quinta-feira, 9 de maio de 2013

JMJ: Festa de Rua e Estações da Cruz





Tomado em: A Grande Guerra
Original: Tradition in Action


Margaret C. Galitzin
Traduzido por Andrea Patrícia



Jovens homens e mulheres descansam juntos,
esperando pelas Estações na Praça Cibele [Madri]



Uma grande atmosfera de carnaval prevaleceu durante as festividades da Jornada Mundial da Juventude [JMJ] 2011 em Madri. “Parecia uma festa de rua universal promovida pela Igreja Católica”, disse uma repórter da JMJ.

Na sexta-feira à noite, 18 de agosto, entretanto, a festa teve uma pausa para a encenação da Via Sacra na Praça de Cibele, presidida pelo Papa. Magníficas e solenes estátuas da Semana Santa de cidades de toda a Espanha foram colocadas ao longo da rua para ilustrar cada estação, algumas guardadas por membros de confraternidades em roupas cerimoniais. A orquestra e o coro da JMJ forneceram um pano de fundo musical.

Era uma oportunidade para introduzir milhares de jovens a linda tradição da Igreja que muitos não conhecem. Infelizmente, o esforço falhou seriamente em dois aspectos.

Primeiro: o número e a ordem tradicionais das estações foram modificados. Não apenas as 14 estações foram reordenadas, mas algumas foram deixadas de fora e novas cenas foram introduzidas, como a Última Ceia, o Beijo de Judas e a Negação de São Pedro (estações 1 a 3). Em vez das três quedas de Cristo, houve apenas uma. Durante o comentário daquela única queda, foi dito aos jovens que aquela cena não era “bíblica” e nós poderíamos apenas imaginar o que “provavelmente” aconteceu.

A segunda e mais grave falha foi o conteúdo revolucionário das estações. Essa não foi uma apresentação tradicional da Paixão de Cristo, que sofreu e morreu para redimir o homem da punição devida ao pecado. Foi uma Via Sacra filantrópica-progressista, retratando Cristo sofrendo pelos “pecados contra a humanidade”. Ele foi transformado num modelo que alivia os homens da injustiça social ou das consequências dos desastres naturais. Vídeos explicando o significado da Via Sacra exibiram documentários sobre vítimas do terrorismo, a ruína do Haiti, e, claro, Auschwitz.

Esse Caminho da Cruz “incorporou as provações e experiências da Igreja universal”, afirmou o boletim com o programa. Enquanto as estações se desenrolavam, guerra, desemprego, racismo, alcoolismo e vício em drogas foram apresentados como os maiores “pecados sociais” dos nossos dias, e a comiseração foi estendida aos imigrantes e aos párias religiosos e sociais. Representando esses grupos “marginalizados” da sociedade, grupos de jovens se revezavam em turnos carregando a grande cruz da JMJ. Nenhum código de vestuário foi imposto para participantes na cerimônia e muitas garotas que carregaram a cruz estavam usando shorts, minissaias ou calças coladas.

A primeira estação, A Última Ceia, foi uma eficaz negação da Fé Católica como a única e verdadeira fé. Nela, foi feito um chamado ecumênico para todos os homens viverem juntos em paz, sem perseguição religiosa ou discriminação. Um apelo foi adicionado a todos aqueles que acreditam em um Deus para viverem em justiça e fraternidade (Os textos da Cruz para a JMJ Madri 2011). 



Acima, A Negação de Pedro, uma nova estação da JMJ.

Abaixo na primeira fileira, representando os ‘pecados sociais' jovens carregam a cruz; segunda fileira, uma foto durante a cerimônia.



O pecado pessoal nem mesmo foi mencionado. Nem uma palavra sobre a torrente de pecados veniais e mortais cometidos em nossos dias que causaram o sofrimento de Nosso Senhor. Nem um único apelo pelos infinitos méritos da Paixão de Nosso Senhor para aplicar aos nossos pecados para nos levar a contrição e ao arrependimento. Não, a juventude foi chamada a considerar apenas os “pecados sociais.” 


Enquanto as Estações continuavam, o comentário focava mais agudamente na “dignidade do homem”. Na Morte de Cristo, a 11ª estação (ápice dessa nova forma de Via Crucis) era dito aos jovens para perguntarem-se: “Eu estou trabalhando para espalhar e proclamar a dignidade da pessoa e o evangelho da vida?”.

Aqui, a juventude não era lembrada sobre o triunfo de Cristo sobre a morte ou que Cristo por Seu Sacrifício na Cruz nos resgatou e reconciliou com Deus. Eles não ouviram que Cristo, o segundo Adão, ofereceu Sua vida na Cruz para redimir a culpa do primeiro Adão. Ou que a escravidão da qual Cristo adquiriu a humanidade através da Sua morte é a escravidão do pecado.

Em vez disso, na Tirada de Cristo da Cruz, foi falado à juventude que Cristo compartilha o destino das vítimas da AIDS que precisam de compaixão e ajuda. Nem uma única palavra de censura à homossexualidade, a causa principal da AIDS. Nem uma menção de que a AIDS é uma punição por esse pecado que clama aos Céus pela vingança de Deus.

Essa Via Sacra progressista não estaria completa sem um ataque indireto ao Capitalismo e a riqueza. Isso veio na 13ª Estação, quando o Cristo Crucificado está deitado no colo de Sua Mãe. Então, os jovens foram convidados a lamentar com os pais que perdem seus filhos por causa da fome, enquanto “sociedades abastadas, engolidas pelo dragão do consumismo e perversão materialista, afundam no niilismo de suas vidas vazias”

Enquanto Cristo jazia em Sua Tumba, os jovens eram lembrados sobre aqueles que sofrem de catástrofes como tsunamis, terremotos, furacões. Mais uma vez, nenhuma menção de que tais atos foram dirigidos por Deus e poderiam muito bem ser punições pelos pecados dos homens.

Mensagem Papal




A multidão saúda o papamóvel quando as Estações terminam.

A mensagem de Bento aos jovens no fim das Estações não foi um conselho para que eles deixem de pecar, para serem castos, para mudarem de vida, para professarem a Fé Católica e seguirem as leis Morais. Em vez disso, ele pregou o evangelho do homem, afirmando: “A Paixão de Cristo nos impele a tomar sobre os nossos ombros o sofrimento do mundo.”

A mensagem foi que a boa pessoa, não importa de qual credo, é aquela que serve a humanidade. Ele não fez nenhuma menção a necessidade de estar em estado de graça, mas enfatizou a necessidade de aliviar o sofrimento da humanidade. Esse é o caminho de salvação na nova religião centrada no homem da Igreja do Vaticano II pregada na Via Sacra da JMJ.

As estações terminaram, e o tom mudou rapidamente. Enquanto Bento se dirigia ao papamóvel, a multidão o saudava, uma massa de braços nus acenando no ar. Então, às saudações de “Bento! Bento!” o Papa deixou a Praça Cibele e os jovens se moveram do vasto espaço de Quatro Ventos para a vigília e a grande festa do pijama. A festa de rua continuou.

  
As 15 Estações de Madri: 


   1. Última Ceia
   2. Beijo de Judas
   3. Negação de São Pedro
   4. Jesus é condenado à morte
   5. Jesus carrega a Cruz
   6. Jesus cai sob o peso da Cruz
   7. Simão Cireneu ajuda Jesus a carregar a Cruz
   8. Verônica enxuga a Face de Jesus

   9. Jesus é despido de Seus trajes
   10. Jesus é pregado na Cruz
   11. Jesus morre na Cruz
   12. Jesus é descido da Cruz
   13. Jesus nos braços de Sua Mãe
   14. Enterro de Jesus
   15. Nossa Senhora das Dores

As 14 Estações Tradicionais:


1 - Jesus é condenado à morte
2 - Jesus toma a Sua Cruz 
3 - Jesus cai pela 1ª vez 
4 - Jesus encontra Sua Mãe 
5 - Jesus é ajudado por Simão
6 - Verônica enxuga a Face de Jesus
7 - Jesus cai pela 2ª vez
8 - Jesus fala às mulheres de Jerusalém 
9 - Jesus cai pela 3ª vez
10 - Jesus é despido de Seus trajes
11 - Jesus é pregado na Cruz
12 - Jesus morre na Cruz
13 - Jesus é descido da Cruz
14 - Jesus é deitado na tumba

Como o demônio se comporta – Pe. Gabriele Amorth









EMENTA

O DEMÔNIO FAZ DE TUDO PARA DISSIMULAR A SUA PRESENÇA

A certa altura o demônio dirigiu-se a ele [um padre sem fé]: “Tu dizes que não acreditas em mim. Mas acreditas nas mulheres, nelas acreditas, ah sim, nelas acreditas e de que maneira!”.

*** *** ***

Antes de ser descoberto, durante o exorcismo, na proximidade da saída e após a libertação.




Duma forma geral, podemos dizer que o demônio faz tudo para não ser descoberto, mostra-se muito lacônico e procura todos os meios para desencorajar o paciente e o exorcista. Para melhor clarificação podemos classificar este comportamento em quatro fases: antes de ser descoberto, durante os exorcismos, na proximidade da saída e depois da libertação. Assinalamos igualmente que nunca se encontram dois casos iguais. O comportamento do Maligno é o mais variado e imprevisível. Só farei referência a certos aspectos de comportamento mais frequentes.


1 – Antes de ser descoberto.

O demônio provoca distúrbios físicos e psíquicos: a pessoa envolvida procura tratar-se com médicos, mas nenhum suspeita da verdadeira origem do seu mal. Os médicos, em certos casos, começam um longo tratamento, testando diversos medicamentos, que resultam sempre ineficazes; por isso é vulgar que o paciente mude várias vezes de médico, acusando-os a todos de não entenderem a sua doença.

O tratamento dos males psíquicos é o mais difícil; muitas vezes os especialistas não notam nada (como também acontece com as doenças físicas), e a vítima passa por um “obcecado” aos olhos dos familiares. Uma das cruzes mais pesadas destes “doentes” reside no fato de não serem nem compreendidos, nem acreditados.

Quase sempre acontece que, estas pessoas, depois de terem batido às portas da medicina oficial, em vão, mais tarde ou mais cedo acabam por se dirigir a curandeiros, ou ainda pior a adivinhos, bruxos, quiromantes, ou feiticeiros. E assim ainda pioram os seus males.

Normalmente, quando alguém recorre a um exorcista (aconselhado por um amigo, raramente por sugestão de um padre) geralmente já fez o percurso pelos médicos que o deixaram numa desconfiança total e, na maioria dos casos, já foi aos bruxos ou similares. A falta de fé ou pelo menos o fato de não ser praticante, juntamente com a imensa e injustificável carência eclesiástica neste domínio, permitem compreender este tipo de comportamento. A maior parte das vezes é um verdadeiro acaso encontrar alguém que fale da existência de exorcistas.

Não esquecer que o demônio, mesmo nos casos de possessão total (em que é ele que falta e age servindo-se dos membros da sua infeliz vítima) não age continuamente, mas intercala a sua ação (designada em linguagem corrente sob a designação de “momentos de crise”), com fases de sossego mais ou menos longas.

Excetuando os casos mais graves, a pessoa pode prosseguir os seus estudos ou o seu trabalho de forma aparentemente normal, sendo ele o único na realidade, a saber, o preço desses esforços.


2 – Durante os exorcismos.

Em principio, o demônio faz tudo para não ser descoberto ou pelo menos para dissimular a amplitude da possessão, embora não o consiga sempre. Por vezes é obrigado a manifestar-se desde a primeira oração, por causa da força dos exorcismos.

Lembro-me de um jovem que, quando recebeu a primeira bênção, apenas me inspirou uma ligeira desconfiança, então pensei ”É um caso fácil: uma, ou talvez duas bênçãos, será o suficiente para resolver o problema”. Na segunda vez, enfureceu-se; a partir daí já não voltei a começar o exorcismo sem ter comigo quatro homens robustos, para segurá-lo.

Noutros casos é preciso esperar a hora de Deus. Recordo-me duma pessoa que tinha procurado vários exorcistas (incluindo a mim próprio) sem que alguém lhe tivesse encontrado alguma coisa de especial. Até que um dia o demônio manifestou-se nos exorcismos como habitualmente, com a frequência necessária para libertar os possessos.

Em certos casos, logo desde a primeira ou a segunda bênção, o demônio revela por vezes toda a sua força, que varia de pessoa para pessoa; outras vezes, esta manifestação é progressiva; há pessoas que apresentam em cada sessão problemas novos. Dá a impressão de que todo o mal que está neles deve aparecer pouco a pouco para poder ser eliminado.

O demônio reage de forma muito diferente às orações e às ordens. Muitas vezes esforça-se por se mostrar indiferente, mas, na realidade, ele sofre e o seu sofrimento vai aumentando até que se chegue à libertação. Alguns possessos ficam imóveis e silenciosos, não reagindo às provocações senão com os olhos.

Outros lutam: convém então segurá-los para impedir os cativos de fazerem mal; outros se lamentam, sobretudo quando se lhes aplica a estola sobre os locais dolorosos, como indica o Ritual, ou ainda quando se faz um sinal da cruz ou quando se asperge com água benta. Raros são os que se mostram com fúrias, mas esses devem ser segurados com firmeza pelos assistentes do exorcista, ou pelas pessoas da família.

No que se refere a falar, os demônios geralmente mostram-se muito reticentes. O Ritual determina justamente que não se façam perguntas por pura curiosidade, mas que se pergunte só aquilo que pode ser útil à libertação.

A primeira coisa é o nome: para o demônio, tão pouco dado a manifestar-se, o fato de revelar o seu nome constitui uma derrota; quando diz o nome, mostra-se sempre relutante em repeti-lo nos exorcismos posteriores. Ordena-se em seguida ao Maligno que diga quantos demônios habitam no corpo de paciente. Esse número pode ser elevado ou reduzido, mas há sempre um chefe que usa o primeiro dos nomes indicados.

Quando o demônio tem um nome bíblico ou dado pela tradição (por exemplo: satanás, ou belzebu, lúcifer, zabulão, meridiano, asmodeu…) trata-se de caça grossa, mais dura para vencer. Mas a dificuldade em grande parte reside na força com que o demônio tomou posse duma pessoa. Quando são vários demônios, o chefe é sempre o último a sair.

A força da possessão resulta também da reação do demônio aos nomes sagrados. Regra geral o maligno não pronuncia nem pode pronunciar estes nomes: Substitui-os por outras expressões como “Ele” para designar Deus ou Jesus, ou “Ela” para designar a Santíssima Virgem. Pode também dizer: “O teu chefe” ou “a tua patroa” para falar de Jesus ou de Nossa Senhora.

Por outro lado, quando a possessão é excessivamente forte, o demônio é de um coro elevado (recordemos que os demônios conservam o coro que ocupavam enquanto anjos como os Tronos, os Principados, as Dominações…), então pode acontecer que pronuncie os nomes de Deus e de Santa Virgem, mas acompanhados de horríveis blasfêmias.

Muitas pessoas creem — não se sabe bem por que motivo — que os demônios são linguareiros e que, se uma pessoa vai assistir a um exorcismo, o demônio vá enumerar todos os seus pecados em público. Não há nada mais falso, os demônios falam com precaução e quando se apresentam faladores, dizem coisas estúpidas a fim de distrair o exorcismo e de escapar às suas perguntas. Podem acontecer exceções.

O Pe. Cândido convidou certo dia para assistir a um dos seus exorcismos um sacerdote que se gabava de não acreditar nisso. Este aceitou o convite, e quando lá estava adotou uma atitude quase de desprezo ficando com os braços cruzados, sem rezar (ao contrário do que devem fazer os presentes) e com um sorriso irônico nos lábios. A certa altura o demônio dirigiu-se a ele: “Tu dizes que não acreditas em mim. Mas acreditas nas mulheres, nelas acreditas, ah sim, nelas acreditas e de que maneira!”. O desgraçado recuou devagarzinho em direção à porta e escapou-se à toda a pressa.

Outra vez o demônio fez a descrição dos pecados para desencorajar o exorcista. O Pe. Cândido fora benzer um belo jovem que tinha dentro de si uma besta mais fera do que ele. O demônio tentou desencorajar o exorcista, nestes termos: “Não vês que está a perder o teu tempo com este? Ele é daqueles que nunca rezam, é um dos que freqüentam…, é um dos que fazem…”, seguindo-se a narração de uma longa série de vergonhosos pecados. No fim do exorcismo, o Pe. Cândido delicadamente tentou convencer o jovem a fazer uma confissão geral. Mas ele não queria saber de nada disso. Quase que foi preciso empurrá-lo à força para um confessionário; e, mesmo lá, apressou-se a dizer que não tinha nada de que tivesse de se acusar.

“Mas não fizeste tal coisa em tal ocasião?” insistiu o Pe. Cândido. E o jovem, estupefato, teve de reconhecer a sua falta. “E por acaso não fizeste aquilo?” e o desgraçado cada vez mais confuso, teve de reconhecer um após outro, todos os pecados que o Pe. Cândido lhe recordava, valendo-se das declarações do demônio. Depois, finalmente, recebeu a absolvição. E o jovem foi-se embora confuso: “Já não percebo nada! Estes padres sabem tudo!”.

Entretanto o Ritual sugere que se pergunte também há quanto tempo o demônio se encontra naquele corpo, por que razão, etc… Falaremos oportunamente acerca do comportamento que convém adotar em caso de bruxaria, questões que é importa comentar, ensinando a maneira de agir.

Por agora sublinharemos que o demônio é o príncipe da mentira. Pode perfeitamente acusar tal ou tal pessoa, a fim de suscitar suspeitas e inimizades. As respostas do demônio devem ser sempre passadas ao crivo cuidadosamente.

Contentar-me-ei em dizer que o interrogatório do demônio geralmente tem uma importância reduzida. Aconteceu muitas vezes, por exemplo, que o demônio, ao sentir-se muito enfraquecido, respondia a perguntas relativas à data da sua saída e depois, de fato, não saía naquela data.

Um exorcista experimentando como o Pe. Cândido, que percebia imediatamente que tipo de demônio estava a enfrentar e adivinhava a maior parte das vezes até o seu nome, fazia muito poucas perguntas. Outras vezes quando perguntava o nome, o demônio respondia: “Tu já sabes”. E era verdade.

Em geral os demônios falam espontaneamente nos casos de possessões fortes, para tentar desencorajar ou amedrontar o exorcista. Eu próprio ouvi por diversas ocasiões frases do tipo: “Não podes nada contra mim!”; “Aqui é a minha casa!”; “Estou aqui bem e fico aqui!”; “Só estás a perder o teu tempo!”. Ou então ameaças: “Vou devorar-te o coração!”; “Esta noite o medo há de te impedir de fechares os olhos”; “Vou-me introduzir na tua cama como uma serpente”; “Hei de te fazer cair da cama abaixo”.

Porém, perante certas respostas, pelo contrário, fica silencioso. Quando eu lhe digo, por exemplo: “Estou envolvido no manto da Virgem; o que é que tu podes fazer?”; “O Arcanjo Gabriel é o meu santo patrono; tenta lutar contra ele”; “o meu Anjo de guarda cuida para que nada me aconteça; não podes fazer nada”, etc…

Encontra-se sempre um ponto particularmente fraco. Alguns demônios não resistem à cruz feita com a estola sobre as partes doloridas; outras não resistem quando se sopra sobre a face do paciente, e outros ainda opõem-se com todas as suas forças à aspersão de água benta.

Existem também frases, nas orações de exorcismo (ou noutras orações que o exorcista pode rezar), às quais o demônio reage violentamente ou vai perdendo a força. Então, basta insistir na repetição destas frases, como preconiza o Ritual.

O exorcismo pode ser longo ou breve: é o exorcista quem decide em função de diversos fatores. A presença do médico é útil por vezes, não só para estabelecer o diagnóstico inicial, mas também para dar a sua opinião quanto à duração do exorcismo. Sobretudo quando o possesso não goza de boa saúde (se é cardíaco, por exemplo) ou quando o exorcista não se está a sentir bem: o médico então pode aconselhar a suspensão do exorcismo. Em geral é o exorcista que se apercebe quando é inútil continuar.


3 – Na proximidade da saída.

É um momento difícil e delicado que pode durar muito tempo. O demônio por um lado faz parecer que já perdeu uma parte das suas forças, mas por outro lado tenta jogar as últimas cartadas. Muitas vezes tem-se a seguinte impressão: enquanto no caso de doenças vulgares, o doente vê melhorar o seu estado progressivamente até à cura completa, no caso de um possesso, produz-se o contrário, isto é, a pessoa em questão vê o seu estado sempre a piorar e no momento em que ela já não pode mais, fica curada. Nem sempre as coisas se passam assim, mas é o que acontece com mais frequência.

Para o demônio, deixar uma pessoa e voltar para o inferno, onde quase sempre fica condenado a permanecer, significa morrer eternamente e perder toda a possibilidade de se mostrar ativo, incomodando as pessoas. Ele exprime este desespero em expressões que são repetidas muitas vezes durante os exorcismos: “Eu morro, eu morro” – “Não posso mais” – “Já chega, vocês matam-me” – “corja de assassinos, de carrascos; todos os padres são assassinos”, e frases assim.

O conteúdo muda completamente em relação aos primeiros exorcismos. Se antes dizia: “Tu não podes fazer nada contra mim”, agora diz: “Tu matas-me, venceste-me”. Se antes dizia que nunca se iria embora porque estava lá bem, agora afirma que se sente horrivelmente mal e que deseja ir-se embora. É claro que cada exorcismo para o demônio, equivale a ser chicoteado: “sofre” muitíssimo, mas inflige igualmente muita dor e cansaço à pessoa em que se encontra: Chega a confessar que durante os exorcismos está pior que no inferno.

Um dia, enquanto o Pe. Cândido exorcizava um indivíduo já à beira da libertação, o demônio declarou abertamente: “Julgas que eu me ia embora se não estivesse pior aqui?”. Os exorcismos se lhe tornaram verdadeiramente insuportáveis.

Um outro fator que é preciso ter em conta, se se quer ajudar as pessoas que estão em via de libertação, é que o demônio se esforça por lhes comunicar o seus próprios sentimentos: ele não pode mais e procura transmitir um sensação de esgotamento intolerável; ele está desesperado e tenta transmitir o seu próprio desespero ao possesso; sente que está perdido, que já lhe resta pouco tempo para viver, que não está mais em condição de raciocinar corretamente e transmite ao paciente a impressão de que tudo acabou, que a sua vida chegou ao seu termo, e este cada vez mais se convence de que vai enlouquecer.

Quantas vezes as pobres vítimas, afligidas, não declaram ao exorcistas: “Diga-me francamente se eu estou louco!”. Para o possesso, os exorcismos também são cada vez mais cansativos e, por vezes, se não vêm acompanhados ou forçados, faltam ao encontro.

Tive mesmo casos de pessoas próximas, ou bastante próximas da libertação, que desistiram totalmente de se deixar fazer exorcizar. Da mesma forma que muitas vezes é preciso ajudar estes “doentes” a rezar, a ir à Igreja e a frequentar os sacramentos, porque eles não conseguem sozinhos, também é conveniente incitá-los a submeter-se aos exorcismos e, sobretudo no momento da fase final, encorajá-los continuamente.

O cansaço físico, além de sentimento de desmoralização, devidos à lentidão dos acontecimentos, aumentam sem dúvida estes problemas e dão a impressão de que o mal se tornou incurável. O demônio por vezes causa males físicos, mas, sobretudo, psíquicos, que é preciso tratar por via médica, mesmo após a cura. Contudo as curas completas, sem sequelas, são possíveis.


4 – Após a libertação.

É fundamental que a pessoa liberta não afrouxe o seu ritmo de oração, nem a frequência aos sacramentos e mantenha uma vida cristã fervorosa. Uma bênção, de tempos a tempos, não será supérflua. Porque acontece com bastante frequência que o demônio ataque, isto é, que tente voltar. Não precisa que ninguém lhe abra a porta. Contudo, mais do que a convalescença poderíamos falar duma fase de consolidação, indispensável para assegurar a libertação.

Tive alguns casos de recaída: nos casos em que não houve negligência da parte do individuo, em que ele tinha continuado a manter um ritmo de vida espiritual intensa, a segunda libertação foi relativamente fácil. Pelo contrário, a partir do momento em que a recaída foi favorecida pelo abandono da oração ou pior ainda, por se ter deixado cair num estado de pecado habitual, então a situação só piorou, tal como conta o Evangelho segundo Mateus (12,43-45): o demônio volta acompanhado de sete espíritos piores do que ele.

O leitor não deixou de ter oportunidade de ficar com a noção de que o demônio faz tudo para dissimular a sua presença. Já o dissemos e repetimos. Esta observação ajuda (mas não o suficiente certamente) a distinguir a possessão de certas formas de doenças psíquicas, em que o doente faz tudo para chamar a atenção. O comportamento do demônio é exatamente ao contrário.


Pe. Gabriele Amorth, exorcista oficial da Diocese de Roma.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Aparição de São Miguel no Monte Gargano – Itália


O Santuário de San Michele Arcangelo





Nos os fins do século V, quando na cadeira de São Pedro regia a Igreja o Papa São Gelásio, um pastor que apascentava um rebanho no alto do Monte Gargano, na Itália, província da Apúlia, querendo obrigar um novilho a sair de uma caverna onde se refugiara, desferiu lá dentro uma flecha, a qual retrocedeu com a mesma velocidade, acabando por ferir quem a lançara. Este fato causou admiração nos que presenciaram este acontecimento e a notícia foi longe e chegou também aos ouvidos do Bispo de Siponto, cidade que ficava no sopé da montanha.

Julgou ele tratar-se de algum misterioso sinal da parte de DEUS e ordenou um jejum de três dias em toda a diocese, pedindo ao SENHOR se dignasse revelar-lhe do que se tratava. DEUS escutou as orações do Prelado e, passados três dias, apareceu-lhe o Arcanjo São Miguel declarando-lhe que o SENHOR queria que a ele. Anjo tutelar da Igreja, e aos outros Anjos, se edificasse naquela caverna, onde se manifestou o prodígio, uma igreja em sua honra, para reavivar a fé e a devoção dos fiéis no seu amor e proteção, como Anjo custódio da Igreja Católica.

Tendo o Bispo comunicado ao povo a visão que tivera e o que lhe fora pedido, foi ele próprio, com muita gente, observar o local. Encontraram uma caverna espaçosa em forma de templo, cavada na rocha, com uma fenda natural na abóbada, de onde jorrava a luz que a iluminava. Nada mais era preciso que pôr um altar-mor para celebrar os Divinos Mistérios. Levantado o altar, o Bispo consagrou-o. Todos os povos vizinhos acudiram para a cerimônia, todos cheios de alegria, e a festa durou vários dias.

Nunca mais até hoje se deixou de celebrar ali a Santa Missa, como também os outros ofícios litúrgicos, e DEUS consagra este lugar através dos séculos, com graças e milagres de toda a espécie, em favor de todos os que para lá acorrem, doentes de corpo e alma, mostrando quanto Lhe é grata essa devoção em honra do glorioso arcanjo São Miguel — aquele que defendeu, quando da revolta de Lúcifer, a fidelidade ao DEUS Uno e Trino, soltando este grito: QUEM É COMO DEUS?

O Santuário do glorioso Arcanjo, na gruta do Monte Gargano, é considerado um dos mais célebres e devotos de todo o Mundo. A Igreja, para atestar este fato histórico, marcou para o Calendário Litúrgico Universal a Festa Comemorativa desta aparição, no dia 8 de maio. Esta festa foi obrigatória para toda a Igreja até à nova reforma litúrgica do Concílio Vaticano II.

Atualmente, só é obrigatória na diocese de origem e em alguns calendários particulares.

O Monte Gargano, onde está este santuário, fica perto do convento de Nossa Senhora da Graça, onde viveu e morreu o célebre estigmatizado Padre Pio de Pietrelcina, falecido em odor de santidade e já canonizado.

Fonte: Amor Mariano

Mãos ao alto. Posso matar porque sou "dimenor"











Fonte: O Globo
Milton Corrêa da Costa



Um jovem estudante, de 19 anos, foi morto, na noite da terça-feira, 09/04, na capital de São Paulo, por um menor de 17 anos com tiros na cabeça, durante um assalto. O bárbaro crime ocorreu na porta do condomínio onde a vítima residia quando chegava do trabalho, sendo obrigada a fazer entrega de seu celular e sem esboçar nenhuma reação. O assassino que completou 18 anos, nesta sexta-feira, 12/04, sendo, portanto, inimputável, por ser menor de idade na data do crime, já detido e identificado, cumprirá, no máximo, pelo covarde delito, três anos de internamento como medida sócio-educativa conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Ou seja, está legalmente protegido pelo anacronismo de uma norma, que beneficia os bandidos-mirins.


Tal lamentável episódio nos remete, mais uma vez, ao debate sobre a questão da fixação do limite etário para a responsabilidade penal, objeto de constantes e inúmeras discussões sendo tema de grande polêmica, sendo observado que intelectuais, de vários segmentos (aí incluídos respeitados juristas, antropólogos, sociólogos e militantes de direitos humanos) se posicionam, terminantemente, contra a possibilidade de menores de 18 anos serem processados criminalmente. Permanecem fiéis à recomendação do critério biológico, datado de 1949, proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU), no Seminário Europeu de Assistência Social, realizado em Paris. Esquecem que os jovens, no pós-modernismo, sofrem, como todos as vertiginosas mudanças provocadas pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia, onde a difusão e a massificação da informação se fazem presentes.



Alguns intelectuais do direito devem pelo menos reconhecer que a verdade expressa na doutrina do direito penal brasileiro não pode ser absoluta. Há que se conceder a possibilidade de avançar na questão, na constatação de que a idade biológica, critério da razoabilidade recomendada pela ONU em 1949, não guarda mais nenhuma relação de proporcionalidade com os crimes brutais hoje cometidos por menores de 18 anos, perfeitamente capazes de entender o caráter danoso de seus atos. Há que se buscar novos paradigmas e referenciais na discussão do tema. Muitas vezes o notável saber jurídico é irreal. Deve-se ter em mente que o critério psicossocial é hoje o mais recomendável em diversos países do mundo, devendo o menor de 18 anos ser penalmente imputável quando revelar, através comprovação científica, a capacidade de entender a ilicitude do ato cometido.


A conclusão a que se chega, no Brasil, é que o Estatuto da Criança e do Adolescente, com mais de 22 anos de vigência, permite aos menores de 18 anos, ainda que já possam votar e influenciar nos destinos do país, estuprar, matar, torturar , esquartejar e cometer outras barbáries desde que, caso capturados, cumpram o máximo de três anos de internação (21 anos é o limite) em estabelecimento educacional com direito extra- legal a participar de rebeliões, provocar danos ao patrimônio público, além da possibilidade da fuga. Esta é a indulgência plena, concedida a menores, sob a proteção da criminologia (sociológica) da compaixão. ”A sociedade os fez assim agora que os aguente”, dizem os doutos sociólogos. Estuda-se agora a possibilidade de mesmo após os 21 anos, continuarem o cumprimento da pena.

No entanto, há indagações a serem feitas. A tese do direito penal mínimo permanecerá encobrindo criminosos? Que resultados positivos trouxe até aqui o Estatuto da Criança e do Adolescente? O aumento significativo da delinquência infanto-juvenil? A impossibilidade de retirar das vias públicas, face ao “direito” de ir, vir e estar, menores em situação de pré-delinquência? A responsabilidade penal, somente a partir aos 18 anos, constitui cláusula pétrea na Constituição Federal? Se é concedido ao menor de 16 anos o direito ao voto, podendo influenciar, com sua escolha, nos destinos de um país, por que também não responsabiliza-lo criminalmente?

As cláusulas devem deixar de ser pétreas quando se contrapõem aos legítimos interesses da sociedade. A grande realidade é que a consequência maior da frouxidão das leis tem sido o aumento assustador da violência. Infelizmente as leis penais no Brasil não guardam proporcionalidade com a crueldade do nosso dia a dia, perpetrada por perigosos delinquentes, menores de 18 anos ou não, dispondo de arsenais de guerra de última geração, que ameaçam a vida e a dignidade humana. O sistema anacrônico induz e incentiva o adolescente ao dizer-lhe: “aproveite enquanto não tem 18 anos para praticar crimes”. Conhecedores disso os chefes do tráfico utilizam-se, cada vez mais, de menores (inimputáveis) na rede do tráfico de drogas.

O fato é que toda sociedade organizada necessita de mecanismos legais de auto proteção contra o crime. A redução de idade de responsabilização penal é um mecanismo de defesa social que a realidade impõe. Não se almeja abarrotar mais ainda presídios e penitenciárias. O que se propõe é investigar, independente de ser menor de 18 anos, se o autor do crime tinha ou não capacidade para entender o ato delituoso praticado. Inocência de bandidos-mirins tem limites. Basta de benevolência e irrealismo! Com a palavra o Congresso 
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