sexta-feira, 19 de abril de 2013

Devemos recitar os mistérios luminosos do Rosário?




Nossa Senhora entregando o Rosário a São Domingos de Gusmão

Na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 16 de Outubro de 2002, João Paulo II propôs uma modificação no Rosário: adicionar 5 novos mistérios, chamados luminosos (ou da luz), que se somariam aos Gozosos, Dolorosos e Gloriosos, conhecidos desde a origem.

Esse documento — cujo escopo aparente consistiria em promover o Rosário — está, de fato, eivado de espírito naturalista. Isso porque essa sublime devoção, ensinada por Nossa Senhora a São Domingos, é aí considerada como uma experiência psicológica muito similar ao gênero de orações e meditações das religiões não católicas. Daí a ênfase que atribui à [suposta] "implicação antropológica do Rosário" (25), que, segundo a nova interpretação, tornaria mais compreensível o mistério do homem. Sem dúvida, os “aperfeiçoamentos” introduzidos corroboram esse sentido: os 5 novos mistérios foram especialmente escolhidos de molde a não contrariar os protestantes. Haja vista que, dentre todos os mistérios, agora aduzidos, embora narrados no Evangelho, nenhum faz menção explícita da Virgem Maria. Isso se alinha com a intenção do Papa em tornar o Rosário mais "cristocêntrico", o que significa, na prática, torná-lo menos Mariano.

Os 5 "significativos" e "luminosos" momentos que ele escolhe são:

.O Batismo no Rio Jordão

.Sua Manifestação em Caná

.A Proclamação de Seu Reinado e o chamado a conversão

.Sua Tranfiguração

.Instituição da Eucaristia

Embora todos os elementos acima sejam retirados do Evangelho (como demonstrações características da bondade, poder e misericórdia divina), cumpre notar que, exceto no caso da instituição da Eucaristia, não existe nenhuma correlação direta dos referidos episódios com o Mistério da Redenção. Não há, pois, como deixar de ver, na surpreendente inovação, um esforço para obnubilar ou deslocar a atenção do fiel dos mistérios fundamentais da Redenção, definidamente expressos nos três terços, ou seja, via contemplação dos Mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos.

Não foi por acaso que os tradicionais mistérios do Rosário apareceram alinhados nessa ordem. Uma vez concebidos nessa sequência, significa que é sobre cada um deles que nos devemos debruçar para chegar à salvação eterna. Em uma das suas Encíclicas anuais sobre o Rosário, o Papa Leão XIII explica que:

5. Além do valor que o Rosário tira da própria natureza da oração, o mesmo constitui um meio fácil para recordar e inculcar nas almas (...), mediante a repetição cadenciada das mesmas preces, a contemplação dos principais mistérios de nossa religião: em primeiro lugar, daqueles pelos quais "o Verbo se fez carne", tendo Maria, Virgem intacta e Mãe, concorrido para isso, com santa alegria, pela sua santa maternidade. Vêm depois as amarguras, os tormentos, a morte de Cristo, correspondendo ao preço da salvação do gênero humano.

Finalmente, entram os mistérios gloriosos (...) (Magnae Dei Matris, 8 de Set., 1892)

A razão para essa mudança de orientação é, pouco a pouco, mover nossa atenção para longe do mistério da Redenção (entendida como o resgate das almas dos pecadores). Resumindo, Nosso Senhor nos redime de nossos pecados, trazendo-nos de volta à amizade de Deus, pois, sendo Deus e Homem ao mesmo tempo, é capaz de satisfazer a justiça divina, oferecendo-se na Cruz em expiação de nossos pecados. Este é o ensinamento tradicional.
Para a teologia moderna, porém, a realidade é outra. Chega-se a alegar que tudo isso é supérfluo, acrescentando, de modo sofístico e blasfemo, que Deus não seria tão infantil a ponto de exigir resgate pelos nossos pecados. Segundo essa visão distorcida, para sermos salvos, bastaria refletir nas manifestações de amor, dádiva e glória de Deus, pois "cada um destes mistérios é revelação do Reino divino já personificado no mesmo Jesus". (Rosarium Virginis Mariae, 21) [sic! sic! sic!].

O resultado da recitação habitual desses luminosos mistérios redundaria, portanto, na evidente dessacralização do Rosário, com a perda do específico foco mariano, desviando a nossa atenção do indispensável propósito de nos unirmos à obra salvífica da Redenção, pela observância dos Mandamentos — sem o que é impossível agradar a Deus e obter a remissão de nossos pecados.  Com efeito, se essa nova prática for introduzida, a própria idéia do Rosário acabará por se descaracterizar, perdendo a natural razão de ser. Uma devoção vazia de sentido tende a tornar-se estéril e, aos poucos, vai caindo no esquecimento. Consequentemente, cabe-nos recusar esse "acréscimo" opcional, conservando-nos ancorados na sábia e combativa tradição da Igreja, que, ao promover a devoção ao Santo Rosário tradicional, contribuiu decisivamente para a santificação de incontáveis gerações de santos. Apesar, de per se, não constituir pecado recitar esses mistérios adicionais, compete-nos jamais estimular tal inovação, sobretudo evitando difundir ou aconselhar uma prática dessa natureza.

Padre Peter Scott
Angelus Abril 2010

quinta-feira, 18 de abril de 2013

LIÇÃO DE UM ANIMAL ‘BRUTO’ AO SER HUMANO




Elefanta defende filhote contra bando de hienas



Após árduo combate, elefanta conseguiu afugentar as hienas e  salvou seu bebê de apenas alguns dias de idade. Na foto, à frente, as duas hienas tentam distrair a atenção da mãe, enquanto o filhote aparece sendo mordido por detrás por uma hiena e, ao fundo à direita, outras feras avançam para atacá-lo. (Foto de Jayesh Mehta). O que fazem os médicos abortistas do CFM?




A página principal da “BBC/Brasil” de hoje (5-4-13) apresenta uma foto impressionante e sua comovedora história. Em Botsuana (África), um fotógrafo americano (Jayesh Mehta) flagrou uma elefanta defendendo o filhote atacado por mais de uma dezena de hienas [foto cima].

O fotógrafo não comenta, mas, vendo a cena, para mim o pensamento foi imediato: “Mãe é mãe! Até no mundo animal, uma fêmea faz de tudo para salvar sua cria; corre qualquer risco; até dá sua vida para proteger seu filhote”. E um colega, que também viu a mesma evocativa foto, disse: “O que certas ‘mães’ não fazem por seus filhos...”. Acrescentei: “O ser humano quando decaí, afastando-se da moral, pratica horrores inimagináveis, como no caso da prática abortiva em que se mata o próprio bebê. Isso constitui uma degradação tal que rebaixa o ser humano a um ente inferior ao animal, assemelha-se a hienas. Daí os traumas de uma mãe após ter praticado um aborto”.

Esta foto, ao mesmo tempo que me fez lembrar da beleza do heroísmo de uma mãe quando defende seus filhos, recordou-me também do médico abortista dos EUA que assassinou 100 recém-nascidos... (vide notícia do post anterior) Não lembra o bando de hienas da foto acima? — Leia a referida notícia da BBC (abaixo) e julgue.



Fotógrafo flagra elefanta defendendo filhote contra hienas


Fonte: BBC


Um fotógrafo captou o momento em que uma elefanta parte para cima de um bando de hienas que estavam atacando seu filhote. 

As cenas foram registradas pelo fotógrafo americano Jayesh Mehta, de 47 anos, na região de Savuti, no Parque Nacional de Chobe, em Botsuana. 

Jayesh conta como fez as imagens: “Ouvimos elefantes gritando em desespero. Ao deixarmos a pista e irmos para o mato, seguindo os sons, encontramos um grupo de 12 a 14 hienas perseguindo uma manada de cerca de oito elefantes”. 

A manada, de acordo com o fotógrafo, contava com duas fêmeas adultas, alguns elefantes adolescentes e um filhote de apenas alguns dias de idade. “As hienas estavam tentando chegar até o filhote, que, à altura em que lá chegamos, já havia sido ferido”. 

Mehta conta que o filhote estava bem próximo de sua mãe e que outros elefantes tentaram permanecer o mais perto possível do filhote. 

“Eles precisavam descansar regularmente, para seguir protegendo o bebê. E, a cada ocasião, formavam um círculo em torno do filhote”, afirma. 

“Durante a perseguição, as hienas continuaram a arranhar o bebê, ferindo-o até seriamente, especialmente no seu traseiro”, relata. [na foto do início, nota-se uma hiena mordendo-o por detrás].

Ao final do embate, a elefanta e seu filhote levaram a melhor. [como se nota na foto ao lado].

O fotógrafo se disse impressionado em ver como as hienas vinham de todos os lados, de modo a irritar os elefantes maiores e distraí-los. 

O embate entre os elefantes e as hienas durou cerca de uma hora. Depois de muita perseguição, os elefantes acabaram conseguindo escapar. 

“Foi provavelmente uma das mais empolgantes experiências (que já vivi), à qual as fotos não são capazes de fazer justiça”, disse o fotógrafo. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Um assassino em série mata com tesoura 100 recém-nascidos, mas a mídia se cala… é um médico abortista



O julgamento começou, mas a mídia americana não informa. Os depoimentos são estremecedores. Segundo a polícia, a clínica era um matadouro


Javier Lozano/ReL
1

(Tradução Helio Viana)


O establishment e a cultura do politicamente correto penetrou em todos os âmbitos da sociedade. Por isso, boa parte dos meios de comunicação não publica diretamente nada que questione o aborto e suas consequências, nem sequer seus métodos, embora estes impliquem um exagerado número de mortes. Se o aspecto moral não lhes importa, que pelo menos o lhes importasse o legal. Mas tampouco.

Esta cultura da morte que se revelou no “caso Morín”2 da Espanha, chegou também aos EUA, onde produziu um completo apagão informativo quanto ao que deveria constituit um dos julgamentos mais importantes da história daquele país.


Clinica de aborto do Dr. Kermit Gosnell.


Cravava as tesouras nos bebes

Trata-se de Kermit Gosnell, um autêntico assassino em série, acusado de ter praticado mais de cem assassinatos, aos quais deveriam somar-se os milhares que realizou meio do aborto durante mais de 30 anos. Eis a acusação formal da Promotoria: “os bebês nasceram viáveis e Gosnell os matou, depois de lhes cravar tesouras na medula espinhal. Ele ensinou seus auxiliares a fazerem o mesmo”.
Para resumir, Gosnell matava as crianças nascidas cortando-lhes com uma tesoura a medula espinhal, além de sedar várias mulheres para matar seus filhos. A isso seria preciso aduzir a má prática que teria levado à morte de uma mãe e a por em risco a vida de muitas mais.


Silêncio total da mídia

Enquanto os meios de comunicação de todo o mundo dedicam grandes espaços em suas emissões televisivas ou das páginas dos jornais a assassinos em série ou a acontecimentos envolvendo crianças, neste assunto eles optaram pelo silêncio. Um americano não saberá dizer quem é Kermit Gosnell, uma vez que os grandes meios de comunicação nada informaram sobre o julgamento. Em outros casos similares, cujos assassinos em série estavam em pleno julgamento, as manchetes entravam em ebulição, as notícias afloravam e os perfis dos assassinos eram mais do que conhecidos. Os meios faziam uma festa. Mas, neste caso, não. Por quê? Basicamente porque são vítimas do aborto e de seus médicos ladrões.
O Dr. Kermit Gosnell foi preso em Filadelfia em 2011 acusado inicialmente do assassinato de sete recém-nascidos e de uma jovem mãe. Pouco depois as provas foram mais além, podendo as vítimas mortais chegar a uma centena, assassinadas depois de nascidas e cujos restos foram encontrados espalhados por vários pontos da clínica como se esta fosse um matadouro.
Diante do silêncio generalizado sobre o caso, pequenos meios de comunicação e alguns políticos pró-vida estão tantando deitar luz e honrar a verdade dando a conhecer os detalhes do julgamento e os depoimentos que ratificam o assassinato de até cem pessoas.


A clínica, um matadouro humano

Segundo o relato, a Polícia achou numerosos restos de bebes na clínica. Pés de crianças cortados e corpos inteiros eram guardados em caixas e congeladores no porão. Ademais, as medulas espinhais tinham sido cortadas. Um autêntico matadouro.
O julgamento começou tratando do assassinato de sete crianças nascidas e de uma mãe que abortou. No entanto, o depoimento das testemunhas, entre as quais se encontram funcionários, falam de um total de cem crianças assassinadas fora do útero ao longo de 30 anos. Ou seja, cifras que colocariam o Dr. Gosnell como um dos assassinos em série mais sanguinários dos Estados Unidos.
É tal o silêncio da grande mídia como NBC, CBS ou CNN, e inclusive das agências de notícias, que os telespectadores escreveram aos referidos meios pedindo explicações do por que deram “cobertura zero” ao julgamento contra Gosnell.


“Todo manchado de sangue”

Por exemplo, o republicano Scott Perry, do estado de Pennsylvania, criticou o presidente Barack Obama por ignorar totalmente o processo judicial em que se julga a um acusado de “realizar abortos tardios e matar uma mulher”. Critica-se que o presidente dos EUA chorar pelas vítimas de Sandy Hook3 e ignorar os assassinatos em série de Gosnell.
Por tudo isso, os terríveis depoimentos que estão sendo ouvidos no julgamento tampouco estão tendo transcendência. De fato, o Escritório do Promotor do Distrito de Filadelfia afirma que “nasceram bebes viáveis e Gosnell os matou cravando-lhes as tesouras em suas medulas espinhais. Ele ensinou seus auxiliares a fazerem o mesmo”.
Enquanto isso, acumulava partes e corpos inteiros no interior de sua clínica. Pode-se ouvir nas declarações: “os móveis e os cobertores estavam manchadas de sangue. Os instrumentos não haviam sido esterilizados corretamente. Os suprimentos médicos descartáveis não foram eliminados, ao contrário, eram reutilizados uma e outra vez”.
Ademais, acrescentavam que “a saída de emergência estava fechada com cadeado e espalhadas por todas as partes – em armários, no porão, no congelador, em frascos e bolsas e recipientes de plástico – estavam os restos fetais. Era um ossário de bebes”.


“Não tenho tempo para isso!”

Aparecem também testemunhos de algumas mães forçadas a abortar e maltratadas por Gosnell. Robyn Reid não queria abortar quando engravidou aos quinze anos. Sua avó a levou à força e a jovem pensava que depois de explicar ao doutor que queria continuar a gravidez ele a ouviria. Mas a resposta de Gosnell foi outra: “não tenho tempo para isto!”. Imediatamente desnudou-a e lutou com ela até que conseguiu ata-la a uma maca suja enquanto a sedavam até perder a consciência.
Algo similar aconteceu a Davida Johnson. Aconteceu em 2001 quando acudiu à clínica do acusado para abortar quando estava grávida de seis meses. Mas mudou de ideia depois de observar as outras pacientes de Gosnell, aturdidas e ensanguentadas na sala de recuperação. Porém, na sala de tratamento os auxiliares do médico ignoraram sua negativa, foi agredida e igualmente sedada. Ao despertar já não estava grávida.
Como estes depoimentos há muitos mais, igual ou inclusive mais duros, mas não puderam chegar à grande opinião pública pelo “apagão” informativo neste assunto, o qual contrasta com as notícias mais do que anedóticas e supérfluas que se dão quando se produzem crimes chamativos nos quais há vários mortos.
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2- Doctor Carlos Morín y 11 trabajadores de sus clínicas http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=16810
3- A tragédia em Sandy Hook, Newtown, Connecticut onde foram mortas 20 crianças por um desequilibrado mental


Fonte: IPCO

terça-feira, 16 de abril de 2013

Homeschool Universitário


Movimento defende que universidade não é o único caminho para sucesso.

Fundado em janeiro de 2011 nos Estados Unidos, o UnCollege defende a independência acadêmica dos jovens




Dale Stephens, 21 anos, é líder do movimento UnCollege, que busca divulgar a ideia de que a universidade não é o único caminho para o sucesso
Foto: UnCollege / Divulgação

Dale Stephens tem uma ideia e quer propagá-la pelo mundo: a universidade não é o único caminho para o sucesso. Aos 21 anos, o fundador do movimento UnCollege traça como objetivo ensinar alunos a "hackearem" a própria educação, ou seja, a tomarem as rédeas em sua trajetória acadêmica sem serem absorvidos por conceitos previamente formados. "Eu acredito na escolha. Os estudantes devem ser livres para optar pela melhor direção para eles sem que a sociedade lhes diga que só há uma possibilidade", defende. O jovem está entre os convidados do Nova: o curso de educação da Perestroika, em Porto Alegre, com início no dia 20 de abril, e ministra palestra no dia 29 de junho.


Fundado em janeiro de 2011, o UnCollege conta com uma lista de contatos que atinge aproximadamente 15 mil pessoas. A equipe também utiliza o site (www.uncollege.org) para disponibilizar recursos para a independência acadêmica, como sugestões de leitura, listas com possíveis patrocinadores de projetos e dicas para aprender código de programação - algo essencial no mercado de trabalho, segundo eles.


Além disso, Stephens dá palestras pelo mundo todo para divulgar o trabalho do movimento e apresentar exemplos de pessoas que tiveram sucesso sem seguir as convenções. "Se nós mudarmos a percepção de que a universidade é a única possibilidade para o sucesso, vai permitir que aprendizes livres tenham as habilidades e os conhecimentos necessários em suas áreas, em vez de simplesmente obter um diploma", declara.


Se nós mudarmos a percepção de que a universidade é a única possibilidade para o sucesso, vai permitir que aprendizes livres tenham as habilidades e os conhecimentos necessários em suas áreas, em vez de simplesmente obter um diploma.




Outra atividade realizada para fomentar seu objetivo são os "Acampamentos Hackadêmicos" (Hackademic Camps), pelos quais passaram cerca de 80 pessoas. A iniciativa escolhe dez jovens por trimestre para passar um fim de semana em San Francisco, nos Estados Unidos, aprendendo a confrontar os principais problemas do ensino superior e a desenvolver habilidades para "hackear" a sua educação - o que inclui encontrar mentores e construir redes de contatos. Segundo o UnCollege, um hackadêmico é qualquer pessoa que seja curiosa, decida aprender e então compartilhar o conhecimento com o mundo, seja aos 15 ou aos 50 anos.


Em 2013, o movimento lança um novo programa para fortalecer a causa: o Gap Year, que pode ser traduzido como "ano de intervalo". Com custo de US$ 13 mil, a ação consiste em quatro etapas: os jovens, que devem ter de 18 a 28 anos, começam com uma residência de 10 semanas em San Francisco para desenvolver habilidades para uma "autoaprendizagem vitalícia". Depois, passam três meses fazendo intercâmbio e retornam ao Vale do Silício para um estágio de três meses. O programa culmina com os participantes criando um projeto que alguém se disponha a financiar – o que, segundo Stephens, é um sinal de que ele tem valor para o mundo real. A edição deste ano já encerrou as inscrições e recebeu mais de 300 candidatos.


Trajetória

Stephens, que também é autor do livro Hacking Your Education (Penguin, 2013), entende de educação não tradicional e pode defender sua causa com propriedade. Aos 12 anos, ele largou a escola e passou a estudar em casa por meio de um método chamado unschooling, termo cunhado em 1977 pelo educador John Holt. "Isso permitiu que eu direcionasse meus próprios estudos na escola e fosse em busca dos meus interesses, como tocar em uma banda de jazz, lançar e vender um negócio de fotografia, trabalhar em uma campanha política e viajar para o exterior", exemplifica.


Stephens conta que se sentiu muito frustrado no período em que esteve na escola pública, pois não estava sendo desafiado academicamente. "Eu queria escapar das estruturas rígidas do sistema escolar", relata. O jovem disse isso aos pais, que se dispuseram a deixar o filho tomar a própria decisão. "Meu amor pelo unschooling foi imediato. Depois do meu primeiro dia no método, eu disse para a minha mãe que eu havia aprendido mais naquele dia do que em toda a 5ª série", garante.


Aos 19 anos, Stephen ingressou na Hendrix University, uma instituição liberal de artes no Arkansas. De acordo com o líder do UnCollege, o motivo para ter entrado na universidade foi apenas um: é o que a maioria faz. Ele afirma que, como grande parte dos jovens, ele acreditou que precisava de um diploma para conseguir um emprego e ser bem-sucedido. Em apenas um semestre, contudo, o jovem começou a questionar esses preceitos. "Os outros alunos eram completamente desinteressados, e as aulas não tinham nenhuma relevância para o que eu queria fazer com o resto da minha vida. Concluí que não valia a pena gastar tanto tempo e dinheiro naquilo e decidi voltar a autodirigir minha educação", declara.


Graças a essa frustração acadêmica, surgiu o UnCollege. Stephens escreveu um artigo explicando todas as críticas e problemas do ensino superior, enviou para todos os contatos que encontrou e, em pouco tempo, o texto estava sendo publicado em canais de notícias. A partir daí, o jovem lançou o site do movimento e escreveu o The UnCollege Manifesto: Your Guide to Academic Deviance (Manifesto UnCollege: Seu guia para o desvio acadêmico).


Em maio de 2011, Stephens foi selecionado para o Thiel Fellowship, programa do empresário Peter Thiel (cofundador do PayPal) que dá US$ 100 mil para 20 pessoas com menos de 20 anos com o objetivo de incentivá-las a largar a faculdade e investir em seus próprios projetos. Na primeira vez que tentou participar, contudo, foi rejeitado. “Eles me convidaram para me candidatar novamente usando o UnCollege como projeto, e eu fui aceito. Foi uma oportunidade fenomenal que me deu os recursos necessários para lançar o movimento colo ele é hoje”, conta.


Futuro


Para Stephens, o futuro da educação passa pela ideia divulgada pelo UnCollege. Ele acredita que a gestão do ensino vai mudar das instituições para os indivíduos. “Com a riqueza de fontes existentes de graça ou por uma pequena fração do preço de uma universidade, as pessoas vão escolher a trajetória que funciona melhor para elas”, aponta.


O jovem crê que, apesar de se encontrar em uma realidade diferente da americana, na qual surgiu o movimento, o Brasil também tem condições de aproveitar os “mandamentos” do UnCollege. Stephens destaca que a ideia de um aprendizado autodirigido e permanente pode ser aplicado a qualquer um, em qualquer lugar. “Esteja você no Brasil ou nos Estados Unidos, dentro ou fora da escola, empresário ou não, você pode tomar o controle no seu trabalho e na educação aplicando essa mentalidade hackadêmica”, ressalta.


Fonte: TERRA

Hungria transfere escolas públicas a instituições religiosas



Vigília Pascal na Catedral de Budapeste. O governo húngaro está transferindo a
educação pública de volta a instituições religiosas.



Traduzido por: César Hernandes



O governo húngaro está transferindo escolas públicas a instituições religiosas, relatou a revista francesa L’Express.

Este plano de ação enfureceu líderes socialistas dentro e fora da Hungria, e até mesmo em países europeus onde a educação tem tido resultados desastrosos. As reclamações raivosas focam no fato de que a moral tradicional está sendo restaurada com a ajuda do plano de ação do governo húngaro.



As escolas restauraram o canto de hinos religiosos bem como a oração no início das aulas. E os pais dos alunos podem escolher o catecismo a ser ensinado a seus filhos.


As Igrejas retêm seus subsídios escolares independente do número de alunos. Na cidadezinha de Alsoörs, a qual L’Express apresenta como um caso típico, de um total de noventa e seis famílias, somente duas votaram contra a transferência da escola à Igreja, o que ressalta o forte apoio popular a essa medida.

Curiosamente, um sacerdote católico, talvez levado por uma mentalidade ecumênica ou um “diálogo” com o mundo secularizado, após consultar-se com o bispo, recusou-se a assumir uma escola.

O pastor luterano local Miklos Rasky imediatamente concordou em fazer isso e, muito satisfeito, disse: “O atual governo está aderindo a valores cristãos. Isso nos permite reconectar com o nosso papel tradicional no campo educacional.”



Socialistas estão descontentes porque a moral e valores tradicionais estão sendo
agora ensinados nas escolas com a ajuda do governo. Não é o papel do governo facilitar a prática da
virtude?



Os perplexos professores escolares, a maioria dos quais é católica, foram informados pelo pastor de que seriam substituídos por protestantes.

Oitenta escolas já foram transferidas por municipalidades, que também estavam contentes em não mais ter de pagar por estes gastos que estavam insustentáveis na crise atual.

Sindicados esquerdistas e partidos políticos também estão furiosos pelo fato de o catecismo ser agora ensinado em escolas que ainda estão nas mãos do estado.

O Ministro da Educação Rozsa Hoffmann desaprova a falta de valores morais: “Queremos restaurá-los, seja a proteção à vida humana, o respeito ao trabalho e a lei, a honestidade ou o amor ao país. A escola não é só um lugar para obter conhecimento: ela deve também transmitir valores”, explicou ele.

A lei educacional se adéqua ao contexto da nova Constituição que exalta valores cristãos e reabilita a “Coroa Sacra” dos Reis Católicos, a encarnação húngara do poder soberano.


Fonte: TFP

DO DESCANSO À OCIOSIDADE - A EVAGATIO MENTIS



Nota do Blog: Foram introduzidas as correções 
necessárias para a correta intelecção da matéria.



originalmente publicado em 29/7/2010





Conta e Tempo



Deus pede estrita conta do meu tempo
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta;
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo…

(Frei Antônio das Chagas, Séc. XVII) 



Tradicionalmente, a filosofia atribui duas partes à natureza humana, o corpo e a alma, unidos num só tudo, de modo que o homem não é apenas uma das duas partes, mas a junção de ambas.

Em razão de sua parte corpórea, o homem é um ser material. A matéria é definida como “pura potência”, porque sempre pode ser mudada e amoldada, não possuindo determinação própria, que recebe de fora, e que constitui a sua forma. 
Justamente por ser a matéria uma “indeterminação determinável”, isto é, pura capacidade de receber modelagem, é que se define alma como a “forma do corpo”. É este o princípio subsistente da vida, que, quando unida à matéria, dá a cada um a forma de homem, determinando e dispondo a constituição de cada indivíduo para formar a unidade substancial da natureza humana. Em outras palavras, a matéria é a “parte fraca”, que está aberta a uma moldagem, enquanto que a alma é a “parte forte”, porque é o princípio determinador da vida, capaz de se unir à matéria, tornando-a um corpo ordenado, para assim formar a unidade substancial da natureza humana.

Entretanto, se a alma é um princípio vital, e por isso mesmo essencialmente imutável e imortal, o corpo, por sua vez, é passível de mudança, porque a matéria pode receber ou perder as suas determinações de forma. Deste modo, a morte é o fim inevitável dos seres corpóreos, pois a união entre corpo e alma se desfará um dia, quando o corpo atingir o grau máximo de deterioração, além do qual impossibilitará a vida.

Por essa mesma razão, a fraqueza e passividade da matéria exige que o ser humano continuamente descanse. O homem possui muitas limitações físicas e psíquicas, de modo que continuamente necessita recompor-se, a fim de não cair na exaustão. A matéria não é capaz de assegurar uma atividade ilimitada ou ininterrupta, pois o desgaste total conduziria imediatamente à morte.

Assim Deus fez o homem para que, até mesmo em seu cansaço, algo da eternidade pudesse ser aprendido. Com efeito, o descanso – especialmente o sono – é figura da Vida Eterna, quando o homem terá posse do fruto de todos os seus trabalhos, e estará em completo repouso em Deus, mas um repouso ativo, porque o Céu consiste na união amorosa do homem com Deus.

Nesse sentido, o descanso é parte essencial da vida humana, seja na terra, seja, de forma análoga, na eternidade. 
Entretanto, como em qualquer ato humano, há sempre uma justa medida, que eu não compactue com falta ou excesso. Afinal, quem descansa pouco, ainda não completou o seu repouso, mas quem descansa demais, prejudica a vida ativa e deturpa o fim do repouso. Este assunto, aparentemente banal, é a raiz da esterilidade da vida espiritual de muitos, pois o descanso, fora de sua justa medida, já não é repouso, mas ociosidade. Cabe agora perguntar: no que consiste o descanso?

O descanso é um momento de passividade, quando o homem deixa as suas atividades ordinárias, sejam quais forem, e se aplica a restituir suas forças perdidas. Por conseguinte, o entretenimento pode ser uma maneira de descanso. Tendo o homem variadas formas de cansaço físico e psíquico, por muitos meios ele procurará readquirir o pleno uso de suas capacidades, desde atividades feitas em vigília até o próprio sono, realizando passeios, jogos, viagens, leitura de um agradável livro, música, conversas, banhos, exercícios físicos, etc. Mediante tais recursos,  cada um encontra sua forma peculiar de exercer um tempo de passividade, livre das preocupações diárias.

Visto assim, o descanso é como um contratempo, um fôlego, uma pausa em relação às atividades ordinárias. Não existe um descanso sem retorno, porque a natureza do descanso reside  propriamente em existir para a execução plena e saudável das obrigações rotineiras. O descanso é um repouso em direção ao movimento. Esta é a sua justa medida e razão de existir.

Saindo de seus limites, o descanso torna-se uma deformação, pondo tudo a perder à sua volta. Aqui cumpre ressaltar o papel do pecado original. Com efeito, a natureza humana está decaída pelo pecado de Adão, de modo que a inteligência dificultosamente chega à verdade, e a vontade tende ao mal. Em consequência, o pecado original contribui como causa para a distorção do descanso e da sua finalidade, impondo ao homem uma tendência ao exagero.

A partir daí, o que devia ser um momento de passividade, um repouso em direção ao movimento, torna-se evagatio mentis— divagação ou dissipação da mente. O homem perde o interesse pela finalidade, fadiga-se com os objetivos e quer apenas “vagar” em divertimentos e que só desperdiçarão o seu tempo, sem conduzi-lo a nenhuma meta.

A dissipação da mente consiste em uma abstenção da vontade e da ação. Este vício está diretamente ligado à vã curiosidade, a um simples desejo de olhar tudo, sendo que nada efetivamente lhe desperte interesse. É uma apatia completa da alma, “cansada” ou entediada pelas suas atividades, inerte nos entretenimentos que a conduzem a uma passividade mórbida.

Segundo o psiquiatra Enrique Rojas, em O homem moderno: A luta contra o vazio, este é exatamente o perfil psicológico contemporâneo. Com efeito, vivemos numa época “cansada”, mesmo sem ter trabalhado à exaustão, pois o homem moderno está entregue à passividade, a tudo o que é fácil e cômodo. A gênese desta atitude se acha no relativismo e no subjetivismo, que corrompem no homem a busca pelo Bem, reduzindo tudo a mera questão de deleite pessoal. Desse modo — ausente meta estabelecida e os meios para concretizar uma finalidade maior —, visto que todas as pulsões do homem estão corroídas pelo relativismo, o indivíduo ziguezagueia inevitavelmente, sem rumo, sem objetivo na vida, entregue apenas ao bem estar, ao consumismo, à permissividade e ao hedonismo. Tal atitude mental contribui em muito para desencadear a evagatio mentis, ao modo de um navio sem rumo, sempre à deriva.

Um católico não pode, pois, entregar-se à ociosidade, sob o risco de fazer ruir a sua vida espiritual. Deus é o nosso fim último, e deu a cada um tempo determinado para alcançá-Lo, através da constante busca da santificação. Quem se deixa dominar pela ociosidade perde o tempo que Deus lhe deu, deixando de fazer a única obrigação exigida do homem sobre a terra, e consequentemente afasta-se do seu Sumo Bem. Não se trata, contudo, de um pecado mortal, mas de um fastio pelo bem a ser feito, em virtude da passividade a que a alma está entregue. Não sem razão Santo Tomás classifica a evagatio mentis como a primeira filha da acídia, a preguiça espiritual.

A tendência ao exagero causada pelo pecado original distorce o fim do descanso, tornando-o ociosidade. Tal vício destrói no homem a vida de oração, que para muitos chega a se tornar uma indesejável obrigação, um verdadeiro fardo. Ora, sem vida de oração e entregue a um entretenimento vazio e sem relação com a vida ativa – porque o exagero secciona o descanso da sua natural vinculação com as obrigações ordinárias –, facilmente a imperfeição torna-se pecado, e para que a alma caia em falta grave muito pouco falta, tendo em vista a exposição sem rotineira ao pecado venial. Em resumo, a preguiça, a ociosidade e a divagação da mente minam o desenvolvimento das atividades do homem, porque ele passa a administrar imprudentemente o seu tempo. E uma alma entregue à passividade tem dificuldade em manter a vida de oração, de modo que, caso não venha a corrigir radicalmente esse defeito, cairá na indiferença com relação às coisas da Religião, o que pode culminar no pecado mortal. Pessoas que não corrigem a deficiente vida de oração, vivendo numa constante dissipação de espírito, facilmente caem, porque a alma está longe da fonte que a faz permanecer na graça e no amor a Deus.

Tais constatações tornam-se mais profundas quando se observam os preciosos ensinamentos do Abade Jean-Baptiste Chautard em A alma de todo o apostolado. Com efeito, nesse livro D. Chautard explica que a vida ativa – ou seja, a vida de apostolado – é resultado e manifestação da vida contemplativa, isto é, da vida de oração. Só tem apostolado frutífero e eficaz quem o faz brotar de uma autêntica e profunda vida de oração. Deus é a causa primeira, e aquele que confia seu apostolado a Deus, pela oração, obtém todo o sucesso, porque não esperou o mero favorecimento das circunstâncias. A Sagrada Escritura ensina que Deus ouve a oração do humilde, mas abate a do orgulhoso. Deste modo, quem reconhece a sua absoluta e radical dependência de Deus, faz toda a sua vida ativa depender de uma incondicional entrega a Deus pela oração.

O católico é aquele que sabe reconhecer, assim como está na Salve Rainha, que este mundo é um desterro, porque estamos apenas conquistando, dia após dia, a posse da Vida Eterna, isto é, estamos aqui de passagem. Por esta razão, um verdadeiro católico faz tudo tendo em vista a glória de Deus e salvação da própria alma. Quando pratica a autodisciplina, sacrifícios, aceita renúncias, ele o faz porque tais práticas o conduzem a Deus. Caso contrário, nem fariam sentido. Portanto, manter uma autêntica vida de oração equivale a reconhecer que esta vida só merece ser vivida em razão da salvação eterna, e por isso mesmo não há tempo para divertimentos irresponsáveis, nem para entretenimentos vazios. Tudo quanto fazemos é por Deus, e não por nós mesmos. Mesmo quando o homem descansa, está recuperando forças para adquirir maior ânimo em face das batalhas e lutas que terá de enfrentar. Assim como aqueles três mancebos, que foram cantando para a fornalha na qual seriam consumidos, também o católico vai alegremente enfrentando as provações, sofrimentos e contrariedades desta vida, sabendo serem estes os meios pelos quais se une a Jesus no Calvário, morre para a glória deste mundo, e ganha a verdadeira felicidade, que não pode encontrar na terra, mas só em Deus. Que o Sagrado Coração de Jesus, de onde a lança fez jorrar Sangue e água, seja para nós um verdadeiro refúgio de todas as falsas consolações do mundo, e que nos dê o repouso e o descanso que nossas almas procuram, aqui na terra em forma de graça, e na eternidade, em forma de glória.




Brevíssimo exame de consciência


1. Quando desejo descansar e relaxar, qual é a atividade que costumo empreender? Em qual entretenimento ou divertimento me ocupo usualmente? O que faço para adquirir um momento de passividade?

2. Agora que já pensou a respeito, reflita se tem empregado tempo suficiente para descansar e readquirir as forças gastas, o ânimo perdido e a motivação necessária para continuar as atividades ordinárias. Este tempo é suficiente ou muito além do necessário?

3. Para colaborar na autodisciplina, tem empregado um tempo determinado para os divertimentos? Escolhe um horário do dia, com começo e fim, para se aplicar em atividades de descanso, ou confia demasiadamente em seu próprio autocontrole, de modo que sempre acha que pode parar quando bem entende?

4. Tem comprometido as suas obrigações – especialmente as orações do dia – por causa dos entretenimentos? Aplica nele um tempo indeterminado, enquanto para a oração e para as outras atividades tem empregado o tempo que sobra? Tem procurado corrigir esta falha, disciplinando a própria vida de oração com horários regulares para rezar, de modo que nenhuma outra atividade o prejudique?

5. Julga que é facilmente vencido pela preguiça e pela ociosidade? Tem disciplinado as atividades, de modo que tenha um horário para rezar e estudar, e outro para descansar? Tem procurado utilizar prudentemente as diversões, ou elas se constituem como verdadeira perda de tempo, de modo que outros entretenimentos ser-lhe-iam mais saudáveis e produtivos?

6. Tem considerado que Deus lhe dá o tempo para empregá-lo na sua santificação e salvação? Considera que esta vida é passageira, e que aqui jamais terá um repouso permanente e completo? Considera que este mundo é um desterro, porque está aqui para conquistar a vida eterna? Tem administrado sábia e prudentemente o tempo, ou confia que sempre haverá tempo para corrigir os seus desperdícios?

O valor do tempo


‘Time Jesum transeuntem et non reverendem’
[‘TEME A JESUS QUE PASSA E NÃO VOLTA’]



Raphael de la Trinité


  Encontrei este pensamento de Alexandre Dumas: "On ne fait jamais le bien assez vite. Est-ce qu'il a le temps d'attendre?". Equivaleria, em português, à seguinte idéia: ‘Na prática do bem, mesmo a maior presteza não é suficiente. Há sempre escassez de tempo. A ocasião passa depressa e nem sempre volta’. A reflexão do célebre literato francês encontra sólido apoio na Fé. (‘Time Jesum transeuntem et non reverendem’).


A título de subsídio, ocorre-me transcrever uma breve citação (ler abaixo) da seguinte obra 

Meditações Práticas Para Todos os Dias do Ano 
Segundo a Vida e a Doutrina de N. S. Jesus Cristo
VERCRUYSEPe. Bruno, S. J.
Tradução e Adaptação Portuguesa revista por
SÁ E COSTA, Pe. Luiz Moreira de, S. J.
Tomo I (de 1º de janeiro a 30 de junho)
Livraria Apostolado da Imprensa
Porto 1950/ 542 p. 

EMENTA - 'O tempo vale tanto como Deus (e eis porque e como continua S. Bernardo); porque cada instante bem empregado pode valer-nos a posse eterna do mesmo Deus'. 

SOBRE O VALOR DO TEMPO

"'O tempo vale tanto quanto o céu', diz S. Bernardo. Nada mais certo, porque ninguém entrará no céu sem ter sido provado no tempo, nem o possuirá (ao céu), segundo as divinas promessas, senão como recompensa do bom emprego do tempo. Esta eterna recompensa pode depender dum único momento bem empregado. Sirva de exemplo o bom ladrão. Tinha sido má toda a sua vida: agora agoniza; mas neste momento supremo, iluminado pela graça, reconhece humildemente suas culpas e implora a misericórdia do Senhor. Tanto basta para que Jesus logo lhe garanta a posse do céu: 'Hoje estarás comigo no paraíso' (Luc., XXIII, 43).
  • I PONTO (...)
APLICAÇÕES -- Qual não será, pois, o apreço em que devemos ter o tempo que se nos concede? Devemos estimá-lo mais do que o diamante que valesse o melhor reino na terra. Pois o que é um reino destes comparado com o Reino dos céus? E poder o bom emprego do tempo valer-nos a posse eterna de tal Reino! Além disso, o bom emprego de cada momento rende novo grau de glória e felicidade no céu: é um novo céu no mesmo Céu!

AFETOS -- Atos de fé sobre verdade tão animadora, e de pesar pelo desperdiçar do tempo.
PROPÓSITOS -- Melhor distribuição do tempo, para nós o aproveitarmos. Se a falta de método é a razão da perda do tempo, nada o faz render tanto como uma prudente distribuição. (...)
  • II PONTO (...)
APLICAÇÕES -- 'Uma só gota do precioso sangue de Jesus Cristo basta, diz S. Tomás, para resgatar o mundo. (...)
PROPÓSITOS -- Imitar os Santos: nunca julgavam demais tudo o que faziam para aproveitar a mínima parcela de tempo. Santo Afonso de Ligório e muitos outros chegaram a obrigar-se por voto a não o perder voluntariamente.
  • III PONTO 
CONSIDERAÇÕES -- 'O tempo vale tanto como Deus (e eis porque e como continua S. Bernardo); porque cada instante bem empregado pode valer-nos a posse eterna do mesmo Deus'. Por isso, que conta rigorosa havemos de dar dele [do tempo]! Uma palavra ociosa profere-se num instante; e Jesus afirma-nos que esta perda de tempo, a nosso ver tão insignificante, não passará despercebida. 'Eu vo-lo digo que toda palavra ociosa que os homens disserem, dela darão conta no dia do juízo' (Mat. XII, 36).
APLICAÇÕES -- (...) Nos nossos exames de consciência pedimos, a nós mesmos, rigorosas contas do emprego do tempo, buscamos ver em que o desperdiçamos e quais as causas deste desperdício? Confessamo-nos desta falta com arrependimento e propósito sincero de emenda? Procedamos a um exame minucioso: vejamos quando, onde e como perdemos o tempo, a fim de melhor o empregarmos no decurso deste novo ano [NOTA: a meditação corresponde aos dias 4 e 5 de janeiro].

SOBRE O BOM EMPREGO DO TEMPO
  • I PONTO
CONSIDERAÇÕES -- (...) Ensina-nos a fé que nenhuma ação, por melhor e mais santa que seja de sua natureza, é meritória para o céu se quem a pratica está em pecado mortal (...). Que perda e que infelicidade! (...)
APLICAÇÕES -- (...) E se fosse necessário, para perseverar até ao último suspiro nesta resolução, estar dispostos a qualquer sacrifício, não o estaríamos?
AFETOS -- Aumentai em nós, Senhor, a estima e o amor ao vosso santo serviço e à nossa vocação.
PROPÓSITOS -- Esforcemo-nos em procurar para o nosso próximo a felicidade que desfrutamos, desviando-nos, quando estiver na nossa mão, do miserável estado de pecado.
  • II PONTO (...)
APLICAÇÕES -- Não devemos temer vermo-nos despojados, ao menos parcialmente, do mérito de muitas de nossas boas obras, se o amor próprio, a vaidade, o desejo de agradar aos homens, estão secretamente na raiz dos motivos que nos movem a praticá-las? Entrai nos esconderijos do vosso coração e tende a coragem de vos interrogar e de responder a vós mesmos... (...)
  • III PONTO (...)
CONSIDERAÇÕES (...) -- Fazemos muitas ações boas, com intenção habitualmente reta, mas fazemo-las com desleixo, com tibieza, com muitas imperfeições. O tempo que empregamos nelas será perdido em grande parte e vazio de méritos. É por este motivo que o Espírito Santo urge com tanta energia: que sejamos cuidadosos e perfeitos em tudo o que fazemos -- In omnibus operibus tuis praecellens esto (Ec., XXXIII, 23).
APLICAÇÕES (...) -- 'Num curto prazo terá alcançado uma longa carreira', como diz do justo o Livro da Sabedoria (Sap. IV, 13). Só de nós depende, afinal, participarmos desta felicidade. Bom meio para consegui-la é acostumarmo-nos, quando nos benzemos, juntar às palavras do sinal da cruz, que devemos fazer muitas vezes, estas outras: 'Quero fazer bem esta ação'; e depois examinarmo-nos, ao terminá-la.

COLÓQUIO -- Com S. Estanislau Kotska que, ainda antes de abraçar o estado religioso, chegou em pouco tempo a uma grande santidade; não porque tivesse praticado acções de grande brilho, mas porque eram todas, mesmo as mais insignificantes, acompanhadas duma grande pureza de intenção e duma caridade ardente. Deste modo santificava ele o tempo, sem perder inutilmente para o céu um só momento. Peçamos-lhe nos obtenha a graça de o imitar (op. cit. p. 31, 32, 33, 34, 35).      
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