terça-feira, 26 de novembro de 2013

Em severa crítica à Igreja, Francisco apresenta maior reforma do Vaticano em meio século



Jamil Chade





Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” apresentada hoje é o primeiro documento do novo papa e traça o caminho para a Santa Sé nos próximos anos. Documento propõe “nova etapa de evangelização” e “conversão” da Igreja.

Cidade do Vaticano – Jorge Bergoglio lança um projeto de “conversão do papado”, propõe a “descentralização” da Igreja e apresenta o plano da maior reforma feita no Vaticano em pelo menos meio século. No primeiro documento de seu próprio punho apresentado hoje, o papa Francisco explica em mais de 200 páginas seu projeto para o futuro da Igreja, lançando duros ataques contra sacerdotes e denunciando a guerra pelo poder dentro dos muros da Santa Sé.
“Desejo dirigir-me aos fieis cristãos para convidá-los a uma nova etapa de evangelização marcada por esta alegria e indica direções para o caminho da Igreja nos próximos anos”, escreveu em sua Exortação Apostólica publicada hoje, o Evangelii Gaudium do Santo Padre Francisco aos Bispos, Presbíteros, Diáconos às pessoas consagradas e aos fieis laicos sobre o Anuncio do Evangelho no Mundo Atual. “É uma nova evangelização no mundo de hoje, insistindo nos aspectos positivos e otimismo”, explicou o cardeal Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifical para a Nova Evangelização e que admite que o papa é “franco”. “O centro é o amor”, insistiu. “Sem isso, a Igreja é um castelo de cartas e isso é o nosso maior perigo”, declarou.
Em seu texto, Francisco apela à Igreja a “recuperar a frescura original do Evangelho”, mas encontrando “novas formas” e “métodos criativos”. “Precisamos de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como elas são”.
Uma parte central de seu trabalho será o de “reformar as estruturas eclesiais” para que “todas se tornem mais missionárias”.
O recado é claro: promover uma “saudável descentralização” na Igreja, num gesto inédito vindo justamente da pessoa que representou por séculos a centralização da instituição e sempre lutou contra repartir poderes. A esperança é de que as conferencias episcopais possam contribuir para “o sentido de colegialidade”.
A descentralização apontaria até mesmo para a abertura de espaços para diferentes formas de praticar o catolicismo. “O cristianismo não dispõe de um único modelo cultural e o rosto da Igreja é multiforme”, escreveu. “Não podemos esperar que todos os povos, para expressar a fé cristã, tenham de imitar as modalidades adoptadas pelos povos europeus num determinado momento da historia”. Para o papa, teólogos precisam ter em mente “a finalidade evangelizadora da Igreja”.
Nem o próprio papa estaria isento da reforma. Sua meta é a de promover uma “conversão do papado para que seja mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar e às necessidades atuais da evangelização”.
A burocracia e a aristocracia da Santa Sé também precisa ser revista. “Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja não diretamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns dos mais profundamente enraizados ao longo da história”.
Bergoglio insiste que prefere “uma igreja ferida e suja por ter saído às estradas, em vez de uma igreja preocupada em ser o centro e que acaba prisioneiras num emaranhado de obsessões e procedimentos”.
Abertura – Um dos pontos centrais é ainda a abertura da Igreja aos fieis. “Precisamos de igrejas com as portas abertas” para evitar que aqueles que estão em busca de Deus encontrem “a frieza de uma porta fechada”. “Nem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo”, escreveu.
A escolha dos fieis que deveriam comungar também é atacado pelo papa. “A Eucaristia não é um prêmio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos”, alertou.
Poder – O documento ainda lança severas críticas a padres e sacerdotes. O papa pede que se evitem as “tentações” do individualismo e alerta que “a maior ameaça é o pragmatismo incolor da vida quotidiana da Igreja, quando na realidade a fé se vai desgastando”.
Pedindo uma “revolução de ternura”, o papa critica “aqueles (religiosos) que se sentem superiores aos outros” e que apenas fazer obras de caridade não seria o suficiente. O papa também ataca os sacerdotes que “em vez de evangelizar, classificam os outros”, adotando um “certo estilo católico próprio do passado”.
Bergoglio também ataca os religiosos que tê “um cuidado ostensivo da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, mas sem que se preocupem com a inserção real do Evangelho” as necessidades das populações. “Esta é uma tremenda corrupção com a aparência de bem. Deus nos livre de uma igreja mundana sob cortinas espirituais ou pastorais”.
As batalhas por poder dentro do Vaticano também são alvos de ataques do papa contra a Igreja. Ele apela para que as comunidades eclesiais “não caiam nas invejas e ciúmes”. “Dentro do povo de Deus, quantas guerras”, lamenta o argentino. “A quem queremos evangelizar com estes comportamentos?”, atacou, indicando um “excesso de clericalismo”.
O papa ataca o “elitismo narcisista” entre os cardeais. “O que queremos? Generais de exércitos derrotados? Ou simplesmente soldados de um esquadrão que continua batalhando?”, questionou.
Até mesmo as homilias são alvos de ataque do papa. “São muitas as reclamações em relação a este importante ministério e não podemos fechar os ouvidos”. Bergoglio insiste que ela [a homilia] não deve ser nem uma conferencia e nem uma aula. “Temos de evitar uma pregação puramente moralista”.
Um ataque especial vai também aos religiosos que não se preparam devidamente para as missas. “Um pregador que não se prepara não é espiritual, é desonesto e irresponsável”, escreveu. Quanto às confissões, o argentino é ainda mais duro: “não se trata de uma câmara de tortura”.
Mulher – O papa volta a defender um maior papel da mulher dentro da Igreja. “Ainda há necessidade de se ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva na Igreja, nos diferentes lugares onde são tomadas decisões importantes”, defendeu. “As reivindicações dos direitos legítimos das mulheres não se podem sobrevoar superficialmente”, apontou.
Bergoglio deixa claro a posição da Igreja contrária ao aborto. “Entre os fracos que a Igreja quer cuidar estão as crianças em gestação, que são as mais indefesas e inocentes de todos, às quais hoje se quer negar a dignidade humana”, escreveu.
“Não se deve esperar que a Igreja mude a sua posição sobre essa questão. Não é progressista fingir resolver os problemas eliminando uma vida humana”, declarou.
Economia – Bergoglio ainda destina uma parte importante de seu texto à situação mundial e não deixa de atacar o modelo econômico que prevalece. “O atual sistema economico é injusto pela raiz”, declarou. “Esta economia mata porque prevalece a lei do mais forte”.
“Os excluídos não são explorados, mas lixo, sobras”, atacou. “Vivemos uma nova tiraria invisível, por vezes virtual de um mercado divinizado onde reinam a especulação financeira, corrupção ramificada, evasão fiscal egoista”. O dinheiro, segundo ele, deve servir, e não dominar.
Para ele, esse modelo estaria promovendo uma “crise cultural profunda” nas familias. “O individualismo pos-moderno e globalizado promove um estilo de vida que perverte os vínculos familiares”, alertou.
O papa ainda apela para que a Igreja não tenha medo de se envolver nos debates políticos e que faça parte da luta por influenciar grupos políticos para garantir maior justiça social. Para ele, os pastores têm “o direito de emitir opiniões sobre tudo o que se relaciona com a vida das pessoas”, escreveu. “Ninguém pode exigir de nos que releguemos a religião à secreta intimidade das pessoas”, declarou.
Sua luta contra a pobreza também fica claro no documento. “Até que não se resolvam radicalmente os problemas dos pobres, não se resolverão os problemas do mundo”, declarou, fazendo um apelo aos políticos. Em seu documento, ele volta a defender os “mais fracos”, os “sem-teto, os dependentes de drogas, os refugiados” e apela a países que promovam uma “abertura generosa” aos imigrantes. Para ele, existem “muitos cúmplices” nesses crimes.
O argentino, porém, não deixa de apelar “humildemente” aos países muçulmanos que garantam a liberdade religiosa para os cristãos, “tendo em conta a liberdade de que gozam os crentes do Islã nos países ocidentais”. “Uma adequada interpretação do Corão se opõe a toda a violência”, defendeu. Bergoglio, porém, insiste na necessidade de fortalecer o diálogo e a aliança entre crentes e não-crentes.

Apesar dos desafios, o papa insiste que os fieis não devem desistir. “Se eu conseguir ajuda pelo menos uma única pessoa a viver melhor, isto já é suficiente para justificar o dom da minha vida”, concluiu.

domingo, 24 de novembro de 2013

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 23 de Novembro: Os pecadores ou as almas? (Parte XXIV)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre




23 de Novembro

AS ALMAS DO PURGATÓRIO NOS AJUDAM


O mérito do sufrágio


Que os sufrágios que prestamos às pobres almas sofredoras do purgatório seja uma obra muito meri­tória e receberá certamente grande recompensa de Deus, nenhum teólogo o contesta. É uma obra de ca­ridade, e Nosso Senhor, que promete recompensa até a um copo de água dado em seu nome, como não há de ser propício a quem socorre as mais miseráveis e infelizes e desprotegidas criaturas: as pobres almas, que nada podem fazer por si para se livrarem dos tormentos a que estão submetidas pela Divina Justiça e dependem da nossa caridade! É certo que as almas libertadas das chamas da expiação, no céu, interce­dem por seus benfeitores, porque estão cheias da Di­vina Caridade e podem, como os Santos, nos valer neste mundo. Portanto, o mérito que adquirimos com a caridade do sufrágio será bem recompensado por­que a ingratidão nunca entrou no céu e as santas almas salvas por nós serão nossas advogadas e tudo farão por nós junto de Deus.

São Francisco de Sales vê no socorro que pres­tamos às almas, todas as obras de caridade. “Não é visitar os enfermos, diz o Santo Doutor, obter por nossas orações o alívio das pobres almas que sofrem no purgatório? Não é dar de beber aos que têm sede tão grande da visão de Deus, dar o orvalho da nossa oração às que estão entre as chamas? Não é dar de comer aos que têm fome, ajudá-las pelos meios que a fé nos oferece? Não é verdadeiramente libertar os prisioneiros? Não é vestir os nus e lhes dar uma ves­te de luz e de glória? Não é dar hospitalidade, dar entrada na Celeste Jerusalém e fazer as almas ami­gas de Deus e dos Santos, fazendo-as moradoras eter­nas da Eterna Sião?” [1].

Ora, se Nosso Senhor declara que no dia de Juízo há de dar o céu e uma grande recompensa às obras de caridade, não há de recompensar generosamente estas obras de caridade para com as benditas almas?

Tem muito mérito o sufrágio, o socorro às ben­ditas almas.

Diz também o piedoso oratoriano Pe. Faber[2], como que comentando São Francisco de Sales: “A principal devoção da Igreja consiste nas obras de mi­sericórdia, e vede como elas se encontram todas reu­nidas na devoção para com os mortos! Ela sacia a fome das almas dando-lhes Jesus, o Pão dos Anjos. Para estancar a sede inextinguível que as devora, apresenta-lhes o Precioso Sangue de Jesus. Dá, aos que estavam nus, a veste da glória. Visita os doen­tes, consola-os e dá-lhes remédios. Livra os cativos de cadeias mais terríveis que a morte e os põe em liberdade celeste e eterna. Acolhe os peregrinos e lhes dá a hospitalidade do céu. Sepulta os mortos no seio de Jesus para que aí gozem o eterno descanso”.

Ó, quando vier o dia de Juízo, felizes os que ti­verem socorrido as pobres almas! Quanto mérito nes­ta obra de caridade — o sufrágio dos mortos!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 22 de Novembro: Os pecadores ou as almas? (Parte XXIII)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre





22 de Novembro

OS PECADORES OU AS ALMAS?


A questão


Levanta-se a questão célebre — o que será mais útil e necessário: rezar pela conversão dos pecadores ou pela libertação das almas do purgatório?

A dizer a verdade, penso que não há escolha en­tre as duas obras. Ambas são necessárias e não é possível que quem ame a Nosso Senhor possa ficar indiferente à sorte de tantos miseráveis pecadores arriscados a se perderem eternamente. Que zelo não precisamos ter pela salvação das almas remidas pelo Sangue de Cristo! “Os pecadores estão arriscados a se perderem, e no caminho da eterna condenação, di­zem, e as almas estão já na segurança do céu. Sob este aspecto parece mais necessária realmente a ora­ção pelos pecadores. Todavia, sabemos que a glória de Deus exige a libertação das pobres almas, almas queridas, cuja sorte depende de nós somente. Que será delas sem nós? O pecador abusa da graça, está no tempo de poder lucrar méritos e graças e não aproveita, põe obstáculo aos nossos esforços, não aproveita muita vez o que fazemos por ele. Pela opi­nião de vários autores piedosos e teólogos, e entre outros o rei dos teólogos, Santo Tomás de Aquino com a sua autoridade de maior Doutor da Igreja, afirma que Deus acolhe com mais fervor a oração que Lhe fazemos pelos mortos do que a que Lhe di­rigimos pelos vivos.

Eis a razão porque às vezes não alcançamos gra­ças por nenhum outro meio senão pelo sufrágio das benditas almas do purgatório. Deus que tanto dese­ja a posse no céu das almas queridas, abençoa mil vezes tudo quanto fazemos por elas. Santo Agosti­nho, outro Doutor da Igreja, diz: “Nada há mais agradável ao Senhor que o alívio dos fiéis defuntos”. E o grande orador sacro Bourdaloue o prova com sé­rios argumentos: “Não há um apostolado mais belo, mais meritório. É mais belo e mais meritório ainda que a conversão dos pecadores, dos infiéis e dos pagãos”.

Trabalhar pelas almas do purgatório é ter a doce certeza de que não trabalhamos em vão, porque nada se perde de nossos sufrágios. Os pecadores resistem à graça. As santas almas aproveitam todos os nossos sufrágios. No purgatório, diz o Pe. Faber, não se co­nhece a ingratidão.

Tudo será retribuído magnificamente um dia aos benfeitores.

O mais prático, então, será trabalharmos com grande zelo pela conversão dos pecadores, fazermos um bom apostolado, um generoso sacrifício para le­var almas a Nosso Senhor e oferecermos todos os méritos desta obra divina, desta obra de caridade es­piritual pelas almas do purgatório. Está solucionada a questão, sem inúteis e sutis discussões. — O mais perfeito e o melhor, é trabalhar pela conversão dos pecadores em sufrágio das almas do purgatório. E em nossas orações fazermos a mesma coisa. Unir nosso grito de compaixão pelas almas sofredoras, ao grito de compaixão pelos pecadores.

PODE O CATÓLICO TRADICIONAL FAZER USO DE QUALQUER VOCÁBULO, MESMO DE TERMOS OBSCENOS OU DE BAIXO CALÃO?








Raphael de la Trinité



‘A LÍNGUA FALA DA ABUNDÂNCIA DO CORAÇÃO’ – EXCERTOS PARA ANÁLISE





Livro do Eclesiástico (cap. 28): "As chicotadas produzem vergões, mas os golpes da língua quebram os ossos... Faze uma porta e fechadura diante da tua boca: Funde o teu ouro e a tua prata e faze com isso uma balança para pesares as tuas palavras e um freio bem ajustado para a tua boca".

"Ouvi, filhos, as regras que vos dou sobre a moderação da língua: aquele que as guardar não perecerá pelos lábios, nem cairá em ações criminosas" (Ecli., 23,7)

"Que as palavras desonestas sejam banidas da vossa boca". (Col. 3-8)

São Tiago: “Observai como uma faísca é capaz de incendiar uma floresta inteira. Ora, a língua, também é um fogo. Como um mundo de injustiça, a língua, instalada entre nossos membros, contamina o corpo inteiro e, alimentada pelo fogo do inferno, inflama o curso da existência”. (Tiago 3, 6-7).

Santo Inácio, mártir, no meio dos seus suplícios, repetia sem cessar o nome de Jesus, e, quando morreu, encontraram este nome bendito gravado no seu coração. Assim, cada um fala voluntariamente daquilo que mais ama: "tal é o coração, tais são as palavras" (São João Crisóstomo). Um modelo acabado de verdadeiro religioso, "Santo Inácio de Loiola, parecia só saber falar de Deus, de tal modo que o tinham cognominado de 'o padre que não tem na boca senão a Deus'" (Santo Afonso Maria de Ligório).


*** * ***




"Se lhe apresentassem à mesa o pão ou qualquer outro manjar, em um prato ou vaso que houvesse servido em coisas que não são para nomear, quanto se indignaria contra o seu criado, por esta grosseria e desatenção! E quem duvida que muito mais repreensível é que a língua de um fiel, que serve de patena ao verdadeiro corpo de Cristo quando comunga, sirva de instrumento a palavras torpes e indecentes? (p. 530)

Quem usa de semelhante linguagem, por mais que se desculpe, dizendo que lhe não entra da boca para dentro, e que é só para rir e passar o tempo, o que dá é claro indício de que o seu interior está corrupto. Porque, oráculo é de Cristo Senhor nosso que a boca fala conforme o de que abunda o coração: Ex abundantia enim cordis os loquitur; e outra vez disse: Que do coração saem os maus pensamentos; e claro é que o que vem à língua, primeiro esteve no pensamento; e ainda Sêneca assentou que o modo com que cada qual fala é o translado ou cópia do seu espírito: Imago mentis sermo est; qualis vir, talis oratio... Logo, quem é acostumado a falar descomposturas, com que verdade afirma que lhe não entram no coração? E se até os sonhos de um adormecido e os delírios de um frenético são ordinariamente das coisas a que a natureza estava acostumada, quanto mais se conhecerá o nosso interior pelas palavras que proferimos, estando em nosso siso e liberdade? (p. 530/531)

Escreve Estrabão que há na Índia um gênero de serpentes com asas como de pergaminho, que, voando de noite, sacodem uns pingos de suor tão pestífero que onde caem causam corrupção. Tais me parecem os que entre conversação soltam palavras e chistes descompostos; que são estes, senão pingos de suor asquerosíssimo, que onde caem geram maus pensamentos e corrompem os costumes dos ouvintes? E se estes são gentes de tenra idade, a corrupção é mais pronta e mais certa, porque meninos são tábuas rasas onde o bem e o mal se pintam facilmente; pelo que mais respeito se deve ter a um menino, para não falar ruins palavras em sua presença, do que a homens de cãs veneráveis, porque estes sabem conhecer e reprovar o mal e aqueles não; neste caso ficará quem falou mal, temeroso de achar repreensão, naquele outro ficará contente de achar imitadores. (Tratado da Virtude da castidade – Padre Manuel Bernardes - II – p. 532.)

"Primeiramente, a matéria das nossas palavras há de ser planaonde não ache tropeços a consciência, e limpa, onde não haja sombras e manchas contra a pureza do coração. Ó grande engano o nosso! Nós não queremos falar coisas boas, e queremos falar bem?"  O valor do silêncio (Padre Manuel Bernardes)

"Sejamos circunspectos antes de falar, e não profiramos uma só palavra sem primeiro a ter pesado, conforme este belo dito de Santo Agostinho: "omnia verba prius veniant ad limam quam ad linguam;" o que não acontece com os que, falando sempre precipitadamente, começam de atirar suas escumas, em vez de chorar o mal irreparável que elas causam. É a necessidade que sente o padre santo, em si mesmo, de dar bom exemplo a todo o mundo por suas conversas, que o leva a regular de tal modo sua língua, que não deixa nunca escapar voluntariamente um só palavra que ofenda o decoro ou uma qualquer virtude, impondo-se pelo cortejo de virtudes, que o acompanha sempre por toda a parte, onde se encontra!"  (O Padre e o bom exemplo, Padre. A.A. Moraes Junior).

*** * ***

OBJEÇÕES:

- "Para este gênero de conversações, a consciência já está formada".
Formada ou deformada?

- "Não podemos, contudo, trazer sempre algodão nos ouvidos".
“Não ter algodão nos ouvidos” quereria dizer alforria para provocar ou alimentar conversações picantes?

- "Com certeza, hão de tachar-me de carola".
Evangelho de São Mateus “Aquele que se envergonhar de Mim diante dos homens, Eu também me envergonharei dele diante do Meu Pai” (10, 33).
Deus há de chamar-lo corajoso. Esse é o soberano juízo.

- "Que pensarão de mim"?
Hão de admirá-lo.



*** * ***



A quem se pede um conselho sério? Ao amigo de farras, emulação no vício ou na pândega? Isso jamais ocorrerá a ninguém com um mínimo de bom senso.

Só pode gozar de credibilidade e juízo quem pratica a temperança verbal. Ao parecer deste, justo e desassombrado, fazendo-se necessário, saberemos recorrer.

Todo ser humano, antes da estima, busca respeito. Ora, só infunde respeito quem demonstra ter juízo. Isso se revela por todo o seu comportamento, mormente pelas palavras.

Eclesiástico XIX, 27: "A veste do corpo, o riso dos dentes e o andar do homem, dão a conhecer o que ele é". 

Se alguém não peca por palavras, é um homem perfeito, diz São Tiago.

Não se conhecem textos na Sagrada Escritura que nos recomendem a melancolia; são muitos, porém, os que nos recomendam a amabilidade e a alegria.

"Fala, pois, muitas vezes de Deus e experimentarás o que se diz de São Francisco  que, quando pronunciava o nome do Senhor, sentia a alma inundada de consolações tão abundantes que até sua língua e seus lábios se enchiam de doçura".

"Regozijai-vos no Senhor, sem cessar: regozijai-vos em alegria". (II Cor. 13-11).

"Andai sempre alegres". (I Tes. 5-16)

"Vosso coração se alegrará e ninguém arrebatará a vossa alegria... Que a vossa alegria seja perfeita". (Jo. 16-22)

"Bem-aventurados os puros" (Ps. 118)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 21 de Novembro: Maria Santíssima, Mãe e Consoladora do purgatório (Parte XXII)



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Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 - 243 pags
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21 de Novembro

MARIA SANTÍSSIMA, MAE E CONSOLADORA DO PURGATÓRIO


Maria pode socorrer as almas



Um dia, escreve Santa Brígida nas suas Reve­lações, disse-me a Virgem Santíssima:

— “Eu sou a Rainha do céu, eu sou a Mãe de misericórdia, e o caminho por onde voltam os pecadores a Deus. Não há pena no purgatório que não se alivie e que por mini não se torne menor do que si o fora sem mim”[1]. Outra vez a Santa ouviu Jesus dizer à sua Mãe: “Tu és minha Mãe, és a Rainha do céu, és a Mãe de mi­sericórdia, és o consolo dos que estão no purgatório e a esperança dos pecadores na terra”[2]. A provi­dencia maternal de Nossa Senhora se estende sobre seus filhos na terra e no purgatório. Ela nos socorre e ajuda até depois da morte nas chamas expiadoras. É uma verdade de fé que as almas do purgatório po­dem ser não só aliviadas em seus padecimentos, mas até libertadas das chamas expiadoras pelas orações, sa­tisfações e boas obras, e pelo Santo Sacrifício da Missa, enfim, pelos sufrágios dos vivos. Todavia, a Igreja nada definiu sobre o socorro que possam os Santos do céu dar às almas padecentes. Não houve necessi­dade de uma definição, porque o que os hereges con­testaram desde Lutero principalmente, foi o sufrágio dos vivos e até a existência do purgatório. Quem en­tretanto pode negar que a Igreja triunfante possa au­xiliar a Igreja padecente?

Segundo Santo Tomás de Aquino, duas coisas concorrem para que o sufrágio dos vivos aproveitem aos mortos: a caridade que une a todos, e a intenção que tem eles de socorrer os mortos. Quanto ao pri­meiro, nenhum meio existe maior de um vínculo de caridade que o Santo Sacrifício da Missa, o Sacra­mento que é o vínculo dos fiéis da Igreja. Quanto à outra, a oração, tem a vantagem de levar nossa in­tenção diretamente a Deus quando se invoca a Divina Misericórdia.

Ora, quem pode negar que os Santos do céu já purificados, possuam a caridade em estado de perfei­ção na glória e a intenção reta de ajudar às benditas almas sofredoras? Quem melhor do que eles conhece o sofrimento daquelas almas? Não há dúvida, os San­tos na glória podem e socorrem as almas do purga­tório. Quanto mais a Rainha dos Santos!

Contestaram alguns com subtilidades teológicas que Maria nada poderia fazer pelas almas entregues à Justiça Divina no purgatório. “Alguns autores, diz o piedoso Pe. Faber, pretendem que a Santíssima Vir­gem não pode ajudar as almas do purgatório senão de uma maneira indireta, porque não está mais em esta­do de satisfazer por elas. Não gosto de ouvir isto. Não gosto que falem de uma coisa que nossa terna Mãe não possa fazer”[3].

Pois se Maria tem todo poder no céu e na terra, se é Mãe dos remidos, Mãe de Deus, não há de poder socorrer como e quando queira os seus filhos da Igre­ja padecente?

Sim, não há teólogo seguro que o conteste, e a tradição de tantos séculos confirma esta consoladora verdade: Maria socorre seus fiéis servos depois da morte. Estende até o purgatório seu manto prote­tor de Mãe e Refúgio dos pecadores.

Jovens rezam o terço e interrompem cerimônia inter-religiosa na Catedral de Buenos Aires. Papa Francisco lamenta “fanatismo”


Um grupo de jovens católicos argentinos, formado principalmente por fiéis da Fraternidade São Pio X, repetiu o ato ocorrido em 2010 na Catedral de Paris e interrompeu, no último dia 12, uma liturgia inter-religiosa entre católicos e judeus na Catedral Buenos Aires. A cerimônia recordava a Kristallnacht e ocorre há mais de uma década na capital argentina, sendo, até o ano passado, organizada sob o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio. As informações são de Página Católica - tradução de Fratres in Unum.com
Anúncio da cerimônia de 2012.
Anúncio da cerimônia de 2012.
Quando o padre Fernando Gianetti, guru e executor há quinze anos do projeto que agora chega ao seu cume, dirigia as palavras de início da liturgia comemorativa da Kristallnacht, começou-se a ouvir suave, mas firmemente, o desfiar das contas do Santo Rosário nas vozes de cinquenta jovens situados na parte central da Catedral da Santíssima Trindade.
Dois quase garotos se dirigiram até o presbitério, onde oito líderes religiosos (dois a mais do que no ano passado), estavam de pé, à direita e à esquerda do arcebispo de Buenos Aires, D. Mario Aurelio Poli.
Após fazer uma genuflexão, um deles deles lhe entregou um papel e ambos fizeram que o mesmo chegasse aos demais.
Os gestos de agradável surpresa que ao receber o escrito tomavam as faces, foram se transformando em sorriso nervoso na medida que o sentido da visão informava ao cérebro o conteúdo da missiva. 
Nesse instante, uma pessoa subiu ao presbitério e, colocando-se próximo aos microfones, dirigiu a seguinte mensagem:
“Pedimos a todos, por favor, que tenham em consideração que este é um tempo católico e que este é um ato de profanação que deve ser evitado. Não temos problemas com as recordações históricas que se realizam em locais históricos. No templo santo de Deus, onde vive o Santíssimo, não pode haver uma profanação; e os que conhecem (aqui o microfone foi cortado) as religiões sabem que as profanações ofendem o mundo e a Deus… Diante do Nazareno e diante do Crucificado. Vão [embora] e acabem com esta profanação. Não é possível. Rezem o rosário e honrem a Deus”.
O arcebispo pediu, através do padre Gianetti, que os jovens que estavam rezando o Rosário se retirassem. O que gerou um aplauso, a partir do qual o ruído intenso se instalou dentro da catedral e que durou quase meia hora. Era o ruído das repreensões e diatribes dirigidas aos jovens que rezavam sem revidar.
Algumas pessoas encostavam nos jovens orantes, alguns para tentar convencê-los a ceder em seu empenho, outros para insultá-los com os mais duros epítetos: loucos, fundamentalistas, reacionários, nazistas.
Outro chegando à agressão física, como um devoto de quipá que hostilizou longamente pelas costas a um dos sacerdotes que acompanhavam o grupo:
Mas pareceu particularmente surpreendente o furor demonstrado pelo deputado Eduardo Amadeo, que dizem ser pertencente à Comunidade de Santo Egídio, que realizou atos que podem ser considerados intimidatórios, como tirar repetidas fotografias a poucos centímetros de cada rosto, gritar com uma criança, ao mais caro estilo dos serviços de inteligência: “De que colégio são, de que colégio são?”, ou gritar a alguns adolescentes: “Miseráveis nazistas”. Como é possível que um homem que ocupa tão elevado cargo chegue a esse extremo?
[...]
Pois é necessário advertir aqui que os convidados, tanto cristãos dissidentes como judeus, caíram sem querer no meio de uma discussão interna da Igreja. Debate tão intenso e agudo que está chegando à configuração de dois “partidos”, com doutrinas e liturgias diferentes, que são cada vez mais estranhos um ao outro. Um é o da Igreja das promessas, e outro é o da “igreja” da publicidade, como as chamou há muitos anos o padre Meinvielle, mestre do atual arcebispo de Buenos Aires.
Uma acredita, como acreditou invariavelmente desde o início, que o único caminho de salvação é o Batismo; pois o mesmo Mestre o ensinou infalivelmente: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todos os homens. Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer se condenará” (Mt: 16, 15).
Apesar destas palavras, contra as quais nada há a fazer, e do dogma antes referido, “fora da Igreja não há salvação”, a igreja da publicidade desenvolveu nos fatos a doutrina não escrita das múltiplas vias de salvação. Cada um se salva em sua religião e ainda, por que não, sem crer em Deus. O que é absolutamente condenado pela doutrina católica.
Os convidados do Arcebispo de Buenos Aires mereciam ser recebidos com respeito e cordialidade; mas o erro consistiu em convidá-los para a realização de uma liturgia acatólica, que de modo algum pode ser celebrada em uma Igreja, a não ser que pertença… à igreja da publicidade.
É certo que um judeu ortodoxo compreenderia muito bem que um católico não aceite uma liturgia inter-religiosa, pois ele tampouco a aceitaria. Mas a maioria dos convidados do sr. Arcebispo pertenciam ao reformismo judeu, que pensa diferente.
Seria conveniente desculpar-se junto a eles pelo mal pedaço, tentando fazer-lhes compreender que, in extremis, o respeito aos direitos de Deus está acima dos respeitos humanos.
Continuando a nossa crônica, os jovens da Catedral terminaram o Santo Rosário, apesar da pressão ao seu redor, e depois, se retiraram por iniciativa própria, e não pela força policial, como disseram alguns meios.
Ocorreu inclusive o milagre de que o Pe. Gianetti, pedindo a paz aos presentes desde o ambão da catedral, rezasse algumas Ave Marias no microfone, o que não estava previsto na Liturgia de Comemoração.
Esta liturgia, já o dissemos, é evidentemente religiosa, com o acréscimo de que nela subjaz a idéia herética de que o holocausto pode ser equiparado ao Sacrifício da Cruz, um para a salvação dos judeus e outro para a dos cristãos; por isso alguns pensadores a chamam de heresia Judaico-Cristã.
Idéia que se evidencia na análise dos textos empregados, mas que nem todos podem captar. Não nos equivocaríamos demais se pensássemos que a maioria das pessoas que estavam na Catedral não são conscientes desta realidade, que torna totalmente inaceitável essa realização litúrgica no lugar santo.
Ao retomar a cerimônia, após a oração do Rosário rebelde, o Arcebispo de Buenos Aires disse que a celebração da liturgia “é o que quer o Papa”. 
Em declarações divulgadas hoje pelo diário argentino La NacionClaudio Epelman, diretor executivo do Congresso Judeu Latino-americano, relatou as palavras do Papa Francisco em encontro do qual participou, ontem, no Vaticano, juntamente com líderes das principais religiões na América Latina. Segundo Epelman, o Papa ”citou o ocorrido na Catedral como um ato de fanatismo. Disse que a agressão não pode ser um ato de fé e que a pregação da intolerância é uma forma de militância que deve ser desterrada”. O líder judeu contou que, após a apresentação de cada um, “o Papa tomou a palavra e se referiu à importância do trabalho inter-religioso e logo ao fundamentalismo religioso, e recordou o episódio da Catedral Metropolitana”. E relatou as seguintes palavras do Papa: “A única coisa com que devemos ser intolerantes é com a cultura do paganismo em termos de modernidade”, e citou o valor que se dá ao dinheiro. Esteve presente também no encontro o Cardeal brasileiro Dom Raymundo Damasceno Assis.
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