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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Dez pontos sobre as más paixões e seus efeitos nefastos na alma de uma pessoa



"O demônio nunca dá o que promete  ou dá em condições tais, que a pessoa nunca aproveita"


Raphael de la Trinité


1. Sempre que alguém se entrega a uma ação censurável, o prazer momentâneo, por esse modo obtido, nunca lhe dará a satisfação e o pleno gozo que buscava.

2. Cada vez que [uma pessoa] se entrega a uma paixão desordenada, torna-se presa fácil do medo e da insegurança crônicas, pois percebe que, não sendo dona de si, pode ser “pilhada em flagrante delito” a qualquer momento (por Deus ou pelos homens).

3. Há a ilusão de que, não se atendendo à solicitação má, perde-se uma oportunidade única de gozo — afinal, pareceria que uma fruição (ainda que fugaz) constitui um lenitivo que supera tudo. Bazófia. O pensamento e o ato impuro, por exemplo, são fantasias que funcionam como entorpecentes em nosso espírito. A compulsão estabelece uma dependência, a qual nos faz abdicar da realidade justamente pela obediência cega a um mau impulso da imaginação [a “louca da casa”, conforme São Francisco de Sales]. A pessoa, pelos seus instintos inferiores desregrados, é que busca sofregamente uma oportunidade para praticar o mal: "a ocasião faz o ladrão".

4. Oportunidade única: cada vez que a pessoa faz uma coisa errada, perde a oportunidade de fazer algo de bom (que talvez já não possa fazer mais tarde), a bem dizer, algo que desejaria ter feito, mas não conseguiu, pois o mal tomou o lugar do bem. A liberdade verdadeira consiste em seguir o primeiro impulso bom — algo impossível sem refrear o ímpeto para o mal que, nolens volens, nos assedia sempre. O tempo, por sua vez, vale tanto quanto Deus, visto que é no tempo que granjeamos méritos (ou cumulamos delitos) para toda a eternidade. Uma das piores sensações de ruína (psicológica e moral) no indivíduo reside em perceber que "perde tempo", ou seja, que desperdiça as ocasiões mais propícias para tirar o melhor de si. Algo que repele à nossa natureza, que sempre busca a perfeição no próprio ser, isto é, progredir rumo à realização plena de nossas melhores potencialidades. O engrandecimento constante da ação humana está em fazer, de forma contínua e crescente, alguma coisa que esteja acima das próprias forças, ao invés de se deixar arrastar por algo que leva ladeira abaixo. A cada um só compraz verdadeiramente aquilo que nos eleva aos próprios olhos. Pelo contrário, aquilo que, pela indignidade intrínseca do ato, nos rebaixa, suscita habitualmente desgosto profundo em nós.

5. Quando a pessoa sente prazer no que é errado, perde o prazer das coisas boas e legítimas. Exemplo: quem gosta de rock encontra real dificuldade para apreciar a boa música; quem é afeito ao uso de palavrões ("A boca fala da abundância do coração"), dificilmente aproveita, em toda a extensão da palavra, a louçania e o viço de uma magnífica obra literária. Assim também, quem ama o que é impuro, perde o gosto das coisas verdadeiramente prazerosas e que não aparecem eivadas de sujeira. A mente ladina caminha de par com o coração sem mancha. Quem tem o vezo de se entregar ao que é impuro, perde a capacidade de amar verdadeiramente aquilo que é digno de ser amado, pois todo afeto e dedicação verdadeira pressupõe renúncia a si mesmo, amor a Deus e amor ao próximo por amor a Deus. Ora, numa visão de longo alcance, todo pecado é uma forma de idolatria e de furto: de um lado, consideramos o nosso prazer de momento como um absoluto e, de outro, sonegamos a Deus toda a honra e glória que só a Ele pertencem. O pecado  consiste propriamente no seguinte: diante de um bem maior e de um bem menor, preferir este àquele (O homem é incapaz de fazer o mal pelo mal; busca sempre uma “aparência de bem”). Ora, a felicidade só pode provir da busca de um bem maior, em ordem ao Bem Absoluto, que é Deus.

6. Sendo já difícil enfrentar os problemas, dos quais não nos podemos esquivar — esta terra é um vale de lágrimas (Salve Rainha) —, por que criar, por nossa própria conta e risco, outros tantos, suplementares e não raro tormentosos, tornando com isso os problemas reais muito piores do que o são efetivamente, a ponto de nos exaurirmos — psicológica e moralmente falando —, para enfrentá-los em toda a força do termo?

7. Tudo o que começa com gemido, acaba com uma derrota. A pior sensação que o homem pode ter é perceber que não consegue vencer a si mesmo. Não conseguindo vencer a si mesmo, é inevitável que chegue à conclusão de ser um fracassado, uma vez que a "certeza" do fracasso pode conduzir, ainda que por etapas, ao desespero. Quando o homem se entrega ao prazer ilícito, no fundo da alma se instala o remorso; a contrario sensu, quando se entrega ao sacrifício a procura de um bem mais elevado, sentirá na mais fina ponta da alma, mesmo em meio ao sofrimento, confortadora alegria que nada pode arrebatar.
 
8. O pecado começa “doce” e acaba “amargo”. O deleite carnal (para nos circunscrevermos a este) ilude a razão, lisonjeando os nossos piores instintos. Na boca, porém, fica o gosto amargo da “consciência pesada”. Entre outros vícios, o hábito de mentir, por exemplo, atua de modo análogo. Exemplo 1: o mentiroso não gosta de ser chamado como tal, embora esteja viciado na mentira; logo, sabe que mentir é uma vergonha, mas insiste em enganar-se a si mesmo quando finge menosprezar o mal que há em ser contumaz mentiroso. Exemplo 2: o preguiçoso nunca se esforça para sair da preguiça e fazer algo de útil; no entanto, se alguém exigir que ele saia da preguiça, será capaz até de brigar ferozmente por causa disso; logo, a apatia do preguiçoso é uma espécie de droga que o imobiliza, mas e é só para não ter iniciativa, pois ele se acostumou a não fazer força sobre si, a fim de sair da inércia, torpor e indolência — reage unicamente quando alguém o impede de viver à margem de qualquer forma de esforço. Torna-se, então, um “leão” de vigor quando canaliza a sua reatividade (habitualmente quase nula) pelo único conduto que, longe de conduzi-lo à emenda, ainda mais o atola no vício, ou seja, quando é para rejeitar (desta feita, “sem indolência”) a reprimenda daquele que pretende libertá-lo do vício da moleza.

9. A pessoa pode fugir de tudo o que o incomoda, mas é incapaz de extirpar de si a voz da própria consciência, que, em caso de “forfait”, inapelavelmente o acusa. Não ter paz com a própria consciência, eis o pior castigo do pecador.


10. A falsa euforia, que leva a pessoa a pecar, provoca o remorso e a tristeza numa proporção muito maior do que aquela expectativa de gozo que o pecado ilusoriamente fomenta.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Civilização e Tradição






AMBIENTES, COSTUMES, CIVILIZAÇÕES



As reações que os gatos despertam nos homens são muito diversas, pois vão do extremo da antipatia até o extremo do carinho, passando por toda a gama intermediária.

É que no gato, animal extraordinariamente rico em aspectos, há de tudo.

Tigre em miniatura, é ele uma minúscula fera, que às vezes se manifesta arranhando, mordendo, saltando inopinadamente, assustando, pondo tudo em rebuliço e quebrando o que encontra.

Mas, quando o elemento "fera" se aquieta, o gato se mostra de modo oposto: encantadoramente vivaz, delicado e distinto em todos os seus gestos, expressivo em suas atitudes, carinhoso, mimoso, em suma um verdadeiro bibelô vivo.

Um bibelô, entretanto, que não tem certo ar de bagatela, inseparável em geral até dos bibelôs mais finos. Porque em seu olhar, que tem algo de magnético e insondável, de reservado e enigmático, o gato conserva a terrível e atraente superioridade do mistério.

Tal é a riqueza da obra do Criador, que nesse ser meramente animal há alguma coisa que apresenta uma analogia frisante com as qualidades e os defeitos do homem.

Nu, suarento, agressivo, todo entregue aos instintos e às impressões, com o espírito tão limitado que não parece ter a menor consciência do primitivismo de suas armas, nem do primarismo de seus enfeites, esse pobre chefe bárbaro se encontra imerso no mundo da rudeza, da grosseria e da ferocidade.

Muito mais do que no gato, há nele uma dualidade. O homem, concebido em pecado original, tem em si, por assim dizer, uma fera e um anjo. Nesse infeliz africano a fera está bem à mostra. Vendo-o, quem se lembraria do "anjo"?

Esses dois gatinhos tão mimosos, tão delicados, tão meigamente aconchegados um ao outro, são... civilizados. Se, em lugar de terem sido criados em um salão, tivessem vivido sempre na taba desse bárbaro, certamente não seriam assim.

Mas há mais. A educação de uma criança começa cem anos antes de nascer, dizia Napoleão. O mesmo pode dizer-se dos gatos. Há pelo menos um século de vida de salão, na delicadeza que desabrocha nesses macios bichanos. Eles não têm só civilização. Têm tradição.

Esse pobre bárbaro também tem tradição. Pesam sobre ele séculos de selvageria, sem os quais, em via de regra, ninguém chega a ser tão típica, tão inteira, tão escancaradamente assim.

Tradição de barbárie, que degrada o homem fazendo com que pareça um bicho. Tradição de civilização, que faz com que um bicho pareça quase ter um pouco de humano.

É a força modeladora da civilização. É a influência indiscutível e profunda da tradição.

Para terminar, uma pergunta. Numa cidade onde houvesse só play-boys e suas congêneres femininas, onde só se tocasse e dançasse rock-and-roll, onde se comesse, falasse, agisse e brigasse à rock-and-roll, ao cabo de cem anos como seriam os gatos? Ficariam igualmente mimosos? Ou tomariam jeito de gato de telhado? Imaginemos um gato que vivesse junto a esse bárbaro: seria muito diverso do gato play-boy?

Tal amo, tal criado, dizia-se. Tal gato, tal dono, poder-se-ia dizer. Os gatos nascidos no "play-boysmo" e na barbárie seriam semelhantes... porque "play-boysmo" não é senão barbárie no cimento e no asfalto.


domingo, 23 de junho de 2013

É fácil ser autor. Difícil é escrever








Os jornalistas estão adotando a primeira pessoa na narrativa, mas ainda não acharam seu verdadeiro eu lírico

LUÍS ANTÔNIO GIRON


Luís Antônio Giron Editor da
seção Mente Aberta de ÉPOCA,
 escreve sobre os principais fatos
do universo da literatura, do
cinema e da TV (Foto: ÉPOCA)
Como o tempo muda e nada acontece! Antigamente, o iniciante no jornalismo, chamado de “foca”, comparecia humildemente à redação para seu primeiro dia de emprego disposto a aprender com os mais velhos. Ouvia calado até um dia poder falar. Hoje, o “foca” se apresenta ao chefe na redação de uma revista ou um jornal já botando banca: “Foca é a sua mãe”, diz, enchendo o peito. “Eu sou autor!” Mas as coisas continuam iguais. Hoje ele apenas exterioriza aquilo que seu tímido antecessor apenas calava fundo.

No jornalismo atual, é como se o autor precedesse o estilo, ao passo que o inverso parece ainda ser real. Vivemos a epidemia da “autoralidade”, esta palavra monstruosa cuja tradução teria de ser “autoria”, porém é muito simples para fazer bonito. Pensei nesse assunto durante um exaltado debate em torno do tema “como encontrar a voz do repórter” de que participei no último Fórum das Letras de Ouro Preto, na semana passada, em um painel promovido por ÉPOCA e a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). A plateia, formada em sua maioria por estudantes e iniciantes, queria saber como manter a “autoralidade” em tempos de hiperinformação, fragmentação do ego, redes sociais e o diabo digital que nos carregue. O que dizer aos jovens sonhadores sem acordá-los de seu recorrente autoengano? Como construir um estilo e se transformar em autor?

Sempre tive pudor de usar a primeira pessoa do singular, embora a esteja usando agora que está tudo liberado e não tenho nenhuma reputação a perder. Muita gente imagina que basta escrever “eu” para virar autor, repórter, articulista, crítico, ensaísta. Talvez eu tenha passado a pensar assim também, embora sem muita convicção. Talvez eu me veja também como membro do clero do “jornalismo literário” – outra expressão imprecisa que mais exalta certos indivíduos do que diz a verdade. Dessa forma, o clamor do estilo não sai mais apenas da garganta dos escritores, como também dos jornalistas – que nunca foram considerados dignos de receber a alcunha de escritores, sabe-se lá por que – e de seus atuais sucedâneos, blogueiros e tuiteiros.

Todo mundo quer ser alguém na vida da escrita – e migrar seus textos da blogosfera ou do papel perecível para a presumível eternidade do livro. A consequência é o perigo da hiperpopulação de egos no mundo da comunicação. Todos escrevem qualquer coisa, mas poucos merecem ser chamados de autores. O problema é que, em um mundo onde o joio virou o trigo, bons e maus autores estão cada vez mais misturados e indistinguíveis.

Como se não bastasse, os meios de comunicação digital incentivaram a aparição do gigantesco coral de bilhões de vozes. O Twitter é o maior transmissor de opiniões e notícias irrelevantes jamais cogitado. O Facebook forneceu identidade e deu eco a muita gente que, felizmente, prefere ficar nos games da rede social. Antigamente evitava-se dar voz ao imbecil. Hoje, imbecis ou não, todos possuem um meio de expressão e de autopromoção. O imbecil é o herói emergente da autoralidade...

Então, para que servem o jornalista propriamente dito, o jornalista pré-literário, diante de tantas mudanças? Ele diferia até pouco tempo atrás do autor porque ele era um apanhador de fatos. transformava-os em notícia, de acordo com os vários subgêneros jornalísticos: entrevista, reportagem, artigo, resenha etc. O tema impunha o gênero a ser adotado. As redações eram as melhores escolas de estilo e escrita criativa. Agora os registros de linguagem e de veracidade se confundem, e é impossível distinguir um ficcionista de um não-ficcionista, um romancista de um repórter. Os cursos universitários de ficção criativa talvez sejam responsáveis pela lambança. Afinal, acadêmicos odeiam jornalista. Para eles, não passam de subliteratos. E agora com a internet, o veículo primordial da transmissão de notícias, a verificação da realidade se tornou impraticável.

É fácil ser autor. Difícil é escrever. As festas literárias o comprovam.

O jornalismo, por isso, talvez seja um profissão fadada à extinção – pelo menos o jornalismo que conhecemos até o final dos anos 1990. Por enquanto, agoniza mas não morre, como o samba segundo Nelson Sargento. Alguns jornalistas poderão sobreviver. Para tanto, precisam se dar conta de pelo menos três fatos. Em primeiro lugar, não há mais diferença entre textos online e offline, entre papel e internet. A versão em papel se tornou uma espécie de produto nobre, que surge no ambiente universal da internet. Em segundo, a influência dos meios de comunicação tradicionais – jornal, revista, televisão – ainda é efetiva, mas está diminuindo, à medida que os fóruns de opinião se organizam em “trend topics” e os anúncios se transferem para a internet. Por fim, bem ou mal, hoje todo mundo comenta notícias instantaneamente, a concorrência só aumenta.

Para vencer em mundo tão turbulento, o jornalista precisa se antecipar aos “trend topics” e, se não consegue o furo, lidar com a notícias de modo a surpreender o leitor para despertá-lo da letargia em que está enredado pelo excesso de mensagens. É se transformar em uma espécie de autor de verdade (não um arremedo) com voz própria que, além de ser original, se faça ouvir. Ele tem que apurar, conferir, editar e ilustrar uma notícia, mas sobretudo precisa se reinventar e reinventar a forma de elaborar a notícia. Deve inovar de acordo com os novos meios – por que não, por exemplo, escrever uma grande reportagem nos 140 caracteres de um tuite? E tem que ser rigoroso e relevante, e ser lembrado no ambiente hiperveloz de informações que logo caem no esquecimento.

O jornalista não pode cair na tentação de virar um autor de ficção. Deve contentar-se em escrever romances de não-ficção, termo forjado por Truman Capote em 1966, com o hoje clásssico A sangue frio. Seu dever é mostrar ao leitor e ao público que o mundo real continua a existir – e que a realidade é mais complexa do que a vida online faz crer.


(Luís Antônio Giron escreve às quintas-feiras.) 

FonteÉpoca

terça-feira, 11 de junho de 2013

Livrarias não vendem cultura


Tempos atrás liguei para um livreiro oferecendo um livro independente que havia acabado de produzir. Ele disse: claro, com prazer! Trabalhamos com 50%. 
E, para quem gosta de livros, bacanas são as pequenas livrarias e, em especial, os sebos, aqueles onde o dono te atende e fala dos livros que vende, porque os leu, conhece autores, conhece o vendedor da editora, sabe de edições anteriores, vai direto com a mão no exemplar que você pediu porque sabe onde está.

*** * ***





Causou [SIC!] espanto a muita gente as recentes demissões na livraria cultura e fico me perguntando o porquê disso.

Livrarias vendem livros como farmácias vendem analgésicos e [preservativos], [assim] como padarias vendem pães e cigarros.

Livrarias tratam os livros como produtos e não estão erradas nisso [SIC! SIC! SIC!]. Estão erradas em tentar convencer seus clientes que estão só preocupadas com o saber ou com a informação.

Nas vitrines, os mais vendidos, os mais bem relacionados na lista da VEJA, ou ainda os de futebol, na época de copa; os fofinhos para o dia das mães, meiguinhos para o dia dos namorados. e muito de auto-ajuda, claro!

O livro é um 
produto e como tal é tratado.

Tempos atrás liguei para um livreiro oferecendo um livro independente que havia acabado de produzir. Ele disse: claro, com prazer! Trabalhamos com 50%.

Seco assim, sem beijinho, abraço, ou ver do que se tratava.
[Valor de] 50% é o [com] quanto ele fica do preço de capa.

Se eu ou a editora pagamos pela produção, pela impressão, pela entrega na loja, [nada disso] importa. O fato de ele colocar meu livro em algum lugar perdido, em suas prateleiras, já vale os 50tinhas.

Se você quiser seu livro na vitrine, num totem, num destaque qualquer o que acontece?

Claro, você
paga.

E livraria não compra: recebe tudo em consignação, vende e acerta depois. N
egocião!

Livrarias, as grandes livrarias, foram para os shoppings, servem café e pãozinho de queijo; têm espaços para pequenas palestras, lançamentos e para crianças folhearem livros espreguiçados, em almofadas coloridas, nos 
sábados de manhã, quando pais não sabem o que fazer com elas.

Espaços assim, [como] o macdonalds, também têm mais livrarias... Atraem pessoas que acreditam ainda no poder das palavras escritas umas atrás das outras. acreditam que livros podem fazer a diferença e têm uma fé cega neles como os hipocondríacos que visitam farmácias numa crença quase religiosa. [SIC! SIC! SIC!]


Posso estar sendo um pouco injusto. Eu mesmo adoro livrarias e frequento esses carrefours dos livros onde você encontra de tudo; às vezes, compro. Às vezes, anoto os nomes, editoras e encomendo pela amazon pela metade do preço. Tem que esperar um pouco, mas nem tudo é como a gente quer…

E pra quem gosta de livros, bacanas são as pequenas livrarias e, em especial, os sebos, aqueles onde o dono te atende e fala dos livros que vende porque os leu, conhece autores, conhece o vendedor da editora, sabe de edições anteriores, vai direto com a mão no exemplar que você pediu, porque 
sabe onde está.

Continua sendo livro, [continua] sendo produto [SIC! SIC! SIC!], continua sendo negócio, mas é como bolo de [a]vó, cheio de um carinho que você merece.

sábado, 8 de junho de 2013

E a violência contra os católicos se espalha pela França




JÁ SE FOI O TEMPO EM QUE CERTA MÍDIA TENDENCIOSA IMPINGIA A LEITORES INSOSSOS E APÁTICOS NOTÍCIAS OU COMENTÁRIOS PREFABRICADOS.
HOJE, OS BLOGS SÃO UM VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO INDEPENDENTE, QUE NÃO SE CURVAM AO DIKTAT DE INVISÍVEIS ‘CENSORES’ — LONGAMANUS DE PODEROSAS FORÇAS QUE SE OCULTAM NOS BASTIDORES.

*** * ***




O engraçado de tudo isso é o modus operandi da mídia e do governo. Manifestações pacíficas, agremiações de pessoas de bem, concentrações de famílias, para o governo, são gestos de extremismo, capazes de destruir a República, enquanto que os verdadeiros extremistas são tratados com toda complacência. Tanto que o FEMEN, que em janeiro agrediu crianças na manifestação do Instituto Civitas, que invadiu a catedral de Notre Dame de Paris para profanar os novos sinos da igreja, que perturbou uma solenidade em honra de Santa Joana d'Arc, não sofreu nenhum, isso mesmo, nenhum inquérito ou processo. 




Nos últimos meses, temos assistido admirados ao despertar de uma juventude engajada na defesa dos valores morais na outrora França católica. Essa juventude conservadora, que, segundo uma sondagem, representaria 60% dos franceses jovens, é o futuro de uma nação que agora entra em uma situação de violência extrema, reflexo da falência total do modelo político atual. 

Nenhum sistema, nenhuma sociedade pode resistir à sua fragmentação, à política de autodestruição que concede "liberdades" e "direitos" a todas as vontades dos indivíduos, como se vontade pessoal fosse fonte de direito. Logo, o Estado que se arroga o poder de estar acima do bem e do mal, de criar leis que vão contra à natureza, que vão no sentido de minar suas próprias bases, não pode oferecer segurança, tanto jurídica quanto física, para aqueles que pensam de forma diferente, para os defensores da sociedade real, fundamentada sobre a autoridade, sobre a hierarquia, sobre a busca do bem comum.

Assim, essa França moribunda, impulsionada pela histeria do governo, dos jornais socialistas, essa massa formada pela escola laica e pela mídia, acaba partindo para o confronto direto, atacando os seus adversários, temendo que estes retirem esses "direitos" caso eles retornem ao poder. A lógica deles é de que, pela violência, seriam capazes de silenciar essa população e evitar a derrocada do sistema. 

Como já dissemos em outra postagem, a França moderna definha com suas políticas contrárias à família, como o "casamento" gay (recém aprovado), o aborto, as políticas de planejamento familiar, o incentivo à promiscuidade, etc.. Essa França, que liberta seus instintos mais baixos, frutos do pecado original, é infrutífera, não gera sucessores, não pode produzir quem ocupe o lugar de uma massa que morre sem filhos, e por isso acaba recorrendo aos imigrantes, outra fonte de violência. Enquanto isso, a França profunda, dos franceses do campo, dos católicos de classe média, mesmo que tenha uma taxa de natalidade baixa, gera muito mais herdeiros do que a outra. 

Esse povo hoje se encontra como os cristãos durante o colapso do império Romano: à medida que a derrocada se aprofundava, procuravam-se bodes expiatórios para as fontes reais dos problemas. É por isso que a violência está tomando proporções tão gigantescas. Hoje, em Nantes, por exemplo, uma livraria católica foi vandalizada em pleno horário comercial. 



Estátuas, cemitérios e igrejas nunca foram tão profanados como nestas últimas semanas. Em Val de Grâce, a capela foi transformada em um bar, durante um ato sacrílego, que teve direito a uma encenação do Paraíso latino.



Em Lille, enquanto um grupo de vigilantes fazia sua manifestação pacífica, um grupelho de socialistas atacou, aos gritos, os jovens, lançando até preservativos na face das pessoas. Mesmo as mães vigilantes — grupo de mulheres, mães e avós, que fazem vigílias por toda a França — estão sendo atacadas. Em Toulouse, por exemplo, o grupo terá que encontrar um lugar mais seguro — afinal, a polícia só serve para atacar os "extremistas" de direita, e não para defendê-los... 

Em Bayonne, o bispo local, Dom Marc Aillet, está sendo alvo de uma campanha feroz de grupos de esquerda. Um cartaz, confeccionado contra o bispo, traz os dizeres: revisionista, integrista, Vichista (partidário do governo de Vichy). 

O engraçado de tudo isso é o modus operandi da mídia e do governo. Manifestações pacíficas, agremiações de pessoas de bem, concentrações de famílias, para o governo, são gestos de extremismo, capazes de destruir a República, enquanto que os verdadeiros extremistas são tratados com toda complacência. Tanto que o FEMEN, que em janeiro agrediu crianças na manifestação do Instituto Civitas, que invadiu a catedral de Notre Dame de Paris para profanar os novos sinos da igreja, que perturbou uma solenidade em honra de Santa Joana d'Arc, não sofreu nenhum, isso mesmo, nenhum inquérito ou processo. 


De qualquer modo, mesmo com todos esses atos, no dia 14 de julho, dia da festa nacional francesa, o mundo poderá ver mais nitidamente esta verdade que poucos ainda conhecem. Até lá, os bons franceses seguem suportando esta corja...


sexta-feira, 7 de junho de 2013

SEM PERCEBER, AOS POUCOS, OS FIÉIS CATÓLICOS VÃO-SE TORNANDO PROTESTANTES — ”A LEI DA ORAÇÃO É A LEI DA ORAÇÃO”






Veja na foto abaixo os seis pastores protestantes que ajudaram na elaboração da Nova Missa com o Papa Paulo VI:
Pastores protestantes Georges, Jasper, Sephard, Konneth, Smith, e Thurian com o Papa Paulo VI.


"... No tocante à liturgia (ou à vulgarização da Missa), a intenção de Paulo VI era reformar a liturgia católica, para aproximá-la da liturgia protestante (...), da Ceia protestante. (...) Repito que Paulo VI fez tudo o que estava em seu poder para aproximar a Missa católica — em que pese o Concílio de Trento — da Ceia protestante". [Jean Guitton]



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Como os ‘progressistas’ reconhecem a incompatibilidade entre a Missa tridentina e a Missa de Paulo VI


Raphael de la Trinité



"O que está em jogo é importante do ponto de vista teológico. A Missa em latim de Pio V salienta a ideia de um Deus onipotente, afastado do mundo, que julga os homens, quando a Missa resultante do Vaticano II salienta a ideia de um Deus entre os homens. Na primeira, o sacerdote sobe os degraus do altar, portanto volta-se para Deus, dando as costas aos fiéis. Na outra, o Padre preside a assembleia no meio dos fiéis, como Cristo que veio habitar entre os homens".

"São duas teologias que se confrontam, duas atitudes espirituais que se manifestam em liturgias diferentes. Não é uma questão de sensibilidade artística ou estética. Mas a manifestação de um sentido que é dado à mensagem cristã". (Christian Terras, Romano Libero, artigo Tradicional-Verdadeiramente,
http://www.golias.ouvaton.org
/Traditionnelle-vraiment, 21 de Outubro de 2006).

"Certamente, a Teologia da antiga missa, ignorando a assembleia e a dimensão de refeição nos parece superada e desequilibrada.[SIC! SIC! SIC!] Ao mesmo tempo, é principalmente o conjunto de uma visão de Deus e do homem subjacente à reivindicarão tradicionalista que nos incomoda profundamente. Trata-se de permanecer fiel ao impulso imprimido pelo Vaticano II". “(...) Em torno da Liturgia se confrontam visões muito vastas das coisas. Como nota o teólogo Jean Rigal". A Liturgia, além do fato de tocar o visual, o sentimento, o costume, envolve também toda uma concepção de Igreja e dos ministérios. Evidentemente, o fato de só o padre fazer as leituras bíblicas ou se os leigos as fazem também não quer dizer a mesma coisa. Não é também a mesma coisa se há somente homens distribuindo a comunhão, ou se há também mulheres. Eis porque as polêmicas sobre a Liturgia são freqüentemente bem mais profundas do que aparentam".

"(...) a escolha do rito tridentino não é só uma questão de sensibilidade; a liturgia, com efeito, é portadora de uma Teologia da Igreja, e a liturgia saída do Vaticano II exprime a teologia – permanente – da Igreja tal qual ela foi formulada pelo Concílio Vaticano II (...) a palavra sensibilidade não é suficiente para explicar a razão da escolha da liturgia tridentina: num domínio tão grave como o da Liturgia, a gente não se conduz somente pela sensibilidade" (François Maupu, Bispo de Verdun).


Outras citações muito concludentes:

Monsenhor Bugnini [indicado por Paulo VI no dia 5 de maio de 1964 como Secretário da Comissão para elaborar o Novo Ordo] declarou que iria fazer exatamente o que Paulo VI afirmara que desejava que fosse feito: eliminar o que havia de mais católico na Missa, e que só podia ser a Fé na Presença Real de Jesus Cristo na Hóstia Consagrada, e o caráter sacrifical e propiciatório da Santa Missa. (L'Osservatore Romano de 13 de maio de 1967)
 
              Jean Guitton [amigo e confidente de Paulo VI], avaliando a Nova Missa de Paulo VI, no  livro "L’infinito in fondo al cuore", declarou que "a Missa de Paulo VI parece ser a tradução de um serviço protestante". Em Paulo VI havia uma intenção ecumênica de eliminar, ou pelo menos de tirar ou de atenuar, o que na Missa era demasiado católico em seu sentido tradicional, com a finalidade de aproximar a missa católica da missa calvinista”(Jean Guitton, apud Padre Dominique Bourmaud, Cien Años de Modernismo, Ediciones Fundación San Pio X, Buenos Aires, 2006, p. 374).

No dia 19 de dezembro de 1993, no debate "Lumière 101" da Rádio Courtoise, o mesmo Jean Guitton fez as declarações (que já citamos), tiradas do livro do Padre Bourmaud, sobre as intenções de Paulo VI ao reformar a Missa de sempre: 

"...a intenção de Paulo VI em relação à liturgia, ou à vulgarização da Missa, era para reformar a liturgia católica para aproximá-la da liturgia protestante... à Ceia protestante. (...) repito que Paulo VI fez tudo o que estava em seu poder para aproximar a Missa católica --- apesar do Concílio de Trento --- à Ceia protestante".

       E quando um Padre, presente no debate, protestou, Guitton respondeu:

"A Missa de Paulo VI se apresenta principalmente como um banquete, não é verdade?... e insiste muito  pouco na noção de sacrifício, de sacrifício ritual (...). Em outras palavras, há em Paulo VI uma intenção ecumênica de eliminar, ou pelo menos de atenuar, o que há nela de muito 'católico', no sentido tradicional e de aproximá-la -- repito -- da Missa calvinista"! (UNA VOCE - França - maio/junho de 1994)


quarta-feira, 5 de junho de 2013

O casamento 'gay' é ato inexistente



Casamento gay e união civil entre pessoas do mesmo sexo são construções de vento, ficções, mas não ficções jurídicas, pois nem sequer penetram no mundo do direito. 
De um lado, elas não têm assento na lei, na Lei Maior, no texto constitucional, portanto, não têm substrato jurídico. De outro, não se assentam na natureza humana, pois diz-se que o gênero é uma construção social. De outro ainda, não se assentam na soberania popular, senhora do seu destino. Assentam-se, ao revés, em princípios que, infelizmente, estão sujeitos a manipulações ou servem a construções ideológicas. Comprometem-se, portanto, tais atos com uma visão de mundo segundo a qual os homossexuais são vítimas da sociedade, e o homossexualismo é um supervalor humano.







*** * ***








Paul Medeiros Krause





As decisões judiciais que reconhecem a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a recente resolução do CNJ atentam, elas sim, contra a laicidade do Estado.

Causa estarrecimento a recente resolução do Conselho Nacional de Justiça, de n.º 175, que obriga os cartórios a celebrar o casamento de pessoas do mesmo sexo. Até pouco tempo, não havia dúvidas de que o casamento havido entre pessoas do mesmo sexo era negócio jurídico inexistente.

Já atropelavam a Constituição as decisões judiciais, inclusive do Supremo Tribunal Federal, que reconheciam a existência e atribuíam efeitos jurídicos à união civil entre pessoas do mesmo sexo. Tais decisões, como a recente resolução do CNJ, causam perplexidade e suscitam o questionamento sobre os limites da atuação do Poder Judiciário. Poderá ele reescrever a Constituição, atribuindo-se funções de legislador constituinte, invocando princípios para solapar a letra expressa do texto constitucional? Está correto do ponto de vista técnico fazer prevalecer princípios, cujo conteúdo é sempre maleável, em detrimento da letra expressa do texto constitucional?

Ora, o art. 226, § 3.º, da Lei Maior é de clareza meridiana:

“§ 3.º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar a sua conversão em casamento”.

Em outras palavras, nem mesmo a união civil pode se dar entre pessoas do mesmo sexo. Também ela é inexistente aos olhos do direito, por mais que se invoquem princípios de discutível conteúdo, quanto mais o casamento. A dualidade de sexos é elemento essencial da união civil, diz o Constituinte. Coisa diversa é a sociedade de fato, que não constitui entidade familiar, pode ser formada por pessoas do mesmo sexo e ter consequências jurídicas. Casamento gay e união civil entre pessoas do mesmo sexo são construções de vento, ficções, mas não ficções jurídicas, pois nem sequer penetram no mundo do direito.

O Poder Judiciário envereda por caminho perigoso, antidemocrático, totalitário, manietando a ampla discussão que o tema deve ter. Introduz, manu militari, com desprezo da opinião pública e ignorando a atuação do Parlamento, inovações graves no ordenamento jurídico, tão somente com base em princípios, repita-se, de conteúdo discutível, de forte carga ideológica, e contrariamente a texto expresso promulgado pelo Poder Constituinte Originário.

O direito não pode ficar refém de ideologias. Não pode se curvar e estar a serviço de crenças liberalizantes em matéria sexual. Ideologia não se impõe no tapetão. Crenças materialistas não detém, na Constituição, qualquer privilégio em relação a crenças de outra ordem. Na Constituição, materialismo e espiritualismo equivalem-se. Não se impõe materialismo por sentença.

Será que nos apercebemos da gravidade da situação?

Invoca-se a laicidade do Estado, apesar de geralmente haver abuso no emprego desse argumento. Agora, é jurídico decidir com base em princípios quando há texto constitucional expresso, emanado do Poder Constituinte Originário? E os outros princípios expressos da república, do estado de direito, da separação de poderes, da liberdade de pensamento e de crença, da soberania popular? Qual é a sua extensão? Ou invocar a república e o estado de direito comprometem a laicidade do Estado? A separação de poderes é dogma jurídico ou de que natureza? O poder emana do povo ou dos juízes? É o povo quem dá o poder aos juízes, não o contrário.

Tenho para mim que as decisões judiciais que reconhecem a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a recente resolução do CNJ atentam, elas sim, contra a laicidade do Estado. Explico.

De um lado, elas não têm assento na lei, na Lei Maior, no texto constitucional, portanto, não têm substrato jurídico. De outro, não se assentam na natureza humana, pois diz-se que o gênero é uma construção social. De outro ainda, não se assentam na soberania popular, senhora do seu destino. Assentam-se, ao revés, em princípios que, infelizmente, estão sujeitos a manipulações ou servem a construções ideológicas. Comprometem-se, portanto, tais atos com uma visão de mundo segundo a qual os homossexuais são vítimas da sociedade, e o homossexualismo é um supervalor humano.

A pergunta, pois, que não quer calar é se estado confessional é apenas aquele que professa uma fé religiosa ou se o é aquele que impõe uma ideologia oficial. Para mim, a resposta à indagação é óbvia. Não se pode proscrever uma fé oficial de cunho metafísico e tornar obrigatório um credo materialista, ainda que travestido de direitos humanos.

Outra questão que se põe é a seguinte: existe liberdade absoluta em matéria sexual? Se nenhum direito é absoluto, por que o seria o de contrair casamento contrariamente à lei natural? A sociedade inteira não tem o direito de opinar e influir nas decisões do Estado em matéria familiar? Por que razão deteria o Poder Judiciário mais legitimidade ou autoridade do que o povo, do qual se diz que o poder emana e que o exerce diretamente ou por meio de representantes eleitos, para determinar, com base em princípios de questionável conteúdo e alcance, forjados nos laboratórios da ideologia, e não em texto constitucional expresso, o desenho, a moldura, o caráter da sociedade ou entidade familiar?

A norma emanada da Resolução n.º 175 do CNJ é ato inexistente. Tanto quanto a união civil e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não encontra suporte no ordenamento jurídico brasileiro, no estado de direito, na soberania popular, na separação de poderes, na laicidade do Estado e no art. 226, § 3.º, da Constituição. Não vale a tinta com que foi escrita. É uma ficção e não merece cumprimento.
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