domingo, 2 de março de 2014

O teólogo favorito de João Paulo II - URS VON BALTHASAR, O PAI DA APOSTASIA ECUMÊNICA



O que é, então, o ecumenismo para von Balthasar? É a "integração no todo da Católica"52, a qual "Católica" não existe ainda e no momento é "somente uma promessa, uma esperança escatológica".

Em conclusão, é importante assinalar que von Balthasar, como também Blondel e De Lubac, cultivou "sua" teologia com evidente desprezo pelo Magistério da Igreja e especialmente por São Pio X, que, na encíclica Pascendi (1907), condenou o ecumenismo, em que desemboca inevitavelmente o naturalismo dos modernistas; e por Pio XII, que em Humani Generis condena tanto as tentativas de conciliar o idealismo, e portanto Hegel, com a teologia católica como o ecumenismo, em que todos se teriam, "sim, unidos, mas em ruína geral". Em 1946, escrevia o Pe. Garrigou-Lagrange: "Para onde vai a nova teologia com os novos mestres em que se inspira? Para onde senão o caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia?" E os novos "mestres" eram Hegel e Blondel, que Fessard (da "turma" de De Lubac) chamava, não sem razão, "nosso Hegel"59. Hoje, no domínio ecumênico, mais do que na fantasia, estamos no delírio. Num dos documentos "ecumênicos" dos mais escandalosos: "Indicações Úteis para Apresentar Corretamente o Judaísmo", da Comissão para Relações com o Judaísmo, presidida pelo cardeal Willebrands60, pode-se ler que os católicos e os judeus, "ainda que partindo de pontos de vista diferentes [ler:opostos], tendem para fins análogos [sic], a vinda ou o retorno [é a mesma coisa!] do Messias". É textualmente o pensamento de von Balthasar, que, como Hegel, encontra o modo de conciliar todos os opostos, fazendo violência à realidade dos fatos:

"Pedro, o renegado, abandona o julgamento do Senhor e se solidariza [sic] com os judeus [que crucificaram Cristo] [...]; juntamente com vós, judeus, também nós, cristãos, esperamos a (re)vinda [sic] do Messias."61

O que é, então, o ecumenismo para von Balthasar? É a "integração no todo da Católica"52, a qual "Católica" não existe ainda e no momento é "somente uma promessa, uma esperança escatológica". Eis como Schönborn explica "a importância ecumênica" da "figura" de Maria em von Balthasar: "em Maria a Igreja aparece como a Igreja santa e imaculada, em quem a plena figura da Igreja, sua 'catolicidade', é não somente promessa, esperança escatológica, mas antes plenitude já realizada".Então, contrariamente à Fé constante e infalível da Igreja, repetida por Pio XI em Mortalium Animos, e contrariamente ao dogma que todo e qualquer católico tem o dever de professar (Credo Ecclesiam unam, sanctam, catholicam), a catolicidade da Igreja não é uma realidade, realizada há dois mil anos, mas uma realidade que ainda está por se realizar, uma simples "promessa, uma esperança escatológica". E o que é, então, a atual Igreja Católica para von Balthasar? Um "sistema" entre outros, uma das numerosas "configurações eclesiais", teses ou antíteses (consoante ela recusa ou é recusada), que será ultrapassada e aniquilada na "Católica", como as seitas, as religiões pagãs e idólatras e os diversos "marxismos".

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O teólogo favorito de João Paulo II - URS VON BALTHASAR, O PAI DA APOSTASIA ECUMÊNICA



Depois do Concílio - Missa na Alemanha
Depois do Concílio - Missa no Brasil 

Chegou a vez de outro representante da "nova teologia", hoje exaltado como "pedra angular da Igreja" (J. Meinvielle), o ex-jesuítasuícoUrs von Balthasar. Se Maurice Blondel encarna o tipo do filósofo modernista e apologeta, se Henri de Lubac é o tipo do teólogo modernista, UrsvonBalthasar encarna o aspecto pseudomístico e ecumenista do modernismo.

Temos em mãos a obra Urs von Balthasar ? Figura e Opera1, de Karl Lehmann e Walter Kasper, personalidades da "nova teologia". Lemos na orelha do livro: "escrito por seus amigos e discípulos [Henrici, Haas, Lustiger, Roten, Greiner, Treitler, Löaser, Antonio Sicari, Ildefonso Murillo, Dumont, O´Donnel, Guido Sommavilla, Rino Fisichella, Max Shönborn... e Ratzinger], pretende fazer redescobrir toda a importância e o valor de sua obra e de sua pessoa". Descubramo-lo também nós; é de extrema importância.

"Brilhante,  mas Vazio"

Von Balthasar foi apaixonado, desde a juventude, pela música e, como Montini, pela literatura, mais do que pelos estudos filosóficos e teológicos2. Somente a filosofia "mística" de Plotino teve o poder de fasciná-lo. Ao contrário, a filosofia e a teologia escolástica suscitaram seu horror:

"Todos os meus estudos durante os anos de formação na Ordem dos Jesuítas foram uma luta enfurecida com a desolação da teologia, com o que os homens tinham feito da glória da Revelação; não podia suportar essa figura da palavra de Deus, queria aplicar golpes à direita e à esquerda com a fúria de um Sansão, queria, com sua força, derrubar o templo e nele me enterrar. mas isso era, agora que a missão começava, querer impor meus planos, era viver com minha indignação infinita porque as coisas ficavam assim. Tudo isto eu não dizia praticamente a ninguém. Przywara compreendia tudo, mesmo sem palavras; dos demais ninguém me poderia compreender. Escrevi o "Apocalypse" com essa fúria que se propunha destruir o mundo pela violência e reconstruí-lo a partir das fundações, custasse o que custasse"3

A "missão" do futuro demolidor se esboçava. Pelo momento, o resultado foi que seus estudos na Companhia de Jesus terminaram pela "dupla licença eclesiástica em filosofia e teologia; Balthasar nunca obteve doutorado nessas matérias"4.

Em compensação, porém, o jovem von Balthasar aprendera a correr atrás dos sistemas e tendências agitadas do pensamento moderno, encorajado pelos "grandes animadores da época de seus estudos"5. Erich Przywara, da Universidade de Pullach-Munique, que o forçou a "confrontar Agostinho e Tomás com Hegel, Scheler e Heidegger"6, e Henri de Lubac, da Maison d´études de Lyon Fourvières. "Por sorte e para minha consolação", escreve vonBalthasar, "Henri de Lubac morava na casa conosco. Foi ele que, além do material de estudo escolástico, nos levou aos Padres da Igreja e com magnanimidade nos emprestava a nós todos [Balthasar, Daniélou e Bouillard] seus próprios estudos e notas."7 Foi assim que von Balthasar, "durante as aulas, com os ouvidos tapados com algodão, leu todo [Santo] Agostinho" e aprendeu, pelas notas generosamente emprestadas por De Lubac, a opor, com afetação, a patrística à escolástica, cuja linguagem rigorosa não permitia os jogos interpretativos com textos dos Padres da Igreja a que se entregavam os "novos teólogos"8. Ao mesmo tempo, vonBalthasar conhecia a poesia francesa: Péguy, Bernanos, Claudel, na tradução dos quais ele trabalhará durante vinte e cinco anos.

No fim de seus estudos, aquele que, segundo De Lubac, seria "o homem mais dotado de nosso século" (outro sistema dos modernistas consiste em criar, uns para os outros, um halo de grandeza inexistente9), leva consigo somente uma poeira, tão vasta quanto superficial, nos domínios que testemunham um verdadeiro diletantismo. O Pe. Labourdette O.P., numa tirada significativa, definiu um dos primeiros artigos de vonBalthasar como "uma página brilhante, mas vazia"10.

Com esse "defeito de origem", von Balthasar estava pronto para engrossar o número dos eclesiásticos modernistas, "que, sob as aparências de amor à Igreja, absolutamente deficientes em filosofia e teologia sérias, impregnados, ao contrário, até os miolos, de um veneno de erro recebido dos adversários da fé católica, se colocam, sem nenhuma modéstia, como renovadores da Igreja"[ 11.

Privado de sólida formação filosófica e teológica, admirador apaixonado da poesia e da música, von Balthasar misturará, com inacreditável superficialidade, a teologia e a literatura, acreditando poder criar uma teologia "dele" com a mesma imaginação com que um artista cria sua obra de arte.

"Somente mais tarde", escreve ele, "quando o brilho da vocação já me acompanhava havia vários anos e quando eu tinha terminado meus estudos filosóficos em Pullach (acompanhado de longe por Erich Przywara) e os quatro anos de teologia em Lyon (inspirados por Henri de Lubac) com meus condiscípulos Daniélou, Varillon, Bouillard e muitos outros, compreendi como seria de grande ajuda para a concepção de minha teologia o conhecimento de Goethe, Hölderin, Nietzsche, Hofmannsthal e, sobretudo, dos Padres da Igreja, para os quais me dirigiu De Lubac. O postulado fundamental de minha obra Gloria foi a capacidade de ver uma 'Gestalt' [forma complexa] na sua coerente totalidade: a visão goethiana devia ser aplicada ao fenômeno de Jesus (sic) e à convergência das teologias neotestamentárias"12

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

QUAL A DIFERENÇA ENTRE FÉ E SENTIMENTO RELIGIOSO?



A natureza não pode elevar-se sozinha; o sentimento religioso puramente natural não pode, de modo algum, levar o homem a Deus nem tirá-lo do pecado.

Esse sentimento nada vê; nada quer, nada pode contra o pecado. O sentimento religioso quando permanece em estado natural, é indiferente em matéria de religião. O sentimento religioso se acomoda a tudo, se arranja com tudo, se presta a tudo e não se entrega a nada.

- A Fé esclarece o espírito e o despoja do erro; levanta o homem caído, recoloca-o no caminho de Deus: a Fé põe as bases da obra da salvação, encaminha o homem para o bem.

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QUAL A DIFERENÇA ENTRE FÉ E SENTIMENTO RELIGIOSO?





A senhora leu com atenção minha carta anterior e pede-me para que eu a ajude a compreender bem a diferença que há entre Fé e sentimento religioso. A tarefa será fácil, desejo que meu trabalho lhe seja útil.

Lembre-se das breves palavras do Pe. Lacordaire: A Fé é a Fé.

O sentimento é assim o respeito que temos, como criaturas, por nosso Pai que está no Céu e que, unicamente porque a nós criou, olha-nos como filhos, dá-nos o pão de cada dia, a luz de seu sol, os frutos da terra, a vida, a saúde, e mil outros bens igualmente da ordem natural.

O sentimento religioso, sendo natural ao homem, encontra-se em todos os homens fiéis ou infiéis; pois todos têm esse fundo comum de respeito a Deus, que algumas vezes se traduz por um ato religioso fundado sobre a verdade, como entre os cristãos; outras vezes por um ato religioso manchado de erros como entre os infiéis, os idólatras, etc..

Entre os povos, há alguns cujo sentimento religioso é naturalmente muito profundo, por exemplo, os árabes.

Um árabe não faltará à prece da manhã, à do meio dia e à da noite. Ao escutar o muezzin gritar do alto do minarete a fórmula sagrada: La Allah, etc., imediatamente ele se põe a rezar, esteja na companhia de quem quer que seja, no lugar que for, no meio de uma praça ou no trabalho; quando chega a hora, ele reza. Por este mesmo sentimento religioso, o árabe relaciona tudo à vontade de Deus; os acidentes da vida, a saúde, a doença, mesmo a morte, ele relaciona com Deus e em todas as circunstâncias ele repete: Deus é grande!

Eis o sentimento religioso em todo seu poder.

Mas lembre-se que nossa natureza decaiu com Adão, e uma natureza decaída só pode ter um sofrimento religioso também abatido pela decadência. A natureza não pode elevar-se sozinha; o sentimento religioso puramente natural não pode, de modo algum, levar o homem a Deus nem tirá-lo do pecado.

Com toda a religiosidade natural, este mesmo árabe conservará todos os vícios que, infelizmente, são-lhe também naturais: ele será vaidoso, mentiroso, ladrão; praticará, por exemplo, a hospitalidade, mas sabendo por onde seu hóspede vai passar, mandará alguém para assaltá-lo, ou irá ele mesmo fazer ao longe o que não faria estando em sua tenda. Por este traço característico a senhora poderá reconhecer o sentimento natural; este sentimento nada vê; nada quer, nada pode contra o pecado. O sentimento religioso quando permanece em estado natural, é indiferente em matéria de religião. O sentimento religioso se acomoda a tudo, se arranja com tudo, se presta a tudo e não se entrega a nada. Perdão, pode até entregar-se à maçonaria, ao menos quando os maçons reconhecem o Grande Arquiteto, como dizem.

Tendo mostrado o primeiro quadro, chego ao segundo.

- A Fé não é um sentimento, a Fé não é da ordem natural.

- A Fé é um assentimento de nosso espírito à verdade revelada por Deus. É um bem que não deriva de nossa natureza, mas lhe é dado para curá-la.

- A Fé é essencialmente purificante. Fidepurificans corda – Purificando, pela Fé, os corações(At. 15,9).

- A Fé esclarece o espírito e o despoja do erro; levanta o homem caído, recoloca-o no caminho de Deus: a Fé põe as bases da obra da salvação, encaminha o homem para o bem.

- A Fé é essencialmente fortificante. Confortusfide, diz São Paulo (Rom. 4,20). E ainda, Fidestas:se estás em pé, é pela Fé (id. 11,20).

- A Fé é vivificante: o justo vive da Fé, diz São Paulo (Gal. 3,11)

- Se o sentimento religioso nos deixa frios em relação a Nosso senhor Jesus Cristo, já não é assim com a Fé; pela Fé, Nosso Senhor Jesus Cristo se torna presente, vivo em nossos corações: Christumhabitare per fidem in cordibusvestris – Cristo habite pela Fé em vossos corações. (Ef. 3,17).

- A Fé é o princípio de um mundo novo, regenerado em Jesus Cristo Nosso Senhor; a Fé é a luz que anuncia os esplendores da eternidade onde veremos Deus; a Fé é a mãe da santa Esperança e da divina Caridade.

- A Fé é, sobre a terra, a fonte pura de todas as verdadeiras consolações. É ainda São Paulo quem nos diz: Simulconsolari per eamquaeinvicem est, fidemvestramatquemeam - Consolemo-nos juntos na Fé que nos é comum, a vós e a mim (Rom. 1,12).

Quando se fala da Fé, São Paulo é um mestre incomparável. Dele é que tomo uma última palavra para terminar esta carta: Salutaeosqui nos amant in fide - Saudai os que nos amam na Fé.

Digamos juntos: Credo.


Cartas sobre a Fé Pe. Emmanuel-André.


Papa São Pio X - Profeta da Grande Guerra



Cem anos atrás, il Guerrone - São Pio X prevê, meses antes, a eclosão da Primeira Guerra Mundial


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Para colocar de uma forma simples: a I Guerra Mundial começou quando Yanushkyevitch, com a ajuda do ministro russo da Guerra, Sukhomlinov, transformou o conflito armado austro-sérvio em uma guerra mundial preparando, portanto, para a vinda do comunismo e da "propagação dos erros da Rússia" em todo o mundo.

É isso, talvez, este pensamento que São Pio X tinha em mente quando, em 28 de julho de 1914, o embaixador austríaco apareceu diante de Pio X para informá-lo que o Império tinha formalmente declarado guerra contra o Reino da Sérvia. Durante esta reunião, o embaixador pediu ao Papa para abençoar as armas do exército imperial e real da Áustria e Hungria. A isso Pio X respondeu: "Diga ao Imperador que eu não posso abençoar nem a guerra, nem aqueles que desejaram a guerra. Eu abençôo a paz". Quando o embaixador então seguiu com um pedido de bênção pessoal para o imperador, Franz Josef, o Papa afirmou: "Eu só posso rezar para que Deus possa perdoá-lo. O Imperador deve considerar-se sortudo por não receber a maldição do Vigário de Cristo!".

Qual teria sido o resultado de uma bênção papal ou de uma maldição papal nunca se saberá. O que está claro, porém, é que o Papa São Pio X percebeu o que imperador Franz Josef e a maioria dos generais europeus parecem ter se esquecido, pela declaração de guerra contra a Sérvia, o monarca Habsburgo havia soltado os cachorros de uma luta longa e assassina que iria nivelar tudo o que sua dinastia tinha construído ao longo de cerca de 700 anos.



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Papa São Pio X - Profeta da Grande Guerra


Por Dr. Peter E. Chojnowski
Traduzido por Andrea Patrícia



O Papa São Pio X, Giuseppe Melchior Sarto, parou diante da gruta de Lourdes, durante seu passeio nos jardins do Vaticano, na primavera do ano de 1914. Virou-se para Dom Bressan, seu confessor, e disse: "Eu estou pesaroso pelo próximo Papa. Eu não vou viver para ver isso, mas, infelizmente, é verdade que a religio depopulata está chegando muito em breve. Religio depopulata". O termo "religião despovoada", refere-se a profecia vinda do irlandês São Malaquias, e deveria ser aplicada ao reinado do sucessor no trono de São Pedro do próprio Pio X. Que São Pio X poderia prever o despovoamento da Europa, especialmente na medida em que essa tragédia iria afetar a Igreja Católica é realmente uma das características mais marcantes da relação entre este papa e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Muitos geo-políticos e estrategistas observadores de alto nível poderiam claramente vislumbrar algum tipo de briga entre duas ou mais das seis grandes potências da Europa (ou seja, Rússia, Grã-Bretanha, França, Áustria-Hungria, Itália e Alemanha), ninguém previu a queda da civilização cristã tradicional, exceto o Papa São Pio X. Mesmo seu próprio secretário de Estado e confidente íntimo, o anglo-espanhol Cardeal Merry del Val, ficava perdido ao tentar explicar a insistência do Papa de que o que ele previu não era guerra justa e sangue, mas a perda da Casa Comum Europeia; uma perda que explicita as dores para a Igreja Católica e a miséria e perda para a preponderância da humanidade.

Uma situação muito semelhante, envolvendo uma visão do Papa em um acontecimento geopolítico futuro, ocorreu durante sua audiência com a futura imperatriz austríaca Zita, no verão de 1911. A Princesa Zita da casa real franco-italiana de Bourbon-Parma acabara de se tornar noiva do futuro herdeiro do trono imperial austríaco, o arquiduque Charles. Charles, em 1911, era o segundo na linha sucessória do trono de seu tio-avô Franz Josef que reinou sobre o Império multi-nacional da Áustria desde 1848. O Papa, que, juntamente com o Cardeal Merry del Val foi um grande defensor da tradição européia dos Habsburgos, parabenizou a princesa por suas próximas núpcias. No final de uma conversa que começou com: "Eu estou muito feliz com esse casamento e eu espero muito dele para o futuro... Charles é um dom do Céu pelo que a Áustria fez para a Igreja", o Papa parecia vagar seu pensamento quando ele se referiu ao futuro marido de Zita como o herdeiro do trono. Quando a jovem princesa apontou gentilmente que seu futuro marido não era o herdeiro direto do trono, vindo primeiro seu tio, o predestinado Franz Ferdinand, São Pio X olhou sério e insistiu que Charles em breve seria imperador. Quando ela garantiu que Franz Ferdinand certamente não abdicaria dado o fato de que ele estava no auge da vida, o Papa parecia perturbado e ponderadamente disse em voz baixa: "Se é uma abdicação... Eu não sei".

Que o Papa São Pio X deve ter tido pressentimentos precisos sobre os dois grandes acontecimentos do ano de 1914, anos antes que esses eventos realmente de fato tenham ocorrido, é simplesmente fantástico e uma manifestação de sua intimidade com o Divino e sua preocupação paterna com as vidas diárias dos fiéis Europeus. O que essas ideias também revelam é o claro reconhecimento do Papa do fato primário europeu de seu tempo, que Áustria Habsburgo era a pedra angular da Europa. Para mover o edifício, era preciso cavar e remover a pedra. A Primeira Guerra Mundial ou a Grande Guerra foi simplesmente a erradicação desta pedra. Foi uma guerra em que o coração político da cristandade católica foi destruído, aparentemente para sempre.

Éssa é a nossa tese, que a Áustria foi a razão para a Grande Guerra e que o resultado mais tangível do conflito foi o desmembramento do Império. Além disso, em artigos posteriores sobre os papas e a sua relação com o Grande Conflito, vou tentar mostrar como o destino da Áustria tem muito a ver com sua ligação com o Papado e como, nos anos mais críticos de 1917-1918, a política da Áustria estava em pleno acordo com os objectivos do Papa Bento XV. Que o fracasso da Áustria-Hungria marcou a exclusão da voz dos papas dos conselhos da Europa moderna, simplesmente confirma o fato de que, historicamente falando, o prestígio e a influência do altar e do trono têm aumentado e diminuído em conjunto.




A) Europa Pré-1914: A Torre Orgulhosa

Quando olhamos para a Europa de 1914, somos forçados a admitir um fato incontestável: funcionava. Com isso, quero dizer que existia uma sociedade, sustentada pelas mesmas instituições que tinham-na amparado por mais de um milênio (por exemplo, a aldeia rural, a Igreja, as dinastias reais, as aristocracias transnacionais). Esta sociedade estava confiante em si mesma, testemunhando a colonização européia do mundo este ano. Suas taxas de natalidade eram muito altas; seus reis eram venerados e, mesmo, amados. A indústria, mesmo na Rússia agrária, foi se expandindo a uma taxa desconhecida na anterior história da humanidade.


Por que, em um mundo em que as luzes estavam finalmente brilhando, elas tão de repente se apagaram? Estou, é claro, referindo-me aqui a famosa declaração de Sir Edward Grey, secretário britânico das Relações Exteriores em 1914 e, ironicamente, um dos homens mais responsáveis ​​pelo início do conflito sangrento, no qual ele comentou sobre as luzes de Whitehall gradualmente sendo extintas à noite, em agosto de 1914, quando o Império Britânico e o Império Alemão foram à guerra. "As luzes estão se apagando por toda a Europa; não vamos vê-las acesas novamente em nossa vida".

Como pode ser que as luzes da "Torre Orgulhosa", como Barbara Tuchman nomeou seu livro sobre a Europa pré-guerra, tenham ido embora? Como é possível que uma civilização que estava melhor alimentada, alojada melhor que qualquer outra no passado, uma de alfabetização quase universal --- foi afirmado por alguns historiadores contemporâneos que há mais analfabetismo na Inglaterra hoje do que em 1914 - uma civilização em que as normas da cultura e do debate parlamentar eram tão altas que, na década de 1890, em Berlim, havia até um mercado negro de ingressos para as galerias públicas do Parlamento alemão, caiu no esquecimento devido ao auto-abate?

Aqui, pode-se dar fatos históricos e opiniões sobre bastidores da diplomacia, os níveis de tropas, o estado das estradas de ferro, e postura geopolítica, no entanto, estas coisas somente eram apenas manifestações de uma desorientação mais fundamental na vida européia, aquela que São Pio X identificou em sua encíclica inaugural E Supremi Apostolatus em 4 de outubro de 1903. Aqui, o Papa, falando de sua própria época, diz: "como se poderia esperar encontramos extinto entre a maioria dos homens todo o respeito ao Deus Eterno, e nenhuma consideração prestada nas manifestações da vida pública e privada à Suprema Vontade."

É isso, talvez, este pensamento que São Pio X tinha em mente quando, em 28 de julho de 1914, o embaixador austríaco apareceu diante de Pio X para informá-lo que o Império tinha formalmente declarado guerra contra o Reino da Sérvia. Durante esta reunião, o embaixador pediu ao Papa para abençoar as armas do exército imperial e real da Áustria e Hungria. A isso Pio X respondeu: "Diga ao Imperador que eu não posso abençoar nem a guerra, nem aqueles que desejaram a guerra. Eu abençôo a paz". Quando o embaixador então seguiu com um pedido de bênção pessoal para o imperador, Franz Josef, o Papa afirmou: "Eu só posso rezar para que Deus possa perdoá-lo. O Imperador deve considerar-se sortudo por não receber a maldição do Vigário de Cristo!".

Qual teria sido o resultado de uma bênção papal ou de uma maldição papal nunca se saberá. O que está claro, porém, é que o Papa São Pio X percebeu o que imperador Franz Josef e a maioria dos generais europeus parecem ter se esquecido, pela declaração de guerra contra a Sérvia, o monarca Habsburgo havia soltado os cachorros de uma luta longa e assassina que iria nivelar tudo o que sua dinastia tinha construído ao longo de cerca de 700 anos.

Qual era exatamente a situação europeia, que deu a São Pio X tal preocupação em 1914? Como a "guerra de curta duração" que todos planejaram, tornar-se-ia a Grande Guerra, que pouquíssimos, exceto o Papa, previram? Para entender a situação europeia, de um modo geral, tal como existia em 1914, deve-se focalizar a atenção sobre duas outras datas, a da Revolução Francesa de 1789 e a da derrota de Napoleão e da restauração do sistema monárquico em 1815. A Revolução Francesa, um ressurgimento de entusiasmo por duas formas antigas de governo, o da república e o da democracia, havia aterrorizado a grande massa de europeus - e americanos - por sua violência, sua estúpida derrubada de antigas instituições, e sua impiedade anticlerical e hostilidade a tudo o que era cristão. Esta aberração política guiada pela inveja teria sido sufocada em 1795, por uma multidão monarquista em Paris, que estava reagindo à guerra, à fome incessante, e ao anticatolicismo da regicida Primeira República, se um corso jovem de origem italiana, Napoleão Bonaparte, não tivesse usado uma metralha sobre a multidão em busca de justiça. Esta intervenção salvou a República, a herança da Revolução, e criou as condições necessárias para espalhar esse fervor Revolucionário em toda a Europa.

Foi exatamente isso que aconteceu quando Napoleão Bonaparte institucionalizou a Revolução no Primeiro Império. Fazendo a si mesmo Jacobino coroado, Napoleão tentou trazer a revolta maçônica para toda a Europa, de Lisboa a Moscou. Ele não conseguiu, após uma geração de guerra devido à vitória do Almirante Nelson na Batalha de Trafalgar e da sua derrota para o Duque de Wellington na Batalha de Waterloo em 1815. Após o Congresso de Viena, as potências europeias da Rússia, Prússia (que viria a se tornar líder do Segundo Reich alemão), Áustria, Grã-Bretanha, e a França monarquicamente reabilitada, estabeleceram-se em uma um tanto tensa e relativamente estável ordem política de impérios multi-nacionais unidos pela lealdade a um monarca e pelo desejo comum de evitar outro surto da barbárie que foi experimentado durante a Revolução Francesa. Por, aproximadamente, 100 anos este sistema foi a Ordem Europeia, apesar de sentimentos democráticos e revoltas, do republicanismo francês e seitas maçônicas sempre agindo como células cancerosas prontas para matar o corpo dessa Ordem.

Foi em participação especial que a Grande Ordem Europeia se viu entrar na incerteza do século XX. Este Sistema firmemente interligado tinha uma especial preocupação e ponto de instabilidade: o Império Otomano, a Turquia, o "Homem Doente da Europa". Os turcos Osmanli, uma tribo turco-tártara islâmica fora da Ásia Central, no início do Renascimento começaram a empurrar os gregos bizantinos para fora da Ásia Menor e, finalmente, cruzaram pela Europa, onde subjugaram os búlgaros, sérvios, gregos e bósnios. O ponto alto do avanço islâmico turco foi em 1683 às portas de Viena, onde o rei polonês Jan Sobieski os parou. A partir de então houve uma retirada lenta e agonizante em toda a Península Balcânica, até o século XIX, quando os otomanos perderam a soberania sobre a Sérvia, Grécia e Romênia. Durante a Guerra dos Bálcãs de 1912-1913, as propriedades europeias do sultão foram reduzidas à Trácia Oriental ou às propriedades que a Turquia tem até hoje. Devido à mistura étnica e religiosa desta área, e a vulnerabilidade dos pequenos reinos, que, como rochas marítimas, surgiram com a recessão do dilúvio islâmico, a instabilidade crônica, que caracterizou a região, teve que ser "resolvida" pelos impérios multinacionais da Áustria ou da Rússia.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Os preparativos para a celebração ecumênica dos 500 anos da Reforma, em 2017

Lançando uma nova luz sobre questões centrais da fé, o documento ecumênico possibilita a superação das controvérsias dos séculos passados [SIC! SIC! SIC!]... a origem de acusações recíprocas não subsiste mais [SIC! SIC! SIC!... com vistas a uma possível declaração comum por ocasião do ano da comemoração da Reforma, em 2017.

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Os preparativos para a celebração ecumênica dos 500 anos da Reforma, em 2017


Cidade do Vaticano (RV) - Em 2017, luteranos e católicos vão celebrar juntos os quinhentos anos da Reforma Protestante e recordar com alegria os cinquenta anos de diálogo ecumênico oficial conduzido a nível mundial, na esteira do Concílio Vaticano II.

A Comissão Internacional de Diálogo Luterano-católica pela Unidade, já há alguns anos organizou uma programação
com vistas a uma possível declaração comum por ocasião do ano da comemoração da Reforma, em 2017. Nos últimos cinquenta anos, o diálogo ecumênico realizou grandes esforços buscando relacionar a teologia dos reformadores às decisões do Concílio de Trento e do Vaticano II, avaliando se as respectivas posições se excluem ou se completam mutuamente.

Em 2013, a Comissão de diálogo publicou o documento intitulado 'From Conflict to Communion. Lutheran Catholic Commom Commemoration of the Reformation in 2017', onde após uma detalhada introdução sobre as comemorações comuns, dedica dois capítulos à apresentação dos eventos da Reforma, resume a teologia de Martin Lutero e ilustra as resoluções do Concílio de Trento. A conclusão do documento apresenta um resumo das principais decisões comuns da Comissão de Diálogo Luterano-católico em 1967, particularmente sobre a justificação, a Eucaristia, as Escrituras e a Tradição.

O documento sobre os preparativos às comemorações, foi apresentado em 17 de junho de 2013 durante uma coletiva de imprensa realizada do Centro Ecumênico de Genebra, e contou com a presença, entre outros, do Presidente e Secretário da Federação Luterana Mundial (FLM), de Dom Munib Youan e do Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Lançando uma nova luz sobre questões centrais da fé, o documento ecumênico possibilita a superação das controvérsias dos séculos passados [sic! sic! sic!] e lança bases para uma reflexão ecumênica que se distinga do pensamento dos séculos precedentes, convidando assim os cristãos a considerar esta relação com espírito aberto, mas também crítico, para se avançar ainda mais no caminho da plena e visível unidade da Igreja.

Na primeira metade de 2014 deverá ser publicado o documento "Alegria partilhada pelo Evangelho, confissão dos pecados cometidos contra a unidade e testemunho comum para no mundo de hoje", com textos e subsídios para uma oração ecumênica comum. Os textos foram preparados por um grupo de trabalho litúrgico formado por representantes da FLM e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade.

Em 2017, o contexto histórico em que se recordará os 500 anos da Reforma é muito diferente do período em que ela foi implementada. A comemoração será realizada, pela primeira vez, numa época ecumênica. Assim, católicos e luteranos não pretendem festejar a divisão da Igreja, mas sim, trazer à memória o pensamento teológico e os acontecimentos relacionados à Reforma, precisamente o que escreve o Documento 'Do conflito à Comunhão', publicado em 2013.

O caminhar da história, tem levado luteranos e católicos a tornarem-se sempre mais conscientes de que
a origem de acusações recíprocas não subsiste mais [sic! sic! sic!], mesmo que ainda não exista um consenso em todas as questões teológicas. Neste sentido, o documento "Do Conflito a Comunhão" conclui propondo cinco imperativos que exortam católicos e luteranos a prosseguirem no caminho em direção a uma profunda comunhão.
Diversos encontros realizados em 2013 marcaram esforços comuns com o objetivo de estreitar o diálogo, com reuniões entre o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e a Conferência dos Bispos veterocatólicos da União de Ultrecht, realizadas em Konigswinter, em julho de 2013 e em Paderbon, em dezembro. As Comissões de ambas as partes continuam os trabalhos sobre os temas: a relação entre a Igreja universal e a Igreja local e o papel do ministério petrino; e a comunhão eucarística.

Em fevereiro do mesmo ano, realizou-se em Viena o primeiro encontro entre a Comunidade das Igrejas Protestantes na Europa e o Pontifício Conselho, o que levou a reflexões sobre o conceito de Igreja e definições do objetivo ecumênico. Encontros sucessivos realizaram-se em Heidelberg e Ludwigshafen am Rhein, com a participação sete teólogos de ambas as partes.

Em 2013, diversas delegações luteranos encontraram-se com o Papa Francisco. Em 2014, uma delegação do Conselho da Igreja Protestante da Alemanha foi recebida em 8 de abril pelo Papa Francisco, encontrando-se sucessivamente com o Cardeal Koch. (JE)


Fonte: News.va 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Papa Francisco abençoará iniciativa ecumênica com Igreja Ortodoxa




Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco receberá em audiência neste sábado os membros do Comitê de Colaboração Cultural com as Igrejas Ortodoxas e as Igrejas Ortodoxas Orientais, que celebra o 50º aniversário da sua instituição, ocorrida em 27 de julho de 1964, com uma Carta do Papa Paulo VI ao Cardeal Agostino Bea, então Presidente do Secretariado para a Unidade dos Cristãos, que mais tarde transformou-se no Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O encontro adquire particular significado após o anúncio do encontro em maio próximo, em Jerusalém, com o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, 50 anos após o histórico encontro entre Paulo VI e Atenágoras.

O Comitê tem por objetivo a distribuição de bolsas de estudo a estudantes ortodoxos de teologia, alunos das Universidades Pontifícias. Ao distribuir estas bolsas de estudo a estudantes ortodoxos, o Comitê deseja “promover um sincero conhecimento de uma compreensão recíproca, baseada no respeito e na caridade de uns para com os outros” e ao mesmo tempo “incentivar as iniciativas voltadas ao restabelecimento de vínculos fraternos entre a Igreja Católica e as veneráveis Igrejas do Oriente”.

Os membros do Comitê serão guiados pelo Cardeal Kurt Koch, na qualidade de Presidente de Gestão do Comitê - que compreende os principais benfeitores -, acompanhados pelos estudantes bolsistas atualmente em Roma.

A abertura a uma possível revisão das modalidades de atuação do Primado Petrino confirmada por Francisco na ‘Evangelii guadium’ com palavras análogas àquelas de João Paulo II na ‘Ut unum sint’, suscitou esperanças no mundo ortodoxo, como afirmou o Patriarca de Moscou e de todas as Russias, Kirill, recebendo no início de dezembro o Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, não obstante tenha afirmado numa declaração a “impossibilidade de aceitar qualquer primado do Pontífice Romano que não fosse apenas de honra”.

O Patriarca Kirill usufrui de uma destas bolsas de estudo para formar-se na Gregoriana. (JE)



Fonte: Rádio Vaticano

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

DOZE PERGUNTAS QUE SE FAZEM FREQUENTEMENTE ACERCA DA CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA






1) O que é uma "consagração"?

R: É uma cerimônia pela qual uma pessoa, um grupo de pessoas, ou coisas são designadas à parte e dedicadas ao serviço de Deus ou a outro propósito sagrado.

2) O que significa "a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria"?

R: Em Fátima, no dia 13 de julho de 1917, Nossa Senhora disse à Irmã Lúcia que “Deus vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para impedi-la virei pedir as Comunhões de reparação e a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração ... Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-à a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

O pedido de Nossa Senhora é muito simples: A Rússia — causa de tantos males no Século Vinte — deve ser posta à parte e abençoada por sua consagração à Mãe e de Deus.

3) Por quê é preciso consagrar a Rússia em particular?

R: Porque é a vontade de Deus. Como Nossa Senhora disse à Irmã Lúcia em Fátima: “A Rússia será o instrumento de castigo escolhido pelo Céu para punir o mundo inteiro, se, de antemão não obtivermos a conversão dessa pobre nação...”.

E como Irmã Lúcia deu a conhecer em suas memórias e cartas que têm sido publicadas, de que, Nosso Senhor Mesmo a confiou que não converteria a Rússia, a menos que a consagração fosse feita, “Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o Seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu Divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração.” A Irmã Lúcia tem explicado que como a Rússia é um território bem definido, sua conversão depois da consagração ao Imaculado Coração será uma prova inegável, de que a conversão é o resultado da consagração e nada mais. O estabelecer no mundo, deste modo, da devoção ao Imaculado Coração será confirmado por Deus Mesmo de uma forma impressionante!

4) E se a consagração da Rússia não for feita?

R: Em Fátima, Nossa Senhora disse que se a consagração não for feita como Ela pediu, então “A Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”. Da mesma maneira, a conversão milagrosa da Rússia depois de sua consagração pelo Papa e pelos Bispos, e a paz que se concederá ao mundo, serão um sinal do poder da graça de Deus, atuando através dos ministros de Sua Igreja e a intercessão do Imaculado Coração de Maria.

5) Como se supõe, exatamente, a realização desta consagração?

R: Fiel à Sua palavra em Fátima, Nossa Senhora apareceu à Irmã Lúcia em Tuy, Espanha, no dia 13 de junho de 1929 para dizer-lhe que: “É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio.” Esta expressão “por este meio” é fundamental, porque significa que a consagração não é meramente um símbolo da conversão iminente da Rússia, senão o mesmo meio pelo qual será efetuada. Deste modo, sem o ato da consagração não haverá uma conversão da Rússia, e sem a conversão da Rússia, os erros da Rússia continuarão infestando o mundo, produzindo a perseguição da Igreja, o Martírio dos bons, o padecimento do Santo Padre e ultimamente a aniquilação das nações anunciadas em Fátima.

Durante as décadas seguintes a Irmã Lúcia tem explicado muitas vezes, que o ato de consagração requer que o Papa “escolha uma data na qual Sua Santidade ordena aos bispos do mundo inteiro fazer, cada um em sua própria Catedral, e ao mesmo tempo com o Papa, uma cerimônia solene e pública de Reparação e Consagração da Rússia...”.

6) Mas não é Fátima só uma aparição privada na qual nenhum Católico tem que acreditar?

R: Absolutamente não. As aparições em Fátima foram confirmadas por um milagre público testemunhado por 70.000 pessoas — o Milagre do Sol. O Papa João Paulo II mesmo declarou em Fátima em 1982 que a Mensagem de Fátima “impõe uma obrigação sobre a Igreja,” e publicamente atribuiu ter saído ileso da morte no atentado de assassinato do dia 13 de maio de 1981 à Nossa Senhora de Fátima — o mesmo dia do aniversario da Sua aparição em Fátima.

Na verdade, o Papa tem tentado por duas vezes fazer a consagração (o dia 13 de maio de 1982 e o 25 de março de 1984), ainda que a Rússia não tivesse sido mencionada em nenhuma das duas ocasiões, e os bispos do mundo não tivessem participado. Estes intentos demonstram que o Papa mesmo reconhece a obrigação de consagrar a Rússia, não obstante não ter podido efetuar a consagração na maneira especificada por Nossa Senhora; uma cerimônia solene e pública, mencionando a Rússia especificamente, e em união com todos os bispos do mundo. Contudo Nossa Senhora Mesma nos prometeu que este evento ultimamente acontecerá.

7) O Papa teve êxito em fazer a consagração da Rússia em 1984?

R: Não. Como a Irmã Lúcia mesma declarou em uma entrevista em setembro de 1985, a consagração feita no dia 25 de março de 1984 não satisfez aos pedidos de Nossa Senhora porque “não houve a participação dos bispos e não houve menção da Rússia.” Quando o Santo Padre consagrou o mundo em geral nesse dia, sem mencionar a Rússia, ele mesmo reconheceu na presença de dezenas de milhares de testemunhas, durante e depois da cerimônia, que o povo da Rússia ainda “está esperando confiado na nossa consagração.” No dia seguinte, estas declarações foram publicadas no periódico mesmo do Papa, L’Osservatore Romano; e a publicação dos Bispos Italianos, L’Avvenire.

8) Não foi a consagração do mundo pelo Papa em 1984 suficiente para cumprir o pedido de Nossa Senhora?

R: Não. Durante toda a sua vida, desde as aparições de Nossa Senhora de Fátima, a Irmã Lúcia tem insistido que a Rússia deve ser mencionada especificamente.

Por exemplo, em uma entrevista em 1978 ao seu confidente, o Padre Umberto Pasquale, e em uma carta ao Padre Pasquale em 1980, perguntaram à Irmã Lúcia: “Nossa Senhora tem falado alguma vez sobre a consagração do mundo?” Durante a entrevista, a Irmã Lúcia respondeu: “Não, Padre Umberto! Nunca! Na Cova da Iria em 1917 Nossa Senhora prometeu: “Virei pedir a consagração da Rússia ...” Em 1929 em Tuy, como tinha prometido, Nossa Senhora veio dizer-me que tinha chegado o momento para pedir ao Santo Padre a consagração d’aquele país”.

E na carta de 1980 (datada o 13 de abril do mesmo ano), a Irmã Lúcia confirmou o que disse na entrevista, escrevendo com sua própria mão que “Nossa Senhora de Fátima, em Seu pedido, se referiu só à consagração da Rússia”. Ambas entrevistas de 1978 e a carta de 1980 (reproduzidas fotograficamente) foram publicadas na edição Italiana de L’Osservatore Romano do dia 12 de maio de 1982.

Não nos diz, evidentemente, que se Nossa Senhora de Fátima pediu a consagração da Rússia, então a Rússia tem que ser pelo menos mencionada no ato da consagração? Também podemos perguntar razoavelmente, que razão possível há para não proferir uma palavra simples — Rússia — no ato de consagrar a Rússia. Jamais explicação alguma tem sido dada, por esta omissão misteriosa nas consagrações tentadas de 1982 e 1984.

9) Contudo, com "a queda do Comunismo" depois da cerimônia da consagração de 1984, não demonstra que a Rússia tenha iniciado um caminho de conversão e que a consagração deva ter sido efetiva, apesar da falta de mencionar a Rússia?

R: Não. Em 1997 a Rússia decretou uma legislação que discrimina a Igreja Católica, em favor da igreja ortodoxa russa, do judaísmo, islamismo, e budismo. As paróquias Católicas têm que pedir anualmente uma “permissão” que pode ser revocada à vontade de qualquer funcionário local, entretanto aos sacerdotes e às freiras só lhes dão o visto por 3 meses, que não pode ser renovado. O Vaticano tem condenado esta lei nova, como um grande retrocesso para a Igreja Católica na Rússia.

Hoje em dia, há na Rússia uns 300.000 Católicos — menos do que havia em 1917, o mesmo ano que Nossa Senhora veio a Fátima e prometeu a conversão final da Rússia, que ainda deve ocorrer. A revolução Russa, a qual tem sido exportada em várias formas a outras nações, confirma a profecia de Nossa Senhora de que a Rússia espalhará seus erros pelo mundo inteiro. Atualmente os muçulmanos excedem em número aos Católicos na Rússia, em uma proporção de dez por um. Compare isto com o milagre verdadeiro de conversão que ocorreu depois das aparições de Nossa Senhora de Guadalupe, no Mexico, no século dezesseis: no espaço de 9 anos, perto de 9 milhões de aztecas deixaram de adorar ao demônio e fazer o sacrificio humano e foram convertidos e batizados na Fé Católica. Contudo, na Rússia hoje em dia, depois de mais de 14 anos da suposta “consagração” de 1984, de uma forma escassa vemos um número irrisório de pessoas que se convertem e em geral há menos Católicos russos dos que havia, faz 80 anos!

Até o patriarca Alexi II, dos ortodoxos russos, publicamente admitiu no dia 24 de dezembro de 1998, que desde a suposta “queda do Comunismo” na Rússia, a cultura cristã “não só está sendo relegada à escuridão e ao esquecimento, como também é objeto de brincadeira e ridicularizada, como algo extinto e inútil.” Alexi também denunciou o “Ressurgir do neo-paganismo . . . de seitas totalitárias, praticantes da magia negra, astrólogos, e ocultistas” na Rússia “pós-comunista”.

Entretanto, Boris Yeltsin foi forçado a ceder o poder ao parlamento russo dominado pelos comunistas. Seu primeiro ministro novo, o antigo chefe da espantosa KGB, tem posto os comunistas no controle de toda a economia Russa, produzindo o que o periódico liberal New York Times tem chamado “uma troca à esquerda” e o retorno ao governo de estilo soviético.

O mais notável de tudo: Desde a “consagração” de 1984, mais de 600 milhões de crianças foram mortas nos ventres, pelo mundo inteiro — incluindo a Rússia, onde começou o aborto legalizado. A guerra contra os que estão por nascer, é a maior guerra na história do mundo. Deste modo, deve ser óbvio a qualquer um que o período de paz prometido por Nossa Senhora, se a Rússia fosse propriamente consagrada, ainda não se verificou. A conversão da Rússia prometida por Nossa Senhora de Fátima simplesmente não se tornou realidade. Isto só pode significar que a consagração não foi feita, porque as promessas de Nossa Senhora não podem ser falsas.

10) Então não é tarde demais para a consagração de Rússia, dado que os erros da Rússia já se difundiram pelo mundo?

R: Não! Como Nosso Senhor Mesmo confiou à Irmã Lúcia em Rianjo em agosto de 1931: “Não querem fazer caso do Meu pedido!... Como o Rei da França, se arrependerão, e o farão, mas será tarde. A Rússia já terá difundido seus erros pelo mundo...”.

A consagração finalmente se fará e, como Nossa Senhora prometeu em Fátima, “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.” Nosso Senhor Mesmo confiou à Irmã Lúcia, referente à consagração, que “Nunca será tarde para recorrer a Jesus e à Maria”.

11) O que é tão urgente sobre a consagração agora?

R: Como Nossa Senhora advertiu em Fátima: “Se não atenderem a Meus pedidos, a Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas”.

Ainda não temos visto a aniquilação das nações predita em Fátima. Temos que esperar até que aconteça isto, a fim de fazermos exatamente o que Nossa Senhora nos mandou fazer em nome de Deus? Em vista da decadência acelerada da moralidade e a desintegração da ordem social no mundo, a simples prudência deve dizer-nos que não podemos retardar nem um momento mais a consagração da Rússia e só a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria.

12) Porém, se o Papa acredita que fez a consagração, que direito tem alguém de perguntar-lhe?

R: O Papa nunca declarou publicamente a todos os membros da Igreja que fez a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Pelo contrário, as palavras do Papa como são citadas no L’Osservatore Romano, demostram que ele sabe que a consagração ainda tem que ser feita. Em vista disto, os fiéis têm todo direito de suplicar ao Papa pela consagração definitiva da Rússia. Em verdade, o direito dado por Deus aos fiéis para pedir ao Pontífice Supremo em assuntos que afetam o bem da Igreja, foi definido como doutrina católica por dois concilios ecumênicos: O Segundo Concilio de León (1274) e o Vaticano I (1870), e também é garantido pelo Código novo da Lei Canônica (Canon 212).


O bem-estar da Igreja e a segurança do mundo inteiro pedem duma certeza absoluta, para que os pedidos de Nossa Senhora de Fátima sejam cumpridos. O problema só será resolvido quando a consagração definitiva for feita, e quando o Papa declarar de uma maneira oficial e definitiva à Igreja inteira, de que já fez a consagração de uma maneira suficiente para satisfazer aos pedidos de Nossa Senhora. Nem um nem outro desses acontecimentos têm se verificado e por isto o problema fica aberto à discussão livre e às súplicas dos Fieís, que têm todo o direito de tratar de um assunto de tanta importância para a Igreja e para o mundo.


Fonte: Fátima
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