segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Desabafo de um padre sobre missas



Celebrando a missa na Paróquia Cristo Ressuscitado em Padre Miguel - RJ

Sou padre há quase 5 anos. Fui seminarista por 7 anos. Já estive em vários lugares Brasil afora, já celebrei em tantos outros e guardo no meu coração uma tristeza profunda. Quando eu era criança na roça e ia com minha família à missa uma vez por mês eu sabia que naquela hóstia tinha Jesus. Eu sentia o cheiro da vela queimando e aprendi a me perseguinar toda vez que passava diante de uma Igreja. Eu achava tudo meio estranho porque não entendia a missa, mas, sentava no primeiro banco e respondia a todas as perguntas que o padre fazia na hora do sermão. Daí eu cresci, fomos pra cidade e eu continuava inocente. Fui pro seminário e as escamas de meus olhos caíram. A missa pela qual eu sempre nutri o maior religioso respeito
virou palco
virou show
virou passeata
virou passarela
virou camarim de estrela
virou sambódromo
virou terreiro
virou tudo e suportou tudo
menos ser de fato, missa.
Já vi tanto desleixo... alfaias puídas, vasos sagrados zinabrados, hóstias consagradas carunchadas dentro do sacrário, um sacrário no meio de uma reforma de Igreja com hóstias consagradas dentro, consagração de vinho em tamanha quantidade que as sobras Eucarísticas precisaram de um exército de MESC para consumi-las porque o padre não poderia fazê-lo sem ficar bêbado e outros tantos abusos. Quando veio a Redemptionis Sacramentum e a Ecclesia de Eucharistia veio uma lufada de ar fresco e os rebeldes da Teologia da Libertação, da Rede Celebra e das CEB`s reagiram vorazmente. O site do mosteiro da Paz que hospedava uma carta de Reginaldo Velloso eivada de críticas às necessárias mudanças na liturgia e catalizadora desta mentalidade saiu do ar, mas, encontrei-a no site da Montfort disponível aqui.

Capitaneada pelo dualismo marxista de tipo maniqueísta, a reinterpretação que a missa sofreu nas décadas que sucederam o Concílio Vaticano II seguiu as pegadas da subjetividade humana. É odioso ouvir: "ah o jeito do outro padre é diferente". Isto denota uma personalização que a missa não comporta. A missa nunca foi a missa do padre, mas a missa da Igreja!

Esta mentalidade impregnou tanto a liturgia que quando um Padre quer celebrar a missa da Igreja, aquela do Missal Romano, é chamado de retrógrado. O respeito às normas litúrgicas são sinônimo de opressão. A missa pura e simples foi esvaziada para poder ser enchida pela ideologia da enxada, da faixa, do cartaz, da freira, do padre TL... a missa se transformou...
virou manifestação e protesto contra o Governo e o Sistema
contra a Igreja
contra os padres
contra a fé católica de sempre
contra a liturgia de sempre.
Enfiaram bananeiras, berrantes, espeto de churrasco, cuia de chimarrão, pão de queijo, cachaça, coco, faca e facão, pipoca, balões e ervas de cheiro na missa, enfiaram panos coloridos para todos os lados, colocaram mães de santo manuseando o turíbulo e leigos lendo preces seminus. Para essa CORJA a missa já deixou há muito tempo de ser o sacrifício redentor de Cristo PRO MULTIS e se tornou só mais uma mesa para comensais na qual vale o discurso e não a fé, na qual o que importa é o que o homem diz aos seus iguais e não o que Deus diz ao homem. Lembro-me de um professor contando todo garboso que certa feita utilizou-se de uma Adoração ao Santíssimo Sacramento para dar uma aula de teologia ao povo - aos seus moldes é claro - porque para ele aquela hóstia era pobre de significado.

Aquela hóstia pobre...
tão pobre quanto o cocho de Belém,
tão pobre quanto a cama em Nazaré,
tão pobre quanto a casa de Pedro em Cafarnaum,
tão pobre quanto a casa de Lázaro em Betânia,
tão pobre quanto o coração do Filho de Deus,
ela só pôde se tornar Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Cristo
porque Ele se fez pobre!
Sua pobreza não comporta reduções
tampouco acréscimos desnecessários.
Ele é aquele que é e nada mais,
mas, só para quem tem fé!

Aos meus irmãos padres um apelo: que nós diminuamos e que Ele apareça. Não somos o noivo, apenas amigos do noivo! Rezemos a missa da Igreja, a missa do Missal. Que Ele fale aos corações e às mentes, inclusive às nossas mentes e corações! Que Ele toque as vidas, inclusive as nossas. Que sua voz ecoe nas consciências, também nas nossas. Que toda a nossa Liturgia seja feita Por [causa de] Cristo, Com Cristo e em Cristo a[o] Pai na Unidade do Espírito Santo. Só isso. Se fizermos isso bem feito teremos feito tudo o que nos compete nesta vida.

Excelências da Língua Latina





A língua litúrgica latina é:

1. uma língua venerável. Pois é o produto do desenvolvimento histórico e secular, consagrada pelo uso multi-secular.

2. uma língua estável. A Igreja conserva-a por saber que as suas palavras são a expressão fiel da fé católica. Tal certeza não teria com traduções continuamente reformadas e adaptadas à língua viva. Os gregos, apesar de separados da Igreja romana, guardaram a sua fé quase completamente devido em grande parte à sua Liturgia antiga.

3. Língua fixa. A língua latina é muito aperfeiçoada, com termos próprios, formados pela legislação romana.

4. Língua misteriosa e santa. É convicção geral que, para um ato tão santo como a missa, a língua quotidiana é menos conveniente. Os hereges, faltos de respeito de Deus, introduzem logo a língua vulgar na Liturgia. Seguindo o exemplo do Concílio Tridentino, Alexandre VII (1661) nem sequer permitiu a tradução do missal em francês. Hoje isto se concede; mas nega-se a licença de usar a língua vulgar na Liturgia, principalmente da missa. Existe o perigo de serem abusadas pela povo baixo as palavras que contêm os divinos mistérios.

5. Língua unitiva. A diversidade das línguas separa os homens, a língua comum une-os. A língua latina une as igrejas particulares entre si e com Roma.

6. Língua civilizadora. Todos os membros do clero devem aprender latim, e por isso podem aproveitar para a sua formação esmerada os autores clássicos antigos e a doutrina profunda dos santos padres da Igreja.

7. Língua internacional. Não só o clero entende a língua latina, mas também leigos a cultivam e empregam, por exemplo, na ciência médica, física e mesmo no comércio (catálogo) e a preferem às línguas artificiais (esperanto).

8. Mas, dizem, o povo não entende nada da missa. Responde-se: A missa é uma ação, não um curso de instrução religiosa. No Calvário não havia explicações. O altar é um Calvário. Todo cristão sabe o que significa: imolar-se.

Além disso, o Concílio Tridentino (sess. 22) encarrega os sacerdotes "que frequentemente expliquem alguma coisa do que se lê na missa". Mas "etsi missa magnam contineat populi fidelis eruditionem, non tamen expedire visum est Patribus, ut vulgari passim lingua celebraretur" - "embora a Missa contenha grandes instruções para o povo fiel, não pareceu, contudo, conveniente aos Padres que ela fosse celebrada ordinariamente na língua vulgar". (Tradução nossa).

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Pe. João Batista Reus, S. J. Curso de Liturgia. Segunda edição revista e aumentada. Rio de Janeiro: Vozes, 1944, p.47-48.


Fonte: Nos comentários de Mulher Católica

'Geração do diploma' lota faculdades, mas decepciona empresários



Há setenta anos
“Nunca tantos deveram tanto a tão poucos” – A frase de Winston Churchill foi pronunciada há 70 anos
Os “tão poucos” eram os 2900 jovens pilotos da Royal Air Force que iriam enfrentar a superioridade numérica da força aérea alemã, a Luftwaffe, nos céus do Reino Unido.
O confronto ficou conhecido como “a batalha de Inglaterra” e foi decisivo. As palavras de Churchill, a 20 de Agosto de 1940, ficaram para a História:
“Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos”.
Entre julho e outubro de 1940, a força aérea britânica impediu que o país fosse ocupado pelos nazistas.

Hoje
A guerra tomou nova modalidade e virulência: trata-se de interminável batalha psicológica revolucionária para “obter a conquista das mentes”
Em nossos dias, quais os artifícios mais aptos para obter a derrocada mental dos indivíduos?
Uma das primeiras medidas: transformar a “elite intelectual” num magma pastoso de “analfabetos funcionais”.
De fato, essa é a expressão em voga para designar os que, embora com nível superior de estudo, são incapazes de interpretar corretamente um texto comum. Melhor seria caracterizá-los como “indigentes mentais”. — Em favor destes, ninguém lança nenhuma campanha de “opção preferencial”, apesar de serem bem mais pobres do que os relativamente  pobres em bens materiais..
Multiplicaram-se as Faculdades e o saber ficou raquítico. – Relação de causa e efeito? Sintoma de uma geração embrutecida, aparvalhada, envilecida e hedonista?
Parafraseando Churchill, poderíamos hoje afirmar:
“Nunca tantas faculdades diplomaram tão grande número de analfabetos em tão pouco tempo!”
Do “analfabetismo funcional” (ou “indigência mental”) à saturação doutrinária marxista, só há um passo. Espíritos sem capacidade de refletir tornam-se presa fácil para demagogos e comunistas de todos os matizes.

Ora, desde há muito, esse passo já foi transposto por nós: há décadas, as Universidades são um valhacouto do fossilizado socialismo (científico e utópico) do século XIX! 

Raphael de la Trinité


*** * ***

Ruth Costas
Da BBC Brasil em São Paulo


Número de instituições de ensino superior mais que dobrou desde 2001


Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.
Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.
"Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de "geração do diploma" é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

"Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria", diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.

Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples, ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.
"Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas", diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. "Surpreendentemente, terminamos com vagas em aberto".
Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.
É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.

Produtividade da industria aumentou apenas 1,1% na última década, segundo a CNI


Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.
"Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem", explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

Causas

Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a "geração do diploma".
A principal delas estaria relacionada à qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.
Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.
"Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim", diz Pastore.
Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.
"São mais uma extensão do ensino fundamental", diz McCowan. "E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade."
Para termos a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.

Especialistas questionam qualidade de novas faculdades no Brasil

Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.
De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos - de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. "E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda", prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.
Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.
"Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos", diz ela. "E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros."

Postura e experiência

A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.
"Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade", diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.
"Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor."
As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.
Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.
"Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra", diz Cuellar.
Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.
"Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado", acredita o consultor.

'Tradição bacharelesca'

Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a "geração do diploma" estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.


"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários." - Gabriel Rico


De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais - como administração, direito ou pedagogia - enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.
"O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes", diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.
Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: "Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing", ele exemplifica. "Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas."
Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.
"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários", diz o consultor.
Rafael Lucchesi concorda. "Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).
Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil - mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.
"Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área", acredita.


Fonte: BBC

Da morte do católico apóstata









P - Se a vida do apóstata é tão triste e tão miserável, qual não deverá ser sua morte?

R - A morte daquele que apostatou é a morte mais funesta que se pode imaginar. Nesse último momento, onde o tempo se obscurece, nesse momento terrível onde todas as ilusões cessam, nesse momento de onde depende a sorte de uma eternidade aventurada ou infeliz, a consciência recupera seus direitos e sujeita a torturas cruéis aquele que morre rebelde a seu Deus e à Igreja.


P - Donde provém este terror e esta agitação terrível do apóstata no leito de morte?

R - Ela provém de várias fontes. A primeira é a palavra infalível de Deus, que a predisse em ternos manifestos em muitos lugares das Sagradas Escrituras. Eis alguns destes oráculos: O desejo dos pecadores perecerá. O coração endurecido se sentirá mal no último momento da vidaA morte dos ímpios é horrível. É horrível cair entre as mãos do Deus vivo


P - O senhor supõe que aqueles que se fazem protestantes são estes pecadores, estes corações endurecidos, estes ímpios de quem é falado nas passagens da Bíblia que o senhor cita. Mas é realmente assim?

R - Sem dúvida. E, com efeito, qual crime é comparável àquele do apóstata? Ele traiu sua própria consciência, ele renegou sua fé e a única religião verdadeira no intuito de se entregar aos prazeres carnais ou satisfazer um interesse vil. Ele seguiu seu orgulho cego e traficou sua alma. Há um coração mais endurecido que aquele que, depois de se sobrecarregar de pecados, passa do desespero à apostasia, que resiste a todas as exortações de Deus, asfixia o grito contínuo de sua consciência e chega às portas da morte nesse estado? Há um ímpio mais declarado que aquele que persegue a Igreja em seu ódio, que lhe declara uma guerra mortal, que busca roubar seus filhos para corrompê-los por seus escândalos, seus discursos e suas manobras? Quem, portanto, é mais ímpio que aquele que detesta a Igreja, esta Esposa tão cara a Jesus Cristo, esta Esposa que ele adquiriu ao preço de tantas penas, de tanto sangue e de uma morte tão cruel? Ah! Não há palavras capazes de expressar como convém esta impiedade abominável.


P - Realmente não há o que responder: diga-me as outras razões que tornam a morte dos apóstatas medonha. 

R - Além dos oráculos divinos que predizem os horrores da morte destes infelizes, eles têm ainda um pressentimento obscuro sobre o fim horrível ao qual eles tendem. Eles sentem, no fundo de sua alma, que Deus é seu inimigo. O próprio Deus concorre, por um castigo antecipado, em lhes fazer sentir mais vivamente os terrores do tribunal inexorável diante do qual eles vão comparecer. Eu não sei se se encontrastes presente na morte de algum destes ímpios; mas creia pelo menos naquele que foi testemunha delas. Estes miseráveis tornam-se então insensíveis e mudos como rochedos: ou mais ainda, caem em acessos de furor e de desesperança, só manifestando o estado medonho de sua alma. Seus olhos perturbados e desvairados, seu rosto desfeito, suas contorções, são, como tais, indícios de sua reprovação final.


P - Mas a morte de todos os apóstatas é realmente assim?

R - Tal é, infelizmente, a morte comum destes infortunados, morte que podemos chamar justamente de um inferno antecipado. Se há alguma exceção a esta regra, ela ainda é mais funesta.


P - Não entendo: o que o senhor quer dizer por isso?

R - Eu quero dizer que a morte aparentemente mais tranquila de um ou de outro dentre eles é, na realidade, mais deplorável que aquela que eu acabo de descrever. Aqueles, ao menos, do qual lhe falei inicialmente, experimentam a atrocidade do remorso, e, portanto, se eles quiserem, eles ainda podem - absolutamente falando, com a graça de Deus, que não falha - enquanto há vida, usar estes mesmos remorsos para sua salvação. Os outros, ao contrário, mostram assaz, por sua calma estúpida, que eles perderam completamente a fé; eles se mostram incrédulos e ateus práticos, que não fazem questão da vida futura, que não pensam nem em Deus nem na imortalidade da alma, e morrem como viveram, ou seja, como animais irracionais. Para pessoas desta espécie, todos os remédios são ineficazes. 


P - Por que o senhor os chama de ateus práticos e incrédulos?

R - Porque eles realmente são isso. Diga-me: é possível que um cristão, sabendo que após a vida presente, ele deve se apresentar ao julgamento de Deus para receber uma sentença final e irrevogável, que deve decidir sobre sua eternidade, que um cristão, sabendo que ele cometeu uma ofensa grave contra Deus, morra tranquilo? Coisa parecida só pode acontecer com um ateu e com um incrédulo completo.

P - Há, ao menos, exemplos de certos homens que se arrependeram perto da morte do crime que eles cometeram ao se fazerem protestantes?

R - Sim; há os exemplos de todos aqueles que não estão completamente endurecidos contra os remorsos de sua consciência, e que não caíram, por sua falta, na impenitência final. Quando estes percebem que o mundo foge diante de si e que a vida está-lhes escapando, então a venda do que eles chamavam uma convicção profunda lhes cai dos olhos, eles reconhecem a ilusão louca que eles criaram para si mesmos e, no silenciar das paixões, eles se recordam da Igreja que eles abandonaram, e buscam se reconciliar com ela e com Deus. Estes são os verdadeiros triunfos da misericórdia divina.


P - Por que o senhor chama estas conversões dos triunfos da misericórdia divina?

R - Porque as conversões sinceras, neste momento, são um milagre, visto o abuso imenso que eles fizeram, durante a vida, das graças de Deus, graças pelas quais Ele não cessou de chamar estes pecadores à penitência. Ademais, ocorre frequentemente, por um desígnio sempre adorável, mas terrível, da justiça divina, que estes apóstatas, em sua última hora, busquem um padre católico e não podem tê-lo, seja porque este último não chega a tempo, seja ainda porque o acesso junto do doente lhe seja proibido por uma vigilância cruel. Infelizmente! Quantos exemplos de acontecimentos semelhantes eu poderia citar! Enfim, estas conversões na hora da morte são chamadas dos triunfos da misericórdia divina, porque Deus atinge frequentemente os apóstatas com a morte súbita e os transporta, assim, ao outro mundo, sem que eles percebam. A razão desta justiça assustadora, nós a encontramos na Escritura: Não se brinca com Deus, nos diz ela.



P. Jean Perrone, C.J. Le Protestantisme et l'Église catholique. Controverses à l'usage du peuple. 2e édition, H. Casterman, Paris, 1857.


'ESTAMOS LUTANDO POR ALGO QUE AINDA NÃO SABEMOS O QUE É', DIZ BLACK BLOC


Ecle 1, 15: "stultorum infinitus est numerus", sentença de Salomão.




Maurício Moraes
Da BBC Brasil em São Paulo

"Estamos lutando por algo que ainda não sabemos o que é, mas que pode ser o início de algo muito grande que pode acontecer mais para frente", diz uma integrante do movimento Black Bloc em entrevista à BBC Brasil.

A estudante de 23 anos escolheu o nome fictício de Iuan para conversar com a reportagem pelo telefone. Após a BBC Brasil fazer o primeiro contato pela página Black Bloc RJ no Facebook, a ativista ligou na hora marcada para a redação para dar a entrevista. Não queria divulgar seu número de telefone.

A jovem também se recusou a dar mais detalhes de sua vida e de sua participação no movimento. Só aceitou conversar com a garantia de total anonimato.

A estudante iniciou a entrevista ressaltando que não fala pelo movimento, reafirmando o caráter descentralizado e "sem lideranças" do Black Bloc. [SIC! SIC! SIC!]

Iuan se define como revolucionária, porém diz ser realista porque avalia que o Brasil ainda não oferece o cenário político e social favorável para uma revolução.

"Eu não diria que a revolução é uma realidade agora. Sabemos que revoluções de pensamento levaram dois séculos para acontecer. Mas posso dizer que isso pode ser o início de uma coisa muito grande daqui para frente", diz.

A estudante conta ter um "histórico de manifestações". Em junho, quando o país foi sacudido por uma onda de protestos, ela foi às ruas com o rosto pintado de verde-amarelo. "Aí, um dia, olhei para mim, me vi com verde e amarelo no rosto e pensei: por que eu estou assim, já que eu não tenho orgulho disso? Aí eu pensei: preto combina muito mais", conta a jovem.

Proteção
Para Iuan, as cores da bandeira nacional, que já haviam sido usadas como propaganda da "ditadura" não estavam à altura de seu nível de indignação.
"Eu não conhecia o movimento Black Bloc antes. Aí você começa a ir para a rua, começa a conhecer melhor e perceber que aquilo (o movimento) te representa muito mais."

"Principalmente uma pessoa como eu que já tem algum tipo de luta social e não conseguia se enquadrar em lugar nenhum. Eu vi isso (representatividade) no Black Bloc", acrescenta.

Ela identifica os black blocs com "uma tática de manifestação cujo objetivo é proteger os manifestantes da repressão policial", mas admite que, muitas vezes, os ativistas acabam sozinhos "porque as pessoas ficam com medo, saem".

Questionada sobre se não é contraditório falar em proteger o manifestante quando algumas práticas do grupo acabam gerando reação ainda mais agressiva da polícia, ela menciona a retirada violenta de professores que haviam ocupado o plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro há duas semanas.

"Eles foram expulsos com muita truculência pela polícia, e a atuação dos Black Blocs no dia seguinte deu mais visibilidade ao movimento dos professores", respondeu, sem entrar em detalhes sobre como, de fato, ocorre a proteção dos manifestantes.

"Tinha gente saindo do trabalho, e todo mundo estava sendo duramente reprimido, com bombas de gás. E as pessoas estavam resistindo. Isso foi importante", diz, argumentando que a "resistência" só foi possível porque as pessoas se sentiram protegidas pelos Black Blocs que estavam na rua naquele dia "para desafiar a polícia".

Violência
Além de capuzes pretos e panos cobrindo os rostos, as imagens de quebradeira em agências bancárias e pontos de ônibus tornaram-se outra marca dos Black Blocs.

"Quebrar os bancos é uma revolta contra o sistema bancário", justifica. "Quanto a quebrar orelhão e lixeiras, isso é parte da tática, para evitar o avanço da polícia, é para fazer uma barricada mesmo",diz a manifestante.

Iuan enumera vários motivos que a levaram optar pela tática Black Bloc, entre os quais uma reflexão sobre a má qualidade dos serviços públicos de transporte e saúde e a concentração de renda no país.

Não seria então contraditório defender serviços públicos de qualidade enquanto orelhões e lixeiras são quebrados, onerando o Estado, que terá de pagar para repô-los?

Ao responder a pergunta, Iuan cita "os juros abusivos pagos pela União" na rolagem da dívida pública do país. "Uma lixeira ou orelhão não é nada frente a tudo o que a gente paga, os grandes tributos, a falta de serviços públicos", afirma. "Isso destrói sonhos."

Os Black Blocs dividem opiniões na sociedade, sendo classificados como anarquistas por alguns e como vândalos e baderneiros por parte da opinião pública e por autoridades. Muitos criticam suas ações, enquanto outros defendem o movimento.

Após o desfecho violento da manifestação dos professores há uma semana, que acabou com bancos e prédios públicos depredados no Rio e em São Paulo, alguns dos trabalhadores em greve chegaram a agradecer os Black Blocs pela presença no protesto.

Apesar de querer atrair a simpatia da opinião pública para a estratégia de protesto, a ativista Black Bloc diz que as pessoas "não precisam quebrar nada". "Espero que entendam que estamos fazendo isso por todo mundo", diz a jovem. "É uma luta pela humanidade."

Representação política
Iuan conta que votou em todas as eleições, mas que ainda não sabe se vai escolher algum representante no próximo ano, em "uma urna eletrônica em que não confia", como faz questão de ressaltar.

A estudante critica o mau preparo dos candidatos e as ações do governo. Ela fala da necessidade de distribuir melhor a renda, mas diz que não é de todo contra a existência do Estado.

Questionada se não estaria sendo mais reformista do que anarquista, ao reconhecer algum valor no Estado, a jovem contornou a pergunta e respondeu que tem de ser realista.

Mas Iuan diz que descarta a possibilidade de se candidatar a um cargo político no futuro porque não concorda com o atual sistema de arranjo do Estado e, como outros Black Blocs, não quer representação política.


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