domingo, 29 de dezembro de 2013

A AUDIÊNCIA PARTICULAR COM SÃO PIO X — Monsenhor Francisco Bastos





Encontrava-me em Roma fazia mais de dois anos, sem ter tido a ventura de ver de perto a impressionante figura de Pio x, cuja fama de santidade se ia espalhando graças aos muitos milagres que lhe eram atribuídos.
Vira-o, é verdade, porém, de longe, quando do alto da janela do “Cortile San Damaso” ou quando, levado na “Sedia Gestatoria”, entrava na Basílica de São Pedro a distribuir bênçãos às multidões que o aclamavam. Nessas ocasiões, fazia um gesto para impor silêncio aos mais exaltados, que gritavam: “Evviva il papa Re”.
Em junho de 1914, porém, iria eu ter a auspiciosa oportunidade de ser recebido por Pio X, em audiência particular.
Dom Duarte Leopoldo e Silva, meu arcebispo, e Dom Alberto José Gonçalves, Bispo de Ribeirão Preto, tinham vindo a Roma em visita “ad limina”. Ambos seriam recebidos pelo Papa, em dias diferentes. Como Dom Alberto não houvesse trazido consigo um secretário, fui eu designado para acompanhá-lo.
No dia e hora aprazados, estávamos na ante-sala do gabinete particular do Papa. Nem bem havíamos chegado, já se apresentava Mons. Samper, camareiro-secreto de Pio X, para, dirigindo-se a Dom Alberto, dizer-lhe:
- V. Exa. Revma. pode entrar, e o senhor, – apontando para mim – espera aqui.
Vinte minutos depois, o mesmo Mons. Samper surgia para me avisar:
- O Santo Padre deseja vê-lo. Ao entrar na sala – continuou -, o senhor faz uma genuflexão no limiar, outra no meio e a terceira perto do Papa, e não lhe beije os pés, porque Sua Santidade não o permite.
Fui presa de intensa emoção porque, enquanto ficara esperando, lera, nos jornais do dia, um grande milagre que Pio X fizera ainda na véspera.
Era costume serem recebidos, na semana da Páscoa, a fim de obterem do Papa a bênção nupcial, os membros da nobreza romana que se haviam casado durante a Quaresma.
Na véspera, um casal de príncipes conseguira uma audiência particular. Atacado de reumatismo gotoso, Pio X – que não podia permanecer muito tempo de pé – atendia, muitas vezes, sentado numa poltrona.
Ao entrar na sala, em que se achavam os príncipes, o Papa notou que a esposa, tendo uma criança nos braços, chorava copiosamente. Ordena que ambos se sentem lado a lado dele. E, dirigindo à princesa, pergunta
- Por que chora, minha filha?
- Santo Padre, responde ela, há dois anos estivemos aqui para receber a bênção nupcial, e esta minha filha, que é o primeiro fruto do nosso matrimônio, está atacada de paralisia infantil… E as lágrimas se lhe deslizavam pelas faces.
- Deixe-me vê-la, pede o Papa. A mãe trêmula de emoção, entrega-lhe a filha. Pio X põe-na de pé sobre seus joelhos, por alguns instantes e, restituindo-a à mãe, diz:
- A senhora está enganada. Sua filhinha não sofre de nada … Experimente faze-la andar e verá …
Com espanto e alvoroço de alegria, os pais viram a filha caminhar normalmente. Estava de todo curada!
Sob essa forte impressão é que entrei na sala. Ao contemplar Pio X, reclinado sobre uma escrivaninha americana, todo de branco, com seus dois olhos grandes, cheios de um misto de doçura e de melancolia, voltados para mim, como que a querer esquadrinhar-me a alma, caí de joelhos, como se estivesse diante de uma aparição.
Vendo que não me levantava do lugar – porque se me esvaíram as forças – Pio X, num gesto largo, com a palma da mão virada para cima, ordena-me em italiano
- “Alzatevi”.
Reunindo todas as minhas energias, levantei-me, cambaleando, para ir cair de joelhos a seus pés.
Observando a minha grande comoção, procura o Papa tranqüilizar-me, brincando comigo como se eu fosse uma criança.
- “Parlate italiano?”
- Si, Santo Padre.
- “Siete italiano”?
- No. . . Ia completar a frase, quando ele me interrompe, enumerando uma após outra estas nacionalidades.
- “Francese, spagnolo, tedesco, inglese?”
Diante dos meus sucessivos “no”, exclama:
- Allora cosa siete?
- “Sono brasiliano, Santo Padre”.
- “Brasiliano! … Ma Come… Se non siete nero!”
A admiração do Papa, ao ver um brasileiro de pele clara, de cabelos castanho-escuros, explicava-se pela impressão que, dias antes, lhe causara uma peregrinação, chefiada por Dom Silvério Gomes Pimenta – o piedoso Arcebispo de Mariana, também ele com fama de santo – que era de pele escura, acompanhado de vários monsenhores e de senhoras de cor.
- “Allora, brasiliano bianco … Cosa studiate?”
Era costume chamar de filósofos os estudantes de filosofia e de teólogos os que estudavam teologia. Por isso, com a maior naturalidade, respondi
- “Sono filosofo, Santo Padre”.
- “I miei rispetti” – disse sorrindo e, tirando o barrete e a olhar para Dom Alberto que a tudo assistia admirado, acrescenta:
- “Siamo dinanzi a un altro Aristotele, un altro San Tommaso d’Aquino!”
- “Voglio dire che sono studente di filosofia emendei-me confuso.
- “Ma, si … Ho capito … il Papa sta scherzando … Cosa desiderate?” – pergunta-me.
Além de uma porção de terços para serem bentos, trazia escondida uma bênção papal para a qual pretendia obter um autógrafo de Pio X, a fim de oferecê-la à minha professora, Dona Sinhazinha, que, naquele ano, festejava seu jubileu de prata de professorado.
Ao saber que fora ela que despertara em mim a vocação para o sacerdócio, não hesitou uni instante: tomou a caneta e escreveu:
Pius Papa X.
- “C’é altro da desiderare?” – pergunta ainda.
Na semana seguinte devia eu prestar exames de Filosofia na Gregoriana. Os examinadores estavam sendo rigorosos, distribuindo reprovações em penca e asseveravam que o faziam por ordem de Sua Santidade, disse eu ao Papa.
- “Si, è vero” – respondeu-me.
Disse-lhe, então que, na próxima semana, iria prestar exames e temia pela minha sorte. Queria, pois pedir-lhe uma bênção, mas, a frase em italiano, de que me servi para consegui-la, revelou, sem eu querer, a minha íntima presunção.
- “Santo Padre, voglio una benedizione per riuscire bene ín tutti i miei esami! . . . ”
Era como pedir uma bênção, não para passar nos exames e sim, para fazê-lo com grande brilho.
Por isso, quando o Papa – que vinha brincando comigo – se concentrou por alguns segundos, preparei-me para ouvir com toda a humildade um sermão sobre os efeitos perniciosos do orgulho. Pio X, porém, não levando em conta a desastrada forma de me expressar, pronunciou esta impressionante frase, que nunca mais pude esquecer:
- “Non voglio favorire la pigrizia, purchè studiate benediró tutti i vostri esami”.
Tirando o barrete da cabeça, deu-me a bênção trina do Pontifical. Colocando, depois, as mãos sobre a minha cabeça, com os olhos voltados para o céu, perguntou-me
- “Siete soddisfatto?”
Os maravilhosos efeitos dessa bênção iriam manifestar-se em todos os exames que, nos cinco anos seguintes, prestaria eu na Gregoriana.
Foi, contudo, na defesa de tese para a obtenção da láurea em Teologia que, mais extraordinariamente, senti a presença da bênção daquele que, cinco anos atrás, havia falecido.
Sentado diante dos meus examinadores, tendo sobre a mesa, que nos separava, a Patrística, numa edição de 10 volumes, e mais o Antigo e Novo Testamento e o Encheridion, durante vinte minutos, dissertei sobre o ponto sorteado, sendo em seguida argüído pelos examinadores.
Como o ponto, que a sorte me indicara, fora o do Primado do Pontífice Romano, um dos examinadores, contestando a minha argumentação, afirmou:
- A Igreja Oriental jamais admitiu esse Primado que o sr. acaba de conferir à Igreja de Roma.
- A Prima Clementis, repliquei – cuja análise foi objeto de minha exposição sobre o Primado do Bispo de Roma – é a prova mais convincente de que já, no século I, o Oriente como o Ocidente reconheciam em Roma o Primado de jurisdição. Se não como explicar a intervenção de Roma na Igreja de Corinto para repor em suas funções os membros do presbitério depostos por uma sedição, sendo ela obedecida sem contestação alguma? Nesse episódio, o que torna ainda mais patente a supremacia de Roma é o fato de, estando ainda vivo o apóstolo João, em Éfeso, não ter este intervindo, quando seria tão natural que o fizesse na sua qualidade de apóstolo, sendo maior a relação entre Éfeso e Corinto do que entre Roma e Corinto.

Poderia, igualmente, citar a Carta de Inácio de Antioquia à Igreja de Roma, na qual diz textualmente ser a que “preside no lugar da região dos romanos”. Muitos outros Padres da Igreja Oriental poderiam ser lembrados, notoriamente Efrém, o que, com mais eloqüência, falou sobre o Primado do Bispo de Roma.
Com um sorriso de desafio, o examinador aponta-me para a Patrística e declara:
- Duvido que encontre na Patrística esse seu aludido testemunho de Efrém.
A Patrística, em que eu havia estudado era a de uma edição de cinco volumes. A que estava diante de meus olhos espraiava-se em 10 volumes, deitados de três em três. Não me seria possível descobrir imediatamente em que volume dessa edição poderia eu encontrar o citado testemunho.
Olho para os três volumes, que estavam bem na minha frente e invoquei a proteção de Pio X:
- Meu bom Pio X, o Senhor sabe que eu estudei. Mas, não na edição desta Patrística. Fiz a minha parte. Agora toca a sua vez.
Tomo o volume que estava entre os dois e abro-o na metade. Um calafrio de pavor percorre-me toda a espinha dorsal… Lá estava no alto da página: “Discurso de Santo Efrém sobre a Soberania do Pontífice Romano!. .. ”

Fonte: Reminiscências de um Pároco da Cidade
Monsenhor Francisco Bastos
Arquidiocese de S. Paulo
(1892-1984)

A necessidade de um Concílio para viabilizar o plano da religião mundial



Nota do blogue: Alguns, mal informados, desorientados ou mal-intencionados (procurando “tapar o sol com a peneira”) poderão alegar que o texto abaixo se trata de folclore, ou “contos da carochinha”.

A gravidade do relato, contudo, clama por uma resposta séria: contra fatos há argumentos?

Será inidônea ou tendenciosa a documentação citada?

Por acaso a visão retrospectiva dos episódios narrados não se coaduna, dolorosamente, com o que vemos?

Ao leitor com siso, a palavra!



*** * ***






A síntese e o histórico da conspiração contra a Igreja Católica Romana. Nada mais, nada menos.


O luciferiano Roca* revelou, em 1889: “Uma imolação se prepara, alguém expiará solenemente. O papado sucumbirá: morrerá sob o cutelo sagrado que os padres do último concílio forjarão” (Glorioso Centenário, pp. 462 – 469).
Creio que o culto divino, assim como é regido pela liturgia, cerimonial, ritual, e preceitos da Igreja Romana, sofrerá em breve, num concílio ecumênico, uma transformação que lhe restituirá a venerável simplicidade da idade de ouro apostólica, colocando-o em harmonia com o estado da consciência e com a civilização moderna (Roca: “O Padre Gabriel e sua Noiva”, citado por P. Virion em “Mistério da Iniquidade”, Ed, S. Michel, 1967, p. 33).
O teósofo, depois antropósofo, Rudolf Steiner, antigo discípulo da maga russa Helena Petrovna Blavatsky[1], escreveu a esse respeito, em 1910: “necessitamos de um concílio e de um papa que o convoque” (Mons. Rudoif Graber, “Sant’Atanasio e la chiesa del nostro tempo”, Ed. Civiltá, 1974, p. 43). Será o concílio que dará nascimento à nova igreja. Alice Bailey, fundadora do Lúcifer Trust, organização teosófica e satanista que opera junto à UNESCO, vaticinou, em 1919, o surgimento de uma “igreja Universal”, cujo perfil definitivo aparecerá lá pelo fim do século, (textual!) (Alice Bailey, “Esteriorizzazione della gerarchia”, Ed. Nuova Era, Roma, 1958, p. 476) e que “conservará a aparência exterior com o objetivo de conseguir os vultosos recursos que são habituais nos negócios eclesiásticos” (ibidem). “Não haverá dissociação, – precisa, ainda, A. Bailey -, entre a única Igreja Universal, a Loja Sagrada de todos os verdadeiros maçons, e os círculos mais estreitos das sociedades esotéricas” (ibidem p. 478). Dessa maneira, conclui ela, “os objetivos e a obra das Nações Unidas morrerão, e uma nova igreja de Deus, saída de todas as religiões, e de todos os grupos espirituais, porá fim à grande heresia da separação” (Alice Bailey, Il destino delle Nazioni, Ed. Nuova Era, Roma, 1988. p. 155), (Citado pelo doutor Cario Alberto Agnoli. op. cit.). O Vaticano II foi, pois, preparado esperando encontrar o personagem que o convocaria.

Uma tentativa vitoriosa: João XXIII, o homem que convocou o Concílio
a) Uma eleição programada 
O boletim maçônico “Lês échos du Surnaturel” (Ecos do Sobrenatural) publicou, no seu número de Dez 1961 – Jan 1962, o testemunho de um autor conhecido por suas muitas obras: “No que tange ao Concílio, escrevi ao cardeal Roncalli (antigo núncio em Paris, do qual era conselheiro), em 14 de Agosto de 1954, para anunciar-lhe sua eleição futura (ao papado), e para pedir-lhe um encontro, durante as férias, no seu país natal, a fim de estudar seu primeiro trabalho… o Concílio.
Eu enfatizava: “Poderíeis refletir sobre tudo isto, porque não há tempo a perder. Quando da ascensão ao trono pontifício, o plano deverá se cumprir instantemente, e surpreender todos os políticos”.
Com esse mesmo propósito, os franco-maçons, desde 1954, tinham dito a Mons. Roncalli que aprendesse línguas, porque seria o próximo papa eleito por eles, e, portanto, convinha que se preparasse para o papado (B. O. C. n° 52, Mai 1980, p. 9). Nesse mesmo ano, 1954, em agosto, Jean-Gaston Bardet, “da Tendência Esotérica Cristã”, escreveu ao patriarca Roncalli, então em vilegiatura na sua cidade natal de Sotto il Monte: (Bardet) “Não somente lhe predisse que se tornaria papa, mas adivinhou, também, o nome que tomaria quando fosse eleito” (Hebblethwaite, “Jean XXIII, le pape du Concile”, Centurion, 1988, p. 279). Bardet foi a Veneza onde encontrou Roncalli, repetiu-lhe as previsões e disse-lhe, segundo Capovilla (secretário de João XXIII), que seu pontificado seria marcado por “intervenções doutrinais e reformas disciplinares” (Sodalitium, n° 33: “O Papa do Concílio”, 1954 – 1958, 10a parte, p. 37).

sábado, 28 de dezembro de 2013

Há algum perigo em procurar obter Dons Extraordinários?



Respostas Autorizadíssimas


Ensina o Concílio Vaticano II que, “os Dons Extraordinários não de­vem ser temerariamen­te pedidos, nem deles devem presunçosa­mente ser esperados fru­tos de obras apostólicas”(Const. Dogmát. “Lumen Gentium”, nº 33).

 Ora, é exatamente o contrário, o que estão ensinando nesses Gru­pos Pentecostais e Carismá­ticos; sem levar em conta a ação imprudente e gene­ralizada de doutrinas opostas à Doutri­na Católica, os perigos que daí podem re­sultar, e, a legalização disseminada e incentiva­da dos vários vícios do espírito.

 A Doutrina exposta a seguir, de S. João da Cruz e de S. Teresa, não se refere diretamen­te aos Carismas Extraordinários tratados até aqui, e sim a outros, mas a sua clare­za e objetivi­dade dizem o que deve ser dito sobre estes, com nítida ressonância à Doutrina Tradicio­nal exposta até aqui, além de lançarem luzes onde o conhecimento ordinário se dispersa (n. c.).



A Doutora e Mestra dos Espirituais assim ensina:

... quando souberdes ou ouvirdes dizer que Deus concede esses fa­vores às almas, nunca Lhe supliqueis que vos leve por esse caminho, nem aspi­reis a is­so.

Ainda que tal caminho vos pareça muito bom, devendo ser apreciado e re­verenciado, não con­vém agir assim por algumas razões. Em primeiro lugar, por­que é falta de humil­dade desejar o que nunca merecestes; portanto, creio que não a tem muita quem assim se compor­ta... E julgo que eles (os favores sobrenatu­rais) nunca ocorrerão, uma vez que o Se­nhor, antes de conceder essas Gra­ças, dá um grande conhecimento próprio. E como en­tenderá sin­ceramente quem alimenta tais ambições, que já recebe grande misericórdia em não es­tar no Inferno?

Em segundo lugar, porque é muito fácil haver engano, ou risco de o ha­ver. O Demô­nio não precisa senão de uma porta aberta para armar mil embus­tes. Em terceiro, porque a própria imagina­ção, quando há um grande desejo, leva a pessoa a acreditar que vê e ouve aquilo que deseja, tal como os que, querendo uma coisa durante o dia e pensando muito sobre isso, sonham com ela à noite.

Em quarto lugar, porque é extremo atrevimento que eu deseje es­colher um caminho, já que não sei qual o melhor. Pelo contrário, devo deixar que o Se­nhor, que me conhece, me leve por aquele que me convém, para em tudo fa­zer a Sua Vontade. E, em quinto, julgais que são poucos os sofri­mentos padecid­os por aqueles a quem o Se­nhor concede essas Graças? Não, são imensos e se manifestam de diversas maneiras. E sabeis vós se se­ríeis pes­soas para pa­decê-los? Por último, porque talvez por aí mesmo onde pensais ga­nhar, perder­eis – como ocorreu a Saul, por ser rei (as razões 5ª e 6ª aludem ao episódio dos fi­lhos de Zebedeu – S. Mat. 20, 20-22, - e à conduta de Saul – I Rs. 15, 10-11; cfr. Mor. VI, Cap. 11, 11 e Mor. V, Cap. 3, 2).

Enfim, irmãs, além dessas há outras. Crede-me que o mais seguro é não de­sejar se­não o que Deus deseja, pois Ele nos conhece e nos ama mais do que nós mesmos. E não poderemos er­rar, se com determinação da vonta­de, agirmos sempre as­sim”(S. Te­resa de Jesus, Mor. VI, Cap. 9, 14-16; cfr. Mor. IV, Cap. 2, 9; Liv. da Vida, Cap. XII, 1. 4. 7).

 E, em outro lugar, ensinando sobre o 1º grau de Oração diz: ... É muito bom, que uma alma que só chegou até aqui, graças ao Senhor, não procure ir além por si (mesma) – e muito se atente para isso –, para que não obtenha, em vez de lucro, prejuízo... Quem quiser passar da­qui e levantar o espí­rito a sentir gostos (sobrenaturais), que não lhe são da­dos, perde, a meu ver, tudo. Os gostos são sobrenaturais e, perdido o entendimento, a alma fica desam­parada e com muita aridez. E como esse edifício tem a sua fundação na humilda­de, quanto mais próximos de Deus estivermos, tanto maior deverá ser essa Vir­tude, pois, se assim não for, tudo perderemos. E parece algum tipo de so­berba querer­mos ir além dis­so, visto que Deus já faz em demasia, pelo que somos, ao permitir que nos aproximemos Dele... Torno a avisar que é muito importante ‘não elevar o espírito se o próprio Senhor não o eleva’ – o que isso sig­nifica logo se entende. Isso é especialmente ruim para mulheres, em que o Demônio poderá causar alguma ilusão...”(Liv. da Vida, Cap. XII,1. 4. 7).

Na Encarnação (n.c: Mosteiro) calara-se a hostilidade, o ceticismo dera-se por ven­cido; mais de 40 religiosas a seguiam nas vias de oração e lhe imita­vam as virtudes. As virtu­des, mas não os êxta­ses: bem se esforçava ela por convencer as outras religiosas de que se ganha o Céu mais pela obedi­ência e pelo esquecimento de si próprio do que pelo desejo de Graças Sobrenaturais: raptos e êxtases provam a bon­dade de Deus, não as nossas perfeições”(Marcelle Auclair, “Santa Teresa de Ávi­la, a dama errante de Deus”, Cap. V, 1959).

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Müller – ‘Lefebvrianos são cismáticos de facto’, o fundador da Teologia da Libertação ‘sempre foi ortodoxo’




Qualquer pessoa em sã consciência, em seu juízo perfeito, com isenção e livre de tendenciosidade que confronte os escritos de Gutiérrez com a multimilenar doutrina da Santa Igreja simplesmente ficará de cabelo em pé com a heterodoxia daquele e verá de forma incontestável o quão distante está a possibilidade do qualificativo “ortodoxo” poder ser-lhe aplicado com honestidade e razão de ser. Uma mesma análise da obra de Dom Lefebvre permite perceber que ali não há um milímetro sequer de distanciamento de tudo aquilo que milenarmente a Santa Igreja sempre pregou e ensinou. Ou seja, ele não estabeleceu nenhuma doutrina e hierarquia paralela ou diferente que de fato configurasse um real estado de cisma. E isso foi já exaustivamente debatido e demonstrado. Por conseguinte, se é então obrigado a concluir que a única possibilidade de Gutiérrez ser Ortodoxo se dá não no âmbito da Santa Igreja, mas sim no da igreja conciliar a mesma em relação a qual os “lefebvrianos” de fato não se acham mesmo em comunhão. Que cada um pese bem de que lado está e tome muito cuidado, pois o “deslumbramento” pode levar a equívocos, de consequências nada deslumbrantes…

[COMENTÁRIO DE UM LEITOR]

*** * ***


Por Rorate Caeli – Tradução: Fratres in Unum.com: De uma entrevista concedida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Müller, ao diário italiano Corriere della Sera, publicada neste domingo:

Com a falha nas discussões [doutrinais], qual é a posição dos lefebvristas?

“A excomunhão canônica devido à ordenação [episcopal] ilícita foi levantada dos bispos, mas permanece a [excomunhão] sacramental, de facto, para o cisma; porque eles se distanciaram da comunhão com a Igreja. Isso posto, não fechamos a porta, jamais, e os convidamos à reconciliação. Porém, eles também precisam mudar a sua abordagem e aceitar as condições da Igreja Católica, e o Supremo Pontífice como o critério último de adesão” [SIC! SIC! SIC!].

O que o senhor pode dizer sobre o encontro entre Francisco e [Pe. Gustavo] Gutiérrez em 11 de setembro?

“As correntes teológicas passam por momentos difíceis, as coisas são debatidas e esclarecidas. Contudo, Gutiérrez sempre foi ortodoxo. Nós, europeus, precisamos superar a noção de sermos o centro, sem, por outro lado, nos subestimarmos. 

Cerceamento da liberdade de expressão?


Homem é condenado a pagar R$5 mil por dizer, em conversa privada, que filho de Lula é "um idiota"




Imagem: Reprodução/Veja
Tribunal de Justiça decide que ofensa a filho de Lula, mesmo que em conversa reservada, pode acarretar condenação ao pagamento de danos morais. Leia, abaixo, o relato da matéria do site jurídico Conjur:


"Mesmo que não tenham sido publicados, comentários ofensivos à imagem de um cidadão podem render processo por dano moral caso este tenha conhecimento de seu conteúdo. Isso ocorre porque, mesmo que determinada opinião tenha sido proferida em ambiente familiar ou particular, sem repercussão pública, não é possível admitir qualquer comentário ofensivo à dignidade ou ao decoro de um terceiro. Afinal, diz a Constituição, tanto a imagem como a honra da pessoa são invioláveis. A consequência de tal ato deve ser a reparação do mal causado por tais falas."
Este entendimento foi adotado, em maioria de votos, pela 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo para dar provimento parcial ao recurso de Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. São réus no caso o empresário Alexandre Paes dos Santos e o jornalista Alexandre Oltramari, da revista Veja.
Durante diálogo com o jornalista Alexandre Paes dos Santos classificou o filho do ex-presidente como “um primário", “um idiota”, “uma decepção”. Ele também disse que Lulinha “tem uma disfunção qualquer”, por chamar a presidente Dilma Rousseff de "tia". A conversa não foi publicada na reportagem da revista Veja, mas, foi degravada na ação que Lulinha moveu contra a revista por causa da notícia. Sua degravação e anexação aos autos daquele processo motivou a Ação de Responsabilidade Civil — rejeitada em primeira instância e que chegou ao TJ-SP por meio de Apelação Cível, onde foi aceita.


Defendido pelos advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, do Teixeira, Martins & Advogados, Fabio Luis Lula da Silva afirmou que as palavras e exceções são ofensivas por si só, e incompatíveis com sua conduta pessoal e profissional. Relator do caso, o desembargador Alcides Leopoldo e Silva Júnior apontou que Alexandre Paes dos Santos não negou que tenha usado as expressões citadas, afirmando, porém, que os termos não foram publicados e que não é proibido a ninguém manifestar, em diálogo privado, suas opiniões, mesmo que fortes.
Citando precedente do Superior Tribunal de Justiça, o relator definiu injúria como a formulação de “juízos de valor, exteriorizando-se qualidades negativas ou defeitos que importem menoscabo, ultraje ou vilipêndio de alguém”. De acordo com ele, ao usar atributos negativos para descrever Fábio Luis Lula da Silva, o empresário teve “inequívoca intenção” de ofender a vítima e, mesmo que as opiniões não tenham sido publicadas, o fato de chegarem ao filho do ex-presidente caracteriza dano moral.
Na visão dele, não houve qualquer dano causado pelo jornalista Alexandre Oltramari, pois ele limitou-se a afirmar que “é um garoto que joga videogame”. Mesmo que o filho de Lula tivesse 30 anos à época dos fatos, a afirmação não pode ser ofensiva, afirmou Alcides Leopoldo e Silva Júnior. Ele justificou esta opinião com base em um estudo da Universidade de Denver (EUA) que revela aumento na produtividade pessoal e profissional de quem adere à prática, disseminada entre pilotos, cirurgiões e outros profissionais renomados.
Ele votou pela condenação de Alexandre Paes dos Santos ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais, sendo acompanhado pela desembargadora Christiane Santini. Ficou vencido o desembargador Elliot Akel, eleito corregedor-geral da Justiça no começo do mês. Ele votou pela absolvição do empresário, por entender que a conversa com o jornalista ocorreu em âmbito privado. Em tal situação, segundo Akel, “todos são livres para expressar suas opiniões pessoais”, e a condenação impossibilitaria que qualquer pessoa expressasse sua opinião sobre outros cidadãos para terceiros.
Conjur

Quebra das barreiras morais contra a homossexualidade? HOMOSSEXUAL ‘CATÓLICO’ ELOGIA AS ‘BELÍSSIMAS’ PALAVRAS DO ‘QUERIDÍSSIMO’ PAPA FRANCISCO



“Durante o voo de retorno do Rio de Janeiro, eu disse que se uma pessoa homossexual tem boa vontade e está à procura de Deus eu não sou ninguém para julgá-la”. ─ É evidente que não cabe ao Papa julgar o íntimo da consciência individual ─ de internis nec Ecclesia ─, mas é missão essencial ao representante de Jesus Cristo na Terra expor a doutrina da Igreja sobre fé e moral. A esse propósito, é estarrecedora a notícia de que o casamento homossexual foi aprovado, no Estado americano de Illinois, graças às instâncias de um deputado católico, Michael J. Madigan, que conseguiu obter a pequena dezena de votos necessária para que a nova lei fosse aprovada, com o argumento de que, se o Papa dizia “eu não sou ninguém para julgá-la”, menos ainda o poderia ele. — Dr. Arnaldo Vidigal XAVIER DA SILVEIRA, Entrevista papal retirada do site vaticanoSão Paulo, 22/11/2013, www.arnaldoxavierdasilveira.com






Carta de um homossexual ao Papa
É preciso ir às periferias do mundo gay


Quando o Papa Francisco falou no avião sobre o lobby gay, suas palavras foram acolhidas com polêmica por alguns e com alegria por outros. Mas nesse coro de vozes faltava uma voz... a dos homossexuais. Encontramos no blog italiano “Eliseo do deserto” esta voz, que oferecemos traduzida ao português para os leitores da Aleteia.


Queridíssimo Papa Francisco,

Eu me chamo Eliseo e lhe escrevo para dizer o quanto o aprecio! Devo admitir que meu coração continuava ligado a João Paulo II até que você chegou: sua história falava à minha história. Quando eu o via e escutava, algo se movia dentro de mim. Sua mensagem em Roma no ano 2000 aos jovens ainda ressoa forte em meu peito. Porque é verdade! Nossa sede de amor, de beleza, de verdade... É a Ele a quem buscamos!

Papa Francisco, com sua simpatia, você nos roubou o coração. Eu estava debaixo do balcão (da Basílica de São Pedro) em sua eleição, vivemos o Pentecostes essa noite, no silêncio, nas orações que recitamos juntos, em cada palavra sua.  

Eu sou um jovem, mais um homem adulto, e sofro impulsos homossexuais. Estou surpreso porque nas manchetes dos jornais falam só do que você falou ou não sobre os gays, esquecendo as belíssimas palavras pronunciadas no Rio.

Mas eu quero recordá-las! Você impulsionou os jovens a ir! Também às periferias da existência, ali onde frequentemente enviou os sacerdotes, convidando-os a ter o cheiro das ovelhas. Você falou desses jovens que pressionam para ser protagonistas da mudança e citou Madre Teresa, que dizia para começar por mim e por ti a mudar o mundo.

Papa Francisco, quero lhe falar das periferias da homossexualidade; eu descobri três.

A primeira é a de quem se descobre homossexual. É a periferia da solidão. Recordo que quando me reconheci homossexual, por um momento minha vista escureceu. Me perguntei por que isso acontecia comigo, recordo que estava indo à missa diária. O jovem que admite ser homossexual se sente um monstro e não sabe com quem falar sobre isso. Os pais? Por que lhes dar um sofrimento tão grande? Os amigos? Chacoteariam de mim. Os sacerdotes? Me diriam que é pecado. Quando falei com Deus, encontrei na Bíblia esta palavra: “Mas aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar”. É Isaías. Na imagem da força eu li uma promessa. Porque eu pensava que não era varão porque não era forte como os da minha idade. Depois encontrei o valor de falar disso com um sacerdote, e com o tempo a amigos de confiança.

A segunda periferia é a homossexualidade de quem é crente. Sim, há também muitos homossexuais que creem em Jesus, mas que não aceitam o que a Igreja diz sobre a homossexualidade e sobre a sexualidade em geral. Não penso neles, mas sim naqueles que, em contrapartida, amam a Igreja e gostariam de seguir seus ensinamentos. A homossexualidade tem um problema fundamental, que leva frequentemente a viver uma sexualidade desordenada e excessiva: as pessoas homossexuais sentem pulsões compulsivas fortíssimas dentro de si, além disso, às vezes podem nascer inclusive sentimentos reais. A proposta da castidade ou do celibato pode parecer um ato de heroísmo, um martírio que só poucos podem enfrentar. Esses homens cada vez são menos, porque o conceito de castidade é cada vez menos compreensível em nossa sociedade, também no âmbito católico. E se não bastasse isso, há também os ataques da própria militância gay, porque os consideram uma espécie de traidores.

A terceira periferia são os infernos da homossexualidade. Onde o homossexual perde a dignidade de pessoa humana. São os websites de contatos, uma espécie de escape onde exibir pedaços do próprio corpo para encontrar quem te compre ainda que seja barato. Não se trata sempre de dinheiro, mas do preço da própria dignidade. São as ruas onde de noite se buscam encontros com outros homens que possam preencher os próprios vazios. São os locais gay, como as discotecas ou também esses novos bordéis que se escondem como círculos culturais, onde se pratica todo tipo de depravação. São as manifestações em que se pede dignidade pela própria condição, e em contrapartida se lhe perde.

Você nos pede para ir às periferias e que o façamos juntos. Eu ainda sou muito frágil, mas lhe peço que reze para que possa ter força. Quero estar junto a quem está sozinho, para lhe dizer que não perca a esperança em Deus, e creia que é precioso aos seus olhos.

A mudança começa por mim e por ti, dizia Madre Teresa. Papa Francisco, tenho esta imagem sua descendo também a essas periferias tão incômodas da existência. Agradeço pela delicadeza com que sempre enfrentou a questão. Você nunca levantou o dedo para dividir a humanidade segundo seus instintos sexuais. Você sabe que o ser humano é algo muito mais complexo e rico.

Reze por mim e por todos aqueles que talvez lendo esta carta decidam cruzar o umbral dessas periferias para levar a Boa Nova de Jesus.

Eu rezarei por ti, como filho.


Um abraço.


Fonte: Aleteia

domingo, 22 de dezembro de 2013

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes — São Pedro era celibatário (Parte XI)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Luz nas trevas: respostas irrefutáveis às objeções protestantes
por Pe. Júlio Maria

Livro de 1955 - 224 pag.
Editora VOZES
Petrópolis







CAPÍTULO X

SÃO PEDRO ERA CELIBATÁRIO


A terceira objeção é contra o celibato de São Pedro, para demonstrar que os padres devem se casar. O pastor pede, pois: Um texto da Sagrada Escritura que prove que São Pedro não tinha esposa.


I. Argumento negativo

Provemos, em primeiro lugar, ser provável que São Pedro não tinha mulher, quando foi chamado por Jesus Cristo, mas era viúvo. É o argumento negativo.

O meu amigo crente quer um texto que prove que São Pedro não tinha mulher: por que não pede um texto que prove que São Pedro usava calça, turbante, alpercatas, manto, que comia, bebia e dormia?

Na falta deste texto, será preciso concluir, então que São Pedro andava despido e que não comia, nem dormia?

Que ingenuidade! Para que serve tal texto?... Então é proibido casar-se?

E se eu lhe pedisse um texto que provasse que São Pedro tinha mulher, onde iria buscá-lo?

Conhecendo só as palavras da Bíblia, sem compreender a significação, há de apresentar o texto de São Lucas (Lc 4, 38): E a sogra de Simão estava enferma.

Isso prova que São Pedro tinha sogra. É já uma coisa: porém há tanta gente que tem sogra e não tem mais mulher; pois uma pode morrer e a outra ficar. Isso prova apenas que São Pedro tinha sido casado, antes de ser chamado por Nosso Senhor, e que talvez era viúvo.

Meu pobre crente nem pensara até aí, e no triste afã de fabricar objeções viu sogras e mulheres em toda parte.

Então, São Pedro, por ter sogra, tinha sido casado, era viúvo... Mas diga lá: o viúvo é ou não é gente? Há na Igreja bastante padres que já foram casados e que, depois de enviuvar, entraram na milícia eclesiásticas. Há até muitos santos nestas condições.

Haverá qualquer mal nisso? A Igreja católica exige o celibato dos seus sacerdotes, para seguirem o exemplo de Jesus Cristo e dos apóstolos, que eram celibatários.

Jesus Cristo não o exigiu dos seus discípulos; aconselhou-o; porém parece-me que um conselho do Salvador não é coisa desprezível e deve, ao contrário, ser de real utilidade.


II. Argumento positivo

O argumento positivo é claro, embora não resolva completamente a questão. São Pedro tinha sogra; é certo. São Pedro teve mulher; é certo ainda.

Na ocasião de ser chamado por Nosso Senhor ao apostolado, São Pedro não tinha mais mulher, e se a tinha ainda, deixou-a de comum acordo, conforme o conselho do Mestre: Todo aquele que tiver deixado, por amor de mim, casa, irmãos, pais, ou mãe, ou mulher, ou filhos... receberá a vida eterna (Mt 19, 20).

Eis um conselho do divino Mestre, dirigido aos apóstolos, e, na pessoa deles, aos séculos vindouros. Nosso Senhor convida os apóstolos a deixarem tudo, por seu amor... até a própria mulher.

Os apóstolos compreenderam o convite de Cristo, e o compreenderam tão bem que ficaram admirados, e disseram: logo quem pode salvar-se? (Lc 18, 26).

São Pedro, sem hesitação, sem embaraço, como quem fala com completa certeza, dirige-se ao divino Mestre, e exclama: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos (Lc 18, 28).

E o Senhor aprova e apoia esta exclamação de Pedro, respondendo: Na verdade vos digo, que não há quem deixe, pelo reino de Deus, casa, pais, irmãos ou mulher não receberá...a vida eterna (Lc 18, 29-30).

Que verdade podia ser articulada, confirmada mais positivamente do que aquela? O Salvador promete o céu a quem deixar tudo, inclusive a mulher, por seu amor! São Pedro exclama ter deixado tudo. O Mestre o confirma, e promete-lhe o céu em recompensa.

É pois claro e irrefutável que São Pedro, embora tivesse sogra, não tinha, ou tinha deixado a mulher; era pois celibatário como os outros apóstolos. Se assim não fosse, São Pedro não podia ter deixado tudo, visto não ter deixado a mulher, embora fosse incluída a mulher na enumeração, feita pelo Mestre, daquilo que se pode deixar por seu amor.

Reflitam sobre isto, caros protestantes, e vejam como este esdrúxulo desafio se desfia por completo, e encontra no Evangelho uma resposta clara e irrefutável. O argumento positivo não deixará subsistir a mínima dúvida: São Pedro era viúvo, ou separado da Mulher, e como tal seguiu o divino Mestre, deixando tudo, pelo reino de Deus (Mt 19, 20).
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