SENS DESSUS-DESSOUS...
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Papa Francisco com o "troféu" na mão: camiseta do seu time de futebol predileto... |
Raphael de la Trinité
Augura-se que o PAPA FRANCISCO, em sua paixão pelo
ludopédio, não haja por bem arbitrar contendas de futebol, uma vez que parece
menos afeito a dirimir polêmicas no âmbito eclesiástico do que as que irrompem
naquele.
Em tempos idos, quando ainda Cardeal, jungia-se ao
Rabino de Roma, Stocca, outro aficionado em matéria esportiva, torcendo
vivamente para que a sua equipe de predileção vencesse as porfias.
Desconhecemos o epílogo de tais embates.
Mudaram-se os tempos — mas foi para melhor. Após galgar
várias posições de relevo, a mesma ínclita figura foi investida de um grau de
poder excelso, situando-se, de um mês para cá, “au dessus de la mélée”. No
momento, é o timoneiro da Barca de Pedro.
Contudo, há quem vislumbre um perigo: que, de súbito,
num assomo de épico frenesi, o desavisado BERGOGLIO (agora, o PAPA FRANCISCO), deixando
de lado o seu reles papel d’antanho, como mero assistente colateral nos
estádios, decida-se sair a campo. Vendo-se revestido de plenos poderes, receia-se
que tente evitar a eclosão dos
indesejáveis confrontos entre “hooligans” e assemelhados, propondo-se como
mediador ou elemento de ligação entre “torcidas” rivais. De fato, ninguém mais autorizado para isso. Desfrutando de
autoridade máxima, é capaz dos mais culminantes papéis, ou seja, lograr
desempenhos que nem os virtuoses mais célebres seriam capazes de excogitar.
Que ajuizar a respeito?
Que ajuizar a respeito?
Eventual cisma ou confrontação física direta entre adeptos de clubes antagônicos, com turbas que se apedrejam, não seria um cenário dos mais promissores — embora dado a proezas, Bergoglio não se equipara a um deus ex machina. Mesmo assim, tal é o seu poder de arbitragem, que também desse inesperado desafio, bem poderá safar-se incólume.
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No mais, dissipa-se todo e qualquer horizonte
pressago.
Eis que o entusiasmo me leva de roldão. Fico cismando.
Ouso indagar: malgrado tão protuberante manifestação
de “fervor” futebolístico e candor esportivo, parece aceitável que ainda
existam católicos ansiosos por “voltar atrás”, esquecendo-se das realizações
que o insuperável Concílio Vaticano II nos proporcionou?
Não há quem ignore que essas portentosas lições de
conduta (que num só mês de Pontificado,
Bergoglio, tão despretensiosamente, nos ministrou) só podem ter como fonte
inspiradora a nova Igreja, aquela que emergiu das mãos de João XXIII, mais de
cinquenta anos atrás.
Atitudes tão sábias, comedidas e “empolgantes”, como
estas de nosso exemplar Pontífice, sobretudo no campo dos desportos (alinhar-se, por exemplo, entre os grandes
colecionadores de camisas das equipes futebolísticas, figura entre os seus
hobbies prediletos, e dos mais supinos), só podem provir de uma “grande
abertura para o mundo”, preconizada pelo injustiçado Concílio.
Por acaso, não tivesse sido arejado o mofo dos tempos
pré-conciliares, veríamos jamais um Cardeal emulando-se em dar lições de tino
futebolístico, nos gramados e arquibancadas? Quão grande perda, então, para o
mundo! Ficaríamos sem um intrépido fã-clube, ademais “Bispo de Roma”!
Tenhamos tento: se, como Cardeal, o antístite-torcedor já se fazia notar em seus arrebatamentos desportivos, que inéditos acenos poderá fazer à turba (futebolística ou não), a partir de agora, no exercício de seu “ministério petrino”? Ao menos no terreno das atividades lúdicas, disso estejamos certos, jamais se lhe dará quinau.
Tenhamos tento: se, como Cardeal, o antístite-torcedor já se fazia notar em seus arrebatamentos desportivos, que inéditos acenos poderá fazer à turba (futebolística ou não), a partir de agora, no exercício de seu “ministério petrino”? Ao menos no terreno das atividades lúdicas, disso estejamos certos, jamais se lhe dará quinau.
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Não obstante tais evidências, recusando-se a ver,
nesses gestos indizivelmente sublimes de nosso espiritual Soberano, a ação de
uma igreja coreográfica e renovada, os irredutíveis adeptos da Tradição, sem
sombra de dúvida, merecem o proclamado doesto: “tolos, de coração duro, teimosos”. Sim, esses apodos, Papa
Francisco não os assaca em vão. Dias atrás, resolveu afirmá-lo com todas as
letras. A sua exasperação deve vir de longe. Não é para menos. Tamanha
demonstração de cegueira, por parte dos “católicos de sempre”, é bem própria a
meter em brios até mesmo a doce benignidade franciscana. Pudera...
Trata-se, vale dizer, de católicos que nunca tiveram a "graça" de vibrar (seja de dor, seja de exultação), à imagem de Bergoglio, nos
grandes campos de jogos esportivos. Que esperar, portanto, desses marginais da
atual “cultura do entretenimento”?
Ó infeliz contumácia de se ausentar dos grandes eventos de massa... Haverá maior orfandade?
Ó infeliz contumácia de se ausentar dos grandes eventos de massa... Haverá maior orfandade?
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Nesse raiar alvissareiro de um novo Pontificado, tal
como se descortina aos nossos olhos, são pigmeus e liliputes que tripudiam,
bramindo vitória. Poderia, então, haver lugar para os infindáveis debates de
outrora?
Com uma exalação de frescor bergogliano, não há
perlenga ou desavença que aguente. Facilmente se dirimem as polêmicas e
intermináveis pendengas doutrinárias da história. É um elixir que imuniza os
corpos, doce torpor que avança sobre as almas.
Alegremo-nos: é sempre tempo para um amplexo com
prazenteiro “espírito esportivo”.
À luz desses brilhantes feitos, que de Roma se
espraiam pelo mundo, somente espíritos ranhetas e cediços ousariam falar em
dissensões doutrinárias ou crise na Igreja.
Um sapato
velho, um telefonema para o jornaleiro e uma viagem de ônibus... Foi assim que
Bergoglio desanuviou a cena.
Com essas heroicas iniciativas, PAPA FRANCISCO fez cessar a terrível borrasca que se anunciava. Restabeleceu-se a bonança nos céus do Vaticano.
Com essas heroicas iniciativas, PAPA FRANCISCO fez cessar a terrível borrasca que se anunciava. Restabeleceu-se a bonança nos céus do Vaticano.
Malditos sejam os que não se curvam à suave emanação de BERGOGLIO, PAPA FRANCISCO! Como inimigos da paz, devem, pro bono pacis, ser ceifados à primeira hora!
Para estes, bem cabe levar chumbo e deglutir o fel. É o quinhão que lhes pertence.
Quanto aos demais — maioria do rebanho sem rumo —, o tratamento é simples: basta fazê-los deslizar por um terreno sem sobressaltos. Uma linda varinha de condão saberá conduzi-los à terra prometida, que é a eterna esperança fictícia de um novo paraíso na terra.
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PS: Fala-se até, com muita propriedade, em
restabelecer o tribunal da Santa Inquisição, entregando ao braço secular, para
que sejam punidos com energia máxima, os renitentes adeptos da empoeirada
tradição católica.
Até o momento, um dos candidatos mais prestigiados para ocupar o cargo seria o ex-frei Boff. De fato, é opinião assente que o ardoroso apóstolo da Terra (ou deusa Gaia, para os mais fiéis devotos da Igreja ecumênica “fast-food” ou “prêt-à-porter”) goza de todos os predicados para o exercício de tão nobre missão.
De fato, o seu nome acha-se em evidência, pois foi ele quem teve, dias atrás, uma brilhante inspiração: sugerir ao PAPA FRANCISCO que excomungue os que não compartilham as suas ideias.
Ao que se diz, uma vez aceita, seria esta uma das primeiras iniciativas apaziguadoras do novo Pontífice.
ADENDO (comentando a paródia acima...)
RIDENDO CASTIGAT MORES
Não é sério levar a sério aquilo que é deliberadamente grotesco.
Eis o aspecto mais sério (grave) da situação: após tantas negaças e "reducionismos" das mais altas cúpulas eclesiásticas, o sensus fidei ficou reduzido a frangalhos.
Há um pacto de silêncio e cumplicidade em torno do seguinte: aquilo que a opinião pública católica ainda concebe como Religião Católica, isso é apresentado, pelos artífices da autodemolição, como uma “nova faceta” da Igreja de sempre: a baldeação ideológica inadvertida chega até as suas culminâncias.
Trata-se de
uma “religião ao gosto do freguês”: não mais obriga, nem pune. Entretanto, o
católico que, por princípio, não aceita esse modernismo abjeto, é logo
encaminhado para o banco dos réus. Houvesse condenação à morte, seria queimado
vivo pela nova Inquisição totalitária da Igreja nova.
Em suma, que
significa hoje “ser católico”? Para muitos, equivale quase só a dizer: “participo da
Missa ou da Eucaristia”. Qual o sentido disso?
Para muitos, hoje, é mero ato de louvor, congraçamento ou convescote, inspirado pelas insossas musas de um ritualismo
mágico, que se renova semanalmente, à maneira de um micro “shopping center”
místico-emotivo.
Da verdadeira fé, sedimentada pelo Concílio de Trento, restam — quando muito — vislumbres efêmeros. Nada mais.
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