terça-feira, 29 de julho de 2014

Se ele vive o evangelho, dentro das suas condições, ele [O HOMOSSEXUAL] pode ser um santo. Em tese, não tem nada contrário. - D. CLAUDIO HUMMES


DESTAQUE


PERGUNTA:

Algo mudou na Igreja depois das declarações de Francisco sobre os homossexuais? Se um casal homoafetivo procurar uma paróquia, poderá receber os sacramentos ou ser padrinho em um batizado, por exemplo?


D. CLAUDIO HUMMES:
Não sei como estão agindo na realidade prática. O Papa disse uma palavra muito importante: "Se um homossexual busca Deus, quem sou eu para julgá-lo?" A pessoa tem de ser respeitada. Se ela tem uma orientação homossexual, o que isso significa na vida dela? Ela, na verdade, tem de viver dignamente a sua vida. Nessa questão do batizado, não sei como os bispos estão aplicando isso, porque, em si, não tem nada a ver com isso, a não ser que fosse um pecador público, digamos assim, que fosse uma pessoa complicada nesse sentido. O padrinho é aquele que deve ajudar a educar religiosamente, e uma pessoa que tem uma orientação sexual poder ser um santo. Se ele vive o evangelho, dentro das suas condições, ele [O HOMOSSEXUAL] pode ser um santo. Em tese, não tem nada contrário.
PERGUNTA:

Se Jesus vivesse hoje, ele seria a favor do casamento gay?

D. CLAUDIO HUMMES:

Não sei, não faço nenhuma hipótese sobre isso. Quem deve responder isso é a Igreja em seu conjunto. Temos que cuidar para não ficar levantando questões individualmente, porque isso acaba criando mais dificuldades para a gente chegar numa conclusão que seja válida. Acho que a gente tem que se reunir, ouvir as pessoas, os próprios em jogo, os bispos. É a Igreja que deve indicar os caminhos, e deve haver caminho para todos.

*** * ***


Com a Palavra
Arcebispo emérito de São Paulo é um dos principais conselheiros do líder máximo da Igreja Católica
27/7/2014
Foto: Cleidi Pereira / Zero Hora

Auri Afonso virou Cláudio aos 18 anos, ao ingressar na Ordem Franciscana dos Frades Menores, numa época em que a mudança de nome era obrigatória e simbolizava uma página virada. Mas o rascunho da carreira religiosa do gaúcho, que chegaria a ser um dos favoritos à sucessão do papa João Paulo II, havia começado a ser escrito muito antes. Precocemente, aos nove anos, quando ele descobriu a vocação ao ser conquistado pelas vestes de um franciscano.
No ano passado, quando o mundo se surpreendeu com o anúncio do primeiro papa latino-americano, dom Cláudio Hummes apareceu sorrindo ao lado do argentino Jorge Bergoglio, um jesuíta que, inspirado pelo cardeal brasileiro, escolheu justamente se chamar Francisco. Arcebispo emérito de São Paulo, Hummes foi apontado como o principal articulador da eleição de Bergoglio.
Prestes a completar 80 anos, Hummes faz nesta entrevista uma avaliação positiva do pontificado de Francisco, com quem troca cartas e se reúne quando viaja a Roma. Fala sobre temas polêmicos como celibato, pedofilia e casamento gay e diz confiar que o Papa fará reformas necessárias na Igreja, mas pede paciência.
PERGUNTA:
Que avaliação o senhor faz desses 16 meses de pontificado de Francisco?
D. Cláudio Hummes:

Muito positivamente. Todos sabemos que ele foi um grande presente para a Igreja. É de uma vitalidade, de uma capacidade de sentir, de viver a realidade, de se aproximar das pessoas e de entrar na vida delas. Ele tem um carisma extraordinário e um grande amor aos pobres. Para ele, é fundamental que a Igreja consiga ir às periferias, ir até os que estão fora de todo o grande processo humano, que progride. Na escolha do nome, ele afirma isso, porque São Francisco de Assis é o homem dos pobres, da paz e da ecologia.
PERGUNTA:

No conclave, o senhor estava sentado ao lado de Bergoglio. Quando ele obteve dois terços dos votos, foi um dos primeiros a cumprimentá-lo e disse a frase que inspirou a escolha do nome Francisco: "Não se esqueça dos pobres". O que passou pela sua cabeça naquele momento?
D. Cláudio Hummes:

Não podia contar isso, porque é segredo do conclave, mas o Papa, uma vez eleito, não está mais sujeito ao segredo do conclave. Assim que ele teve os votos suficientes, houve aquele aplauso, eu o abracei — ele estava sentado à minha direita — e disse no ouvido dele isso que me veio na hora. Não tinha preparado nada. Sempre digo que foi o Espírito Santo que falou, porque não imaginava que tivesse tal repercussão dentro dele. Acho que, se queremos ser fiéis a Jesus Cristo, não podemos nos esquecer dos pobres. O Papa constantemente reza pela paz e, agora, está escrevendo uma encíclica sobre ecologia.

Desde o início do papado de Francisco, Hummes esteve ao seu lado | Foto: Vincenzo Pinto/AFP
PERGUNTA:

Como nasceu essa amizade de vocês?

D. Cláudio Hummes:

Conheço o cardeal Bergoglio das reuniões em Roma. Nunca estive na casa dele em Buenos Aires, e ele nunca esteve na minha, porque não é muito de viajar. Trabalhamos na conferência de Aparecida, em 2007, que durou quase 20 dias. Foi ali que a gente mais se conheceu, mas já éramos amigos. Ele era um homem sempre muito discreto, não gostava de aparecer. Foi como papa que, de repente, alguma coisa ocorreu e ele se tornou um homem com tanto carisma social, de comunicação.

PERGUNTA:

O convite para estar ao lado do Papa, em sua primeira aparição pública, foi um gesto de reconhecimento por sua atuação como articulador da eleição de Bergoglio?
D. Cláudio Hummes:

Ele nunca disse nada sobre isso, nunca ninguém falou. Não há como falar sobre isso, porque aconteceu dentro do conclave. O Papa apenas disse que eu sou um grande amigo dele.
Ele se vestiu pobremente, não quis se sentar no trono. Todos esses gestos para mostrar que ele não quer pompa. Ele me chamou e disse: "Dom Cláudio, quero que você esteja ao meu lado neste momento". E eu fui, mas ele não me explicou nada. Até hoje, nunca me disse nada. Claro que eu estava muito feliz, e os cardeais muito surpresos, porque nenhum cardeal vai ao lado do Papa naquela hora.
PERGUNTA:

Depois dessa cena, houve a especulação de que o senhor poderia ocupar algum cargo importante na Cúria. O senhor foi convidado?


D. Cláudio Hummes:


Não, não. Eu apenas sou amigo do Papa. E já basta. Estou fazendo 80 anos, de forma que... Nem pensar! 
(risos) Aos 80 anos, terminam as funções para os cardeais. Só fui indicado por ele, no ano passado, para ser o enviado especial ao Paraguai, para os 25 anos de canonização do padre Roque. 
PERGUNTA:

O que há em comum, além do nome, entre Francisco de Assis e Francisco de Roma?

D. Cláudio Hummes:

Há muita coisa em comum. Em Buenos Aires, Bergoglio estava presente nas favelas e tinha um trabalho muito grande, de muitos anos ali. Sempre digo que o Papa encontrou sua identidade. Não que ele começasse a partir daí a ser Francisco. Ele já era Francisco antes e aquilo deu um clique. O seu passado era isso, embora fosse jesuíta. É um homem profundamente dedicado aos pobres.
PERGUNTA:

Bergoglio, como São Francisco de Assis, tem a missão de reparar uma "Igreja que está em ruínas"?

D. Cláudio Hummes:

Claro. Ele nunca sublinhou isso, mas ele conhece essa frase e, certamente, isso o desafia muito.
PERGUNTA:

Como será essa reconstrução?


D. Cláudio Hummes:

Ele diz que a Igreja precisa de reforma. E essa é uma palavra muito forte na Igreja. Por causa da Reforma Protestante, acabou se tornando uma palavra de muito peso. Mas ele usa essa palavra, e diz que a Igreja precisa de reformas não apenas das estruturas institucionais, mas no que há de humanamente ultrapassado nela e nos novos desafios. Ele diz que essas reformas foram pedidas pelos cardeais, naqueles três dias de reuniões antes do conclave. Muitas coisas foram sugeridas. O Papa já está fazendo essas reformas, a começar pelo banco do Vaticano e pela Cúria.


PERGUNTA:

Quais outras reformas pediram?
D. Cláudio Hummes:

Que houvesse mais colegialidade, que os bispos fossem mais convocados a ter voz no governo universal da Igreja. O concílio já tinha dito isso, só que, depois, aos poucos, foi-se centralizando tudo em Roma. Muitas coisas podem ser resolvidas pelos episcopados locais, pelos tribunais eclesiásticos locais. Não precisa ser tudo atribuição da Cúria Romana, que vai centralizando, e a gente sabe que essas coisas são automáticas. Para você controlar tudo, você centraliza tudo. O Papa quer uma Igreja mais missionária, capaz de derrubar muros e construir pontes. Ele diz que nós fizemos muralhas e as pessoas não conseguem mais entrar na Igreja. Não são apenas leis que devem ser reformadas, mas a própria maneira de ser da Igreja e de fazer evangelização.


PERGUNTA:


Existe a possibilidade de mudanças em questões como celibato, divórcio, homossexualidade e ordenação de mulheres?

D. Cláudio Hummes:

Algumas coisas ele já indicou claramente que não tem como mexer, como o aborto, porque se trata de eliminação de vidas humanas. Sobre o celibato dos padres, já disse que não é um dogma e, portanto, a Igreja pode repensar. Mas isso ainda não entrou em discussão. O que está agora em pauta é a questão da família, e aí entram temas como os casais de segunda união, essa problemática dos tipos de família e aquilo que as leis começam a chamar de família. E também como dar apoio às famílias para que elas possam viver o evangelho dentro de uma sociedade secularizada. Foi enviado um grande questionário, e aí está uma outra novidade dele, porque ele insistiu que esse questionário — que já foi respondido — também fosse entregue aos leigos. Em outubro, terá o sínodo extraordinário que vai tratar dessa questão. e, em outubro do ano que vem, o ordinário.
PERGUNTA:

Um pedido recorrente do Papa é para que rezem por ele. O senhor acha que ele vai encontrar resistências para fazer as reformas?

D. Cláudio Hummes:

Certamente, perplexidade. Não diria resistência explícita, pública, talvez um pouco de resistências por baixo. Isso é humano. Mas o Papa diz que também quer ouvir quem não concorda, porque isso nos faz pensar, ter mais luz e equilíbrio nas soluções.
PERGUNTA:

A esperança depositada no papa Francisco não pode se transformar em frustração no futuro?

D. Cláudio Hummes:

Eu não falaria no futuro, porque é complicado ficar especulando. Tenho uma esperança muito forte. Claro que ele não fará todas as reformas que cada um espera, porque, às vezes, se esperam coisas contraditórias. Mas ele diz que aquilo que os cardeais pediram ele está tentando fazer. Para os bispos brasileiros, quando o Papa esteve na jornada da juventude, ele pediu que fizessem propostas corajosas.
PERGUNTA:

Os bispos serão capazes de fazer propostas corajosas?

D. Cláudio Hummes:

Eu espero que sim. Temos de sentar e discutir o que iremos propor ao Papa, se ele mesmo diz, naquele espanhol meio portenho, que quer "propostas corajudas".
PERGUNTA:
Que proposta o senhor faria?

D. Cláudio Hummes:

A descentralização é fundamental para, de fato, renovar a Igreja.
PERGUNTA:

Fundamental ou corajosa?

D. Cláudio Hummes:

Também corajosa. Porque você tem de arrancar o poder de quem o tem na mão. E não é só o Papa que tem poder, é a Cúria Romana.
PERGUNTA:

Cúria que o Papa disse ser a "lepra do papado"...

D. Cláudio Hummes:

Quando ela vira Corte. Cúria tem de ser um serviço e não um poder. E humanamente sempre tendemos a virar poder ao invés de serviço, em qualquer governo a gente vê isso.
PERGUNTA:

Algo mudou na Igreja depois das declarações de Francisco sobre os homossexuais? Se um casal homoafetivo procurar uma paróquia, poderá receber os sacramentos ou serpadrinho em um batizado, por exemplo?

D. Cláudio Hummes:

Não sei como estão agindo na realidade prática. O Papa disse uma palavra muito importante: "Se um homossexual busca Deus, quem sou eu para julgá-lo?" A pessoa tem de ser respeitada. Se ela tem uma orientação homossexual, o que isso significa na vida dela? Ela, na verdade, tem de viver dignamente a sua vida. Nessa questão do batizado, não sei como os bispos estão aplicando isso, porque, em si, não tem nada a ver com isso, a não ser que fosse um pecador público, digamos assim, que fosse uma pessoa complicada nesse sentido. O padrinho é aquele que deve ajudar a educar religiosamente, e uma pessoa que tem uma orientação sexual poder ser um santo. Se ele vive o evangelho, dentro das suas condições, ele pode ser um santo. Em tese, não tem nada contrário.
PERGUNTA:

O Papa dá declarações de acolhimento, mas as normas da Igreja são excludentes. Como o senhor vê a questão?

D. Cláudio Hummes:
Claro, a gente tem de ir devagar. Não se faz tudo de um dia para o outro. Por isso que o Papa apela: "Temos de pensar juntos, temos de discutir juntos" para chegar a ter, de fato, uma orientação que vá ao encontro das pessoas e daquilo que Jesus Cristo nos ensina. A gente não deve ter pressa. É a Igreja quem tem que indicar o caminho e não a pessoa individual querer fazer reformas. Então, temos que ter paciência, mas o fato de que ele abriu essas portas mostra que a Igreja está querendo realmente ser mais positiva nessas questões.


PERGUNTA:


Se Jesus vivesse hoje, ele seria a favor do casamento gay?
D. Cláudio Hummes:

Não sei, não faço nenhuma hipótese sobre isso. Quem deve responder isso é a Igreja em seu conjunto. Temos que cuidar para não ficar levantando questões individualmente, porque isso acaba criando mais dificuldades para a gente chegar numa conclusão que seja válida. Acho que a gente tem que se reunir, ouvir as pessoas, os próprios em jogo, os bispos. É a Igreja que deve indicar os caminhos, e deve haver caminho para todos.
PERGUNTA:

A Igreja Católica vem perdendo, em média, um ponto percentual de fieis ao ano no Brasil. O que explica esse fenômeno e como estancá-lo?

D. Cláudio Hummes:

Há muitas razões. O povo que migra da Igreja Católica para as pentecostais, protestantes, evangélicas tem as suas razões. É preciso ouvir e analisar o porquê. Acho que tem a ver com a busca de soluções de problemas graves na vida, pois têm pessoas que sofrem com a falta de assistência em saúde, por exemplo. Então, elas vão buscar curas por bênçãos, exorcismos, porque há quem diga que a doença seja fruto do demônio. O povo que não tem recurso busca em qualquer lugar o mínimo de esperança. Poder ser também que tenham ficado desiludidos com a falta de atenção e de acolhimento dentro da Igreja Católica. Nós nos perguntamos se não estamos muito distantes das pessoas. Certamente, um dos motivos é que a Igreja ficou esperando muito as pessoas virem até ela e não foi ao encontro das pessoas.
PERGUNTA:

Como a Igreja deve enfrentar a escassez de padres? Ainda é possível despertar vocações sacerdotais no mundo de hoje?

D. Cláudio Hummes:

É possível, mas não mais tanto como antigamente. A situação da América Latina ainda é melhor do que em muitos outros países, porque é um continente bastante religioso e católico. Na Europa, por exemplo, há um vazio muito grande. Daqui a uns 15 anos, vai ser um deserto de padres. É uma questão, portanto, que a Igreja urgentemente tem que enfrentar — o papa sabe disso — e procurar caminhos para revolver isso.
PERGUNTA:

Permitir a ordenação de mulheres, como fez há alguns dias a Igreja Anglicana da Inglaterra, não seria uma alternativa?

D. Cláudio Hummes:

O problema dessa questão é que Jesus Cristo, de fato, não escolheu nenhuma mulher entre os apóstolos. Não sabemos as razões. Depois, o papa João Paulo II tornou a questão mais difícil ainda, porque, em certo momento, ele disse que a Igreja Católica não tem porque fazer isso. Se a Igreja encontrar razões, pode ser que reveja. Mas a questão do celibato obrigatório é muito mais simples, pois sempre existiram padres casados, na igreja oriental e mesmo aqueles que voltaram da anglicana para a católica dois anos atrás.
PERGUNTA:

Recentemente, o papa Francisco recebeu pela primeira vez no Vaticano vítimas de abusos sexuais de religiosos. Como passar do discurso para a prática, combatendo de fato a pedofilia na Igreja?

D. Cláudio Hummes:

Mas a Igreja Católica está fazendo isso com muito rigor. É preciso dar tempo ao tempo. Esse papa diz claramente que, com a pedofilia, é tolerância zero. Isso significa que a Igreja vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance, para que, realmente, isso seja debelado. É inaceitável para a Igreja que haja ministros ordenados pedófilos. Muita gente já foi colocada para fora por causa disso.
 
Dom Cláudio participou de lutas dos movimentos sociais | Foto: Claudiomiro Teodoro/Folha Imagem

PERGUNTA:

Quando era bispo de Santo André, o senhor enfrentou o regime militar para defender os trabalhadores e apoiar as greves do ABC...
D. Cláudio Hummes:

Foi difícil e desafiador. Não havia segurança de nada. Você poderia dobrar a esquina e ser preso, mas eu nunca fui preso, só ameaçado. Foi um tempo, claro, muito difícil. Interessante que repressão nunca entrou na Igreja. As assembleias dos trabalhadores eram feitas dentro da igreja, eles cercavam, mas não entravam. Eu tive que dar acolhida a pessoas que estavam sendo perseguidas, que corriam perigo.
PERGUNTA:

Foi uma opção pela carreira que o levou a se afastar dos movimentos sociais, tornando-se mais moderado?

D. Cláudio Hummes:

(Risos)
 Não, não. Certamente, não. Eu não acho que mudei. Nunca abandonei as posições que tive e, sem dúvida, as refaria. Sempre estive ao lado dos trabalhadores e das suas grandes reivindicações. Com a redemocratização, o povo voltou a ter voz, e a Igreja não era mais necessária. Claro que havia, dentro da Igreja, pessoas mais radicais, que achavam que a luta tinha que continuar, ficavam repetindo os mesmos discursos e propostas. Não temos a situação ideal de democracia até hoje, mas a democracia vai crescendo e, portanto, temos que caminhar juntos. Nesse meio tempo, o mundo mudou, o Lula mudou, o PT mudou, tudo mudou — nem tudo para melhor (risos). Então, esse pessoal mais radical começou a dizer que a Igreja não era mais a mesma, que o dom Cláudio não era mais a favor dos trabalhadores como naquela época. Eu entendo tranquilamente, mas no fundo nunca mudei.

PERGUNTA:

O "bispo dos operários" — apelido que o senhor recebeu por apoiar as greves do ABC — esperava mais dos governos do PT, partido que o senhor viu nascer a partir desse movimento?

D. Cláudio Hummes:

O PT que eu viu nascer não é mais o PT de hoje. O PT mudou muito, claro que tem muitos conteúdos daquele tempo. Muita gente entrou nesse partido depois e deu novas características. Muita gente veio da classe média, intelectuais, e eles tiveram muito peso, porque tinham preparo. Com isso, o partido se transformou bastante.
PERGUNTA:

Em que sentido?

D. Cláudio Hummes:

Uma das coisas que eu acho que se deve pensar muito é até que ponto o poder deve ser a meta principal e constante. Exercer o poder, ser oposição ou governo, o partido deve ser capaz de fazer as duas coisas quando necessário. Como é que a democracia suporta um poder muito prolongado de um partido só? Não tenho nenhuma solução para isso, mas isso deveria ser refletido em nome da democracia, do bem do povo. Outro aspecto que é sempre um risco é o de começar a centralizar o poder. Assim, você corre o risco de um estatismo maior, e isso tem que ser constantemente analisado, porque a tendência é esta, até na Cúria Romana. Você começa a centralizar tudo para poder controlar. Isso acaba sendo um poder, e não um serviço, e o governo está a serviço do país.
PERGUNTA:

Como o Dom Cláudio, que tinha fama de subversivo nos anos 80, chegou a ser um dos favoritos à sucessão do papa João Paulo II, no conclave de 2005?

D. Cláudio Hummes:

Mas João Paulo II não foi aquele que defendeu o Solidariedade, aqueles sindicatos todos. Uma coisa não contradiz a outra. Bergoglio também é um homem do social, basta ler os textos dele.


PERGUNTA:

O senhor chegou a afirmar após a eleição de Ratzinger que se sentia aliviado de não ter sido o escolhido. Por quê?
D. Cláudio Hummes:

Este cargo de papa é uma coisa tão pesada. As forças humanas não são suficientes, um homem simplesmente não consegue fazer tudo o que está se exigindo do papa. É um ministério humanamente insuportável, ninguém consegue carregar esse peso. Ou significa também que estamos exigindo demais do papa, sobretudo uma pessoa que já tem uma certa idade. É realmente um ministério muito, muito pesado. E, além disso, tem que ter qualidade tem que ter preparação, qualificação.

Hummes tornou-se cardeal pelas mãos de João Paulo II | Foto: Arquivo pessoal

PERGUNTA:

O senhor acha que estaria preparado para a missão?

D. Cláudio Hummes:

Não falo de hipóteses. Isso é página virada.
PERGUNTA:

A renúncia de Bento XVI foi provocada por esse peso, ainda mais sobrecarregado pelas denúncias de corrupção no Vaticano?

D. Cláudio Hummes:

Sim, sim. Ele disse que não tinha mais condições físicas e mentais, psicológicas para carregar esse peso para frente.
PERGUNTA:

Como o senhor definiria, em uma única palavra, os papas Francisco, Bento XVI e João Paulo II?

D. Cláudio Hummes:

Francisco é um grande pastor; Bento XVI foi um grande mestre da fé, um teólogo, que nos iluminou a doutrina, o evangelho; e João Paulo II foi um missionário universal, que percorreu o mundo. Ele nos encantou por essa forma vigorosa e simpática, capaz de encontrar todos os povos e culturas. Sem esquecer que ele foi um dos agentes principais da queda da cortina de ferro, do socialismo no leste da Europa.
PERGUNTA:

O senhor ainda acompanha os jogos do Grêmio, seu time do coração?

D. Cláudio Hummes:

Sim, isso não tem como a gente se livrar. Eu continuo gremista, claro. Olho os resultados na internet, não sou mais de ficar horas diante da televisão para ver os jogos, mas sempre acompanho.
PERGUNTA:

O senhor tem visto o Papa? Como ficou sua relação com ele depois da eleição?

D. Cláudio Hummes:

Quando vou para Roma, em geral, peço para conversar com ele. Então, a gente senta e conversa informalmente. Devo ter conversado com ele umas quatro ou cinco vezes depois do conclave. Também escrevo cartas para ele. Em agosto, vou passar uma semana em São Gabriel da Cachoeira (AM) e depois quero ir para lá e relatar para ele esse trabalho com os índios.
PERGUNTA:

E o que o senhor escreve nessas cartas?

D. Cláudio Hummes:

Relatos sobre minhas atividades e sugestões também, o que eu penso.
PERGUNTA:

Que sugestões?

D. Cláudio Hummes:

Cartas particulares não se revelam.
PERGUNTA:

Será que o senhor vai continuar inspirando o Papa?

D. Cláudio Hummes:

(Risos)



Fonte: ZH Notícias

segunda-feira, 7 de julho de 2014

PREPARA-SE OUTRO CASO ‘FRANCISCANOS DA IMACULADA’? INTERVENÇÃO EM CIUDAD DEL ESTE À VISTA...


DESTAQUE

Creio que Dom Rogelio Livieres será afastado. Não resta dúvida disso. O seminário sofrerá uma intervenção nos moldes daquela sofrida pelos Franciscanos da Imaculada. As comunidades tradicionais que se refugiaram em Ciudad del Este, uma delas brasileira, ficarão à deriva.

É muito claro que o projeto de destruição de Ciudad del Este já estava no coração de muitos prelados, paraguaios ou não. Só precisavam de um motivo prático para a inquisição régia, que é a marca deste pontificado, começar. Tudo o que é tradicional deve ser neutralizado.

E o Pe. Urrutigoity? O seu destino não importa, o que importa é que Francisco não esquece, Francisco não perdoa!


O que se passou ultimamente foi uma briga pública e lamentável entre o arcebispo de Assunção e o bispo de Ciudad del Este, inclusive com o primeiro sendo chamado de homossexual pelo segundo.


*** * ***



Agora é oficial - Visitação Apostólica à diocese de Ciudad del Este



 
Carta Oficial da Nunciatura

Mons. Eliseo Ariotti, núncio apostólico no Paraguai, informou hoje que a Santa Sé realizará uma visita apostólica à diocese de Ciudad del Este. A visita será comanda pelo cardeal Santos Abril, arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior, e Mons. Milton Luis Tróccoli Cebélio, bispo auxiliar de Montevidéu.

Em primeiro lugar, é preciso rever alguns "dados históricos" antes de listarmos os motivos apresentados para a visitação.

Como já 
escrevemos aqui - e recomendamos a leitura completa do post - Mons. Livieres, bispo de Ciudad del Este, recebeu um sacerdote argentino em sua diocese em 2008. Trata-se de Carlos Urrutigoity que tem um longo histórico de acusações de abuso de menores nos EUA, inclusive alguns processos criminais foram iniciados contra ele.

Mons. Livieres afirmou que Carlos Urrutigoity foi enviado à Ciudad del Este pelo próprio Vaticano que, na época, não sabia o que fazer com ele, palavras do próprio Mons. Livieres. Entretanto acredito que o bispo cometeu uma imprudência ao dar cargos elevados à Carlos Urrutigoity, sobretudo ao confiar-lhe um apostolado junto aos jovens. Mons. Livieres acredita na inocência de Carlos Urrutigoity, afirmando que o mesmo é vítima de calúnia e perseguição.
Conferência de imprensa na sede da CEP


A diocese de Ciudad del Este é um oásis teológico dentro do lamaçal modernista que se tornou a América Latina. Guardadas as devidas proporções, poderíamos chamá-la de "Ecône do Iguaçú", pois muitas comunidades de carisma tradicional encontraram abrigo e proteção paternal na diocese. Por isso é possível que a familiaridade de Carlos Urrutigoity com a missa tradicional tenha advogado a favor do padre na análise do bispo.
 

Entretanto MonsLivieres é um antigo desafeto do então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco. E Francisco não esquece, Francisco não perdoa.

As desavenças entre os dois prelados de diferentes nacionalidades começaram quando o seminário maior de Ciudad del Este foi se tornando conhecido entre os países de língua espanhola por sua formação mais tradicional. O seminário paraguaio começou a atrair seminaristas de outras dioceses, sobretudo de Buenos Aires, que fugiam horrorizados com o que viam na casa de formação argentina. O então cardeal Bergoglio iniciou uma guerra de acusações contra Livieres junto ao Vaticano, exigindo uma intervenção na diocese e o afastamento do bispo. Isso é o que reportamos de fontes espanholas já em 2012, portanto estamos isentos de qualquer sentimento anti-franciscano. Leia mais no famoso texto "
A Máfia Argentina do Cardeal Bergoglio" para ter referências sobre o assunto.

Na época Bergoglio tentou sem sucesso atacar o bispo paraguaio. Hoje, entretanto, ele é Papa. E Francisco não esquece, Francisco não perdoa.

Revisitada a história recente da diocese, podemos prosseguir com as razões apresentadas pelo Núncio para a visitação apostólica. Questionado sobre o motivo da visita, durante uma coletiva de imprensa, o Núncio afirmou:

"É para averiguar não apenas o que se passou ultimamente, mas ver tudo o que acontece na casa de Ciudad del Este".

O que se passou ultimamente foi uma briga pública e lamentável entre o arcebispo de Assunção e o bispo de Ciudad del Este, inclusive com o primeiro sendo chamado de homossexual pelo segundo.

Mas perceberam? Não se trata de uma intervenção em torno do caso do Pe. Urrutigoity, mas irão investigar TODA a diocese. Segundo informou o 
site de notícias paraguaio ABC:
"Também chama a atenção da Santa Sé as denúncias de má gestão dos recursos financeiros dentro da diocese, que inclusive chegaram a processos judiciais. Os enviados do Papa Francisco também avaliarão as supostas irregularidades no seminário de Ciudaddel Este"

No comunicado em papel timbrado da Nunciatura, que apresentamos no início da postagem, estranhamente não se fala de uma investigação de Pe. Urrutigoity, mas é possível ler claramente a vontade do Papa em investigar os seminários da diocese. O seminário? Jura!? Quem diria... Francisco não esquece, Francisco não perdoa!

Investigar Pe. Urrutigoity é uma prioridade, sem dúvida. Se culpado, que o punam, mas se for inocente que se faça justiça e limpem seu nome.


O que realmente está em jogo

Como eu já disse o Papa Francisco não esquece e não perdoa. Mons. Livieres foi uma pedra em seu sapato por muitos anos porque provava que o modelo adotado em Buenos Aires era um modelo fracassado. Livieres fazia Bergoglio encarar o seu próprio fracasso enquanto pastor.

Enquanto o seminário de Ciudaddel Este tem mais seminaristas do que todos os outros seminários paraguaios juntos, a arquidiocese de Buenos Aires - a mais importante da Argentina! - patina com duas dúzias de jovens.

A visita não será focada em Urrutigoity, mas no seminário. A casa de formação é sim o grande alvo dos visitadores.

De fato, como informa no 
site oficial da diocese, Mons. Livieres alega que desde 2013 pediu ao Vaticano uma visita ao seminário diocesano "para que eles possam nos ajudar a levar da melhor forma possível o governo da nossa Diocese, e aperfeiçoou o trabalho que já estamos fazendo, porque nós temos experimentado um crescimento incrível nos últimos anos, graças a Deus". Certamente o bispo está muito seguro do trabalho que vem executando.

Como também 
reportamos aqui em 2012:
Chegou a diocese de Ciudaddel Este um relatório da Congregação para a Educação Católica aprovando os métodos, a espiritualidade, enfim, tudo no seminário São José!Após a análise de mais de 200 páginas de um relatório enviado por MonsLivieres, contendo currículo, cronograma, histórico, professores e perfil de cada candidato de forma detalhada, a Congregação não só aprovou como elogiou o seminário.

Diferentemente de outras casas de formação, Mons. Livieres sempre fez questão de manter o Vaticano informado de tudo, desde o currículo até o perfil dos candidatos. Nada foi feito na encolha, como se costuma dizer.

Agora, entretanto, falam de irregularidades no seminário! Como pode ser? O que mudou em dois anos? Bem... mudou o Papa e Francisco não esquece, Francisco não perdoa!

Se a visitação será feita também no seminário, nada mais natural do que enviar alguém da Congregação para Educação Católica ou da Congregação para o Clero (que é a atual responsável pelos seminários). Entretanto caberá provavelmente a um bispo auxiliar de Montevidéu, que é reitor de um seminário interdiocesano, investigar o seminário de Ciudaddel Este. O 
seminário comandado pelo bispo tem 25 seminaristas e segue a mesma linha do seminário de Buenos Aires com disciplina relaxada.
Formadores do Seminário Uruguaio


Irregularidades Financeiras

Depois dos escândalos de má gestão do Banco do Vaticano, parece que a tendência é fazer tais escândalos aconteceram na esfera diocesana para se livrar de algum bispo. Foi assim com o bispo alemão de Limburgo, Franz-Peter Tebartz van Elst, e com o arcebispo argentino de Rosário, José LuisMollagha, também um antigo desafeto de Bergoglio.

Quais seriam essas supostas irregularidades financeiras? Nada se explica, só se afirma que existem.
Quantos milhões podem ser escondidos numa diocese paraguaia? Fracamente... Meu bispo construiu um seminário enorme para pouco mais de 20 seminaristas, numa área próspera e cara, sendo que a diocese já contava com dois (!!!) outros prédios construídos. Não vejo o Vaticano desembarcando por essas bandas...

O que virá?

Creio que Dom Rogelio Livieres será afastado. Não resta dúvida disso. O seminário sofrerá uma intervenção nos moldes daquela sofrida pelos Franciscanos da Imaculada. As comunidades tradicionais que se refugiaram em Ciudaddel Este, uma delas brasileira, ficarão à deriva.

É muito claro que o projeto de destruição de Ciudad del Este já estava no coração de muitos prelados, paraguaios ou não. Só precisavam de um motivo prático para a inquisição régia, que é a marca deste pontificado, começar. Tudo o que é tradicional deve ser neutralizado.

E o Pe. Urrutigoity? O seu destino não importa, o que importa é que Francisco não esquece, Francisco não perdoa!



Fonte: Blogonicvs

O QUE SE PREPARA PARA O SÍNODO DE OUTUBRO?


DESTAQUE – COMENTÁRIO



Agora nós não estamos mais limitados a considerar a comunhão para os divorciados e recasados, mas ampliando a questão para todas "as coabitações irregulares"? Eu espero que os eclesiásticos mais elevados considerem a questão pastoral de quanto tempo os casais devem coabitar antes que possam receber a Sagrada Comunhão? Os párocos, como Pe. Vicario e eu mesmo, precisam saber onde a linha será desenhada.

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A ira cadente sobre o pobre Pe. Vicario não terminou com uma repreensão de seu Ordinário. O Cardeal Baldisseri, o secretário-geral do próximo Sínodo, disse que as palavras de Pe. Vicario foram "loucas, uma opinião estritamente pessoal de um pároco que não representa ninguém, nem mesmo a si mesmo" ("una pazzia, un’opinion estrettamente personale di un parroco che non rappresenta nessuno, neanche se stesso.")
O artigo de Sandro Magister faz uma comparação pertinente entre as palavras do sacerdote italiano e as do Cardeal Collins, arcebispo de Toronto, que foi nomeado em janeiro deste ano como um dos cinco membros da Comissão de Cardeais Supervisionar o Instituto para as Obras de Religião.

Sandro Magister está certo ao apontar que o cardeal Collins não disse nada diferente do Pe. Vicario. E ele está certo em perguntar se ele também será acusado de ser louco.

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Padre Italiano é chamado de louco por Baldisseri porque ensina doutrina tradicional sobre o divórcio

(Pe. Timothy Finigan | Tradução Blogonicus) - Nos círculos eclesiásticos exaltados na Itália, parece haver uma nova ortodoxia emergente com relação à questão da Sagrada Comunhão para os divorciados que voltaram a casar. Então rigorosa é que um padre da paróquia recebe um míssil guiado a partir do coração da cúria por sua discordância.

Muitos leitores seguem o blog em inglês de Sandro Magister, Chiesa, por seu comentário bem informado e incisivo sobre assuntos do Vaticano. Magister também escreve um blog de língua italiana para L'Espresso, chamado Settimo Cielo, que muitas vezes tem material adicional de grande interesse.

Há poucos dias, em seu artigo Cose da pazzi. Il cardinale Collins e il curato dicampagna ("Coisas malucas. O cardeal Collins e o padre do campo") Magister contou sobre a reação ao Padre TarcisioVicario, pároco da diocese de Novara, na Itália, que recentemente falou sobre a questão da Sagrada Comunhão para os divorciados que voltaram a casar, dizendo:
"Para a Igreja, que atua em nome do Filho de Deus, o casamento entre os batizados é só e sempre um sacramento. O casamento civil e a coabitação não são um sacramento. Portanto, aqueles que se colocam do lado de fora do Sacramento por contrair casamento civil estão vivendo uma infidelidade contínua. Não estamos tratando do pecado cometido em uma ocasião (por exemplo, um assassinato), nem uma infidelidade por descuido ou hábito, onde a consciência em qualquer caso, nos chama de volta ao dever de reformar a nós mesmos por meio de sincero arrependimento e um verdadeiro e firme propósito de distanciar-nos do pecado e das ocasiões que levam a isso. "

O Bispo de Novara deixou claro que um apelo à lógica ou o bom entendimento da analogia retórica, iria cair em ouvidos moucos, caracterizando a expressão do padre como:
"uma equação inaceitável, embora introduzida como um exemplo, entre coabitação irregular e assassinato. O uso do exemplo, mesmo se escrito entre parênteses, revela-se inapropriado e enganoso, e, portanto, errado."


Ortodoxia é loucura para Baldisseri

Na verdade o padre Vicario não "igualou" coabitação irregular e assassinato. Todo o seu ponto era que eles são diferentes - um é um estado permanente, onde a pessoa não tem a intenção de mudar sua situação, o outro é um pecado cometido em uma ocasião especial, quando uma consciência formada adequadamente chamaria a pessoa se arrepender e não cometer o pecado novamente.

A ira cadente sobre o pobre Pe. Vicario não terminou com uma repreensão de seu Ordinário. O Cardeal Baldisseri, o secretário-geral do próximo Sínodo, disse que as palavras de Pe. Vicario foram "loucas, uma opinião estritamente pessoal de um pároco que não representa ninguém, nem mesmo a si mesmo" ("una pazzia, un’opinion estrettamente personale di un parroco che non rappresenta nessuno, neanche se stesso.")

Cardeal Collins

Deixando de lado a hipérbole tortuosa (como Sir Bernard Wooley poderia interpor, sua opinião não pode ser pessoal e ainda não representar a si mesmo) é preciso perguntar por que tal opinião popular e ortodoxa, expressa com clareza, deve ser objeto de tal condenação veemente.

O artigo de Sandro Magister faz uma comparação pertinente entre as palavras do sacerdote italiano e as do Cardeal Collins, arcebispo de Toronto, que foi nomeado em janeiro deste ano como um dos cinco membros da Comissão de Cardeais Supervisionar o Instituto para as Obras de Religião.

Uma semana atrás, na véspera da publicação do Instrumentum Laboris para o Sínodo, Brandon Vogt entrevistou o cardeal Collins para o blog Word on Fire. Durante o curso da entrevista, o cardeal Collins disse:
Muitas pessoas que são divorciadas, e que não são livres para casar, entram em um segundo casamento. Há várias razões que podem levar a isso, e seus irmãos paroquianos não devem se ocupar especulando sobre elas. Católicos nessa situação trágica podem estar envolvidos em muitos aspectos da vida da comunidade, mas eles não podem receber os sacramentos, como a Sagrada Comunhão, uma vez que qualquer que seja a sua disposição pessoal ou as razões para a sua situação, conhecido talvez somente a Deus, eles estão persistindo num modo de vida que é objetivamente contrário à ordem clara de Jesus. Esse é o ponto. O ponto não é que eles tenham cometido um pecado; a misericórdia de Deus é abundantemente concedida a todos os pecadores. Assassinato, adultério, e quaisquer outros pecados, não importa quão sério, são perdoados por Jesus, especialmente através do sacramento da Reconciliação, e o pecador perdoado recebe a comunhão. A questão na matéria de divórcio e do novo casamento é uma decisão consciente de alguém (por qualquer motivo) em persistir numa situação contínua de desconexão com a ordem de Jesus. Embora não seria certo para eles o acesso aos sacramentos, precisamos encontrar melhores formas de chegar às pessoas nesta situação, para oferecer-lhes assistência amorosa.

Sandro Magister está certo ao apontar que o cardeal Collins não disse nada diferente do Pe. Vicario. E ele está certo em perguntar se ele também será acusado de ser louco.

Por meio de um post-scriptum, você notou que parece que uma curva se forma?
Agora nós não estamos mais limitados a considerar a comunhão para os divorciados e recasados, mas ampliando a questão para todas "as coabitações irregulares"? Eu espero que os eclesiásticos mais elevados considerem a questão pastoral de quanto tempo os casais devem coabitar antes que possam receber a Sagrada Comunhão? Os párocos, como Pe. Vicario e eu mesmo,precisam saber onde a linha será desenhada.

Suponho que todos podem concordar que uma aventura de uma noite não é suficiente (embora quem sabe o que poderia ser proposto pelos verdadeiros malucos neste debate?). Mas será que algumas semanas de sexo com a namorada ou namorado, mudando-se com seu Playstation e liberando algumas gavetas para as suas roupas, vão colocá-lo em um estado apto a receber a Sagrada Comunhão?

Fonte: Blogonicvs


domingo, 6 de julho de 2014

Tradicionalista: Um católico autêntico, mas de segunda categoria, diz TV Aparecida


DESTAQUE

Padre Pedro toma como conclusão inicial que é menos preocupante ter filho ateu do que ter um filho que participe da missa tridentina, pois se participa da missa antiga, é um fundamentalista.
Obs: Esse vídeo deixa claro  porque suas missas são com “alegria”. 


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Tradicionalista: Um católico autêntico, mas de segunda categoria, diz TV Aparecida


Por Renato Aquino





No dia 26 de Junho de 2014, o programa “Em Frente”, da rede Aparecida recebeu a ligação de uma telespectadora, Vânia Bonatto. A telespectadora após cumprimentar os apresentadores fez uma pergunta ao padre Pedro Cunha, integrante do programa, e recebeu uma resposta simplesmente lamentável.
A seguir você lerá o dialogo realizado na emissora com grifos nossos e com notas em negrito azul escuro.
Padre Pedro, eu tenho uma duvida muito grande. – Eu tenho um filho e ele era extremamente religioso católico, ministro da palavra, de repente meu filho desvirtuou. Quer dizer, ele fala para mim: “Mãe, eu sou católico e continuo sendo verdadeiramente católico”, só que ele virou aquele católico antes do concílio Vaticano II, aquele tradicional. "Ummm, sei”.
Que eles vão numa capela, porque lá não tem igreja, eles vão numa capela que o padre celebra de costas para o povo, né!? minha nora de véu e só de saia. E, eles falam muito em mosteiro. Ele não perdia uma missa na rede Vida e na (TV) Aparecida, todos os dias, e era assíduo, e hoje está assim. E, eu estou muito triste. Ele me fala: ‘mãe, eu rezo o santo rosário todos os dias, eu sou católico e eu levo a fundo minha religião’, mas eu não concordo e não sei se estou errada ou não.
Até o momento, como é evidente, a telespectadora não apontou que seu filho seja sedevacantista, apostasta ou herético, apenas apontou um “modo de viver a fé” que ela não concorda – por ignorância – que ele pertença. Neste caso, o pedido da telespectadora era para esclarecer se seu filho era católico, pois sua ignorância e preconceito dizia justamente o contrário.
O padre Pedro pediu para que o apresentador Rodolfo Ferraz, um claro adepto da Teologia da Libertação (corrente condenada pelo Papa João Paulo II) ,  respondesse a telespectadora. Entretanto dá uma breve introdução: Trata-se de Igreja Católica, trata-se de fiel católico autêntico, mas a gente tem um reacionismo (nisso), não tem não!? Rodolfo dá uma risada e é interrompido por Denise Procópio, uma das apresentadoras do programa, que deseja colocar uma situação que para ela é parecida:
Deixa eu só colocar uma coisinha antes, eu tenho um e-mail aqui em mãos que até ia fazer uma leitura (apresentar como pauta a duvida), só que é a mesma colocação, só que (neste caso) a mãe diz que o menino se diz ateu. Posso ler? Porque se aí você quiser, você já faz um combinado…
Então, é apresentado o drama de uma mãe que quer reascender a fé em seu filho… Rodolfo pergunta ao pe. Pedro: O senhor gostaria de dar uma palavrinha e depois eu falo?
Olha,  com referência a esse jovem eu não tenho nenhuma preocupação, eu estou muito mais preocupado com a primeira questão do que com a segunda. E pode-se dizer assim: Nossa padre, pelo amor de Deus. ‘A pessoa é católica e está vivendo profundamente sua fé’. Gente, o fundamentalismo religioso é tão perigoso ou até mais perigoso que o ateísmo. Por quê? Porque o fundamentalismo religioso pode levar você a fazer loucuras. (como a história comprova, diz Rodolfo) exatamente. 
Sobre o adolescente: Ele está vivendo a fase dele. Sabe o que a senhora tem que fazer? Não precisa discutir, nem convencê-lo de nada. A senhora tem que ser uma excelente católica, uma excelente cristã para que ele receba o evangelho vivo, não o evangelho falado, não o evangelho lido. Se ele receber isso, fique tranquila que quando ele crescer um pouquinho mais, que a coisa apertar, ele vai dizer ‘aí meu Deus.’ É igual aquelas pessoas que eram católicas e se tornam evangélicas, que não querem saber de Nossa Senhora, mas quando dão um tropeção, a primeira coisa que faz é: Aí minha nossa Senhora. Né!? Agora vamos voltar a aquele caso porque eu acho que é importante, concluí o padre.
Padre Pedro toma como conclusão inicial que é menos preocupante ter filho ateu do que ter um filho que participe da missa tridentina, pois se participa da missa antiga, é um fundamentalista.
Rodolfo: Então, de fato, eu compartilho da preocupação do padre porque há muitos grupos hoje com viés fundamentalistas,e, eu não estou, e sei que o padre também não, dizendo que é o caso deste grupo que seu filho pertence, mas o que aconteceu? Há uns anos atrás (2007), o Papa Bento XVI autorizou que aquelas comunidades bem formadas para isso e que quisessem celebrar no rito antigo, que chamamos o rito do concílio de Trento, pudessem fazê-lo. Por uma sensibilidade do Papa de respeitar aquelas comunidades que gostariam de manter essa maneira de rezar.

O que aconteceu foi uma proliferação que é o contrário ao que o próprio Papa Bento XVI quis.


Opa, não é isso que Bento XVI diz na Summorum Pontificum  (documento que liberou a missa antiga). Bento XVI é enfático que << é lícito celebrar o Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano, promulgada por João XXIII em 1962 e nunca ab-rogada>> Rodolfo pega Artigo terceiro do documento, que fala a respeito de como as comunidades religiosas podem viver isso, e diz que é o desejo do Papa que somente tal grupo tenha acesso. Totalmente falso, pois diz o artigo 2: 
“Nas Missas celebradas sem o povo, todo o sacerdote católico de rito latino, tanto secular como religioso, pode utilizar seja o Missal Romano editado pelo Papa  João XXIII em 1962 seja o Missal Romano promulgado pelo Papa  Paulo VI em 1970, e fazê-lo todos os dias à excepção do Tríduo Pascal. Para tal celebração segundo um ou outro Missal, o sacerdote não necessita de qualquer autorização da Sé Apostólica nem do seu Ordinário.”
Tudo o que vai alem dessas palavras é acréscimo do senhor Rodolfo.
A pergunta veio calhar porque ontem ainda (25/06) o Papa Francisco  recebeu um grupo de religioso (leia-se Franciscanos da Imaculada) que só querem rezar a missa assim e o Papa os recebeu para os dizer: ‘Não, mesmo que a Igreja com Bento XVI tenha autorizado, eu quero que vocês peçam autorização porque oficialmente o rito da missa é aquela do Paulo VI, do concílio Vaticano II, da igreja povo de Deus em que todo mundo participa’. Então, há uma volta a esse tipo de movimento que é perigosíssimo e que não é pela liturgia ou porque esse grupo foi formado por muitas pessoas antigas no latim ou que gostariam, como o Papa quis, respeitar, continuar rezando assim.
É o tradicionalismo pelo tradicionalismo. Pra fazer afronta a nossa maneira de ser Igreja hoje, como se estivesse errado participar com o povo participando, com o padre voltado para o povo. Então, infelizmente não fica só na celebração da liturgia, mas em toda uma mentalidade que acompanha e que critica o concílio Vaticano II, que é o espírito no qual a Igreja vive, e está celebrando as graças desse concílio 50 anos depois.
Opa, como dito anteriormente, o filho da telespectadora apenas participa de missas na forma extraordinária, não foi dito nada a respeito de criticas ao missal de Paulo VI que não é uma obra do concílio em si, mas concomitante ao concilio.

 Agora vem a parte mais desastrosa da conversa: padre Pedro prova por A+B que não sabe sequer o que é uma missa.

Pe. Pedro Cunha toma a palavra:
Olha, olha Rodolfo, eu sei que tem um telefonema aguardando, mas eu queria dizer uma coisa como padre: Eu sou padre há 25 anos, você já foi as minhas missas, Denise já foi há muitas missas minhas e eu celebro com alegria, eu celebro com gosto, celebro com entusiasmo, mas eu celebro com o povo, com a participação deles, com a vida deles e eu não celebro missa para mim.

E, e eu sinceramente eu não consigo me imaginar eu dar as costas a um povo e rezar uma missa, como? De que jeito e que de modo? De que forma eu vou fazer isso? Pelo amor de Deus. É o povo de Deus que está ali. Eu sou a presença de Jesus Cristo para aquele povo, então eu tenho que abraçar aquele povo, estar com ele, cantar com ele, sorrir com ele, falar com eles e rezar com eles, porque é povo de Deus, não sou eu sozinho.

Ele parte do pressuposto de que o povo não tem “participação” na missa de Pio V, pobrezinho, confunde a santa missa com um showzinho. Claro que o povo “interage” no missal de Pio V, mas se não interagisse, não muda nada. Acredite padre Pedro, ninguém acorda cedo aos domingos para assistir seus numerozinhos, nem para ver seu belo rosto, pois o centro da missa é Cristo, não o padre Pedro Cunha, nem o povo. A missa que o centro é o dialogo entre o povo e o sacerdote é uma invenção de Lutero.



Sobre o sacerdote estar de costas para o povo: Querido sacerdote, como podes dizer uma besteira dessas? A missa é o sacrifício de Cristo em favor do povo, não para o povo. O padre celebra in persona Christi para Deus pai.
A missa é portanto o sacrifício de Cristo dirigido a Deus pai em favor do povo de Deus, entende a diferença? Alias, pe. Pedro, já que gosta tanto de  atitudes do Papa,  porque não disserta um pouco a respeito do Papa Francisco celebrar “de costas” (adotando sua linguagem) para o povo?
Não sabeis que essa posição está no missal de Paulo VI? Alias, usais o missal em suas missas ou só vai com pompons para ajudar na alegria, gosto e entusiasmo?
Já que a questão é o novo caminhar da Igreja, poderia nos mostrar onde tem no missal as atitudes do vídeo abaixo?  


Obs: Esse vídeo deixa claro  porque suas missas são com “alegria”. 
Outra coisa que eu tenho muito medo, é de se esconder de um modo, parece, eu estou julgando, talvez seja um pecado meu, né!? E acho que estou julgando mesmo, mas as vezes eu tenho a impressão que algumas pessoas dessas escondem e utilizam isso como uma espécie de cortina, de véu mesmo, para esconder outras coisas, né!? E, não é por conta disso – quem sou eu para dizer isso, viu!? – é uma percepção que eu tenho, mas eu tenho a impressão de que  é como se dissesse assim:  É, eu faço assim para que ninguém perceba de fato quem eu sou.
Logo, missas com arremesso de bola, como o vídeo acima, mostram o mais profundo do padre Pedro. 
Rodolfo retoma a palavra e diz:
Então, né padre!? Como eu dizia, a liturgia não é só o rito, e toda uma mentalidade, aqueles gestos, aqueles movimentos, aqueles cerimoniais, é uma mentalidade para vida. Veja o que ela (a telespectadora) diz: Que o filho largou a comunidade que ele servia como ministro da palavra, que a esposa do filho agora só pode usar saia e fica de véu na liturgia, provavelmente a igreja separada, de um lado só os homens do outro só as mulheres, ou seja, vai contra o espirito do concílio e não foi isso que o Papa Bento XVI quis ao autorizar a celebração da missa de Trento.
Mais uma mentira. O missal de Paulo VI não é obra do concílio. O missal de Paulo VI foi criado no mesmo período, mas é obra de Paulo VI , não do concílio, pois a sacrosanctum concilium (documento do Vaticano II que fala sobre a liturgia) não mandou hora alguma que se fizesse um novo missal!

Fonte: Fidespress

sábado, 5 de julho de 2014

Casamento homossexual é ‘sacramento luciferino’, diz porta-voz do “Templo Satânico” nos EUA








Luis Dufaur
         

Sempre que o povo americano tentar conter o aborto ou manter leis do casamento tradicional, os seguidores de Satanás estarão lá para se opor — prometeu o porta-voz nacional do Templo Satânico. Esse grupo ganhou notoriedade pela tentativa de realizar uma “Missa Negra” na Universidade de Harvard, a qual foi repelida pelos estudantes católicos. Segundo seu porta-voz, Lucien Greaves, as restrições ao aborto violam as crenças religiosas satânicas, e o “casamento” homossexual é um “sacramento” da religião diabólica.

“Uma das coisas com a qual fortemente nos importamos é o direito dos homossexuais”, disse Greaves. “Para nós, o casamento [homossexual] é um sacramento. Nós o reconhecemos e achamos que o Estado deveria reconhecê-lo por motivos de liberdade religiosa” — acrescentou.
Em sentido contrário, Adam Cassandra, gerente de comunicações da Human Life International, disse à imprensa que essa postura do Templo Satânico “confirma a posição de muitos no movimento pela vida, de que  os ataques à vida humana inocente e à família são demoníacos em sua origem”. E completou: “Mesmo que advoguem por ‘justiça’ e ‘direitos’, eles se identificam com aquele que tem sido a fonte de todos os males e os enganos ao longo da história humana”.
Defensores da vida vinham notando que, em suas manifestações públicas, alguns progressistas liberais invocavam forças demoníacas em seus esforços de lobby por esse ou aquele projeto. Em julho de 2013, um grupo de apoiadores do aborto gritava “Ave Satã!”, enquanto cristãos pró-vida cantavam “Amazing Grace” na Assembleia do Texas, antes de ser aprovada a  lei proibindo os abortos após 20 semanas nesse estado.
“Este lance do Templo Satânico torna simplesmente mais forte o argumento de que há alguma tramoia ou mal por detrás do ataque mundial à vida por nascer e ao casamento”, disse Cassandra ao LifeSiteNews.
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( * ) Luis Dufaur é escritor e colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)


Fonte: Abim

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