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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

TANGO EM SÃO PEDRO ENQUANTO A BARCA VAI À DERIVA. OU: A IGREJA TITANIC


DESTAQUE

Em Cartago, recorda Salviano de Marselha, dançava-se e banqueteava-se na véspera da invasão dos Vândalos, e em São Petersburgo, de acordo com o testemunho do jornalista americano John Reed, enquanto que os bolcheviques se apoderavam do poder, os teatros e restaurantes continuavam a ficar lotados.

Pode-se negar a existência de uma confusão absoluta?

O tango que foi dançado em 17 de dezembro de 2014 por ocasião do aniversário do papa Francisco lembra outra música; aquela tocada no Titanic na noite da tragédia. Porém naquele tempo a ponta do iceberg surgiu de repente, enquanto que os dançarinos estavam inconscientes do desastre iminente. Hoje o iceberg é visível e há aqueles que brindam ao impossível naufrágio da Barca de Pedro. Todavia muitas pessoas estão alertas e têm a forte sensação, como disse o cardeal Burke, de que a Igreja seja um navio à deriva.

Le Figaro
, um jornal de centro-direita, famoso por sua moderação, consagrou seu suplemento de dezembro, “Le Figaro Magazine“, à Guerra secreta no Vaticano. Como o papa Francisco agita a Igreja: 11 páginas, escritas por Jean-Marie Guénois, considerado como um dos vaticanistas mais sérios e competentes. 

Algo parece ter virado na Igreja desde o Sínodo sobre a família do outono de 2014, escreve Guénois, e o acumulo dos indícios permite se perguntar: a Igreja não corre o risco de enfrentar uma tormenta no fim de 2015, depois da segunda sessão do sínodo sobre a família?“ Guénois revela a existência de uma “guerra secreta” entre cardeais que não têm como propósito a conquista do poder. O que está em curso é uma batalha de ideias, que tem como alvo principal a doutrina da Igreja sobre a família e o matrimônio. O papa Francisco é acusado dentro da Cúria de uma gestão autocrática do poder, que o jornalista francês resume na fórmula: “Quando decide, o Papa não é delicado“, mas o verdadeiro problema é sua visão eclesial, inspirada e aconselhada pelas correntes mais progressistas do Vaticano.

De acordo com Guénois, três teólogos definem os novos objetivos: o cardeal alemão Walter Kasper, o bispo italiano Bruno Forte e o arcebispo argentino Victor Manuel Fernandez. “É este trio que atiçaram o fogo durante o sínodo sobre a família!”. 

*** * ***



Fonte: Roberto de Mattei – Il Foglio / Tradução: Dominus Est


Provavelmente os historiadores de amanhã se lembrarão que em 2014, na praça de São Pedro, dançava-se tango enquanto os cristãos eram massacrados no oriente e a Igreja estava à beira de um cisma. Essa atmosfera de leveza e de inconsciência não é nova na história. Em Cartago, recorda Salviano de Marselha, dançava-se e banqueteava-se na véspera da invasão dos Vândalos, e em São Petersburgo, de acordo com o testemunho do jornalista americano John Reed, enquanto que os bolcheviques se apoderavam do poder, os teatros e restaurantes continuavam a ficar lotados. O Senhor, como diz a Escritura, cega aqueles que ele quer perder (Jo 2, 27-41).
O principal drama do nosso tempo não é, todavia, a agressão que vem do exterior, mas esse misterioso processo de auto-demolição da Igreja que alcança suas últimas consequências, depois de ter sido denunciado pela primeira vez por Paulo VI em seu famoso discurso ao Seminário Lombardo de 7 de dezembro de 1968. A auto-demolição não é um processo fisiológico. É um mal que tem responsáveis. E os responsáveis são, nesse caso, esses homens da igreja que sonham em substituir o Corpo Místico de Cristo por um novo organismo, submisso a uma perpétua evolução sem verdades nem dogmas. 

Um quadro impressionante da situação foi oferecido no fim de 2014 por dois dossiês sobre a Igreja publicados respectivamente pelo jornal diário francês Le Figaro e pelo cotidiano italiano la Repubblica

Le Figaro
, um jornal de centro-direita, famoso por sua moderação, consagrou seu suplemento de dezembro, “Le Figaro Magazine“, à Guerra secreta no Vaticano. Como o papa Francisco agita a Igreja: 11 páginas, escritas por Jean-Marie Guénois, considerado como um dos vaticanistas mais sérios e competentes. 

Algo parece ter virado na Igreja desde o Sínodo sobre a família do outono de 2014, escreve Guénois, e o acumulo dos indícios permite se perguntar: a Igreja não corre o risco de enfrentar uma tormenta no fim de 2015, depois da segunda sessão do sínodo sobre a família?“ Guénois revela a existência de uma “guerra secreta” entre cardeais que não têm como propósito a conquista do poder. O que está em curso é uma batalha de ideias, que tem como alvo principal a doutrina da Igreja sobre a família e o matrimônio. O papa Francisco é acusado dentro da Cúria de uma gestão autocrática do poder, que o jornalista francês resume na fórmula: “Quando decide, o Papa não é delicado“, mas o verdadeiro problema é sua visão eclesial, inspirada e aconselhada pelas correntes mais progressistas do Vaticano. 

De acordo com Guénois, três teólogos definem os novos objetivos: o cardeal alemão Walter Kasper, o bispo italiano Bruno Forte e o arcebispo argentino Victor Manuel Fernandez. “É este trio que atiçaram o fogo durante o sínodo sobre a família!”. Desse modo, ele considera que Kasper é o testa de ferro pela admissão dos divorciados recasados aos sacramentos, Forte é o promotor da legalização da homossexualidade e Fernández um importante expoente da teologia peronista do povo. 

Guénois 
entrevistou em seguida o cardeal Burke sobre o Sínodo, que, como de costume, se expressou com uma clareza cristalina: “O sínodo foi uma experiência difícil. Houve uma linha, a do cardeal Kasper, poder-se-ia dizer, atrás da qual se colocaram aqueles que tinham em mãos a direção do sínodo. De fato, o documento intermediário parecia já ter sido escrito antes das intervenções dos padres sinodais! E segundo uma linha única, em favor da posição do cardeal Kasper… Também introduziram a questão homossexual, que não tem nada a ver com a questão do matrimônio, buscando aí elementos positivos. (…) Logo, foi muito desconcertante. Assim como o fato de ter mantido, no relatório final, certos parágrafos sobre a homossexualidade e sobre os divorciados recasados que não foram, todavia, adotados pela maioria requerida pelos bispos. (…) Logo, estou muito preocupado, e chamo os católicos, os leigos, sacerdotes e bispos a se comprometerem, daqui até a próxima assembleia sinodal, a fim de realçar a verdade sobre o matrimônio”.

Que as preocupações do cardeal Burke sejam justificadas o demonstra o suplemento semanal “Il Venerdì de laRepubblica” de 27 de dezembro de 2014, completamente dedicado a uma “Investigação sobre a Igreja”: 98 páginas com 20 artigos, nos quais é descrita “a nova era de Francisco, entre adversários, santos, perseguidos e pecadores”. 

O protagonista do La Repubblica é o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, que confirma sua abertura aos divorciados recasados e aos pares homossexuais, nega a decadência moral do ocidente e afirma que “a pretensa secularização é um desenvolvimento necessário da liberdade. Uma sociedade livre é um progresso, segundo o verdadeiro ponto de vista do Evangelho“. Francisco, explica ele, “quer conduzir a Igreja à força original de seu testemunho. Ele tem uma visão clara do que quer, mas ele não segue um plano fixo, pessoal ou pré-determinado, nem um programa de governo. Ele lança sinais e dá exemplos, como ele fez durante o Sínodo consagrado ao matrimônio e à família“. 

Dentro do dossiê, Marco Ansaldo, numa entrevista com o título “Franzoni, a vingança do antigo padre vermelho”, concede amplo espaço a Giovanni Franzoni, antigo abade da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, que insiste sobre o fato de que as posições pelas quais ele foi condenado se aproximam atualmente das do Vaticano. Franzoni foi demitido do estado clerical (em 1976) por ter dito sim à lei sobre o divórcio e o aborto, e por suas declarações de voto em favor do Partido Comunista. Casado com uma jornalista ateia japonesa, hoje ele não renega suas ideias e afirma ter “descoberto a sexualidade como enriquecimento total e não como privação de energias que poderiam ser dedicadas ao Senhor“. 

De acordo com algumas indiscrições, o Papa teria a intenção de admitir ao sacerdócio alguns leigos casados (a pretensa viriprobati) e de reintegrar na administração dos sacramentos padres já casados, reduzidos ao estado laico, como o próprio Franzoni ou o antigo franciscano e teólogo alterglobalista Leonardo Boff, que vive atualmente no Brasil com uma companheira. 

Em 17 de novembro, Boff, que passou da teologia da libertação àeco-teologia, confirmou à agência Ansa ter enviado ao Papa, a pedido dele, material para sua próxima encíclica, e, em 28 de dezembro, em polêmica com Vittorio Messori, ele expressou no “Noi siamochiesa” 
seu apoio ao papa Francisco contra um escritor nostálgico, com essas palavras: “Por tudo isso, é sumamente importante uma igreja aberta como a quer Francisco de Roma. É necessário que ela esteja aberta às irrupções do Espírito, chamado por alguns teólogos “a fantasia de Deus”, por causa de sua criatividade e novidade, na sociedade, no mundo, na história dos povos, nos indivíduos, nas igrejas e também na Igreja católica. Sem o Espírito Santo, a igreja se transforma numa instituição pesada, enfadonha, forte, sem criatividade, e chega um momento em que ela não tem nada a dizer ao mundo, a não ser doutrinas, sempre mais doutrinas, que não suscitam a esperança e a alegria de viver”.

Pode-se negar a existência de uma confusão absoluta?

O tango que foi dançado em 17 de dezembro de 2014 por ocasião do aniversário do papa Francisco lembra outra música; aquela tocada no Titanic na noite da tragédia. Porém naquele tempo a ponta do iceberg surgiu de repente, enquanto que os dançarinos estavam inconscientes do desastre iminente. Hoje o iceberg é visível e há aqueles que brindam ao impossível naufrágio da Barca de Pedro. Todavia muitas pessoas estão alertas e têm a forte sensação, como disse o cardeal Burke, de que a Igreja seja um navio à deriva. Estamos entre eles, e por essa razão não saudamos 2015 com danças e fogos de artifício, mas com a firme intenção de acolher o apelo do próprio cardeal Burke e lutar, daqui até o próximo Sínodo, e além, a fim de defender a verdade do Evangelho sobre o matrimônio.

Fonte: Católicos de Ribeirão Preto

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Rock, um estilo de música ou uma nova religião ?



Nota do BlogEmbora o áudio-visual em tela possa conter imprecisões de ordem técnico-musical ou historiográfica, constitui um estudo fidedigno sobre as raízes mais profundas do rock e as implicações que derivam da “accointance” com esse gênero de cacofonia musical.




















quinta-feira, 4 de abril de 2013

Quando um Santo Vigário condenava os bailes










Por: Raphael de la Trinité


Há tantos aspectos para comentar que quase tropeço nas palavras, antes mesmo de fazer alguma consideração... Começo pela presumível opinião dos adversários.

Número 1 - Hoje se diria (
sobre o texto do Cura d’Ars), que se trata de trecho “fundamentalista, mórbido e faccioso”. O Santo não seria “arejado” nem compreensivo em relação às “fraquezas humanas”.


Número 2 - Comparemos as danças de uma aldeia francesa do início do século XIX (época do Cura d’Ars) com as “baladas” contemporâneas! Hoje é tudo tão lúbrico, que nem de longe haveria termos de comparação. Em nossos dias afigura-se público e notório que, em tais recintos, campeia toda forma de depravação moral, sem esquecer o recurso frequente às drogas. Tais “estabelecimentos de diversão compulsória” são tão fesceninos, que, não raro, a conjunção carnal é ali diretamente almejada pelos jovens de ambos os sexos, que se reúnem para o gozo indiscriminado das apetências carnais. Costumam mesmo designá-lo por termos abjetos (estou usando uma palavra mais comedida, como “friccionar” os corpos, mas eles utilizam outras, bem mais vulgares, para indicar “apertão”, “agarramento”; falam em “almondegar”, indicando mesclar, misturar as pessoas...).

Quando vivia São João Maria Vianney, supérfluo dizer, nem se concebia uma degringolada dessa natureza.

Número 3 - Como, naqueles tempos (quando se preservavam certas formas de recato e pundonor), não se concebia esse desatar ébrio de paixões amorosas, num sex appeal infrene, feito de sensualidade à flor da pele e “experiências” lascivas, sob o signo do universal “é proibido reprimir” (“glorioso” lema do século XXI), entende-se que o Cura d’Arns teve em vista, nesses comentários, sobretudo os pecados internos contra a castidade (desejos, pensamentos), sem descurar, é claro, de tudo o mais que aparece depois em cascata. Claro que entrava, de chofre ou de forma premeditada, desde logo, gravíssimo problema dos olhares. Talvez, de início, sentimentais apenas, ociosos, imprudentes e indiscretos, logo resvalando, como sói acontecer, para os paroxismos da sensualidade mais declarada.

Número 4 - Consideremos, também, a questão dos trajes. Ao que me consta, as pessoas daquele tempo comumente não se despiam (quase que por inteiro, como hoje) para incitar aos olhares, desejos e atos libidinosos. Via de regra, os trajes eram pudicos. Contudo, isso não impedia que as solicitações impuras “chovessem”, pois a natureza humana, após o pecado original, jamais deixará de ser facilmente arrastada pelo que tem de mais baixo.  

Número 5 – Convém ressaltar que, em linhas gerais, os referidos bailes (mesmo na primeira metade do século XIX) eram realizados, assim como acontece em qualquer época, sob o signo do “largar o corpo” (o que costumava incluir, além dos perigosos namoricos e assemelhados, bebedeira nas tavernas, incontinência verbal, blasfêmias, ou seja, palavrões, esconjuros, impropérios e formas de comportamento vulgar de toda natureza). — O que era a pequena cidade de Ars, naquela conjuntura histórica? Uma quase aldeia, habitada no geral por pessoas muito simples, camponeses ou trabalhadores manuais. Esse prurido de prazer e gozo embriagante, acalentado pelos bailes, portanto, certamente correspondia a um como que “momento de alívio”, a um “soltar dos freios”, por parte dos rústicos aldeões. Concedendo nessa matéria, muitas outras, bem mais graves, viriam de roldão.

Número 6 – O problema de fundo, no meu entender, estava (e está) no EXPOR-SE À OCASIÃO PRÓXIMA DE FALTA. QUEM O FAZ VOLUNTARIAMENTE, JÁ PECA.

Número 7 – Não existia, então, cinema, TV, Internet. Significa que, “sair da rotina”, naqueles idos, deveria corresponder a buscar cançonetas e danças (mais ou menos) obscenas ou “pegajosas”, que induziam a pessoa a um estado de espírito de gozo da vida, consubstanciado no que esta tem de menos edificante. Em suma, um desatar dos instintos inferiores do homem, que é sempre o mesmo, em qualquer época, conforme já referi.

Número 8 – Uma objeção que caberia. Usando palavras sem meias medidas, o Cura d’Ars parecia desaprovar e proscrever todo gênero de diversões, ou seja, estaria quase pleiteando que todos vivessem uma vida de convento. Aqui a questão é outra. O Cura D’Ars desejava tirar aquelas pessoas do atoleiro de vida sensual e das torpezas da carne. Discernia, desse ponto de vista, que os bailes representavam a grande alavanca mediante a qual o demônio arrancava os indivíduos dos bons pensamentos, bons propósitos e prática do dever. Numa palavra, era o que primordialmente arruinava os lares e a sociedade, além de ofender gravemente a Deus — de longe, o mais importante.

Em resumo, via tudo de uma perspectiva bem mais nobre e mais santa do que o comum dos mortais, considerando, com precisão de análise, que os bailes de qualquer espécie põem em grave risco a salvação eterna das pessoas.

Por esse firme e inabalável princípio, pautava a sua conduta.

Consequência: em razão dos ensinamentos e dos exemplos vividos na presença de seu grande vigário, sem contar os mais portentosos milagres que operava diante de todos, Ars transformou-se num luzeiro para a vida em sociedade e São João Maria Vianney modelo de todos os párocos.






*** * ***






Seguem alguns episódios que comprovam como o demônio se enfurecia com o Santo e como este o subjugava com destemor e galhardia:

Depoimento de Dionísio Chaland, de Bouligneux, jovem estudante de filosofia, num dia de junho de 1838: ‘Ajoelhei-me no seu genuflexório, para confessar-me, no quarto do próprio santo. Quase pela metade da confissão, um tremor geral agitou toda a peça; o genuflexório se moveu. Levantei-me aterrorizado. O Sr. Cura agarrou-me por um braço.- Não é nada, disse ele. É o demônio.


A quatro de fevereiro de 1857 o santo se pusera a ouvir confissões. Pouco antes das sete, as pessoas que passavam diante da casa paroquial viram que saíam chamas do quarto do padre Vianney. Foram avisá-lo: “Sr. Cura, parece que há fogo no seu quarto”. Enquanto lhes entregava a chave para que fossem apagá-lo, observou, sem muita preocupação: “Esse vilão do demônio, não podendo pegar o pássaro, queima-lhe a gaiola”.

Em 1826, durante uma missão em Montmerle. Era noite, ouviu-se um barulho de carro que fazia estremecer o chão. Parecia que a casa vinha abaixo. Produziu-se no quarto do Cura d´Ars, uma tal algazarra que o Pe. Benoit gritou: “Estão matando o padre Vianney”. Todos correram para lá. Mas o que viram? O santo estava deitado tranquilamente no seu leito, que mãos invisíveis tinham arrastado para o meio do quarto. “Foi o demônio, disse ele, sorrindo. Não é nada. Sinto muito não vos ter prevenido. É bom sinal… Amanhã cairá um peixe graúdo” [para ele ouvir em confissão e converter para Deus].

O Cura tivera na juventude aspecto vigoroso, mas, pelos jejuns, seus membros se foram adelgaçando. As mãos descarnadas, com as veias salientes.

Todo o seu prazer, conta Padre Luís Beau, confessor do cura d´ Ars era falar em assuntos espirituais. Encantado com os modos sublimes do Cura d´Árs, um poeta francês assim o definiu: – Nunca vi Deus assim tão de perto!

No último ano de sua vida, o cura d´Ars viu passar por sua igreja, pelo menos uns cem mil peregrinos.

O mês de julho de 1859 foi verdadeiramente abrasador. Fora das casas parecia-se respirar fogo. Prostrado já mortalmente em seu leito, ainda pode pressentir seu momento derradeiro e pediu que lhe chamassem seu confessor, o Cura de Jassans. Chamado também o médico, este constatou que o enfermo tinha chegado a uma debilidade extrema. E ainda declarou: se o calor diminuir ainda haverá alguma esperança.

Muitos dos seus queridos paroquianos, movidos de terna compaixão pelo seu santo cura, chegaram a estender sobre o telhado grandes toalhas que, trepados em escadas molhavam de quando em quando para mitigar a penúria de seu querido pároco. Era um testemunho silencioso de devotamento pelo amoroso pastor que não vacilou em dar toda sua vida pelo amado rebanho.

Finalmente, no dia 4 de agosto de 1859, às duas da madrugada, enquanto nos céus de Ars se desencadeava violenta tempestade, João Maria Batista Vianney, sem agonia, entregou sua alma ao seu Bom Deus. Contava então, setenta e três anos, dez meses e vinte e sete dias e fazia quarenta e um anos, cinco meses e vinte e três dias que era cura de Ars.

A 14 de agosto de 1859 o corpo foi depositado numa sepultura aberta no centro da nave. Sobre ela foi colocada uma lápide de mármore preto em que se gravaram em forma de cruz um cálice e esta simples inscrição: Aqui jaz João Maria Batista Vianney, Cura d´Ars.

A 8 de janeiro de 1905, o papa Pio X assinou o decreto de beatificação do cura d´Ars. No dia 12 de abril de 1905, São Pio X declarou-o Patrono de todos os sacerdotes que têm cura de almas na França e nos territórios de seu domínio. E a 28 de setembro de 1925, quinze dias depois da canonização de Terezinha do Menino Jesus, o humilde pároco de Ars era canonizado pela Papa Pio XI.

Havendo quem deseje aprofundar-se no assunto, é recomendável ler a obra do Cônego Trochu, “O Santo Cura D’Ars”, de onde são extraídas as passagens acima. 
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