quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes — Contra que os protestantes protestam (Parte IV)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes
por Pe. Júlio Maria

Livro de 1955 - 224 pag.
Editora VOZES
Petrópolis





CAPÍTULO III

CONTRA QUE OS PROTESTANTES PROTESTAM


Contra quem? Contra o quê? Protesta-se contra aquilo que é injusto ou nos incomoda; e, não sendo assim, protesta-se por vício ou por mania. Os protestantes protestam contra a Igreja católica e contra os ensinamentos da mesma. Por quê? Terá a Igreja católica cometido qualquer injustiça contra eles? Nunca! A Igreja católica, como mãe carinhosa e como pai vigilante, ensina a doutrina recebida por Jesus Cristo... Exorta os homens a praticar a virtude, a afastar-se do mal, a respeitar as pessoas que não partilham o seu credo, embora refutem os erros por elas ensinados.

É a sua tarefa em tempo de paz. E em tempo de guerra, quando é atacada pelos inimigos, defende-se e defende o seu chefe Cristo, como o soldado, atacado pelos inimigos da pátria, defende a sua honra, a sua bandeira e o seu chefe.

É o seu direito. É o seu dever. Atacada, ela se defende; perseguida, ela reza e sofre; levada ao patíbulo — o católico morre; porém a Igreja não pode morrer; — ela se levanta mais radiante do meio do sangue dos seus filhos, para cantar o seu hino de triunfo em cima do túmulo dos seus perseguidores.

Quanto aos seus inimigos, ela perdoa, reza por eles e procura converter seus próprios algozes. Tudo isto é nobre, é leal, é brioso, e deve excitar a admiração e não o ódio.

Não podendo protestar contra qualquer injustiça da parte da Igreja católica, deve-se concluir que os protestantes protestam, porque ela os incomoda. Isso pode ser. A verdade incomoda a mentira; a virtude incomoda o vício; a honestidade incomoda a ganância; Deus incomoda o demônio.

Estamos de acordo neste ponto. A Igreja católica, pelo seu ensino, sempre idêntico e sempre invariável; pela sua organização admirável; pela sua santidade que realiza na pessoa de seus filhos; pelas altas intelectualidades que a professam, defendem e exaltam, forma com tudo isso um astro luminoso, que incomoda a retina visual da miopia protestante. Assim, incomoda ao libertino a pureza de uma donzela, como incomoda ao ladrão a presença da polícia, como incomoda ao bêbado a temperança dos sensatos. 

Isto é lógico. A mão coça onde há coceira, diz o ditado. Assim explicado, compreende-se a razão íntima do protesto dos protestantes e a mira desse protesto...

Não protestam nem contra a barbaridade de um Calles, no México; nem contra a tirania de um Lenine, na Rússia, nem contra a perversidade do espiritismo, nem contra a imoralidade dos costumes e das modas. Isto, para eles, não merece protesto, mas merece-o a Igreja de Cristo, a Igreja do Papa, a Igreja de Roma, que atravessa os séculos, passando por cima dos ódios e da lama dos vícios, sempre bela, sempre pura, sempre majestosa e sempre divina!... Ah! Isso é demais... é preciso protestar – e o protestante, escutando a calúnia dos seus pastores, em vez de escutar a voz do bom-senso, protesta e vive protestando.

Cristo, o verdadeiro Deus, dirigindo-se a Pedro, disse: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt. 16, 18). Estarei convosco até o fim dos séculos (Mt. 28, 20). Se alguém, ainda que fosse um anjo do céu, vos anunciasse outro evangelho além do que vos tenho anunciado, seja anátema (Gál. 1, 8). Pedro, rezei por ti, para que a tua fé nunca venha a desfalecer (Lc. 22, 32).

Tudo isto é claro; é tal um sol refulgente!

O protestante, entretanto, protesta, e tapando os olhos com os dois punhos, grita: — “Não! São Pedro não é o chefe da Igreja! — Não é ele o primeiro papa! — Ele nunca esteve em Roma! — Não tem nenhuma autoridade! A Igreja romana está errada!... A religião verdadeira é o protestantismo de Lutero!

Cristo disse: Minha Igreja! É um erro! grita o protestante, a igreja verdadeira é a de Lutero.

Pobres protestantes! Protestam contra Deus, contra a Igreja fundada por Cristo, filho de Deus, contra a Igreja fundada por Cristo e contra a doutrina ensinada por Deus.

Mas, então, em que acreditais, pobres protestantes? Se fôsseis sinceros, devíeis responder: Só acreditamos no protesto.

Afirmamos tudo aquilo que a Igreja católica nega, e negamos tudo que ela afirma: eis a nossa religião. Nós protestamos!

A Igreja católica crê que São Pedro e seus sucessores são os representantes de Cristo na terra. Nós protestamos!

A Igreja católica crê na pureza imaculada da Mãe de Jesus, honrando-a e invocando-a. Nós protestamos!

A Igreja crê na confissão, no poder que o sacerdote recebeu de Cristo, de perdoar os pecados. Nós protestamos!

A Igreja crê no céu para os justos, no inferno para os maus e no purgatório para aqueles que têm de expiar ainda umas faltas. Nós protestamos!

A Igreja crê na intercessão dos santos, no culto dos finados, na união que existe entre os vivos e os mortos. Nós protestamos!

A Igreja crê nos sete sacramentos, no poder da oração, no valor das boas obras, nas indulgências concedidas pela Igreja. Nós protestamos!

A Igreja crê na bíblia, como um livro divino, exigindo uma interpretação autêntica, feita por uma autoridade legítima. Nós protestamos!

A Igreja crê na tradição, conforme as palavras de São Paulo: Conservai as tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou nossa carta (2 Tess. 2, 14). Nós protestamos!

Eis o protesto dos protestantes. Eis por que, como e contra que eles protestam[1].

Para quem quer refletir e é capaz de o fazer, a verdade se impõem com todo o rigor e com todas as suas conseqüências.

O protestantismo é uma seita humana, de revoltosos ou de ignorantes, de orgulhosos ou de néscios. Numa palavra, é bem a seita anunciada por São Paulo: Muitos andam... que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição, cujo deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas (Filip. 3, 18-19).

Não é isso o retrato perfeito de tais pastores, protestantes, exploradores, vendedores de bíblias, de sermões e consciências, que só pensam em ganhar dinheiro e em passar boa vidinha?

Reflitam sobre isto, pobres protestantes iludidos, enganados por estes falsários que nada têm de pastores, mas que, como o disse Cristo, são ladrões e salteadores (Jo. 10, 1).



[1]  Cf. o nosso livro: “O Anjo das Trevas”, Polêmicas de doutrina, de ciência e de bom senso, Cap. VII: O Bibeball protestante — e o cap. V: O tinteiro de Satanás.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes — Porque os protestantes protestam (Parte III)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes
por Pe. Júlio Maria

Livro de 1955 - 224 pag.
Editora VOZES
Petrópolis





CAPÍTULO II

PORQUE OS PROTESTANTES PROTESTAM

Por que eles protestam? Porque é da essência mesma da seita. No dia em que os protestantes deixarem de protestar, deixarão de ser protestantes, como o bêbado, deixando de beber, deixa de ser bêbado, como o brigador, ao deixar as rixas, deixa de ser brigador, ou como o ladrão, deixando de tirar o alheio, deixa de ser ladrão. Protestar é a própria essência do protestantismo; nisto está a sua razão de ser. No dia em que os protestantes deixassem de se reformar, de protestar, diz Sabatier, professor na faculdade protestante de Paris, no dia em que reconhecessem a autoridade exterior, como regra e prova de fé, nesse dia deixariam de ser protestantes, nesse momento se suicidariam.

É por isso que hoje, nos círculos adiantados da seita, que os protestantes que ainda estão com Lutero, não o compreendem.

Lutero conquistou-lhes o direito de protestar. Seus verdadeiros discípulos, os herdeiros genuínos do espírito de tal pai, serão os que usarem de igual direito para protestar contra ele, como eles protestam contra Roma. Os que vivem depois reivindicarão, com igual energia, a prerrogativa de protestar contra a geração presente. É assim e só assim que se pode conservar o protestantismo: protestando e protestando sempre.

O célebre Maistre tem uma frase profunda neste mesmo sentido: “O protestantismo, diz, ele, conserva apenas o mesmo nome, mudando continuamente sua fé, porque seu nome sendo meramente negativo e exprimindo apenas a renúncia ao catolicismo, menos ele acredita, mais ele protesta, e melhor protestante ele é” (Do Papa, I. IV, c. 5).

Para compreender o protestantismo é preciso ter diante dos olhos este princípio básico: que a sua essência é a negação, é o protesto, é a revolta contra Roma.

Divide-se o protestantismo em centenas, devia-se dizer milhares de seitas, em desacordo entre elas, combatendo-se mutuamente... nenhum ponto doutrinal lhes é comum, o único laço que os liga todos é o ódio à Igreja católica, e o protesto contra tudo o que esta Igreja ensina, de modo que toda a religião protestante consiste em fazer objeções contra a Igreja católica... Objeções!... sempre e só objeções, sem quererem escutar a resposta.

Um bispo protestante – pois, para melhor macaquear a Igreja verdadeira, certas seitas ainda têm bispos – o bispo de S. David definiu a sua religião: a abjuração do papismo.

Eis o que é um protestante, e eis a razão por que ele protesta. É a sua essência, a sua razão de ser... Protesta... deve protestar..., e no dia em que não protestar mais deixa de ser protestante para ser de novo católico.

Para dar a este protesto uma capa ou aparência de razão, o protestante vem com a bíblia, que o condena a cada passo, porém, ele não quer ver a condenação, quer protestar, e ei-lo a formular as objeções mais absurdas e mais extravagantes.

Pouco importa que a própria bíblia refute as suas objeções; ele não quer ver, e não vê, pela razão muito simples que não há pior cego que aquele que não quer ver.

Não protesta nem contra o espiritismo, nem contra o budismo, nem contra o positivismo, nem contra o bolchevismo... não; só protesta contra a Igreja católica, porque só ela possui a verdade, e esta verdade é o alvo do seu protesto e a mira das suas objeções.

Protestam pois contra a Igreja, contra a autoridade da Igreja, contra os seus dogmas, contra os sacramentos, contra o culto, contra tudo o que forma a doutrina básica da Igreja verdadeira.

A Igreja católica é a única baseada sobre São Pedro e seus sucessores. – Guerra pois ao papa e toda a autoridade!

A Igreja possui dogmas revelados, que formam a base do seu ensino. Guerra pois a estes dogmas!

A Igreja possui uma moral pura, santa, um sacerdócio virgem. Guerra pois ao celibato e tudo o que é puro!

A Igreja possui um culto majestoso, atraente, manifestação da sua fé e de seu amor. Guerra pois ao culto da Igreja!

A Igreja honra de um culto de superveneração a imaculada Mãe de Deus, e de um culto de veneração aos Santos. Guerra pois a Cristo, guerra à Virgem santa, guerra aos santos!

O protestantismo não possui santo nenhum!... a Igreja católica os conta por milhares... Então grita-se: “São ídolos... adoram as imagens... são idólatras!...”.

Pobres protestantes. Os ídolos são eles, estes ídolos dos quais o profeta dizia: Têm olhos e não enxergam, têm ouvidos e não ouvem; têm língua e não falam (Ez. 12, 2).

Eis por que o protestante protesta e contra quê ele protesta. É um ignorante pelo orgulho; é um revoltoso impelido pelo fanatismo, é um ateu envolvido na capa de uma bíblia... conservando só a capa, sendo ele mesmo o texto da bíblia, isso é, sua própria vontade, pela livre interpretação.

Oh! Eu sei, o povo ignorante em sua simplicidade nem pensa nisso; ele se deixa seduzir pelos mercenários gananciosos, pelos tais pastores, que vivem à custa da sua simplicidade. Os culpados são estes vendidos que, para ganharem dinheiro, vendem e perdem as almas dos outros, depois de terem vendido a própria alma.

Pobres protestantes iludidos, escutai este aviso do Espírito Santo, tirado de um dos livros da bíblia, que arrancaram vossos pastores por ser a condenação deles; do segundo livro dos Paralipômenos: Eis o que diz o Senhor Deus: Por que violais vós os preceitos do Senhor, o que vos não será de proveito, e por que abandonastes vós o Senhor, para ele também vos abandonar? (2 Par 24, 20).


Deixai de protestar e voltai à religião dos vossos pais, à religião de Jesus Cristo, ensinada pela Igreja católica. Ela é a única que possui dogmas imutáveis, e faz praticar uma moral santa e santificante, a única que possui um culto interior, exterior, digno de Deus e dos homens, a única, enfim, que foi fundada por Jesus Cristo, e atravessou os séculos, sempre a mesma, sempre idêntica, sempre divina, porque com ela está o Espírito de Deus. Eis que eu estarei convosco até ao fim dos séculos (Mt. 28, 20).

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes — O que é um protestante (Parte II)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes
por Pe. Júlio Maria

Livro de 1955 - 224 pag.
Editora VOZES
Petrópolis


Pe. Júlio Maria Lombaerde



CAPÍTULO I

O QUE É UM PROTESTANTE

A definição não é fácil, porque o protestantismo, pela sua divisão e sua adaptação a todos os erros, é uma heresia que muda de forma e de fundo, conforme a situação e os países onde se implanta. O sábio Webster define-o, dizendo que um protestante é um cristão que protesta contra as doutrinas e práticas da Igreja católica. Querendo definir a seita de Lutero, o grande dicionarista não encontrou uma definição doutrinal positiva; caracteriza-a por uma aversão comum. É que, como salientou o Pe. Leonel Franca, os descendentes de Lutero não são irmãos, são conjurados. A sua unidade é o acesso da unidade católica, é a unidade católica hostilizada.

A religião verdadeira é necessariamente uma coisa positiva, tendo dogma, moral e culto, determinados e positivos.

É a nota distintiva da Igreja católica o ter os seus dogmas positivos e divinos, o ter o seu culto majestoso e expressivo.

As outras seitas religiosas, embora falsas e de origem humana, possuem entretanto certo número de ensinamentos positivos que constituem um como fundamento dogmático; o protestantismo está muito abaixo de qualquer outra seita e não possui nada de positivo; é uma negação de tudo o que afirma a Igreja católica.

Quando a Igreja católica diz: sim! o protestantismo diz: não. – quando Ela diz: não, o protestantismo clama: sim; de modo que o protestantismo é a negação da doutrina católica.

O protestante, como bem diz o nome por que é conhecido, é um homem que protesta.

Não se deve mais dizer: é um cristão; porque há protestantes quem nem acreditam no batismo e não são batizados validamente, ficando simplesmente pagãos.

É um homem que protesta contra a Igreja católica, contra o ensino de Jesus Cristo, e, por cúmulo, protestam contra a palavra divina, servindo-se desta mesma palavra.

Não acredita mais em Deus; só acredita na bíblia que ele torce, interpreta, rasga, ou adora, conforme os seus caprichos.

Para ele, a bíblia não é mais um livro divino, cujo conteúdo é a expressão da palavra divina; é um ídolo, que ele consulta como os antigos agoureiros romanos consultavam o vôo dos pássaros para conhecer a vontade divina, ou os astrólogos consultavam os astros para conhecerem o destino. O nome mudou; a coisa ficou.

Em vez de consultarem as aves, como os romanos, ou os astros, como os gregos, o protestante consulta a Bíblia, dando ele mesmo, ao texto, o sentido de que precisa e que mais se adapta a seu capricho ou seu interesse.

Todo livro precisa de uma interpretação autêntica, feita por uma autoridade competente senão é uma letra morta, e a letra morta só pode dar a morte, enquanto o espírito da interpretação autêntica dá vida.

É o que clara e energicamente exprime São Paulo: “A letra mata e o espírito vivifica" (2 Cor. 3,6). E ainda: Para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra (Rm. 7,9). Os judeus estavam na velhice da letra; Cristo trouxe a novidade de espírito e os protestantes rejeitam este espírito.

Como tal os protestantes não tem dogma, tornando-se destarte em vez de cristãos verdadeiros judeus.

Porque o dogma exige uma verdade contida na sagrada escritura, e declarada autêntica pela autoridade competente.

O protestante tem a bíblia (embora falsificada e truncada), porém não possui nenhuma autoridade superior, idônea para declarar uma palavra ter tal sentido, e exprimir tal verdade. Não tem moral fixa, estável, porque basta crer e fazer o que quiserem, como diz Lutero, o que exclui toda moral. Não tem culto público, porque o culto é a expressão da crença e sendo a crença individual, o culto igualmente deve ser individual.

Eis o protestante isolado, separado de tudo, sem dogma, sem moral, sem culto, sem autoridade, sem regra de fé firme. Nada de positivo nele... tudo é negativo: é um protestante: isto é, um revoltoso, um crítico, um censor, um zombeteiro, que procura destruir sem nada edificar... que procura arrancar a fé católica, para substituí-la pela revolta, pela negação, pelo nada.

E como o protestantismo fica em pé? Tem um duplo apoio: a ignorância e a revolta. Nos pastores tem outro apoio: o interesse, a ganância, o lucro.

Cada pastor é um aventureiro, um verdadeiro explorador, que procura viver e enriquecer-se à custa dos ignorantes.

Ele mesmo não acredita naquilo que ensina, porém é um meio lucrativo de cavar a vida, de garantir o futuro e deixar um pecúlio aos filhos.

Os protestantes dividem-se em duas categorias:

1.º - Os ignorantes, iludidos e enganados pelos finórios que se intitulam pastores.

2.º - Os pastores, enganadores, por interesse, verdadeiros mercenários que enganam para ganhar a vida.

Os primeiros são vítimas, dignos de compaixão. Os segundos são uns tratantes sem consciência que, para ganharem a vida, perdem as almas dos incautos.

Dos primeiros, Deus terá talvez misericórdia; para os segundos só pode ter anátemas, como os que dirigiu aos fariseus de seu tempo: Ai de vós, hipócritas, que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito... e depois... o fazeis filho do inferno, duas vezes mais do que vós (Mt. 12,15).

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes — Carta, Prolóquio & Introdução (Parte I)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes
por Pe. Júlio Maria

Livro de 1955 - 224 pag.
Editora VOZES
Petrópolis


Pe. Júlio Maria Lombaerde



CARTA

do Exmo. Sr. D. Cartolo Távora ao autor


Meu caro Padre Júlio Maria. Em resposta à carta de S. Revma., pedindo-me o Imprimatur de seu novo livro: "Respostas irrefutáveis às objeções protestantes", mando-lhe, com a licença pedida, meus sinceros para­béns pela feliz idéia de reunir em volume uma série de polêmicas já publicadas em O Lutador. Estas res­postas têm sido muito apreciadas pelos católicos e pe­los protestantes, e conheço de perto o bem que elas têm feito, e as conversões que tem operado. Estas res­postas são, de fato, irrefutáveis, porque são todas ti­radas da sagrada escritura; e negá-las seria negar a pró­pria Bíblia. O fundo de sua argumentação é doutrinal, substancial, como a forma é alerta, e de uma sinceridade comunicativa. Tenho a certeza que as suas polêmicas continuarão a fazer o bem às almas: aos católicos, dan­do-lhes armas sólidas para combaterem a impiedade e o erro; aos protestantes, mostrando-lhes o sentido exato da Bíblia, os erros da interpretação individual e a segurança da interpretação eclesiástica. Peço ao bom Deus abençoar o seu zelo de apóstolo do bem e da verdade.

Sou com toda estima de V. Revma. humilde servo,
† Carloto, bispo de Caratinga.




PROLÓQUIO

da terceira edição


As duas primeiras edições deste livro esgotaram-se rapidamente, apesar do número avultado dos exemplares de cada edição.

É sinal de que o livro responde a uma exigência da época e da disposição dos espíritos.

Os protestantes, de todos os lados, fazem uma propa­ganda frenética de seus erros, procurando arrastar pu­ra o mal e a perdição os católicos fiéis; é, pois, neces­sário opor-lhes uma refutação clara, simples, doutrinal e popular de suas objeções, mil vezes pulverizadas, mas sempre novas para eles, porque são o fruto da igno­rância e do fanatismo.

Não quis fazer mudanças nesta terceira edição, para não aumentar o volume, e evitar repetição de doutrinas já expostas em outros volumes.

Peço a Deus servir-se deste livro para orientar os católicos, firmá-los em sua fé, e dar-lhes uma resposta positiva e clara, para responder aos que ataquem a sua religião, a única verdadeira.

O presente livro tem sido um instrumento eficaz para a conversão de muitos, já caídos nas garras do erro protestante, e a confirmação de muitos vacilantes em suas convicções religiosas.

Possa ele continuar este mesmo apostolado.

Pe. Júlio Maria.



INTRODUÇÃO NECESSÁRIA

Durante as festas marianas de 1928, os protestantes distribuíram um desafio, exigindo (note-se bem: não pedindo), um texto da bíblia que provasse diversas ver­dades professadas pelos católicos e negadas por eles.

Respondi de chofre; porém, dispondo apenas das co­lunas de um pequeno semanário, foi-me impossível publicar todas as respostas; e as que foram publicadas, em consequência do pouco espaço, foram de tal modo cortadas que, muitas vezes, perderam a força de uma argumentação cerrada e irrefutável.

Eia a razão por que resolvi enfeixar em volume as tais respostas, que não receio intitular de irrefutáveis, pa­ra quem procura sinceramente a luz e a verdade.

Há outra, razão ainda. Uma das tais respostas foi combatida pelos pastores protestantes, como é natural.

Todas as objeções ou protestos aduzidos em nada abalaram as verdades expostas, porque são irrefutáveis, apoiadas sobre a Bíblia, a Ciência e o Bom-senso; porém tais objeções permitiram-me completar a argumentação e, deste modo, dar novas respostas às dificulda­des que os protestantes costumam levantar.

Assim completadas, as respostas constituem uma exposição clara e doutrinal das grandes verdades e dos principais dogmas do catolicismo, e uma refutação com­pleta dos erros protestantes.

É uma polemica documentada, uma argumentação segura, mostrando e comparando o erro e a verdade — para que do contraste saia a luz, que permite distin­guir aqueles que, ponentes tenebras lucem, et lucem tenebras (Is 5, 20), “fazem da escuridão luz, e da luz escuridão”, como fazem os pobres protestantes, unicamente com o intuito de contradizer a Igreja Católica.

Possam estas respostas fazer conhecer e amar a re­ligião verdadeira, a única religião divina, que é a de Jesus Cristo, perpetuada e representada no mundo pela Igreja Católica, apostólica, romana.

Possam estas respostas trazer ainda um pouco de luz aos pobres protestantes, nossos irmãos separados da ver­dade, enganados e seduzidos por mercenários e explora­dores que se chamam pastores, mas que, na palavra de Cristo, são lobos devoradores vestidos como ovelhas (Mt 7, 15).

Possam eles, à luz da verdade, distinguir as calúnias e o fanatismo, com que tais pastores procuram inspi­rar-lhes ódio à Igreja verdadeira, afastando-os, deste modo, do caminho único da salvação.

São bem eles que tinha em vista o divino Mestre quando disse: Ai de vós, fariseus hipócritas, que fe­chais o céu aos homens, porque nem vós entrais, nem deixais entrar os outros que querem entrar (Mt 13, 13).

Pode haver, sem dúvida, protestantes sinceros, convencidos, pela ignorância em que vivem, dos princípios da religião, como pelas calúnias e acusações através das quais apreciam a Igreja Católica.

São ignorantes; e a ignorância é a mãe de todos os erros. Mas, se é perdoável a ignorância num homem do povo, sem instrução, ela é inescusável em homens que pretendem ser os guias dos seus irmãos, os pas­tores do rebanho; neles a ignorância é um crime, uma perfídia.

Se, pelo menos, estudassem e examinassem a histó­ria, os fatos e as escrituras, para neles enxergarem o que brilha com tamanho fulgor: a verdade única anun­ciada e figurada no antigo testamento, exposta e pro­vada pelos evangelhos e pelas epístolas... Mas não; limitam-se em resumir toda a sua crença em duas dú­zias de objeções ridículas e mil vezes pulverizadas, con­tra a Igreja Católica, copiando dos outros uma lenga-lenga bolorenta de calúnias, e não se dando ao traba­lho de examinar o valor, o fundado, a falsidade ou ri­dículo destas mentiras.

Atacar a crença dos outros não é provar a autenticidade da sua própria crença.

Por que os tais pastores, em vez de formularem objeções, não provam a legitimidade do protestantismo?

Em vez de atacarem a doutrina católica, que é a do Evangelho, por que eles não demonstram e provam que o protestantismo é a religião verdadeira, — que Lutero fora enviado por Deus para reformar a religião — que a bíblia é o Deus do mundo, que cada um pode interpretar como entender — que tais pastores são ministros legítimos do Cristo — que as mil seitas protestantes são todas religiões verdadeiras, etc.?

Eis os fatos que eles deviam estabelecer, sobre a bíblia.

Nas seguintes teses, não somente responderei às objeções atiradas aos católicos, mas estabelecerei a verdadeiras, para que, pelo confronto, brilhe a plena luz inteira, a luz verdadeira, que deve iluminar todo homem que vem e vive neste mundo (Jo 1, 9).

Tenham os protestantes sinceros a coragem de ler estas respostas e eles serão obrigados a tirar uma conclusão que eu deixo ao alvitre deles, porque será ditada pela sua consciência.

Quanto aos católicos, eles encontrarão nestas discussões a exposição sucinta e clara da sua fé, ao mesmo tempo uma arma para refutar as calúnias que lhes são atiradas e responder às objeções que costumam formular os inimigos da nossa santa religião.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...