domingo, 8 de dezembro de 2013

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes — Os protestos dos protestantes (Parte VII)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes
por Pe. Júlio Maria

Livro de 1955 - 224 pag.
Editora VOZES
Petrópolis






CAPÍTULO VI

OS PROTESTOS DOS PROTESTANTES

É tempo de passar a tais objeções ou protestos e dar-lhes uma resposta peremptória que não possa refutar nem a má fé, nem a perfídia dos chefes protestantes. Pobres protestantes, vós blasfemais o que ignorais (2 Ped 2, 12), e seduzis os corações dos inocentes com palavras suaves (Rom 16, 18), procurando — não a salvação das ovelhas — mas, sim, vossos próprios interesses, conforme as palavras do Senhor ao Profeta Ezequiel: Ai dos pastores que se apascentam a si mesmos. Comeis a carne das ovelhas e vos vestis da sua lã; degolais o cevado; porém não apascentais as ovelhas (Ez 34, 2-3).

Em vez de formulardes miseráveis objeções, que mostram a vossa ignorância e a vossa má fé, em vez de citardes nas almas o ódio à Igreja católica, o vosso dever seria de mostrar o caminho do bem, de reprimir os abusos e de expor os dogmas da vossa seita.

Para mais clareza, eis aqui textualmente reproduzido o desafio, com tas as objeções.

Darei, em seguida, uma resposta clara e irrefutável às mesmas objeções, apoiada sobre a sagrada escritura, o bom senso e a história, de modo a satisfazer a todos os gostos e a todas as exigências, não deixando outra saída para a má fé do protestante, senão a interpretação errada da sagrada escritura. Para esse mal não há remédio.

O homem falso, sem caráter, mentiroso, caluniador, não é mais um homem, é um monstro — e um monstro não precisa de argumentação, senão de chicote, como o aconselha o Espírito Santo: O açoite para o cavalo, o freio para o jumento e o pau para as coisas dos tolos (Prov 26, 3).

Se, porém, os protestantes são sinceros e capazes de compreender a verdade, após a leitura das respostas, que seguem, devem ficar convencidos da verdade católica. Tenham, pelo menos, a coragem de ler... tenham a vontade de compreender... e a humildade de abraçar a verdade... e estará extinta a pobre e nefanda seita de Lutero, entre nós.

Eis, pois, a folha espalhada em Manhumirim no fim o mês mariano de 1928.

Desafio ao Padre Júlio Maria

Exige-se do Revmo. Padre

1. Um texto da escritura provando que devemos orar à Virgem Maria.

2. Um texto da bíblia que prove que Maria foi concebida sem pecado.

3. Um texto da escritura que prove que São Pedro não tinha esposa.

4. Um texto da escritura que prove que os ministros de Deus não devem se casar.

5. Um texto da escritura que prove que São Pedro foi bispo de Roma.

6. Um texto da escritura que prove que o Papa é Vigário de Cristo e sucessor de São Pedro.

7. Um texto da escritura que prove que os padres podem perdoar os pecados.

8. Um texto da escritura que prove que o vinho na ceia do Senhor deve ser tomado apenas pelos padres.

9. Um texto da escritura que prove a existência da Missa Romana.

10. Um texto da escritura que prove que os padres têm o poder de mudar o pão em corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo.

11. Um texto da escritura que prove que há sete sacramentos.

12. Um texto da escritura que prove que o uso de imagens foi recomendado por Jesus Cristo ou seus apóstolos.

13. Um texto da escritura que prove a existência do purgatório.

14. Um texto da escritura que prove que há mais de um mediador.

15. Um texto da escritura que prove que devemos orar pelos mortos.

16. Um texto da escritura que prove que devemos jejuar nas sextas-feiras.

17. Um texto da escritura que prove que o batismo lava o pecado original, faz cristãos, filhos de Deus, herdeiros do reino de Deus.

18. Um texto da escritura que prove que as crianças que morrem sem o batismo vão a um lugar chamado limbo e que prove que tal lugar existe.

19. Um texto da escritura que apoie o batismo de sinos.

20. Um texto da escritura que prove que um homem deve ser perseguido e amaldiçoado, por haver abandonado conscienciosamente a religião em que nasceu e aceitado a religião de Jesus Cristo.

Se porventura S. Revma. não apresentar estes textos, fica perante o respeitável povo manhumirense provado que S. Revma. não conhece a bíblia sagrada, ou que a religião tão ardorosamente pregada não é bíblica, ou prova os dois pontos, isto é: que S. Revma. não conhece a bíblia e a sua religião não é verdadeira.

Um crente


Pois bem, provarei ao tal crente sem crença que o sacerdote conhece a bíblia, mil vezes melhor que os protestantes; que a religião católica é a única verdadeira. Veremos depois se tais pastores protestantes, que tanto gostam de fazer objeções, são capazes de compreender as respostas destas objeções, e têm a sinceridade de aceitar a verdade irrefutavelmente provada. Stabo... ut videam quid respondeam ad arguentem me. Aqui estou para responder às objeções atiradas! (Hab 2, 1).

sábado, 7 de dezembro de 2013

Em visita ao Pátio dos Milagres



São Vicente de Paulo



Legionário, Nº 301, 19 de junho de 1938


Um romance famoso de Victor Hugo e uma fita cinematográfica que causou sensação, divulgaram no povo o conhecimento do que  foi  o famoso  “Pátio dos Milagres”, antro tenebroso do Paris medieval, no qual se encontravam em promiscuidades todos os estropiados, todos os doentes, todos os vagabundos e todos os mandriões da capital francesa. Na imaginação popular, a “Cour des Miracles” se perpetuou até hoje como um cenáculo de horrores onde, à luz de grandes fogueiras, o visitante podia vislumbrar todas as misérias físicas e morais de que o homem é passível neste “vale de lágrimas”.
Muitos leitores, provavelmente, se surpreenderão se eu lhes afirmar que não é preciso ler Hugo nem assistir às façanhas de François Villon, para  conhecer um novo “Pátio dos Milagres”. A poucos quilômetros de São Paulo há um lugar que, com muito mais razão do que o famoso antro francês, mereceria aquela alcunha famosa. Realmente, nele o horror dos padecimentos físicos não é menor do que no famoso “pátio” francês mas, ao contrário deste, no nosso “pátio” há milagres autênticos que  aconselho todos os meus leitores a irem examinar.
* * *
De manhã, muito cedo, sai em demanda do “pátio dos milagres” de São Paulo. Acompanhavam-me dois médicos e um colega do “Legionário”. Devoramos precipitadamente alguns quilômetros de estada de rodagem e, ao virar de uma curva,  deparei bruscamente com umas casinholas alegres, bem alinhadas dentro de uma grande horta. Francamente, estranhei: era então esse o antro de horrores que eu me propunha a conhecer?
Os que vivem com Jesus usam um manto bordado de espinhos e forrado com herminia. Os que vivem sem Jesus arrastam um manto bordado de herminia e forrado com espinhos (Cura d'Ars).
O automóvel continuou mais um pouco na estrada e entrou por um portão largamente aberto. Os primeiros habitantes do “pátio” foram aparecendo. Minha impressão foi sofrendo grandes transformações, e dentro de pouco tempo me persuadi de que os horrores que pressentira antes da excursão seriam muito piores do que eu imaginara. Bastava, para isto, lançar um olhar em torno de mim.
Como de direito, fomos antes à Capela do “pátio” - porque nosso “pátio” tem uma capela. Depois de uma rápida oração ao Senhor Sacramentado, começou  a visita. Primeiramente, um barracão no qual uma dezena de velhos bem velhos, bem reumáticos, friorentamente agasalhados em capotes surrados, e recostados em poltronas velhas, esperavam o aparecimento do sol, para aquecer os membros gastos e imprestáveis. Entre  os velhos, um moço  também estava recostado. Seu olhar fixo e inexpressivo, e o meneio frenético do seu corpo, denotavam que se tratava de um doente mental. Meu cicerone - um velho amigo a quem conheço desde os bancos colegiais do S. Luís -  atirou à aquela gente um jovial “bom dia”. O contraste entre ele, meu companheiro do “Legionário” e os velhos era chocante. Ele e meu colega, fortes, saudáveis, moços, risonhos. Aquela pobre gente, gasta, doente, velha e abatida. Entretanto, com surpresa para mim, nos lábios de todos floresceu um sorriso afetuoso e um “bom dia” cheio de simpatia correspondeu à saudação de meu amigo. Neste ínterim, aproxima-se dele, caminhando desembaraçadamente sobre dois tocos de pernas que não iam senão até os joelhos, um pobre rapaz que agitava, ao mesmo tempo, dois rudimentos de braços que não chegavam nem sequer até o cotovelo. Francamente, senti um calafrio, e o calafrio se intensificou quando meu “cicerone”, depois de me explicar que se tratava de um aleijado de nascença, convidou-o a dar provas de sua agilidade. A agilidade, realmente, era pasmosa. Com dois tocos de braço - parece mentira! - o pobre homem conseguiu tirar um cigarro de uma carteira que alguém lhe estendeu, e sem o auxilio de ninguém, coloca o cigarro na boca, tirar um fósforo de uma caixa, acendia-o, e fumar gostosamente com largas e satisfeitas baforadas.
Pensei que a exibição contrariasse o aleijado. Pelo contrario, ele estava contentíssimo com seu êxito. Depois, caminhou para meu “cicerone” e abraçou suas pernas - o coitado não alcançava mais alto - com um semi-abraço acompanhado de um sorriso largo e afetuoso.
Mais longe, estava o pavilhão dos velhos. Algumas velhas, de tão velhas, já não se levantavam mais. Outras tinham perdido inteiramente o conhecimento de si. Ao sol, um grupo mais “conservado” palestrava. Dominava o grupo uma negra que usava um chapéu moderno e extravagante, presente, sem dúvida, de alguma “grã-fina” generosa. Aproximei-me curioso: - o que diziam elas? A negra contava piadas! E todo o grupo ria gostosamente, despreocupadamente, placidamente, como se a vida lhes corresse em mar de rosas.
Meu Deus, nossos corações foram feitos para Vós e só terão a felicidade quando repousarem em Vós (Santo Agostinho).
 Mais adiante, ainda, o pavilhão das crianças. Quase todas eram bobas. A única que me pareceu ter uso da razão era uma pobre surda-muda, e realmente meu “cicerone” confirmou que ela não apenas era sã mentalmente, mas mostrava uma inteligência surpreendente. O médico aproximou-se dela. Imediatamente, ela começou a fazer trejeitos joviais, e uma religiosa contou uma peraltagem  por ela executada  dias antes. Risos gerais. E passamos para outra enfermaria.
Esta outra, era dos tuberculosos pobres. As caras estavam tranqüilas, conquanto profundamente abatidas pela moléstia, pois que o pavilhão só continha doentes em gravíssimo estado. Mesmo ali, porém, o lenitivo de uma satisfação não faltava. Uma vitrola velha tocava a “Ave Maria” de Gounod. Parecia a prece resignada e coletiva daqueles a quem, dentro em breve, tocaria a ventura de contemplar face a face a glória de Deus.
O horror dos horrores, porém, ainda não estava visto. Era o pavilhão das mulheres mais supremamente miseráveis, atiradas ali pela velhice e pelo fruto dos vícios. Tristes rebotalhos dos prazeres humanos, toda a beleza fugaz lhes fugira das faces venais. Seu exterior refletia exclusivamente a abjeção dos dias idos. Velhas, decrépitas, acabadas, arrastam ali  um fim de vida abandonado, no meio de algumas outras mulheres que pareciam ter sido escolhidas a dedo nos porões e nos cortiços paulistas, entre as mais feias e as mais pobres. Francamente, lembrei-me das megeras da Revolução Francesa. Deveriam ter sido exatamente assim. E, no entanto, quanta docilidade, quanta consolação, quanta tranqüilidade pude notar entre elas! Como era nobre este fim de vida penitente! Que coroa de luz, para aureolar o fim de uma vida de lama!
A dois passos de mim, passou uma pobre criatura reduzida ao último grau em que jamais vi alguém. Raquítica, descorada, com traços da cara deformados, o olhar estúpido, baixa quase como uma anã, infundia horror. Senti dentro de mim um tumulto de sensibilidade horrorizada. E, quando este tumulto estava  no auge, minha consciência bradou-me severamente a frase da Escritura Sagrada “Não desprezes a tua própria carne”. Minha carne! Sim, realmente, minha carne e a de meus semelhantes não vale mais do que a daquela pobre criatura de Deus, tornada pelo Batismo o Templo do Divino Espírito Santo. Por que, então, este horror de meu orgulho?
Entrementes, a visita estava terminada. Saímos. O automóvel seguia rapidamente de volta para a grande Capital mergulhada na preocupação do trabalho quotidiano. E atrás de nós ficavam os pavilhões alegres e claros do alegre e claro pátio de milagres de São Paulo, a Vila Mascote da Assistência Vicentina aos Mendigos.
* * *
Alegre e claro, o nosso “pátio” o é realmente. Enquanto viver, penso que não me esquecerei do riso  plácido e tranqüilo do pobre aleijado, da alegria jovial da mudinha, das gargalhadas despreocupadas que as piadas da negra velha provocava nas demais anciãs.
Esta alegria é o grande milagre de nosso “pátio”.
É banal surpreenderem-se às vezes expressões furtivamente melancólicas em caras artificialmente alegres. Nunca, porém, eu tinha presenciado expressões tão francamente alegres em faces escavadas pela dor, vincadas pela moléstia, devastadas pelo sofrimento.
Já tenho visto muito riso aflorar em beiços pintados de grã-finas, ou em lábios fanados de “clubmen” blasés. Em nenhum deles, porém eu vi jamais um acento tão alegre, tão inocente, tão autenticamente jovial, quanto o que iluminou a face macerada do aleijadinho da Vila Mascote.
E um contraste doloroso se impôs à apreciação de meu espírito. Em memória, recordava-me eu de rapazes que conheci e de outros que conheço, magníficos espécimes de “pedigree”, “racés”, cuidadosamente educados, robustamente desenvolvidos, magnificamente trajados. Muitos deles, eu sei disto, são autênticos infelizes. Mais de um já apelou para a morte, para se libertar (que falsa e miserável liberdade!) da cadeia dos prazeres ilusórios do mundo. Outros, provavelmente, terão o mesmo fim.
E, enquanto isto, o aleijadinho da Vila Mascote vive tranqüilo e sorri feliz, ele que não tem “pedigree”, não é “racé”, não foi cuidadosamente educado, nem robustamente desenvolvido, nem magnificamente trajado.
Qual o segredo deste milagre?
Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo, quem me seguir não caminhará nas trevas.” O aleijadinho da Vila Mascote trilha com Jesus um caminho de humilhação e de dor. Mas Jesus, que é a luz do mundo, enche este caminho de uma luz magnífica, que se converte em sua alma em rios de  uma alegria confortadora. Os meus pobres colegas “blasés” trilham um caminho de pecado e de falso prazer. Neste caminho, eles só encontram trevas... Jesus não está com eles.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes — A contradição dos protestantes protestando (Parte VI)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes
por Pe. Júlio Maria

Livro de 1955 - 224 pag.
Editora VOZES
Petrópolis





CAPÍTULO V

A CONTRADIÇÃO DOS PROTESTANTES PROTESTANDO

Como provei nos capítulos precedentes, um protestante é um homem que protesta. 

Ora, pelo próprio princípio de sua crença, este homem não tem o direito de protestar; pelo seu protesto ele condena a si próprio. 

Parece um paradoxo, uma contradição nos termos e no fato. Assim é a realidade; porém o protestante, sendo sempre um ignorante em matéria religiosa, não nota a contradição flagrante entre os princípios básicos de sua crença e os protestos com que destrói estes princípios.

Escutem bem isso, caros protestantes. Em que consiste o princípio fundamental do vosso protestantismo? Talvez nunca pensaram nisso seriamente. Pois bem, ei-lo: O protestantismo consiste em admitir só as verdades contidas na bíblia.


I. Só a bíblia

A bíblia, só a bíblia... é o grito dos filhos de Lutero.

Onde encontraram eles na bíblia, esta passagem: “só a bíblia"? até hoje eu não a encontrei, nem a encontrarei jamais, porque lá não figura.

É já uma contradição! A bíblia diz claramente que Jesus Cristo fundou sua Igreja sobre Pedro (Mt. 16, 18), diz que estaria com ele até ao fim do mundo (Mt. 28, 13-20), que lhe dava as chaves do reino do céu (Mt. 16, 19) que esta Igreja seria coluna e fundamento da verdade (1 Tim. 3, 15), que é preciso escutar esta Igreja sob pena de ser tratado como um pagão (Mt. 18, 17). Diz ainda: Cristo mandou os apóstolos pregarem o evangelho, e nem fala da bíblia, nem de espalhar bíblias (Mc. 16, 20).

Eis o que encontro na bíblia, mas em parte nenhuma se me depara esta regra de Fé: “só a bíblia”.

Encontro sim, esta passagem: Examinai as escrituras (Jo. 5, 39), a qual Cristo cita contra seus adversários para provar a divindade de sua missão, porém isso nem é um conselho, mas sim uma prova de ser ele o Messias predito e anunciado.

Jesus Cristo anunciou de viva voz, não escreveu uma só linha.

A Igreja, depois de fundada, propagou-se em toda parte, e não havia ainda um único livro do novo testamento...

Só a bíblia, dizem os protestantes, tudo deve apoiar-se sobre a bíblia!

Mas por que então Cristo não deu esta bíblia? Por que ele não disse aos apóstolos: Sentai-vos e escrevei, ou viajai e distribuí bíblias; em vez de: Ide e pregai  quem vos ouve, ouve a mim (Lc. 10, 16).

E os apóstolos foram fiéis à sua missão; poucos escreveram, e escreveram pouco; mas todos pregaram, e muito.

Eis como cai no chão o primeiro princípio protestante, só a bíblia. Isso é invenção de Lutero; e não figura na Bíblia.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes — Como os protestantes protestam (Parte V)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes
por Pe. Júlio Maria

Livro de 1955 - 224 pag.
Editora VOZES
Petrópolis





CAPÍTULO IV

COMO OS PROTESTANTES PROTESTAM

Há diversos modos de protestar. Protesta-se contra a mentira, pela manifestação da verdade. Protesta-se contra a injustiça pela valorização dos seus direitos. Protesta-se contra a calúnia pela exibição das provas contrárias. O protestantismo protesta contra a Igreja católica! Já expliquei a razão deste protesto; mas, como é que ele protesta? Mostrando a verdade? Mostrando seus direitos? Mostrando sua inocência? Nada de tudo isso. É o contrário: ataca a verdade. Não respeita os direitos alheios. Calunia a inocência de que e de quem não conhece. Protesta unicamente pela calúnia, pelo ódio, pela hipocrisia e pelas objeções. É um protesto fora de todas as regras do bom-senso, da lógica e da bíblia, que se ufana de praticar.

O protesto verdadeiro, lógico, racional e convincente seria de mostrar, de provar a mentira, a injustiça ou a calúnia.

Por que os protestantes não provam a mentira, a injustiça ou a calúnia da Igreja católica contra eles? Pela razão que a Igreja não mente, nem comete injustiças, nem calúnias... e que os mentirosos são eles; os fautores de injustiças são eles; os caluniadores são eles ainda.

A Igreja católica teria direito de protestar; ela não protesta, mas sim, mostra a verdade, prova esta verdade e pela verdade dissipa o erro.

Por que os protestantes não seguem o mesmo caminho? Em vez de limitar a sua ação em fabricar objeções, por que não provam eles a verdade do protestantismo? Se tal verdade existe, ela há de dissipar necessariamente o erro católico como a verdade católica dissipa o erro protestante.

A primeira obra que uma religião deve fazer é provar a autenticidade, a autoridade e a legitimidade do seu ensino; em outros termos: é provar os seus dogmas.

Por que não o fazem os protestantes? Pela razão muito simples de não terem dogmas. A negação ou o protesto não se sustentam por si mesmos, só podem existir onde há uma coisa positiva, que se possa negar, onde há uma verdade contra a qual se possa protestar.

***

O protestantismo é um verdadeiro parasita religioso, que só pode viver nas costas do catolicismo, procurando chupar-lhe a fé, como os parasitas — animais ou vegetais — que vivem do sangue ou do suco de outro. Tirai das costas do animal tal parasita-bicho e está morto; arrancai tal outro parasita da casca do vegetal, e morto estará também.

Assim o protestantismo. Se o catolicismo pudesse morrer, — o que é impossível — no mesmo dia e na mesma hora estaria morto o protestantismo. Arrancai-o das costas do catolicismo e ele será um cadáver em putrefação.

A Igreja católica é o objeto positivo; o protestantismo é a sua negação. A Igreja católica é o sol luminoso e resplandecente do dia; o protestantismo é as trevas da noite onde se tropeça e perde o caminho. Vae ponentes tenebras lucem (Is. 5, 20).

A Igreja católica é uma instituição modelar, harmoniosa e divina; o protestantismo é a anarquia, a desordem e a revolta que procura aviltar esta instiuição. Super hanc petram aedificabo ecclesiam meam (Mt. 16, 18).

A Igreja católica é um colosso de vida, de progresso, de expansão e de força; o protestantismo é um ancilóstomo ou necátor que procura fixar-se no organismo para aí produzir a opilação espiritual, o cansaço de Deus e amarelão religioso. Ite in mundum universum, praedicate evangelium (Mt. 16, 15).

A Igreja católica é a água divina, num vôo direto, em demanda do céu; o protestantismo é a pulga que procura fixar-se nas asas do pássaro, para cansá-lo e impedir seu vôo. Sicut aquila, provocans ad voladum pullos suos (Dt. 32, 11).

A Igreja católica é árvore frondosa, em cujos ramos as aves do céu, que são os santos, se aninham; o protestantismo é o parasita que procura envolver o tronco, chupar-lhe a seiva, para esterilizá-lo. Fit arbor, ita ut voluvres caeli... habitent in ramis ejus (Mt. 13, 32).

A Igreja católica é o farol luminoso, que Deus colocou à beira da estrada humana, para indicar aos homens a verdade e a virtude; o protestantismo é a noite escura, que cega o olhar do viandante e o faz precipitar-se no abismo. Posui te in lucem gentium (At. 13, 47).

A Igreja católica é a ponte que liga a terra ao céu, e onde os homens devem estar para, da terra, subirem ao céu; o protestantismo é o abismo horrendo, que passa por baixo da ponte, onde se precipitam aqueles que desprezam a ponte. Arcta via est, quae ducit ad vitam (Mt. 7, 14).

A Igreja católica é a arca fora da qual ninguém se salva, sendo todos — como no dilúvio — arrastados pelas ondas em furor; o protestantismo é o lodo terrestre, é o arrecife, formado pelas árvores arrancadas, pelas casas destruídas, que procura atalhar a navegação da arca. Tanquam navis quae pertransit fluctuantem aquam (Sab. 5, 10).

A Igreja é a barquinha de São Pedro que leva, através do oceano do mundo, os filhos de Deus, até aportar no céu; o protestantismo é o vento rígido que sopra contra a barquinha procurando afogá-la. Navicula... in medio maris jactabatyr fluctibus (Mt. 14, 24).

A Igreja católica é salvação prometida pelo Salvador; é a porta do céu; o protestantismo é a perdição, é a porta do inferno. Si ecclesiam non audierit, sit tibi sicut ethnicus (Mt. 18, 17).

A Igreja católica é o reino de Deus, reino triunfante no céu; reino padecente no purgatório; reino militante na terra; o protestantismo, estando fora deste tríplice reino, é necessariamente o único reino aí não incluso: o reino de Satanás, ou inferno. In hoc manifestati sunt filii Dei, et filii diaboli (Jo. 3, 10).

Para terminar resumamos tudo em duas palavras: a Igreja católica é a obra de Deus, fundada por Deus, sustentada por Deus, inspirada por Deus, fazendo as obras de Deus; o protestantismo é obra dos homens (de Lutero), fundada pelos homens, hoje sustentada pelo dólar americano, inspirada pelo ódio, e fazendo as obras do ódio e da revolta. Ex fructibus eorum cognoscetis (Mt. 7, 20).

É o bastante para os homens sinceros compreenderem o que é o protestantismo e como é que ele protesta.


Protesta pelo ódio, pelos ataques, pelas objeções, pelas calúnias, pela hipocrisia, fazendo em tudo o contrário do que manda a bíblia e o bom-senso. E têm a coragem de chamar isso de religião! É muita coragem!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...