sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A Renovação Carismática Católica: Fruto do Concílio Vaticano II, Semente de Destruição



Créditos da imagem por: Tradição Católica



                                                  
         Introdução:

         Batizados no "Espírito"

            "Batizado no Espírito", "Oração em Línguas", "O Dom da Profecia", e um "Relacionamento Pessoal com Jesus Cristo" são todas expressões muito em voga e indispensáveis no vocabulário da assim chamada "Renovação Carismática Católica" (RCC), um movimento cujas origens se devem a um retiro sem nenhum acompanhamento realizado em 1967 por alguns estudantes da Universidade de Duquesne em Pittsburg (USA) . Por volta de 1990, o movimento já contava com cerca de 72 milhões de seguidores no mundo inteiro e organizações oficiais em mais de 120 países.
            Um crescimento tão rápido aqui e no exterior, juntamente com o quase completo abandono de práticas e crenças genuinamente católicas, bem como modo de se expressar, tem sido motivo de preocupação para os Católicos já por um bom espaço de tempo. À luz  do trigésimo aniversário da RCC ocorrido no ano de 1997, uma análise mais profunda  de suas práticas, crenças e ideias vem bem a calhar.
            O trecho abaixo, tirado da literatura carismática, corresponde a um dos traços fundamentais da RCC, "Batismo no Espírito", uma "Experiência de fé", na qual uma pessoa "libera" as graças recebidas no Batismo, Confirmação e Sagrada Eucaristia, e assim experimenta a presença de Deus de um modo profundamente pessoal. Só por aí já podemos antecipar a visão e a compreensão dos Sacramentos mais comuns para os seguidores desse movimento:

"Cada Paróquia possui certo número de grupos com sua própria visão, propósito e área de serviço. Ninguém se sente incomodado ou perturbado pelos outros movimentos, tais como, Grupos do Rosário, Legião de Maria, Sociedade de São Vicente ou qualquer outra organização paroquial - a lista aqui poderia ser bem maior. Portanto, por que toda essa polêmica em torno da Renovação Carismática?  A verdade é que a RCC não é apenas uma questão de encontros de oração semanal. O seu coração reside  no Batismo no Espírito Santo - uma graça de Deus a qual deveria ser parte da experiência normal de todo cristão -  Através desse batismo, todo mundo: clero e leigos, homens e mulheres, jovens e velhos, negros e brancos, ricos e pobres – todos, sem distinção, têm a oportunidade de dar o seu sim a Deus. Mas é ainda muito mais do que isso. Ao fazermos nossa adesão pessoal  a Jesus Cristo, nós estamos dizendo "sim" à presença  poderosa do Espírito Santo e aos seus dons: os carismas. Muitos de nós fracassamos em fazer isso  quando iniciamos o processo da Iniciação Cristã. Mas agora todos nós podemos fazê-lo, basta permitirmos que o Espírito Santo nos transforme desde o mais profundo íntimo do nosso ser, equipando-nos para o serviço à Igreja e ao mundo." (Charles Whitehead- Charismatic Renewal- A Challenge 1993).

            Irregularidades Doutrinárias

            As implicações de tal declaração não deveriam deixar perplexo ninguém que tem um mínimo de conhecimento do Catecismo. Do ponto de vista ortodoxo e para dar ao autor o benefício da dúvida, poderíamos considerar tal declaração como uma referência ao Sacramento da Confirmação, o Sacramento pelo qual o Espírito Santo vem até nós de modo particularmente especial para nos transformar em verdadeiros cristãos e perfeitos soldados de Cristo.
            Que fosse tal pensamento relativo ao caráter sacramental, poderíamos ainda assim suspeitar que o que eles pretendem sugerir, seria na verdade, um "oitavo sacramento" necessário para completar os outros sete. Mas muito ao contrário, os carismáticos negam qualquer clara conexão entre o "Batismo no Espírito" e os sacramentos Católicos, uma vez que  ritos sacramentais e experiência religiosa são partes complementares da iniciação Cristã básica. E uma vez que esses aspectos da "Iniciação Cristã" são complementares, os Carismáticos não veem nenhum motivo para que não católicos e até não cristãos sejam excluídos da oportunidade de experimentar  ou receber os tais carismas, aqui se referindo é claro, às extraordinárias manifestações do Espírito Santo, as quais auxiliaram na expansão da Igreja Primitiva, tendo desaparecido pouco tempo depois da Era Apostólica.
            De fato, eles sustentam que a natureza complementar das duas partes da "Iniciação Cristã" faz com que ela se torne algo facilmente reversível, ou seja, que uma pessoa não batizada pode experimentar esse "batismo no Espírito" e se tornar ipso facto, um cristão autêntico, precisando  dos "ritos sacramentais" meramente para "completar"  sua "iniciação cristã". O status dessas pessoas, teoricamente, seria o mesmo daqueles católicos que, “tendo recebido os Sacramentos, ainda esperam por uma consciente manifestação das graças invisíveis". É óbvio que muitas pessoas, mesmo os grandes Santos, nunca receberam consolações notáveis em sua Fé e muito menos manifestações extraordinárias do Espírito Santo. Dizer, portanto, que uma pessoa que experimentou esse "batismo no Espírito" está tão unida a Deus quanto (ou até mais) que um católico piedoso e batizado (que nunca tenha vivenciado tal experiência), constitui claro absurdo".
            A raiz desse absurdo é o falso entendimento de que uma experiência emocional sempre acompanha a concessão de uma graça- ou que pelo menos faz parte da "liberação da graça". Muito ao contrário, no que diz respeito à graça sacramental, frequentemente a  única indicação sensível da concessão da graça é o sinal sacramental por si mesmo.
            O Catecismo do Concílio de Trento define um sacramento como "um sinal visível de uma graça invisível, instituído para a nossa justificação". É, portanto, um sinal, cujo efeito é o que significa, uma vez que todos os sinais visíveis de todos os sacramentos são completamente objetivos e estabelecidos pela Igreja de acordo com o mandamento ou inspiração de Nosso Senhor Jesus Cristo, os sentimentos pessoais de um indivíduo não tem nada a ver com a conferência da graça pelos sacramentos (naturalmente, desde que não haja nenhuma intenção contrária).

            Objetivo: Expor as Ideias Básicas do Movimento Carismático e sua incompatibilidade com o Catolicismo.

            O "Batismo no Espírito Santo",  é o componente primário da RCC, e juntamente com a maioria dos demais, reside em falsas concepções sobre a graça, experiência e relacionamento mútuo, como é sustentado por seus seguidores. Os itens principais da plataforma carismática, juntamente com os falsos princípios nos quais eles se apoiam, serão examinados um por um à luz da Doutrina Católica. Alguns de seus erros como o fenomenalismo, gnosticismo, ecumenismo, protestantismo e antiquarianismo ou arqueologismo, já foram tratados pelo Magistério da Igreja com profundidade. A eclesiologia defeituosa da RCC, bem como erros maiores no tocante à graça, o livre-arbítrio e os sacramentos merecerão um tratamento consideravelmente mais profundo.
            Portanto ficará claro que, apesar do entusiasmo dos modernos homens da Igreja por esse movimento, a RCC é fundamentalmente um movimento não católico irreconciliável com 20 séculos de Magistério Católico. Depois de um breve exame de suas raízes, a inteira árvore será examinada ramo por ramo e todos os seus frutos amargos expostos, levando em consideração o mandamento apostólico: "Examinai tudo: abraçai o que é bom"( I Tess.5.21).

            Breve História do Movimento
            Raízes Protestantes

            Apesar de muitos carismáticos tentarem atribuir suas chamadas "manifestações do Espírito" à ininterrupta Tradição Apostólica, eles acabam sempre por fracassar nesse intento. Alguns chegam ainda a sustentar que o fenômeno cessou por causa  de uma atitude "sufocante e burocratizante " por parte da Hierarquia Católica. Apesar disso, o fato da existência desses carismas não ser conhecido  depois da era Apostólica, é algo que fica claramente demonstrado por essa declaração de Santo Agostinho, feita no quarto século:

"Quem em nossos dias, espera que aqueles a quem sejam impostas as mãos para que recebam o Espírito Santo, devem, portanto, falar em línguas, saiba que esses sinais foram necessários para aquele tempo. Pois eles foram dados com o significado de que o Espírito seria derramado sobre os homens de todas as línguas, para demonstrar que o Evangelho de Deus seria proclamado em todas as línguas existentes sobre a Terra. Portanto o que aconteceu, aconteceu com esse significado e passou".

            Ao descartarmos a atribuição dos carismas à  Tradição Apostólica, devemos, portanto, olhar em outras direções para compreendermos a origem desse fenômeno moderno. Muitos escritores atribuem  o início do moderno  Pentecostalismo a John Wesley, o famoso ministro ex-Anglicano e fundador do Metodismo no século 18.
            O próprio Wesley, filho de um ministro Anglicano, cresceu tentando "espiritualizar" a  então ainda "muito-católica" religião Anglicana, ou seja, tentando livrar o Anglicanismo de todo o seu "ranço" católico. Ele enfatizava a necessidade de uma piedade pessoal extremamente emocional, um "relacionamento pessoal"com Deus. Um dia, depois de um período convalescendo de uma longa enfermidade, Wesley sentiu uma "sufocante" manifestação do "Espírito" e percebeu que todas as suas antigas obras religiosas não passavam de tolices. Assim "cheio do poder", batizado no Espírito, tendo recebido aquilo que ele chamava de "segunda-bênção", ele foi capaz de sair e conquistar os corações de gelo das massas de denominação Anglicana dando-lhes um sentido mais profundo da presença de Deus através de seu "Método" de "Encontros de Oração".
            O paralelo entre o nascimento do Metodismo e as origens da RCC se torna ainda mais evidente quando consideramos o segundo passo no desenvolvimento do primeiro. Wesley começou o seu movimento como uma espécie de suplemento para os serviços dominicais da Igreja Anglicana. Os encontros de oração eram realizados durante a semana, normalmente com a supervisão de algum membro do clero. Mas, logo as autoridades Anglicanas começaram a ficar apreensivas com o rumo que os Metodistas estavam tomando e assim recusaram-se a designar mais elementos do clero para acompanhá-los. Como consequência, Wesley e seu movimento romperam com a hierarquia Anglicana, fundando sua própria igreja, sob sua própria autoridade, embora nunca tendo renunciado ao seu "sacerdócio anglicano". O número de apóstatas Católicos, cuja apostasia — formal ou material - é devida à RCC sem dúvida é significante, pois qualquer um sabe que uma igreja pentecostal ou carismática é formada quase em sua totalidade por apóstatas católicos.
            O Pentecostalismo propriamente dito teve início com o movimento Revivalista ou de Reavivamento, o qual desovou entre outras, a seita do reverendo Charles Parham em Topeka, Kansas por volta do ano de 1900. Os Católicos Carismáticos atribuem o início do "Derramamento do Espírito" nos tempos modernos a essa seita herética. Uma breve sinopse da história dessa seita pode ser encontrada no livro de William Whalen chamado "Minorias Religiosas na América":

O aparecimento da glossolalia ( falar em línguas) foi registrado em 1901. Charles Parham, um pregador do movimento da Santidade, andava desanimado com sua própria aridez espiritual. Ele alugou então uma mansão que mais parecia um "elefante branco" em Topeka, Kansas, e ali começou uma escola bíblica com cerca de 40 alunos. Juntos eles começaram uma espécie de curso intensivo das Escrituras e chegaram à conclusão de que falar em línguas era o sinal de que um cristão havia recebido o batismo no Espírito Santo. Às 7 horas da tarde, numa véspera de Ano Novo, uma de suas alunas, Agnes N. Ozmen, começava a reunir o grupo para orar e quando foram-lhe impostas as mãos, ela começou a orar em línguas. Dentro de poucos dias, muitos outros a seguiram na experiência.

            Pahram passou os cinco anos seguintes levando uma vida de pregador itinerante antes de abrir outra escola bíblica, desta vez em Houston no Texas. Um de seus alunos, um ministro negro chamado W. J Seymore, levou a mensagem do "evangelho-pleno" à Los Angeles. Assim o movimento de Reavivamento, com apenas 3 anos de existência na Califórnia já atraía pessoas de tudo quanto é parte do país e essas pessoas se encarregaram de fundar e  espalhar o Pentecostalismo na maioria das grandes cidades dos Estados Unidos, bem como em muitos países da Europa. As antigas igrejas do movimento revivalista recusavam-se a enfatizar a necessidade de se falar em línguas, mas rapidamente dezenas de denominações pentecostais  independentes se organizaram, dando origem, entre outras, às chamadas "assembleias de Deus".
Logo após esse firme estabelecimento em solo protestante, o Pentecostalismo começou a crescer rapidamente. De qualquer modo, sempre foi visto pelos escritores católicos como uma nova seita herética, nunca como "igreja-irmã". A revolução entrou na Igreja com a mudança de atitude proclamada pelo Vaticano II, uma abertura das janelas para o mundo, o que significou também uma abertura para todas as religiões do mundo- sob a guia de seu Príncipe e fundador, Satanás.

             Transplante Católico.

            Em 1967, durante aqueles primeiros tempos de euforia pós-Vaticano II, uma época agitada  pelo frenesi ecumênico e apostasia generalizada, alguns estudantes da Universidade de Duquesne em Pittsburg começaram a se expor às influências pentecostais devido à sua aridez espiritual. Eles estavam com "inveja" das "vidas modificadas" de seus muitos amigos protestantes e decidiram então orar pedindo graças idênticas. Uma espécie de retiro de fim de semana foi a chave providencial para os seus questionamentos. Várias pessoas se aproximaram de vários ministros protestantes, leigos e grupos de oração protestantes; e todos receberam o tal "batismo no Espírito" depois de terem tido mãos heréticas impostas sobre eles em oração.
            A importância dessa ação não deve ser subestimada. Esses Católicos se submeteram a um rito não católico, de caráter quase sacramental — obviamente uma troça do Sacramento da Confirmação — e toda a vibração emocional proporcionada por esse pecado (objetivamente falando, naturalmente) convenceu-os da santidade da inteira experiência. Eles saíram dali como "Católicos Carismáticos"; sua influência espalhou-se como fogo selvagem por todo o país, primeiramente nos campus de colégios e depois pelo mundo inteiro.
            Se existe um bom argumento para se ouvir a Igreja, esse é um deles. A Igreja  por quase 2000 anos, sempre alertou seus filhos para manterem distância de "cultos" heréticos, porque ela sabe muito bem as consequências de tal pecado, tanto para os indivíduos envolvidos como para o Corpo Místico como um todo. Apesar disso, a RCC não só admite como imperturbavelmente louva suas raízes ecumênicas e protestantes!
            A conclusão tácita é que a Igreja- O Corpo de Cristo- perdeu a maior parte da Fé, enquanto o Espírito Santo mantinha essa mesma fé dentro do Protestantismo. Portanto, os protestantes é que estariam restaurando à Igreja o seu patrimônio perdido. Esse é um posicionamento tão falso quanto audacioso, o que claramente cai em contradição com dois Dogmas de Fé: extra ecclesiam nulla salus = fora da Igreja não há salvação, e a indefectibilidade da Igreja. Ambos serão tratados minuciosamente mais a seguir.
            Hoje em dia, praticamente em cada diocese existe um órgão oficial da RCC. Existem grupos de oração carismática, seminários, convenções, retiros, etc. Tudo isso espalhado pelo país e pelo mundo inteiro. Nenhum nível da hierarquia está livre do contingente carismático, e eles são numerosos também entre o clero- especialmente entre o clero regular ou secular. Como procuraremos demonstrar, nem sequer Roma está imune à influência dos Carismáticos.

OLHOU PARA TRÁS

(Gn 19, 26)



"Ora, a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal"


Raiando a aurora, os Anjos insistiram com Ló, dizendo: "Levanta-te! Toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui se encontram, para que não pereças no castigo da cidade" (Gn 19, 15). E como ele hesitasse, os homens o tomaram pela mão, bem como sua mulher e suas duas filhas, pela piedade que Deus tinha dele. Eles o fizeram sair e o deixaram fora da cidade (Gn 19, 16). Enquanto o levavam para fora, ele disse: 'Salva-te, pela tua vida! Não olhes para trás de ti nem te detenhas em nenhum lugar da planície; foge para a montanha, para não pereceres! (Gn 19, 17).
Católico, a mulher de Ló não obedeceu a ordem dada pelo Anjo e olhou para trás, e CONVERTEU-SE numa estátua de sal: "Ora, a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal" (Gn 19, 26).

A mulher de Ló NÃO PERSEVEROU.
Ela começou bem a caminhada, mas não perseverou... e olhou para trás.
Católico, infeliz da mulher de Ló que olhou para trás; tudo seria melhor para ela, se tivesse obedecido cegamente a ordem do Anjo.
O acontecimento "da mulher de Ló é uma advertência a não abandonar o caminho empreendido. Neste sentido, Jesus recorda aplicando-o à imprevisibilidade do dia do Juízo (cfr. Lc 17, 32). A tradição cristã o aplica à perseverança no bom propósito empreendido" (EUNSA), e: "Tu, que viste claramente a tua condição de filho de Deus, mesmo que já não tornes a vê-la - não há de acontecer! -, deves continuar adiante no teu caminho, para sempre, por sentido de fidelidade, sem olhar para trás" (São Josemaría Escrivá, Forja, n.° 420).
Quando você abandonar a "cidade pecadora", isto é, a vida passadanão olhepara trás querendo RETORNAR a essa "cidade", mas PERSEVERE nos BONS PROPÓSITOS e no caminho da SANTIDADE"... não volte atrás. Lembrai-vos da mulher de Ló. Quem procurar ganhar sua vida, vai perdê-la..." (Lc 17, 31-33).
São MILHÕES os que COMEÇAM BEM: fazem bons propósitos, reservam horários para a oração, marcam dias para a mortificação e para a confissão, adquirem livros piedosos... mas com o passar dos dias, a exemplo da mulher de Ló,COMEÇAM a OLHAR para TRÁS e se "petrificam" espiritualmente, isto é, NÃO ANDAM MAIS... NÃO PROGRIDEM MAIS NA VIDA ESPIRITUAL.
A mulher de Ló se converteu numa estátua de sal ao OLHAR para TRÁS, e permaneceu assim, "olhando" para as cidades malditas. O católico que deixa de caminhar na perfeição para "olhar" com saudade para a vida passada, tempo que passou nos víciosVIRA as costas para Deus e NÃO PROGRIDE mais na santidade: "... pois ninguém ignora que, no caminho da perfeição, não ir adiante é recuar; e não ir ganhando é ir perdendo" (São João da Cruz, Subida do Monte Carmelo, Livro I, Capítulo XI, 5).
Católico, NÃO BASTA iniciar a caminhada rumo à santidade, não basta fazer PROPÓSITOS e ABANDONAR a vida de pecado; é preciso PERSEVERAR até o FIM"Começar é de todos; perseverar, de santos. Que a tua perseverança não seja consequência cega do primeiro impulso, fruto da inércia; que seja uma perseverança refletida" (São Josemaría Escrivá, Caminho, n.° 983), e: "Sem constância, impossível é chegar à santidade ou à salvação: não basta ser virtuosos e generosos por alguns dias ou alguns anos; necessário é sê-lo sempre, até o fim... Quem retrocede condena-se voluntariamente e jamais atingirá a meta: é um fraco, um vil, um desertor..." (Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena, Intimidade Divina, 301, 1), e também: "De nada vale ter sido santo por longo tempo, se no fim da vida se morre pecador" (Pe. Alexandrino Monteiro).
A mulher de Ló iniciou bem a caminhada, mas parou pelo caminho, não continuou.
Milhões de pessoas começam bem, mas a exemplo da mulher de Ló, olham para trás e caem no desânimo: "Muitos começam bem, mas poucos são os que perseveram" (São Jerônimo, Lib. I contra Jovinianum), e: "Um Saul, um Judas, um Tertuliano, começaram bem, mas acabaram mal, porque não perseveraram como deviam"(Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a morte, Consideração XXXI, Ponto I), e também: "Nos cristãos não se procura o princípio, mas o fim" (São Jerônimo, S. Hier. ad Fur.), e ainda: "O Senhor não exige somente o começo da boa vida, quer também seu bom termo; o fim é que alcançará a recompensa" (Idem).
Católico, jamais imite o exemplo da mulher de Ló; não pare pelo caminho para olhar para trás, mas seja fiel aos seus propósitos, principalmente quando surgirem grandes obstáculos e fortes tentações de voltar atrás: "Não há dúvida: quem quiser ganhar sua alma para a vida eterna deve perseverar no bem, sem se assustar com a aspereza das provações. Dada sua fragilidade e fraqueza, não pode a perseverança do homem ser perfeita, sem quedas; por isso, cada vez que cai, deve reerguer-se imediatamente, reparar a queda, recomeçando de novo: nisto consiste propriamente a perseverança, isto é, no constante converter-se, melhorar-se até que Deus intervenha com particulares dons para estabilizá-lo no bem" (Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena, Intimidade Divina, 301, 2).

A mulher de Ló FOI CURIOSA.
Milhares de pessoas deixam de CAMINHAR na SANTIDADE para OLHAR para o MUNDO inimigo de Deus e das almas imortais; e assim, caem no ADULTÉRIO ESPIRITUAL"Adúlteros, não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Assim, todo aquele que quer ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus" (Tg 4, 4).
O Pe. Ângelo Gattesco escreve: "A mulher de Ló, curiosa, voltou-se para ver a cidade em chamas e, como castigo pela desobediência às palavras do anjo, foi transformada numa estátua de sal", e: "Na ruína dos ímpios, foi ela que salvou o justo, fugitivo do fogo que descia sobre a Pentápolis. Testemunho daquela maldade, resta ainda um ermo fumegante, árvores frutíferas de frutos malogrados e, memorial à alma incrédula, ergue-se uma coluna de sal" (Sb 10, 6-7), e também: "A mulher de Ló, convertida em estátua de sal, propõe com seu exemplo aos simples, que não devem olhar para trás com curiosidade doentia, quando avançam para um propósito santo" (São Quodvultdeus,De promissionibus 1).              
Católico, MILHÕES de pessoas, a exemplo da mulher de Ló, já deixaram de caminhar pelo CAMINHO da SANTIDADE por causa da CURIOSIDADE.
A mulher de Ló MORREU ao olhar para trás, isto é, para as cidades pecadoras. Milhares de católicos MORREM ESPIRITUALMENTE ao olharem seguirem as MÁXIMAS oferecidas pelo mundo inimigo da SANTIDADE.
Quantos católicos já se transformaram, não em estátua de sal, mas em servos de Demônio, exatamente por serem CURIOSOS.
Católico, não imite o exemplo da mulher de Ló, mas MORTIFIQUE os seus OLHOS"Há olhares gravemente culpados, que ofendem não somente o pudor, mas até a castidade em si mesma e que, por conseguinte, é forçoso evitar. Outros há que são perigosos, por exemplo, fixar a vista sem razão em pessoas ou objetos que naturalmente hão de suscitar tentações. Assim, a Sagrada Escritura nos adverte que não detenhamos o olhar numa donzela, não seja caso que a sua formosura seja para nós objeto de escândalo. E hoje, então, que a licença das vitrinas, a imodéstia do trajar e a imoralidade das exibições teatrais e de certos salões criam tantos perigos, que recato não é preciso para evitar o pecado?! É por isso que o cristão sincero, que quer salvar a sua alma, custe o que custar, vai mais longe; para estar seguro de não sucumbir à sensualidade, mortifica a curiosidade dos olhos, evitando, por exemplo, olhar pela janela, para ver quem passa, conservando os olhos modestamente baixos, sem afetação, nas viagens ou passeios. Pelo contrário, compraz-se em os descansar sobre algum objeto, imagem piedosa, campanário, cruz, estátua, para se excitar ao amor de Deus e dos Santos" (Adolfo Tanquerey, Compêndio de Teologia Ascética e Mística, 775-776).
Infeliz do CATÓLICO CURIOSO que despreza a família para olhar para trás, isto é, para SEGUIR a LAMA do mundo que o sufocará espiritualmente.
Se a mulher de Ló tivesse seguido o esposo e as filhas, nada de mal lhe teria acontecido.

A mulher de Ló DESOBEDECEU ao ANJO.
Católico, lembre-se continuamente de que você possui um Anjo da Guarda; respeite-o e seja-lhe fiel: "Por desígnio de Sua Providência, confiou Deus aos Anjos a obrigação de guardarem o gênero humano, e de assistirem a todos os homens individualmente, para que não sofram dano de maior gravidade. Assim como os pais dão aos filhos guardas, que os defendam de perigos, quando precisam de viajar por caminhos expostos e arriscados: assim também o Pai Celestial, na viagem que fazemos para a Pátria Celeste, destinou a cada um de nós um Anjo que nos proteja, com seu auxílio e vigilância, para podermos evitar as emboscadas dos inimigos, e repelir seus tremendos ataques contra nós; para que, sob a sua direção, possamos conservar-nos no caminho reto, e que nenhum ardil do falso adversário nos faça desviar do rumo que leva ao céu" (Catecismo Romano, Parte IV, Capítulo IX, 4), e: "Por sermos seus filhos, dá-nos Deus por guardas os príncipes da sua corte, que se consideram até muito honrados com este cargo, por termos a honra de lhe pertencer tão de perto. Por sermos seus membros, quer que esses mesmos espíritos, que o servem, estejam sempre junto de nós, para nos prestarem bons ofícios sem conta. Por sermos seus templos, em que Ele próprio habita, quer que tenhamos anjos que estejam penetrados de religião para com Ele, como estão em nossas igrejas; quer que lá estejam em homenagem perpétua para com a sua grandeza, suprindo o que somos obrigados a fazer, e gemendo muitas vezes pelas irreverências que cometemos contra Ele. Quer, outrossim, por esse meio, acrescenta ele, ligar estreitamente a Igreja do céu com a da terra. É este o motivo por que Ele faz descer à terra esse corpo misterioso dos Anjos, que, unindo-se a nós, e ligando-nos a eles, nos coloquem assim na sua ordem, para não fazer mais que um só corpo a Igreja do céu e a da terra" (M. Olier, Pensées, p. 171-172).
Adolfo Tanquerey escreve: "Pelo nosso Anjo da guarda estamos, pois, em comunicação permanente com o céu, e, para tirarmos disso maior proveito, não podemos proceder melhor do que pensar amiúde nesse protetor celeste, para lhe expressarmos a nossa veneraçãoconfiança e amor: - a) A nossa veneração, saudando-o como um daqueles que vêem incessantemente a face de Deus, que são junto de nós representantes do nosso Pai celeste; não faremos pois nada, que lhe possa desagradar ou o possa contristar, mas ao contrário, esforçar-nos-emos por lhe testemunhar o nosso respeito, imitando a sua fidelidade no serviço de Deus; o que é uma maneira delicada de lhe provarmos a nossa estima; - b) A nossa confiança, recordando o poder que ele possui para nos proteger, e a bondade que tem para conosco, que estamos confiados a seu cargo pelo próprio Deus. É, sobretudo, nas tentações do demônio que o devemos invocar, pois que ele está acostumado a frustrar os ardis desse pérfido inimigo; bem como nas ocasiões perigosas, em que a sua previdência e destreza tão oportunamente nos podem auxiliar; na questão da vocação, em que ele pode conhecer melhor que ninguém os desígnios de Deus a nosso respeito. Ademais, quando temos algum negócio importante para tratar com o próximo, importa dirigirmo-nos aos anjos da guarda dos nossos irmãos, para que eles os preparem para a missão que desejamos desempenhar junto deles; - c) O nosso amor, dizendo-nos que ele tem sempre sido e é ainda para nós um excelente amigo, que nos tem prestado e está sempre disposto a prestar excelentes serviços. Só no céu nos será dado conhecer a extensão desses favores; mas podemos entrevê-lo pela fé, e isto nos basta para lhe exprimirmos o nosso reconhecimento e afeição. E particularmente, quando a solidão nos pesa, é que podemos lembrar-nos de que nunca estamos sós, pois temos junto de nós um amigo dedicado e generoso, com que nos podemos entreter familiarmente. Não esqueçamos enfim que honrar este Anjo é honrar o próprio Deus, de quem ele é representante na terra, e unamo-nos muitas vezes a ele, para melhor glorificarmos a Deus" (Compêndio de Teologia Ascética e Mística, 187).
Católico, não desobedeça ao seu Anjo, a exemplo da mulher de Ló, mas seja-lhe dócil e obediente, porque ele é fiel e protetor: "Grande é a dignidade das almas humanas, pois cada um tem um Anjo destinado à sua guarda desde o instante de seu nascimento" (São Jerônimo, Comentário de Mateus 1, 20 e 18, 10), e: "Deus não deixou nossa fraqueza sem ajuda; mas destinou-nos um Anjo para auxiliar a vida de cada um de nós; esse Anjo é de natureza totalmente incorpórea" (São Gregório Nazianzeno, no "De vita Moysis"), e também: "Que cada fiel seja assistido por um Anjo, como mestre e protetor, que lhe reja a vida, ninguém, o poderá negar, se se lembrar das palavras do Senhor quando disse: Não desprezeis ao menor desses pequeninos; seus Anjos contemplam a face de meu Pai que está nos Céus" (São Basílio Magno, Contra Eunon, 1. III, n.° 1).


Pe. Divino Antônio Lopes FP.
Anápolis, 03 de agosto de 2008




Pe. Divino Antônio Lopes FP. "Olhou para trás"

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Megan Hodder, a moça ateia inglesa que caiu de joelhos diante do catolicismo




Megan Hodder 
Megan Hodder era uma moça padrão. Segundo ela, “a religião era irrelevante na minha vida pessoal”.

Devorava livros de ateus e evolucionistas como Dawkins, Harris e Hitchens, “cujas ideias eram tão parecidas com as minhas que eu empurrava quaisquer dúvidas para o fundo da minha mente”, informa reportagem do jornal “The Catholic Herald”.

Mas ficando um pouco mais culta percebeu que precisava sair da bobice, e começou então a pesquisar as ideias daqueles que ela achava serem os piores inimigos da razão: os católicos. “Foi aqui, ironicamente, que os problemas começaram”.

Quais problemas?


“Eu fiquei colocada diante de um Deus que é o parâmetro de bondade e verdade objetiva e para o qual nossa razão se dirige e no qual ela se completa. Uma entidade que é a fonte de nossa percepção moral, que requer desenvolvimento e formação por meio do exercício consciente do livre arbítrio”.



E iniciou-se nela um debate interno.

Primeiro, a respeito da moralidade. Para ela, a moralidade ateia ou era subjetiva a ponto de ser insignificante ou implicava resultados intuitivamente repulsivos.

Depois, a respeito da metafísica.


“Eu percebi que argumentar contra Deus era um erro”
Crucifixo na catedral católica de Westminster, Inglaterra

“Eu percebi rapidamente que argumentar contra a existência de Deus era um erro: Dawkins, por exemplo, dá um tratamento superficial a Tomás de Aquino e distorce as provas, para variar.

“Informando-me melhor sobre as ideias aristotélico-tomistas, eu as considerei uma explanação bastante válida do mundo natural, contra a qual os filósofos ateus não tinham conseguido fazer um ataque coerente.

“Eu sempre considerei que a sola scriptura [do protestantismo], mesmo com suas evidentes falácias e deficiências, era de certo modo consistente, acreditando nos cristãos que leem a Bíblia. Então fiquei surpresa ao descobrir que esta visão poderia ser refutada com veemência, tanto do ponto de vista católico – lendo a Bíblia através da Igreja e de sua história, à luz da Tradição – quanto do ateu.”



Mas Megan procurava absurdos e inconsistências na fé católica para tentar enganar-se a si própria e recusar o catolicismo.

Na Páscoa “eu não podia mais ficar parada.
Eu fui batizada e confirmada na Igreja Católica.”
Nesse luta ganhou um resto de retidão que havia nela.

A beleza e a autenticidade das partes do catolicismo aparentemente mais difíceis, como a moral sexual, tornaram-se cada vez mais claras para ela.

Megan nunca havia praticado a religião. Nada de oração, hinos ou Missa, tudo lhe soava estranho.

Os livros levaram-na a ver o catolicismo como algo plausível, “mas o catolicismo como uma verdade viva eu só entendi observando aqueles que já serviam a Igreja por meio da vida da graça”.

E o bom exemplo valeu mais do que a montanha de livros.

Na Páscoa de 2013 ela caiu em si.


“A vida da fé começou a fazer bastante sentido para mim, a ponto de eu não poder mais justificar ficar parada. Eu fui batizada e confirmada na Igreja Católica.”

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Escapulário do Carmo: tábua de salvação oferecida por Maria Santíssima




Imagem de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira do Chile
Escapulário do Carmo: tábua de salvação oferecida por Maria Santíssima



Um dos sintomas recentes mais reconfortantes de religiosidade e devoção marianas que está se generalizando, especialmente no seio da juventude, é certamente o uso do Escapulário do Carmo. O presente artigo, além de visar a difusão de tão louvável hábito, tem por objetivo aprofundar seu conhecimento, contribuindo assim para eliminar o caráter de quase superstição com que o Escapulário tem sido adotado por alguns, devido à ignorância religiosa.

Plinio Maria Solimeo
Certa manhã, o Sr. Joaquim Bacarin, construtor residente em Santo André (SP), resolvera levar consigo sua filhinha de cinco anos para uma das casas que estava construindo. Mal chegou ao local, a menina, exultante, começou a explorar o novo terreno, saltando e pulando de satisfação. Aproximou-se assim de um poço de 20 metros de profundidade, com oito de água. Curiosa, inclinou-se para ver seu fundo, perdeu o equilíbrio e caiu naquele abismo.
A seu grito desesperado, acorreram pai e pedreiros. O Sr. Joaquim queria a todo custo descer em busca da filha, mas foi dissuadido por não ter apetrechos nem prática para isso. Resolveu-se então chamar um poceiro, que tardou quase uma hora em chegar. Ao atingir o nível da água, no fundo do poço, em vez de um cadáver, encontrou a menina boiando, mantida à tona milagrosamente pelo Escapulário que trazia ao pescoço.
O Sr. Joaquim, fora de si de emoção, estreitou em seus braços a filhinha sorridente; depois, comovido, caiu de joelhos e agradeceu a Nossa Senhora do Carmo, enquanto os presentes, chorando, bradavam: “Milagre! Milagre! Milagre de Nossa Senhora do Carmo!” (1).
Exemplos assim, da proteção prodigalizada por Nossa Senhora por meio do Escapulário oubentinho do Carmo, são inúmeros e podem ser encontrados em várias fontes (2). Por isso, não nos deteremos neles senão de passagem. Procuraremos antes explicar o que significam propriamente esses dois pedaços de lã unidos por um cordão, que tantas graças e benefícios têm proporcionado àqueles que os portam piedosamente.



Origem e evolução histórica do Escapulário




Visão do Monte Carmelo, divisando-se ao fundo o Convento dos Padres Carmelitas


Tanto o Escapulário (do latim scapulae, ombros), quanto o próprio hábito monástico e as vestes litúrgicas desenvolveram-se a partir dos trajes dos leigos.
Com o tempo, o Escapulário monástico foi evoluindo até chegar, no século XII, à forma atual, tornando-se então parte integrante de quase todos os hábitos monásticos, inclusive o carmelita. Mas este não tinha o significado que adquiriu depois, como veremos.
Como desdobramento das OrdensPrimeiras (monges ou frades), surgiram asSegundas (monjas ou freiras), e depois asTerceiras ou Oblatos, formadas estas últimas por simples leigos, casados ou solteiros, que viviam com suas famílias.
Os terceiros eram ligados por votos ou promessas, conforme o estado, às Ordens Primeiras, e participavam dos bens espirituais da Ordem. Os terceiros recebiam um hábito religioso mais simples, que usavam todos dias; ou, mais comumente, apenas aos domingos e em festas religiosas.
Vieram depois as Confrarias para os leigos que não podiam ingressar nas Ordens Terceiras (3).
Segundo o Pe. Simón María Besalduch (4), a Confraria de Nossa Senhora do Carmo é tão antiga quanto seu escapulário (1251). Este é uma miniatura do Escapulário monástico entregue por Nossa Senhora a São Simão Stock. Vejamos como.



Ordem do Carmo: do Antigo Testamento ao monacato oriental e ocidental


Imagem do Profeta Elias, que se venera na Sede da TFP, 
na Serra do Japy (Município de Jundiaí -SP)



Segundo a tradição carmelita, a Ordem do Carmo teve origem nos Profetas Elias e Eliseu e seus seguidores. Eles já veneravam a futura Mãe do Messias, simbolizada por uma nuvenzinha – citada na Sagrada Escritura -- que prenunciou a chuva redentora que, a rogos de Elias, fertilizou a terra ressequida de Israel.
Esses dois grandes Profetas tiveram seus continuadores nos Filhos dos Profetas (instituição surgida na época do Profeta Samuel e dotada de alguma semelhança com os institutos religiosos atuais), e mais tarde nos essênios (ramificação entre os antigos israelitas). E, já na era cristã, nos ermitães que povoaram o Monte Carmelo, situado na Palestina.
Estes ermitães acabaram por constituir-se em ordem religiosa ao estilo ocidental, no século XII, sob uma regra escrita pelo Patriarca de Jerusalém, Santo Alberto de Vercelli, confirmada depois pelo Papa Honório III.
Em 1291, esses eremitas do Monte Carmelo foram martirizados pelos muçulmanos e seu convento queimado. Mas a Ordem subsistiu, pois muitos dos monges do Carmelo eram europeus e haviam efetuado fundações em vários locais da Europa, inclusive na Inglaterra (5).

*** * ***
Escapulário: privilégios, condições para usar, imposição e uso



Brasão da Ordem do Carmo
1º - A Grande Promessa“Aquele que morrer com o Escapulário não sofrerá as penas do inferno”.(1*)
2º - O Privilégio Sabatino: será liberto do Purgatório no sábado seguinte à sua morte.1º - A Grande Promessa“Aquele que morrer com o Escapulário não sofrerá as penas do inferno”.(1*)

Para gozar desse privilégio sabatino são necessárias as seguintes condições:
a - Haver recebido devidamente o Escapulário, isto é, ter sido ele imposto por um sacerdote com poder para tal;
b - Que o Escapulário seja como prescreve a Igreja: feito de dois pedaços de lã (e não de outro material 2*) da forma retangular, ligados entre si por cordões ou cadarços e cor requeridas (marrom café ou negro). Se a própria pessoa quiser confeccioná-lo, o tamanho adequado de cada um dos pedaços de lã poderia ser: 3,5cm de altura x 2,5cm de largura, ou ainda menor, observando-se essa proporção;
c - Que uma de suas partes caia sobre o peito e a outra sobre as costas;
d - Que se observe a castidade segundo o estado (perfeita para os solteiros, e matrimonial para os casados);
e - Que se rezem as orações prescritas pelo sacerdote que o impôs.
1* Frei Afonso Maria, O Escapulário do Carmo e a medalha, Caixa Postal, 532, Recife. Imprimatur D. Miugel de Lima Valverde, Arcebispo de Olinda e Recife, 3-12-1941.
__________________
N.B: Qualquer pessoa poderá confeccionar seu próprio Escapulário, desde que encontre dificuldade em obter algum já feito. Para isso, basta seguir rigorosamente o que estabelece o item b acima.

2* Nota: São Pio X permitiu o uso da medalha-escapulário, feita de metal, não por exigências da moda,mas o fez para atender aos apelos de missionários de zonas tórridas, em favor dos nativos, os pedaços de lã ficavam logo em condições intoleráveis, ás vezes sendo ninho de vermes pelo calor. Também na Grande Guerra os soldados se beneficiaram de tais medalhas, que não se deterioravam como os de lã. Ainda São Pio X declarou muito explicitamente seu desejo de que os fiéis continuassem a utilizar o Escapulário como antes, e que a medalha só fosse usada quando houvesse um inconveniente real em se levar o Escapulário de lã. E corroborando o desejo de São Pio X, Bento XV concedeu uma indulgência ao fiel, a cada vez que ele oscular seu Escapulário. Esta indulgência, porém, não se obtém com a medalha-escapulário. (SOLIMEO, 2006).


A Grande Promessa e o Privilégio Sabatino: sua autenticidade














O Pe. Simón María Besalduch, em sua já citada obra, refuta sábia e sobejamente os argumentos e autores que põem em dúvida a autenticidade da Grande Promessa e do Privilégio Sabatino (6).
No que consistem a Grande Promessa e oPrivilégio Sabatino?
Em um momento de grande aflição para a Ordem do Carmo, que corria perigo até de extinção, seu novo Geral, o inglês São Simão Stock, suplicava insistentemente à Mãe de Deus que lhe desse um sinal de sua proteção. No dia 16 de julho de 1251, quando rezava em seu convento de Cambridge, Inglaterra, Nossa Senhora apareceu-lhe com o Menino Jesus nos braços e rodeada de anjos. Apresentou-lhe então um escapulário dizendo-lhe:
“Recebe, filho muito amado, este Escapulário da tua Ordem, sinal de minha confraternidade. Será um privilégio para ti e para todos os Carmelitas. Todo que com ele morrer não padecerá do fogo eterno. Ele é, pois, um sinal de salvação, defesa nos perigos; aliança de paz e de pacto sempiterno” (7)
Esse autor, sobre a autenticidade tal milagre, argumenta com Santo Agostinho: “Assim como as palavras exprimem a linguagem humana, os milagres exprimem a divina”; ora, “é contra todos os atributos divinos o fato de Deus aprovar a mentira com milagres”, como os que até hoje se obtêm por meio do Escapulário.
Nota o Pe. Besalduch que São Simão pedia à Virgem “um signo, um sinal de sua graça que fosse visível aos olhos de seus inimigos”. E que Ela, ao entregar-lhe o Escapulário, “declara que o entrega a ele e a todos os Carmelitas como um signo de sua confraternidade e um sinal de predestinação” (8).
A predileção de Nossa Senhora pelo Carmo foi confirmada de modo ainda mais maternal no século seguinte, quando, aparecendo ao Papa João XXII, prometeu-lhe especial assistência aos que trouxessem o Escapulário do Carmo, e que os livraria do Purgatório no primeiro sábado após sua morte. Essa segunda promessa é conhecida como Privilégio Sabatino (9).
Por Carmelitas aqui se entendiam os membros das Ordens PrimeiraSegunda e Terceira mais os das Confrarias do Carmo. Entretanto, concedeu depois a Igreja a várias Ordens religiosas a faculdade de benzer também pequenos escapulários e impô-los aos fiéis independente de estarem ligados ou não às Confrarias (10); assim, estendeu-se também a todos os que portam o Escapulário do Carmo aquelas promessas da Mãe de Deus.
Isso provocou a tão universal divulgação desse Escapulário, que passou a ser o escapulário por antonomásia. E, juntamente com o Rosário, um dos símbolos do católico piedoso e servo de Maria (11).


*** * ***



Observações úteis sobre o Escapulário
“Além da grande promessa de preservação do inferno, do singular privilégio Sabatino, do honroso título de Irmãos da Virgem [os frades do Carmo são chamados ‘Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo’] e da salvação nos perigos, assim como do grande número de indulgências, os que vestem o Escapulário do Carmo gozam da participação de todas as boas obras que se praticam em toda a Ordem do Carmo. Isto quer dizer que, na Ordem do Carmo, tudo o que cai sob o comum denominador de ‘boas obras’, como virtudes, satisfações, Missas, orações, pregações, jejuns, disciplinas, imolações, fruto das Missões, prática dos votos, austeridade da vida do claustro, efeitos saudáveis do apostolado da devoção à Virgem do Carmo e a seu santo Escapulário etc., forma um acervo comum ou um capital social que se reparte entre todos e cada um dos membros que, seja pela profissão (religiosa), ou em virtude do privilégio da agregação, pertencem à dita Ordem da Virgem do Carmo” (1).
O Escapulário pode ser imposto mesmo em crianças que não chegaram ao uso da razão, pois servir-lhes-á de “defesa e salvação nos perigos”. Além disso, quando adultos, se tiverem tido a infelicidade de o abandonarem e levar vida irreligiosa, tendo já recebido a imposição anterior, bastará que qualquer um lhes coloque o Escapulário ao pescoço para que gozem de seus privilégios.
Ele pode também ser imposto em pecadores moribundos que o aceitem, pois ser-lhes-á penhor de salvação. Por isso, os sacerdotes chamados a atender moribundos nesse estado costumavam, antes de mais nada, propor-lhes tão-somente que aceitassem a imposição do Escapulário; o resto vinha por acréscimo. São inúmeros os casos em que pecadores empedernidos solicitam a assistência de um sacerdote, depois que alguém de sua família, sem que o saibam, coloque um Escapulário sobre seus travesseiros.
Para se gozar o privilégio sabatino, uma prática piedosa geralmente prescrita pelos sacerdotes em comutação da recitação do Ofício Parvo e jejuns prescritos, é a da recitação dos Sete Padre-Nossos, Ave-Marias e Glórias em louvor das Sete Alegrias de Nossa Senhora, outrora muito comum na Europa.
Pelo significado que o Escapulário tem de ser uma aliança com Nossa Senhora, recomenda-se que se o oscule freqüentemente. Com essa prática – agradável à Mãe de Deus – ganham-se também indulgências.
Quando se substitui um Escapulário, o modo mais correto de eliminar o antigo é queimá-lo por respeito, e nunca jogá-lo ao lixo como traste velho.
Uma pessoa que tenha sido objeto da imposição do Escapulário e tenha passado muito tempo sem usá-lo, pode por si mesma recolocá-lo ao pescoço, sem necessidade de nova bênção ou imposição por sacerdote.



Medalha-escapulário

                                           















          O Papa São Pio X concedeu, através de regulamentação de 16 de dezembro de 1910, emanada pelo Santo Ofício, a permissão de usar, em vez de um ou mais pequenos escapulários, uma só medalha de metal. Esta deve ter em uma das faces o Sagrado Coração e, na outra, a Santíssima Virgem.
Todas as pessoas validamente investidas com um escapulário de lã, já bento, podem trocá-lo pela medalha de metal. Para se gozar o privilégio da Medalha-Escapulário do Carmo "é de todo necessário que se receba antes a bênção e imposição do Escapulário de lã, com a fórmula prescrita e cumprindo com os demais requisitos. Se antes não se impõe o Escapulário uma vez para toda a vida, a medalha não serve, mesmo que benta por um sacerdote com faculdade para tal e com a intenção de que valha como Escapulário" (2).
Tais medalhas devem ser usadas constantemente, penduradas ao pescoço ou “de outra maneira conveniente”, ganhando-se com seu uso quase todas as indulgências e privilégios concedidos aos pequenos escapulários (3).
           Entretanto, aconselha-se portar de preferência o Escapulário propriamente dito. Pois ele, além de gozar de maior número de indulgências do que a medalha, foi diretamente concedido por Nossa Senhora a São Simão Stock. A Virgem Santíssima em sua aparição entregou-lhe um Escapulário de lã marrom. Embora condescendendo em conceder à medalha as graças do Escapulário, São Pio X declarou muito explicitamente "seus veementes desejos de que todos os fiéis continuassem levando o Escapulário da mesma forma que antes", e que a medalha só fosse usada quando houvesse um inconveniente real em se levar o Escapulário de lã.

___________
Notas:
1 - EE, p. 324.
2- EE, p.293.
3 - Cfr. The Catholic Encyclopedia, p. 510, Cfr. Enciclopédia Espasa-Calpe, Tomo XI, pp. 1118 e ss.


Escapulário: grande escudo contra perigos terrenos



Imagem de Nossa Senhora do Carmo, igreja de Nossa Senhora do Carmo, São Paulo




É possível que alguns leitores não se dêem inteiramente conta do grande tesouro que representa o Escapulário. Como afirmou o Papa Pio XII, “não é coisa de pequena importância procurar-se a aquisição da vida eterna segundo a tradicional promessa da Virgem Santíssima [ao Escapulário]; trata-se, com efeito, da empresa mais importante e do modo mais seguro de a levar a cabo” (12). E o mesmo Pontífice acentua a importância do Escapulário como meio de incrementar a tão necessária devoção mariana. Eis suas palavras: “Certamente ninguém ignora quantocontribuiu para avivar a fé católica e emendar os costumes o amor à santíssima Mãe de Deus, especialmente através daquelas expressões de devoção com as quais, preferentemente às outras, parece que as mentes se enriquecem de doutrina sobrenatural e as almas são solicitadas ao cultivo da virtude cristã. Entre estas, figura em primeiro lugar a devoção ao santo escapulário dos carmelitas que, adaptando-se por sua simplicidade à índole de todas as pessoas, com ubérrimos frutos espirituais está amplissimamente difundida entre os fiéis cristãos” (13).
O Escapulário não é só um penhor de salvação eterna, mas uma concreta proteção nos perigos da vida. Isso compreenderam-no santos, monarcas e simples pessoas do povo. Alguns exemplos:
O piedoso Rei Luís XIII, da França, trazia-o preso a seu pendão. No sangrento sítio de Montpellier, viu cair a seu lado, atingido no peito por dois tiros, o cavaleiro de Beauregard. Quando o foram levantar, supondo-o morto, o cavaleiro, que só havia desmaiado, levantou-se e mostrou, sob a veste perfurada pelas balas, o Escapulário do Carmo. O rei, emocionado por essa prova de proteção de Maria, pediu-lhe o Escapulário miraculado para portá-lo sobre si (14).
Em Caxias do Sul (RS), o Sr. Leonardelli estava à janela vendo três meninos brincarem na rua. De repente, apareceu um cachorro louco e, num abrir e fechar de olhos, mordeu dois dos meninos. Tentou morder o terceiro mas não conseguiu, afastando-se correndo. Os dois feridos foram levados ao hospital. Quando foram ver o que impedira o cão de morder a terceira criança, constataram que ela trazia sobre si o Escapulário do Carmo... (15)
Uma jovem foi confessar-se com o Cura D'Ars. Antes que ela se acusasse de seus pecados, disse-lhe o Santo: “Lembra-te de que, no baile a que foste há alguns dias, apareceu um vistoso jovem, que dançou com todas as moças, menos contigo? E que ficaste muito vexada por isso? E que, no momento em que ele saía, pareceu-te ver faíscas em seus pés? Pois saibas que era o demônio em forma humana, e que só não dançou contigo porque levavas o Escapulário. Dá graças à Virgem por isso” (16).
No bairro de Santana, na capital paulista, Luiz Barreto, então com 15 anos de idade na década de 40, ao atravessar a estrada da Cantareira de bicicleta, foi apanhado pelo trem, ficando debaixo dos vagões. Quando o trem acabou de passar, transeuntes acorreram e encontraram a bicicleta destroçada, mas o rapaz ileso. Ajoelhando-se, ele beijou seu Escapulário dizendo: “Foi o bentinho de Nossa Senhora do Carmo que me salvou”. Diante do milagre, todos os presentes apressaram-se também em recebê-lo (17).
São inúmeros os casos em que incêndios são apagados, quando se arremessa sobre as chamas o Escapulário do Carmo. Citamos aqui dois casos, em países totalmente diferentes, para mostrar a universalidade do prodígio:
Um incêndio em Videira (SC), devorara já três casas de madeira pertencentes a João Ferlim e ameaçava a maior casa comercial da cidade, encostada a uma delas. Da. Santina Brandalise, sua proprietária, imediatamente mandou colocar um escapulário no teto de sua casa. O fogo estancou imediatamente sem nela tocar, fato tido por milagroso por centenas de pessoas que acompanhavam a cena (18).
“O Rev. Prior do Convento de Claudete, na província de Albacete, Espanha, conserva em seu poder um Escapulário que, atirado ao fogo que lavrava em uma casa dessa vila no ano de 1832, o apagou imediatamente sem provocar-lhe dano. No Convento de São Felipe, de Játiva, conserva-se um Escapulário que apagou imediatamente outro incêndio ocorrido no povoado de Cela, província de Alicante, a princípios deste século” (19).
Notas:


1 - Cfr. O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, livreto elaborado e difundido na Basílica do Carmo, São Paulo, s/d, p. 13.
2 - São citados muitos exemplos de autênticos milagres obtidos através do Escapulário, por exemplo, naEnciclopédia del Escapulario del Carmen do Pe. Simón María Besalduch (Luis Gili, Editor, Librería Católica Internacional, Barcelona, 1931, que passaremos a citar com a sigla E.E.).
3 - Pietro Siffrin, Enciclopedia Cattolica, verbete Scapolare, tomo XI, pp. 15 e 16.
4 - Cfr. E.E., p. 667.
5 - Cfr. Enciclopédia Universal Ilustrada Europeu Americana, Espasa-Calpe S. A., Bilbao, tomo XI, pp. 1118 e ss.
6 – Fica assim refutado, por exemplo, Joseph Hilgers, entre outros autor dos verbetes Sabbatine Privilege Scapular em The Catholic Encyclopedia, Caxton Publishing Company, Limited, London, 1912, vol. XIII, pp. 289,290, 508 e ss.
7 - E.E., pp. 99, 203 entre outras.
8 - Op. cit., p. 150.
9 - Cfr. op. cit., pp. de 243 a 293.
10 - Cfr. Enciclopédia Espasa-Calpe tomo XX, p. 667.
11 - Cfr. The Catholic Encyclopedia, Caxton Publishing Company, Limited, London, 1912, vol. XIII, pp. 508 e ss.
12 - Op. cit., p. 626.
13 - Pio XII, Epístola de 11/2/1950 aos Gerais dos Padres Carmelitas, por ocasião do VII Centenário do Escapulário do Carmo, apud DOCTRINA PONTIFICIA, IV, Documentos Marianos, Hilario Marín, S.I., BAC, Madrid, 1954, pp. 626-627 (Grifos nossos).
14 - Cfr. E.E., p. 442.
15 - Cfr. O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, p. 12.
16 - Francis Trouchu, “Le Curé D'Ars Saint Jean-Marie Baptiste Vianney” Librairie Catholique Emmanuel Vite, Lyon, 1935, p. 350.
17 - Cfr. O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, p. 21.
18 - Cfr. op. cit., p. 20.
19 - E.E., pp. 346 e 347.



Fonte: Catolicismo
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