, EM CONTINUIDADE COM O QUE VEM SENDO FEITO HÁ DOIS MIL ANOS.

Ora, está em que condições a família, nos dias atuais?

Praticamente exangue. Não será, pois, com ‘simplificações’ e nebulosas casuísticas que o vínculo matrimonial sairá reforçado de toda essa refrega. As rachaduras nessa sagrada instituição são por demais visíveis para que não se tema que uma machadada afoita ponha abaixo o que ainda resta da fidelidade conjugal em âmbitos católicos.

Ou, por acaso, HAVERÁ ALGUÉM TÃO INGÊNUO E SIMPLÓRIO QUE NÃO SEJA CAPAZ DE DISCERNIR QUE, soltando-se ainda mais as amarras dos(já tão frouxos) liames matrimoniais— mediante uma PERIGOSA 'simplificação' e 'aceleração' dos processos —, TAL INCOMPREENSÍVEL AÇODAMENTO SÓ TENDERÁ AFAVORECER A PROLIFERAÇÃO AD INFINITUM DE CONTROVERSAS ‘DECLARAÇÕES DE NULIDADE’?

Com efeito, embora tanto João Paulo II como Bento XVI, em seus discursos à Rota Romana (1987 e 2009, respectivamente, Discurso de João Paulo II à Rota Romana em 1987 (em italiano)

Discurso de Bento XVI à Rota Romana em 2009
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2009/january/documents/hf_ben-xvi_spe_20090129_rota-romana_po.html)), tenham advertido contra A TENTAÇÃO DE CONSIDERAR COMO IMPEDIMENTO (PORTANTO, COMO CASOS PASSÍVEIS DE ‘DECLARAÇÃO DE NULIDADE’) QUALQUER DIFICULDADE DE CUNHO PSICOLÓGICO (O QUE LEVARIA A CONSIDERAR NULO PRATICAMENTE TODO CASAMENTO),ninguém ousaria negar a existência de uma forte tendência nesse sentido. Não raro, sobretudo nos EUA, propaga-se ser essa uma variante do que se entende por divórcio, isto é, uma espécie de divórcio ‘católico’!

Numa palavra, por via dos fatos, deslizando-se, precipício abaixo, chega-se a aprovar aquilo que, de si, é moralmente inaceitável.


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A ‘fumaça’ de Satanás, que asfixia...


Há mais de quatro décadas, o Papa Paulo VI advertiu que a fumaça de Satanás penetrara na Igreja (Cfr. Alocução Resistite fortes in fide, 29 de junho de 1972, in Insegnamentidi Paolo VI, Poliglotta Vaticana, vol. 10, pp. 707-709). Disse também que a Igreja estava passando por um misterioso processo de autodemolição (Cfr. Alocução aos estudantes do Pontifício Seminário Lombardo, de 7 de dezembro de 1968, in Insegnamentidi Paolo VI, vol. 6, p. 1188).

Essa fumaça de Satanás também espalhou o relativismo intelectual e moral por toda a Igreja, com reflexos em toda a sociedade. Aliás, até hoje, alguém fez um esforço de análise sério, vigoroso, decisivo, meticuloso, para nos livrar da asfixia dessa fumaça satânica e dos abalos sísmicos no sacrossanto edifício da Igreja?

Eis o fundo de quadro que deve nortear todo e qualquer esforço para o reerguimento de nossa vida religiosa e moral. A fortiori, do matrimônio monogâmico e indissolúvel, que estertora.



A única ‘reforma’ cabível: ensinar a verdade inteira


Não cabe alegar, como escusa:o povo está mal informado ou mal preparado acerca do matrimônio. Logo, as recentes medidas do papa Francisco se fazem necessárias como um mal menor.

NESTE PARTICULAR, SENDO REFERIDA IGNORÂNCIA O GRANDE MAL A SER COMBATIDO — e isso é inconteste —, debele-se a causa: QUE SEJA RESTABELECIDO POR INTEIRO O ENSINAMENTO CATÓLICO SOBRE O MATRIMÔNIO, DE TODAS AS CÁTEDRAS, DE TODOS OS PÚLPITOS, EM TODOS OS LIVROS, POR TODOS OS MEIOS CABÍVEIS.

Com efeito, a missão do Clero — ensina São Pio X — é governar, ensinar e santificar. Dado que o povo fiel nãovem recebendo o pão da verdade, de quem a responsabilidade maior?

AS PALAVRAS DE BENTO XVI FALAM POR SI.

O mal campeia desde cima, a começar pelos Papas, passando por todos os graus intermediários da Hierarquia, até as últimas ramificações.

Só por aí faz sentido começar a retificação dos desastrados rumos.


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Daqui, todavia, provém uma palavra de alento: trata-se de algo que NUNCA NOS DEMOVERÁ DA CERTEZA DA VITÓRIA.

Por maiores que sejam as crises com que se defronte a Igreja, é preciso perseverar na Fé, crendo firmemente na PROMESSA DE NOSSO SENHOR, DE QUE AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA A IGREJA: “ET PORTAE INFERI NON PRAEVALEBUNT ADVERSUS EAM” (MT 18, 16).


Em honra da Natividade da Bemaventura Virgem Maria Mãe de Deus

2015

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

TANGO EM SÃO PEDRO ENQUANTO A BARCA VAI À DERIVA. OU: A IGREJA TITANIC


DESTAQUE

Em Cartago, recorda Salviano de Marselha, dançava-se e banqueteava-se na véspera da invasão dos Vândalos, e em São Petersburgo, de acordo com o testemunho do jornalista americano John Reed, enquanto que os bolcheviques se apoderavam do poder, os teatros e restaurantes continuavam a ficar lotados.

Pode-se negar a existência de uma confusão absoluta?

O tango que foi dançado em 17 de dezembro de 2014 por ocasião do aniversário do papa Francisco lembra outra música; aquela tocada no Titanic na noite da tragédia. Porém naquele tempo a ponta do iceberg surgiu de repente, enquanto que os dançarinos estavam inconscientes do desastre iminente. Hoje o iceberg é visível e há aqueles que brindam ao impossível naufrágio da Barca de Pedro. Todavia muitas pessoas estão alertas e têm a forte sensação, como disse o cardeal Burke, de que a Igreja seja um navio à deriva.

Le Figaro
, um jornal de centro-direita, famoso por sua moderação, consagrou seu suplemento de dezembro, “Le Figaro Magazine“, à Guerra secreta no Vaticano. Como o papa Francisco agita a Igreja: 11 páginas, escritas por Jean-Marie Guénois, considerado como um dos vaticanistas mais sérios e competentes. 

“Algo parece ter virado na Igreja desde o Sínodo sobre a família do outono de 2014, escreve Guénois, e o acumulo dos indícios permite se perguntar: a Igreja não corre o risco de enfrentar uma tormenta no fim de 2015, depois da segunda sessão do sínodo sobre a família?“ Guénois revela a existência de uma “guerra secreta” entre cardeais que não têm como propósito a conquista do poder. O que está em curso é uma batalha de ideias, que tem como alvo principal a doutrina da Igreja sobre a família e o matrimônio. O papa Francisco é acusado dentro da Cúria de uma gestão autocrática do poder, que o jornalista francês resume na fórmula: “Quando decide, o Papa não é delicado“, mas o verdadeiro problema é sua visão eclesial, inspirada e aconselhada pelas correntes mais progressistas do Vaticano.

De acordo com Guénois, três teólogos definem os novos objetivos: o cardeal alemão Walter Kasper, o bispo italiano Bruno Forte e o arcebispo argentino Victor Manuel Fernandez. “É este trio que atiçaram o fogo durante o sínodo sobre a família!”. 

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Fonte: Roberto de Mattei – Il Foglio / Tradução: Dominus Est


Provavelmente os historiadores de amanhã se lembrarão que em 2014, na praça de São Pedro, dançava-se tango enquanto os cristãos eram massacrados no oriente e a Igreja estava à beira de um cisma. Essa atmosfera de leveza e de inconsciência não é nova na história. Em Cartago, recorda Salviano de Marselha, dançava-se e banqueteava-se na véspera da invasão dos Vândalos, e em São Petersburgo, de acordo com o testemunho do jornalista americano John Reed, enquanto que os bolcheviques se apoderavam do poder, os teatros e restaurantes continuavam a ficar lotados. O Senhor, como diz a Escritura, cega aqueles que ele quer perder (Jo 2, 27-41).
O principal drama do nosso tempo não é, todavia, a agressão que vem do exterior, mas esse misterioso processo de auto-demolição da Igreja que alcança suas últimas consequências, depois de ter sido denunciado pela primeira vez por Paulo VI em seu famoso discurso ao Seminário Lombardo de 7 de dezembro de 1968. A auto-demolição não é um processo fisiológico. É um mal que tem responsáveis. E os responsáveis são, nesse caso, esses homens da igreja que sonham em substituir o Corpo Místico de Cristo por um novo organismo, submisso a uma perpétua evolução sem verdades nem dogmas. 

Um quadro impressionante da situação foi oferecido no fim de 2014 por dois dossiês sobre a Igreja publicados respectivamente pelo jornal diário francês Le Figaro e pelo cotidiano italiano la Repubblica. 

Le Figaro
, um jornal de centro-direita, famoso por sua moderação, consagrou seu suplemento de dezembro, “Le Figaro Magazine“, à Guerra secreta no Vaticano. Como o papa Francisco agita a Igreja: 11 páginas, escritas por Jean-Marie Guénois, considerado como um dos vaticanistas mais sérios e competentes. 

“Algo parece ter virado na Igreja desde o Sínodo sobre a família do outono de 2014, escreve Guénois, e o acumulo dos indícios permite se perguntar: a Igreja não corre o risco de enfrentar uma tormenta no fim de 2015, depois da segunda sessão do sínodo sobre a família?“ Guénois revela a existência de uma “guerra secreta” entre cardeais que não têm como propósito a conquista do poder. O que está em curso é uma batalha de ideias, que tem como alvo principal a doutrina da Igreja sobre a família e o matrimônio. O papa Francisco é acusado dentro da Cúria de uma gestão autocrática do poder, que o jornalista francês resume na fórmula: “Quando decide, o Papa não é delicado“, mas o verdadeiro problema é sua visão eclesial, inspirada e aconselhada pelas correntes mais progressistas do Vaticano. 

De acordo com Guénois, três teólogos definem os novos objetivos: o cardeal alemão Walter Kasper, o bispo italiano Bruno Forte e o arcebispo argentino Victor Manuel Fernandez. “É este trio que atiçaram o fogo durante o sínodo sobre a família!”. Desse modo, ele considera que Kasper é o testa de ferro pela admissão dos divorciados recasados aos sacramentos, Forte é o promotor da legalização da homossexualidade e Fernández um importante expoente da teologia peronista do povo. 

Guénois 
entrevistou em seguida o cardeal Burke sobre o Sínodo, que, como de costume, se expressou com uma clareza cristalina: “O sínodo foi uma experiência difícil. Houve uma linha, a do cardeal Kasper, poder-se-ia dizer, atrás da qual se colocaram aqueles que tinham em mãos a direção do sínodo. De fato, o documento intermediário parecia já ter sido escrito antes das intervenções dos padres sinodais! E segundo uma linha única, em favor da posição do cardeal Kasper… Também introduziram a questão homossexual, que não tem nada a ver com a questão do matrimônio, buscando aí elementos positivos. (…) Logo, foi muito desconcertante. Assim como o fato de ter mantido, no relatório final, certos parágrafos sobre a homossexualidade e sobre os divorciados recasados que não foram, todavia, adotados pela maioria requerida pelos bispos. (…) Logo, estou muito preocupado, e chamo os católicos, os leigos, sacerdotes e bispos a se comprometerem, daqui até a próxima assembleia sinodal, a fim de realçar a verdade sobre o matrimônio”.

Que as preocupações do cardeal Burke sejam justificadas o demonstra o suplemento semanal “Il Venerdì de laRepubblica” de 27 de dezembro de 2014, completamente dedicado a uma “Investigação sobre a Igreja”: 98 páginas com 20 artigos, nos quais é descrita “a nova era de Francisco, entre adversários, santos, perseguidos e pecadores”. 

O protagonista do La Repubblica é o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, que confirma sua abertura aos divorciados recasados e aos pares homossexuais, nega a decadência moral do ocidente e afirma que “a pretensa secularização é um desenvolvimento necessário da liberdade. Uma sociedade livre é um progresso, segundo o verdadeiro ponto de vista do Evangelho“. Francisco, explica ele, “quer conduzir a Igreja à força original de seu testemunho. Ele tem uma visão clara do que quer, mas ele não segue um plano fixo, pessoal ou pré-determinado, nem um programa de governo. Ele lança sinais e dá exemplos, como ele fez durante o Sínodo consagrado ao matrimônio e à família“. 

Dentro do dossiê, Marco Ansaldo, numa entrevista com o título “Franzoni, a vingança do antigo padre vermelho”, concede amplo espaço a Giovanni Franzoni, antigo abade da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, que insiste sobre o fato de que as posições pelas quais ele foi condenado se aproximam atualmente das do Vaticano. Franzoni foi demitido do estado clerical (em 1976) por ter dito sim à lei sobre o divórcio e o aborto, e por suas declarações de voto em favor do Partido Comunista. Casado com uma jornalista ateia japonesa, hoje ele não renega suas ideias e afirma ter “descoberto a sexualidade como enriquecimento total e não como privação de energias que poderiam ser dedicadas ao Senhor“. 

De acordo com algumas indiscrições, o Papa teria a intenção de admitir ao sacerdócio alguns leigos casados (a pretensa viriprobati) e de reintegrar na administração dos sacramentos padres já casados, reduzidos ao estado laico, como o próprio Franzoni ou o antigo franciscano e teólogo alterglobalista Leonardo Boff, que vive atualmente no Brasil com uma companheira. 

Em 17 de novembro, Boff, que passou da teologia da libertação àeco-teologia, confirmou à agência Ansa ter enviado ao Papa, a pedido dele, material para sua próxima encíclica, e, em 28 de dezembro, em polêmica com Vittorio Messori, ele expressou no “Noi siamochiesa” 
seu apoio ao papa Francisco contra um escritor nostálgico, com essas palavras: “Por tudo isso, é sumamente importante uma igreja aberta como a quer Francisco de Roma. É necessário que ela esteja aberta às irrupções do Espírito, chamado por alguns teólogos “a fantasia de Deus”, por causa de sua criatividade e novidade, na sociedade, no mundo, na história dos povos, nos indivíduos, nas igrejas e também na Igreja católica. Sem o Espírito Santo, a igreja se transforma numa instituição pesada, enfadonha, forte, sem criatividade, e chega um momento em que ela não tem nada a dizer ao mundo, a não ser doutrinas, sempre mais doutrinas, que não suscitam a esperança e a alegria de viver”.

Pode-se negar a existência de uma confusão absoluta?

O tango que foi dançado em 17 de dezembro de 2014 por ocasião do aniversário do papa Francisco lembra outra música; aquela tocada no Titanic na noite da tragédia. Porém naquele tempo a ponta do iceberg surgiu de repente, enquanto que os dançarinos estavam inconscientes do desastre iminente. Hoje o iceberg é visível e há aqueles que brindam ao impossível naufrágio da Barca de Pedro. Todavia muitas pessoas estão alertas e têm a forte sensação, como disse o cardeal Burke, de que a Igreja seja um navio à deriva. Estamos entre eles, e por essa razão não saudamos 2015 com danças e fogos de artifício, mas com a firme intenção de acolher o apelo do próprio cardeal Burke e lutar, daqui até o próximo Sínodo, e além, a fim de defender a verdade do Evangelho sobre o matrimônio.

Fonte: Católicos de Ribeirão Preto

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Abaixo-assinado da Filial Súplica a S. S. o Papa Francisco sobre o Futuro da Família




A campanha

Neste dia especial, em que três reis se ajoelharam diante do divino Infante, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO) anuncia aos seus diletos leitores mais uma campanha em defesa da Família.
Trata-se de uma coleta de assinaturas – em vista do próximo Sínodo sobre a Família, que ocorrerá em outubro de 2015 – a ser enviada ao Papa Francisco solicitando uma palavra esclarecedora para superar a crescente confusão entre os fiéis, causada pelas informações veiculadas por ocasião do último Sínodo, sobre a “possibilidade de que se tenha aberto no seio da Igreja uma brecha que permite a aceitação do adultério – mediante a admissão à Eucaristia de casais divorciados recasados civilmente –, e até mesmo uma virtual aceitação das próprias uniões homossexuais, práticas essas condenadas categoricamente como contrárias à Lei divina e natural”, conforme relata o texto da missiva transcrita no final deste artigo.
Outro ponto importante é que constatamos iniciativas progressistas, especialmente na Europa e nos EUA, que visam tentar influenciar os padres sinodais para que tomem medidas liberalizantes – o que significa a destruição – da doutrina moral revelada da Igreja Católica.




Quem está promovendo o abaixo-assinado?
A iniciativa pertence à Federação Pró-Europa Cristã à qual o IPCO, junto com diversas outras associações do Brasil e fora dele, oferece seu esforço em apoio a tão importante iniciativa.

Como participar?

2) Assine e colete o apoio de seus familiares e amigos; e
3) Envie por correio as assinaturas para o endereço que consta no documento.
(*) OBS: Se preferir o arquivo PDF sem o logotipo do IPCO, clique aqui.
Sua ajuda será preciosa, pois o lobby anticristão já está trabalhando para arrastar o próximo Sínodo sob os ventos malsãos de estilos de vida hedonista que não só não resolvem o problema moral do mundo moderno, como o agrava de forma acentuada.
Que a Sagrada Família ajude a todos nós nesta iniciativa em prol dos ensinamentos milenares de Nosso Senhor Jesus Cristo.

*** * ***

Segue abaixo a carta do abaixo-assinado:
Beatíssimo Padre,
Tendo em vista o Sínodo sobre a Família de outubro de 2015, dirigimo-nos filialmente a Vossa Santidade, para Lhe manifestar as nossas apreensões e esperanças sobre o futuro da família.
Nossas apreensões se devem ao fato de virmos assistindo há décadas a uma revolução sexual promovida por uma aliança de poderosas organizações, forças políticas e meios de comunicação, a qual atenta passo a passo contra a própria existência da família como célula básica da sociedade. Desde a chamada Revolução de 68, sofremos uma imposição gradual e sistemática de costumes morais contrários à Lei natural e divina, tão implacável que torna hoje possível, por exemplo, ensinar em muitos lugares a aberrante “teoria do gênero”, a partir da mais tenra infância.
Em face dessa obscura orquestração ideológica, o ensinamento católico sobre o Sexto Mandamento da Lei de Deus é como uma tocha acesa que atrai inúmeras pessoas – opressas pela publicidade hedonista – para o modelo de família casto e fecundo pregado pelo Evangelho e conforme à ordem natural.
Santidade, na sequência das informações veiculadas por ocasião do último Sínodo, constatamos com dor que para milhões de fiéis a luz dessa tocha pareceu vacilar sob os ventos malsãos de estilos de vida propagados por lobbies anticristãos. Com efeito, observamos uma desorientação generalizada, causada pela possibilidade de que se tenha aberto no seio da Igreja uma brecha que permite a aceitação do adultério – mediante a admissão à Eucaristia de casais divorciados recasados civilmente –, e até mesmo uma virtual aceitação das próprias uniões homossexuais, práticas essas condenadas categoricamente como contrárias à Lei divina e natural.
Dessa desorientação brota paradoxalmente a nossa esperança.
Sim, porque nesta situação uma palavra esclarecedora Vossa será a única via capaz de superar a crescente confusão entre os fiéis. Ela impediria a relativização do próprio ensinamento de Jesus Cristo, e dissiparia as trevas que se projetam sobre o futuro dos nossos filhos, caso essa tocha deixe de lhes iluminar o caminho.
Esta palavra, Santo Padre, nós Vô-la imploramos com o coração devotado por tudo o que sois e representais, certos de que ela não poderá jamais dissociar a prática pastoral do ensino legado por Jesus Cristo e por seus vigários, o que só aumentaria a confusão. Jesus nos ensinou com toda clareza, com efeito, a coerência que deve existir entre a verdade e a vida (cfr. Jo 14, 6-7), assim como nos advertiu de que o único modo de não sucumbir é colocar em prática a sua doutrina (cfr. Mt 7, 24-27).
Ao mesmo tempo em que pedimos a Sua bênção apostólica, asseguramos-Lhe as nossas orações à Sagrada Família – Jesus, Maria e José –, para que ela ilumine Vossa Santidade nesta circunstância tão transcendental.
Fonte: IPCO

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O QUE SE PREPARA PARA O SÍNODO DE OUTUBRO?


DESTAQUE – COMENTÁRIO



Agora nós não estamos mais limitados a considerar a comunhão para os divorciados e recasados, mas ampliando a questão para todas "as coabitações irregulares"? Eu espero que os eclesiásticos mais elevados considerem a questão pastoral de quanto tempo os casais devem coabitar antes que possam receber a Sagrada Comunhão? Os párocos, como Pe. Vicario e eu mesmo, precisam saber onde a linha será desenhada.

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A ira cadente sobre o pobre Pe. Vicario não terminou com uma repreensão de seu Ordinário. O Cardeal Baldisseri, o secretário-geral do próximo Sínodo, disse que as palavras de Pe. Vicario foram "loucas, uma opinião estritamente pessoal de um pároco que não representa ninguém, nem mesmo a si mesmo" ("una pazzia, un’opinion estrettamente personale di un parroco che non rappresenta nessuno, neanche se stesso.")
O artigo de Sandro Magister faz uma comparação pertinente entre as palavras do sacerdote italiano e as do Cardeal Collins, arcebispo de Toronto, que foi nomeado em janeiro deste ano como um dos cinco membros da Comissão de Cardeais Supervisionar o Instituto para as Obras de Religião.

Sandro Magister está certo ao apontar que o cardeal Collins não disse nada diferente do Pe. Vicario. E ele está certo em perguntar se ele também será acusado de ser louco.

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Padre Italiano é chamado de louco por Baldisseri porque ensina doutrina tradicional sobre o divórcio

(Pe. Timothy Finigan | Tradução Blogonicus) - Nos círculos eclesiásticos exaltados na Itália, parece haver uma nova ortodoxia emergente com relação à questão da Sagrada Comunhão para os divorciados que voltaram a casar. Então rigorosa é que um padre da paróquia recebe um míssil guiado a partir do coração da cúria por sua discordância.

Muitos leitores seguem o blog em inglês de Sandro Magister, Chiesa, por seu comentário bem informado e incisivo sobre assuntos do Vaticano. Magister também escreve um blog de língua italiana para L'Espresso, chamado Settimo Cielo, que muitas vezes tem material adicional de grande interesse.

Há poucos dias, em seu artigo Cose da pazzi. Il cardinale Collins e il curato dicampagna ("Coisas malucas. O cardeal Collins e o padre do campo") Magister contou sobre a reação ao Padre TarcisioVicario, pároco da diocese de Novara, na Itália, que recentemente falou sobre a questão da Sagrada Comunhão para os divorciados que voltaram a casar, dizendo:
"Para a Igreja, que atua em nome do Filho de Deus, o casamento entre os batizados é só e sempre um sacramento. O casamento civil e a coabitação não são um sacramento. Portanto, aqueles que se colocam do lado de fora do Sacramento por contrair casamento civil estão vivendo uma infidelidade contínua. Não estamos tratando do pecado cometido em uma ocasião (por exemplo, um assassinato), nem uma infidelidade por descuido ou hábito, onde a consciência em qualquer caso, nos chama de volta ao dever de reformar a nós mesmos por meio de sincero arrependimento e um verdadeiro e firme propósito de distanciar-nos do pecado e das ocasiões que levam a isso. "

O Bispo de Novara deixou claro que um apelo à lógica ou o bom entendimento da analogia retórica, iria cair em ouvidos moucos, caracterizando a expressão do padre como:
"uma equação inaceitável, embora introduzida como um exemplo, entre coabitação irregular e assassinato. O uso do exemplo, mesmo se escrito entre parênteses, revela-se inapropriado e enganoso, e, portanto, errado."


Ortodoxia é loucura para Baldisseri

Na verdade o padre Vicario não "igualou" coabitação irregular e assassinato. Todo o seu ponto era que eles são diferentes - um é um estado permanente, onde a pessoa não tem a intenção de mudar sua situação, o outro é um pecado cometido em uma ocasião especial, quando uma consciência formada adequadamente chamaria a pessoa se arrepender e não cometer o pecado novamente.

A ira cadente sobre o pobre Pe. Vicario não terminou com uma repreensão de seu Ordinário. O Cardeal Baldisseri, o secretário-geral do próximo Sínodo, disse que as palavras de Pe. Vicario foram "loucas, uma opinião estritamente pessoal de um pároco que não representa ninguém, nem mesmo a si mesmo" ("una pazzia, un’opinion estrettamente personale di un parroco che non rappresenta nessuno, neanche se stesso.")

Cardeal Collins

Deixando de lado a hipérbole tortuosa (como Sir Bernard Wooley poderia interpor, sua opinião não pode ser pessoal e ainda não representar a si mesmo) é preciso perguntar por que tal opinião popular e ortodoxa, expressa com clareza, deve ser objeto de tal condenação veemente.

O artigo de Sandro Magister faz uma comparação pertinente entre as palavras do sacerdote italiano e as do Cardeal Collins, arcebispo de Toronto, que foi nomeado em janeiro deste ano como um dos cinco membros da Comissão de Cardeais Supervisionar o Instituto para as Obras de Religião.

Uma semana atrás, na véspera da publicação do Instrumentum Laboris para o Sínodo, Brandon Vogt entrevistou o cardeal Collins para o blog Word on Fire. Durante o curso da entrevista, o cardeal Collins disse:
Muitas pessoas que são divorciadas, e que não são livres para casar, entram em um segundo casamento. Há várias razões que podem levar a isso, e seus irmãos paroquianos não devem se ocupar especulando sobre elas. Católicos nessa situação trágica podem estar envolvidos em muitos aspectos da vida da comunidade, mas eles não podem receber os sacramentos, como a Sagrada Comunhão, uma vez que qualquer que seja a sua disposição pessoal ou as razões para a sua situação, conhecido talvez somente a Deus, eles estão persistindo num modo de vida que é objetivamente contrário à ordem clara de Jesus. Esse é o ponto. O ponto não é que eles tenham cometido um pecado; a misericórdia de Deus é abundantemente concedida a todos os pecadores. Assassinato, adultério, e quaisquer outros pecados, não importa quão sério, são perdoados por Jesus, especialmente através do sacramento da Reconciliação, e o pecador perdoado recebe a comunhão. A questão na matéria de divórcio e do novo casamento é uma decisão consciente de alguém (por qualquer motivo) em persistir numa situação contínua de desconexão com a ordem de Jesus. Embora não seria certo para eles o acesso aos sacramentos, precisamos encontrar melhores formas de chegar às pessoas nesta situação, para oferecer-lhes assistência amorosa.

Sandro Magister está certo ao apontar que o cardeal Collins não disse nada diferente do Pe. Vicario. E ele está certo em perguntar se ele também será acusado de ser louco.

Por meio de um post-scriptum, você notou que parece que uma curva se forma?
Agora nós não estamos mais limitados a considerar a comunhão para os divorciados e recasados, mas ampliando a questão para todas "as coabitações irregulares"? Eu espero que os eclesiásticos mais elevados considerem a questão pastoral de quanto tempo os casais devem coabitar antes que possam receber a Sagrada Comunhão? Os párocos, como Pe. Vicario e eu mesmo,precisam saber onde a linha será desenhada.

Suponho que todos podem concordar que uma aventura de uma noite não é suficiente (embora quem sabe o que poderia ser proposto pelos verdadeiros malucos neste debate?). Mas será que algumas semanas de sexo com a namorada ou namorado, mudando-se com seu Playstation e liberando algumas gavetas para as suas roupas, vão colocá-lo em um estado apto a receber a Sagrada Comunhão?

Fonte: Blogonicvs


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