terça-feira, 4 de março de 2014

[O programa] ‘PORTA A PORTA’ [da RAI UNO] ‘FACILITOU’ TANTO, COMO SE FOSSE FAZER GOL SEM GOLEIRO... MESMO ASSIM, BERTONE MARCOU GOL CONTRA…


Mais atual do que nunca...
Foi mostrado por Vespa o texto manuscrito da Irmã Lúcia (reproduzido na parte de fora de  dois envelopes), que dizia: “Por ordem expressa de Nossa Senhora este envelope pode ser aberto em 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria”. 
Em várias outras ocasiões, a Irmã Lúcia afirmou que aquela data fora indicada pela Virgem. Contudo, ficamos sabendo agora (graças a Vespa), sem sombra de dúvida, que essas palavras haviam sido escritas sobre o envelope por ordem de Nossa Senhora. Ora, isso é o oposto do que assevera o Cardeal Bertone, que expressamente atribuiu à Irmã Lúcia a escolha daquela data. 
[A pergunta é imediata]: se partiu de Nossa Senhora  a indicação da data, por que  estipulou com exatidão o ano de 1960? A qual acontecimento, relacionado com a história da Igreja, sucedido na década de 1960, Nossa Senhora teria feito alusão (ainda que indireta)? 
No início da década de 1960, o Papa Roncalli [João XXIII] convocara o Concílio Vaticano II. Por isso, não seria nada surpreendente — conforme dizem os especialistas em Fátima — se o Segredo contivesse a profecia acerca de uma terrível apostasia após o Concilio (apostasia que inegavelmente aconteceu e continua em curso). Aí está o motivo pelo qual Roncalli, apavorado, tornou tudo secreto. 

A Igreja não é uma espécie de quadrilha de malfeitores, onde se impõe a lei do silêncio [omertà]. 
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[O programa] ‘PORTA A PORTA’ [da RAI UNO] ‘FACILITOU’ TANTO, COMO SE FOSSE FAZER GOL SEM GOLEIRO... MESMO ASSIM, BERTONE MARCOU GOL CONTRA…

Antonio Socci http://www.antoniosocci.it/Socci/index.cfm  



O verdadeiro golpe de misericórdia no Vaticano, quinta feira à noite, não foi dado por Michele Santoro (com a partida, afinal de contas, “empatada” sobre os padres pedófilos), mas foi dado por Bruno Vespa, que colocou no ar o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcísio Bertone. Este, de fato,fez o mais clamoroso gol contra: demonstrou(involuntariamente)  haver uma parte explosiva no Terceiro Segredode Fátima, ainda que bem escondida. Isto simé bem embaraçoso para o Transtevere [para o Vaticano]...

Por tal serviço prestado à verdade (indiretamente, é claro), cumpre agradecer ao Cardeal Bertone. E encorajá-lo agora a dizer tudo, porque – como diz o Evangelho – “a verdade vos fará livres”.

(De tudo quanto foi antecipado pela Irmã Lúcia, por exemplo, ao Padre Fuentesse deduz que o “Quarto Segredo” contém exatamente a advertência profética feita por Nossa Senhora sobre a apostasia na Igreja, incluindo nela a terrível crise do clero que se seguiu ao Concílio e, portanto, também os escândalos, dos quais hoje se fala, como o dos “padres pedófilos”).

Resumimos os fatos antecedentes.

Em Novembro passado, saiu o meu livro “O quarto segredo de Fátima”, no qual demonstro que há uma parte do famoso “Terceiro Segredo que o Vaticano não publicou.

 Em Maio, o Secretário de Estado do Vaticano [Cardeal Bertone] publicou um panfleto contra mim, contendo alguns insultos, mas nenhuma resposta. E, ademais, acrescentando novas contradições (que coloquei em evidência nestas colunas, em 12 de maio último).

 Quinta Feira à noite, foi ao ar [na TV RAI UNO] uma mesa-redonda do “Porta a porta”, intitulada: “Não existe o quarto segredo de Fátima”.

O titulo visa a meu livro como alvo direto.

Admissível conceber uma mesa redonda “imparcial, se o assunto é apresentado, desde logo, como tese [comprovada]”? [O locutor] Vespa talvez tenha pretendido dar a Santoro uma lição de objetividade e de imparcialidade. Enquanto no programa de Santoro estavam presentes os dois lados, Vespa chamou a seu programa apenas o Cardeal Bertone e não trouxe à baila o abaixo-assinado, que, embora sendo o “alvo” central da transmissão, não foi levado em consideração, nem apresentado ao público. Com relação a mim, apresentaram apenas cenas de um filme ilustrando algumas das teses de meu livro. Desse modo, foi oferecida, em bandeja de prata, ao Cardeal Bertone, a possibilidade de me atacar sem nenhum contraditórioMas o Cardeal evitou os tons que usara em seu livro (pelo que lhe sou grato) e, sobretudo, evitou responder a qualquer contestação minha — sequer deu uma resposta a meus argumentos.

Entretanto, preferiu ir alémofereceu a prova de que tenho razão.

De fato, a certo ponto de sua exposição, o Prelado mostrou os envelopes que foram abertos no ano 2000, quando foi revelada a parte do Terceiro Segredo contendo a visão do “Bispo vestido de branco”.

Pois bem, sobre esses envelopes faltava uma coisa que absolutamente não poderia faltar: uma frase do Papa João [XXIII].  De fato, Monsenhor Capovilla, secretário de João XXIII, em duas entrevistas — a OraziolaRocca (Repubblica, 26.6.2000) e a Marco Tosatti (no livro “O segredo Não Revelado”) — relatou que, em 1959, quando o Papa Roncalli leu o Terceiro Segredo e decidiu mantê-lo secreto, disse ao mesmo Capovilla que “fechasse o envelope”, escrevendo sobre o mesmo: “não emito nenhuma opinião a respeito”, porque a mensagem “pode tanto pode ser uma manifestação do divino como pode não ser”. 
Agora, a pergunta: onde está a frase que João XXIII mandou escrever no envelope? Não estando no envelope exibido, só pode estarnoutro envelope. Naquele que o Cardeal apresentou às câmeras, positivamente não está.

Depreende-se, pois, com toda evidência, que só pode estar escrito sobre o envelope que contém o “Quarto Segredo”, cuja existência foi clamorosamente confirmada (pela primeira vez)justamente por Monsenhor Capovilla a SolideoPaolini, como relato em meu livro. Bertone não deu nenhuma explicação sobre a ausência daquela frase, e não respondeu à revelação de Monsenhor Capovilla acerca disso.

 Ademais, a dúvida de Roncalli sobre a origem sobrenatural daquela mensagem não podia referir-se ao texto da visão revelada no ano 2000, já que essa visão nada contém de “delicado”. Logo, somente poderia fazer alusão ao “quarto segredo”, que (segundo revelaram os Cardeais Ottaviani e Ciappi) falavam da apostasia e da traição das altas hierarquias eclesiásticas.

Aquele “quarto segredo” do qual João Paulo II, disse, em 1982, que “não o publicaria porque podia ser mal interpretado[SIC!]. Aquele “quarto segredo” do qual Ratzinger, em 1996, disse que, naquele momento, certos “detalhes” podiam prejudicar a fé[SIC!]. Aquele “quarto segredo” do qual o secretário do Papa Wojtyla disse a Marco Politi (que o relatou no programa de Vespa): “é preciso ter prudência para compreender o que diz Irmã Lúcia e o que diz Nossa Senhora”.[SIC!].

Mas o Cardeal Bertone, em “Porta a porta”, involuntariamente forneceu outra prova, ainda mais clamorosa, de que o “quarto segredo” existe realmente.

De fato, ele deu as medidas do envelope que contém o texto da visão: “9 centímetros por 14”. O Prelado evidentemente ignorava que desde 1982 é conservado no Arquivo do Santuário de Fátima um documento de Monsenhor Venâncio, o qual levou pessoalmente o envelope com o “quarto segredo” à Nunciatura, para enviá-lo a RomaMonsenhor Venâncio transcreveu as medidas exatas do envelope de Irmã Lúcia, que eram de 12 centímetros por 18. Portanto, pelos dados oficiais,conclui-se que aquele era outro envelope.

 Ali estava contido o papel do “quarto segredo”, que era constituído por “uma só página” com “25 linhas escritas”, como testemunhou o Cardeal Ottaviani, e não por 4páginas com 62 linhas, como é o texto da visão mostrado pelo Cardeal Bertoneo qual, embaraçadonão soube o que responder a Vespa, quando este lhe recordou as palavras de Ottaviani.

Foi mostrado por Vespa o texto manuscrito da Irmã Lúcia (reproduzido na parte de fora dedois envelopes), que dizia: “Por ordem expressa de Nossa Senhora este envelope pode ser aberto em 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria.

Em várias outras ocasiões, a Irmã Lúcia afirmara que aquela data fora indicada pela Virgem. Contudo, ficamos sabendo agora (graças a Vespa), preto no branco, que essas palavras haviam sido escritas sobre o envelope por ordem de Nossa Senhora. Ora, isso é o oposto do que assevera o Cardeal Bertone, que expressamente atribuiu à própria Lúcia a escolha daquela data.

[A pergunta é imediata]: se partiu de Nossa Senhoraa indicação da data, porque  estipulou com exatidão o ano de 1960? A que acontecimento, referente à história da Igreja, que ocorreria na década de 1960, Nossa Senhora teria feito alusão (indireta)?

No início da década de 1960, o Papa Roncallifizera a convocação do Concílio Vaticano II. Por isso, não seria nada surpreendente — conforme fazem os especialistas em Fátima — se o Segredo contivesse a profecia a respeito de uma terrível apostasia que seguira ao Concílio (apostasia que inegavelmente aconteceu e continua em curso). Aí está o motivo pelo qual Roncalli, aterrorizado, tornou tudo secreto.

Quanto à frase da Virgem que sempre foi considerada o ”incipit” do Terceiro Segredo (“Em Portugal, conservar-se-á sempre o dogma da fé, etc..), importa assinalar que vai nessa mesma direçãoEm horas e horas de conversa, o Cardeal Bertone sempre evitou perguntar à Irmã Lúcia se alguma vez ela teria escrito a sequência daquela frase [o que seria esse“ETC...”]. Ora, o Purpurado furtou-se por inteiro de explicar o sentido do [enigmático]“ETC...”. Com efeito, seria concebível que as palavras de Nossa Senhora se interrompessem com um ETCOETERA, após ter dito umas poucas palavras?

Reportando-se àquela frase, o Cardeal Bertonesimplesmente a denomina de “certa anotação” de LúciaPretenderia assim dar a entender que aquelas palavras de Nossa Senhora seriam, na verdade, uma fantasia de Lúcia, como já insinuara Roncalli?

 Se assim é, seria bom dizê-lo de público, sem embaraços, como sucedeu com todas as mensagens dessa natureza(desde 1966, Paulo VI liberou essa “literatura”).

 Por que continuar negando a existência do segredo, ao sustentar uma versão que faz água por todos os lados, expondo a Igreja a graves “ricatti” [formas diversas de chantagem]?

O Cardinal Bertone vê-se obrigado a desenvolver uma tarefa dura e ingrata. A cada dia vêm à luz fiapos de verdade que desmontam a sua versão (Em “Porta a porta”, para não mencionar outras particularidades, a história da reunião plenária do Santo Ofício, em 1960, bem como o relato que diz respeito ao envelope da tradução, referente a 6 de Março de 1967, o que não corresponde à  versão oficial). 

No fundo, o Papa, na carta publicada por Bertone, abre o caminho para a verdade, quando diz que no ano 2000 foram publicadas “as palavras autênticas da terceira parte do segredo”. Afirmando isso, subentende que existem palavras do segredo tidas como “não autênticas”.

Então, coragem; publicai tudo. “A verdade vos fará livres”.




Resposta a alguns leitores:


           Houve quem – mesmo entre leitores e admiradores – se tenha escandalizado com minha investigação sobre o Terceiro Segredo de Fátima, bem como em razão dos artigos respondendo ao Cardeal BertoneNinguém contesta os fatos e os dados, mas me objetam que, dizendo tais verdades que descobri, prejudicarei a Igreja.


Respondi que me limito a fazer o meu trabalho de jornalista, segundo os deveres indicados até mesmo pelo Compêndio da doutrina social do Pontifício Conselho da Justiça e da paz, o qual afirma: “Para quantos atuam por vários títulos no campo das comunicações sociais ressoa forte e clara a advertência de São Paulo: ‘Por isso, banida a mentira, cada um de vós diga a verdade ao próprio próximo’”.

            Escrevo aquilo que me parece ser a verdade; se escrevesse o contrário, agiria contra a consciência e – como ensina Inocêncio III, citado no Catecismo Universal(n.1790) –“agir contra a consciência conduz à danação eterna”.


          De outro lado,
como explicou o Papa em Ratisbona, a pesquisa racional da verdade não é jamais contra Deus (Veja a Fides etRatio). Mais ainda, quando se trata de pesquisar as autênticas palavras da Santa Virgem, em Fátima! Enfim, o mesmo princípio vale como resposta àqueles que presumem dever ocultar a verdade para obter alguma forma de bem. Estes, sem dúvida, se acham em total dissonância com a verdadeira ortodoxia católica. Quem diz isso não sou eu.


Mais uma vez, é o Catecismo Universal da Igreja Católica, publicado por ordem de João Paulo II e do Cardeal Ratzinger. Eis as palavras: “Jamais será permitido fazer o mal,a fim de obter algum bem”- 1789). Em suma, o mandamento “não prestar falso testemunho” vale também para os Cardeais, e não podem ser alegados motivos superiores para mentir…

         Penso, de resto, que sempre será mais conveniente dizer a verdade. O Evangelho fala muito claro. Jesus diz: “A verdade vos fará livres”. Não diz: atenção, porque por vezes a verdade pode criar-vos problemasDiz: a verdade vos fará livres (isto é também o sentido dos “mea-culpa do Papa Wojtyla). Aquela passagem evangélica indica a belíssima liberdade dos filhos de Deus. A Igreja não é uma espécie de quadrilha de malfeitores, onde se impõe a lei do silêncio [omertà]. Ao contrário, éa casa dos filhos de Deus, a casa da liberdade e da verdade de Deus, e não precisa de nossa mentira, mas sim de nossa humilde escuta e do reconhecimento de nossas misérias (mesmo por parte dos eclesiásticos).


Aconselho a todos o memorável discurso do Cardeal Ratzinger sobre a consciência e a liberdade dos cristãos,texto que se intitula “O brinde do Cardeal”. Não por acaso, o Catecismo Universal (n. 1778) cita a belíssima frase do Cardeal Newman, que diz: “A consciência é a primeira dos vigários de Cristo”.

(Tradução e destaques de Raphael de la Trinité)

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