terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O impacto da pornografia sobre os meninos — Um grande desafio da educação atual


DESTAQUE
Graças a este veneno, a ilusão e a culpa estão amolecendo o caráter de nossos meninos. Como dizia meu antigo diretor, “você não pode esculpir numa gelatina”. Meninos sempre tiveram dificuldades com motivação e atenção. A pornografia agrava esses problemas ao conduzir os garotos a um mundo turvo onde eles, apenas eles, estão no controle. A escola tenta ajudar os meninos a saírem de si. A pornografia puxa-os para dentro de si, e depois de um tempo, acorrenta-os para mantê-los ali, presos em si mesmos e separados do mundo que eles estão chamados a conhecer como homens de garra e sensibilidade.


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Por Sean Fitzpatrick


O diretor da escola onde estudei na minha adolescência era sempre muito reticente quanto à admissão de alunos que tinham sido expostos à pornografia.
Ele sabia que meninos que tinham contato com pornografia frequentemente tinham seu processo de educação prejudicado. Hoje sou diretor da mesma escola e estou cada vez mais convencido de que meu antigo diretor estava certo. A pornografia destrói a inocência própria de certos anos da vida do menino, um componente importante na sua educação – especialmente quando essa educação é fundamentada na pedagogia clássica do encanto, da imaginação e da satisfação. Além disso, estou cada vez mais convencido de que estou enfrentando uma crise que o meu antigo diretor não teve de enfrentar. Enquanto ele considerava a possibilidade de que algum menino talvez tivesse tido contato com pornografia, eu tenho de considerar a possibilidade de que todo menino já teve algum contato com pornografia.
A pornografia avançou muito nas últimas décadas. Há uma cena em um filme de Woody Allen da década de 70 em que ele examina e compra material pornográfico em uma banca de esquina. Ele é forçado a encarar as censuras de um balconista sem tato e o escrutínio de um cliente antipático. Esses dias já se foram. As revistas não ficam mais guardadas no topo das estantes. Já não é necessário fazer compras em público. Já não há mais evidências físicas. Tudo é anônimo, instantâneo e fácil. A grande disseminação da pornografia veio com os avanços da tecnologia da informação. Hoje temos a internet e, para muitos, internet é sinônimo de pornografia.
Não há dúvida de que desde o advento da internet a pornografia está amplamente mais acessível e mais difundida. Tornou-se uma tentação padrão, sistemática: um fato impregnado à vida das pessoas, especialmente à vida dos mais jovens – e, especificamente, à vida dos homens. Há inúmeras pesquisas que analisam o número de páginas de internet dedicadas à pornografia, seu poder viciante ou seu impacto nos relacionamentos, no corpo e no cérebro. Mas uma coisa é certa, mesmo sem dados científicos ou estudos acadêmicos: a pornografia da internet está prejudicando a vida e as mentes de possivelmente todos os meninos neste país, levantando obstáculos a sua capacidade para se tornarem virtuosos e sábios – em outras palavras, impedindo sua educação.
Supor que meninos em geral – e até mesmo meninos de boas famílias – não estão expostos a alguma forma de pornografia é ingenuidade. Em nossos dias, a presença da pornografia é um fato consumado. Ela tem sido amplamente difundida, de forma estratégica e insidiosa. A pornografia é inescapável, pois está imediatamente acessível. Está a apenas um clique de distância e, portanto, em todo lugar. Essa é a realidade que precisa ser encarada antes de ser combatida e a prudência requer que pais e educadores já levem em conta os efeitos da pornografia nos meninos de hoje. De forma intencional ou não, hoje em dia é difícil imaginar que a maioria dos meninos – senão todos – não tenha encontrado material pornográfico e não tenha se tornado vítima de suas mentiras.
Como qualquer mentira, a pornografia é inimiga da verdade e portanto inimiga de uma educação autêntica. A pornografia impede que o menino aceite e aprecie a educação pois cria uma barreira à imaginação ao entorpecer a capacidade de admiração e contemplação. Sem essa capacidade, a educação é, na melhor das hipóteses, manca. Sócrates ensinou que a capacidade de contemplar é o princípio da sabedoria, o pré-requisito para a educação. A pornografia fere a habilidade de contemplar por meio do desnudamento descarado de uma das fontes mais sagradas de admiração. Torna os garotos indiferentes à beleza, subtraindo dos meninos sua inocência por meio da eliminação dos mistérios do coração, prejudicando gravemente sua capacidade de sentir prazer e veneração pelo belo. Espíritos que perderam a sensibilidade não são maleáveis à formação. O cinismo logo se desenvolve como uma defesa. Os meninos finalmente são derrotados pela apatia em um mundo que não mais os encanta. A fantasia – ou a blasfêmia – do simulacro produzido pela pornografia traz consigo a perda do desejo pela realidade, fundamento de toda a educação. A educação por meio da exposição à realidade é uma ferramenta particularmente poderosa para educar meninos, já que os meninos são normalmente muito sensoriais e ativos. A experiência do mundo e seus mistérios é a arena da imaginação e da contemplação. A pornografia erradica o mistério e, sem mistério, os meninos perdem sua habilidade de admirar e, por conseguinte, de alcançar a sabedoria – principal finalidade da educação.
Evidentemente, a pornografia afeta garotos e homens com enorme força devido à particular fraqueza masculina para estímulos sexuais visuais. Mas, além disso, a pornografia também distorce o impulso masculino de exercer controle, transformando-a em um vício. A pornografia cria um falso mundo de supremacia masculina, distorcendo a balança da verdade – de atividade e passividade – que a educação introduz e fomenta. Homens têm uma natural predisposição para proteger a mulher, mas a pornografia introduz um elemento de violação da dignidade da mulher – quase um estupro – que destrói o senso do garoto de uma identidade essencial da masculinidade. Essas perversões no auto-conhecimento inibem o conhecimento das coisas do mundo exterior. Garotos aprendem bem por meio da experiência pessoal e, se essa experiência está deturpada, as demais experiências também sofrerão uma deturpação. Além disso, o senso hipertrofiado de domínio e manipulação que a pornografia cria pode provocar um bloqueio instintivo para a recepção de verdades supremas e sólidas. A realidade não pode ser escravizada como uma fantasia. Como consequência, a realidade é rejeitada tão logo se instala o gosto pela ilusão pornográfica.
O veneno da pornografia pode ser descrito como a mistura de um paradigma anti-masculino e uma propaganda anti-feminina. Graças a este veneno, a ilusão e a culpa estão amolecendo o caráter de nossos meninos. Como dizia meu antigo diretor, “você não pode esculpir numa gelatina”. Meninos sempre tiveram dificuldades com motivação e atenção. A pornografia agrava esses problemas ao conduzir os garotos a um mundo turvo onde eles, apenas eles, estão no controle. A escola tenta ajudar os meninos a saírem de si. A pornografia puxa-os para dentro de si, e depois de um tempo, acorrenta-os para mantê-los ali, presos em si mesmos e separados do mundo que eles estão chamados a conhecer como homens de garra e sensibilidade.
A pornografia retrata as mulheres como objetos sexuais descartáveis, distanciando os meninos da ideia de permanência. A educação, por outro lado, versa sobre coisas permanentes, eternas. Tudo aquilo que afasta de realidades transcendentes impede o trabalho da educação. Sem os mistérios da beleza e do amor intactos, surgem obstáculos graves para a educação, onde toda a atração é fruto do mistério e do desejo. A pornografia, e o acesso à pornografia, solapa os domínios mais sagrados da mente jovem e pode transformar qualquer objeto belo em algo dúbio e sujo, indigno de ser considerado seriamente, respeitado, admirado e venerado.
A pornografia mata a imaginação e o sentido do sagrado, tornando a educação algo ainda mais difícil do que já é, especialmente para os meninos. Os meninos buscam um sentido, especialmente na educação. Os danos e a insensibilidade causados pela pornografia impedem que meninos encontrem um caminho para fora da caverna das sombras, para fora de uma realidade virtual, para um mundo que Deus fez bom: um mundo cheio de sentido, repleto dos mistérios da beleza onde Ele pode ser encontrado e dar a verdadeira satisfação.
(Texto publicado em 31/10/2014 na revista Crisis Magazine.)
Retirado de: Igreja Hoje

Há 220 anos, PIO VI ensina o antídoto contra o Concílio Vaticano II



DESTAQUE


“Contra tais insídias, apesar de tudo renovadas em toda época, não foi colocada obra melhor em ação do que aquela de expor as sentenças que sob o véu da ambiguidade envolvem uma perigosa discrepância de sentidos, assinalando o perverso significado sob o qual se acha o erro que a Doutrina Católica condena” (Pio VI, Bula Auctorem Fidei, de 29 de Agosto de 1794). 


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Papa Pio VI


Raphael de la Trinité

A Igreja sempre condenou a tática empregada pelos hereges de procurar introduzir erros sob a aparência de verdade, mediante o uso de fórmulas ambíguas. Foi o que ensinou o Papa Pio VI, ao condenar o Sínodo de Pistoia:

"Eles [os Papas nossos predecessores, os Bispos, e certos Concílios Gerais] conheciam bem a arte maliciosa própria dos inovadores, os quais, temendo ofender os ouvidos dos católicos, se esforçam por encobrir sob fraudulentos jogos de palavras os laços das suas astúcias, a fim de que o erro, escondido entre sentido e sentido (São Leão Magno., Carta 129 da edição Baller) [NOTA: Quer dizer, entre um sentido e outro], se insinue mais facilmente nos espíritos e aconteça que — alterada a verdade da sentença por meio de um curtíssimo acréscimo ou variante — o testemunho que devia dar a salvação, em consequência de uma sutil modificação, conduza à morte. Se esta indesejável e falaz maneira de dissertar é viciosa em qualquer manifestação oratória, de nenhum modo deve ser praticado num Sínodo, cujo primeiro mérito deve consistir no adotar no ensino uma expressão de tal modo clara e límpida, que não deixe espaço ao perigo de controvérsias. Porém, se no falar se engana, não se pode admitir aquela dolosa forma de defesa [NOTA: Dolo é a vontade conscientemente dirigida ao fim de obter um resultado criminoso ou assumir o risco de o produzir] que se costuma aduzir e pela qual, quando tenha sido pronunciada alguma expressão por demais dura, providencia-se para que se encontre a mesma explicada mais claramente em outra passagem, ou até mesmo corrigida, como se esta desenfreada licença de afirmar e de negar a bel prazer, que sempre foi uma fraudulenta astúcia dos inovadores como cobertura do erro, não tivesse que valer antes para denunciar o erro mais do que para justificá-lo: como se às pessoas, particularmente despreparadas a afrontar casualmente esta ou aquela parte de um Sínodo exposto a todos em língua vulgar, estivessem sempre presentes as outras passagens a contrapor, e que ao confrontá-las cada um dispusesse de tal preparo a reconduzi-las sozinho, a tal ponto de evitar qualquer perigo de engano que difundem erroneamente. É danosíssima esta habilidade de insinuar o erro que Nosso Predecessor Celestino (São CelestinoCarta 13, n. 2, in Coust) descobriu nas cartas do Bispo Nestório, de Constantinopla, e as condenou com duríssimo apelo. O impostor, descoberto, repreendido e alcançado por tais cartas, com o seu incoerente multilóquio, envolvia o verdadeiro com o obscuro e, confundindo de novo uma coisa com outraconfessava aquilo que havia negado ou se esforçava em negar aquilo que tinha confessado.

Contra tais insídias, apesar de tudo renovadas em toda época, não foi colocada obra melhor em ação do que aquela de expor as sentenças que sob o véu da ambiguidade envolvem uma perigosa discrepância de sentidos, assinalando o perverso significado sob o qual se acha o erro que a Doutrina Católica condena” (Pio VI, Bula AuctoremFidei, de 29 de Agosto de 1794). 

Há poucos anos, Dom Schneider, (então) bispo auxiliar de Karaganda, sugeriu ao então Papa Bento XVI a redação de um Syllabus que condene infalivelmente aqueles que, segundo alguns — com os quais, aliás, não concordamos — seriam [apenas] “os erros de interpretação do Concílio Vaticano II”.

De qualquer modo, um empenho dessa natureza não seria de molde a clarear os horizontes, conforme o ensinamento de nosso Divino Redentor: "Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que disso passa procede do maligno" (Mt V,17)?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

UM CATÓLICO PODE ABANDONAR, ‘SEGUNDO A SUA CONSCIÊNCIA’, A IGREJA CATÓLICA?



DESTAQUE


Certamente que o estado presente do mundo e as técnicas de escravidão às ideologias reinantes e corruptoras da fé não facilitam a vida cristã. Mas, precisamente, é para este mundo que os cristãos foram empurrados pela Hierarquia e segundo o espírito do Vaticano II. Eles ficaram desarmados, abandonados, privados do ensinamento da doutrina católica, desfigurada por numerosos catecismos e pregações, face ao desencadeamento da heresia que encontrou muita cumplicidade aberta e oficial no seio da Igreja.

O personalismo [de Emmanuel Mounier], que desde há muito envenenou o pensamento católico, é a filosofia dos direitos do homem, da abertura para o mundo, da liberdade religiosa e do ecumenismo, a filosofia que arrastou o povo cristão a pensar e argumentar à margem da luz da fé católica e que, em retorno, solapa esta.



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Rev. Pe. Hervé BELMONT


A realidade é que o povo cristão como um todo perdeu a fé. Claro que só Deus sonda os rins e os corações, mas é observável e certo que a maior parte dos cristãos não mais professam a fé da Igreja, nem no seu modo de viver, nem nas suas palavras quando interrogados sobre sua adesão a esta ou aquela verdade pertencente ao depósito revelado.

A realidade é que esta “apostasia imanente”, segundo a expressão de Maritain, foi querida por aqueles que deveriam tê-la impedido e que, pelo contrário, introduziram e em seguida — quando os efeitos ficaram visíveis — mantiveram suas causas. Certamente que o estado presente do mundo e as técnicas de escravidão às ideologias reinantes e corruptoras da fé não facilitam a vida cristã. Mas, precisamente, é para este mundo que os cristãos foram empurrados pela hierarquia e segundo o espírito do Vaticano II. Eles ficaram desarmados, abandonados, privados do ensinamento da doutrina católica, desfigurada por numerosos catecismos e pregações, face ao desencadeamento da heresia que encontrou muita cumplicidade aberta e oficial no seio da Igreja.

A realidade é uma reforma litúrgica infestada do espírito do protestantismo; reforma que não é nem fruto nem expressão da fé da Igreja; reforma que faz o povo cristão perder o sentido da infinita santidade de Deus ao esvaziar os testemunhos exteriores de adoração e desviar a liturgia para o “culto do homem”.

A realidade é que, de fato, os que querem conservar a fé católica, confessá-la integralmente e produzir as obras dela não podem fazê-lo senão contra a autoridade, ou ao menos à margem dela.

A realidade é que os autores ou fautores de heresia e de imoralidade vivem tranquilamente nas estruturas conciliares, e que o franzir as sobrancelhas, a que alguns espalhafatosos foram sujeitos, não constitui em nada uma defesa e promoção da fé católica.

A realidade é que a inteligência da fé é destruída pela invasão do personalismo, que é a filosofia subjacente, empregada pelos textos do Vaticano II. O personalismo, que desde há muito envenenou o pensamento católico, é a filosofia dos direitos do homem, da abertura para o mundo, da liberdade religiosa e do ecumenismo, a filosofia que arrastou o povo cristão a pensar e argumentar à margem da luz da fé católica e que, em retorno, solapa esta.

Retomemos o segundo parágrafo da Dignitatis Humanæ, no qual vem definida a liberdade religiosa tal como a entende o Vaticano II:

“O Concílio do Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Essa liberdade consiste nisto: todos os homens devem estar subtraídos à coação por parte tanto dos indivíduos quanto dos grupos sociais e de qualquer poder humano que seja, de tal maneira que em matéria religiosa ninguém seja forçado a agir contra a sua consciência nem impedido de agir segundo a sua consciência, tanto em privado quanto em público, sozinho ou associado a outros, dentro de justos limites.”


Ora, segundo a teologia católica mais certa, é impossível para um católico abandonar “segundo a sua consciência” a Santa Igreja; assim ensina o Concílio Vaticano I:


“A condição daqueles que aderiram à verdade católica graças ao dom celeste da fé é completamente diferente da condição dos que, conduzidos por opiniões humanas, seguem uma falsa religião; aqueles que receberam a fé sob o Magistério da Igreja nunca podem ter motivo justo de mudar ou de pôr em dúvida esta fé”. (20 de abril de 1870, Denzinger n.º 1794)

Fonte: Acies Ordinata



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

SINAIS DO TEMPO! BOFF ATACA O PAPADO E OS CATÓLICOS PARA DEFENDER FRANCISCO


DESTAQUE

Há um grande vazio no pensamento de Messori. Estas são as duas insuficiências teológicas: a quase ausência do Espírito Santo. Diria mais, ele comete o erro teológico do cristomonismo, ou seja, somente Cristo conta. Não há lugar para o Espírito Santo. Tudo na Igreja se resolve somente com Cristo, algo que o Jesus dos evangelhos não quer. Por que digo isto? Porque o que Messori lamenta é a “imprevisibilidade” da ação pastoral desse Papa. 

Quiçá no futuro, a sede do primado não estará em Roma e a Cúria, com todas as suas contradições, denunciadas pelo papa Francisco na reunião dos cardeais e dos prelados da Cúria com palavras que só poderiam sair da boa de Lutero e com menor força em meu livro condenado [sic!] pelo cardeal J. Ratzinger “A Igreja, carisma e poder” (1984), (mas) aí onde vive a maioria dos católicos: na América, África ou Ásia. Seria este um sinal próprio da verdadeira catolicidade da Igreja dentro do processo da globalização do fenômeno humano. 

Sem o Espírito Santo, a igreja se transforma numa instituição pesada, enfadonha, forte, sem criatividade, e chega um momento em que ela não tem nada a dizer ao mundo, a não ser doutrinas, sempre mais doutrinas, que não suscitam a esperança e a alegria de viver.

[NOTA RAPHAEL DE LA TRINITÉ – A TESE DO HEREGE JOAQUIM DE FLORA]


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Fonte: Leonardo Boff – Réligion Digital / Tradução: Dominus Est


Li com um pouco de tristeza o artigo crítico de Vittorio Messori no Corriere della Sera precisamente no dia menos apropriado: a noite de Natal, festa de luz e alegria: “As opções de Francisco: as dúvidas sobre o rumo do papa Francisco”. 

O autor tem tentado prejudicar essa alegria do bom pastor de Roma e do mundo, o papa Francisco. Porém em vão, porque ele não conhece o sentido de misericórdia e de espiritualidade desse Papa, virtude que seguramente Messori não demonstra. O uso que ele faz das palavras compaixão e compreensão contem por dentro veneno. E ele o faz em nome de muitos outros que se escondem atrás dele e não têm a coragem de aparecer em público. 

Proponho-me a fazer outra leitura do papa Francisco, como contrapeso à de Messori, um convertido que, na minha opinião, ainda deve levar a cabo sua conversão com a recepção do Espírito Santo, para que ele não volte a dizer as coisas que tem escrito. 

Messori demonstra três insuficiências: duas de natureza teológica e outra de compreensão da Igreja do Terceiro Mundo. 

Messori tem se escandalizado com a “imprevisibilidade” desse pastor porque ele “não cessa de perturbar a tranquilidade do católico médio”. 

É necessário se perguntar sobre a qualidade desses “católicos médios”, que têm dificuldade em aceitar um pastor que exala o odor das ovelhas e anuncia “a alegria do Evangelho”. Eles são, em geral, católicos culturais acostumados com a figura faraônica de um Papa com todos os símbolos do poder dos imperadores pagãos romanos. 

Agora surge um Papa franciscano “que ama os pobres”, que não veste Prada”, que faz uma dura crítica do sistema que produz a miséria em grande parte do mundo, que abre a igreja não somente aos católicos, mas também a todos aqueles que levam o nome de “homens e mulheres”, sem julgá-los e acolhendo-nos no espírito da “revolução da ternura”, como ele pediu aos bispos da América Latina reunidos no ano passado no Rio de Janeiro. 

Há um grande vazio no pensamento de Messori. Estas são as duas insuficiências teológicas: a quase ausência do Espírito Santo. Diria mais, ele comete o erro teológico do cristomonismo, ou seja, somente Cristo conta. Não há lugar para o Espírito Santo. Tudo na Igreja se resolve somente com Cristo, algo que o Jesus dos evangelhos não quer. Por que digo isto? Porque o que Messori lamenta é a “imprevisibilidade” da ação pastoral desse Papa. 
Ora, essa é a característica do Espírito, como o afirma São João: “O Espírito sopra onde quer, você ouve sua voz, mas não sabe de onde vem nem para onde vai” (3, 8). Sua natureza é a súbita irrupção com seus dons e carismas. Francisco de Roma, seguindo a vereda de Francisco de Assis, deixa-se conduzir pelo Espírito. 

Messori é refém de uma visão linear, própria do seu “bem amado Joseph Ratzinger” e de outros papas anteriores. Infelizmente, foi essa visão linear que fez da Igreja uma cidadela, incapaz de compreender a complexidade do mundo moderno, isolada entre as outras igrejas e outros caminhos espirituais, sem dialogar e aprender com os outros, também iluminados pelo Espírito. Significa blasfemar contra o Espírito Santo achar que os outros têm pensado equivocando-se. 

Por tudo isso, é sumamente importante uma igreja aberta como a quer Francisco de Roma. É necessário que ela esteja aberta às irrupções do Espírito, chamado por alguns teólogos “a fantasia de Deus”, por causa de sua criatividade e novidade, na sociedade, no mundo, na história dos povos, nos indivíduos, nas igrejas e também na Igreja católica. 

Sem o Espírito Santo, a igreja se transforma numa instituição pesada, enfadonha, forte, sem criatividade, e chega um momento em que ela não tem nada a dizer ao mundo, a não ser doutrinas, sempre mais doutrinas, que não suscitam a esperança e a alegria de viver.

É um dom do Espírito Santo que esse Papa venha de fora da velha cristandade europeia. Ele não surge como um teólogo sutil, mas como um pastor que realiza o que Jesus pediu a Pedro: “Confirma os irmãos na fé” (Lc 22, 31). Francisco carrega consigo a experiência das igrejas do Terceiro Mundo, especificamente a da América Latina. 

Há outra insuficiência no pensamento de Messori: não valorizar o fato de que hoje o cristianismo é uma religião do Terceiro Mundo, como repetiu tantas vezes o teólogo alemão Johan Baptist Metz. Na Europa vivem apenas 25% dos católicos; 72,56% no Terceiro Mundo (48,75% na América Latina). 

Por que não pode vir dessa maioria alguém que o Espírito fez bispo de Roma e Papa universal? Por que não aceitar as novidades que derivam dessas igrejas, que já não são mais igrejas-imagens das velhas igrejas europeias, mas igrejas-emergentes com seus mártires, seus confessores e seus teólogos? 

Quiçá no futuro, a sede do primado não estará em Roma e a Cúria, com todas as suas contradições, denunciadas pelo papa Francisco na reunião dos cardeais e dos prelados da Cúria com palavras que só poderiam sair da boa de Lutero e com menor força em meu livro condenado[sic!] pelo cardeal J. Ratzinger “A Igreja, carisma e poder” (1984), (mas) aí onde vive a maioria dos católicos: na América, África ou Ásia. Seria este um sinal próprio da verdadeira catolicidade da Igreja dentro do processo da globalização do fenômeno humano. 

A verdade é que esperava maior inteligência e abertura da parte de Vittorio Messori, com seus méritos de católico, fiel a um tipo de Igreja e escritor renomado. Esse papa Francisco tem levado esperança e alegria a muitos, muitíssimos católicos e a outros cristãos. Não percamos esse dom do Espírito com base em raciocínios muito mais negativos sobre ele. 


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

TANGO EM SÃO PEDRO ENQUANTO A BARCA VAI À DERIVA. OU: A IGREJA TITANIC


DESTAQUE

Em Cartago, recorda Salviano de Marselha, dançava-se e banqueteava-se na véspera da invasão dos Vândalos, e em São Petersburgo, de acordo com o testemunho do jornalista americano John Reed, enquanto que os bolcheviques se apoderavam do poder, os teatros e restaurantes continuavam a ficar lotados.

Pode-se negar a existência de uma confusão absoluta?

O tango que foi dançado em 17 de dezembro de 2014 por ocasião do aniversário do papa Francisco lembra outra música; aquela tocada no Titanic na noite da tragédia. Porém naquele tempo a ponta do iceberg surgiu de repente, enquanto que os dançarinos estavam inconscientes do desastre iminente. Hoje o iceberg é visível e há aqueles que brindam ao impossível naufrágio da Barca de Pedro. Todavia muitas pessoas estão alertas e têm a forte sensação, como disse o cardeal Burke, de que a Igreja seja um navio à deriva.

Le Figaro
, um jornal de centro-direita, famoso por sua moderação, consagrou seu suplemento de dezembro, “Le Figaro Magazine“, à Guerra secreta no Vaticano. Como o papa Francisco agita a Igreja: 11 páginas, escritas por Jean-Marie Guénois, considerado como um dos vaticanistas mais sérios e competentes. 

Algo parece ter virado na Igreja desde o Sínodo sobre a família do outono de 2014, escreve Guénois, e o acumulo dos indícios permite se perguntar: a Igreja não corre o risco de enfrentar uma tormenta no fim de 2015, depois da segunda sessão do sínodo sobre a família?“ Guénois revela a existência de uma “guerra secreta” entre cardeais que não têm como propósito a conquista do poder. O que está em curso é uma batalha de ideias, que tem como alvo principal a doutrina da Igreja sobre a família e o matrimônio. O papa Francisco é acusado dentro da Cúria de uma gestão autocrática do poder, que o jornalista francês resume na fórmula: “Quando decide, o Papa não é delicado“, mas o verdadeiro problema é sua visão eclesial, inspirada e aconselhada pelas correntes mais progressistas do Vaticano.

De acordo com Guénois, três teólogos definem os novos objetivos: o cardeal alemão Walter Kasper, o bispo italiano Bruno Forte e o arcebispo argentino Victor Manuel Fernandez. “É este trio que atiçaram o fogo durante o sínodo sobre a família!”. 

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Fonte: Roberto de Mattei – Il Foglio / Tradução: Dominus Est


Provavelmente os historiadores de amanhã se lembrarão que em 2014, na praça de São Pedro, dançava-se tango enquanto os cristãos eram massacrados no oriente e a Igreja estava à beira de um cisma. Essa atmosfera de leveza e de inconsciência não é nova na história. Em Cartago, recorda Salviano de Marselha, dançava-se e banqueteava-se na véspera da invasão dos Vândalos, e em São Petersburgo, de acordo com o testemunho do jornalista americano John Reed, enquanto que os bolcheviques se apoderavam do poder, os teatros e restaurantes continuavam a ficar lotados. O Senhor, como diz a Escritura, cega aqueles que ele quer perder (Jo 2, 27-41).
O principal drama do nosso tempo não é, todavia, a agressão que vem do exterior, mas esse misterioso processo de auto-demolição da Igreja que alcança suas últimas consequências, depois de ter sido denunciado pela primeira vez por Paulo VI em seu famoso discurso ao Seminário Lombardo de 7 de dezembro de 1968. A auto-demolição não é um processo fisiológico. É um mal que tem responsáveis. E os responsáveis são, nesse caso, esses homens da igreja que sonham em substituir o Corpo Místico de Cristo por um novo organismo, submisso a uma perpétua evolução sem verdades nem dogmas. 

Um quadro impressionante da situação foi oferecido no fim de 2014 por dois dossiês sobre a Igreja publicados respectivamente pelo jornal diário francês Le Figaro e pelo cotidiano italiano la Repubblica

Le Figaro
, um jornal de centro-direita, famoso por sua moderação, consagrou seu suplemento de dezembro, “Le Figaro Magazine“, à Guerra secreta no Vaticano. Como o papa Francisco agita a Igreja: 11 páginas, escritas por Jean-Marie Guénois, considerado como um dos vaticanistas mais sérios e competentes. 

Algo parece ter virado na Igreja desde o Sínodo sobre a família do outono de 2014, escreve Guénois, e o acumulo dos indícios permite se perguntar: a Igreja não corre o risco de enfrentar uma tormenta no fim de 2015, depois da segunda sessão do sínodo sobre a família?“ Guénois revela a existência de uma “guerra secreta” entre cardeais que não têm como propósito a conquista do poder. O que está em curso é uma batalha de ideias, que tem como alvo principal a doutrina da Igreja sobre a família e o matrimônio. O papa Francisco é acusado dentro da Cúria de uma gestão autocrática do poder, que o jornalista francês resume na fórmula: “Quando decide, o Papa não é delicado“, mas o verdadeiro problema é sua visão eclesial, inspirada e aconselhada pelas correntes mais progressistas do Vaticano. 

De acordo com Guénois, três teólogos definem os novos objetivos: o cardeal alemão Walter Kasper, o bispo italiano Bruno Forte e o arcebispo argentino Victor Manuel Fernandez. “É este trio que atiçaram o fogo durante o sínodo sobre a família!”. Desse modo, ele considera que Kasper é o testa de ferro pela admissão dos divorciados recasados aos sacramentos, Forte é o promotor da legalização da homossexualidade e Fernández um importante expoente da teologia peronista do povo. 

Guénois 
entrevistou em seguida o cardeal Burke sobre o Sínodo, que, como de costume, se expressou com uma clareza cristalina: “O sínodo foi uma experiência difícil. Houve uma linha, a do cardeal Kasper, poder-se-ia dizer, atrás da qual se colocaram aqueles que tinham em mãos a direção do sínodo. De fato, o documento intermediário parecia já ter sido escrito antes das intervenções dos padres sinodais! E segundo uma linha única, em favor da posição do cardeal Kasper… Também introduziram a questão homossexual, que não tem nada a ver com a questão do matrimônio, buscando aí elementos positivos. (…) Logo, foi muito desconcertante. Assim como o fato de ter mantido, no relatório final, certos parágrafos sobre a homossexualidade e sobre os divorciados recasados que não foram, todavia, adotados pela maioria requerida pelos bispos. (…) Logo, estou muito preocupado, e chamo os católicos, os leigos, sacerdotes e bispos a se comprometerem, daqui até a próxima assembleia sinodal, a fim de realçar a verdade sobre o matrimônio”.

Que as preocupações do cardeal Burke sejam justificadas o demonstra o suplemento semanal “Il Venerdì de laRepubblica” de 27 de dezembro de 2014, completamente dedicado a uma “Investigação sobre a Igreja”: 98 páginas com 20 artigos, nos quais é descrita “a nova era de Francisco, entre adversários, santos, perseguidos e pecadores”. 

O protagonista do La Repubblica é o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, que confirma sua abertura aos divorciados recasados e aos pares homossexuais, nega a decadência moral do ocidente e afirma que “a pretensa secularização é um desenvolvimento necessário da liberdade. Uma sociedade livre é um progresso, segundo o verdadeiro ponto de vista do Evangelho“. Francisco, explica ele, “quer conduzir a Igreja à força original de seu testemunho. Ele tem uma visão clara do que quer, mas ele não segue um plano fixo, pessoal ou pré-determinado, nem um programa de governo. Ele lança sinais e dá exemplos, como ele fez durante o Sínodo consagrado ao matrimônio e à família“. 

Dentro do dossiê, Marco Ansaldo, numa entrevista com o título “Franzoni, a vingança do antigo padre vermelho”, concede amplo espaço a Giovanni Franzoni, antigo abade da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, que insiste sobre o fato de que as posições pelas quais ele foi condenado se aproximam atualmente das do Vaticano. Franzoni foi demitido do estado clerical (em 1976) por ter dito sim à lei sobre o divórcio e o aborto, e por suas declarações de voto em favor do Partido Comunista. Casado com uma jornalista ateia japonesa, hoje ele não renega suas ideias e afirma ter “descoberto a sexualidade como enriquecimento total e não como privação de energias que poderiam ser dedicadas ao Senhor“. 

De acordo com algumas indiscrições, o Papa teria a intenção de admitir ao sacerdócio alguns leigos casados (a pretensa viriprobati) e de reintegrar na administração dos sacramentos padres já casados, reduzidos ao estado laico, como o próprio Franzoni ou o antigo franciscano e teólogo alterglobalista Leonardo Boff, que vive atualmente no Brasil com uma companheira. 

Em 17 de novembro, Boff, que passou da teologia da libertação àeco-teologia, confirmou à agência Ansa ter enviado ao Papa, a pedido dele, material para sua próxima encíclica, e, em 28 de dezembro, em polêmica com Vittorio Messori, ele expressou no “Noi siamochiesa” 
seu apoio ao papa Francisco contra um escritor nostálgico, com essas palavras: “Por tudo isso, é sumamente importante uma igreja aberta como a quer Francisco de Roma. É necessário que ela esteja aberta às irrupções do Espírito, chamado por alguns teólogos “a fantasia de Deus”, por causa de sua criatividade e novidade, na sociedade, no mundo, na história dos povos, nos indivíduos, nas igrejas e também na Igreja católica. Sem o Espírito Santo, a igreja se transforma numa instituição pesada, enfadonha, forte, sem criatividade, e chega um momento em que ela não tem nada a dizer ao mundo, a não ser doutrinas, sempre mais doutrinas, que não suscitam a esperança e a alegria de viver”.

Pode-se negar a existência de uma confusão absoluta?

O tango que foi dançado em 17 de dezembro de 2014 por ocasião do aniversário do papa Francisco lembra outra música; aquela tocada no Titanic na noite da tragédia. Porém naquele tempo a ponta do iceberg surgiu de repente, enquanto que os dançarinos estavam inconscientes do desastre iminente. Hoje o iceberg é visível e há aqueles que brindam ao impossível naufrágio da Barca de Pedro. Todavia muitas pessoas estão alertas e têm a forte sensação, como disse o cardeal Burke, de que a Igreja seja um navio à deriva. Estamos entre eles, e por essa razão não saudamos 2015 com danças e fogos de artifício, mas com a firme intenção de acolher o apelo do próprio cardeal Burke e lutar, daqui até o próximo Sínodo, e além, a fim de defender a verdade do Evangelho sobre o matrimônio.

Fonte: Católicos de Ribeirão Preto

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A perfeita alegria


I FIORETTI de São Francisco de Assis - Capítulo VIII


Como a caminhar expôs São Francisco a frei Leão as coisas que constituem a perfeita alegria




   "Vindo uma vez São Francisco de Perusa para Santa Maria dos Anjos com frei Leão, em tempo de inverno, e o grandíssimo frio fortemente os atormentasse, chamou frei Leão, o qual ia mais à frente, e disse assim: Irmão Leão, ainda que o frade menor desse na terra inteira grande exemplo de santidade e de boa edificação, escreve todavia, e nota diligentemente que nisso não está a perfeita alegria. E andando um pouco mais, chama pela segunda vez: Ó irmão Leão, ainda que o frade menor desse vista aos cegos, curasse os paralíticos, expulsasse os demônios, fizesse surdos ouvirem e andarem coxos, falarem mudos, mais ainda, ressuscitasse mortos de quatro dias, escreve que nisso não está a perfeita alegria. E andando um pouco São Francisco gritou com força: Ó irmão Leão, se o frade menor soubesse todas as línguas e todas as ciências e todas as coisas futuras, mas até mesmo os segredos das consciências e dos espíritos, escreve que não está nisso a perfeita alegria. Andando um pouco além, São Francisco chama com força: Ó irmão Leão, ovelhinha de Deus, ainda que o frade menor falasse com língua de anjo, e soubesse o curso das estrelas e as virtudes das ervas; e lhe fossem revelados todos os tesouros da terra e conhecesse as virtudes dos pássaros e dos peixes e de todos os animais e dos homens e das árvores e das pedras e das raízes e das águas, escreve que não está nisso a perfeita alegria. E caminhando um pouco São Francisco chamou em alta voz: Ó irmão Leão, ainda que o frade menor soubesse pregar tão bem que convertesse todos os infiéis a fé cristã, escreve que não está nisso a perfeita alegria. E durando este modo de falar pelo espaço de duas milhas, frei Leão, com grande admiração, perguntou-lhe e disse: Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria. E São Francisco assim lhe respondeu: Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento, e o porteiro chegar irritado e disser: Quem são vocês? E nós dissermos: Somos dois dos vossos irmãos, e ele disser: Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui; e não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva com frio e fome até à noite: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele e pensarmos humildemente e caritativamente que o porteiro verdadeiramente nos tinha reconhecido e que Deus o fêz falar contra nós: ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria. E se perseverarmos a bater, e ele sair furioso e como a importunos malandros nos expulsar com vilanias e bofetadas dizendo: Fora daqui ladrõezinhos vis, vão para o hospital, porque aqui ninguém lhes dará comida nem cama; se suportarmos isso pacientemente e com alegria e de bom coração, ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria. E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite, batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser: Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem: e sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó: e se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor; ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria, e ouve, pois, a conclusão, irmão Leão. Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, será o de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos, porque de todos os outros dons de Deus não nos podemos gloriar por não serem nossos, mas de Deus, do que diz o Apóstolo: Que tens tu que te gloriares como se o tivesses de ti? Mas na cruz da tribulação de cada aflição nós nos podemos gloriar, porque "isso não é nosso" e assim diz o Apóstolo: "Não me quero gloriar, senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo". Ao qual sejam dadas honra e glória in seculaseculorum. Amém.

Abaixo-assinado da Filial Súplica a S. S. o Papa Francisco sobre o Futuro da Família




A campanha

Neste dia especial, em que três reis se ajoelharam diante do divino Infante, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO) anuncia aos seus diletos leitores mais uma campanha em defesa da Família.
Trata-se de uma coleta de assinaturas – em vista do próximo Sínodo sobre a Família, que ocorrerá em outubro de 2015 – a ser enviada ao Papa Francisco solicitando uma palavra esclarecedora para superar a crescente confusão entre os fiéis, causada pelas informações veiculadas por ocasião do último Sínodo, sobre a “possibilidade de que se tenha aberto no seio da Igreja uma brecha que permite a aceitação do adultério – mediante a admissão à Eucaristia de casais divorciados recasados civilmente –, e até mesmo uma virtual aceitação das próprias uniões homossexuais, práticas essas condenadas categoricamente como contrárias à Lei divina e natural”, conforme relata o texto da missiva transcrita no final deste artigo.
Outro ponto importante é que constatamos iniciativas progressistas, especialmente na Europa e nos EUA, que visam tentar influenciar os padres sinodais para que tomem medidas liberalizantes – o que significa a destruição – da doutrina moral revelada da Igreja Católica.




Quem está promovendo o abaixo-assinado?
A iniciativa pertence à Federação Pró-Europa Cristã à qual o IPCO, junto com diversas outras associações do Brasil e fora dele, oferece seu esforço em apoio a tão importante iniciativa.

Como participar?

2) Assine e colete o apoio de seus familiares e amigos; e
3) Envie por correio as assinaturas para o endereço que consta no documento.
(*) OBS: Se preferir o arquivo PDF sem o logotipo do IPCO, clique aqui.
Sua ajuda será preciosa, pois o lobby anticristão já está trabalhando para arrastar o próximo Sínodo sob os ventos malsãos de estilos de vida hedonista que não só não resolvem o problema moral do mundo moderno, como o agrava de forma acentuada.
Que a Sagrada Família ajude a todos nós nesta iniciativa em prol dos ensinamentos milenares de Nosso Senhor Jesus Cristo.

*** * ***

Segue abaixo a carta do abaixo-assinado:
Beatíssimo Padre,
Tendo em vista o Sínodo sobre a Família de outubro de 2015, dirigimo-nos filialmente a Vossa Santidade, para Lhe manifestar as nossas apreensões e esperanças sobre o futuro da família.
Nossas apreensões se devem ao fato de virmos assistindo há décadas a uma revolução sexual promovida por uma aliança de poderosas organizações, forças políticas e meios de comunicação, a qual atenta passo a passo contra a própria existência da família como célula básica da sociedade. Desde a chamada Revolução de 68, sofremos uma imposição gradual e sistemática de costumes morais contrários à Lei natural e divina, tão implacável que torna hoje possível, por exemplo, ensinar em muitos lugares a aberrante “teoria do gênero”, a partir da mais tenra infância.
Em face dessa obscura orquestração ideológica, o ensinamento católico sobre o Sexto Mandamento da Lei de Deus é como uma tocha acesa que atrai inúmeras pessoas – opressas pela publicidade hedonista – para o modelo de família casto e fecundo pregado pelo Evangelho e conforme à ordem natural.
Santidade, na sequência das informações veiculadas por ocasião do último Sínodo, constatamos com dor que para milhões de fiéis a luz dessa tocha pareceu vacilar sob os ventos malsãos de estilos de vida propagados por lobbies anticristãos. Com efeito, observamos uma desorientação generalizada, causada pela possibilidade de que se tenha aberto no seio da Igreja uma brecha que permite a aceitação do adultério – mediante a admissão à Eucaristia de casais divorciados recasados civilmente –, e até mesmo uma virtual aceitação das próprias uniões homossexuais, práticas essas condenadas categoricamente como contrárias à Lei divina e natural.
Dessa desorientação brota paradoxalmente a nossa esperança.
Sim, porque nesta situação uma palavra esclarecedora Vossa será a única via capaz de superar a crescente confusão entre os fiéis. Ela impediria a relativização do próprio ensinamento de Jesus Cristo, e dissiparia as trevas que se projetam sobre o futuro dos nossos filhos, caso essa tocha deixe de lhes iluminar o caminho.
Esta palavra, Santo Padre, nós Vô-la imploramos com o coração devotado por tudo o que sois e representais, certos de que ela não poderá jamais dissociar a prática pastoral do ensino legado por Jesus Cristo e por seus vigários, o que só aumentaria a confusão. Jesus nos ensinou com toda clareza, com efeito, a coerência que deve existir entre a verdade e a vida (cfr. Jo 14, 6-7), assim como nos advertiu de que o único modo de não sucumbir é colocar em prática a sua doutrina (cfr. Mt 7, 24-27).
Ao mesmo tempo em que pedimos a Sua bênção apostólica, asseguramos-Lhe as nossas orações à Sagrada Família – Jesus, Maria e José –, para que ela ilumine Vossa Santidade nesta circunstância tão transcendental.
Fonte: IPCO
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