quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Resposta a um leitor desavisado: A fé se estabelecia sobre certezas; abalando-as, semeou-se a perplexidade.




Pode-se criticar um pronunciamento do Papa?

  
Bento XVI assim se exprimiu: “Doutra parte, é possível e até necessário criticar os pronunciamentos do papa, se não estiverem suficientemente baseados na Escritura e no Credo, ou seja, na fé da Igreja universal. Onde não houver, nem a unanimidade da Igreja universal, nem o claro testemunho das fontes, não pode também haver uma definição que obrigue a crer. Faltando as condições, poder-se-á também suspeitar da legitimidade [de um pronunciamento papal]". (Joseph Ratzinger, Das Neue Volk Gottes - Enwürfe zur Ekkleseologie, Düsseldorf: Patmos-Verlag, 1969, trad. br. por Clemente Raphael Mahl: O Novo Povo de Deus, São Paulo: Paulinas, 1974, p. 140) [grifos nossos].







Caro leitor (anônimo) do blogue 'Baixada Católica'


As alegações que, em duas postagens distintas [ver ao final da resposta], visam a impugnar a nossa posição católica, são inteiramente destituídas de fundamento.

Ao que entendi, o leitor é o responsável, ou um dos responsáveis, pelo blogue “Baixada Católica”. Procurarei ser breve e objetivo na resposta.

Conforme a consagrada máxima jurídica, o “onus probandi” cabe ao acusador.

Em face disso, aguardo, de forma clara e ordenada, a enumeração de argumentos e fatos irretorquíveis, em abono de suas (descabidas e injuriosas) acusações. “Quod gratis asseritur, gratis negatur” (“aquilo que é afirmado de forma gratuita, pode ser gratuitamente negado”). 

Ademais, julgo oportuno acrescentar outros conformes que, por amor à brevidade, mencionarei apenas, sem ulteriores aprofundamentos.

Primeiro ponto: o erro disfarçado é mais perigoso. Dificilmente, com efeito, alguém se deixaria arrastar por um erro declarado ou manifesto. Contudo, é amigo de disfarces o demônio, “que foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade; porque a verdade não está nele; quando ele diz a mentira, fala do que é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (São João, VIII, 44). Ora, uma das características mais notórias da mentira é o artifício, a dissimulação, a ambiguidade. Cumpre-nos, pois, não secundar a obra do maligno, semeando o caos e a confusão nos meios católicos tradicionais, por via da falta de esclarecimento e denúncia do erro larvado e sinuoso, que campeia insolente.

Segundo ponto: o pior inimigo da Igreja é o que se acha camuflado, mais ou menos oculto, isto é, o que atua dentro dos organismos eclesiásticos.

Como dizia o grande São Pio X: "Os piores inimigos da Igreja estão dentro dela". Em 1907 (há 106 anos, portanto, o que demonstra como o mal vem de longe!), o Papa fez este contundente alerta, mais atual do que nunca:

“Estes [inimigos da Igreja], em verdade, como dissemos, não já fora, mas dentro da Igreja, tramam seus perniciosos conselhos; e por isto, é por assim dizer nas próprias veias e entranhas dela que se acha o perigo, tanto mais ruinoso quanto mais intimamente eles a conhecem. Além de que, não sobre as ramagens e os brotos, mas sobre as mesmas raízes que são a Fé e suas fibras mais vitais, é que meneiam eles o machado”.(Pascendi Dominici Gregisgrifos nossos).

A mesma advertência se encontra numa alocução de João Paulo II, a 6 de fevereiro de 1981: “Os cristãos de hoje em grande parte, se sentem perdidos, confusos, perplexos e mesmo decepcionados”. O Papa resumia as causas deste fato da seguinte maneira:

“De todos os lados espalharam-se ideias que contradizem a verdade que foi revelada e sempre ensinada. Verdadeiras heresias foram divulgadas nos domínios do dogma e da moral, suscitando dúvidas, confusão, rebelião. A própria liturgia foi violada. Mergulhados num ”relativismo” intelectual e moral, os cristãos são tentados por um iluminismo vagamente moralista por um cristianismo sociológico, sem dogma definido e sem moralidade objetiva”. Esta perplexidade se manifesta, a todo instante, nas conversas, nos escritos, nas redes sociais, nas emissões televisionadas ou publicadas por quaisquer outros meios, no comportamento dos católicos, traduzindo-se este último numa diminuição considerável da prática religiosa, como o testemunham as estatísticas, uma desafeição relativamente à missa e aos sacramentos, um relaxamento geral dos costumes.

Terceiro ponto: é propriamente obrigação dos leigos denunciar esses artífices da “autodemolição” e da “fumaça de Satanás” (segundo as insuspeitas palavras de Paulo VI), incrustados no recinto sagrado. Fazendo jus a essa missão, estamos exercendo o papel que o próprio Concílio Vaticano II, com muita ênfase, atribui aos leigos, e que, nestes termos, aparece consignado no novo Código de Direito Canônico: 

De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, têm o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, deem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis. (CIC §907; Cânon 212,3; grifos nossos). Assim, é inconteste que os leigos devem manifestar a sua preocupação e discordância, quando for o caso, aos demais católicos e aos pastores, desde que observem, mormente no interior da Igreja, ensinamentos ou atitudes dissonantes com o Magistério tradicional.

Agindo por essa forma, estamos igualmente fazendo eco ao conselho formulado por Bento XVI, que assim se exprimiu: 

“Doutra parte, é possível e até necessário criticar os pronunciamentos do papa, se não estiverem suficientemente baseados na Escritura e no Credo, ou seja, na fé da Igreja universal. Onde não houver, nem a unanimidade da Igreja universal, nem o claro testemunho das fontes, não pode também haver uma definição que obrigue a crer. Faltando as condições, poder-se-á também suspeitar da legitimidade [de um pronunciamento papal]". (Joseph Ratzinger, Das Neue Volk Gottes - Enwürfe zur Ekkleseologie, Düsseldorf: Patmos-Verlag, 1969, trad. br. por Clemente Raphael Mahl: O Novo Povo de Deus, São Paulo: Paulinas, 1974, p. 140; grifos nossos).


*** * ***

À vista do exposto, somos levados a perguntar o que provocou esse estado de coisas. A todo efeito corresponde uma causa. Terá sido a fé dos homens que diminuiu, por um eclipse da generosidade da alma, por uma explosão de apetite de gozo, por uma atração incontrolável pelos prazeres da vida e pelas múltiplas distrações que oferece o mundo moderno? O problema não reside fundamentalmente nisso, uma vez que tais obstáculos sempre existiram, dum modo ou de outro. Na realidade, a pavorosa decadência do conhecimento da Religião e da prática religiosa, que se patenteia aos olhos de todos, provém, sobretudo, do espírito novo que se introduziu na Igreja, e que lançou a suspeita sobre um passado inteiro de vida eclesiástica, de ensino e de princípios de vida. A segurança doutrinária baseava-se na fé imutável da Igreja, transmitida pelos catecismos que eram reconhecidos por todos os episcopados do mundo. A fé se estabelecia sobre certezas. Abalando-as, semeou-se a perplexidade.

Agora, vejamos em que termos o Papa Bento XVI retrata, de forma bem sugestiva, essa ruína do ensinamento católico, após a hecatombe pós-conciliar: “Os elementos fundamentais da fé, que no passado toda criança sabia, são cada vez menos conhecidos” (Alocução da quinta-feira santa, 5 de abril de 2012), Mais recentemente, o Cardeal Burke afirmou, em sentido análogo: “não combatemos adequadamente os erros modernos, porque não nos foi ensinada a fé católica (…). Uma falência da catequese, ou seja, da catequese (…) realizada nos últimos 50 anos” (http://www.ilfoglio.it/soloqui/19951; grifos nossos) [cumpre observar que a referência aos últimos cinquenta anos coincide exatamente com o período pós-conciliar].

O futuro Papa Bento XVI, que, em 1984, fez referência ao desastre do ensino catequético, reafirmou, em 2003, que nada mudara nesse ponto de importância capital (sem dúvida, capítulo central do processo de “autodemolição” da Igreja, apontado em 1968 por Paulo VI).

Expondo a necessidade de ensinar o novo catecismo, o então Cardeal Ratzinger reitera: “Embora sem intenção de condenar a ninguém, torna-se patente que a ausência de conhecimentos em matéria de religião é hoje uma realidade tremenda. Basta falar com as novas gerações [para nos darmos conta disso]. Evidentemente, após o Concílio não conseguiram transmitir concretamente o que está contido na fé cristã” (Cfr. “La Razón”, edición del 28 de mayo del 2003. www.conoze.com/doc.php?doc=1806grifos nossos).

Numa visão global sobre a devastação operada no período pós-conciliar, o mesmo Papa Bento XVI, quando ainda Cardeal Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, teve estas significativas palavras:

"Os resultados que se seguiram ao Concílio parecem cruelmente opostos às expectativas de todos, a começar do papa João XXIII e depois de Paulo VI [...] Os Papas e os Padres conciliares esperavam uma nova unidade católica e, pelo contrário, se caminhou para uma dissensão que — para usar as palavras de Paulo VI — pareceu passar da autocrítica à autodemolição. Esperava-se um novo entusiasmo e, em lugar dele, acabou-se com demasiada frequência no tédio e no desânimo. Esperava-se um salto para a frente e, em vez disso, encontramo-nos ante um processo de decadência progressiva”(Cfr. Vittorio Messori, “A coloquio con il cardinale Ratzinger, Rapporto sulla fede”, Edizioni Paoline, Milano, 1985, pp. 27-28; grifos nossos). 

Perante esse quadro de formidável e insanável crise, o que fazer?

Diante disso, não pode o fiel calar-se, segundo ensina Dom Guéranger: "Quando o pastor se transforma em lobo, é ao rebanho que, em primeiro lugar, cabe defender-se. Normalmente, sem dúvida, a doutrina desce dos Bispos para o povo fiel, e os súditos, no domínio da Fé, não devem julgar seus chefes. Mas há, no tesouro da revelação, pontos essenciais, que todo cristão, em vista de seu próprio título de cristão, necessariamente conhece e obrigatoriamente há de defender. O princípio não muda, quer se trate de crença ou procedimento, de moral ou de dogma. [...]. Os verdadeiros fiéis são os homens que extraem de seu Batismo, em tais circunstâncias, a inspiração de uma linha de conduta; não os pusilânimes" (12). (D. Prosper Guéranger, “L'année liturgique, Le temps de la Septuagésime, fête de Saint Cyrille d’Alexandrie”, p. 321; grifos nossos)

Tomando como fundamentos os terríveis diagnósticos sobre a crise pós-conciliar, referidos acima, causará surpresa que o blogue Core Catholica procure formar os católicos na obediência ao ensinamento tradicional da Igreja, repudiando aqueles que, "excitados por uma sede [de] novidades, [são] pressionados a assaltar tanto a Igreja quanto o poder civil...?" (Humanum Genus).




Adendo

Basta estabelecer o contraste: São Pio X instou a que as crianças fossem batizadas logo, assim que pudessem assimilar os princípios elementares da Fé, E assim foi feito, ao longo de 50 ou 60 anos, com excelente resultado.

A pretexto de tornar a fé mais acessível e "aggiornata", o Concilio, sob este ou aquele pretexto, esvaziou e adulterou o conteúdo da Fé.

Consequência inevitável: aquilo que até as crianças sabiam de cor e salteado, hoje, os adultos já não conhecem, nem procuram saber...


*** * ***

Comentários do Leitor anônimo do blogue 'Baixada Católica'




1º comentário

Mais uma vez vejo que seu blog se coloca contra o sagrado magistério da Igreja e o Papa! Católico de verdade, não se posiciona contra nenhum concilio da Igreja, e jamais seria contra o sucessor de Pedro! Seu blog não é católico, pois divide a Igreja! O volte ou saia de vez! 


Em O que deve pensar um católico sobre o Concílio Vaticano II?


2º comentário

A final são contra ou a favor da Igreja? Prezados a igreja não precisa de inimigos internos, ou estão do lado do papa e a favor da Igreja, ou contra a Igreja. O pior inimigo não é protestantismo e suas heresias malucas, o pior inimigo é o o interno que se disfarça de católico mais que no fundo é contra ele!!! Seu tradicionalismo só tem servido para ser sedevacantista, rebelde, se colocando contra o sucessor de Pedro! Amo a tradição da Igreja e todos os seus movimentos, mais não compreendo sua posição de católico! Deveria de mudar sua postura pois a Igreja precisa de amigos do papa! Meu blog é e sempre será católico e em defesa da vida e do papa! Se não esta do lado do papa, não está do lado da Igreja! Seu blog deveria ser um espaço para defender a Igreja e toda sua universalidade! E não para dividir a Igreja! Muito me assusta sua posição! Não é esse o tradicionalismo católico que tanto amo e prezo! Fique com Deus! Jesus te Ama 


Em Contato

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 14 de Novembro: A oração pelos mortos (Parte XV)




Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre





14 de Novembro

A ORAÇÃO PELOS MORTOS


Saudade e oração


Não julguemos que lembrar nossos mortos é ter apenas deles uma saudade que aos poucos vai decres­cendo em intensidade, à medida que passam os anos. Chorar nossos mortos e perpetuar-lhes a lembrança no mármore, na tela, no livro é permitido, sim. Po­rém, não fiquemos só nisto. Juntemos à saudade a oração. Não basta chorar, precisamos orar. E nun­ca se precisa tanto de oração como depois da morte. No purgatório as pobres almas estão como o paralítico da piscina que dizia a Jesus: — Hominem non habeo! Senhor, eu não tenho um homem que me lan­ce na piscina para ser curado.

Dependem aquelas almas santas de nossos sufrá­gios, de nossas orações e sacrifícios. Deus as entre­gou à nossa caridade. Sempre é eficaz a nossa oração pelas almas.

“É infinitamente mais útil e eficaz a oração pela libertação dos defuntos que padecem no purgatório, que a oração pelos pecadores da terra, cuja perversi­dade e más disposições paralisam os esforços para os salvar. As santas almas não põem obstáculo algum à eficácia das orações que por elas fazemos.” Tal é a opinião do piedoso oratoriano Pe. Faber.

Juntemos à nossa imensa saudade dos mortos nossos queridos, a oração e sempre a oração.

Escreveu o Pe. Sertillanges: “A lembrança dos mortos sem a oração, é uma lembrança fria, um tris­te pensamento. É uma exploração do nada. Porém com a oração, é um vento que sopra em direção a Deus, é uma ascensão nas asas da esperança”. (Le probléme de la prière. Revue de Jeunes — Nov. 1915.)

Oremos pelas almas benditas que padecem no purgatório! Demos-lhe a esmola de nossas preces fer­vorosas e da riqueza das indulgencias do tesouro da Igreja.

Dizia São Francisco de Sales: “Vós que chorais inconsoláveis a perda de vossos entes queridos, eu não vos proíbo de chorar, não! Chorai, mas procurai adoçar vossas lágrimas com o suave bálsamo da ora­ção que muito mais do que todas as demonstrações exteriores de pesar, pode concorrer para aliviar as almas que a morte vos arrebatou”.

Esta é também a linguagem da Igreja, nossa Mãe. Não proíbe nossas lágrimas. É tão humano chorar! Todavia não fiquemos tão só num pranto estéril e desesperado. Oremos! Juntemos ao pranto nossas orações. Saudade e oração. Choremos nossos mortos como cristãos verdadeiros.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 13 de Novembro: A Santa Comunhão pelos mortos (Parte XIV)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre





13 de Novembro

A SANTA COMUNHÃO PELOS MORTOS

Depois da Santa Missa...


Sim, depois da Santa Missa, não há sufrágio me­lhor e mais poderoso para socorrer as pobres almas que a Santa Comunhão. Escreveu São Boaventura: “Que a caridade te leve a comungar, porque nada há tão eficaz para proporcionar descanso aos que pade­cem no purgatório”.

É verdade que a Eucaristia como alimento espi­ritual é destinada aos vivos. É o cibus viatorum  alimento dos viajores, no expressivo e belo dizer da Liturgia. Tem por fim sustentar a alma na peregri­nação terrena, fortificá-la na luta contra os inimi­gos. Como pode ser um auxílio e sufragar os mortos? Discutiram os teólogos esta questão, mas todos estão de acordo que muito mérito e muitas obras boas faz quem recebe o Corpo de Cristo e esta união íntima da alma com seu Deus á torna mais agradável e mais poderosa para interceder pelos mortos, e torna a Co­munhão um dos mais poderosos e úteis sufrágios de­pois da Santa Missa. Dizia Tobias: “Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo”. Como se aplica bem esta passagem da Escritura à Comunhão pelos mortos! É o Pão de Vida eterna e o Vinho transubstanciado no Sangue de Jesus Cristo que vamos colocar em nosso coração para implorarmos a mise­ricórdia pelos nossos queridos e saudosos mortos! A lembrança dos mortos unida à Santa Eucaristia é tão bela e consoladora! Não é só pelo Sacrifício do Cor­po e do Sangue de Jesus Cristo que se podem aliviar as almas do purgatório. A Sagrada Eucaristia como sacramento pode ser de grande alívio para os defuntos, principalmente quando os fiéis vivos se unem para aplicar o fruto de uma Comunhão geral. É uma prá­tica autorizada pela Igreja. A Comunhão dignamen­te recebida é muito proveitosa para os fiéis defuntos. Quantos atos bons não se praticam numa só Comu­nhão! Preparação habitual pelo estado de graça que muitas vezes custa tanto ao cristão conservá-lo, pre­paração próxima pelos atos de fé, esperança e de amor, enfim, os sacrifícios que tornam meritória pa­ra os defuntos como sufrágio, a Comunhão. E de­mais, aquela união íntima da alma com seu Criador e Redentor nos momentos depois da Comunhão, não fazem de quem comunga um mediador entre Deus e as pobres almas, para pedir, com fervor, o alívio dos mortos?

Diz Santo Ambrósio que “a Eucaristia é um sa­cramento de descanso e paz para os defuntos e ao mesmo tempo um banquete”. Logo, a Comunhão pode aliviar os mortos, na opinião do Santo Doutor. São João Crisóstomo chama a Comunhão auxílio dos defuntos. E São Cirilo, o maior auxílio dos defuntos — maximum defunctorum juvamen.

Se soubéssemos quantas graças de santidade po­demos atrair para nossas almas com a Santa Comu­nhão, com a participação do Corpo e do Sangue de Cristo, quanto consolo e alívio podemos dar aos que sofrem no purgatório, sentiríamos um desejo arden­te de comungar muitas vezes pelos nossos mortos e aplicar em sufrágio das pobres almas sofredoras to­dos os méritos que podemos adquirir com as nossas comunhões fervorosas. Procuremos fazer boas Comunhões, lembrando-nos de quanto melhor as fizer­mos, tanto mais aliviaremos os mortos.


A Comunhão mensal pelas almas do purgatório


Sejamos práticos. Precisamos socorrer os mor­tos e santificar nossa alma.

A Sagrada Eucaristia é nosso tesouro da terra e é nossa, nosso alimento o Sacramento dos viajores, dos que peregrinamos por esta vida em demanda da eternidade. Para nosso proveito espiritual, e, em su­frágio das pobres almas, vamos comungar com mais frequência. A Comunhão mensal pelas almas não se­ria um incentivo poderoso para a nossa vida espiritual e um grande alívio para os mortos?

É celebre a sentença do Papa Alexandre VI: “Si quis pro animabus in purgatorio detentis, animo illis proficiendi, orationem fecerit, obligat eas ad antidota isve gratitudinem” — Todo o que reza, e muito mais ainda quem comunga pelas almas detidas do purgatório, com o desejo de aliviá-las as obriga à gratidão e remuneração.

A prática da Comunhão mensal pelos fiéis de­funtos é muito antiga. Em algumas regiões é muito concorrida e produz frutos maravilhosos. Começou este piedoso costume em Roma, no pontificado do Papa Paulo V, que se mostrou muito favorável a ela e ele mesmo a pôs em prática, na Cidade Eterna, com frutos surpreendentes. Era incrível como os fiéis afluíam às igrejas cada mês para sufragar seus mor­tos queridos pela Santa Comunhão. Os sucessores de Paulo V continuaram a devoção que se desenvolveu tanto a ponto de só em Roma se ver num dia trinta mil Comunhões pelas almas. A prática passou de Roma para outras cidades da Itália, depois para a França e muitos países europeus.

Ora, entre nós onde o povo é tão devoto das al­mas do purgatório, por que não se há de generalizar o dia da Comunhão mensal pelas almas? Cada Co­munidade religiosa, cada paróquia deveria ter o seu dia mensal das almas. O dia da Comunhão pelas al­mas. De preferência deveria se escolher uma segun­da-feira, quando possível. Nas paróquias talvez um dos domingos, para favorecer o povo. Ó, quem nos dera tivéssemos cada mês, um dia dos mortos, um dia para as santas almas! Missa, Comunhão geral, sufrágios e orações pelos mortos! Entretanto, se esta prática não se faz coletivamente, que nos impede fa­zê-la em particular, e estimular outros a fazerem ó mesmo? Sejamos apóstolos da Comunhão mensal pe­los defuntos. Vamos à Mesa Santa levar algum refrigério ao purgatório, pelas nossas orações e sacrifí­cios em união com Jesus Hóstia. Dizer com Jesus no coração: Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno e bri­lhe para elas a perpétua luz! Oferecer o Sangue Pre­ciosíssimo de Jesus ao Eterno Pai, para o alívio das santas almas!

Não podemos fazer tudo isto numa Comunhão? Há pessoas piedosas e compassivas que oferecem ca­da segunda-feira uma Comunhão pelas almas. É a Comunhão semanal pelos fiéis defuntos. Tanto me­lhor. De vez em quando novenas de Comunhões pe­las almas. Como fazem bem a nós e às pobres al­mas, estas práticas tão edificantes e de tão grande valor! Façamos muitas Comunhões por nossos mor­tos. Propaguemos o uso da Comunhão mensal pelas almas!


A máquina de matar que é o marxismo







Com a queda da União Soviética e dos governos comunistas na Europa Oriental, muitos têm a impressão de que o marxismo, a religião do comunismo, está morto. Dificilmente. Ele está vivo e bem em muitos países ainda, como a Coreia do Norte, China, Cuba, Vietnã, Laos, um bando de países africanos e na mente de muitos líderes políticos sul-americanos. No entanto, de maior importância para o futuro da democracia, o comunismo ainda polui o pensamento de uma vasta multidão de acadêmicos e intelectuais do Ocidente.

De todas as religiões, seculares ou não, o marxismo tem sido, de longe, a mais sangrenta. Na prática, o marxismo significa terrorismo sanguinário, expurgos mortais, campos letais de prisão e trabalho forçado, assassínios, deportações fatais, fomes artificiais, execuções extrajudiciais e julgamentos fraudulentos, assassinatos em massa e genocídios.

No total, regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917-1987. Da perspectiva desta incrível cifra, note que todas as guerras internas e estrangeiras durante o século 20, mataram cerca de 35 milhões. Isto é, quando marxistas controlam países, o marxismo é mais mortal que todas as guerras do século 20, incluindo a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, e as guerras da Coreia e do Vietnã.

E o que o marxismo, o maior dos experimentos sociais humanos, fez resultar para seus pobres cidadãos, desse altíssimo custo de vida? Nada de positivo. Ele deixou em seu rastro um desastre econômico, ambiental, social e cultural.

O Khmer Vermelho – (comunistas do Camboja), que governou o Camboja por quatro anos – forneceu informações sobre por que os marxistas acreditavam que era necessário e moral massacrar muitos de seus semelhantes. Seu marxismo era casado com o poder absoluto. Eles acreditavam que, sem um pingo de dúvida, que eles sabiam a verdade, que traria o maior bem-estar e felicidade humana e que para realizar esta utopia, teriam que arrancar sem piedade para baixo a ordem feudal ou capitalista e a cultura budista da época e, em seguida, reconstruir uma sociedade totalmente comunista. Nada poderia ser autorizado a ficar no caminho desta conquista. O governo – o Partido Comunista – estava acima de qualquer lei. Todas as outras instituições, religiões, normas culturais, tradições e sentimentos eram dispensáveis.

Os marxistas viram a construção dessa utopia como uma guerra contra a pobreza, a exploração, o imperialismo e a desigualdade – e, como em uma verdadeira guerra, não combatentes seriam infelizmente pegos na batalha. Houve baixas inimigas necessárias: o clero, a burguesia, os capitalistas, “sabotadores”, os intelectuais, os contra-revolucionários, direitistas, os tiranos, os ricos e proprietários. Como numa guerra, milhões poderiam morrer, mas essas mortes seriam justificadas por fim, como na derrota de Hitler na Segunda Guerra Mundial. Para os marxistas dominantes, a meta de uma utopia comunista era suficiente para justificar todas as mortes.

A ironia é que, na prática, mesmo depois de décadas de controle total, o marxismo não melhorou a sorte das pessoas, mas as condições de vida geralmente se tornaram piores do que antes da revolução. Não é por acaso que as maiores fomes do mundo ocorrem dentro da União Soviética (cerca de 5 milhões de mortos em 1921-23 e 7 milhões de 1932-3, inclusive 2 milhões fora da Ucrânia) e na China comunista (cerca de 30 milhões de mortos desde 1959 – 61). De modo geral, no século passado, quase 55 milhões de pessoas morreram em vários surtos de fomes e epidemias associadas aos marxistas - um pouco mais de 10 milhões dentre estes, foram intencionalmente mortos de fome, e o resto morreu como um resultado da coletivização marxista e políticas agrícolas.

O que é espantoso nessa “moeda” da morte do marxismo não são os milhares ou mesmo centenas de milhares de pessoas, mas os milhões de mortes. Isso é quase incompreensível – é como se toda a população da Nova Inglaterra e Estados do Atlântico Médio, ou na Califórnia e no Texas, fosse exterminada. O fato de cerca de 35 milhões de pessoas terem escapado dos países marxistas como refugiados foi um golpe inigualável contra as pretensões utópicas marxistas. Foi equivalente a todas as pessoas abandonando o estado da Califórnia, deixando só a terra inócua.

Há uma lição supremamente importante para a vida e o bem-estar a ser aprendida com este sacrifício terrível para uma ideologia humana: ninguém pode ser confiado com poder ilimitado.

Quanto mais poder um governo tem para impor as convicções de uma elite ideológica ou religiosa, ou decretar os caprichos de um ditador, mais facilmente o bem-estar e vidas humanas serão sacrificadas. Quanto mais o poder de um governo é desenfreado, seu poder alcança todos os cantos da cultura e da sociedade, mais provável é que mate seus próprios cidadãos.

Quando uma elite governante tem o poder de fazer o que quiser, seja para satisfazer seus desejos mais pessoais, seja para concretizar aquilo que os marxistas atuais desejam, julgam poder fazê-lo a qualquer custo em vidas. Aqui, o poder é a condição necessária para o assassinato em massa. Uma vez que a elite tem autoridade plena, outras causas e condições podem funcionar para trazer o genocídio imediato, o terrorismo, massacres ou matar os membros de uma elite. Tudo é justificado, segundo eles. Mas é o poder – sem controle, sem restrições, sem controle – que é o assassino.

Os nossos marxistas acadêmicos e intelectuais atuais estão tento passe livre para suas ideias e táticas. Eles ganham certo respeito por causa de suas palavras [enganosas] sobre melhorar a sorte do trabalhador e os pobres, suas pretensões utópicas. Mas, sempre que obteve o poder, o marxismo fracassou totalmente, assim como o fascismo. Em vez de serem tratados com respeito e tolerância, os marxistas deveriam ser tratados como se despejassem uma praga mortal sobre todos nós.

A próxima vez que você se deparar com alguém marxista pretendendo doutriná-lo, ou por um dos nossos nativos marxistas, ou por seus equivalentes fanáticos esquerdistas, pergunte-lhes como podem justificar o assassinato de mais de cem milhões que sua fé absolutista provocou, e o sofrimento que o regime criou para muitas centenas de muitos mais que milhões de pessoas...


R.J. Rummel, professor emérito de ciência política e finalista do Prêmio Nobel da Paz, publicou 29 livros e recebeu inúmeros prêmios por suas pesquisas.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 12 de Novembro: A Santa Missa e o purgatório (Parte XIII)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre






12 de Novembro

A SANTA MISSA E O PURGATÓRIO


0 maior dos sufrágios


Incontestavelmente, não há maior nem mais po­deroso e eficaz sufrágio que possamos oferecer a Deus pelos defuntos que a Santa Missa. A Igreja não definiu muita coisa sobre o purgatório, mas o essen­cial das suas definições está nestes dois princípios, duas verdades de fé que somos obrigados a crer si quisermos pertencer ao grêmio da Igreja de Nosso Senhor, porque, do contrário, o anátema pesará sobre os descrentes:

0 Concilio de Trento define a existência do pur­gatório, como já vimos, e uma segunda definição: Se alguém disser que o Santo Sacrifício da Missa não deve ser oferecido pelos vivos e os mortos, pelos pe­cados, penas e satisfações, seja anátema[1]. Eis aí o sufrágio por excelência, o verdadeiro sufrágio que podemos oferecer a Deus pelos nossos mortos, na cer­teza de que é sempre eficaz e poderoso. No Sacrifí­cio do Altar se oferece a grande Vítima e o Sacrificador é o próprio Cristo Senhor Nosso. É o mesmo sacrifício do Calvário. Tem o mesmo mérito da Cruz. Donde se conclui que as almas do purgatório recebem da Santa Missa o mesmo tesouro do Sangue Precio­síssimo de Nosso Senhor derramado na cruz e pela nossa salvação. Pode haver maior sufrágio que a Missa?

Distinguem-se quatro frutos principais do San­to Sacrifício: Um fruto geral, aplicado a todos os fiéis vivos e defuntos não separados da Comunhão da Igreja; um fruto especial, aplicado aos que assistem atualmente a Santa Missa; um fruto especialíssimo aos que mandam celebrar a Santa Missa, e um fruto ministerial, que pertence ao celebrante e é ina­lienável.

Ora, quem não pode aproveitar pois este grande tesouro da Igreja, oferecido cada manhã em nossos altares? Não há obra mais agradável a Deus nem mais meritória e própria para alimentar a verdadei­ra piedade, que a assistência à Santa Missa. “Não há maior socorro às almas do purgatório, disse D. Gueranger, o ilustrado e piedoso beneditino do L’Anné Liturgique. Quando o padre celebra, diz a Imita­ção de Cristo, honra a Deus, alegra os Anjos, edifica a Igreja, ajuda os vivos, procura o descanso para os mortos e se torna participante de todos os bens”[2].

A Santa Missa é a riqueza do purgatório, a es­perança das santas almas sofredoras. Não podemos oferecer nada melhor e nada mais eficaz para aliviá-las que o Santo Sacrifício. A Missa é o sol da Igreja, diz São Francisco de Sales. É o sol que dissipa as trevas do purgatório. Podemos talvez duvidar às vezes da eficácia e do poder de nossas orações feitas com tantas distrações e em condições tão precárias; mas, do poder e da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus Cristo pelas almas, que dúvida nos pode ficar do valor desta Obra?

Não podemos fazer nada maior nem melhor do que oferecer o Santo Sacrifício pelas almas.


O tesouro das almas

Sim, a Santa Missa é o tesouro das pobres al­mas. Nenhum meio é mais poderoso e eficaz para libertá-las, já o vimos. São Leonardo de Porto Mau­rício, que foi um grande apóstolo e devoto do Santo Sacrifício, dizia: “Quereis uma prova de que a Missa trás alívio às pobres almas? Ouvi um dos mais sábios Doutores da Igreja, São Jerônimo: ‘Durante a cele­bração de uma Missa por uma alma sofredora, esta alma pode ser preservada de todo ou em parte da pena do fogo. Em cada Missa que se celebra, diver­sas almas são livres do purgatório. Refleti ainda nis­to: a vossa caridade por estas almas será de muita vantagem para vós. Ó Missa bendita, és útil há um tempo para os vivos e os mortos! No tempo e na eter­nidade!’ Permite que vos dirija uma súplica, acres­centa São Leonardo, e quero vos pedir de joelhos: tomai a firme resolução de ouvir ou de fazer cele­brar todas as Missas que vossas ocupações e vossos recursos vos permitirem, não só pelos defuntos mas também por vossas almas. Dois motivos devem vos decidir: o primeiro motivo, alcançar uma boa mor­te... Ó, como será doce e tranquila a morte de quem empregou sua vida em ouvir o maior número de Mis­sas que pode! O segundo motivo é alcançar para vós mesmos o imenso favor de roubar o céu até sem pas­sar pelo purgatório, ou abreviar muito o tempo de permanência naquelas chamas expiadoras”.

Ao Beato João d’Ávila, ao chegar aos últimos instantes da vida, perguntaram o que mais deseja­ria depois da morte: — Missas! Missas! Missas! [3]

Santa Monica estava às portas da eternidade. No leito de morte, disse ao filho querido, Agostinho, que lhe custara tantas lágrimas e que a havia en­chido de tantas consolações nos últimos dias:

— Meu filho, logo não tereis mãe. Quando eu não estiver mais neste mundo, rezai pela minha al­ma, não vos esqueçais daquela que tanto vos amou. No Sacrifício do Cordeiro sem mancha, recomendai minha alma a Deus.

O Santo Doutor jamais se esqueceu da recomen­dação materna. Chorou muito quando morreu San­ta Monica, mas suas lágrimas foram sempre acom­panhadas de muitas preces fervorosas e sufrágios. “Deus de misericórdia, dizia ele, perdoai à minha mãe e não entreis em juízo com ela. Lembrai-vos de que antes de deixar este vale de lágrimas, não pediu para os seus restos mortais funerais pomposos, mas somente que vossos ministros se lembrassem dela no Altar do Divino Sacrifício” [4].

O Bem-aventurado Henrique Suzo fez um con­trato com um dos amigos muito íntimos: “O que mor­resse primeiro, teria um certo número de Missas que. o outro sobrevivente se obrigaria a mandar celebrar o mais depressa possível”. O amigo do Bem-aventurado partiu primeiro para outra vida. Algum tempo depois, apareceu a Henrique Suzo, gemendo de dor e a se queixar:

— Ai! Já te esquecestes da promessa...

— Não, meu amigo, responde o Bem-aventurado, eu não cesso de rezar pela tua alma desde que morreste...

— Ó, mas isto não me basta, não, não basta!, geme o defunto; falta-me, para apagar as chamas que me abrasam, falta-me o Sangue de Jesus Cristo! O Sangue de Jesus Cristo!

O Bem-aventurado compreendeu logo que falta­vam as Missas.

No dia seguinte ao da aparição, foi logo à igreja pedir muitas Missas pelo amigo defunto. Obteve di­versas nesta intenção. O amigo lhe aparece já glori­ficado e agradece-lhe feliz: Meu querido amigo, mil vezes agradecido! Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao céu e lá nunca te esquecerei![5]


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...