terça-feira, 19 de novembro de 2013

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 19 de Novembro: Via Sacra e o Rosário (Parte XX)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre




19 de Novembro

VIA SACRA E O ROSÁRIO


Para alívio das almas do purgatório, temos uma fonte de indulgências e de riquezas espirituais — é a Via Sacra. Esta meditação da Paixão e morte do nosso divino Redentor, nos lembra o Sangue Precio­síssimo derramado pela salvação das almas, e nos faz pedir pelo Sangue de Cristo a libertação do purgatório. Quanto alívio não trás às almas sofredoras uma piedosa Via Sacra! É uma devoção santificadora pa­ra nós e um sufrágio precioso para as pobres almas. Dizia São Boaventura: “Se quereis crescer de virtu­de em virtude, atrair para vossa alma graça sobre graça, entregai-vos muitas vezes ao exercício da Via Sacra”. A Paixão de Jesus Cristo é remédio para nossa alma pecadora, e este Sangue precioso cairá sobre as almas como doce refrigério.

Na Vida da V. Maria d’Antigna se conta que esta serva de Deus tinha o piedoso costume de fazer todos os dias a Via Sacra pelos defuntos. Depois, com outras ocupações e devoções, se descuidou des­ta. Um dia, uma religiosa do mosteiro, falecida há pouco tempo, lhe apareceu e lhe disse, gemendo: “Minha Irmã, porque não faz as estações da Via Sa­cra por mim e pelas almas como antes?”. Neste mo­mento apareceu-lhe Nosso Senhor: “Filha, disse-lhe o Salvador, estou muito triste com tua negligência.

É preciso que saibas que a Via Sacra é muito pro­veitosa para os defuntos, e eis porque permiti que esta alma viesse reclamá-la em seu nome e em nome das outras almas padecentes. É um sufrágio muito importante. É preciso tornar este tesouro mais co­nhecido em favor das almas”.

Desde esse dia, a serva de Deus se dedicou a es­te exercício e o propagou com muito zelo. Pelo me­nos às sextas-feiras, se possível, façamos uma Via Sacra pelos mortos. Como a Via Sacra, o Rosário é um tesouro dos mortos também.

Um dia, São Domingos pregava sobre a eficácia do Rosário em favor das almas sofredoras. Era nas planícies do Languedoc. Um homem incrédulo zom­bou do Santo. Naquela noite teve uma misteriosa visão. Via as almas se precipitarem nos abismos do purgatório e Maria Santíssima, com uma cadeia de ouro, as tirava do abismo e as punha em terra firme. Era uma imagem do Rosário, cadeia de ouro pela qual Nossa Senhora arranca do purgatório as pobres almas sofredoras.

Quantos prodígios faz o Rosário em favor dos seus devotos na vida, na morte e depois da morte no pur­gatório! Além do mais, o Rosário é um tesouro de muitas indulgências que podemos aplicar em sufrá­gio das pobres almas. Vamos rezá-lo sempre, nas horas vagas, pelas estradas, em toda parte, não per­camos o tempo. Aproveitemos para rezar muitos rosários pelas pobres almas. Temos tantos parentes e amigos e tantas almas queridas no purgatório! Va­mos aliviá-las com nosso rosário bendito!

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 18 de Novembro: O ato heróico (Parte XIX)



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30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

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18 de Novembro

O ATO HERÓICO

Que é o “ato heróico”?


“É o ato que consiste em oferecer à Divina Ma­jestade, em proveito das almas do purgatório, todas as obras satisfatórias que fizermos durante a vida e todos os sufrágios que forem aplicados pela nossa alma depois da nossa morte”.

Tal é a definição autêntica deste ato aprovado oficialmente pela Igreja e indulgenciado. Chama-se heróico, porque realmente exige uma abnegação de todos os tesouros que possamos lucrar com nossas boas obras e contém uma renúncia de todos os su­frágios que oferecerem por nossa alma depois da nos­sa morte, em favor das almas do purgatório. Este ato há de ser feito, para ser válido, em perpétuo. É irrevogável na intenção de quem o faz. Não obriga sob pena de pecado. Se alguém, a quem faltou gene­rosidade ou teve receio de se privar de sufrágios de­pois da morte, quis de novo adquirir para si as suas obras satisfatórias, renunciou ao voto heróico, não comete pecado nem mortal nem venial.

Pelo ato heróico não renunciamos o mérito de nossas boas obras, isto é, o que nos dá nesta vida um acréscimo da graça e a glória no paraíso. Este  me­recimento é nosso e não o podemos perder nem dá-lo aos outros. O ato heróico é uma obra muito meritó­ria, e este mérito de uma obra tão bela e heroica não o podemos perder. Só o mérito do ato heróico quanto não vale para nossa alma! Este mérito não o perde­mos. Depois desta obra satisfatória, tudo o mais que fizermos será das almas do purgatório. Desde que fazemos o ato heróico, todas as indulgências que lucramos são das almas. Tudo que de bom possamos fazer e ter mérito e lucrar alguma coisa será do pur­gatório, direito e propriedade das almas. É uma re­núncia total. Só a indulgência plenária da hora da morte não pode ser oferecida para as almas e será nossa, porque não é aplicável aos defuntos.

O ato heróico não impede de rezar nas próprias intenções e pelos mortos. Quando fazemos um ato de penitência e de oração, por exemplo, recitando um terço de joelhos, há neste ato, para falar uma lin­guagem teológica, três frutos diferentes: um fruto meritório que não o podemos perder é o mérito pes­soal de quem o pratica — o valor satisfatório do ato que é a penitência, o sacrifício feito, e este é para as almas é do ato heróico — e finalmente, uma força impetratória que é da oração como oração. A oração é uma força e Deus prometeu ouvi-la. O ato heróico não nos impede utilizar a força impetratória da oração.

Quem faz o ato heróico é como um religioso que fez o voto de pobreza: tudo o que ganha não lhe per­tence. A diferença é que o voto de pobreza obriga em consciência e o ato não. O abandono que a alma generosa faz em favor das almas do purgatório é fei­to, em geral, por todas e nunca em favor de uma ou outra alma. O ato heróico não impede que se ore por esta ou aquela alma em particular e se ofereça a Nosso Senhor muito sufrágio pelos nossos mortos queridos.

Não pode tudo isto ser feito na oferenda geral que fizermos a Deus?

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 17 de Novembro: A esmola (Parte XVIII)



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17 de Novembro

A ESMOLA


O sufrágio da esmola



Um socorro aos mortos dos mais valiosos é a esmola. Não é mister lembrar aqui o valor da cari­dade. É auxílio ao pobre na terra, alívio aos mortos nas chamas expiadoras do purgatório. Há tanta mi­séria a socorrer no mundo! Por que não fazermos do dinheiro, que perde tanta gente, um meio de sal­vação para nossa alma, e alívio do pobre e alívio do Purgatório? Não é conselho de Nosso Senhor que aproveitemos e façamos da riqueza meio de salva­ção empregando-a nas boas obras como os pecadores a empregam para o mal?

Socorramos o pobre em sufrágio das almas do pur­gatório.

Contam piedosos autores esta parábola tão ex­pressiva: Um homem tinha três amigos. Dois lhe eram muito queridos. O terceiro nem por isso. Um dia fora acusado e levado ao Tribunal da Justiça. Chama os amigos para o defender.

O primeiro escusou-se. Tinha negócios e famí­lia, era impossível!

O segundo foi até à porta do Tribunal e o deixou.

O terceiro o acompanha sempre fiel, defende-o com ardor, dá testemunho de sua inocência e salva o acusado do castigo.

Assim, o homem tem neste mundo três amigos: o dinheiro, os parentes e as boas obras. O dinheiro o abandona na morte, quando há de comparecer no Tribunal da Justiça de Deus. Os parentes o levam até a beira da sepultura e o deixam; e o esquecem de­pois. O terceiro amigo — as boas obras, a caridade praticada, as obras de misericórdia, tudo quanto o homem fez de bom neste mundo, só isto o acompa­nha e o defende no Tribunal da Justiça de Deus.

Pois bem. Neste mundo toda sorte de boas obras se­jam os nossos amigos. Tudo o mais falha. Diz São João que as obras do homem o hão de seguir depois da morte: Opera enim illorum sequntum illos.

Socorramos o pobre em sufrágio dos mortos. Praticaremos dupla obra de caridade. E tenhamos a certeza de que Aquele Deus de Misericórdia não dei­xará que se perca nossa pobre alma no Tribunal do Dia do Juízo.

Eis porque rezar pelos mortos, socorrer as almas do purgatório na prática da caridade pela esmola, é das maiores riquezas do cristão neste mundo.

A esmola, disse o Anjo a Tobias, salva o ho­mem da morte, apaga os pecados e faz achar a graça diante de Deus[1]. O Livro Eclesiástico ensina que “assim como a água extingue o fogo mais ardente, assim a esmola apaga o pecado"[2].

Sim, e a esmola apaga também o fogo do pur­gatório.

Dai esmola ao pobre em sufrágio das benditas almas. As lágrimas que vossas esmolas enxugarem, o alívio que tiverdes dado aos que padecem fome, sede e frio, serão alívio no purgatório para as almas sofredoras, talvez almas de vossos entes queridos. É uma dupla caridade socorrer os pobres por amor das santas almas.

domingo, 17 de novembro de 2013

ECO-CATOLICISMO: CARDEAL FULMINA POLUIDORES





AKI
 | Tradução: Fratres in Unum.com
 – Poluídores não podem receber a sagrada comunhão, uma vez que não gozam da “graça” de Deus, afirmou o Arcebispo de Nápoles, Crescenzio Sepe, na quarta-feira.

“Aqueles que poluem não estão na graça de Deus e não podem receber a comunhão, disse Sepe a jornalistas.

As observações do cardeal surgem após os casos de enterro de lixo cancerígena nos arredores da cidade pela mágia local estamparem as capas de jornais.

“Precisamos dizer a verdade às pessoas sobre o que aconteceu. Mas também precisamos enfatizar a ação positiva que já foi feita. É tempo para todos nós trabalharmos juntos e mantermos nossa terra livre de venenos”, declarou Sepe. 

Ele declarou que ordenou aos padres, diáconos e religiosos locais a estarem cientes do papel da Igreja na ética pública.

Sepe discursava enquanto se realizava o encontro anual do grupo ambientalista cristão Greenaccord, em Castel dell’Ovo, em Nápoles.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 16 de Novembro: As indulgências (Parte XVII)



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16 de Novembro

AS INDULGÊNCIAS


Que são as indulgências?


Entende-se por indulgência a remissão ou per­dão das penas temporais devidas a Deus pelos peca­dos já perdoados em quanto à culpa, remissão con­cedida pela Igreja pela autoridade eclesiástica fora do Sacramento da Penitência.

As penas eternas são perdoadas ao pecador que faz penitência, mas nem sempre as penas temporais. Há necessidade de fazer penitência e sofrer um pou­co em reparação dos pecados cometidos. Daí a pena temporal pelos pecados. Ora, a Igreja que recebeu o poder de perdoar a pena eterna, muito mais o tem para remir da pena temporal. “Tudo o que ligares na terra, será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu”, disse Jesus a Pedro. Na Igreja primitiva os fiéis recebiam grandes penitências pelos seus pecados acusados. Havia pe­nitências públicas bem duras e longas. Jejuns a pão e água por vários dias na semana e por alguns anos. Em crimes mais graves como o homicídio, por exem­plo, o penitente fazia doze e mais anos de penitên­cias públicas, algumas das quais bem humilhantes. Nas faltas mais leves, o jejum de quarenta dias (uma quarentena). Depois, com o tempo, atendendo à fraqueza humana e aos tempos, a Igreja permitiu que as penitências públicas fossem substituídas por es­molas, cruzadas, peregrinações e outras obras que ser­viam para expiação dos pecados. As penas canôni­cas foram substituídas pelas indulgências concedi­das aos que fizessem algumas boas obras ou atos de piedade. Quando eram perdoadas todas as penitên­cias, era a indulgência plenária, e quando uma par­te, a indulgência parcial. Assim, quando se diz uma indulgência plenária quer dizer que o fiel lucra um perdão de todas as penitências que deveria fazer pe­los seus pecados e os castigos que deveriam merecer suas faltas com penas temporais. Uma indulgência de cem dias, por exemplo, se entende que deveria fazer cem dias de penitências por seus pecados e com uma oração recitada piedosamente ou outra boa obra po­de satisfazer esta dívida que tem para com Deus.

A indulgência é uma espécie de absolvição das penas temporais, é uma anistia do Soberano Juiz de nossas almas. Não se poderia dizer propriamente que a indulgência é a remissão das penas canônicas, mas uma remissão verdadeira da pena com que Deus castiga o pecado. Não dispensa a penitência e nem a confissão humilde de nossos pecados.

Há muita noção errada sobre as indulgências. Assim, muita gente pensa que ganhar indulgências, por exemplo, de trezentos dias é perdoar trezentos dias de purgatório, ou uma indulgência plenária im­porta numa remissão total das chamas expiadoras. Também não significa que ao ganhar duzentos ou quinhentos dias de indulgências pelas almas do pur­gatório lhes aliviamos outros tantos dias de sofrimento. Esta medida do tempo da expiação é o segre­do de Deus e depende muito do fervor e das disposi­ções de quem lucra as indulgências.

A Igreja, pelos méritos superabundantes de Jesus Cristo e os méritos de Maria e dos Santos, e pelo tesouro das boas obras dos justos, aplica para o bem dos fiéis neste mundo e para alivio das almas do purgatório as indulgências.

sábado, 16 de novembro de 2013

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 15 de Novembro: Penitência pelos mortos (Parte XVI)



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15 de Novembro

PENITÊNCIA PELOS MORTOS


Um meio de socorrer as almas



Somos obrigados a fazer penitência se quisermos salvar nossa alma. Só há dois caminhos para en­trar no céu: o da inocência e o da penitência. Nosso Senhor dos adverte: “Se não fizerdes penitência, to­dos vós igualmente perecereis”. Ora, a penitência, além de nos ser necessária, é muito meritória, e a podemos aplicar em sufrágio das pobres almas do purgatório. Tiraremos duplo proveito: nossa san­tificação e o alívio das almas sofredoras.

O sofrimento junto com a prece tem uma eficá­cia extraordinária para alcançar de Deus todas as graças. Outrora, vemos na Escritura, quando os Pro­fetas e o povo de Deus desejavam obter do céu mise­ricórdia ou graças, entregavam-se aos jejuns, cilícios e austeridades. Nossa penitência aqui é muito meritória. Soframos pelos mortos!

“Aliviemos as almas do purgatório, diz São João Crisóstomo, aliviemo-las por tudo o que nos penali­za, porque Deus tem cuidado em aplicar aos mortos os méritos dos vivos”. Escreve Berlioux: “O sofri­mento é a grande satisfação que o Senhor pede aos devedores da Justiça. Logo, soframos pelos nossos mortos, a fim de que eles sofram menos. Oh! Se ti­véssemos uma fé mais viva, uma caridade mais arden­te, que mortificações nos imporíamos a nós mesmos para libertar nossos parentes e amigos do purgatório, eles que tanto nos amaram, que sofreram talvez por nós e estão agora sofrendo de uma maneira tão hor­rível! Já que não somos capazes de tamanhas peni­tências como os santos, tenhamos generosidade para alguns pequenos sacrifícios. O sacrifício de um pra­zer, de uma afeição perigosa, de uma leitura má, de uma vaidade, etc”. “Escolhei a melhor vítima, acon­selha o Pe. Felix, S.J., escolhei-a, sobretudo, no fun­do de vosso coração”. “Por aqueles que amais, sacri­ficai o que tendes de mais caro. Sacrificai-vos a vós mesmos, e que o preço do sacrifício pessoal se torne o resgate do sofrimento”. “Ah! vejo, acrescenta o Pa­dre Berlioux, vejo essas almas felizes elevarem-se para o céu, nas asas de nossos sacrifícios, de nossas austeridades e sofrimentos!”.

Que objeto de consolação e de esperança! Ó, meu Deus! Ó, Jesus Crucificado, fazei-nos compreender o valor do sofrimento!


Aceitação da cruz pelas almas


A idéia da penitência dos Santos e das grandes austeridades nos assustam, mas não podemos ofere­cer a Nosso Senhor a cruz de cada dia pelos nossos mortos? Quem não tem a sua cruz?

O sofrimento é fecundo e vai frutificar além das fronteiras da vida, vai aliviar as chamas do purga­tório. Nesta vida faz tanto bem e repercute tanto nas almas! Pois devemos crer que também na outra vida o sofrimento salva e resgata a dívida das pobres al­mas da Igreja padecente. Ouvi esta página de uma grande alma: “O sofrimento, escreve a admirável Elizabeth Leseur, o sofrimento atua de um modo im­petuoso em nós, primeiro, por uma espécie de renovamento íntimo, em outros também, talvez muito lon­ge e sem que saibamos neste mundo o trabalho que fa­zemos por eles. O sofrimento é um ato. Cristo fez mais na cruz pela humanidade do que falando e trabalhan­do na Galiléia ou em Jerusalém. O sofrimento faz a vida: ele transforma tudo o que toca e tudo o que atinge”.

“O sofrimento é um ato”. Que fórmula impres­sionante! Convém guardá-la. Trabalha quem sofre bem. Pode salvar almas como o apóstolo da palavra, como o sacerdote missionário mais ativo e ardente. A grande missionária dos últimos tempos, o Anjo do Carmelo de Lisieux, pôde dizer e experimentou o va­lor do sofrimento pela salvação das almas. “Pelo so­frimento e a perseguição, disse ela, muito mais que por brilhantes pregações, Deus quer firmar o Seu Reino nas almas. Nossos sacrifícios, nossos esforços e os mais obscuros de nossos atos não estão perdidos, é minha opinião absoluta: todos têm repercussão lon­gínqua e profunda”.

Sim, o sofrimento tem uma repercussão tão lon­gínqua e profunda que vai até o purgatório, vai ali­viar os tormentos das pobres almas, vai ajudá-las a pagar a dívida que contraíram com a Justiça Divina, vai abrir-lhes as portas do céu! Há em família tan­tas cruzes cotidianas, doenças, aborrecimentos, re­vezes, tanta coisa que nos vai crucificando todo dia! Por que não aproveitar tudo isto pelas almas? Ó, meu Deus, digamos na hora da dor, seja tudo por vosso amor e para o alívio das pobres almas! Se não temos coragem para grandes penitências, pelo menos acei­temos a de cada dia pelo purgatório.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Passando um mata-borrão na vida eterna, para fugir do temor de Deus



O padre Jean-Marie Humeau, pároco de Taverny (Val-d’Oise), responsável diocesano da pastoral dos funerais, não titubeia em dizer que, em Essonne, “os funerais civis já são 50%”, acrescentando: “Quando a Igreja propõe, a proposta é acolhida”.

Para Patricia Duchesne, leiga católica, encarregada por Dom Pascal Delannoy (bispo de Saint-Denis) de ‘administrar’ esse trabalho, “estamos no extremo limite da diminuição do cristianismo na França”. Por isso, paradoxalmente, ela vê a sua ‘capelania’ como “uma porta de entrada na Igreja” [sic! sic! sic!].

Mathieu, conservador do ”Jardim da Recordação”, constata a “substituição do princípio da imortalidade da alma pelo nosso próprio princípio de imortalidade”. Segundo ele, com o cancelamento das concessões perpétuas, passamos da ‘última morada’ para o ‘último hotel’...


Mais uma pavorosa faceta da autodemolição da Igreja.


*** * ***

Os ‘cemitérios laicos’ da França

Cemitérios da França se adaptam à laicização da morte. Em cada cova de cinzas de cremação, uma árvore, e nenhum símbolo religioso
Cemitérios da França se adaptam à laicização da morte. Em cada cova de cinzas de cremação, uma árvore, e nenhum símbolo religioso (Reprodução)

As cinzas humanas estão lá, espalhadas ao pé das árvores. A poucos passos da entrada do cemitério intermunicipal de Joncherolles (Seine-Saint-Denis), na França, perto do crematório, que recebendo 1.200 corpos por ano, o “Jardim da Recordação” tem uma atmosfera de tranquilidade.

A reportagem é de Frédérique Mounier, publicada no jornal La Croix, 29-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Desejado em todos os municípios de mais de 2.000 habitantes pela lei de 19 de dezembro de 2008, relativa à cremação, já como parte preponderante das exéquias, o "Jardim da Recordação" de Joncherolles conheceu uma evolução interessante.MathieuLegrand, seu conservador, a explica: “Teoricamente, as cinzas devem ser derramadas no ‘poço das cinzas’”.

O poço, fechado por uma plataforma de pedras, é cercado por um memorial composto por placas nominativas que lembram a identidade dos falecidos. Mas eis que “as árvores se tornaram sepulturas. É um modo diferente de viver o luto”, constata o conservador. Como explica Annie Paggetti, diretora do crematório, “a cremação não significa nem o desaparecimento do vínculo, nem do lugar”. Ela não acredita na “privatização das cinzas”, muitas vezes denunciada.

O cemitério de Joncherolles, com seus 25 hectares, com 14 mil lugares, pulmão verde prensado entre as oficinas de conserto ferroviário, armazéns e uma zona industrial, é uma vitrine as mudanças ignoradas por muitos da paisagem funerária francesa. Estando situado no departamento 93 (Seine-Saint Denis), a primeira religião dos “seus” defuntos é o Islã. E das 9.000 sepulturas não muçulmanos e não judias, 7.500 não apresentam nenhum sinal religioso.

O cálculo foi realizada por Patricia Duchesne, responsável pela ‘capelania’ do cemitério, única na França. O seu escritório, sóbrio e sem símbolos religiosos, fica ao lado do de Annie Paggetti. A sua constatação: “Realizamos 300 cerimônias religiosas por ano. Ou seja, 25% do total. Para as pessoas que vêm aqui, as palavras ‘paróquia’, ‘padre’, ‘sacramento’ não têm nenhum sentido. Muitas vezes, estão abatidos, destruídos, feridos. Elas nos dizem: ‘Ajudem-me apesar de tudo, salvem-me embora eu não creia’. Nesse sentido, estamos aqui como a Igreja fora da Igreja, como missionários às margens”.

Evidentemente, ela acha muito importante o convite do Papa Francisco de ir às periferias. Para essa leiga encarregada por Dom Pascal Delannoy, bispo de Saint-Denis, “estamos no extremo limite da diminuição do cristianismo na França”. Por isso, paradoxalmente, ela vê a sua capelania como “uma porta de entrada na Igreja”.

Do outro lado da França, o arquiteto Marc Barani, prêmio nacional de arquitetura de 2013, se apaixonou pelos cemitérios: “Eu poderia construí-los por toda a vida!”, diz ele hoje. Por quê? Porque, retornando de um ano no Nepal, ele renovou em 1992 o cemitério de Roquebrune-Cap Martin (Alpes-Maritimes), justamente onde está enterrado o seu grande “colega” Le Corbusier.

Impressionado pela continuidade oriental entre a morte e a vida, o arquiteto lamenta, no Ocidente, “a dificuldade de se estabelecer em um tempo longo”, “a aceleração do tempo ligada à negação da morte, que se tornou inominável” e “o abandono da arte funerária”.

Ele constata a “substituição do princípio da imortalidade da alma pelo nosso próprio princípio de imortalidade: com o cancelamento das concessões perpétuas, passamos da ‘última morada’ para o ‘último hotel’”. Ele nota que “a desagregação das famílias não favorece a unidade de tempo e de lugar”. E vê na explosão da cremação “um modo de matar a morte mais rapidamente, simplesmente porque a decomposição dos corpos dá medo”.

Ainda em 2002, o sociólogo Jean-HuguesDechaux tinha entrevisto o “processo de intimização” do funeral: “A morte, desritualizada, diz respeito cada vez mais à subjetividade de cada um. Ela não encontra outro modo para se expressar socialmente do que a partir da experiência íntima. Daí deriva a regressão dos ritos antigos, que afiliam e celebram uma passagem, regulando socialmente uma expressão da dor”.

O padre Jean-Marie Humeau, pároco de Taverny (Val-d’Oise), responsável diocesano da pastoral dos funerais, não compartilha essa severidade. Certamente, de acordo com a doutrina da Igreja, que, depois do Concílio Vaticano II, não condena mais a cremação, mas não a favorece, ele explica: “Destruir o corpo que foi o templo do Espírito com um ato voluntário não é a mesma coisa que pô-lo na terra, continuando assim a obra da criação”. No entanto, constatando que em Essonne “os funerais civis já são 50%”, ele continua: “Quando a Igreja propõe, a proposta é acolhida”.[SIC! SIC! SIC!]

Ele vê nisso duas condições: “Tudo depende da iniciativa deixada aos leigos formados e responsáveis pela pastoral dos funerais”, que hoje são cerca de uma centena em cada diocese. E, acima de tudo, da presença da Igreja nos crematórios, sabendo que alguns bispos e alguns responsáveis desses locais de incineração manifestam uma oposição real a tal presença.

Em Joncherolles, MathieuLegrand, não está preocupado: “Os cemitérios não vão desaparecer. Eles vão se transformar, vão se adaptar à demanda de cremação, às cerimônias civis, tornando-se mais ‘paisagísticos’”. Uma constatação compartilhada pela sua “capelã”, PatriciaDuchesne, que já constata essa transformação.

Os profissionais do ato fúnebre, atentos à evolução desse que também é um mercado, além disso, não estão isentos de sentido espiritual. Prova disso é a qualidade formal das “salas de apresentação”, das “salas de entrega da urna” ou das “salas conviviais” (abertas às famílias durante a cremação) oferecidas às famílias, aos parentes e amigos dos falecidos no cemitério de Joncherolles. A equipe dos gestores enfatiza a “acolhida vivida como cuidado”, observaAnnie Paggetti. Discursos, projeção de fotos e vídeos, e música já pontuam as cerimônias civis, que são as mais numerosas.

Daí deriva a insistência do padre Humeau: “Muitas vezes, essas lembranças sevoltaram ao passado. Quando nos pedem uma celebração católica, nós propomos às famílias que façam essas lembranças no início do rito, porque ele tem o objetivo de abrir para o futuro”.

Tradução: Moisés Sbardelotto, IHU On-line
Fonte: Pragmatismo Político
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