terça-feira, 31 de dezembro de 2013

DOZE PERGUNTAS QUE SE FAZEM FREQUENTEMENTE ACERCA DA CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA






1) O que é uma "consagração"?

R: É uma cerimônia pela qual uma pessoa, um grupo de pessoas, ou coisas são designadas à parte e dedicadas ao serviço de Deus ou a outro propósito sagrado.

2) O que significa "a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria"?

R: Em Fátima, no dia 13 de julho de 1917, Nossa Senhora disse à Irmã Lúcia que “Deus vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para impedi-la virei pedir as Comunhões de reparação e a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração ... Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-à a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

O pedido de Nossa Senhora é muito simples: A Rússia — causa de tantos males no Século Vinte — deve ser posta à parte e abençoada por sua consagração à Mãe e de Deus.

3) Por quê é preciso consagrar a Rússia em particular?

R: Porque é a vontade de Deus. Como Nossa Senhora disse à Irmã Lúcia em Fátima: “A Rússia será o instrumento de castigo escolhido pelo Céu para punir o mundo inteiro, se, de antemão não obtivermos a conversão dessa pobre nação...”.

E como Irmã Lúcia deu a conhecer em suas memórias e cartas que têm sido publicadas, de que, Nosso Senhor Mesmo a confiou que não converteria a Rússia, a menos que a consagração fosse feita, “Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o Seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu Divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração.” A Irmã Lúcia tem explicado que como a Rússia é um território bem definido, sua conversão depois da consagração ao Imaculado Coração será uma prova inegável, de que a conversão é o resultado da consagração e nada mais. O estabelecer no mundo, deste modo, da devoção ao Imaculado Coração será confirmado por Deus Mesmo de uma forma impressionante!

4) E se a consagração da Rússia não for feita?

R: Em Fátima, Nossa Senhora disse que se a consagração não for feita como Ela pediu, então “A Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”. Da mesma maneira, a conversão milagrosa da Rússia depois de sua consagração pelo Papa e pelos Bispos, e a paz que se concederá ao mundo, serão um sinal do poder da graça de Deus, atuando através dos ministros de Sua Igreja e a intercessão do Imaculado Coração de Maria.

5) Como se supõe, exatamente, a realização desta consagração?

R: Fiel à Sua palavra em Fátima, Nossa Senhora apareceu à Irmã Lúcia em Tuy, Espanha, no dia 13 de junho de 1929 para dizer-lhe que: “É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio.” Esta expressão “por este meio” é fundamental, porque significa que a consagração não é meramente um símbolo da conversão iminente da Rússia, senão o mesmo meio pelo qual será efetuada. Deste modo, sem o ato da consagração não haverá uma conversão da Rússia, e sem a conversão da Rússia, os erros da Rússia continuarão infestando o mundo, produzindo a perseguição da Igreja, o Martírio dos bons, o padecimento do Santo Padre e ultimamente a aniquilação das nações anunciadas em Fátima.

Durante as décadas seguintes a Irmã Lúcia tem explicado muitas vezes, que o ato de consagração requer que o Papa “escolha uma data na qual Sua Santidade ordena aos bispos do mundo inteiro fazer, cada um em sua própria Catedral, e ao mesmo tempo com o Papa, uma cerimônia solene e pública de Reparação e Consagração da Rússia...”.

6) Mas não é Fátima só uma aparição privada na qual nenhum Católico tem que acreditar?

R: Absolutamente não. As aparições em Fátima foram confirmadas por um milagre público testemunhado por 70.000 pessoas — o Milagre do Sol. O Papa João Paulo II mesmo declarou em Fátima em 1982 que a Mensagem de Fátima “impõe uma obrigação sobre a Igreja,” e publicamente atribuiu ter saído ileso da morte no atentado de assassinato do dia 13 de maio de 1981 à Nossa Senhora de Fátima — o mesmo dia do aniversario da Sua aparição em Fátima.

Na verdade, o Papa tem tentado por duas vezes fazer a consagração (o dia 13 de maio de 1982 e o 25 de março de 1984), ainda que a Rússia não tivesse sido mencionada em nenhuma das duas ocasiões, e os bispos do mundo não tivessem participado. Estes intentos demonstram que o Papa mesmo reconhece a obrigação de consagrar a Rússia, não obstante não ter podido efetuar a consagração na maneira especificada por Nossa Senhora; uma cerimônia solene e pública, mencionando a Rússia especificamente, e em união com todos os bispos do mundo. Contudo Nossa Senhora Mesma nos prometeu que este evento ultimamente acontecerá.

7) O Papa teve êxito em fazer a consagração da Rússia em 1984?

R: Não. Como a Irmã Lúcia mesma declarou em uma entrevista em setembro de 1985, a consagração feita no dia 25 de março de 1984 não satisfez aos pedidos de Nossa Senhora porque “não houve a participação dos bispos e não houve menção da Rússia.” Quando o Santo Padre consagrou o mundo em geral nesse dia, sem mencionar a Rússia, ele mesmo reconheceu na presença de dezenas de milhares de testemunhas, durante e depois da cerimônia, que o povo da Rússia ainda “está esperando confiado na nossa consagração.” No dia seguinte, estas declarações foram publicadas no periódico mesmo do Papa, L’Osservatore Romano; e a publicação dos Bispos Italianos, L’Avvenire.

8) Não foi a consagração do mundo pelo Papa em 1984 suficiente para cumprir o pedido de Nossa Senhora?

R: Não. Durante toda a sua vida, desde as aparições de Nossa Senhora de Fátima, a Irmã Lúcia tem insistido que a Rússia deve ser mencionada especificamente.

Por exemplo, em uma entrevista em 1978 ao seu confidente, o Padre Umberto Pasquale, e em uma carta ao Padre Pasquale em 1980, perguntaram à Irmã Lúcia: “Nossa Senhora tem falado alguma vez sobre a consagração do mundo?” Durante a entrevista, a Irmã Lúcia respondeu: “Não, Padre Umberto! Nunca! Na Cova da Iria em 1917 Nossa Senhora prometeu: “Virei pedir a consagração da Rússia ...” Em 1929 em Tuy, como tinha prometido, Nossa Senhora veio dizer-me que tinha chegado o momento para pedir ao Santo Padre a consagração d’aquele país”.

E na carta de 1980 (datada o 13 de abril do mesmo ano), a Irmã Lúcia confirmou o que disse na entrevista, escrevendo com sua própria mão que “Nossa Senhora de Fátima, em Seu pedido, se referiu só à consagração da Rússia”. Ambas entrevistas de 1978 e a carta de 1980 (reproduzidas fotograficamente) foram publicadas na edição Italiana de L’Osservatore Romano do dia 12 de maio de 1982.

Não nos diz, evidentemente, que se Nossa Senhora de Fátima pediu a consagração da Rússia, então a Rússia tem que ser pelo menos mencionada no ato da consagração? Também podemos perguntar razoavelmente, que razão possível há para não proferir uma palavra simples — Rússia — no ato de consagrar a Rússia. Jamais explicação alguma tem sido dada, por esta omissão misteriosa nas consagrações tentadas de 1982 e 1984.

9) Contudo, com "a queda do Comunismo" depois da cerimônia da consagração de 1984, não demonstra que a Rússia tenha iniciado um caminho de conversão e que a consagração deva ter sido efetiva, apesar da falta de mencionar a Rússia?

R: Não. Em 1997 a Rússia decretou uma legislação que discrimina a Igreja Católica, em favor da igreja ortodoxa russa, do judaísmo, islamismo, e budismo. As paróquias Católicas têm que pedir anualmente uma “permissão” que pode ser revocada à vontade de qualquer funcionário local, entretanto aos sacerdotes e às freiras só lhes dão o visto por 3 meses, que não pode ser renovado. O Vaticano tem condenado esta lei nova, como um grande retrocesso para a Igreja Católica na Rússia.

Hoje em dia, há na Rússia uns 300.000 Católicos — menos do que havia em 1917, o mesmo ano que Nossa Senhora veio a Fátima e prometeu a conversão final da Rússia, que ainda deve ocorrer. A revolução Russa, a qual tem sido exportada em várias formas a outras nações, confirma a profecia de Nossa Senhora de que a Rússia espalhará seus erros pelo mundo inteiro. Atualmente os muçulmanos excedem em número aos Católicos na Rússia, em uma proporção de dez por um. Compare isto com o milagre verdadeiro de conversão que ocorreu depois das aparições de Nossa Senhora de Guadalupe, no Mexico, no século dezesseis: no espaço de 9 anos, perto de 9 milhões de aztecas deixaram de adorar ao demônio e fazer o sacrificio humano e foram convertidos e batizados na Fé Católica. Contudo, na Rússia hoje em dia, depois de mais de 14 anos da suposta “consagração” de 1984, de uma forma escassa vemos um número irrisório de pessoas que se convertem e em geral há menos Católicos russos dos que havia, faz 80 anos!

Até o patriarca Alexi II, dos ortodoxos russos, publicamente admitiu no dia 24 de dezembro de 1998, que desde a suposta “queda do Comunismo” na Rússia, a cultura cristã “não só está sendo relegada à escuridão e ao esquecimento, como também é objeto de brincadeira e ridicularizada, como algo extinto e inútil.” Alexi também denunciou o “Ressurgir do neo-paganismo . . . de seitas totalitárias, praticantes da magia negra, astrólogos, e ocultistas” na Rússia “pós-comunista”.

Entretanto, Boris Yeltsin foi forçado a ceder o poder ao parlamento russo dominado pelos comunistas. Seu primeiro ministro novo, o antigo chefe da espantosa KGB, tem posto os comunistas no controle de toda a economia Russa, produzindo o que o periódico liberal New York Times tem chamado “uma troca à esquerda” e o retorno ao governo de estilo soviético.

O mais notável de tudo: Desde a “consagração” de 1984, mais de 600 milhões de crianças foram mortas nos ventres, pelo mundo inteiro — incluindo a Rússia, onde começou o aborto legalizado. A guerra contra os que estão por nascer, é a maior guerra na história do mundo. Deste modo, deve ser óbvio a qualquer um que o período de paz prometido por Nossa Senhora, se a Rússia fosse propriamente consagrada, ainda não se verificou. A conversão da Rússia prometida por Nossa Senhora de Fátima simplesmente não se tornou realidade. Isto só pode significar que a consagração não foi feita, porque as promessas de Nossa Senhora não podem ser falsas.

10) Então não é tarde demais para a consagração de Rússia, dado que os erros da Rússia já se difundiram pelo mundo?

R: Não! Como Nosso Senhor Mesmo confiou à Irmã Lúcia em Rianjo em agosto de 1931: “Não querem fazer caso do Meu pedido!... Como o Rei da França, se arrependerão, e o farão, mas será tarde. A Rússia já terá difundido seus erros pelo mundo...”.

A consagração finalmente se fará e, como Nossa Senhora prometeu em Fátima, “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.” Nosso Senhor Mesmo confiou à Irmã Lúcia, referente à consagração, que “Nunca será tarde para recorrer a Jesus e à Maria”.

11) O que é tão urgente sobre a consagração agora?

R: Como Nossa Senhora advertiu em Fátima: “Se não atenderem a Meus pedidos, a Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”.

Ainda não temos visto a aniquilação das nações predita em Fátima. Temos que esperar até que aconteça isto, a fim de fazermos exatamente o que Nossa Senhora nos mandou fazer em nome de Deus? Em vista da decadência acelerada da moralidade e a desintegração da ordem social no mundo, a simples prudência deve dizer-nos que não podemos retardar nem um momento mais a consagração da Rússia e só a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria.

12) Porém, se o Papa acredita que fez a consagração, que direito tem alguém de perguntar-lhe?

R: O Papa nunca declarou publicamente a todos os membros da Igreja que fez a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Pelo contrário, as palavras do Papa como são citadas no L’Osservatore Romano, demostram que ele sabe que a consagração ainda tem que ser feita. Em vista disto, os fiéis têm todo direito de suplicar ao Papa pela consagração definitiva da Rússia. Em verdade, o direito dado por Deus aos fiéis para pedir ao Pontífice Supremo em assuntos que afetam o bem da Igreja, foi definido como doutrina católica por dois concilios ecumênicos: O Segundo Concilio de León (1274) e o Vaticano I (1870), e também é garantido pelo Código novo da Lei Canônica (Canon 212).


O bem-estar da Igreja e a segurança do mundo inteiro pedem duma certeza absoluta, para que os pedidos de Nossa Senhora de Fátima sejam cumpridos. O problema só será resolvido quando a consagração definitiva for feita, e quando o Papa declarar de uma maneira oficial e definitiva à Igreja inteira, de que já fez a consagração de uma maneira suficiente para satisfazer aos pedidos de Nossa Senhora. Nem um nem outro desses acontecimentos têm se verificado e por isto o problema fica aberto à discussão livre e às súplicas dos Fieís, que têm todo o direito de tratar de um assunto de tanta importância para a Igreja e para o mundo.


Fonte: Fátima

A ação dos anjos sobre os homens (I): O anjo pode iluminar o homem?


Giotto di Bondone (1266-1337), Vida de Cristo, Lamentação, Capela Scrovegni de Pádua

Parece que o anjo não pode iluminar o homem:

1. Com efeito, o homem é iluminado pela fé, tanto que Dionísio atribui a iluminação ao batismo, o sacramento da fé. Ora, a fé vem diretamente de Deus, como se diz na Carta aos Efésios: “É pela graça que vós sois salvos por meio da fé; e isso não depende de vós, é dom de Deus” (2, 8). Logo, o homem não é iluminado pelo anjo, mas imediatamente por Deus.

2. Além disso, a passagem da Carta aos Romanos que diz: “Deus lhes manifestou” (1, 19), a Glosa diz: “Não somente a razão natural foi útil manifestando aos homens as coisas divinas, mas ainda o próprio Deus lhes revelou por meio de sua obra”, ou seja, por meio das criaturas. Ora, tanto a razão natural como as criaturas, vêm imediatamente de Deus. Logo, Deus ilumina o homem de modo imediato.

3. Ademais, o que é iluminado conhece sua iluminação. Ora, os homens não percebem que são iluminados pelos anjos. Logo, não o são.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, Dionísio prova que as revelações das coisas divinas chegam aos homens mediante os anjos. Essas revelações são iluminações. Portanto, os homens são iluminados pelos anjos.

RESPONDO. Pela ordem da divina providência os inferiores se submetem às ações dos superiores. Assim como os anjos inferiores são iluminados pelos superiores, assim os homens, inferiores aos anjos, são por eles iluminados.
Contudo, o modo de uma e outra iluminação às vezes é semelhante e às vezes diferente. Acima se disse [em outro artigo] que a iluminação que é a manifestação da verdade divina pode ser considerada segundo dois aspectos: enquanto o intelecto inferior é reforçado pela ação do intelecto superior, e enquanto o superior propõe ao inferior as espécies inteligíveis que possui, a fim de que ele possa captá-las. Assim se passa com os anjos, quando um anjo superior partilha uma verdade universal concebida segundo a capacidade de um anjo inferior. Todavia, o intelecto humano não pode receber uma verdade inteligível pura, posto que sua natureza exige que conheça voltando-se para as representações imaginárias [tema interessantíssimo que espero também postar aqui]. Por isso os anjos comunicam aos homens a verdade inteligível por intermédio das imagens sensíveis. Como diz Dionísio: “É impossível que brilhe para nós um raio divino a não ser envolto por diversos véus sagrados”. Por outro lado, o intelecto humano, enquanto inferior, é fortalecido pela ação do intelecto angélico. Portanto, por essas duas maneiras se considera a iluminação pela qual o homem é iluminado pelo anjo.

Quanto às objeções iniciais, deve-se dizer, portanto, que:

1. São dois os requisitos para a fé. Primeiro, um habitus [ver Vocabulário dos termos utilizados por Sto. Tomás na Suma Teológica] do intelecto pelo qual se dispõe a obedecer à vontade que se inclina para a verdade divina. Com efeito, o intelecto dá seu assentimento à verdade da fé não por ser convencido pela razão, mas por ser obrigado pela vontade. Como diz Agostinho: “Ninguém crê a não ser porque quer”. Com respeito a isso, a fé vem exclusivamente de Deus. Segundo, que as verdades a serem cridas sejam propostas ao crente. E isso se faz pelo homem, pois “a fé vem pelo ouvido”, como diz a Carta aos Romanos (10, 17), mas principalmente pelos anjos, por meio de quem são reveladas aos homens as coisas de Deus. Portanto, os anjos realizam algo na iluminação da fé. Ademais, os homens são iluminados pelos anjos não somente a respeito do que crer, mas também do que agir.

2. A razão natural, que vem imediatamente de Deus, pode ser fortalecida pelo anjo, como foi dito. E igualmente, a verdade inteligível que resulta das espécies recebidas das criaturas é tanto mais elevada quanto mais forte for o intelecto humano. Desse modo o homem é ajudado pelo anjo para alcançar um conhecimento mais perfeito de Deus por meio das criaturas.

3. A operação intelectual e a iluminação podem ser consideradas de duas maneiras. Primeiro, da parte da coisa conhecida. Sob esse aspecto, aquele que conhece ou é iluminado, conhece que conhece ou que é iluminado, porque conhece que a coisa lhe é manifestada. Segundo, da parte do princípio: neste caso, nem todo o que conhece alguma verdade conhece o que é o intelecto, princípio da atividade intelectual. De modo semelhante, nem todo o que é iluminado por um anjo conhece que é iluminado pelo anjo (Nota: Explicação que não vale apenas para o papel dos anjos na Revelação, mas para todas as “iluminações” que podem deles provir, sem que o saibamos de modo algum).

Fonte: ST I, 111, 1

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O poder da Ave Maria






Milhões dos católicos rezam frequentemente a Ave Maria. Alguns A repetem depressa, nem mesmo pensando nas palavras que estão dizendo.

Este artigo poderá ajudá-lo a recitá-la mais pensativamente.

- Podem dar grande alegria à Mãe de Deus para  obterem as graças que Ela deseja conceder.

- Uma Ave-Maria bem rezada enche o coração de Nossa Senhora com alegria e  nos concede grandes graças. Uma Ave-Maria bem recitada dá-nos mais graças que mil rezadas sem reflexão.

- A Ave-Maria é como uma mina de ouro da qual nós podemos sempre extrair riquezas que nunca se esgotam. É difícil rezar a Ave Maria? Tudo o que temos que fazer é saber seu valor e compreender seu significado.

S. Jerônimo nos diz que “as verdades contidas na Ave-Maria são tão sublimes, tão maravilhosas, que nenhum homem ou anjo poderiam compreendê-las inteiramente”.

S. Tomás de Aquino, príncipe dos teólogos, “o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios”, como Leão XIII o chamou, pregou a Ave-Maria por 40 dias em Roma, enchendo os corações de êxtase.

Pe. F. Suárez, o santo e erudito jesuíta, declarou que ao morrer, de bom grado daria todos os livros por ele escritos, todas as obras de sua vida, pelo mérito de uma só Ave Maria rezada devotamente.

S. Matilde, que amava muito Nossa Senhora, certo dia se esforçava para compor uma bela oração em sua honra. Nossa Senhora apareceu-lhe, com as letras douradas em seu peito: “Ave Maria, cheia de graça.” Disse-lhe: “Desista, minha filha, de seu trabalho, pois nenhuma oração que talvez você pudesse compor dar-me-ia a alegria e o prazer da Ave-Maria”.

- Certo homem encontrou a alegria em rezar lentamente a Ave Maria. A bendita Virgem, em troca, apareceu-lhe sorrindo e anunciando-lhe o dia e hora de sua morte, concedendo-lhe uma santa e feliz. Depois de sua morte, um lírio branco cresceu de sua boca e escrito em suas pétalas: “Ave Maria”.

- Cesário descreve um incidente similar. Um santo e humilde monge viveu no monastério. Sua mente e memória estavam tão fracas que ele somente podia repetir uma oração, que era a Ave Maria. Depois de sua morte uma árvore cresceu sobre sua sepultura e em todas suas folhas estava escrito: “Ave Maria”.

Estas belas histórias nos mostram quantas devoções há para Nossa Senhora, e o poder atribuído à Ave Maria rezada devotamente. Cada vez que dizemos a Ave Maria, repetimos as mesmas palavras com que o arcanjo Gabriel saudou Maria no dia da Anunciação, quando Ela se tornou a Mãe do Filho de Deus.

Muitas graças e alegrias encheram a alma de Maria naquele momento.

Quando rezamos Ave-Maria, ofertamos novamente essas graças e alegrias a Nossa Senhora, e ela aceita com imenso prazer. Em troca Ela nos dá uma parcela dessas alegrias.

Certa vez Nosso Senhor pediu a S. Francisco que lhe desse algo. O santo respondeu: “Querido Senhor, eu não posso lhe dar nada que eu já não lhe tenha dado: todo meu amor”.

Jesus sorriu e disse: “Francisco, dê-me tudo de novo e de novo e irá dar-me  o mesmo prazer”.

Da mesma forma, nossa querida Mãe aceita cada vez que rezamos a Ave-Maria e recebe as alegrias e prazer que ela teve ao ouvir as palavras de S. Gabriel.

Deus Todo-poderoso deu à Sua Bendita Mãe toda a dignidade, grandeza e santidade necessária para torná-la perfeita para ser sua Mãe.

Mas Ele também lhe deu toda a doçura, amor, brandura e afeto necessário para dEla fazer nossa querida Mãe. Maria é realmente nossa Mãe.

Assim como os filhos se dirigem às suas mães para pedir ajuda, da mesma forma deveríamos ir com a mesma confiança ilimitada a Maria.

S. Bernardo e muitos Santos disseram que nunca ouviram falar, em nenhum tempo ou lugar, que Maria se recusou a ouvir as orações de seus filhos na Terra.

Por que não percebemos estas consoladoras verdades? Por que recusar o amor e  consolação que a doce Mãe de Deus nos oferece?

É a nossa lamentável ignorância que nos priva desta ajuda e consolação.

Amar e confiar em Maria equivale a ser feliz agora na Terra e depois feliz no Céu.

O Dr. Hugh Lammer era um obstinado protestante, com forte ódio contra a Igreja Católica.  Um dia ele encontrou uma explicação da Ave-Maria e começou a lê-la. E ficou tão encantado com a oração, que começou a rezá-la diariamente. Insensivelmente, toda a sua animosidade anticatólica começou a desaparecer. Ele se tornou depois excelente católico, sacerdote zeloso e professor de Teologia Católica em Breslau.

Chamaram um sacerdote ao lado de cama de um homem que morria no desespero  por causa dos seus pecados. O homem recusava confessar-se. Como recurso extremo, o sacerdote pediu-lhe que rezasse pelo menos a Ave Maria. Logo após, o pobre homem fez uma confissão sincera e morreu uma morte santa.

Na Inglaterra, pediram a um sacerdote da paróquia que fosse ver uma senhora protestante que estava gravemente doente, e que desejava tornar-se católica.  O sacerdote perguntou-lhe se havia estado numa igreja católica, se falara com católicos, se lera algum livro católico. A cada vez respondia: “não”. Tudo o que era capaz de lembrar consistia nisto: certa vez uma amiga lhe havia ensinado a Ave- Maria, que toda noite rezava. Ela foi batizada e, antes de morrer, teve a felicidade de ver seu marido e filhos batizados também.

Santa Gertrudes, em seu livro “Revelações”, nos diz que quando agradecemos a Deus pelas graças que Ele deu a qualquer Santo, tornamo-nos, de certo modo, partícipes dessas mesmas graças.

Pergunta-se, então: de que graças nos tornamos partícipes quando rezamos a Ave-Maria, agradecendo a Deus por todas as inexprimíveis graças que Ele deu à Sua Bendita Mãe?


“Uma Ave Maria dita sem fervor sensível, em tempo de aridez, mas com puro desejo de agradar a Nossa Senhora, tem muito mais valor à minha vista do que um Rosário inteiro em meio às consolações”. (Nossa Senhora à Ir. Benigna Consolata Ferrero).


Fonte: O segredo do Rosário

domingo, 29 de dezembro de 2013

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes — Porque o Padre não se casa (Parte XII)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes
por Pe. Júlio Maria

Livro de 1955 - 224 pag.
Editora VOZES
Petrópolis






CAPÍTULO XI

PORQUE O PADRE NÃO SE CASA


Passemos à quarta objeção que nos atiram os maninhos de Lutero, julgando eles ser uma pedra formidável, capaz de esmagar um romano. Infelizmente a pedra não passa de uma formidável peta, que mostra apenas a ignorância e a falta de bom senso do seu autor.

O tal crente pede-me um texto que prove que os ministros da religião não devem se casar.

O negócio é sério. Parece que o crente quer servir de padrinho ou de escrivão de casamento... querendo casar até quem nem noiva conhece.

Homem, é um perigo! O crente pede apenas “um texto”. Vou servir-lhes uns vinte pelo menos: textos da Sagrada Escritura, do bom-senso, da conveniência. Se não ficar convencido depois, não será falta de textos, mas falta de “cabeça”.

I. Prova de bom senso

Comecemos pelo bom-senso, que é a grande bússola da humanidade, dos protestantes e dos católicos.

Pois bem, o bom-senso nos diz que o homem é livre de se casar ou ficar celibatário. É ou não é verdade, amigo crente?

Isso depende da vontade de cada um (1 Cor 7, 37). De sorte, continua São Paulo, que quem dá a sua filha em casamento, fez bem; mas quem não a da faz melhor (1 Cor 7, 38).

Casa, pois, quem quer e quem pode, pois é preciso serem dois. Se pois existe tal liberdade, por que os padres não gozariam dela? Quem disse ao amigo crente que os padres tinham tanta vontade de se casar? Eu, por mim, sei que nem tenho, nem nunca tive!

O sacerdócio católico não é obrigação para ninguém... A Igreja não obriga ninguém a ser padre. O estado eclesiástico deve ser livremente escolhido. Aqueles o escolhem, é, pois, de espontânea vontade que o fazem, sujeitando-se aos sacrifícios que ele exige.

É somente depois de uns 12 anos de estudo que a Igreja exige o voto de castidade, podendo o candidato recuar ou continuar à vontade.

Tudo isso é simples como o dia. Há muitos homens e moças que não casam por interesse ou por medo ou falta de inclinação... e esta liberdade seria recusada ao sacerdote?

Está, pois, claro, amigo crente; o padre não casa porque prefere consagrar a Deus sua vida, seu coração e seu corpo.

Ninguém pode contestar-lhe esta liberdade, nem dizer que faz mal, pois segue o conselho de São Paulo, que os protestantes não têm coragem de seguir: Digo, porém, aos solteiros e às viúvas que lhes é bom ficarem como eu (1 Cor 7, 8). Cada um fique na vocação a que foi chamado (1 Cor 7, 24). O solteiro cuida das coisas do Senhor, mas o que é casado, das coisas do mundo (1 Cor 7, 32-33). Porém será mais feliz se ficar assim como eu; e também eu penso ter o espírito de Deus (1 Cor 7, 40).

Eis o que diz o bom senso, apoiado sobre a Sagrada Escritura. Casar é bom... não casar é melhor.

O padre católico escolhe o que há de melhor... e o pastor protestante o que há de pior, como diz São Paulo. Qual dos dois age melhor e mais acertadamente? Consulte o bom senso e São Paulo no capítulo 7 da primeira epístola aos Coríntios. Ele não era protestante, mas uma das colunas da Igreja Católica, romana, e como tal era celibatário, como o são ainda hoje todos os sacerdotes católicos.

A AUDIÊNCIA PARTICULAR COM SÃO PIO X — Monsenhor Francisco Bastos





Encontrava-me em Roma fazia mais de dois anos, sem ter tido a ventura de ver de perto a impressionante figura de Pio x, cuja fama de santidade se ia espalhando graças aos muitos milagres que lhe eram atribuídos.
Vira-o, é verdade, porém, de longe, quando do alto da janela do “Cortile San Damaso” ou quando, levado na “Sedia Gestatoria”, entrava na Basílica de São Pedro a distribuir bênçãos às multidões que o aclamavam. Nessas ocasiões, fazia um gesto para impor silêncio aos mais exaltados, que gritavam: “Evviva il papa Re”.
Em junho de 1914, porém, iria eu ter a auspiciosa oportunidade de ser recebido por Pio X, em audiência particular.
Dom Duarte Leopoldo e Silva, meu arcebispo, e Dom Alberto José Gonçalves, Bispo de Ribeirão Preto, tinham vindo a Roma em visita “ad limina”. Ambos seriam recebidos pelo Papa, em dias diferentes. Como Dom Alberto não houvesse trazido consigo um secretário, fui eu designado para acompanhá-lo.
No dia e hora aprazados, estávamos na ante-sala do gabinete particular do Papa. Nem bem havíamos chegado, já se apresentava Mons. Samper, camareiro-secreto de Pio X, para, dirigindo-se a Dom Alberto, dizer-lhe:
- V. Exa. Revma. pode entrar, e o senhor, – apontando para mim – espera aqui.
Vinte minutos depois, o mesmo Mons. Samper surgia para me avisar:
- O Santo Padre deseja vê-lo. Ao entrar na sala – continuou -, o senhor faz uma genuflexão no limiar, outra no meio e a terceira perto do Papa, e não lhe beije os pés, porque Sua Santidade não o permite.
Fui presa de intensa emoção porque, enquanto ficara esperando, lera, nos jornais do dia, um grande milagre que Pio X fizera ainda na véspera.
Era costume serem recebidos, na semana da Páscoa, a fim de obterem do Papa a bênção nupcial, os membros da nobreza romana que se haviam casado durante a Quaresma.
Na véspera, um casal de príncipes conseguira uma audiência particular. Atacado de reumatismo gotoso, Pio X – que não podia permanecer muito tempo de pé – atendia, muitas vezes, sentado numa poltrona.
Ao entrar na sala, em que se achavam os príncipes, o Papa notou que a esposa, tendo uma criança nos braços, chorava copiosamente. Ordena que ambos se sentem lado a lado dele. E, dirigindo à princesa, pergunta
- Por que chora, minha filha?
- Santo Padre, responde ela, há dois anos estivemos aqui para receber a bênção nupcial, e esta minha filha, que é o primeiro fruto do nosso matrimônio, está atacada de paralisia infantil… E as lágrimas se lhe deslizavam pelas faces.
- Deixe-me vê-la, pede o Papa. A mãe trêmula de emoção, entrega-lhe a filha. Pio X põe-na de pé sobre seus joelhos, por alguns instantes e, restituindo-a à mãe, diz:
- A senhora está enganada. Sua filhinha não sofre de nada … Experimente faze-la andar e verá …
Com espanto e alvoroço de alegria, os pais viram a filha caminhar normalmente. Estava de todo curada!
Sob essa forte impressão é que entrei na sala. Ao contemplar Pio X, reclinado sobre uma escrivaninha americana, todo de branco, com seus dois olhos grandes, cheios de um misto de doçura e de melancolia, voltados para mim, como que a querer esquadrinhar-me a alma, caí de joelhos, como se estivesse diante de uma aparição.
Vendo que não me levantava do lugar – porque se me esvaíram as forças – Pio X, num gesto largo, com a palma da mão virada para cima, ordena-me em italiano
- “Alzatevi”.
Reunindo todas as minhas energias, levantei-me, cambaleando, para ir cair de joelhos a seus pés.
Observando a minha grande comoção, procura o Papa tranqüilizar-me, brincando comigo como se eu fosse uma criança.
- “Parlate italiano?”
- Si, Santo Padre.
- “Siete italiano”?
- No. . . Ia completar a frase, quando ele me interrompe, enumerando uma após outra estas nacionalidades.
- “Francese, spagnolo, tedesco, inglese?”
Diante dos meus sucessivos “no”, exclama:
- Allora cosa siete?
- “Sono brasiliano, Santo Padre”.
- “Brasiliano! … Ma Come… Se non siete nero!”
A admiração do Papa, ao ver um brasileiro de pele clara, de cabelos castanho-escuros, explicava-se pela impressão que, dias antes, lhe causara uma peregrinação, chefiada por Dom Silvério Gomes Pimenta – o piedoso Arcebispo de Mariana, também ele com fama de santo – que era de pele escura, acompanhado de vários monsenhores e de senhoras de cor.
- “Allora, brasiliano bianco … Cosa studiate?”
Era costume chamar de filósofos os estudantes de filosofia e de teólogos os que estudavam teologia. Por isso, com a maior naturalidade, respondi
- “Sono filosofo, Santo Padre”.
- “I miei rispetti” – disse sorrindo e, tirando o barrete e a olhar para Dom Alberto que a tudo assistia admirado, acrescenta:
- “Siamo dinanzi a un altro Aristotele, un altro San Tommaso d’Aquino!”
- “Voglio dire che sono studente di filosofia emendei-me confuso.
- “Ma, si … Ho capito … il Papa sta scherzando … Cosa desiderate?” – pergunta-me.
Além de uma porção de terços para serem bentos, trazia escondida uma bênção papal para a qual pretendia obter um autógrafo de Pio X, a fim de oferecê-la à minha professora, Dona Sinhazinha, que, naquele ano, festejava seu jubileu de prata de professorado.
Ao saber que fora ela que despertara em mim a vocação para o sacerdócio, não hesitou uni instante: tomou a caneta e escreveu:
Pius Papa X.
- “C’é altro da desiderare?” – pergunta ainda.
Na semana seguinte devia eu prestar exames de Filosofia na Gregoriana. Os examinadores estavam sendo rigorosos, distribuindo reprovações em penca e asseveravam que o faziam por ordem de Sua Santidade, disse eu ao Papa.
- “Si, è vero” – respondeu-me.
Disse-lhe, então que, na próxima semana, iria prestar exames e temia pela minha sorte. Queria, pois pedir-lhe uma bênção, mas, a frase em italiano, de que me servi para consegui-la, revelou, sem eu querer, a minha íntima presunção.
- “Santo Padre, voglio una benedizione per riuscire bene ín tutti i miei esami! . . . ”
Era como pedir uma bênção, não para passar nos exames e sim, para fazê-lo com grande brilho.
Por isso, quando o Papa – que vinha brincando comigo – se concentrou por alguns segundos, preparei-me para ouvir com toda a humildade um sermão sobre os efeitos perniciosos do orgulho. Pio X, porém, não levando em conta a desastrada forma de me expressar, pronunciou esta impressionante frase, que nunca mais pude esquecer:
- “Non voglio favorire la pigrizia, purchè studiate benediró tutti i vostri esami”.
Tirando o barrete da cabeça, deu-me a bênção trina do Pontifical. Colocando, depois, as mãos sobre a minha cabeça, com os olhos voltados para o céu, perguntou-me
- “Siete soddisfatto?”
Os maravilhosos efeitos dessa bênção iriam manifestar-se em todos os exames que, nos cinco anos seguintes, prestaria eu na Gregoriana.
Foi, contudo, na defesa de tese para a obtenção da láurea em Teologia que, mais extraordinariamente, senti a presença da bênção daquele que, cinco anos atrás, havia falecido.
Sentado diante dos meus examinadores, tendo sobre a mesa, que nos separava, a Patrística, numa edição de 10 volumes, e mais o Antigo e Novo Testamento e o Encheridion, durante vinte minutos, dissertei sobre o ponto sorteado, sendo em seguida argüído pelos examinadores.
Como o ponto, que a sorte me indicara, fora o do Primado do Pontífice Romano, um dos examinadores, contestando a minha argumentação, afirmou:
- A Igreja Oriental jamais admitiu esse Primado que o sr. acaba de conferir à Igreja de Roma.
- A Prima Clementis, repliquei – cuja análise foi objeto de minha exposição sobre o Primado do Bispo de Roma – é a prova mais convincente de que já, no século I, o Oriente como o Ocidente reconheciam em Roma o Primado de jurisdição. Se não como explicar a intervenção de Roma na Igreja de Corinto para repor em suas funções os membros do presbitério depostos por uma sedição, sendo ela obedecida sem contestação alguma? Nesse episódio, o que torna ainda mais patente a supremacia de Roma é o fato de, estando ainda vivo o apóstolo João, em Éfeso, não ter este intervindo, quando seria tão natural que o fizesse na sua qualidade de apóstolo, sendo maior a relação entre Éfeso e Corinto do que entre Roma e Corinto.

Poderia, igualmente, citar a Carta de Inácio de Antioquia à Igreja de Roma, na qual diz textualmente ser a que “preside no lugar da região dos romanos”. Muitos outros Padres da Igreja Oriental poderiam ser lembrados, notoriamente Efrém, o que, com mais eloqüência, falou sobre o Primado do Bispo de Roma.
Com um sorriso de desafio, o examinador aponta-me para a Patrística e declara:
- Duvido que encontre na Patrística esse seu aludido testemunho de Efrém.
A Patrística, em que eu havia estudado era a de uma edição de cinco volumes. A que estava diante de meus olhos espraiava-se em 10 volumes, deitados de três em três. Não me seria possível descobrir imediatamente em que volume dessa edição poderia eu encontrar o citado testemunho.
Olho para os três volumes, que estavam bem na minha frente e invoquei a proteção de Pio X:
- Meu bom Pio X, o Senhor sabe que eu estudei. Mas, não na edição desta Patrística. Fiz a minha parte. Agora toca a sua vez.
Tomo o volume que estava entre os dois e abro-o na metade. Um calafrio de pavor percorre-me toda a espinha dorsal… Lá estava no alto da página: “Discurso de Santo Efrém sobre a Soberania do Pontífice Romano!. .. ”

Fonte: Reminiscências de um Pároco da Cidade
Monsenhor Francisco Bastos
Arquidiocese de S. Paulo
(1892-1984)

A necessidade de um Concílio para viabilizar o plano da religião mundial



Nota do blogue: Alguns, mal informados, desorientados ou mal-intencionados (procurando “tapar o sol com a peneira”) poderão alegar que o texto abaixo se trata de folclore, ou “contos da carochinha”.

A gravidade do relato, contudo, clama por uma resposta séria: contra fatos há argumentos?

Será inidônea ou tendenciosa a documentação citada?

Por acaso a visão retrospectiva dos episódios narrados não se coaduna, dolorosamente, com o que vemos?

Ao leitor com siso, a palavra!



*** * ***






A síntese e o histórico da conspiração contra a Igreja Católica Romana. Nada mais, nada menos.


O luciferiano Roca* revelou, em 1889: “Uma imolação se prepara, alguém expiará solenemente. O papado sucumbirá: morrerá sob o cutelo sagrado que os padres do último concílio forjarão” (Glorioso Centenário, pp. 462 – 469).
Creio que o culto divino, assim como é regido pela liturgia, cerimonial, ritual, e preceitos da Igreja Romana, sofrerá em breve, num concílio ecumênico, uma transformação que lhe restituirá a venerável simplicidade da idade de ouro apostólica, colocando-o em harmonia com o estado da consciência e com a civilização moderna (Roca: “O Padre Gabriel e sua Noiva”, citado por P. Virion em “Mistério da Iniquidade”, Ed, S. Michel, 1967, p. 33).
O teósofo, depois antropósofo, Rudolf Steiner, antigo discípulo da maga russa Helena Petrovna Blavatsky[1], escreveu a esse respeito, em 1910: “necessitamos de um concílio e de um papa que o convoque” (Mons. Rudoif Graber, “Sant’Atanasio e la chiesa del nostro tempo”, Ed. Civiltá, 1974, p. 43). Será o concílio que dará nascimento à nova igreja. Alice Bailey, fundadora do Lúcifer Trust, organização teosófica e satanista que opera junto à UNESCO, vaticinou, em 1919, o surgimento de uma “igreja Universal”, cujo perfil definitivo aparecerá lá pelo fim do século, (textual!) (Alice Bailey, “Esteriorizzazione della gerarchia”, Ed. Nuova Era, Roma, 1958, p. 476) e que “conservará a aparência exterior com o objetivo de conseguir os vultosos recursos que são habituais nos negócios eclesiásticos” (ibidem). “Não haverá dissociação, – precisa, ainda, A. Bailey -, entre a única Igreja Universal, a Loja Sagrada de todos os verdadeiros maçons, e os círculos mais estreitos das sociedades esotéricas” (ibidem p. 478). Dessa maneira, conclui ela, “os objetivos e a obra das Nações Unidas morrerão, e uma nova igreja de Deus, saída de todas as religiões, e de todos os grupos espirituais, porá fim à grande heresia da separação” (Alice Bailey, Il destino delle Nazioni, Ed. Nuova Era, Roma, 1988. p. 155), (Citado pelo doutor Cario Alberto Agnoli. op. cit.). O Vaticano II foi, pois, preparado esperando encontrar o personagem que o convocaria.

Uma tentativa vitoriosa: João XXIII, o homem que convocou o Concílio
a) Uma eleição programada 
O boletim maçônico “Lês échos du Surnaturel” (Ecos do Sobrenatural) publicou, no seu número de Dez 1961 – Jan 1962, o testemunho de um autor conhecido por suas muitas obras: “No que tange ao Concílio, escrevi ao cardeal Roncalli (antigo núncio em Paris, do qual era conselheiro), em 14 de Agosto de 1954, para anunciar-lhe sua eleição futura (ao papado), e para pedir-lhe um encontro, durante as férias, no seu país natal, a fim de estudar seu primeiro trabalho… o Concílio.
Eu enfatizava: “Poderíeis refletir sobre tudo isto, porque não há tempo a perder. Quando da ascensão ao trono pontifício, o plano deverá se cumprir instantemente, e surpreender todos os políticos”.
Com esse mesmo propósito, os franco-maçons, desde 1954, tinham dito a Mons. Roncalli que aprendesse línguas, porque seria o próximo papa eleito por eles, e, portanto, convinha que se preparasse para o papado (B. O. C. n° 52, Mai 1980, p. 9). Nesse mesmo ano, 1954, em agosto, Jean-Gaston Bardet, “da Tendência Esotérica Cristã”, escreveu ao patriarca Roncalli, então em vilegiatura na sua cidade natal de Sotto il Monte: (Bardet) “Não somente lhe predisse que se tornaria papa, mas adivinhou, também, o nome que tomaria quando fosse eleito” (Hebblethwaite, “Jean XXIII, le pape du Concile”, Centurion, 1988, p. 279). Bardet foi a Veneza onde encontrou Roncalli, repetiu-lhe as previsões e disse-lhe, segundo Capovilla (secretário de João XXIII), que seu pontificado seria marcado por “intervenções doutrinais e reformas disciplinares” (Sodalitium, n° 33: “O Papa do Concílio”, 1954 – 1958, 10a parte, p. 37).
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