quinta-feira, 3 de julho de 2014

Muitos padres para poucos, poucos padres para muitos. O insucesso das dioceses brasileiras


DESTAQUE


Minha diocese vem enfrentando um processo de secularização intenso, com conselhos de leigos comandando a vida paroquial e tomando, com a devida anuência episcopal, diversas funções reservadas aos ordenados. Tudo por aqui se resolve com planos e conselhos, de forma burocrática. Não por acaso a eficiência da diocese é semelhante ao de uma repartição pública.

Várias dioceses perceberam que a Tradição não deve ser evitada ou ridicularizada. Na França, por exemplo, onde a crise vocacional nas dioceses é imensa e onde o movimento tradicional tem a sua maior força, alguns bispos abriram as portas dos seminários ao rito tradicional. Em Lião o cardeal Barbarin já permite que os seus seminaristas aprendam a rezar a missa antiga. A diocese de Fréjus-Toulon abriga o maior seminário da França em números totais de seminaristas e desde a posse de Dom Dominque Rey como bispo se permite que os seminaristas aprendam o rito antigo e, ainda mais, escolham a forma da ordenação - no rito moderno ou tradicional. Inclusive Dom Rey fundou uma sociedade sacerdotal (Missionários da Divina Misericórdia) voltada para o rito antigo.

A abertura à tradição não acontece exclusivamente no ambiente religioso das fraternidades ou institutos. Algumas dioceses, com bispos realmente comprometidos com a causa da fé, também realizam experiências bem sucedidas nesse campo. Tomemos, por exemplo, Ciudaddel Este, que só este mês recebeu mais de uma dezena de novos seminaristas. Há ainda o seminário de Guadalajara, o maior do mundo, com mais de 1200 seminaristas. As duas casas de formação apostaram na abertura generosa à tradição católica e agora colhem os frutos. Já escrevemos sobre elas aqui.


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Muitos padres para poucos, poucos padres para muitos. O insucesso das dioceses brasileiras


Três diáconos da FSSP sendo ordenados ao sacerdócio - junho/2014



Chegamos ao final do mês de junho, um mês que dentro do calendário católico é marcado tradicionalmente por ordenações. Chegamos ao final do mês e minha diocese não terá o que comemorar, pois o número de novos padres é zero.

Minha diocese é um espelho daquela diocese típica do Brasil. Conta com mais de 1 milhão de pessoas, sendo aproximadamente 600 mil católicos. São 15 cidades, 66 paróquias e quase-paróquias e apenas 60 padres diocesanos, alguns deles já aposentados. Se não fosse pelo clero religioso, com 49 padres de 11 congregações/institutos, muitas paróquias estariam sem padres.

O grande número de padres religiosos se deve ao passado recente da diocese que, imediatamente depois do Concílio Vaticano II, viu seu seminário diocesano vazio. Não estou falando de uma diminuição de vocações, mas de uma verdadeira extinção em massa de seminaristas por aqui, que durou praticamente 10 anos. Dois ou três seminaristas, na década de 70, foram enviados à São Paulo para o período formativo. E retornaram para a diocese como bastiões da Teologia da Libertação, diga-se de passagem.

década perdida na igreja diocesana é um sintoma do fracasso da teologia liberal e que nos marca até hoje. Queria poder dizer que essa página já foi virada e superada na nossa história, mas ela ainda persiste.


Ordenados na FSSPX (EUA)

Meu bispo diocesano goza de 9 anos à frente da diocese. Nesses nove anos ele ordenou 8 padres e um dos neo-sacerdotes abandonou o sacerdócio para se casar antes do primeiro aniversário de ordenação. Em termos numéricos, naquela função primordial que é própria do bispo diocesano, que é dar à comunidade de fiéis pastores, meu bispo fracassa, a diocese fracassa categoricamente.

Corremos o risco de outra década perdida em termos vocacionais. O seminário diocesano conta, hoje, com cinco seminaristas na etapa inicial (propedêutico), doze cursando filosofia e nove cursando teologia. Temos três seminários funcionando e consumindo recursos para apenas 26 seminaristas, sendo que a maioria nem será ordenada. Este ano, como em 2008 ou 2011, não teremos novos sacerdotes.

Meu bispo é contrário a tudo - absolutamente tudo - que cheira a tradição. Missa tradicional? Nem pensar! Inclusive ameaça padres que manifestam alguma vontade em celebrá-la, ainda que remotamente. Sem dúvida é uma pena que, como bispo, se comporte de forma tão intolerante, porque se desse espaço para a Tradição tenho certeza que seus três seminários poderiam estar em situação muito diferente da atual.

Mons. Schneider com mais sacerdotes ordenados para a FSSP


Enquanto 600 mil católicos não conseguem ter pelo menos um neossacerdote por ano, muitas comunidades tradicionais mostram seu vigor com inúmeras vocações. Os números até o momento:

Fraternidade São Pedro - 10 sacerdotes
Fraternidade São Pio X - 20 sacerdotes
Cônegos de São João Câncio - 3 sacerdotes (biritualistas)
Cônegos do Instituto Cristo Rei - 5 sacerdotes (número ainda não oficialmente confirmado, a ordenação se dará em agosto)

Com as ordenações deste ano a Fraternidade de São Pio X atinge +600 sacerdotes, a Fraternidade São Pedro chega a 420. Certamente todas as comunidades listadas acima não atendem a um universo de 600 mil almas. Seu apostolado é muito mais restrito, porém é espiritualmente eficiente.

Ordenação em Econe (Suíça)


Meu bispo, como vários outros bispos brasileiros, não percebe ou não quer perceber que o caminho trilhado até agora é infrutífero. Sobretudo o orgulho é a grande trave nos olhos de muitos mitrados.

Minha diocese vem enfrentando um processo de secularização intenso, com conselhos de leigos comandando a vida paroquial e tomando, com a devida anuência episcopal, diversas funções reservadas aos ordenados. Tudo por aqui se resolve com planos e conselhos, de forma burocrática. Não por acaso a eficiência da diocese é semelhante ao de uma repartição pública.

O ápice da secularização foi, em 2008, um processo de revisão "ampla" orientado por um leigo contratado ($) especialmente para prestar consultoria. O resultado da revisão foi festejado pelo bispo na forma de mais um plano de pastoral (o 6º!) que diz praticamente a mesma coisa que os outros cinco planos anteriores. O 6º Plano de Pastoral é alardeado como a maior conquista deste episcopado, sendo considerado uma verdadeira panaceia para todos os males pastorais que essa igreja particular enfrenta.

Neo-sacerdotes da FSSP, ordenados em Roma
por Mons. Guido Pozzo


Por outro lado, os membros das Fraternidades de São Pedro e São Pio X não parecem apostar na burocracia, nos planos pastorais, como ponto de partida. Jesus não disse "Ide e fazei Planos Pastorais", mas pediu que seus apóstolos fizessem discípulos. É na missão, na conversão pessoal que as comunidades tradicionais focam seu apostolado e conseguem tantos frutos espirituais, apesar do seu tamanho e da perseguição dentro da própria igreja. Seguir o Evangelho é o melhor plano pastoral possível e somente uma diocese esvaziada da sua essência cristã pode focar tanto em papel, conselhos, comissões, etc.


Experiências também nas dioceses 

A abertura à tradição não acontece exclusivamente no ambiente religioso das fraternidades ou institutos. Algumas dioceses, com bispos realmente comprometidos com a causa da fé, também realizam experiências bem sucedidas nesse campo. Tomemos, por exemplo, Ciudaddel Este, que só este mês recebeu mais de uma dezena de novos seminaristas. Há ainda o seminário de Guadalajara, o maior do mundo, com mais de 1200 seminaristas. As duas casas de formação apostaram na abertura generosa à tradição católica e agora colhem os frutos. 
Já escrevemos sobre elas aqui.

Novos seminaristas de Ciudaddel Este. O reitor do seminário ao centro
depois de rezar a missa tradicional e dar a tonsura aos novos seminaristas



Várias dioceses perceberam que a Tradição não deve ser evitada ou ridicularizada. Na França, por exemplo, onde a crise vocacional nas dioceses é imensa e onde o movimento tradicional tem a sua maior força, alguns bispos abriram as portas dos seminários ao rito tradicional. Em Lião o cardeal Barbarin já permite que os seus seminaristas aprendam a rezar a missa antiga. A diocese de Fréjus-Toulon abriga o maior seminário da França em números totais de seminaristas e desde a posse de Dom Dominque Rey como bispo se permite que os seminaristas aprendam o rito antigo e, ainda mais, escolham a forma da ordenação - no rito moderno ou tradicional. Inclusive Dom Rey fundou uma sociedade sacerdotal (Missionários da Divina Misericórdia) voltada para o rito antigo.

Dom Dominque Rey, bispo de Fréjus-Toulon, com dois
novos sacerdotes ordenados no rito tradicional (maio/2014)


Quem não tem cão, caça com gato


Devido a ausência de vocações, minha diocese decidiu, talvez guiada pelo espírito do 6º Plano de Pastoral, dar atenção aos diáconos permanentes. Não sou um crítico do diaconato permanente e acredito que a Igreja deva ter diáconos não-transitórios em suas fileiras, mas há um grave problema quando colocamos os diáconos permanentes (casados) como um paliativo para a falência da atividade vocacional. Por aqui são 56, dentre os quais 26 foram ordenados nos últimos 9 anos. Corremos o risco de nos tornarmos uma diocese parecida com "San Cristóbal de Las Casas", no México, que já foi assunto neste blog.

Nos próximos 10 anos o clero diocesano atingirá aquela faixa de idade crítica, onde mais da metade dos padres terá chegado aos 60 anos ou mais. Se as ordenações continuarem acontecendo no ritmo atual - e acredito que elas tendem a cair ainda mais - teremos problemas ainda mais sérios. O número crescente de logdenominações protestantes já é notado por aqui há muito tempo, com bairros de periferia com mais de 8 "igrejas" neo-pentecostais abertas e com um número cada vez maior de pastores. Não por acaso temos um dos mais baixos índices de católicos apurados pelo IBGE no último censo, abaixo da média brasileira que já é preocupante.

A resposta para esses problemas não virá com um 7º Plano de Pastoral, nem com a construção de mais um seminário, mas de uma verdadeira conversão do alto. Precisamos que o bispo perceba o caminho danoso que vem trilhando junto com os milhares de conselheiros, administradores, consultores, etc. ou que Deus nos mande um outro bispo.



Fonte: Blogonicvs

domingo, 29 de junho de 2014

Sínodo sobre a família - um documento que reflete sobre a realidade


DESTAQUE


A pastoral familiar, neste âmbito, deve evitar o risco de “fechar-se numa perspectiva legalista”.

Também é significativa a alusão à tendência, que parece prevalecer na Europa e em alguns países da América Latina, de resolver as questões encomendando-se a algum sacerdote condescendente. O autor destas linhas pôde constatar, entre “casais irregulares” segundo a doutrina canônica e entre sacerdotes ou bispos, quão frequentes são estas soluções “ad personam”, inclusive entre quem se apresenta como inflexível, mas depois está disposto a fazer notáveis exceções no confessionário. Mostra-se fundamental, com respeito aos divorciados recasados, a necessidade de agilizar os processos para chegar à nulidade matrimonial, seguindo a linha indicada por Bento XVI, mas sem alimentar a ideia de que existe um “divórcio à moda católica”.

É preciso distinguir, lê-se no texto, entre as pessoas que “fizeram uma escolha pessoal, muitas vezes sofrida, e que vivem com delicadeza para não dar escândalo a outros”, e as pessoas que têm “um comportamento de promoção e publicidade ativa, habitualmente agressivo”.

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Sínodo sobre a família - um documento que reflete sobre a realidade


Depois de ler o Instrumentumlaboris (o texto que servirá de base para o trabalho do próximo Sínodo sobre a Família), a impressão mais forte que se tem é que não tem a ver com este ou aquele detalhe, com este ou aquele aspecto, com este ou aquele problema (como os sacramentos para os divorciados que contraíram novas núpcias ou a atitude que é preciso ter e, relação às uniões entre pessoas do mesmo sexo). É, antes de mais nada, uma visão de conjunto. Desta vez, o texto-base para o trabalho dos padres sinodais representa uma fotografia real das vivências dos fiéis, assim como da percepção que os fiéis têm das mudanças que suas respectivas sociedades sofreram em relação a temas relacionados com a sexualidade, o casamento e a vida familiar.




A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio VaticanInsider, 26-06-2014. A tradução é de André Langer.


Tranquilizando a todos os que se preocupavam e temiam que com o questionário de 39 perguntas os ensinamentos da Igreja fossem submetidos a uma espécie de plebiscito, o documento apresenta-se muito equilibrado em suas três partes. Destaca-se, por exemplo, a dificuldade na hora de apresentar a lei natural e seus fundamentos, posto que a expressão “lei natural” é “problemática” ou “inclusive incompreensível”. Também é evidente que o que estabelece a lei civil, em muitos contextos, converte-se cada vez mais na mentalidade dominante e inclusive “moralmente aceitável”. A grande questão do sínodo será, pois, refletir sobre a forma de anunciar o Evangelho e os ensinamentos da Igreja nestes novos contextos.
É interessante a insistência sobre o risco de esquecer que “a família é a ‘célula fundamental da sociedade, o lugar onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer a outros’”. Daí a necessidade de propor “uma visão aberta de família, fonte de capital social, ou seja, de virtudes essenciais para a vida comum”. Também se destaca o “ponto chave” para a promoção da família, ou seja, o testemunho da beleza e da alegria “que dá acolher o anúncio evangélico no matrimônio e na vida familiar”. Atitude que evidentemente contrasta tanto com as atitudes daqueles que passam seus dias condenando, lançando anátemas e fazendo exames de consciência de todo o mundo, assim como com o laxismo daqueles que acabam achando que tudo é lícito.
O documento assinala a “percepção equivocada e moralista” daqueles que consideram “o ideal da família” como uma “meta inatingível e frustrante, em vez de ser considerado como uma indicação de um caminho possível, por meio do qual aprender a viver a própria vocação e missão”.
Também é muito interessante a análise do documento sobre as “situações críticas”: a violência e o abuso, as “dependências dos meios de comunicação e das redes sociais” que monopolizam o tempo das relações familiares, as pressões exercidas pelos horários e pelos ritmos de trabalho, os fenômenos migratórios, a pobreza, o consumismo e a mentalidade do “filho a qualquer custo”. É significativo que se cite a “perda de credibilidade moral” da Igreja na percepção dos habitantes da América do Norte e do norte da Europa devido aos escândalos sexuais e, particularmente, à pederastia clerical.

Um dos grandes problemas é acolher e acompanhar as pessoas que vivem em situações familiares difíceis ou irregulares. O terceiro capítulo, dedicado às “situações pastorais difíceis”, ocupa-se dos temas das “situações matrimoniais difíceis”. “A verdadeira urgência pastoral – lê-se no Instrumentumlaboris – é permitir a estas pessoas que curem suas feridas, voltem a ser pessoas saudáveis e retomem o caminho junto com toda a comunidade eclesial. A misericórdia de Deus não provê uma cobertura temporal do nosso mal; pelo contrário, abre radicalmente a vida à reconciliação, dando-lhe nova confiança e serenidade, mediante uma autêntica renovação”.A pastoral familiar, neste âmbito, deve evitar o risco de “fechar-se numa perspectiva legalista”.

Quanto às convivências, o documento indica, entre as razões que levam os jovens a viver juntos sem se casar, “políticas familiares inadequadas para sustentar a família; problemas financeiros; o desemprego juvenil; a falta de moradia”. Além disso, o documento indica que é fundamental ajudar os jovens a sair de uma “visão romântica de amor, percebido apenas como um sentimento intenso para o outro, e não como uma resposta pessoal a outra pessoa, no âmbito de um projeto de vida comum, no qual se abre um grande mistério e uma grande promessa”.

Quanto às situações de “irregularidade canônica”, o Instrumentumlaboris reconhece que é bastante “alto o número daqueles que consideram sem preocupação sua situação irregular” e, portanto, não pedem para serem admitidos à eucaristia nem à reconciliação. Mas também há um sofrimento profundo por parte de “muitos” que se sentem marginalizados e frustrados por não poder fazer a comunhão devido a uma situação familiar particular. É preciso notar que foram as Conferências Episcopais que pediram para exercer “uma misericórdia, clemência e indulgência mais amplas em relação às novas uniões”. É preciso acompanhar as pessoas, os casais, “com compreensão e paciência”, explicando que “o fato de não poderem aceder aos sacramentos não significa que são excluídos da vida cristã e da relação com Deus”.

Também é significativa a alusão à tendência, que parece prevalecer na Europa e em alguns países da América Latina, de resolver as questões encomendando-se a algum sacerdote condescendente. O autor destas linhas pôde constatar, entre “casais irregulares” segundo a doutrina canônica e entre sacerdotes ou bispos, quão frequentes são estas soluções “ad personam”, inclusive entre quem se apresenta como inflexível, mas depois está disposto a fazer notáveis exceções no confessionário. Mostra-se fundamental, com respeito aos divorciados recasados, a necessidade de agilizar os processos para chegar à nulidade matrimonial, seguindo a linha indicada por Bento XVI, mas sem alimentar a ideia de que existe um “divórcio à moda católica”.

A este respeito, todos concordam com o fato de que a preparação catequética para o matrimônio é substancialmente inadequada para o objetivo. A falta de uma fé vivida coloca em dúvida a validade de muitos casamentos.
Também é particularmente significativo o enfoque sobre o delicado tema das uniões entre pessoas do mesmo sexo e as leis que as reconhecem. O documento para o sínodo explica que as duas atitudes contrárias (a mais intransigente e a condescendente) não ajudam no desenvolvimento de uma “pastoral eficaz”. É preciso distinguir, lê-se no texto, entre as pessoas que “fizeram uma escolha pessoal, muitas vezes sofrida, e que vivem com delicadeza para não dar escândalo a outros”, e as pessoas que têm “um comportamento de promoção e publicidade ativa, habitualmente agressivo”. Assinala-se a necessidade de “não identificar uma pessoa com expressões como ‘gay’, ‘lésbica’ ou ‘homossexual’”. O documento faz notar que não existe “um consenso” na Igreja sobre como acolher concretamente as pessoas que vivem uniões com outras pessoas do mesmo sexo. Também há um parágrafo dedicado à acolhida das crianças de casais do mesmo sexo, que não devem sofrer nenhuma discriminação no âmbito do batismo nem na preparação à iniciação cristã, embora seja “unânime” o consenso diante da negação para a adoção por parte destes casais.
Para concluir, é preciso notar, na parte dedicada à recepção e à atualidade da Encíclica Humanae Vitae, que é muito difundida entre os fiéis a percepção de que o aborto é um “pecado grave”, mas também a percepção de que a regulação da natalidade mediante a utilização de anticoncepcionais não é pecado.


Trata-se, pois, de um documento no qual aparece claramente a marca do novo Pontificado e que, talvez, pela primeira vez, oferece uma síntese da situação real das vivências nas paróquias dos cinco continentes, fruto de um trabalho capilar e colegial. Uma fotografia da realidade, inclusive da realidade do fracasso ou da objetiva dificuldade na hora de transmitir o anúncio da fé e seus conteúdos, muito útil para o trabalho dos padres sinodais. Ninguém pode antecipar o que acontecerá em outubro, quando os membros do próximo sínodo se reunirem no Vaticano. Encontramo-nos no começo de uma “profunda reflexão” sobre a família, que terminará somente em outubro de 2015, com o segundo sínodo dedicado a este tema.


Fonte: Unisinos

CARDEAL BALDISSERI - VATICANO PROMOVERÁ ‘PASTORAL DE MISERICÓRDIA’ PARA OS DIVORCIADOS E CASAIS DO MESMO SEXO



DESTAQUE


O relator Geral da III Assembléia Geral Extraordinária do Sínodo de Bispos e Arcebispo de Budapest, Hungria, Cardeal Peter Erdo: a Igreja deve "propor e não impor", "acompanhar e não empurrar" e "convidar e não expulsar".

Sobre os casais do mesmo sexo [SIC! SIC! SIC!], o Cardeal Baldisseri distinguiu contextos, segundo a legislação civil seja "mais ou menos favorável", e insistiu na necessidade de um "cuidado pastoral das Igrejas particulares", sobre tudo pensando em " questões relacionadas com os eventuais filhos", referindo-se ao contexto das uniões civis de mesmo sexo que em diversos países, em um número crescente, podem adotar filhos.

SOBRE OS DIVORCIADOS – CARDEAL BALDISSERI: a Igreja "sente-se interpelada a encontrar soluções compatíveis com sua doutrina, que guiem uma vida serena e reconciliada".Assim, manifestou a "relevância de simplificar e agilizar os processos judiciais de nulidade matrimonial".



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CARDEAL BALDISSERI - VATICANO PROMOVERÁ ‘PASTORAL DE MISERICÓRDIA’ PARA OS DIVORCIADOS E CASAIS DO MESMO SEXO





O Vaticano anunciou que promoverá uma "pastoral de misericórdia" para aqueles casais que estão em situações de irregularidade canônica, como os que convivem, os divorciados, os desquitados, os divorciados que voltaram a casar pelo civil, as mães solteiras ou casais do mesmo sexo e o cuidado a ser dado aos eventuais filhos adotivos. O conteúdo do anúncio foi feito pelo cardeal Lorenzo Baldisseri durante a apresentação do Instrumento de trabalho que será usado pelos bispos de todo o mundo durante Sínodo sobre os desafios pastorais para a Família, que se celebra entre os dias 5 e 19 de outubro.

O Instrumento de trabalho, que será estudado durante o Sínodo pelos prelados e demais participantes, constitui um diagnóstico da preocupação pelas situações familiares, fruto das respostas enviadas ao Vaticano por episcopados, congregações e movimentos de todo o mundo.

Deste modo, o secretário geral do Sínodo dos bispos, Cardeal Lorenzo Baldisseri, assinalou que serão consideradas de maneira particular as situações pastorais difíceis que se referem, entre outras, às situações de "convivência e uniões de fato, casais desquitados e divorciados (que casaram pela Igreja) e voltaram a casar", aqueles que se encontram em condições de "irregularidade canônica" ou que pedem casar-se pela Igreja "sem ser crentes ou praticantes".

Sobre os casais que se uniram em matrimônio religioso e após o divórcio estão impedidos de casar pela Igreja ou aceder aos sacramentos, o Secretário do Sínodo e Ex-Núncio apostólico no Brasil reconheceu que estes "vivem com sofrimento sua situação de irregularidade na Igreja" e afirmou que a Igreja "sente-se interpelada a encontrar soluções compatíveis com sua doutrina, que guiem uma vida serena e reconciliada".

Assim, manifestou a "relevância de simplificar e agilizar os processos judiciais de nulidade matrimonial".

Sobre os que se casam "sem fé explícita", reclamou "maior atenção da pastoral eclesiástica" e uma "melhor qualidade" nos cursos de preparação do matrimônio para que os esposos possam continuar sendo "recém casados depois das bodas".

Cuidado dos filhos de casais do mesmo sexo

Sobre os casais do mesmo sexo, o Cardeal Baldisseri distinguiu contextos, segundo a legislação civil seja "mais ou menos favorável", e insistiu na necessidade de um "cuidado pastoral das Igrejas particulares", sobre tudo pensando em " questões relacionadas com os eventuais filhos", referindo-se ao contexto das uniões civis de mesmo sexo que em diversos países, em um número crescente, podem adotar filhos.

"Urge permitir às pessoas feridas curar-se e reconciliar-se, encontrando de novo confiança e serenidade", acrescentou.

Por isso, promoveu a necessidade de uma pastoral capaz de oferecer a "misericórdia que Deus concede a todos sem medida", e evidenciou que a Igreja deve "propor e não impor", "acompanhar e não empurrar" e "convidar e não expulsar".

Do mesmo modo, o Cardeal Baldisseri reconheceu que "a convivência e as uniões de fato" estão em crescente difusão e atribuiu o fato a "diversas razões sociais, econômicas e culturais".

"A Igreja sente o dever de acompanhar estes casais na confiança de poder sustentar uma responsabilidade como é a do matrimônio", disse.

Por sua parte, o relator Geral da III Assembléia Geral Extraordinária do Sínodo de Bispos e Arcebispo de Budapest, Hungria, Cardeal Peter Erdo, comentou que o documento de trabalho oferece "uma panorâmica da situação da pastoral da família", a partir da perspectiva do nível da consciência, que proporcional ao conhecimento, "dos ensinamentos de Cristo e da Igreja sobre o matrimônio" e do nível relativo "ao comportamento real das pessoas", onde se apresentam as "situações críticas".

O Cardeal Erdo expressou que muitas das respostas evidenciam que as pessoas, em geral, "casam-se cada vez menos, também de maneira civil". "Tal fenômeno se insere no contexto do individualismo e do subjetivismo prático", acrescentou.


Sobre o tema dos divorciados que voltaram a casar, o Cardeal Erdo manifestou que em algumas partes do mundo se fala de "um sofrimento causado por não receber os sacramentos" e que a pergunta "o que pedem os divorciados à Igreja?" em outras partes do mundo a resposta mais frequente é que "não pedem nada, ou porque ignoram que não podem participar dos sacramentos ou se mostraram indiferentes tanto antes como depois do matrimônio civil, inválido desde o ponto de vista eclesiástico".


Fonte: ACI Digital

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A arte de escorchar a classe média. Destruindo-se a classe média, a nação definha...


Uma reflexão muito atual






Diálogo sugestivo, perdido na noite dos tempos (entre 1643 e 1715!)


Eis um diálogo, colhido da peça teatral "Le Diable Rouge", de Antoine Rault, que, teria transcorrido entre os personagens Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, em pleno século XVIII. Apesar dos séculos decorridos, parece bem atual.


Colbert:- Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…

Mazarino:- Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas e não consegue honrá-las, vai parar na prisão. Mas o Estado é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!

Colbert:- Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?

Mazarino:- Criando outros.

Colbert:- Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino:- Sim, é impossível.

Colbert:- E sobre os ricos?

Mazarino: - E sobre os ricos, também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.

Colbert: - Então, como faremos?

Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um caipira, um quadrúpede peludo! Há uma massa enorme de gente que está entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais!
Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!
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