Recebendo nesta segunda-feira, uma Delegação da Federação Luterana Mundial, juntamente com membros da Comissão Luterano-católica para a unidade, o Santo Padre recordou que o “ecumenismo espiritual constitui, num certo sentido, a alma do nosso caminho em direcção à plena comunhão”.
O Papa Francisco congratulou-se com o facto de ter sido publicado recentemente, em vista da comemoração dos 500 anos da Reforma, um texto da Comissão luterano-católica para a unidade intitulado “Do conflito à comunhão. A interpretação luterano-católica da Reforma em 2017”.
“Parece-me verdadeiramente importante para todos o esforço de confrontar-se, em diálogo, sobre a realidade histórica da Reforma, sobre as suas consequências e sobre as respostas que lhe foram dadas. Católicos e Luteranos podem pedir perdão pelo mal que causaram uns aos outros e pelas culpas cometidas perante Deus, alegrando-se ao mesmo tempo pela nostalgia de unidade que o Senhor tem despertado nos nossos corações e nos faz olhar em frente com esperança”.
Fonte: Rádio Vaticana
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A unidade não é um resultado principalmente do nosso esforço, mas sim da ação do Espírito Santo
As palavras do Papa Francisco à Federação Luterana Mundial e representantes da Comissão para a Unidade Luterano-Católica
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CIDADE DO VATICANO, 21 de Outubro de 2013 (Zenit.org) -
Apresentamos as palavras do Papa Francisco à Federação Luterana Mundial e
representantes da Comissão para a Unidade Luterano-Católica.
Queridos irmãos e irmãs luteranos, queridos irmãos católicos,
De bom grado dou as boas-vindas a todos vocês, Delegação da
Federação Luterana Mundial e representantes da Comissão para a Unidade
Luterano-Católica. Este encontro dá continuidade àquele que, muito
cordialmente, eu tive com o senhor, estimado bispo Younan, e com o secretário
da Federação Luterana Mundial, reverendo Junge, por ocasião da celebração do
início do meu ministério como bispo
de Roma.
Com profundo sentimento de gratidão a nosso Senhor Jesus Cristo,
eu olho para os muitos passos que as relações entre luteranos e católicos vêm
dando nas últimas décadas, não só através do diálogo teológico, mas também da
colaboração fraterna em muitas áreas pastorais e, especialmente, no compromisso
de avançar no ecumenismo
espiritual. Este último, em certo sentido, é a alma de nossa jornada rumo à
plena comunhão, e nos permite saborear desde agora alguns frutos, ainda que
imperfeitos: na medida em que nos aproximamos com humildade de espírito de
nosso Senhor Jesus Cristo, temos a certeza de nos aproximar também entre nós,
e, na medida em que clamamos ao Senhor pelo dom da unidade, temos a certeza de
que Ele nos pegará pela mão e será o nosso guia. Temos que nos deixar conduzir
pela mão de nosso Senhor Jesus Cristo.
Este
ano, como resultado do diálogo teológico que já completa cinquenta anos, e
tendo em vista a comemoração do quinto centenário da Reforma, foi publicado o
texto da Comissão para a Unidade Luterano-Católica, que tem o significativo
título "Do conflito à comunhão: a interpretação luterano-católica da
Reforma em 2017".
Eu acho realmente importante, para todos, o esforço de se dialogar
sobre a realidade histórica da Reforma, sobre as suas consequências e sobre as
respostas que foram dadas a ela. Católicos
e luteranos podem pedir perdão pelos danos causados por uns contra os outros e
pelas culpas cometidas diante de Deus, e, juntos, alegrar-se com o anseio de unidade que o Senhor
despertou em nossos corações e que nos faz olhar para frente com esperança.
À luz do caminho das últimas décadas e dos tantos exemplos de
comunhão fraterna entre luteranos e católicos, que estamos testemunhando,
confortados pela confiança na graça que nos é dada em nosso Senhor Jesus
Cristo, eu estou certo de que saberemos continuar a nossa jornada de diálogo e
de comunhão, abordando as questões fundamentais e as diferenças que surgem no campo
da antropologia e da ética. É claro que existem dificuldades, que exigirão mais
paciência, diálogo, compreensão mútua, mas não nos assustemos! Sabemos bem, e
quantas vezes Bento XVI nos recordou, que a unidade não é um resultado
principalmente do nosso esforço, mas sim da ação do Espírito Santo, a quem
devemos abrir o coração com confiança, para que ele nos conduza pelo caminho da
reconciliação e da comunhão.
O beato João Paulo II se perguntava: "Como anunciar o
evangelho da reconciliação sem ao mesmo tempo comprometer-se com a
reconciliação dos cristãos?" (Ut Unum Sint, 98).
Que a oração fiel e constante em nossas comunidades apoie o
diálogo teológico, a renovação da vida e a conversão dos corações, de modo que,
com a ajuda de Deus Uno e Trino, caminhemos para o cumprimento da vontade do
Filho, Jesus Cristo, de que todos sejam um. Obrigado.
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