quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Primeiro relato autêntico sobre a morte de Lutero (1592)







A morte de Lutero permaneceria então um segredo; alguns iniciados presentes em seu leito de morte eram os últimos que tinham a chave dele. A questão permaneceu como tal durante mais de quarenta anos, até que enfim, em 1592, um polemista, historiador católico de renome, o oratoriano Thomas Bozio, se colocou à parte e publicou uma relação devida a uma testemunha ocular - o próprio empregado de Lutero. Esse empregado ainda era jovem quando seu mestre morreu. Ele retornou para o seio da Igreja católica. Nesse meio tempo, ele fez contato pessoal seja com Bozio, seja com seus amigos, justo no momento que Bozio escrevia sua famosa obra, frequentemente citada por teólogos do século XVI, de Dignis Ecclesiae (Roma e Colônia, 1592; 1593). Nela há um capítulo sobre o fim desafortunado de todos os hereges. É aí que, confiando em seus dados, ele estabeleceu o que segue: 

"Uma noite, Lutero tinha jantado copiosamente; ele fora dormir com um humor jovial. Na mesma noite, ele morreu sufocado. Eu tomei esse detalhe pouco conhecido de seu criado, de quem recebi o testemunho. Ele era jovem quando esteve a seu serviço; e voltou a ser um dos nossos, há alguns anos. Segundo ele, Lutero morreu miseravelmente, por meio de um laço no pescoço; porém rapidamente fizeram todos os seus familiares que estavam a parte da questão jurarem não divulgar isso, pela honra do Evangelho".

Essa informação autêntica e de fonte estranha, de forma alguma improvável em si, logo encontrou entre os historiadores católicos um crédito universal. Ela foi repetida por Cornelius a Lapide, que disse, em seu comentário sobre a segunda epístola de São Pedro, II, 12 (pseudoprophetae in corruptione sua peribunt), composta por volta de 1600: 

"É certo que Lutero, após um rico jantar, foi tomado de desesperança. Impelido pelo furor diabólico, ele passou um laço pelo pescoço e morreu assim. É o que afirmou seu criado, convertido na sequência à verdadeira fé, segundo o que relata Thomas Bozio[1]".

Assim, o famoso exegeta acrescenta, por sua parte, um esclarecimento ao que Bozio tinha narrado, a saber, que Lutero tinha perpetrado sua última ação "desperatione et furiis daemonis actus", na desesperança e impelido pelo furor do diabo.

Outro logo revelou a informação de Bozio. Foi o jesuíta Martin Becan. Ele ensinava filosofia em Colônia, quando Bozio mandara imprimir seu livro[2].

De acordo com ele, pode-se conhecer até mesmo o texto do esclarecimento devido ao criado de Lutero, pois ele possuía seu testemunho escrito, e várias cópias tinham sido feitas. 

O primeiro que mandou imprimir esse manuscrito, foi Henri Sedulius, homem cheio de obras e grande viajante. Ele tinha tomado conhecimento dele em Fribourg en Brisgau; e ele o publicou em seu livro: "Praescriptiones adversus haereses, Antuérpia 1606".

O empregado, que como vimos, retornou mais tarde ao catolicismo, faz observar desde o princípio que, antes de tudo, lhe foi prescrito guardar o silêncio sobre o triste acontecimento, porém que Deus e a voz de sua consciência tiveram de ser ouvidas mais que os homens. Ademais, ele descreve de um modo muito vigoroso como ele foi o primeiro a encontrar seu mestre, na manhã de 18 de fevereiro de 1546, "pendurado contra sua cama, e miseravelmente estrangulado". 

Encontraremos mais abaixo, no apêndice B, esse texto com a introdução in extenso de Sedulius. Não obstante, a tradução cabe conveniente aqui, dada como o processo verbal redigido pelo criado de Lutero. Ei-la:

"Sem dúvida seu piedoso pedido me insta a rejeitar todo temor em ofender ou em indignar as pessoas, e me chama a dar o testemunho que é devido à verdade; mas o que me arrasta a isso com maior veemência ainda, é o respeito que devo a Deus e a todos os santos. Sei que é preciso dar, por toda parte, glórias às obras admiráveis de Deus, e que, antes vale obedecer as ordens divinas que as dos homens. Assim, ainda que os senhores da Alemanha me tenham assinalado severamente para não revelar a quem quer que fosse a terrível morte de meu mestre Martinho Lutero, eu, contudo, não a esconderia; porém, para a glória de Cristo, farei conhecer, e pela edificação da sociedade cristã, divulgarei o que eu mesmo vi e tomei conhecimento dos primeiros, o que anunciei aos príncipes reunidos em Eisleben, e isso sem ser excitado por nenhum ódio, nem provocado por qualquer amizade ou qualquer favor. Eis, portanto, o que aconteceu:

Lutero, se encontrando em Eisleben, em meio aos ilustríssimos senhores da Alemanha, tinha concedido à sua sede uma generosa satisfação. Bêbado, ele estava absolutamente sem controle, e nós o tínhamos levado para deitar e o acomodado em sua cama. Após ter-lhe desejado boa noite, nos retiramos para nosso quarto, sem predizer, nem suspeitar de algum desfecho sinistro, e dormimos tranquilamente. Na manhã seguinte, chegando perto de nosso mestre para vesti-lo como de costume, qual não é nossa dor, quando percebemos Martinho Lutero pendurado em sua cama e miseravelmente estrangulado. Esse espetáculo de enforcamento horrível nos encheu de pavor. Após um pouco de hesitação, corremos até os príncipes e os companheiros da cidade, para lhes anunciar o execrável fim de Lutero. Eles, não menos assustados que nós, começaram por nos obrigar a prometer todo tido de coisas e levar numerosas testemunhas: em primeiro lugar, era para mantermos o assunto em silêncio, fielmente, constantemente, a fim que nada fosse revelado; depois, recolocar o cadáver maculado de Lutero na cama, porém livre de sua corda; enfim, espalhar entre o público que ele tinha morrido subitamente. Cheios de grandes promessas, iríamos manter nosso compromisso, tanto por apego e fidelidade à memória de nosso mestre quanto por causa do pedido dos príncipes, se não houvesse a força insuportável da verdade para nos impelir a fazer o contrário. A verdade pode por vezes ser oprimida, quando o respeito humano, o medo, ou a esperança do lucro se misturam, mas graças ao sentimento da religião ou ao remorso da consciência, isso não pode durar para sempre".

O cartuxo Théodore Petrejus, em seu Catalogus haereticorum (Colônia, 1629), releva a importância dessa declaração.

Ele acrescenta por conta própria (p. 120): 

"É isso que eu vi consignado em um escrito sincero de nossa biblioteca de Colônia. E eu encontrei em uma biblioteca da Silésia um velho manuscrito segundo o qual Lutero se aplicou o modo de procedimento hoje conhecido entre nós como "com a ajuda de uma toalha"[3].

O esclarecimento dado pelo criado de Lutero leva a entender, ademais, como - segundo a narração do civis Mansfeldensis citada mais acima - dois médicos e um boticário chamados para junto de Lutero apareceram imediatamente após a visita da morte. Ele dá ainda a entender como se tinha podido fazer tentativas para chamar o morto à vida, tentativas que espantam, sem dúvida, mas que são assinaladas pela Historia. Enfim, ele esclarece uma circunstância mais espantosa ainda, igualmente destacada pela Historia, a saber, o transporte do cadáver que ocorreu, do sofá onde o encontraram, para uma cama comum preparada às pressas.

Então, ainda que todos os interessados mantivessem inicialmente o silêncio sobre essa questão capital, parece, contudo, que eles esbanjaram declarações, e que relativamente em certas circunstâncias acessórias, eles não se impuseram nenhuma reserva, por exemplo, ao que concerne ao procedimento de ressuscitação, ao transporte do cadáver para a cama. 

Dr. Paul Majunke. La fin de Luther. Paris, Hte Walzer. Traduit par l'abbé Scklincker, 1893.
_______

[1] Thomas Bozius, de signis Ecclesiae, tom. 2; lib. 23, c.3.
[2] Ouvres complètes, Mayence, 1631, tom. 2, p. 460.
[3] Original em francês: "à l'aide d'un essuie-main".




Um pouco de New Age (Parte II)




A Nova Era como neo-gnosticismo - auto-salvação de baixo para cima



ROMA, 9 de Outubro de 2013 (Zenit.org)
Sandro Leoni


A Conferência Episcopal Italiana (CEI) apontou a Nova Era, juntamente com o movimento das Testemunhas de Jeová (salvação alternativa vinda de cima), como um símbolo do neo-gnosticismo (auto-salvação vinda de baixo):

"A New Age:

41. Mais do que grupos individuais e movimentos religiosos definidos, com estruturas e doutrinas próprias, devemos levar em consideração a propagação de uma nova maneira de compreender o mundo, que atende pelo nome de New Age: nela, confluem e se confundem pensamento oriental, elementos de derivação cristã, doutrinas esotéricas, novas cosmologias e interpretações astrológicas, numa composição sincretista que tende a responder às mais diversas e até opostas exigências da sociedade contemporânea.

A New Age desvaloriza e torna irrelevante o critério de verdade, e quem evoca a sua necessidade é considerado perigoso para a concórdia entre os homens, perturbador do caminho rumo à nova era, a qual estaria destinada a pôr fim às disputas e divisões das idades anteriores do mundo.

No limiar do milênio, é prometida uma "nova era" do mundo, a "Era de Aquário", que será de unidade e paz universal, caracterizada pelo advento de uma religião planetária, herdeira do que houve de positivo em todas as religiões anteriores, levando-as, assim, ao seu cumprimento. Embora faça referências também ao pensamento de autores cristãos, esse movimento esvazia o evento salvífico de Cristo eliminando a sua verdade, singularidade e plenitude.

Além do sincretismo, a New Age é dominada por um vago naturalismo e imanentismo. O homem, de acordo com essa linha de pensamento, pode se tornar capaz, através de algumas técnicas, de fazer a experiência do divino sem a ajuda da graça divina, realizando com as próprias forças a sua salvação, da qual depende a harmonia universal.

42. O pensamento da New Age se espalha de modo sutil e quase imperceptível, por muitos canais e formas, e é apresentado com metodologias adequadas inclusive para as crianças, sublinhando as suas características de amor universal e de proteção da natureza.

Esta proposta pode ser enganosa, porque apresenta determinados objetivos com os quais é fácil concordar: harmonia entre homem e natureza, consciência e compromisso para tornar o mundo melhor, mobilização de todas as forças do bem para um novo projeto unitário de vida.

Algumas técnicas propostas podem ser consideradas naturalmente boas e psicologicamente úteis, mas outras são altamente questionáveis, porque usam formas que violam a ética natural e o respeito pelo ser humano.

Exige-se, portanto, um aprofundamento e um esclarecimento sobre esta nova forma de sincretismo religioso, que é difícil de definir. Só é bom o que é verdadeiro: este é o critério que deve nos guiar. Temos uma obrigação de consciência para com a verdade e um dever de obediência à Palavra revelada, advertidos que fomos por São Paulo de que existe sempre o risco de trocarmos a verdade de Deus pela mentira e de adorarmos "a criatura no lugar do Criador" (Rm 1, 25).

43. A resposta cristã para a Nova Era está no mistério da Encarnação: o Filho de Deus nasceu da Virgem Maria "para nos salvar". Não há salvação em nenhum outro nome (cf. At 4 , 12). Ninguém pode salvar a si mesmo, com técnicas humanas.

Apesar da companhia de todas as constelações e com todas as práticas psicológicas possíveis, o homem permanece irremediavelmente sozinho. Veio Outro para nos salvar, aquele que "por nós, homens, e pela nossa salvação, desceu dos céus" e está vivo e operante mediante o seu Espírito na Igreja.


O cristão não adere a um salvador humanamente inventado, mas ao Jesus Cristo do Evangelho, que nos salva através da cruz e da ressurreição, propondo o caminho das bem-aventuranças e nos fazendo transcender o horizonte terreno, ainda que o ilumine e o promova".

Um pouco de New Age (Parte I)





A Nova Era como neo-gnosticismo - auto-salvação de baixo para cima

Roma, 8/10/2013 (Zenit.org)
Sandro Leoni

A Nova Era, ou New Age, é um fenômeno contemporâneo, de invenção "laica", que copiou a ideia de São Pedro: foi ele o primeiro a dizer que os cristãos esperam "novos céus e nova terra", aludindo à palingênese do cosmo na segunda vinda de Jesus Cristo. Mas, sendo laica, a New Age deturpou-lhe tanto o propósito (que para nós é a vida eterna na glória de Deus, e, para ela, é um progresso indefinido na terra), quanto a causa (que, para nós, é Deus e, para ela, são as estrelas: o motor do seu mecanismo seria a astrologia, a passagem da constelação de Peixes para a de Aquário).

Esta ideologia, que remonta à revolução estudantil de 1968, diferentemente da seita que acredita numa mensagem de salvação que vem de cima, confia a "redenção" dos indivíduos ao agir pessoal e a ideias particulares. É um neo-gnosticismo: a gnose, presente desde os tempos apostólicos, confia à mente, ou seja, ao próprio homem, o caminho da salvação, uma salvação que é concebida como iluminação, emancipação, desenvolvimento de potencialidades interiores, autodivinização ("nós somos Deus", declarou a atriz Shirley MacLaine, adepta e divulgadora).

A New Age (que, após o fracasso das suas promessas sociais, evoluiu para uma “Next Age”, apontando para o “Yes, we can”) não é uma doutrina, uma ideologia, não tem uma estrutura organizada, com ativistas, centros específicos, etc... Ela é uma “atmosfera”, um “clima”, uma tensão emocional, alimentada por várias redes que desembocam nela como em um lago. Alguns dos "afluentes" estão presentes desde sempre como um problema pastoral para a Igreja. Astrologia, magia, espiritismo (reciclado como channeling) formam a sua espinha dorsal, mas a "salada" (sim, esta é uma das definições!) é formada ainda por terapias alternativas, medicina holística, a chamada nova música, uma nova política, a crença em "energias sutis" que devemos aprender a canalizar ou evitar, a crença na reencarnação, a existência de chacras que canalizam as energias do cosmo, a pranoteapia, o reiki, a energia terapêutica e formativa das pedras, os florais de Bach e uma longa lista de outros elementos... Em resumo, o sincretismo é o padrão da Nova Era.

PIO EXERCÍCIO DE PREPARAÇÃO PARA MORTE







MEMENTO MORI!

PIO EXERCICIO DE PREPARAÇÃO PARA MORTE




Caríssimos Filhos da Igreja.

Memento Mori! – Lembra-te que morrerás!

Não sabemos se faremos aquela viagem dos nossos sonhos, nem se compraremos tal casa ou se adquiriremos tais coisas... não sabemos se nos casaremos com tal pessoa e nem se conseguiremos alcançar este ou aquele objetivo, todavia de uma coisa sabemos: um dia morreremos!

Os santos sempre tiveram diante de si a sua morte, afim de que, sempre prontos e preparados, ela não os surpreendesse como um ladrão, como advertiu Jesus no Santo Evangelho.

Coloco aqui para vocês um Pio Exercício de Preparação para a Morte. Sendo feito com devoção a cada mês acompanhado de uma boa confissão sacramental, pode-se ganhar uma indulgência Plenária para o momento derradeiro na hora da morte.

Recomendo este Pio Exercício pois já o pratico.

Colocarei  abaixo as datas que eu escolhi para fazer o Santo Exercício. Quem desejar poderá unir-se também. Escolhi a primeira segunda-feira de cada mês, visto que toda segunda-feira é dedicada ás Almas do Purgatório.


2012

Janeiro – 07
Fevereiro – 01
Março – 04
Abril – 01
Maio – 06
Junho – 03
Julho – 01
Agosto – 05
Setembro – 02
Outubro – 07
Novembro – 04
Dezembro – 02

Santo Afonso Maria de Ligório, em seu livro "escola da Perfeição Cristã" afirma que quando fazemos esse exercício temos os mesmos méritos de um mártir, daí a Indulgência Plenária que se ganha na hora da morte.

Diz o Santo:

"O piedoso Abade Blosio afirma que quem, na morte, faz um ato de resignação perfeita na vontade de Deus será preservado não só do inferno, mas até do purgatório, mesmo que tivesse cometido todos os pecados possíveis. Segundo São Tomás, quem sofre a morte para praticar um ato de virtude, é um mártir. Donde se segue que se tem o merecimento do martírio não só quando se sacrifica a vida pela fé, às mãos do carrasco, mas também quando se recebe de boamente a morte para cumprir com a vontade de Deus e agradar ao Senhor. É este um ato de virtude sumamente grande, porque então dá-se a si mesmo a Deus sem reserva."

Deus abençoe a todos e nos conceda, no fim da vida, uma morte santa.

Pe. Marcelo Tenório.


*** * ***




PIEDOSO EXERCÍCIO DE PREPARAÇÃO PARA UMA BOA MORTE

“Estais preparados, porque o Filho do Homem virá na hora, em que menos pensardes” (Lc 12, 40)

“A morte dos pecadores é péssima” (Ps 33)

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus Santos” (Os 115)

“Bem Aventurados os mortos que morrem no Senhor, porque as obras deles os seguem” (Apoc 14, 13)

Nota: A nossa eterna salvação depende da graça de uma boa morte. Para conseguir esta graça, deves suplicar muitas vezes a misericórdia divina com fervorosas orações, e fazer, de vez em quando, uma preparação prática para a morte. Não julgues, que este exercício piedoso e salutar torne a tua vida triste e amarga. Pelo contrário, te trará tranqüilidade de espírito, paz da alma, consolação inefável e grande alívio na hora de tua morte. A lembrança da morte preservar-te-á de pecados, dar-te-á força contra as tentações; teu fim será precioso e o trânsito feliz à vida eterna, enquanto que a morte dos que não se preparam, é péssima e porta do inferno. “Vigiai, porque não sabeis, quando o Senhor virá!” Escolhe, pois, um dia em cada mês para consagra-lo ao negócio de tua eterna salvação. Livra-te, quanto possível, dos negócios temporais, e recebe nesse dia os Sacramentos da Confissão e da Comunhão, com muita devoção, como se fora a última vez. Depois, numa meia hora mais livre e tranqüila, recolhe-te na presença de Deus, no teu quarto ou na Igreja diante do tabernáculo, lembra-te vivamente de tua morte e da última agonia, e reza com toda a atenção e devoção os seguintes atos e orações que então nos horrores da morte talvez não possas fazer.


Oração a Maria Santíssima

Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

Ó Maria, refúgio dos pecadores, Mãe dos agonizantes, não nos desampareis na hora da nossa morte, mas alcançai-nos uma dor perfeita, uma contrição sincera, a remissão dos nossos pecados, digna recepção do santíssimo Viático, a fortaleza do Sacramento da Extrema-Unção, para que possamos seguros apresentar-nos ante o trono do justo, mas também misericordioso Juiz, Deus e Redentor nosso. Amém.

(100 dias de Indulgência)
 

Ato de Fé

Creio em um só Deus em três pessoas: Padre, Filho e Espírito Santo. Creio em Jesus Cristo, Filho de Deus, que se fez homem, morreu na cruz para me dar a vida eterna.

Creio tudo o que ensina a santa Igreja Católica, porque Vós, meu Deus, que sois a mesma verdade, o revelastes.

Protesto solenemente na vossa presença, ó meu Deus, e na presença de meu Anjo, que quero morrer verdadeiro filho da santa Igreja, e que tenho horror a todos os pensamentos contrários à fé que o inimigo infernal procure sugerir-me na minha agonia.

Olhando para o Crucifixo e beijando-o

Sim, meu Senhor Jesus Cristo, a despeito de todas as ignomínias de vossa dolorosa morte, eu creio que Vós sois o verdadeiro Filho de Deus vivo.
Aumentai a minha fé, ó Jesus!
 

Ato de Esperança

Meu Deus, ainda que o grande número de meus pecados e sua enormidade me tornem indigno de perdão, contudo o espero de Vós pela vossa imensa bondade e misericórdia infinita.

Espero perdão, Deus de misericórdia, pelos merecimentos de Jesus Cristo, vosso amado Filho.

Vós sois, ó meu Deus, todo o meu amparo; tenho confiança inabalável em Jesus Cristo, vosso amado Filho, e nas vossas divinas promessas, pelas quais Vos suplico que me recebais na hora de minha morte, afim de que eu viva eternamente convosco.

Beijando a imagem de Jesus crucificado

Ó meu Deus, quanto é bem fundada a minha esperança!

Meu Salvador, meu amado Jesus, vendo-Vos morrer na cruz, e derramar pela minha salvação todo o Sangue de vossas veias, qual não deverá ser a minha esperança!

Em Vós, Senhor, espero; não serei confundido eternamente.
Vós, Senhor, sois meu refúgio na hora da minha morte. Fortificai a minha esperança!
 

Ato de Caridade

Majestade amabilíssima, eu Vos amo mais que a vida, e contente a perderei, sacrificando-a por amor de Vós.

Amo-vos de todo o meu coração, sobre todas as coisas, porque Vós sois digno de todo o amor.

Amo também o meu próximo, e mesmo os meus inimigos por amor de Vós. Ó meu Deus, peço perdão de todo o meu coração àqueles que ofendi; e de boa vontade perdôo a todos que me querem mal, e a todos que mo têm feito.

Olhando para o Crucifixo

“Meu Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”; perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nosso devedores.
 

Ato de Contrição

Meu Deus e Senhor, tende piedade de mim, segundo a vossa grande misericórdia; e segundo o excesso de vossa piedade, perdoai-me todos os meus pecados.

Não Vos lembreis dos pecados que em minha mocidade cometi, mais por imprudência do que por malícia.

Ó meu Deus, quanto fui ingrato! Mas eu Vos ofereço em união com o precioso Sangue de meu divino Salvador, em satisfação de minhas culpas, um coração extremamente arrependido, e uma alma submergida na amargura de seu íntimo pesar.

Ó dulcíssimo Jesus, não sejais para mim Juiz, mas Salvador!

(50 dias de Indulgência)
 

Ato de Humildade

Quanto me considero feliz na vossa graça, no vosso amor, ainda mesmo nas dores e aflições da enfermidade, ó meu Deus, eu que bem podia estar já no fogo do inferno entre os condenados!

Reconheço, Senhor, que me tratais com suma bondade, pois que, pelos meus pecados, mereci penas infinitas.

Vós sois justo, Senhor, e justo são os vossos juízos! Sei bem porque devo sofrer. Recebemos o castigo que merecemos.

Quero suportar a ira do Senhor, porque pequei contra Ele.
 

Ato de Resignação

Seja feita a vossa vontade, ó meu Senhor; e não a minha. Quereis, meu Deus, que eu morra? Eu me submeto e me entrego absolutamente aos vossos santos juízos; adoro-os com todo o afeto de minha alma, dizendo-Vos do íntimo do meu coração e no espírito de Jesus Cristo, vosso amado Filho: “Meu Pai, se não é possível que este cálice passe, sem que eu beba, cumpra-se a vossa vontade”.
 

Ato de Agradecimento

Ó meu Deus, com a mais profunda humildade Vos rendo graças pelos anos de vida e de saúde que me concedestes, e também pelas dores que sofro, e que hei de sofrer na hora de minha morte, pois que tudo provém do vosso amor.

Dou-Vos, igualmente graças, e jamais cessarei de Vo-las dar por todos os benefícios que recebi da vossa bondade durante a minha vida.

Bendirei ao Senhor em todo o tempo; o seu louvor esteja sempre em minha boca.

Bendito sois Vós, Senhor, no firmamento do céu, e louvável e glorioso para sempre!

Tendo rezado estes atos, faze sentado, com todo o recolhimento, meditando e pensando na hora de tua morte, a seguinte Leitura Espiritual.
 
I

Bem depressa te concluirás neste mundo; por isso olha como vives. Hoje está vivo o homem, e amanhã já não existe!

Em se perdendo de vista, também depressa se perde da lembrança.

Que cegueira e dureza a do coração humano, que só pensa no presente, sem cuidar do futuro!

De tal modo te deves conduzir em todos os teus pensamentos e em todas as tuas obras, como se hoje mesmo houveras de morrer.

Se tivesses boa consciência, não temerias muito a morte.

Se não estás preparado hoje, como estarás amanhã?

O dia seguinte é incerto: e como sabes que o terás?

Ah! Nem sempre a longa vida nos emenda, antes aumenta as culpas.

Oxalá um só dia tivéramos bem vivido neste mundo!

Se morrer é tão medonho, muito mais talvez ainda seja viver por muito tempo.
 
II

Ditoso quem sempre tem na vista a hora da morte, e dispõe-se a cada dia a morrer!
Lembra-te pela manhã que podes não chegar à noite; em chegando, porém, à noite, não contes a chegar até a manhã.
Prepara-te sempre, e vive de tal modo, que nunca te encontre a morte despercebido.
Muitos morrem inesperada e repentinamente, pois que, quando menos se pensar, o Filho do Homem há de vir.
Quando vier essa última hora, bem diversamente começarás a julgar de toda a tua vida passada, e muito te arrependerás de teres sido tão negligente e remisso.
Como é prudente e feliz aquele que se esforça por ser agora em vida, como deseja sê-lo na morte!
Pois o que dará grande confiança de morrer venturosamente, é o perfeito desprezo do mundo, a penitência, a obediência, a renúncia de si mesmo e a paciência em sofrer qualquer adversidade por amor de Jesus.
Em havendo boa saúde, muito fácil é praticar o bem; uma vez, porém, doente, não sei de que serás capaz; poucos se emendam com as enfermidades.
Não difiras para mais tarde tua salvação; melhor é fazer com tempo provisão de boas obras e envia-las com antecipação, que esperar no socorro dos demais, porque os homens se esquecerão de ti mais cedo do que pensas.
Agora é o tempo precioso, agora são os dias da salvação, agora é o tempo aceitável!
Mas que pena, que não o gastes mais utilmente, podendo conseguir com ele o viver eternamente!
Virá, porém, um momento em que desejarás um dia ou uma hora para emendar-te, e não sei se o conseguirás.
III

Ah! Irmão caríssimo, de quantos perigos te poderias livrar, de quantos temores fugir, se estiveras sempre temeroso e desconfiado da morte.

Trata agora de viver de tal modo, que na hora da morte possas antes alegrar-te, que temer.

Aprende agora a morrer para o mundo, para que então comeces a viver com Jesus.

Castiga agora o teu corpo pela penitência, para que então possas ter confiança certa.

Ah! que loucura! Como cuidas que hás de viver muito tempo, se um só dia não tens seguro?

Quantos se deixaram enganar, e, de improviso, foram arrancados de seus corpos!

A vida do homem como sombra passa em um instante.

Faze, faze, agora, meu amigo, o que te for possível, pois não sabes, quando morrerás, nem o que te acontecerá depois da morte.

Enquanto tens tempo, reúne riquezas imortais.

Não cuides senão de tua salvação, e nem te preocupes senão das coisas de Deus.

Em venerando os Santos de Deus e imitando a sua vida, fazer agora deles os teus amigos, de sorte que, quando venhas a morrer, sejas por eles recebido nos tabernáculos eternos.

Vive sobre a terra como peregrino e hóspede, que nada tem que ver com os negócios do mundo.

Conserva o teu coração livre e levantado a Deus, porque aqui não tens morada permanente.

Para o céu é que deves dirigir todos os dias as tuas lágrimas e os teus gemidos, para que depois da morte mereças a felicidade de passar para o Senhor. Amém. (Imit. 1. 23.)
 

Ato de Súplica

Ó meu Deus, concedei-me a graça de receber a minha morte, assim como devo e como Vós quereis. Dai-me a força e as disposições necessárias para executar perfeitamente todos os vossos desígnios.
Santificai a minha morte, meu Deus, pelos merecimentos da morte de vosso amado Filho, fazendo que a divina palavra que Ele disse na cruz: “Meu Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”, me obtenha de vossa bondade a indulgência plenária de todas as ofensas, com que Vos tenho agravado.
Que a sede abrasadora que Jesus teve de vossa glória e de minha salvação, e que exprimiu, dizendo: “Tenho sede”, repare toda a minha tibieza e acenda no meu coração um desejo ardente de Vos glorificar.
Que a palavra com que Jesus Vos encomendou sua alma no momento se sua morte, Vos induza a receber a minha alma no último suspiro de minha vida.
Que a palavra que Ele proferiu, dizendo: “Está tudo consumado”, me obtenha a graça de que consumeis em mim, antes que eu morra, quanto pretendeis para a vossa honra.
Que a água sagrada e o Sangue precioso que saiu de seu lado, lavem as minhas manchas, e que o seu Coração, traspassado por mim, me sirva de refúgio na minha última agonia.
Escondei-me no Coração amorosíssimo de Jesus, vosso amado Filho, meu Salvador. Ponde-me a coberto das ciladas de meus inimigos, nesse divino santuário e nessas chagas sacrossantas.

Lançando os olhos à cruz, beijando-a

Pertenço a Vós, ó Jesus, salvai-me! Vós sois meu protetor, não Vos afasteis de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me ajude.
Lembrai-Vos de mim. Tende piedade de mim. Vede a minha dor, e perdoai-me todos os meus delitos.

Ato de Aceitação


Meu Senhor e meu Deus, Vós bateis à minha porta; aqui tendes o meu coração aberto para Vos receber; estou pronto a passar à outra vida, logo que assim o queirais.
Sois justo, Senhor, e reto é o vosso juízo; adoro a vossa eterna justiça, e confesso diante do céu e da terra: Mereço a morte por minha culpa, por minha culpa, por minha máxima culpa.
Ah meu Pai, devo algum dia morrer e descer ao sepulcro. Que castigo tão doloroso! Mas se é grande a vossa justiça, maior é a vossa misericórdia. Vosso divino Filho, Jesus Cristo, meu Salvador, morreu por mim, livrando-me da morte eterna e suavizando os horrores da morte temporal. Se eu aceitar e sofrer a morte por vosso amor, ela será um ato heróico, um sacrifício sublime que Vos agrada.
Assim morreu Maria Santíssima, minha Mãe, e sua morte foi preciosíssima; assim morreram os Santos, e sua morte foi o trânsito feliz à vida eterna.
“Portanto, Senhor, meu Deus, desde já aceito de vossa mão, com resignação e de boa vontade, qualquer gênero de morte, conforme Vos aprouver, com todas as suas angústias, penas e dores” *
Aceito a morte, ó meu Deus, para Vos reconhecer por supremo Senhor da vida e da morte, e para adorar assim com a mais profunda humildade a vossa divina Majestade, o vosso poder divino e o direito absoluto que tendes sobre mim. Quero morrer, ó meu Senhor e Deus, para Vos adorar.
Aceito a morte, meu Deus, como Jesus, em espírito de gratidão e amor. Oh, quanto me amastes desde toda a eternidade! Como poderei retribuir-Vos os inumeráveis benefícios que me fizestes? Nada tenho neste mundo que me seja mais caro que a vida, eu Vo-la dou, de boa vontade, em testemunho do meu amor e de minha gratidão. Quero morrer, para Vos mostrar o meu amor.
Aceito a morte, é meu Deus, pelo zelo de vossa honra, como uma confissão pública que faço de meus pecados, diante de vossa divina Majestade, diante dos Anjos e dos homens e diante de todas as criaturas, como um suplício que quero sofrer em desagravo e reparação de todos os pecados do mundo, e para restituir-Vos, do modo que me é possível, a glória que Vos tirei durante a minha vida. Consinto, pois, que minha alma seja separada do corpo em castigo de tantas vezes se haver separado de Vós pelo pecado. Aceito a perda de todos os meus sentidos em desconto dos pecados que com eles cometi; meu corpo seja enterrado, comido dos bichos, e reduzido ao pó, em castigo e penitência pelos prazeres mundanos, e pelos crimes com que, por meio dele, tantas vezes Vos ofendi.
Ó meu Deus, quero morrer em reparação dos meus pecados e de todos os pecados do mundo.
Enfim aceito e ofereço-Vos a minha agonia e morte, para chamar sobre mim e sobre todos os homens as graças de vossa divina misericórdia. Ofereço-Vos, meu Deus, a minha morte em união com a sagrada paixão e morte de Jesus, pelo Coração imaculado de Maria, para consolar os aflitos, para converter os pecadores, para ajudar aos moribundos e para livrar as almas do purgatório. Assisti-me, Senhor, meu Deus, para que assim minha morte, ainda que dolorosa, seja ao mesmo tempo preciosa, pelos merecimentos de Jesus e pela intercessão de Maria. Amém.
Nota: O fiel cristão que, em qualquer dia, tendo-se confessado e comungado, com sincero afeto de amor para com Deus, rezar estas palavras, ganhará uma indulgência planária na hora da morte.
"Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dê-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir" (Santo Tomás de Aquino)



São José, Padroeiro da Boa Morte, Rogai por Nós!


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O grande sorriso medieval: o conto do senhor feudal criminoso, o ermitão piedoso e o misterioso barrilzinho



Habitava nos confins da Normandia um destemido cavaleiro, cujo nome causava terror na região. De seu castelo fortificado junto ao mar, não receava nem mesmo o rei.
De grande estatura e belo porte, era no entanto vaidoso, desleal e cruel, não temendo a Deus nem aos homens.
Não fazia jejum nem abstinência, não assistia à Missa nem ouvia sermões. Não se conhecia homem tão mau.
Numa Sexta-feira Santa, bradou ele aos cozinheiros:
— Aprontai-me para o almoço a peça que cacei ontem.
Ouvindo isto, seus vassalos exclamaram:
— Senhor, hoje é Sexta-feira Santa. Todos jejuam, e vós quereis comer carne? Crede-nos: Deus acabará por vos punir.
— Até que tal aconteça, terei enforcado e roubado muita gente.
— Estais seguro de que Deus tolerará mais isso? Vós devíeis arrepender-vos sem demora. Em um bosque vizinho há um padre eremita, varão de grande santidade. Vamos até lá e confessemo-nos — insistiram os vassalos.
— Confessar-me? Aos diabos! — respondeu com desprezo o senhor.
— Vinde ao menos fazer-nos companhia.
— Para me divertir, concedo. Por Deus, nada farei.
E puseram-se a caminho. Na floresta solitária e quieta encontraram o santo varão na ermida.
Advertido pelos vassalos, que se confessaram, saiu o eremita ao encontro do orgulhoso senhor, que ficara montado. E disse-lhe:
— Sede bem-vindo, senhor. Visto que sois cavaleiro, deveis ser cortês. Desmontai e vinde falar comigo.
— Falar convosco? Por que diabos? Estou com pressa.
— Entrai e conhecei minha capela e minha morada.
Muito a contragosto e resmungando, o cavaleiro apeou. O eremita tomou-o pelo braço, conduziu-o diante do altar e disse-lhe:
— Senhor, matai-me, se quiserdes, mas daqui não saireis sem antes confessar-vos.
— Não contarei nada! E não sei o que me impede de matar-vos.
— Irmão, dizei-me um só pecado. Deus vos ajudará a confessar os demais.
— Diabos! Não me dareis sossego? Eu o farei, mas de nada me arrependerei.
E com grande arrogância contou de um só lance todos os pecados.
Depois de ouvi-lo, o eremita prop— Senhor, pelo menos sujeitai-vos a uma penitência.
— O quê!? Penitência!? Caçoais de mim! — vociferou furioso o cavaleiro.
— Jejuareis todas as Sextas-feiras durante três anos.
— Três anos! Estais louco! Jamais!
— Então, um mês.
— Também não.
— Ireis a uma igreja e direis aí um Padre-Nosso e uma Ave-Maria.
— Para mim seria enfadonho, e ademais, tempo perdido.
— Pelo amor de Deus todo poderoso, pegai pelo menos este barrilzinho, enchei-o no regato próximo e trazei-o de volta para mim.
— Bem, isto não me custa tanto. E sobretudo para ficar livre de vós, concedo.
Saiu o cavaleiro em direção à fonte, e de um só golpe afundou na água o barrilzinho. Neste não entrou uma gota sequer. Tentou novamente de um jeito, de outro... Nada!
Intrigado e rangendo os dentes de raiva, voltou à ermida e esbravejou:
— Barril enfeitiçado! Não consigo meter-lhe uma só gota de água!
— Senhor, que triste estado é o vosso! Uma criança o teria trazido transbordando. Isto é um sinal de Deus, por causa de vossos pecados.
— Pois eu vos juro que não lavarei minha cabeça, não farei a barba nem cortarei as unhas enquanto não encher este barril, ainda que tenha de dar a volta ao mundo. E nisto empenho minha palavra!
E assim partiu o cavaleiro com o barrilzinho, levando só a roupa do corpo. Em todos os poços e regatos, cascatas e rios, lagos e mares, experimentava encher o pequeno tonel, mas sempre em vão.
Caminhando sem cessar, passando frio e calor, por planícies e montanhas, percorreu ele muitos países.
Maltrapilho e sujo, curtido pelo sol, obrigado a mendigar, sofreu fome, insultos e chacotas, pois muitos desconfiavam dele. Seu corpo ia definhando, e o barrilzinho pesava-lhe enormemente, amarrado ao pescoço.
Ao cabo de um ano de fracassos, decidiu voltar à ermida, onde por fim chegou, exatamente na Sexta-feira Santa. O eremita, não o reconhecendo, perguntou:
— Caro irmão, quem vos deu esse barrilzinho? Há um ano entreguei-o a um belo cavaleiro, que não voltou mais aqui. Nem sei se ainda vive.
— Esse cavaleiro sou eu, e este é o estado em que me colocaste! — respondeu cheio de cólera o desgrenhado peregrino, contando a seguir suas desventuras.
O santo homem indignou-se ante tanta dureza de alma, bradando:
— Vós sois o pior dos homens! Um cão, um animal qualquer teria enchido o barril. Ah! bem vejo que Deus não aceitou vossa penitência, porque não vos arrependestes!
E pondo-se a chorar, rogou à Santíssima Virgem que intercedesse por aquele pecador empedernido.
Enquanto o eremita soluçava em sua longa oração, o cavaleiro, quieto, foi tocado pela graça. Seu coração tão duro comoveu-se. Os olhos se lhe turvaram.
Uma grossa lágrima rolou-lhe pela face ressequida, caindo diretamente dentro do barrilzinho, que trazia amarrado ao pescoço. E esta única lágrima encheu-o até os bordos.
Sinceramente arrependido, o cavaleiro pediu para confessar-se. O eremita, maravilhado, abraçou-o em prantos de alegria.

Após ministrar a absolvição sacramental ao penitente, o eremita perguntou-lhe se queria receber a comunhão.
— Sim, meu pai. Mas apressai-vos, porque sinto que vou morrer.
Tendo recebido o Santíssimo Sacramento, com a alma purificada, o cavaleiro agradeceu comovido ao eremita, e colocou-se em suas mãos. Pouco depois exalava o último suspiro.
A capela iluminou-se, e os anjos levaram sua alma ao Paraíso. Diante do altar, o eremita velou longamente aquele corpo coberto de andrajos, tendo junto de si o prodigioso barrilzinho.



Novena da Padroeira, o carnaval continua em Aparecida.



A cada ano, o Santuário Nacional de Aparecida promove uma aberração diferente na Novena de Nossa Senhora Aparecida.

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Desta vez, a “deusa” grega Dice (foto: filha de Zeus, símbolo da justiça) entrou em procissão ao longo da celebração do 3º dia da Novena — embora não durante uma Missa, não deixa de algo ser esdrúxulo, despropositado, ridículo, de mau gosto, cafona, brega e, por fim, afrontoso à Fé Católica.

Parabéns a Dom Raymundo Damasceno (arcebispo), Dom Darci (bispo auxiliar) e Pe. Domingos Sávio (reitor): os senhores estão destruindo a Fé Católica do povo brasileiro com sucesso!

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