sábado, 20 de setembro de 2014

Putin ameaça invadir Polônia, Romênia e países bálticos, diz jornal alemão


DESTAQUE

Caso Putin avance com as ameaças, o Reino Unido pode entrar em guerra com a Rússia, avança o Telegraph. Todos os países nomeados por Putin estão cobertos pela garantia de segurança da NATO, que diz que “um ataque a um dos países é um ataque a todos”. No início do mês, o presidente dos Estados Unidos da América confirmou o compromisso com esta doutrina num discurso em Tallinn.


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A notícia foi avançada pelo jornal alemão Suddeutsche Zeitung, que refere que a ameaça foi feita por Vladimir Putin ao presidente ucraniano PetroPoroshenko, numa conversa privada, pelo telefone.

É a primeira vez que Putin ameaça invadir países membros da NATO ou da União Europeia, diz o The Telegraph. AFP/Getty Images.




















Por Ana Pimentel

O presidente russo Vladimir Putin ameaçou invadir a Polónia, Roménia e os países bálticos numa conversa privada com o presidente ucraniano PetroPoroshenko, diz o The Telegraph. A notícia foi avançada pelo jornal alemão SuddeutscheZeitung esta quinta-feira e, a ser verdade, é a primeira vez que Putin ameaça invadir países membros da NATO ou da União Europeia.

“Se eu quiser, em dois dias tenho tropas russas não só em Kiev, como em Riga [Letónia], Vilnius [Lituânia], Tallin [Estónia], Varsóvia [Polónia] e Bucareste [Roménia]“, disse alegadamente Putin ao presidente ucraniano, segundo o jornal alemão.

Caso Putin avance com as ameaças, o Reino Unido pode entrar em guerra com a Rússia, avança o Telegraph. Todos os países nomeados por Putin estão cobertos pela garantia de segurança da NATO, que diz que “um ataque a um dos países é um ataque a todos”. No início do mês, o presidente dos Estados Unidos da América confirmou o compromisso com esta doutrina num discurso em Tallinn.

No início de setembro, Vladimir Putin também disse ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso que, se quisesse, poderia tomar a capital ucraniana em duas semanas, segundo o jornal italiano La Repubblica. Depois de Putin ter ameaçado divulgar a conversa toda, Durão Barroso veio a público lamentar que a conversa privada com o presidente russo tenha sido divulgada de forma “distorcida” e “fora do contexto”.

Segundo a publicação alemã, Durão Barroso ter-se-á encontrado com o presidente ucraniano Poroshenko na semana passada, onde terá surgido a divulgação sobre a ameaça decorrente das conversas que os líderes dos dois países tiveram durante o cessar-fogo. 

Além de ameaçar com a invasão de mais países, Putin alertou o presidente ucraniano para que não tenha “muita fé” na União Europeia, porque a Rússia poderia exercer a sua influência e lançar uma “minoria de bloqueio” entre os Estados membros.

Os países bálticos estão particularmente nervosos com as intenções da Rússia, mas o presidente norte-americano Barck Obama tentou tranquilizá-los com o discurso que fez em Tallinn no início do mês, dizendo que a NATO “está com a Estónia, com a Letónia e com a Lituânia”.

Comissão Europeia não confirmou nem negou se é verdade que Durão Barroso se reuniu com Poroshenko. “O que importa para a Comissão e para a União Europeia é contribuir para que haja uma paz duradoura, estabilidade e prosperidade na Ucrânia”, disse Pia Ahrenkilde Hansen, porta-voz da Comissão Europeia.

O presidente ucraniano PetroPoroshenko reuniu-se esta quinta-feira com Barack Obama na Sala Oval da Casa Branca, para pedir mais assistência militar norte-americana na luta contra os rebeldes russos, segundo a Fox News.

“A imagem do presidente Poroshenko sentado na Sala Oval vai valer mais do que mil palavras – em inglês e em russo”, disse Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca.



Fonte: Observador

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

‘Humanitarismo’ de Putin é pára-vento para a invasão da Ucrânia


DESTAQUE

A OTAN, por fim, reconheceu como indubitável a participação de unidades do exército russo em ações de guerra na Ucrânia.
Vladimir Putin revidou ameaçador: “Eu quero lembrar-vos que a Rússia é líder em poder nuclear”, segundo The Telegraph.
Pego numa série de imoralidades e falsos de envergadura, o líder da “nova-URSS” respondeu acenando com o crime máximo do extermínio nuclear.

Putin está se mostrando tão “sinceramente humanitário” quanto “autenticamente cristão” e “familiar”, enquanto é flagrado em manifestos embustes.


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Luis Dufaur



Vladimir Jirinovsky discursa sob o olhar aprobativo de Putin

“Temos de atacar a Polônia e os Estados bálticos nos lugares em que há mísseis e aeronaves da OTAN.
“Não podemos permitir que um avião decole e ataque a Rússia, por isso temos de atacar primeiro e impedir com meia hora de antecedência qualquer movimentação de aeronaves. E para certificarmo-nos, faremos bombardeio de saturação.
“A América não é uma ameaça, mas os estados anões da Europa cessarão de existir. Eles serão varridos.
“E então a OTAN terá de implorar a nós por negociações, caso contrário daremos a eles novamente um Maio de 45.”
Estas delirantes ameaças foram formuladas por Vladimir Jirinovsky vice-presidente da Duma, o Parlamento russo sempre submisso à vontade do chefe do Kremlin.
Elas foram emitidas durante uma entrevista a uma rede de televisão russa em 08/08/2014 e traduzidas pelo geopolítico americano Jeffrey Nyquist.

Vladimir Jirinovsky não pertence ao partido “Rússia Unida” de Vladimir Putin. Tem seu próprio partido que ostenta um nome de tapeação: Partido Liberal Democrata da Rússia (LDPR) e possui a terceira maior bancada da Duma.

Aperto de mãos de Putin na reunião de Minsk
não convenceu ninguém.

Na realidade é porta-voz das bravatas nacionalistas mais extremadas. Aquelas que por cautela o senhor do pensamento único da “nova-URSS” não pronuncia, mas que gosta ver que outros o façam.
Jirinovsky aquece o nacionalismo do qual vive Vladimir Putin. Mas, suas palavras são a tomar com cautela mas com desconfiança.
Enquanto escrevo as presentes linhas, diversas fontes informativas da Internet noticiam que o secretário geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen, em entrevista ao jornal alemão‘SüddeutscheZeitung’ fez uma clara advertência a Putin.
“Todo potencial agressor deve saber que pensando atacar a um aliado da OTAN não só encontrará os soldados do país em foco, mas também tropas da OTAN”, disse segundo El Mundo.

Segundo o mesmo jornal a OTAN prepara unidades de intervenção imediata na Polônia, Estônia, Lituânia e Letônia, para “possibilitar uma intervenção mais rápida em caso necessário”, considerando as ameaças da Rússia aos países vizinhos.

“Em caso de agressão, poderíamos intervir em questão de horas”, acrescentou Rasmussen.
A Lituânia tinha solicitado o incremento da presença da aliança atlântica em seu país considerando a provocativa movimentação de tropas russas perto de sua fronteira.
No sul, “duas naves da OTAN vão entrar no Mar Negro no dia 3 de setembro, o destrutor americano ‘USS Ross’ e a fragata francesa ‘CommandantBirot’”, noticiou contrariada a agência moscovita RiaNovosti.

O presidente Obama, por sua vez, responsabilizou a Rússia pela guerra na Ucrânia e acusou Putin de “mentir”, segundo 20minutes.fr.

No front ucraniano a hipocrisia deixou lugar ao cinismo. Após o “comboio humanitário” enviado por Putin como cortina de fumaça da invasão militar operada nos últimos dias; a negação da entrada de qualquer tropa russa violando a fronteira ucraniana seguida da prisão de mais de dez paraquedistas russos exibidos à imprensa mundial que Moscou qualificou de apenas um “equívoco”, tirou as últimas aparências de credibilidade dos líderes do Kremlin.

A OTAN, por fim, reconheceu como indubitável a participação de unidades do exército russo em ações de guerra na Ucrânia.
Vladimir Putin revidou ameaçador: “Eu quero lembrar-vos que a Rússia é líder em poder nuclear”, segundo The Telegraph.

Pego numa série de imoralidades e falsos de envergadura, o líder da “nova-URSS” respondeu acenando com o crime máximo do extermínio nuclear.

Putin está se mostrando tão “sinceramente humanitário” quanto “autenticamente cristão” e “familiar” enquanto é flagrado em manifestos embustes.

Fonte: IPCO

domingo, 14 de setembro de 2014

Viva Putin 'cristão'
































Por Raphael de la Trinité



Repete-se todo o esquema da Segunda Guerra Mundial.


Como Hitler é contra as 'democracias liberais' e a 'ordem mundial capitalista', é preciso [SIC!] apoiá-lo, ainda que isso redunde num favorecimento do comunismo. Já naquela época, Hitler dizia (Goëring e outros, também) que o comunismo aplainara o caminho, fora uma preparação para o nazismo. Hitler foi muito claro a respeito: 'Para que precisamos nós socializar os bancos e as fábricas? Socializamos os homens’ (Adolfo Hitler, apud Hermann Rauschning, ‘Hitler m´a dit’, Coopération, Paris 1939, pp. 218-219). Mesmo assim, legiões de pessoas que se afirmavam anticomunistas, sem pestanejar, entoavam a cantilena suicida: Hitler é a solução!

Também o Führer, naqueles idos, era visto como uma espécie de ‘novo’ Carlos Magno. Afinal, defendia a 'ordem', falava em deus, reportava-se às religiões da suástica (alguns altos dignitários foram iniciados nos cultos tibetanos) e nos brumosos mitos pagãos do Valhalla (mais ou menos como, hoje, Putin dá a entender que pretende restaurar o 'passado mítico' russo). Mais. O Führer acenava para a volta da monarquia alemã, criticava a 'degeneração moral' do Ocidente (embora as SAsNazistas, de Ernst Röhm, fossem uma pepineira de arruaceiros homossexuais, que Hitler houve por bem, para efeito de propaganda, extinguir depois, via massacre programado) e tivesse assinado uma Concordata com a Igreja Católica (que, tão logo quanto possível, violaria de forma acintosa, perseguindo violentamente os católicos).

Inovando pouco em relação ao quadro da Segunda Guerra Mundial, também agora Putin se apresenta como um velho 'cristão', meio disfarçado nas ‘operosas’ fileiras da KGB... Aliado, pois, da 'renovada' Igreja autodenominada ortodoxa russa, que, sem muitos disfarces, fez aliança aberta com os comunistas, após a Revolução bolchevista de 1917, e que, servindo docilmente aos manejos publicitários de Moscou, durante décadas atou como força-auxiliar, quase um departamento de propaganda estatal do regime comunista...

A História se repete.

'Nada há de novo sob o sol' (Eclesiastes).

A História é 'mestra da vida'. Enquanto os inteligentes aprendem, os recalcitrantes reproduzem as mesmas lengalengas que já iludiram tantos.

Muito procedente, nessa direção, o comentário do conhecido pensador espanhol Donoso Cortéz: 'o espírito humano tem sede do absurdo e do ridículo'.

Quanto à surrada balela de que a Rússia soviética teria tido um papel heroico na celebrada resistência russa diante do avanço nazista, existe argumentação borbulhante em sentido contrário.

De fato, não fosse pelo apoio descarado do Ocidente, pela entrega de armas, dinheiro e toda espécie de apoio logístico do Ocidente aos ‘aliados’ comunistas (traição manifesta de Churchill, Roosevelt e outros), desde o início da Segunda Guerra, muito provavelmente, a URSS teria sido, sem muito tardar, carta fora do baralho. Manifestação inconfundível dessa inépcia do Exército Vermelho (que sofrera colossais expurgos de seus melhores quadros, por parte do Partido comunista): a imensa dificuldade que experimentara a URSS de Stalin, em 1939, para subjugar... a Finlândia do general Mannerheim!

O próprio tirano vermelho, anos depois, quando houve um avanço decisivo dos alemães, chegou a acreditar que seria deposto por outros comunistas, menos poltrões e fracassados do que ele. E, fazendo jus aos artifícios de sempre, quando as tropas alemãs estavam perto de Moscou, despudoradamente, foi à rádio e fez um apelo: 'Meus filhos, salvemos a SANTA Rússia!'

Nessa mesma ocasião e em circunstâncias sucessivas, lançou toda espécie de promessas lisonjeiras: liberdade, eleições, e assim por diante. Enquanto isso, as populações do Leste aclamavam as tropas alemãs como libertadoras do domínio comunista.

Entretanto, em face das atrocidades inomináveis perpetradas pelos nazistas — os quais intentavam uma espécie de extermínio dos eslavos, tidos por eles como 'raça inferior' —, que se poderia esperar da população, senão que resistisse? Entre dois fogos ou dois déspotas sanguinários, melhor ficar com o da própria raça, sem dúvida... Numa carta, Rosenberg denunciara a absurda política autodestrutiva adotada por Hitler.

Se, pelo contrário, nas regiões da URSS que estavam sendo 'libertadas', Hitler tivesse formado governos provisórios e tratado bem as populações locais, é inconteste que teria levado de roldão Stalin e apaniguados. Mormente, ao que se crê, caso tivesse desferido desde logo ataque decisivo contra Moscou, não se deixando envolver nas malhas de Stalingrado (conforme opinam não poucos estrategistas e estudiosos do assunto).

Stalin chegou a pensar em fugir de Moscou, e criar um governo fantoche num local remoto da Rússia. Por um triz não se concretizou o plano, que poderia haver determinado a debacle do colosso soviético.

TUDO ISSO APARECE DOCUMENTADO, PROCEDENTE ATÉ DOS ARQUIVOS QUE VIERAM A LUME DEPOIS DA IMPLOSÃO DA RÚSSIA SOVIÉTICA (1989). Há uma literatura tão farta sobre isso, que nem haveria tempo para transcrever aqui.

De forma exemplificativa, citemos um livro, dentre dezenas de outros, que demonstram à saciedade o que está referido acima: 'Stálin, os Nazistas e o Ocidente — a Segunda Guerra entre duas paredes', Laurence REES, Larousse do Brasil, São Paulo, 2009.

Apesar disso, eximindo-se da responsabilidade de se informar, estudar e analisar os acontecimentos, adeptos da hilariante (tragicômica) ‘mise-en-scène’ Viva Putin 'cristão' irrompem desinibidos. Simplesmente difundem chavões, ditos primários e grosseiros, fazem propaganda tosca e inconsequente do que apregoam ser a nova 'anti' ordem mundial — algo que, reduzido a miúdos, não é muito diverso do mesmo conluio de sempre, em prol da república universal, talvez com tintura ou verniz um pouco diverso daquilo que é propalado sob a expressão de 'homem pardo da ONU', conforme o figurino traçado e até aqui vigente.

É possível não perceber que, fundamentalmente, caminham em direção ao mesmo objetivo, apenas com um ziguezague pelo misticismo 'esotérico' de Hitler e apaniguados — desta feita, sob uma exuberante roupagem, colhida talvez das estepes russas? Dugin, Soral, e outros, sem pejo nem meias-medidas, chegam a falar em 'nacional-comunismo'...

Também na época de Hitler dicotomia análoga estava na ordem do dia: enquanto os comunistas falavam em 'luta de classes', os alemães do Terceiro Reich trombeteavam em favor da 'luta de raças'... ‘Grande’ diferença!...

Agora, tendo o comunismo caído de podre, os mentores do chamado pós-comunismo resolveram caiar a parede da casa: que tal uma pitada de religiosidade pelo meio?

Por que, afinal, não trocar o grosseiro materialismo das origens — seco, árido, espinhoso, cruel e assassino —, por uma demão de 'tradicionalismo esotérico'? Não ficaria, assim, mais ‘palatável’ (como se diz comumente), bem mais fácil de digerir, uma pílula furta-cor, qual seja a de um remanejado‘comunismo-religioso’?

Nada do que se afirma aqui é elaboração fátua ou conjetura em torcicolo. Basta pesquisar e confrontar documentos com as realidades de ontem e de hoje — desde que esse cotejo seja feito sem facciosismos nem preconceitos, é claro.

Onde buscar a fórmula? No Ocidente, ninguém duvida de que a Teologia da Libertação (a qual, conforme definiu o ex-frei Boff, é ‘marxismo na Teologia’) constitui o modelo ou parâmetro ideal para isso. Por que não estender aos Urais essa convidativa e desconcertante simbiose comunista-cristã?

No dolorosíssimo caso da Rússia, tendo sido a população aparvalhada e robotizada por décadas de doutrinação ateia, que de melhor do que lhes proporcionar alguma ilusão de ordem mística, dado que o povo é altamente sentimental e fatalista? Sim, no fundo, anseiam por um Czar, isto é, por alguém que simbolize aquela legitimidade que lhes foi roubada após o satânico massacre da Família Imperial russa.

Por que, então, não excogitar uma figurinha da KGB travestida de 'czar pós-moderno', arauto das 'antigas tradições’, cultivadas com esmero pelos velhos camponeses russos? Nada como um bom tempero para uma comida requentada há décadas, que já ninguém conseguia deglutir...

Dado que, obviamente, os arautos da hilariante (tragicômica) ‘mise-en-scène’ Viva Putin 'cristão' se acham desprovidos de argumentos concludentes, pois diametralmente oposto à evidência dos fatos, como respondem ao serem interpelados? Ficam apenas em acrobacias ou piruetas de linguagem, que a ninguém convence.

A isso se circunscreve o ‘debate'.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Escrever bem é ter o que dizer. E vice-versa


DESTAQUE


A própria facilidade com que mimetizava tantos estilos parecia então uma prova de que eu não tinha “nada a dizer”. Dominava o como – os muitos comos! –, mas era tudo oco, casca vazia. E por que não seria? Minha vida, em termos objetivos, era comum, razoavelmente feliz, e naquilo que não era feliz vinha a ser mais comum ainda. Claro que, se um dia eu chegasse a publicar alguma coisa, não faltariam críticos para apontar o vácuo gritante: “Ele escreve bem, mas não tem o que dizer!”.

Tem-se tornado mais arraigada do que nunca a ideia de que a arte é apenas um veículo, entre outros, de significados sociais preexistentes. Em vez de reconhecer seu núcleo irredutível, tratando-a como um valor em si...

Tal ideia contém o germe da negação da arte, do obscurantismo absoluto, mas cada vez mais tem passado por avançada e chique.

Ocorre que o conteúdo, pouco importa se vivido, imaginado, sonhado ou lido, só existe através da forma e como expressão dela. Se alguém não sabe escrever, não tem o que dizer, e vice-versa. O quê da literatura é fundamentalmente literário.


*** * ***






“Fulano escreve bem, mas não tem o que dizer.” Não lembro onde li essa frase, muito tempo atrás – provavelmente numa resenha ou quem sabe em duas ou três, pois a verdade é que se trata de um semiclichê crítico. Junto com seu autor ou autores, minha memória deixou de registrar também o alvo ou os alvos da diatribe. Foi a frase em si que passou a me assombrar de tempos em tempos em meus primeiros anos de escritor tateante, como se expressasse uma advertência severa e uma verdade terrível.

Então não bastava aprender a escrever? Era preciso também ser possuidor de uma qualidade mais misteriosa, talvez inata, certamente existencial, quem sabe política, que parecia tão fugidia quanto assustadora? Eu acreditava levar jeito para aquela coisa de fazer literatura, sentia que as palavras me mostravam alguma obediência, mas… teria o que dizer? E como uma pessoa que não tem o que dizer descobre, inventa, encomenda, pega emprestado, vai à luta de algo para dizer?

Levou tempo para que eu descobrisse estar diante de uma questão falsa. Saber escrever e ter o que dizer são rigorosamente a mesma coisa, ou melhor, não existe na literatura – ou em arte alguma – a possibilidade de separar “como dizer” e “o que dizer”. Ou se tem o pacote completo ou não se tem nada. Mas essa sabedoria ainda estava distante para quem, batendo cabeça entre admirações contraditórias, passava pela fase da imitação.


Enquanto eu tentava tomar posse do estilo deste ou daquele autor admirado, hoje seco feito Hemingway e Hammett, amanhã barroco e rosiano, uma semana às voltas com doudos pontos-e-vírgulas colhidos em Machado, na outra cuspindo gírias e palavrões coletados em João Antônio e Rubem Fonseca, um dia cronista cômico, no outro mais pesado que um Dostoievski de ressaca – enquanto eu brincava assim, com a maior seriedade, era talvez inevitável que me assaltasse de vez em quando uma dúvida aterradora.


Quando a insegurança batia mais forte, eu era dominado pela suspeita de ser um Zelig* das letras. A própria facilidade com que mimetizava tantos estilos parecia então uma prova de que eu não tinha “nada a dizer”. Dominava o como – os muitos comos! –, mas era tudo oco, casca vazia. E por que não seria? Minha vida, em termos objetivos, era comum, razoavelmente feliz, e naquilo que não era feliz vinha a ser mais comum ainda. Claro que, se um dia eu chegasse a publicar alguma coisa, não faltariam críticos para apontar o vácuo gritante: “Ele escreve bem, mas não tem o que dizer!”.


Devo ter perdido um bom punhado de horas de sono com isso. Sim, eu sei: é ridículo. Mas não me parecia ridículo na época e duvido que pareça ridículo hoje a muitos jovens que decidem se aventurar na literatura.
Tem-se tornado mais arraigada do que nunca a ideia de que a arte é apenas um veículo, entre outros, de significados sociais preexistentes. Em vez de reconhecer seu núcleo irredutível, tratando-a como um valor em si, preferimos admitir que sua linguagem pode até ser sofisticada, para não dizer elitista, mas acreditamos que o que importa mesmo é seu conteúdo, sua “mensagem”. E que aquilo que ela diz poderia ser expresso de outras formas – sociológica, política, crítica, panfletária, jornalística, histórica – sem perda de valor. Tal ideia contém o germe da negação da arte, do obscurantismo absoluto, mas cada vez mais tem passado por avançada e chique. O século XX nos conduziu do pântano do esteticismo ao abismo do filistinismo.

Até conselhos bem intencionados como “Escreva sobre o que você conhece bem” e “Viva primeiro, escreva depois” reforçam a ideia de que para escrever literatura que preste é preciso desembarcar nela, como um viajante consumista voltando de Nova York, com uma bagagem recheada de valiosas “mensagens”. Tais conselhos podem ter sua utilidade, pois viver é sempre bom, mas artisticamente são furados. Fundam-se na supervalorização de um certo conteúdo – no caso, a experiência vivida – sobre a forma.
Ocorre que o conteúdo, pouco importa se vivido, imaginado, sonhado ou lido, só existe através da forma e como expressão dela. Se alguém não sabe escrever, não tem o que dizer, e vice-versa. O quê da literatura é fundamentalmente literário.


*Zelig é um filme de Wood Allen de 1983

Fonte: Todo Prosa

Milicianos da 'República Popular de Donetsk' beijam ícone de Putin. Um cristianismo adulterado, posto a serviço de uma ambição anticristã



DESTAQUE
Vladimir Putin “brinca com fogo” no leste da Ucrânia, escreveu o filósofo francês Bernard-Henri Lévy para o “The New York Times”.
“A esse mundo do crime soturno, sem estrutura ou disciplina, a esses baderneiros indômitos que só conhecem a lei da selva e constituem um novo estilo de tropa sem uma mínima ideia da guerra, cujas leis, Deus é testemunha, desconhecem em absoluto, a essa coleção heterogênea o presidente Putin entregou um arsenal aterrador, com o qual esses soldados amadores não estavam familiarizados e com o qual vêm brincando como crianças com fogos de artifício.
“A Rússia distribuiu grandes quantidades de armamento pesado aos separatistas e os treinou para utilizar o sistema de mísseis SA-11, do gênero que se acredita ter sido empregado para derrubar o voo MH 17 da Malaysia Airlines”.
Quando escreveu isso, Lévy não pensava na América Latina e no quanto certas gangues e/ou organizações criminosas de narcotraficantes ou de ideologias social-progressistas estão predispostas a tentar em nossos países análogas ‘proezas’ anárquicas, seguindo o modelo de Putin.

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Putin, o “espírito de Munique”  e a tragédia prevista em Fátima



Milicianos da 'República Popular de Donetsk' beijam ícone de Putin. Um cristianismo adulterado, posto a serviço de uma ambição anticristã.


Vladimir Putin “brinca com fogo” no leste da Ucrânia, escreveu o filósofo francês Bernard-Henri Lévy para o “The New York Times”. Lévy criou a imagem de pensador radical da esquerda chique, não podendo ser tido como um conservador ou direitista.

Na teoria Lévy não está tão longe do pensamento que justifica Putin, porém na prática está espantado com os crimes que estão sendo cometidos até com ar de "cristianismo" pelo chefe do Kremlin.

Para ele, Putin “mobilizou os piores elementos existentes na região: criminosos, ladrões, estupradores, ex-presidiários e vândalos e os transformou numa força paramilitar”.

Os comandantes que seguem as instruções de Putin devem matar ou afugentar intelectuais, jornalistas e autoridades morais em Donetsk e Lugansk, acrescenta o filósofo, que entretanto omite a perseguição anticatólica e contra todo religioso não submisso ao Patriarcado de Moscou.

Para Lévy, as milícias separatistas pró-russas constituem um exército de agitadores que toma conta e destrói prédios públicos, hospitais, escolas e prefeituras do país que pretende liberar.

Segundo o autor, Putin permitiu a consolidação de “uma verdadeira guerra de gangues”, que em certa medida ele não controla plenamente, pois umas se voltaram contra as outras numa anarquia que faz pensar nos piores momentos do caos feudal.

 
Mercenários em estado de ebriedade se gabam de matar ucranianos



“A esse mundo do crime soturno, sem estrutura ou disciplina, a esses baderneiros indômitos que só conhecem a lei da selva e constituem um novo estilo de tropa sem uma mínima ideia da guerra, cujas leis, Deus é testemunha, desconhecem em absoluto, a essa coleção heterogênea o presidente Putin entregou um arsenal aterrador, com o qual esses soldados amadores não estavam familiarizados e com o qual vêm brincando como crianças com fogos de artifício.

“A Rússia distribuiu grandes quantidades de armamento pesado aos separatistas e os treinou para utilizar o sistema de mísseis SA-11, do gênero que se acredita ter sido empregado para derrubar o voo MH 17 da Malaysia Airlines”.

Lévy tenta imaginar a gangue vitoriosa comemorando seu troféu, os oficiais russos destinados pelo Kremlin para supervisionar esses mísseis, e a consternação destes quando o autoproclamado ministro da Defesa da República de Donetsk se atribuiu a responsabilidade de abater um avião militar ucraniano que acabou sendo o MH-17.


 
Fivela de mercenário pró-Putin

O filósofo verbera com paixão a atitude dos pró-russos que deixaram os corpos das vítimas abandonados nos campos ou amontoados em vagões mal refrigerados, que exportaram para a Rússia restos possivelmente comprometedores, e pilharam os objetos de valor dos corpos das vítimas.
Quando escreveu isso, Lévy não pensava na América Latina e no quanto certas gangues e/ou organizações criminosas de narcotraficantes ou de ideologias social-progressistas estão predispostas a tentar em nossos países análogas ‘proezas’ anárquicas, seguindo o modelo de Putin.

Para o filósofo, em todo caso estamos diante de crimes contra a humanidade, resultantes de uma estratégia de guerra nova promovida pelo chefe máximo do Kremlin.

Em face dessa ofensiva que faz do crime organizado uma tropa de choque regular, o autor francês acena para a obrigação moral de tirar as consequências.

Moralmente, como pode a França, país natal de Lévy, entregar à Rússia dois porta-helicópteros da classe Mistral? Transformar-se-ão eles na ‘joias da coroa da frota russa diante da Sebastopol invadida e, quiçá, de um outro porto ucraniano?

Lévy aponta outros sinais desalentadores de claudicação na União Europeia diante do comandante da imoral ofensiva russa.

Para ele, a atitude de apaziguamento, condescendência e até bajulação de certos representantes europeus em face de Putin, se chama “espírito de Munique”.


Charmberlain, Daladier, Hitler, Mussonlini e Ciano após a assinatura do Acordo de Munique. Falso espírito de paz preludiou a pior das guerras. Obama e a UE parecem optar por análoga entrega diante de Putin.

O mesmo espírito que, em 1938, preludiou a imensa tragédia da II Guerra Mundial.

Para ele, esse espírito é um estigma.

Estigma, acrescentamos, que atrai horizontes sombrios como os de 1938 sobre os países liderados por populistas enamorados de Putin.

Esse horizonte apavorante pode ser concluído com base na história humana. Mas, se considerarmos a dimensão moral dos movimentos presentes diante de Deus, o que dizer?

Os terríveis dias futuros para os quais Nossa Senhora acenou em Fátima e o papel que neles teria a Rússia revolucionária, fazem com que a ‘manobra Putin’ ganhe toda a sua dimensão.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Na Venezuela, chavistas mudam ‘Pai Nosso’ para ‘Chávez nosso’



DESTAQUE


"Quando nos perguntamos que valores devemos formar e quando nos perguntamos onde devemos formar esses valores, há apenas uma resposta: devemos nos formar nos valores de Chávez no combate diário na rua, criando, construindo revolução, fazendo revolução", disse Maduro. 

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Oração foi lançada na "I Oficina de Projeto de Sistema de Formação de Partido Socialista"







Os participantes da "I Oficina de Projeto de Sistema de Formação de Partido Socialista" do governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) lançaram nesta segunda-feira (1º) a "Oração do delegado", a versão chavista do "Pai Nosso" que começa com a frase "Chávez nosso que estás no céu".
"Chávez nosso que estas no céu, na terra, no mar e em nós, os delegados. Santificado seja teu nome. Venha a nós teu legado para levá-lo aos povos daqui e de lá. Dai-nos hoje tua luz para que nos guie a cada dia e não nos deixes cair na tentação do capitalismo, mas livrai-nos da maldade da oligarquia, do crime do contrabando. Porque nossa é a pátria, pelos séculos e séculos. Amém. Viva Chávez", leu a delegada do partido MaríaEstrella Uribe.
A oficina, que começou na quinta-feira passada e terminou hoje, foi finalizada com a leitura da oração, assim como com a participação dos cantores e poetas que dedicaram suas peças ao falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013) e à chamada revolução bolivariana proposta.
Acompanhado de boa parte de seu gabinete ministerial, governadores chavistas e outros funcionários, o atual presidente do país, Nicolás Maduro, fez um discurso no qual afirmou que a revolução se encontra em uma fase que "exige cada vez mais formações de valores".


"Quando nos perguntamos que valores devemos formar e quando nos perguntamos onde devemos formar esses valores, há apenas uma resposta: devemos nos formar nos valores de Chávez no combate diário na rua, criando, construindo revolução, fazendo revolução", disse Maduro.




Fonte: R7

A Revolução comunista devora os seus próprios filhos







Desestabilizar um país, executar opositores e 'companheiros de viagem' e outros cúmplices; a marca registrada da antiga e nova KGB.







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