quinta-feira, 10 de outubro de 2013

PIO EXERCÍCIO DE PREPARAÇÃO PARA MORTE







MEMENTO MORI!

PIO EXERCICIO DE PREPARAÇÃO PARA MORTE




Caríssimos Filhos da Igreja.

Memento Mori! – Lembra-te que morrerás!

Não sabemos se faremos aquela viagem dos nossos sonhos, nem se compraremos tal casa ou se adquiriremos tais coisas... não sabemos se nos casaremos com tal pessoa e nem se conseguiremos alcançar este ou aquele objetivo, todavia de uma coisa sabemos: um dia morreremos!

Os santos sempre tiveram diante de si a sua morte, afim de que, sempre prontos e preparados, ela não os surpreendesse como um ladrão, como advertiu Jesus no Santo Evangelho.

Coloco aqui para vocês um Pio Exercício de Preparação para a Morte. Sendo feito com devoção a cada mês acompanhado de uma boa confissão sacramental, pode-se ganhar uma indulgência Plenária para o momento derradeiro na hora da morte.

Recomendo este Pio Exercício pois já o pratico.

Colocarei  abaixo as datas que eu escolhi para fazer o Santo Exercício. Quem desejar poderá unir-se também. Escolhi a primeira segunda-feira de cada mês, visto que toda segunda-feira é dedicada ás Almas do Purgatório.


2012

Janeiro – 07
Fevereiro – 01
Março – 04
Abril – 01
Maio – 06
Junho – 03
Julho – 01
Agosto – 05
Setembro – 02
Outubro – 07
Novembro – 04
Dezembro – 02

Santo Afonso Maria de Ligório, em seu livro "escola da Perfeição Cristã" afirma que quando fazemos esse exercício temos os mesmos méritos de um mártir, daí a Indulgência Plenária que se ganha na hora da morte.

Diz o Santo:

"O piedoso Abade Blosio afirma que quem, na morte, faz um ato de resignação perfeita na vontade de Deus será preservado não só do inferno, mas até do purgatório, mesmo que tivesse cometido todos os pecados possíveis. Segundo São Tomás, quem sofre a morte para praticar um ato de virtude, é um mártir. Donde se segue que se tem o merecimento do martírio não só quando se sacrifica a vida pela fé, às mãos do carrasco, mas também quando se recebe de boamente a morte para cumprir com a vontade de Deus e agradar ao Senhor. É este um ato de virtude sumamente grande, porque então dá-se a si mesmo a Deus sem reserva."

Deus abençoe a todos e nos conceda, no fim da vida, uma morte santa.

Pe. Marcelo Tenório.


*** * ***




PIEDOSO EXERCÍCIO DE PREPARAÇÃO PARA UMA BOA MORTE

“Estais preparados, porque o Filho do Homem virá na hora, em que menos pensardes” (Lc 12, 40)

“A morte dos pecadores é péssima” (Ps 33)

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus Santos” (Os 115)

“Bem Aventurados os mortos que morrem no Senhor, porque as obras deles os seguem” (Apoc 14, 13)

Nota: A nossa eterna salvação depende da graça de uma boa morte. Para conseguir esta graça, deves suplicar muitas vezes a misericórdia divina com fervorosas orações, e fazer, de vez em quando, uma preparação prática para a morte. Não julgues, que este exercício piedoso e salutar torne a tua vida triste e amarga. Pelo contrário, te trará tranqüilidade de espírito, paz da alma, consolação inefável e grande alívio na hora de tua morte. A lembrança da morte preservar-te-á de pecados, dar-te-á força contra as tentações; teu fim será precioso e o trânsito feliz à vida eterna, enquanto que a morte dos que não se preparam, é péssima e porta do inferno. “Vigiai, porque não sabeis, quando o Senhor virá!” Escolhe, pois, um dia em cada mês para consagra-lo ao negócio de tua eterna salvação. Livra-te, quanto possível, dos negócios temporais, e recebe nesse dia os Sacramentos da Confissão e da Comunhão, com muita devoção, como se fora a última vez. Depois, numa meia hora mais livre e tranqüila, recolhe-te na presença de Deus, no teu quarto ou na Igreja diante do tabernáculo, lembra-te vivamente de tua morte e da última agonia, e reza com toda a atenção e devoção os seguintes atos e orações que então nos horrores da morte talvez não possas fazer.


Oração a Maria Santíssima

Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

Ó Maria, refúgio dos pecadores, Mãe dos agonizantes, não nos desampareis na hora da nossa morte, mas alcançai-nos uma dor perfeita, uma contrição sincera, a remissão dos nossos pecados, digna recepção do santíssimo Viático, a fortaleza do Sacramento da Extrema-Unção, para que possamos seguros apresentar-nos ante o trono do justo, mas também misericordioso Juiz, Deus e Redentor nosso. Amém.

(100 dias de Indulgência)
 

Ato de Fé

Creio em um só Deus em três pessoas: Padre, Filho e Espírito Santo. Creio em Jesus Cristo, Filho de Deus, que se fez homem, morreu na cruz para me dar a vida eterna.

Creio tudo o que ensina a santa Igreja Católica, porque Vós, meu Deus, que sois a mesma verdade, o revelastes.

Protesto solenemente na vossa presença, ó meu Deus, e na presença de meu Anjo, que quero morrer verdadeiro filho da santa Igreja, e que tenho horror a todos os pensamentos contrários à fé que o inimigo infernal procure sugerir-me na minha agonia.

Olhando para o Crucifixo e beijando-o

Sim, meu Senhor Jesus Cristo, a despeito de todas as ignomínias de vossa dolorosa morte, eu creio que Vós sois o verdadeiro Filho de Deus vivo.
Aumentai a minha fé, ó Jesus!
 

Ato de Esperança

Meu Deus, ainda que o grande número de meus pecados e sua enormidade me tornem indigno de perdão, contudo o espero de Vós pela vossa imensa bondade e misericórdia infinita.

Espero perdão, Deus de misericórdia, pelos merecimentos de Jesus Cristo, vosso amado Filho.

Vós sois, ó meu Deus, todo o meu amparo; tenho confiança inabalável em Jesus Cristo, vosso amado Filho, e nas vossas divinas promessas, pelas quais Vos suplico que me recebais na hora de minha morte, afim de que eu viva eternamente convosco.

Beijando a imagem de Jesus crucificado

Ó meu Deus, quanto é bem fundada a minha esperança!

Meu Salvador, meu amado Jesus, vendo-Vos morrer na cruz, e derramar pela minha salvação todo o Sangue de vossas veias, qual não deverá ser a minha esperança!

Em Vós, Senhor, espero; não serei confundido eternamente.
Vós, Senhor, sois meu refúgio na hora da minha morte. Fortificai a minha esperança!
 

Ato de Caridade

Majestade amabilíssima, eu Vos amo mais que a vida, e contente a perderei, sacrificando-a por amor de Vós.

Amo-vos de todo o meu coração, sobre todas as coisas, porque Vós sois digno de todo o amor.

Amo também o meu próximo, e mesmo os meus inimigos por amor de Vós. Ó meu Deus, peço perdão de todo o meu coração àqueles que ofendi; e de boa vontade perdôo a todos que me querem mal, e a todos que mo têm feito.

Olhando para o Crucifixo

“Meu Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”; perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nosso devedores.
 

Ato de Contrição

Meu Deus e Senhor, tende piedade de mim, segundo a vossa grande misericórdia; e segundo o excesso de vossa piedade, perdoai-me todos os meus pecados.

Não Vos lembreis dos pecados que em minha mocidade cometi, mais por imprudência do que por malícia.

Ó meu Deus, quanto fui ingrato! Mas eu Vos ofereço em união com o precioso Sangue de meu divino Salvador, em satisfação de minhas culpas, um coração extremamente arrependido, e uma alma submergida na amargura de seu íntimo pesar.

Ó dulcíssimo Jesus, não sejais para mim Juiz, mas Salvador!

(50 dias de Indulgência)
 

Ato de Humildade

Quanto me considero feliz na vossa graça, no vosso amor, ainda mesmo nas dores e aflições da enfermidade, ó meu Deus, eu que bem podia estar já no fogo do inferno entre os condenados!

Reconheço, Senhor, que me tratais com suma bondade, pois que, pelos meus pecados, mereci penas infinitas.

Vós sois justo, Senhor, e justo são os vossos juízos! Sei bem porque devo sofrer. Recebemos o castigo que merecemos.

Quero suportar a ira do Senhor, porque pequei contra Ele.
 

Ato de Resignação

Seja feita a vossa vontade, ó meu Senhor; e não a minha. Quereis, meu Deus, que eu morra? Eu me submeto e me entrego absolutamente aos vossos santos juízos; adoro-os com todo o afeto de minha alma, dizendo-Vos do íntimo do meu coração e no espírito de Jesus Cristo, vosso amado Filho: “Meu Pai, se não é possível que este cálice passe, sem que eu beba, cumpra-se a vossa vontade”.
 

Ato de Agradecimento

Ó meu Deus, com a mais profunda humildade Vos rendo graças pelos anos de vida e de saúde que me concedestes, e também pelas dores que sofro, e que hei de sofrer na hora de minha morte, pois que tudo provém do vosso amor.

Dou-Vos, igualmente graças, e jamais cessarei de Vo-las dar por todos os benefícios que recebi da vossa bondade durante a minha vida.

Bendirei ao Senhor em todo o tempo; o seu louvor esteja sempre em minha boca.

Bendito sois Vós, Senhor, no firmamento do céu, e louvável e glorioso para sempre!

Tendo rezado estes atos, faze sentado, com todo o recolhimento, meditando e pensando na hora de tua morte, a seguinte Leitura Espiritual.
 
I

Bem depressa te concluirás neste mundo; por isso olha como vives. Hoje está vivo o homem, e amanhã já não existe!

Em se perdendo de vista, também depressa se perde da lembrança.

Que cegueira e dureza a do coração humano, que só pensa no presente, sem cuidar do futuro!

De tal modo te deves conduzir em todos os teus pensamentos e em todas as tuas obras, como se hoje mesmo houveras de morrer.

Se tivesses boa consciência, não temerias muito a morte.

Se não estás preparado hoje, como estarás amanhã?

O dia seguinte é incerto: e como sabes que o terás?

Ah! Nem sempre a longa vida nos emenda, antes aumenta as culpas.

Oxalá um só dia tivéramos bem vivido neste mundo!

Se morrer é tão medonho, muito mais talvez ainda seja viver por muito tempo.
 
II

Ditoso quem sempre tem na vista a hora da morte, e dispõe-se a cada dia a morrer!
Lembra-te pela manhã que podes não chegar à noite; em chegando, porém, à noite, não contes a chegar até a manhã.
Prepara-te sempre, e vive de tal modo, que nunca te encontre a morte despercebido.
Muitos morrem inesperada e repentinamente, pois que, quando menos se pensar, o Filho do Homem há de vir.
Quando vier essa última hora, bem diversamente começarás a julgar de toda a tua vida passada, e muito te arrependerás de teres sido tão negligente e remisso.
Como é prudente e feliz aquele que se esforça por ser agora em vida, como deseja sê-lo na morte!
Pois o que dará grande confiança de morrer venturosamente, é o perfeito desprezo do mundo, a penitência, a obediência, a renúncia de si mesmo e a paciência em sofrer qualquer adversidade por amor de Jesus.
Em havendo boa saúde, muito fácil é praticar o bem; uma vez, porém, doente, não sei de que serás capaz; poucos se emendam com as enfermidades.
Não difiras para mais tarde tua salvação; melhor é fazer com tempo provisão de boas obras e envia-las com antecipação, que esperar no socorro dos demais, porque os homens se esquecerão de ti mais cedo do que pensas.
Agora é o tempo precioso, agora são os dias da salvação, agora é o tempo aceitável!
Mas que pena, que não o gastes mais utilmente, podendo conseguir com ele o viver eternamente!
Virá, porém, um momento em que desejarás um dia ou uma hora para emendar-te, e não sei se o conseguirás.
III

Ah! Irmão caríssimo, de quantos perigos te poderias livrar, de quantos temores fugir, se estiveras sempre temeroso e desconfiado da morte.

Trata agora de viver de tal modo, que na hora da morte possas antes alegrar-te, que temer.

Aprende agora a morrer para o mundo, para que então comeces a viver com Jesus.

Castiga agora o teu corpo pela penitência, para que então possas ter confiança certa.

Ah! que loucura! Como cuidas que hás de viver muito tempo, se um só dia não tens seguro?

Quantos se deixaram enganar, e, de improviso, foram arrancados de seus corpos!

A vida do homem como sombra passa em um instante.

Faze, faze, agora, meu amigo, o que te for possível, pois não sabes, quando morrerás, nem o que te acontecerá depois da morte.

Enquanto tens tempo, reúne riquezas imortais.

Não cuides senão de tua salvação, e nem te preocupes senão das coisas de Deus.

Em venerando os Santos de Deus e imitando a sua vida, fazer agora deles os teus amigos, de sorte que, quando venhas a morrer, sejas por eles recebido nos tabernáculos eternos.

Vive sobre a terra como peregrino e hóspede, que nada tem que ver com os negócios do mundo.

Conserva o teu coração livre e levantado a Deus, porque aqui não tens morada permanente.

Para o céu é que deves dirigir todos os dias as tuas lágrimas e os teus gemidos, para que depois da morte mereças a felicidade de passar para o Senhor. Amém. (Imit. 1. 23.)
 

Ato de Súplica

Ó meu Deus, concedei-me a graça de receber a minha morte, assim como devo e como Vós quereis. Dai-me a força e as disposições necessárias para executar perfeitamente todos os vossos desígnios.
Santificai a minha morte, meu Deus, pelos merecimentos da morte de vosso amado Filho, fazendo que a divina palavra que Ele disse na cruz: “Meu Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”, me obtenha de vossa bondade a indulgência plenária de todas as ofensas, com que Vos tenho agravado.
Que a sede abrasadora que Jesus teve de vossa glória e de minha salvação, e que exprimiu, dizendo: “Tenho sede”, repare toda a minha tibieza e acenda no meu coração um desejo ardente de Vos glorificar.
Que a palavra com que Jesus Vos encomendou sua alma no momento se sua morte, Vos induza a receber a minha alma no último suspiro de minha vida.
Que a palavra que Ele proferiu, dizendo: “Está tudo consumado”, me obtenha a graça de que consumeis em mim, antes que eu morra, quanto pretendeis para a vossa honra.
Que a água sagrada e o Sangue precioso que saiu de seu lado, lavem as minhas manchas, e que o seu Coração, traspassado por mim, me sirva de refúgio na minha última agonia.
Escondei-me no Coração amorosíssimo de Jesus, vosso amado Filho, meu Salvador. Ponde-me a coberto das ciladas de meus inimigos, nesse divino santuário e nessas chagas sacrossantas.

Lançando os olhos à cruz, beijando-a

Pertenço a Vós, ó Jesus, salvai-me! Vós sois meu protetor, não Vos afasteis de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me ajude.
Lembrai-Vos de mim. Tende piedade de mim. Vede a minha dor, e perdoai-me todos os meus delitos.

Ato de Aceitação


Meu Senhor e meu Deus, Vós bateis à minha porta; aqui tendes o meu coração aberto para Vos receber; estou pronto a passar à outra vida, logo que assim o queirais.
Sois justo, Senhor, e reto é o vosso juízo; adoro a vossa eterna justiça, e confesso diante do céu e da terra: Mereço a morte por minha culpa, por minha culpa, por minha máxima culpa.
Ah meu Pai, devo algum dia morrer e descer ao sepulcro. Que castigo tão doloroso! Mas se é grande a vossa justiça, maior é a vossa misericórdia. Vosso divino Filho, Jesus Cristo, meu Salvador, morreu por mim, livrando-me da morte eterna e suavizando os horrores da morte temporal. Se eu aceitar e sofrer a morte por vosso amor, ela será um ato heróico, um sacrifício sublime que Vos agrada.
Assim morreu Maria Santíssima, minha Mãe, e sua morte foi preciosíssima; assim morreram os Santos, e sua morte foi o trânsito feliz à vida eterna.
“Portanto, Senhor, meu Deus, desde já aceito de vossa mão, com resignação e de boa vontade, qualquer gênero de morte, conforme Vos aprouver, com todas as suas angústias, penas e dores” *
Aceito a morte, ó meu Deus, para Vos reconhecer por supremo Senhor da vida e da morte, e para adorar assim com a mais profunda humildade a vossa divina Majestade, o vosso poder divino e o direito absoluto que tendes sobre mim. Quero morrer, ó meu Senhor e Deus, para Vos adorar.
Aceito a morte, meu Deus, como Jesus, em espírito de gratidão e amor. Oh, quanto me amastes desde toda a eternidade! Como poderei retribuir-Vos os inumeráveis benefícios que me fizestes? Nada tenho neste mundo que me seja mais caro que a vida, eu Vo-la dou, de boa vontade, em testemunho do meu amor e de minha gratidão. Quero morrer, para Vos mostrar o meu amor.
Aceito a morte, é meu Deus, pelo zelo de vossa honra, como uma confissão pública que faço de meus pecados, diante de vossa divina Majestade, diante dos Anjos e dos homens e diante de todas as criaturas, como um suplício que quero sofrer em desagravo e reparação de todos os pecados do mundo, e para restituir-Vos, do modo que me é possível, a glória que Vos tirei durante a minha vida. Consinto, pois, que minha alma seja separada do corpo em castigo de tantas vezes se haver separado de Vós pelo pecado. Aceito a perda de todos os meus sentidos em desconto dos pecados que com eles cometi; meu corpo seja enterrado, comido dos bichos, e reduzido ao pó, em castigo e penitência pelos prazeres mundanos, e pelos crimes com que, por meio dele, tantas vezes Vos ofendi.
Ó meu Deus, quero morrer em reparação dos meus pecados e de todos os pecados do mundo.
Enfim aceito e ofereço-Vos a minha agonia e morte, para chamar sobre mim e sobre todos os homens as graças de vossa divina misericórdia. Ofereço-Vos, meu Deus, a minha morte em união com a sagrada paixão e morte de Jesus, pelo Coração imaculado de Maria, para consolar os aflitos, para converter os pecadores, para ajudar aos moribundos e para livrar as almas do purgatório. Assisti-me, Senhor, meu Deus, para que assim minha morte, ainda que dolorosa, seja ao mesmo tempo preciosa, pelos merecimentos de Jesus e pela intercessão de Maria. Amém.
* Nota: O fiel cristão que, em qualquer dia, tendo-se confessado e comungado, com sincero afeto de amor para com Deus, rezar estas palavras, ganhará uma indulgência planária na hora da morte.
"Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dê-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir" (Santo Tomás de Aquino)



São José, Padroeiro da Boa Morte, Rogai por Nós!


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O grande sorriso medieval: o conto do senhor feudal criminoso, o ermitão piedoso e o misterioso barrilzinho



Habitava nos confins da Normandia um destemido cavaleiro, cujo nome causava terror na região. De seu castelo fortificado junto ao mar, não receava nem mesmo o rei.
De grande estatura e belo porte, era no entanto vaidoso, desleal e cruel, não temendo a Deus nem aos homens.
Não fazia jejum nem abstinência, não assistia à Missa nem ouvia sermões. Não se conhecia homem tão mau.
Numa Sexta-feira Santa, bradou ele aos cozinheiros:
— Aprontai-me para o almoço a peça que cacei ontem.
Ouvindo isto, seus vassalos exclamaram:
— Senhor, hoje é Sexta-feira Santa. Todos jejuam, e vós quereis comer carne? Crede-nos: Deus acabará por vos punir.
— Até que tal aconteça, terei enforcado e roubado muita gente.
— Estais seguro de que Deus tolerará mais isso? Vós devíeis arrepender-vos sem demora. Em um bosque vizinho há um padre eremita, varão de grande santidade. Vamos até lá e confessemo-nos — insistiram os vassalos.
— Confessar-me? Aos diabos! — respondeu com desprezo o senhor.
— Vinde ao menos fazer-nos companhia.
— Para me divertir, concedo. Por Deus, nada farei.
E puseram-se a caminho. Na floresta solitária e quieta encontraram o santo varão na ermida.
Advertido pelos vassalos, que se confessaram, saiu o eremita ao encontro do orgulhoso senhor, que ficara montado. E disse-lhe:
— Sede bem-vindo, senhor. Visto que sois cavaleiro, deveis ser cortês. Desmontai e vinde falar comigo.
— Falar convosco? Por que diabos? Estou com pressa.
— Entrai e conhecei minha capela e minha morada.
Muito a contragosto e resmungando, o cavaleiro apeou. O eremita tomou-o pelo braço, conduziu-o diante do altar e disse-lhe:
— Senhor, matai-me, se quiserdes, mas daqui não saireis sem antes confessar-vos.
— Não contarei nada! E não sei o que me impede de matar-vos.
— Irmão, dizei-me um só pecado. Deus vos ajudará a confessar os demais.
— Diabos! Não me dareis sossego? Eu o farei, mas de nada me arrependerei.
E com grande arrogância contou de um só lance todos os pecados.
Depois de ouvi-lo, o eremita prop— Senhor, pelo menos sujeitai-vos a uma penitência.
— O quê!? Penitência!? Caçoais de mim! — vociferou furioso o cavaleiro.
— Jejuareis todas as Sextas-feiras durante três anos.
— Três anos! Estais louco! Jamais!
— Então, um mês.
— Também não.
— Ireis a uma igreja e direis aí um Padre-Nosso e uma Ave-Maria.
— Para mim seria enfadonho, e ademais, tempo perdido.
— Pelo amor de Deus todo poderoso, pegai pelo menos este barrilzinho, enchei-o no regato próximo e trazei-o de volta para mim.
— Bem, isto não me custa tanto. E sobretudo para ficar livre de vós, concedo.
Saiu o cavaleiro em direção à fonte, e de um só golpe afundou na água o barrilzinho. Neste não entrou uma gota sequer. Tentou novamente de um jeito, de outro... Nada!
Intrigado e rangendo os dentes de raiva, voltou à ermida e esbravejou:
— Barril enfeitiçado! Não consigo meter-lhe uma só gota de água!
— Senhor, que triste estado é o vosso! Uma criança o teria trazido transbordando. Isto é um sinal de Deus, por causa de vossos pecados.
— Pois eu vos juro que não lavarei minha cabeça, não farei a barba nem cortarei as unhas enquanto não encher este barril, ainda que tenha de dar a volta ao mundo. E nisto empenho minha palavra!
E assim partiu o cavaleiro com o barrilzinho, levando só a roupa do corpo. Em todos os poços e regatos, cascatas e rios, lagos e mares, experimentava encher o pequeno tonel, mas sempre em vão.
Caminhando sem cessar, passando frio e calor, por planícies e montanhas, percorreu ele muitos países.
Maltrapilho e sujo, curtido pelo sol, obrigado a mendigar, sofreu fome, insultos e chacotas, pois muitos desconfiavam dele. Seu corpo ia definhando, e o barrilzinho pesava-lhe enormemente, amarrado ao pescoço.
Ao cabo de um ano de fracassos, decidiu voltar à ermida, onde por fim chegou, exatamente na Sexta-feira Santa. O eremita, não o reconhecendo, perguntou:
— Caro irmão, quem vos deu esse barrilzinho? Há um ano entreguei-o a um belo cavaleiro, que não voltou mais aqui. Nem sei se ainda vive.
— Esse cavaleiro sou eu, e este é o estado em que me colocaste! — respondeu cheio de cólera o desgrenhado peregrino, contando a seguir suas desventuras.
O santo homem indignou-se ante tanta dureza de alma, bradando:
— Vós sois o pior dos homens! Um cão, um animal qualquer teria enchido o barril. Ah! bem vejo que Deus não aceitou vossa penitência, porque não vos arrependestes!
E pondo-se a chorar, rogou à Santíssima Virgem que intercedesse por aquele pecador empedernido.
Enquanto o eremita soluçava em sua longa oração, o cavaleiro, quieto, foi tocado pela graça. Seu coração tão duro comoveu-se. Os olhos se lhe turvaram.
Uma grossa lágrima rolou-lhe pela face ressequida, caindo diretamente dentro do barrilzinho, que trazia amarrado ao pescoço. E esta única lágrima encheu-o até os bordos.
Sinceramente arrependido, o cavaleiro pediu para confessar-se. O eremita, maravilhado, abraçou-o em prantos de alegria.

Após ministrar a absolvição sacramental ao penitente, o eremita perguntou-lhe se queria receber a comunhão.
— Sim, meu pai. Mas apressai-vos, porque sinto que vou morrer.
Tendo recebido o Santíssimo Sacramento, com a alma purificada, o cavaleiro agradeceu comovido ao eremita, e colocou-se em suas mãos. Pouco depois exalava o último suspiro.
A capela iluminou-se, e os anjos levaram sua alma ao Paraíso. Diante do altar, o eremita velou longamente aquele corpo coberto de andrajos, tendo junto de si o prodigioso barrilzinho.



Novena da Padroeira, o carnaval continua em Aparecida.



A cada ano, o Santuário Nacional de Aparecida promove uma aberração diferente na Novena de Nossa Senhora Aparecida.

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Desta vez, a “deusa” grega Dice (foto: filha de Zeus, símbolo da justiça) entrou em procissão ao longo da celebração do 3º dia da Novena — embora não durante uma Missa, não deixa de algo ser esdrúxulo, despropositado, ridículo, de mau gosto, cafona, brega e, por fim, afrontoso à Fé Católica.

Parabéns a Dom Raymundo Damasceno (arcebispo), Dom Darci (bispo auxiliar) e Pe. Domingos Sávio (reitor): os senhores estão destruindo a Fé Católica do povo brasileiro com sucesso!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O QUE SÃO PIO X ENSINA SOBRE A QUESTÃO SOCIAL NADA TEM EM COMUM COM AS BAZÓFIAS E FÁBULAS SOCIALISTAS DA IGREJA PÓS-CONCILIAR



Desde que se aborda a questão social, está na moda, em certos meios, afastar primeiro a divindade de Jesus Cristo, e depois só falar de sua soberana mansidão, de sua compaixão por todas as misérias humanas, de suas instantes exortações ao amor do próximo e fraternidade. 

Certamente, Jesus nos amou com um amor imenso, infinito, e veio à terra sofrer e morrer, a fim de que, reunidos em redor dele na justiça e no amor, animados dos mesmos sentimentos de mútua caridade, todos os homens vivam na paz e na felicidade. 

Mas para a realização desta felicidade temporal e eterna, Ele impôs, com autoridade soberana, a condição de se fazer parte de seu rebanho, de se aceitar sua doutrina, de se praticar a virtude e de se deixar ensinar e guiar por Pedro e seus sucessores. 

Ademais se Jesus foi bom para os transviados e os pecadores, não respeitou suas convicções errôneas por sinceras que parecessem; amou-os a todos para os instruir, converter e salvar. 

Se chamou junto de si, para os consolar, os aflitos e os sofredores, não foi para lhes pregar o anseio de uma igualdade quimérica. 

Se levantou os humildes, não foi para lhes inspirar o sentimento de uma dignidade independente e rebelde à obediência. 

Se seu coração transbordava de mansidão pelas almas de boa vontade, soube igualmente armar-se de uma santa indignação contra os miseráveis que escandalizam os pequenos, contra as autoridades que acabrunham o povo sob a carga de pesados fardos, sem aliviá-la sequer com o dedo. 

Foi tão forte quão doce; repreendeu, ameaçou, castigou, sabendo e nos ensinando que, muitas vezes, o temor é o começo da sabedoria, e que, às vezes, convém cortar um membro para salvar o corpo. 

Enfim, não anunciou para a sociedade futura o reinado de uma felicidade ideal, de onde o sofrimento fosse banido; mas, por lições e exemplos, traçou o caminho da felicidade possível na terra e da felicidade perfeita no céu: a estrada real da cruz.



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Sobre os erros do Sillon 

Carta Apostólica do Papa Pio X promulgada em 25 de Agosto de 1910 


Fonte: Tarrasch



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

7 de Outubro - Solenidade do Santíssimo Rosário





Quasi rosa, plantata super rivos aquarum, fructificate — “Frutificai como rosal plantado sobre as correntes das águas” (Ecclus. 39, 17).

Sumário.  O santíssimo Rosário merece ser rezado com respeito e atenção, pois é uma devoção sublime e excelente sob todos os pontos de vista. Foi aprovada pela Igreja, enriquecida de indulgências pelos Sumos Pontífices, e glorificada por Deus com milagres estupendos. Por outro lado este saltério celeste, em razão das orações que o compõem, encerra tudo o que há de mais belo na Igreja católica. Em que estima tens tão precioso tesouro? Como é que costumas rezar o Rosário?

I. Considera a excelência da devoção do santíssimo Rosário. Já se sabe que foi revelada a São Domingos pela divina Mãe, na ocasião em que, estando aflito o Santo e lamentando-se, com Nossa Senhora, dos grandes danos que naquele tempo faziam à Igreja os hereges albigenses, a Virgem lhe disse: “Este terreno será sempre estéril enquanto sobre ele não cair a chuva.” Entendeu então São Domingos que esta chuva era a devoção do Rosário que ele devia publicar. — Com efeito, o Santo foi logo pregando por toda a parte, e esta devoção veio a ser abraçada por todos os católicos; de tal maneira, que presentemente não há devoção mais praticada por todas as classes dos fiéis do que a do santíssimo Rosário.

Que não têm dito os hereges para desacreditar este uso? Mas, para nos persuadirmos da sua impiedade, basta sabermos que esta devoção foi aprovada pela Igreja, que a honrou com a instituição de uma solenidade especial; os Sumos Pontífices enriqueceram-na de indulgências, e Deus a glorificou por milages estupendos. — Por outra parte, é conhecido o grande bem que ao mundo tem resultado desta nobre devoção. Quantos por meio dela têm sido livres dos pecados? Quantos conduzidos a uma vida santa? Quantos têm obtido uma boa morte e hoje estão salvos? O próprio demônio, obrigado a isso por São Domingos, declarou pela boca de um possesso, que não se condenou nenhum daqueles que até à morte perseveraram em rezar devotamente o Rosário.

Nem isso nos pode admirar; porquanto, sendo este saltério celeste composto da contemplação dos mistérios, da Oração dominical e da Saudação Angélica, encerra em si tudo que há de mais sublime na Igreja católica. — Examina-te aqui sobre se tens o santíssimo Rosário na devida estima, já que é uma devoção tão exímia sob todos os pontos de vista.

II. Para compreendermos quanto agrada à Santíssima Virgem a devoção do santo Rosário, basta refletirmos nas belas promessas por ela feitas àquele que constantemente reza o Rosário. “A todos os”, disse Nossa Senhora ao Bem-aventurado Alano, “que recitarem o meu saltério, prometo a minha proteção especialíssima. O Rosário será para todos um penhor seguro da sua predestinação à glória, porquanto é uma arma poderosíssima contra o inferno para extirpar os vícios, dissipar o pecado e vencer as heresias. Aquele que recitar devotamente o santo Rosário, não será oprimido pelas desgraças, não morrerá de morte imprevista, sem sacramentos; mas converter-se-á, se for pecador; crescerá na graça, se for justo, e será feito digno da vida eterna. Os que na terra se esmerarem em propagá-lo, serão por mim assistidos em todas as suas necessidades.”

O fruto desta consideração será que rezaremos freqüentemente o santo Rosário, e o rezaremos devotamente, com a coroa benta na mão, acompanhando-o da contemplação dos mistérios, e pondo-nos, sendo possível, diante de uma imagem de Maria. — Considerando também de uma parte as perseguições de que é alvo a Igreja católica e da outra a confiança esclarecida que os Sumos Pontífices põem nesta arma poderosíssima, rezemos muitas vezes o saltério celeste para que seja acelerado o triunfo da Igreja.

Ó Virgem gloriosa, Rainha do santíssimo Rosário, congratulo-me convosco pela homenagem que no mundo inteiro vos tributam tantas confraternidades que se gloriam de vosso venerável Nome. Prostrado diante do vosso trono, rogo-vos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Jesus Cristo adquiriu com o seu sangue e renoveis em seu favor um daqueles prodígios que vos mereceram o título de Rainha das Vitórias. Igualmente vos rogo, ó minha Mãe, que me permitais unir-me hoje e sempre a tantos confrades, vossos filhos diletos e vos saúde sempre com a saudação angélica: Ave, cheia de graça, o Senhor é convosco (1).

“Ó Deus, cujo Filho unigênito pela sua vida, morte e ressurreição nos mereceu os prêmios da salvação eterna, concedei-me propício, que contemplando estes mistérios no santíssimo Rosário da Bem-aventurada Virgem Maria, possa imitar o que eles contêm e conseguir o que prometem. Pelo mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor.” (2) (*I 276.)

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1. Luc. 1, 28.
2. Or. Fest.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 374 - 377.)


Fonte: São Pio V

A Batalha de Lepanto e o heroísmo de São Pio V



Lepanto, vitral da igreja de São Giles em Cheadle, Inglaterra
Neste mês cumprem-se 437 anos da maior vitória naval da Cristandade sobre o Império muçulmano.

No dia 7 de outubro de 1571, o enfrentamento das esquadras católicas contra as do Islã, no golfo de Lepanto, salvou a Civilização Cristã de terrível dano: a invasão — cujas conseqüências seriam incalculáveis — do continente europeu pelos mouros.

Por intercessão de Maria Santíssima, apesar da enorme desproporção de forças, a armada católica saiu magnificamente vencedora.


*** * ***

Vou destacar aqui um herói da batalha de Lepanto, a respeito do qual pouco se fala. Esse herói foi o Papa São Pio V.

Cristo miraculoso de Lepanto, catedral de Barcelona
O Pontífice via bem o poder otomano crescer cada vez mais, e o perigo de os otomanos se jogarem sobre a Itália ou sobre qualquer outra parte da Europa, e operarem uma invasão que poderia ter efeitos tão ruinosos ou talvez mais ruinosos do que teve a invasão dos árabes na Espanha, no começo da Idade Média.

Nessa situação, São Pio V tinha que apelar naturalmente para o varão que era o apoio temporal da Igreja naquele tempo: Felipe II, Rei da Espanha.

O Imperador do Sacro Império Romano Alemão não tinha condições, por causa da divisão religiosa no império [em razão da revolução protestante], de lutar eficazmente contra os mouros. A França estava corroída por uma crise religiosa muito grande, guerra de religião etc.

A união do poder espiritual com o poder temporal

O Papa só podia contar, dentre as grandes potências católicas, com Felipe II de um lado, e, de outro, com Veneza, que dispunha de grande poder marítimo.

Caso Felipe II se retraísse, a horda maometana desataria sobre a Itália, e depois atingiria toda a Cristandade. Seria o fim da Civilização Cristã no Ocidente. Não seria o fim da Igreja, porque ela é imortal; mas, ao que a Igreja poderia ficar reduzida, ninguém sabe.

Se não fosse a pressão de São Pio V, não se teria realizado a Batalha de Lepanto, porque a Espanha não teria mandado sua esquadra. Esta era o grande contingente decisivo dentro das esquadras aliadas que lutaram e venceram em Lepanto.

Sao Pio V vê a vitória de Lepanto, Notre Dame de Fourvière, LyonAssim se compreende melhor por que razão houve a famosa aparição a São Pio V.

Ele estava numa reunião de cardeais, em Roma, e em certo momento levantou-se e rezou um terço pela vitória dos católicos sobre os maometanos, decisiva para a Cristandade. Enquanto o Papa rezava o terço, teve a revelação da vitória das esquadras católicas.

São Pio V foi um verdadeiro herói, como Dom João d’Áustria e os outros grandes guerreiros que venceram em Lepanto.



Plinio Corrêa de Oliveira, 7/10/75.

Fonte: As Cruzadas

‘Hélas’




Luis Fernando Verissimo




Deus criou o Céu e a Terra e o Dia e a Noite, e deu nome às plantas, aos bichos e às coisas. Mas também era preciso dar nome aos sentimentos e às emoções, a perplexidades e a situações inusitadas e, sentindo-se despreparado para a tarefa, Deus criou os franceses.

Os franceses têm a expressão certa para tudo, inclusive para o inexprimível, que eles chamam de “je ne sait quoi”. O francês é a única língua do mundo com uma definição para a incapacidade de definir. Eles não apenas têm um nome para “fazer beicinho”, bouder, como inventaram uma peça da casa que teoricamente existe só para a mulher se recolher enquanto o faz, o boudoir. Outra expressão francesa que não ocorreria a mais ninguém é esprit d’escalier, ou o espírito que só se faz presente quando a gente já está descendo a escada, depois de falhar na hora de ser brilhante. Se não fossem os franceses, não saberíamos como chamar a sensação de que a boa frase ou a resposta arrasadora geralmente só nos vêm quando não adianta mais. Na escada ou, mais recentemente, no elevador.

Outra boa frase era epater les bourgeois. Caiu em desuso, em primeiro lugar, porque todas as frases prontas francesas foram ficando antigas num mundo cada vez mais americano, mas também porque foi ficando cada vez mais difícil espantar a burguesia. Depois da revolução sexual e do escancaramento da privacidade, nada mais espanta ninguém e o que antes chocava hoje vira moda.


O que ainda funciona — tanto que, no Brasil, se transformou num gênero jornalístico — é epater la gauche, contrariar o pensamento convencionalmente progressista, ou apenas correto, com reacionarismo explícito. Os epateurs da esquerda podem ser divertidos, mas como em todo succès d’escandale (que remédio, sou um antigo) nunca se sabe se o sucesso se deve ao talento para escandalizar ou se o escândalo dispensa o talento, e basta ser contra para aparecer. De qualquer maneira, hélas, aos poucos as frases feitas francesas vão perdendo a atualidade e — ça va sans dire — a utilidade.

Fonte: ESP
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