terça-feira, 16 de abril de 2013

Hungria transfere escolas públicas a instituições religiosas



Vigília Pascal na Catedral de Budapeste. O governo húngaro está transferindo a
educação pública de volta a instituições religiosas.



Traduzido por: César Hernandes



O governo húngaro está transferindo escolas públicas a instituições religiosas, relatou a revista francesa L’Express.

Este plano de ação enfureceu líderes socialistas dentro e fora da Hungria, e até mesmo em países europeus onde a educação tem tido resultados desastrosos. As reclamações raivosas focam no fato de que a moral tradicional está sendo restaurada com a ajuda do plano de ação do governo húngaro.



As escolas restauraram o canto de hinos religiosos bem como a oração no início das aulas. E os pais dos alunos podem escolher o catecismo a ser ensinado a seus filhos.


As Igrejas retêm seus subsídios escolares independente do número de alunos. Na cidadezinha de Alsoörs, a qual L’Express apresenta como um caso típico, de um total de noventa e seis famílias, somente duas votaram contra a transferência da escola à Igreja, o que ressalta o forte apoio popular a essa medida.

Curiosamente, um sacerdote católico, talvez levado por uma mentalidade ecumênica ou um “diálogo” com o mundo secularizado, após consultar-se com o bispo, recusou-se a assumir uma escola.

O pastor luterano local Miklos Rasky imediatamente concordou em fazer isso e, muito satisfeito, disse: “O atual governo está aderindo a valores cristãos. Isso nos permite reconectar com o nosso papel tradicional no campo educacional.”



Socialistas estão descontentes porque a moral e valores tradicionais estão sendo
agora ensinados nas escolas com a ajuda do governo. Não é o papel do governo facilitar a prática da
virtude?



Os perplexos professores escolares, a maioria dos quais é católica, foram informados pelo pastor de que seriam substituídos por protestantes.

Oitenta escolas já foram transferidas por municipalidades, que também estavam contentes em não mais ter de pagar por estes gastos que estavam insustentáveis na crise atual.

Sindicados esquerdistas e partidos políticos também estão furiosos pelo fato de o catecismo ser agora ensinado em escolas que ainda estão nas mãos do estado.

O Ministro da Educação Rozsa Hoffmann desaprova a falta de valores morais: “Queremos restaurá-los, seja a proteção à vida humana, o respeito ao trabalho e a lei, a honestidade ou o amor ao país. A escola não é só um lugar para obter conhecimento: ela deve também transmitir valores”, explicou ele.

A lei educacional se adéqua ao contexto da nova Constituição que exalta valores cristãos e reabilita a “Coroa Sacra” dos Reis Católicos, a encarnação húngara do poder soberano.


Fonte: TFP

DO DESCANSO À OCIOSIDADE - A EVAGATIO MENTIS



Nota do Blog: Foram introduzidas as correções 
necessárias para a correta intelecção da matéria.



originalmente publicado em 29/7/2010





Conta e Tempo



Deus pede estrita conta do meu tempo
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta;
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo…

(Frei Antônio das Chagas, Séc. XVII) 



Tradicionalmente, a filosofia atribui duas partes à natureza humana, o corpo e a alma, unidos num só tudo, de modo que o homem não é apenas uma das duas partes, mas a junção de ambas.

Em razão de sua parte corpórea, o homem é um ser material. A matéria é definida como “pura potência”, porque sempre pode ser mudada e amoldada, não possuindo determinação própria, que recebe de fora, e que constitui a sua forma. 
Justamente por ser a matéria uma “indeterminação determinável”, isto é, pura capacidade de receber modelagem, é que se define alma como a “forma do corpo”. É este o princípio subsistente da vida, que, quando unida à matéria, dá a cada um a forma de homem, determinando e dispondo a constituição de cada indivíduo para formar a unidade substancial da natureza humana. Em outras palavras, a matéria é a “parte fraca”, que está aberta a uma moldagem, enquanto que a alma é a “parte forte”, porque é o princípio determinador da vida, capaz de se unir à matéria, tornando-a um corpo ordenado, para assim formar a unidade substancial da natureza humana.

Entretanto, se a alma é um princípio vital, e por isso mesmo essencialmente imutável e imortal, o corpo, por sua vez, é passível de mudança, porque a matéria pode receber ou perder as suas determinações de forma. Deste modo, a morte é o fim inevitável dos seres corpóreos, pois a união entre corpo e alma se desfará um dia, quando o corpo atingir o grau máximo de deterioração, além do qual impossibilitará a vida.

Por essa mesma razão, a fraqueza e passividade da matéria exige que o ser humano continuamente descanse. O homem possui muitas limitações físicas e psíquicas, de modo que continuamente necessita recompor-se, a fim de não cair na exaustão. A matéria não é capaz de assegurar uma atividade ilimitada ou ininterrupta, pois o desgaste total conduziria imediatamente à morte.

Assim Deus fez o homem para que, até mesmo em seu cansaço, algo da eternidade pudesse ser aprendido. Com efeito, o descanso – especialmente o sono – é figura da Vida Eterna, quando o homem terá posse do fruto de todos os seus trabalhos, e estará em completo repouso em Deus, mas um repouso ativo, porque o Céu consiste na união amorosa do homem com Deus.

Nesse sentido, o descanso é parte essencial da vida humana, seja na terra, seja, de forma análoga, na eternidade. 
Entretanto, como em qualquer ato humano, há sempre uma justa medida, que eu não compactue com falta ou excesso. Afinal, quem descansa pouco, ainda não completou o seu repouso, mas quem descansa demais, prejudica a vida ativa e deturpa o fim do repouso. Este assunto, aparentemente banal, é a raiz da esterilidade da vida espiritual de muitos, pois o descanso, fora de sua justa medida, já não é repouso, mas ociosidade. Cabe agora perguntar: no que consiste o descanso?

O descanso é um momento de passividade, quando o homem deixa as suas atividades ordinárias, sejam quais forem, e se aplica a restituir suas forças perdidas. Por conseguinte, o entretenimento pode ser uma maneira de descanso. Tendo o homem variadas formas de cansaço físico e psíquico, por muitos meios ele procurará readquirir o pleno uso de suas capacidades, desde atividades feitas em vigília até o próprio sono, realizando passeios, jogos, viagens, leitura de um agradável livro, música, conversas, banhos, exercícios físicos, etc. Mediante tais recursos,  cada um encontra sua forma peculiar de exercer um tempo de passividade, livre das preocupações diárias.

Visto assim, o descanso é como um contratempo, um fôlego, uma pausa em relação às atividades ordinárias. Não existe um descanso sem retorno, porque a natureza do descanso reside  propriamente em existir para a execução plena e saudável das obrigações rotineiras. O descanso é um repouso em direção ao movimento. Esta é a sua justa medida e razão de existir.

Saindo de seus limites, o descanso torna-se uma deformação, pondo tudo a perder à sua volta. Aqui cumpre ressaltar o papel do pecado original. Com efeito, a natureza humana está decaída pelo pecado de Adão, de modo que a inteligência dificultosamente chega à verdade, e a vontade tende ao mal. Em consequência, o pecado original contribui como causa para a distorção do descanso e da sua finalidade, impondo ao homem uma tendência ao exagero.

A partir daí, o que devia ser um momento de passividade, um repouso em direção ao movimento, torna-se evagatio mentis— divagação ou dissipação da mente. O homem perde o interesse pela finalidade, fadiga-se com os objetivos e quer apenas “vagar” em divertimentos e que só desperdiçarão o seu tempo, sem conduzi-lo a nenhuma meta.

A dissipação da mente consiste em uma abstenção da vontade e da ação. Este vício está diretamente ligado à vã curiosidade, a um simples desejo de olhar tudo, sendo que nada efetivamente lhe desperte interesse. É uma apatia completa da alma, “cansada” ou entediada pelas suas atividades, inerte nos entretenimentos que a conduzem a uma passividade mórbida.

Segundo o psiquiatra Enrique Rojas, em O homem moderno: A luta contra o vazio, este é exatamente o perfil psicológico contemporâneo. Com efeito, vivemos numa época “cansada”, mesmo sem ter trabalhado à exaustão, pois o homem moderno está entregue à passividade, a tudo o que é fácil e cômodo. A gênese desta atitude se acha no relativismo e no subjetivismo, que corrompem no homem a busca pelo Bem, reduzindo tudo a mera questão de deleite pessoal. Desse modo — ausente meta estabelecida e os meios para concretizar uma finalidade maior —, visto que todas as pulsões do homem estão corroídas pelo relativismo, o indivíduo ziguezagueia inevitavelmente, sem rumo, sem objetivo na vida, entregue apenas ao bem estar, ao consumismo, à permissividade e ao hedonismo. Tal atitude mental contribui em muito para desencadear a evagatio mentis, ao modo de um navio sem rumo, sempre à deriva.

Um católico não pode, pois, entregar-se à ociosidade, sob o risco de fazer ruir a sua vida espiritual. Deus é o nosso fim último, e deu a cada um tempo determinado para alcançá-Lo, através da constante busca da santificação. Quem se deixa dominar pela ociosidade perde o tempo que Deus lhe deu, deixando de fazer a única obrigação exigida do homem sobre a terra, e consequentemente afasta-se do seu Sumo Bem. Não se trata, contudo, de um pecado mortal, mas de um fastio pelo bem a ser feito, em virtude da passividade a que a alma está entregue. Não sem razão Santo Tomás classifica a evagatio mentis como a primeira filha da acídia, a preguiça espiritual.

A tendência ao exagero causada pelo pecado original distorce o fim do descanso, tornando-o ociosidade. Tal vício destrói no homem a vida de oração, que para muitos chega a se tornar uma indesejável obrigação, um verdadeiro fardo. Ora, sem vida de oração e entregue a um entretenimento vazio e sem relação com a vida ativa – porque o exagero secciona o descanso da sua natural vinculação com as obrigações ordinárias –, facilmente a imperfeição torna-se pecado, e para que a alma caia em falta grave muito pouco falta, tendo em vista a exposição sem rotineira ao pecado venial. Em resumo, a preguiça, a ociosidade e a divagação da mente minam o desenvolvimento das atividades do homem, porque ele passa a administrar imprudentemente o seu tempo. E uma alma entregue à passividade tem dificuldade em manter a vida de oração, de modo que, caso não venha a corrigir radicalmente esse defeito, cairá na indiferença com relação às coisas da Religião, o que pode culminar no pecado mortal. Pessoas que não corrigem a deficiente vida de oração, vivendo numa constante dissipação de espírito, facilmente caem, porque a alma está longe da fonte que a faz permanecer na graça e no amor a Deus.

Tais constatações tornam-se mais profundas quando se observam os preciosos ensinamentos do Abade Jean-Baptiste Chautard em A alma de todo o apostolado. Com efeito, nesse livro D. Chautard explica que a vida ativa – ou seja, a vida de apostolado – é resultado e manifestação da vida contemplativa, isto é, da vida de oração. Só tem apostolado frutífero e eficaz quem o faz brotar de uma autêntica e profunda vida de oração. Deus é a causa primeira, e aquele que confia seu apostolado a Deus, pela oração, obtém todo o sucesso, porque não esperou o mero favorecimento das circunstâncias. A Sagrada Escritura ensina que Deus ouve a oração do humilde, mas abate a do orgulhoso. Deste modo, quem reconhece a sua absoluta e radical dependência de Deus, faz toda a sua vida ativa depender de uma incondicional entrega a Deus pela oração.

O católico é aquele que sabe reconhecer, assim como está na Salve Rainha, que este mundo é um desterro, porque estamos apenas conquistando, dia após dia, a posse da Vida Eterna, isto é, estamos aqui de passagem. Por esta razão, um verdadeiro católico faz tudo tendo em vista a glória de Deus e salvação da própria alma. Quando pratica a autodisciplina, sacrifícios, aceita renúncias, ele o faz porque tais práticas o conduzem a Deus. Caso contrário, nem fariam sentido. Portanto, manter uma autêntica vida de oração equivale a reconhecer que esta vida só merece ser vivida em razão da salvação eterna, e por isso mesmo não há tempo para divertimentos irresponsáveis, nem para entretenimentos vazios. Tudo quanto fazemos é por Deus, e não por nós mesmos. Mesmo quando o homem descansa, está recuperando forças para adquirir maior ânimo em face das batalhas e lutas que terá de enfrentar. Assim como aqueles três mancebos, que foram cantando para a fornalha na qual seriam consumidos, também o católico vai alegremente enfrentando as provações, sofrimentos e contrariedades desta vida, sabendo serem estes os meios pelos quais se une a Jesus no Calvário, morre para a glória deste mundo, e ganha a verdadeira felicidade, que não pode encontrar na terra, mas só em Deus. Que o Sagrado Coração de Jesus, de onde a lança fez jorrar Sangue e água, seja para nós um verdadeiro refúgio de todas as falsas consolações do mundo, e que nos dê o repouso e o descanso que nossas almas procuram, aqui na terra em forma de graça, e na eternidade, em forma de glória.




Brevíssimo exame de consciência


1. Quando desejo descansar e relaxar, qual é a atividade que costumo empreender? Em qual entretenimento ou divertimento me ocupo usualmente? O que faço para adquirir um momento de passividade?

2. Agora que já pensou a respeito, reflita se tem empregado tempo suficiente para descansar e readquirir as forças gastas, o ânimo perdido e a motivação necessária para continuar as atividades ordinárias. Este tempo é suficiente ou muito além do necessário?

3. Para colaborar na autodisciplina, tem empregado um tempo determinado para os divertimentos? Escolhe um horário do dia, com começo e fim, para se aplicar em atividades de descanso, ou confia demasiadamente em seu próprio autocontrole, de modo que sempre acha que pode parar quando bem entende?

4. Tem comprometido as suas obrigações – especialmente as orações do dia – por causa dos entretenimentos? Aplica nele um tempo indeterminado, enquanto para a oração e para as outras atividades tem empregado o tempo que sobra? Tem procurado corrigir esta falha, disciplinando a própria vida de oração com horários regulares para rezar, de modo que nenhuma outra atividade o prejudique?

5. Julga que é facilmente vencido pela preguiça e pela ociosidade? Tem disciplinado as atividades, de modo que tenha um horário para rezar e estudar, e outro para descansar? Tem procurado utilizar prudentemente as diversões, ou elas se constituem como verdadeira perda de tempo, de modo que outros entretenimentos ser-lhe-iam mais saudáveis e produtivos?

6. Tem considerado que Deus lhe dá o tempo para empregá-lo na sua santificação e salvação? Considera que esta vida é passageira, e que aqui jamais terá um repouso permanente e completo? Considera que este mundo é um desterro, porque está aqui para conquistar a vida eterna? Tem administrado sábia e prudentemente o tempo, ou confia que sempre haverá tempo para corrigir os seus desperdícios?

O valor do tempo


‘Time Jesum transeuntem et non reverendem’
[‘TEME A JESUS QUE PASSA E NÃO VOLTA’]



Raphael de la Trinité


  Encontrei este pensamento de Alexandre Dumas: "On ne fait jamais le bien assez vite. Est-ce qu'il a le temps d'attendre?". Equivaleria, em português, à seguinte idéia: ‘Na prática do bem, mesmo a maior presteza não é suficiente. Há sempre escassez de tempo. A ocasião passa depressa e nem sempre volta’. A reflexão do célebre literato francês encontra sólido apoio na Fé. (‘Time Jesum transeuntem et non reverendem’).


A título de subsídio, ocorre-me transcrever uma breve citação (ler abaixo) da seguinte obra 

Meditações Práticas Para Todos os Dias do Ano 
Segundo a Vida e a Doutrina de N. S. Jesus Cristo
VERCRUYSEPe. Bruno, S. J.
Tradução e Adaptação Portuguesa revista por
SÁ E COSTA, Pe. Luiz Moreira de, S. J.
Tomo I (de 1º de janeiro a 30 de junho)
Livraria Apostolado da Imprensa
Porto 1950/ 542 p. 

EMENTA - 'O tempo vale tanto como Deus (e eis porque e como continua S. Bernardo); porque cada instante bem empregado pode valer-nos a posse eterna do mesmo Deus'. 

SOBRE O VALOR DO TEMPO

"'O tempo vale tanto quanto o céu', diz S. Bernardo. Nada mais certo, porque ninguém entrará no céu sem ter sido provado no tempo, nem o possuirá (ao céu), segundo as divinas promessas, senão como recompensa do bom emprego do tempo. Esta eterna recompensa pode depender dum único momento bem empregado. Sirva de exemplo o bom ladrão. Tinha sido má toda a sua vida: agora agoniza; mas neste momento supremo, iluminado pela graça, reconhece humildemente suas culpas e implora a misericórdia do Senhor. Tanto basta para que Jesus logo lhe garanta a posse do céu: 'Hoje estarás comigo no paraíso' (Luc., XXIII, 43).
  • I PONTO (...)
APLICAÇÕES -- Qual não será, pois, o apreço em que devemos ter o tempo que se nos concede? Devemos estimá-lo mais do que o diamante que valesse o melhor reino na terra. Pois o que é um reino destes comparado com o Reino dos céus? E poder o bom emprego do tempo valer-nos a posse eterna de tal Reino! Além disso, o bom emprego de cada momento rende novo grau de glória e felicidade no céu: é um novo céu no mesmo Céu!

AFETOS -- Atos de fé sobre verdade tão animadora, e de pesar pelo desperdiçar do tempo.
PROPÓSITOS -- Melhor distribuição do tempo, para nós o aproveitarmos. Se a falta de método é a razão da perda do tempo, nada o faz render tanto como uma prudente distribuição. (...)
  • II PONTO (...)
APLICAÇÕES -- 'Uma só gota do precioso sangue de Jesus Cristo basta, diz S. Tomás, para resgatar o mundo. (...)
PROPÓSITOS -- Imitar os Santos: nunca julgavam demais tudo o que faziam para aproveitar a mínima parcela de tempo. Santo Afonso de Ligório e muitos outros chegaram a obrigar-se por voto a não o perder voluntariamente.
  • III PONTO 
CONSIDERAÇÕES -- 'O tempo vale tanto como Deus (e eis porque e como continua S. Bernardo); porque cada instante bem empregado pode valer-nos a posse eterna do mesmo Deus'. Por isso, que conta rigorosa havemos de dar dele [do tempo]! Uma palavra ociosa profere-se num instante; e Jesus afirma-nos que esta perda de tempo, a nosso ver tão insignificante, não passará despercebida. 'Eu vo-lo digo que toda palavra ociosa que os homens disserem, dela darão conta no dia do juízo' (Mat. XII, 36).
APLICAÇÕES -- (...) Nos nossos exames de consciência pedimos, a nós mesmos, rigorosas contas do emprego do tempo, buscamos ver em que o desperdiçamos e quais as causas deste desperdício? Confessamo-nos desta falta com arrependimento e propósito sincero de emenda? Procedamos a um exame minucioso: vejamos quando, onde e como perdemos o tempo, a fim de melhor o empregarmos no decurso deste novo ano [NOTA: a meditação corresponde aos dias 4 e 5 de janeiro].

SOBRE O BOM EMPREGO DO TEMPO
  • I PONTO
CONSIDERAÇÕES -- (...) Ensina-nos a fé que nenhuma ação, por melhor e mais santa que seja de sua natureza, é meritória para o céu se quem a pratica está em pecado mortal (...). Que perda e que infelicidade! (...)
APLICAÇÕES -- (...) E se fosse necessário, para perseverar até ao último suspiro nesta resolução, estar dispostos a qualquer sacrifício, não o estaríamos?
AFETOS -- Aumentai em nós, Senhor, a estima e o amor ao vosso santo serviço e à nossa vocação.
PROPÓSITOS -- Esforcemo-nos em procurar para o nosso próximo a felicidade que desfrutamos, desviando-nos, quando estiver na nossa mão, do miserável estado de pecado.
  • II PONTO (...)
APLICAÇÕES -- Não devemos temer vermo-nos despojados, ao menos parcialmente, do mérito de muitas de nossas boas obras, se o amor próprio, a vaidade, o desejo de agradar aos homens, estão secretamente na raiz dos motivos que nos movem a praticá-las? Entrai nos esconderijos do vosso coração e tende a coragem de vos interrogar e de responder a vós mesmos... (...)
  • III PONTO (...)
CONSIDERAÇÕES (...) -- Fazemos muitas ações boas, com intenção habitualmente reta, mas fazemo-las com desleixo, com tibieza, com muitas imperfeições. O tempo que empregamos nelas será perdido em grande parte e vazio de méritos. É por este motivo que o Espírito Santo urge com tanta energia: que sejamos cuidadosos e perfeitos em tudo o que fazemos -- In omnibus operibus tuis praecellens esto (Ec., XXXIII, 23).
APLICAÇÕES (...) -- 'Num curto prazo terá alcançado uma longa carreira', como diz do justo o Livro da Sabedoria (Sap. IV, 13). Só de nós depende, afinal, participarmos desta felicidade. Bom meio para consegui-la é acostumarmo-nos, quando nos benzemos, juntar às palavras do sinal da cruz, que devemos fazer muitas vezes, estas outras: 'Quero fazer bem esta ação'; e depois examinarmo-nos, ao terminá-la.

COLÓQUIO -- Com S. Estanislau Kotska que, ainda antes de abraçar o estado religioso, chegou em pouco tempo a uma grande santidade; não porque tivesse praticado acções de grande brilho, mas porque eram todas, mesmo as mais insignificantes, acompanhadas duma grande pureza de intenção e duma caridade ardente. Deste modo santificava ele o tempo, sem perder inutilmente para o céu um só momento. Peçamos-lhe nos obtenha a graça de o imitar (op. cit. p. 31, 32, 33, 34, 35).      

domingo, 14 de abril de 2013

Quem é a RC"c" de verdade? Como nasceu e quem fundou?


Uma ilusão perigosa

A Renovação Carismática Católica parece ser a última esperança dos Bispos para encher as suas igrejas. Será realmente a solução correta?

Todos os promotores do movimento carismático que se autodenomina católico fazem alarde, com complacência, dos efeitos do “batismo do Espírito”, como o Pe. Caffarel em Deve-se falar de um pentecostismo católico?. Falam de muitos assuntos: o incremento de vida divina e o descobrimento do Hóspede interior, uma oração viva e jubilosa; o amor à Sagrada Escritura; o apego à Igreja; o impulso missionário; uma experiência de liberação (no plano físico, moral, psicológico) e, por último, os carismas: profecia, discernimento dos espíritos, poder de curas, falar em línguas, dom de interpretar... Em poucas palavras: tudo de que se precisa para renovar a paz na terra! E justamente porque provoca estes efeitos maravilhosos de ardor religioso, a renovação carismática apresenta um atrativo fora do comum, uma vez que a atração do extraordinário é mais forte do que todas. De fato, que sacerdote, que católico militante não deseja que seu apostolado seja eficaz? Que discípulo de Cristo não deseja ardor ao rezar, ao ler a Sagrada Escritura, ao praticar a caridade? Que cristão não deseja “sentir” o amor de Deus, sua inefável presença, sua ação benéfica? Que católico não se cansa de viver na “nudez” da fé, na “negrura” da esperança (sperare contra spem), num mundo cada vez mais deserto, no qual os medos, os compromissos, as traições asfixiam cada vez mais a Verdade, natural ou sobrenatural, e onde a caridade é muitas vezes nada mais que filantropia sem fogo divino e sem chama?

A “fé” carismática é feita de intuição, de sentimento, de experiência interior. É uma “fé” imanente e subjetiva. Não se trata de “saber” para crer, mas de “sentir” para crer. A alma toma o caminho da sensibilidade, e é aí onde o demônio está na espreita.

Suas origens

 Tudo começou com a participação de alguns católicos em assembleias de pentecostistas protestantes e com a recepção do “batismo do Espírito” por obra dos pentecostistas.

Em 13 de janeiro de 1967, “dia da oitava da Epifania, consagrado pela liturgia católica à celebração do batismo de Jesus por meio do Espírito Santo no Jordão, ... eles [os fundadores do pentecostismo] encontravam-se na casa de Miss Florence Dodge, uma presbiteriana que havia organizado um grupo de oração há algum tempo. O grupo reunia-se em sua casa com regularidade e ela habitualmente dirigia essas reuniões” (Le Retour de l’Esprit,p. 22, ed. du Cerf, Paris – livro dos Ranaghan, que figuraram entre os primeiros “pentecostistas católicos” e também entre os primeiros em escrever sobre o movimento carismático). Mais tarde, três professores de Pittsburg e a esposa de um deles assistiram uma primeira reunião carismática: “Deixou-nos uma impressão duradoura, diz um deles, de que ali operava o Espírito [?]” (Ibidem, p. 23).

Dois dos professores (Ralph Keifer e Patrick Bourgeois) assistem à reunião seguinte: “terminou – diz Ralph Keifer – quando Pat [Patrick Bourgeois] e eu pedimos que rezassem conosco a fim de recebermos o batismo do Espírito.

Eles se dividiram em vários grupos, porque rezavam por várias pessoas. Só me pediram que fizesse um ato de fé para que o poder do Espírito operasse em mim. Logo rezei em línguas” (Ib., p. 23). “Na semana seguinte – acrescentam os Ranaghan -, Ralph [Keifer] impôs as mãos aos outros dois [ou seja, ao outro professor de Pittsburg e à esposa de um deles] e também eles receberam o batismo do Espírito” (Ib., p. 24)O processo está a caminho: o iniciado torna-se iniciador e transmite o “influxo espiritual”. Todo o chamado pentecostismo ‘católico’ se encontra em germe nesses textos do livro dos Ranaghan. Prosseguindo sua leitura, vemos como a “corrente” passa de um dos promotores aos recém-chegados: “Um casal de noivos ... tinha ouvido falar do “batismo do Espírito Santo” e desejava recebê-lo. Aproximaram-se então de Ralph Keifer [um dos fundadores do pentecostismo “católico”] e pediram-lhe que rezassem com eles para que o Espírito Santo se fizesse plenamente em sua vida... Foram profundamente tocados pelo Espírito de Cristo. O Espírito manifestou-se muito rápido com o dom das línguas e aquele jovem e aquela senhorita louvaram a Deus” (Ib., p. 29). E tudo não acaba aqui:“Mas eles sabiam que, ao mesmo tempo, uma das jovens [membro do grupo pentecostista] ... tinha sido atraída para a capela e que ali tinha sentido a presença quase tangível do Espírito de Cristo. Saiu tremendo da capela e chamou os outros para que regressassem até ali. Os membros do grupo, sozinhos ou em dupla, dirigiram-se para lá e, enquanto estavam todos unidos em oração, o Espírito Santo se fez derramar sobre eles” (pp. 29-30). Salta à vista que essa espécie de “Espírito” sopra muito e “pneumatiza” todo aquele que se entrega a sua ação transbordante de favores carismáticos! Em poucas palavras: a corrente carismática passou do protestantismo herético e iniciático aos supostos católicos, provocando “efeitos maravilhosos” de ardor religioso que não podem ser explicados por uma causa sobrenatural, porque o Senhor não pode de maneira alguma participar de uma experiência feita por católicos desobedientes à Igreja, em um ambiente herético e com uma iniciação, um rito, abertamente acatólico.

A iluminação iniciática

 O pentecostismo carismático parte de um fenômeno que, segundo parece, quer se fazer passar por uma obra do Espírito Santo; tal fenômeno consiste em uma iluminação iniciática.

A iluminação iniciática constitui o umbral das sociedades secretas, congregações iniciáticas, etc. No movimento carismático, essa iluminação “precipita” a alma num universo que já não é o da fé católica, e sim outro universo. Para se chegar à iluminação iniciática, requer-se uma escolha, uma decisão. No movimento carismático, tal escolha consiste em receber o famoso “batismo do Espírito”. Nota-se que a iluminação iniciática não é algo que se aprenda, mas uma “impressão” que se recebe e que não se pode explicar.

No movimento carismático, nada, absolutamente nada, pode verificar-se sem um membro “iniciador”, que já tenha recebido o “batismo do Espírito” (ou seja, a “iniciação carismática”) e que, por si só, tenha-se tornado capaz de transmitir o “influxo espiritual” responsável pela impressão iniciática. Isso constitui um elemento capital no movimento carismático, elemento que também permite distinguir o Sacramento da Confirmação conferido no seio da Igreja Católica do mencionado “sacramento carismático”, pois somente um bispo pode conferir o Sacramento da Confirmação (ou um sacerdote delegado por ele), e ele não pode transmitir seu poder a seus sacerdotes e muito menos aos leigos. No movimento carismático, ao contrário, o iniciado transmite, através da iniciação, seu próprio poder de “iniciar”. Além disso – coisa estranha – um Cardeal pode receber a iniciação carismática das mãos de um menino dotado de “poderes espirituais” dos quais careceria o príncipe da Igreja. Basta que este menino tenha recebido o “sacramento” iniciático do “batismo do Espírito”. Tendo em vista a natureza hierárquica da Igreja, isso é simplesmente uma aberração!

Assim, os grupos carismáticos podem multiplicar-se até o infinito: basta que tenham um “iniciado”, seja padre, religioso ou leigo, homem ou mulher, velho, adulto ou criança. Isso não importa.

A iluminação iniciática exige um rito

 Outro ponto capital é o da necessidade de um rito para realizar a iluminação iniciática.

O movimento carismático é a história de um influxo “espiritual” (alheio à fé católica) transmitido por um “iniciado” mediante um rito que serve de veículo: o “batismo do Espírito” com a imposição das mãos. Rito que os católicos foram buscar entre os pentecostistas protestantes! O movimento carismático não é nada, absolutamente nada, sem esse rito, quer dizer, sem a transmissão de um influxo “espiritual” destinado a produzir uma impressão ou uma iluminação iniciática.

A questão capital: de que natureza é esse influxo iniciático?

 Nesse ponto arma-se a pergunta importante: qual é a verdadeira natureza desse influxo iniciático?

Basta ler o testemunho das vítimas da renovação carismática para compreender que o “Espírito” que dá sua força preternatural ao influxo iniciático produz efeitos absolutamente extraordinários pelo seu número, gênero, rapidez, intensidade.

Será um influxo de ordem preternatural, diabólico? É possível. Mas, uma vez que o demônio se sobressai na arte de disfarçar-se em anjo de luz, o que importa é distinguir os influxos. Que anjos intervêm na iniciação? Os bons concorrem somente para preparar a iluminação da fé e têm sempre a maior discrição. Mas os anjos maus podem alimentar qualquer tipo de ilusão e torná-la sedutora, acompanhando-a até de prodígios nos homens que se entregam à sua ação.

A iluminação carismática não pode ter uma origem divina no movimento carismático, porque sua fonte não é a da fé católica.

A doutrina católica dá o remédio contra a sedução diabólica


 Visto que o mal contido na iluminação iniciática não é manifesto, as almas não se questionam se tudo está bem ou mal, e caem facilmente na rede infernal sem sabê-lo. Para livrá-las de sua cegueira, seria mister fazer o discernimento dos espíritos, o único meio que permite realmente ver uma inspiração diabólica ali onde se crê ver uma inspiração divina.

Deus, de fato, não se pode deixar roubar o Sacramento da Confirmação por uma caricatura simiesca totalmente alheia à fé católica. Deus, na verdade, é dono de seus dons e pode dar os que quiser, a quem quiser e quando quiser. Mas o católico não deve “tentar” o Senhor (Mt 4,7), diferente do que o pentecostismo-renovação convida a fazer.

Por isso São Vicente Ferrer, assim como Santo Tomás e São João da Cruz, põe as almas de sobreaviso contra a “sugestão e ilusão do demônio, que engana o homem em suas relações com Deus e em tudo o que se refere a Deus” (A vida Espiritual). Ele dá o remédio contra as tentações espirituais suscitadas pelo diabo: “Os que queiram viver na vontade de Deus não devem desejar obter [...] sentimentos sobrenaturais superiores ao estado ordinário daqueles que têm um temor e um amor a Deus muito sinceros. Tal desejo, de fato, só pode vir de um fundo de orgulho e de presunção de uma vã curiosidade em relação a Deus e de uma fé demasiado frágil. A graça de Deus abandona o homem que está preso a este desejo e o deixa à mercê de suas próprias ilusões e das tentações do diabo que o seduz com revelações e visões enganosas” (Ibidem). E também: “Fugi da companhia e da familiaridade daqueles que semeiam e difundem essas tentações e daqueles que a defendem e louvam. Não escuteis seus relatos nem suas explicações. Não procureis ver o que fazem porque o demônio não deixaria de vos fazer ver em suas palavras e obras, sinais de perfeição aos quais vós poderíeis prestar fé e assim cair e vos perder junto com eles” (Ib.). Acrescentamos as palavras de Santo Inácio, “expert” no discernimento dos espíritos: “É próprio do anjo mal, transfigurado em anjo de luz, começar com os sentimentos da alma devota e terminar com os próprios”.

Desde o momento em que a alma cruza o umbral do universo carismático (universo oculto) pode acontecer de tudo. Tudo começa com dons inefáveis: entusiasmo e ardor fervoroso, liberação dos complexos, dos vícios, dom de profecia, de cura, de glossolalia (ou xenoglossia: falar em língua estrangeira desconhecida), etc...

Impossível não se lembrar dessas palavras do Evangelho: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome, e em teu nome expulsamos os demônios, e em teu nome fizemos muitos milagres? E então eu lhes direi bem alto: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que operais iniqüidades (Mt 7 – 22, 23).

A “Igreja do amor” ou o homem no lugar de Deus

 No livro de Huysmans intitulado Là bas, há uma passagem particularmente importante que evoca a igreja carismática de João (contraposta à Igreja hierárquica de Pedro), que florescerá com a vinda do Paráclito e que se chama a “igreja do amor” (em sintonia com a “civilização do amor” de Paulo VI), a “igreja da reconciliação”, a “igreja ecumênica” ou “universal” (em virtude de seu carismatismo): “É um axioma teológico que o espírito de Pedro vive em seus sucessores. Viverá neles, até a expansão auspiciada do Espírito Santo. Então João, – diz o Evangelho – começará seu ministério de amor e viverá na alma dos novos Papas”. Esse texto mostra claramente o laço esotérico que liga a “expansão do Espírito Santo” (conduzido pela “renovação carismática”) e o “ministério de amor” de João. O autor esotérico Salémi enunciava em 1960: “O novo evangelho de João logo será pregado em toda a Terra” (Le message de l’ Apocalypse, p. 293).

Estamos no tempo desse “novo evangelho”: “Invoca-se o Apóstolo S. João – escreve Pierre Virion -, discípulo do amor, contra a autoridade de Pedro. É a velha teoria Rosa-Cruz, que profetiza a igreja esotérica [iniciática] de João, superior à igreja exotérica [não iniciática] de Pedro, e cujos tempos apocalípticos parecem ter chegado. A Igreja Romana deve ceder-lhe o posto, deve desaparecer tal como é: ‘Abriu-se ... o ciclo de João’” (Mystère d’iniquité, p. 146).

Surge então a pergunta: que significa essa “igreja de João”, a igreja da terceira hora, a igreja da hora do Espírito Santo? A igreja de João já não é Deus em primeiro lugar, mas o homem; não a transcendência, mas a imanência; não a fé, mas o gosto sensível, o prodigioso, os carismas (democraticamente assegurados a todos, graças ao “batismo do Espírito”); não o dogma, mas a “revelação interior”, o subjetivismo, o profetismo, o iluminismo; não o sacramento instituído por Cristo, mas outra espécie de “sacramento” enxertado em uma corrente oculta (assim é o “batismo do Espírito”: uma paródia de sacramento com efusão da “graça diabólica” através de um rito herético); não a Eucaristia-Sacrifício (daqui vem a fúria contra o rito chamado de S. Pio V), mas a eucaristia-festa; não o sacerdócio ministerial, mas o caráter sacerdotal de todo fiel (1); não a igreja hierárquica e carismática ao mesmo tempo, mas uma igreja meramente carismática; não o Papa, mas um sínodo paralisador; não os bispos, mas uma colegialidade sufocante; não os párocos, mas as assembléias presbiteriais; não a hierarquia oficial, mas as comissões, comitês, etc., etc., constitutivos de um governo paralelo; não a Igreja Católica Romana, mas uma igreja universal que inclui todos os cultos tributados a qualquer divindade. Em conclusão: o que René Guénon chamaria de “igreja integral”. E esta “igreja integral”, cujo objetivo é destruir por asfixia a igreja hierárquica tradicional, a igreja de Pedro, deve ser o fruto da vinda do Espírito (os Ranaghan diziam: do “retorno” do Espírito), porque é o “Pentecostes” deste “Espírito” que permitirá a João exercer seu “ministério de amor”!

Compreendemos agora porque em nossos dias fala-se tanto de amor: “Enganar-se-á o povo em nome do amor, de um amor que não é a caridade teologal, mas cujo nome usurpa. Assim, nunca tínhamos lido tanto nas publicações maçônicas a frase: ‘Amai-vos uns aos outros’. Mas é sempre empregada, em nome de Cristo, contra sua Igreja” (Mystère d’Iniquité, cit., p. 146).


Que fazer?

 Que fazer diante desta cegueira causada pela invasão carismática, caricatura diabólica do Sacramento da Confirmação, chamada de “batismo” com razão, porque marca a passagem do mundo católico ao mundo oculto? São João da Cruz dizia: “[Uma vez cegada a alma] poder-se-á enganar quanto à quantidade ou qualidade, pensando que o que é pouco é muito, e o que é muito, pouco; e quanto à qualidade, considerando o que está em sua imaginação como uma coisa, quando não é senão outra coisa, trocando, como diz Isaías, as trevas pela luz e a luz por trevas, e o amargo por doce e o doce por amargo (5, 20)” (Subida do Monte Carmelo, L. 3, cap. 8).

Hoje, mais do que nunca, é necessário insistir no que constitui a verdadeira vida de fé. Continuemos ouvindo S. João da Cruz: “ (...) e assim, estando a alma vestida de fé, o demônio não a perturba, porque com a fé ela está muito amparada – mais do que com todas as demais virtudes – contra o demônio, que é o mais forte e astuto inimigo.

Por isso S. Pedro não encontrou maior amparo do que a fé para livrar-se do demônio quando disse: Cui resistite fortes in fide (2) (I Petr 5,9). E para conseguir a graça e a união com o amado, a alma não pode ter melhor túnica e vestimenta interior, como fundamento e princípio das demais virtudes, que esta brancura da fé, porque sem ela, como diz o Apóstolo, é impossível agradar a Deus (Hebr 11,6), e com ela é impossível também deixar de agradar, pois Ele mesmo diz pelo profeta Oséias: Desponsabo te mihi in fide (Os 2,20), que quer dizer: “Se queres, alma, unir-se a mim e me desposar, deverás vir interiormente vestida de fé” (Noite passiva do espírito, cap. 21).

Recorramos à Santíssima Virgem para que esmague a cabeça daquele que se faz passar pelo Espírito Santo e quer fazer-se adorado em seu lugar. Recitemos por isso o Santo Rosário com todo o ardor de nossa fé, inimiga da “sensibilidade carismática”.

PS: Em nossa edição portuguesa, fizemos um resumo do texto original, modificando também um pouco a ordem do mesmo e alguns títulos e fazendo alguns pequenos acréscimos.
 Tomado de Sim Sim Não Não, edição brasileira.

(1) Assim testemunha um pentecostista: “Os católicos sabem agora que pode-se receber o batismo do Espírito Santo sem a imposição das mãos por parte dos bispos ou sacerdotes, porque podem ir diretamente a Jesus [como os protestantes].De minha parte, descobri com muita surpresa que os católicos se alegram por já não dependerem completamente dos sacerdotes” (citado por Lumière, julho de 1975). Também um padre católico carismático testemunha: “Começamos a realizar o sacerdócio de todos os fiéis” (Ibidem).
(2) Ao qual resisti fortes na fé.

Tomado em: Ass. Cultural Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos
Fonte: FSSPX


sábado, 13 de abril de 2013

JMJ com Michel Teló, Ivete Sangalo e Milton Nascimento: Qual o católico que em sã consciência participaria de um evento desses?



Olhem que “maravilha” de artistas estão cotados para a JMJ no Rio este ano:







Qual o católico que em sã consciência participaria de um evento desses? O que diria Padre Pio, o que diria São João Maria Vianney sobre tal evento? Fariam como as autoridades eclesiásticas atuais que passam a mão nas cabeças dos jovens achando lindo que eles se reúnam para ver o Papa ao som de música da pior qualidade? Será que eles apoiariam a ida de jovens a um evento onde se dorme em barracas, meninos e meninas? 


O católico honesto sabe qual a resposta para tais perguntas. 



O católico responsável nunca deixaria seus filhos participarem de tal evento.

O jovem católico sincero, ao saber do que se passa nas JMJ's, não vai querer participar de nada disso.

Eu que já fui a tantos shows de rock nunca vi tanta pouca vergonha quanto o que vi ser reportado sobre a JMJ, um evento "católico". Nunca.
Usam o nome do Papa, usam o nome de Deus, para justificar a imodéstia, a sem-vergonhice e a imundície desses eventos JMJ. Mas lembremos de que nem todo aquele que diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus*...



E todo aquele que sabendo do que se passa ainda assim insiste em defender a JMJ apenas porque é um evento aceito pelo Vaticano, deveria parar para pensar seriamente no que disse Nossa Senhora em La Salette:


"Os chefes, os guias do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência, e o demônio obscureceu as suas inteligências; tornaram-se estrelas errantes que o velho demônio arrastará com a sua cauda para fazê-los perecer.”




"Roma perderá a fé e tornar-se-á a sede do Anticristo.”



E isso ela disse em 1846.




Então parem e pensem que a qualquer momento Roma poderá se tornar a sede do Anticristo, porque nossa Senhora já avisou que isso vai acontecer. Quem tiver o mínimo de discernimento vai ficar atento ao que vem dos chefes eclesiásticos e não vai ficar batendo palma para tudo o que dizem e fazem, como querem certos católicos que nada entendem de obediência.


Devemos obedecer a Deus em primeiro lugar e obedecer ao clero e ao Papa somente se eles estiverem de acordo com a Fé. Não está de acordo com a Fé, com a doutrina da Santa Igreja, promover encontros onde os jovens ficam na promiscuidade, se misturando longe das vistas dos pais, rebolando ao som de Ivete Sangalo e outros do tipo. Quem promove e defende esse tipo de evento vai pagar caro, principalmente se sabe o quanto a JMJ está distante da moral católica.




Diz Santo Tomás de Aquino, Doutor Comum da Igreja:

“(em II-II, q. 33, a. 4, ad 2) que, “caso se trate de um perigo para a Fé, os superiores devem ser repreendidos pelos inferiores, mesmo publicamente”, o que naturalmente implica a obrigação de não obedecer a nenhum superior eclesiástico quando e se quiser impor um desvio da fé. E isso é assim porque na defesa da fé qualquer fiel tem, de certo modo, a mesma dignidade que qualquer autoridade eclesiástica.”


Obedecer a tudo o que dizem e fazem os eclesiásticos que estão minando a Fé no povo, destruindo a moral católica, é estupidez ou maldade. Não podemos colaborar com a obra maçônica de destruição da Igreja, pelo contrário devemos resistir. Pensem no que diriam os grandes santos, pensem no que pensa Nossa Senhora sobre eventos como esse. Pensem!



As portas do inferno não prevalecerão, a Igreja não vai ser destruída, fiquemos firmes na Fé. Mas não fechemos os olhos para a realidade, porque Deus vai nos cobrar isso também.



*Mateus 7,21.
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