sábado, 8 de março de 2014

A DERROTA (IMPUREZA)




Por vezes, "a alma, comunicando-se aos sentidos, acaba por cair numa espécie de paralisia, que se assemelha à imbecilidade" (Pe. Janvier).

Nenhum carcereiro guardará com maior rigor seus prisioneiros, como o vício guarda suas vítimas.

"Uma memória feliz é um indício... de pureza". (Fonssagrives:L'Éducation de la pureté).

"A impureza, diz o profeta, rouba o coração". (Os. 4.11)

O coração? Mas, o vício lhe corrói as fibras vitais... A impureza é a grande raptora dos corações [subtrai, tira às escondidas, fraudulentamente] ... O lírio de amores castos não vegeta em canteiros onde plantas daninhas lhe absorvem toda a seiva e lhe empobrecem totalmente o solo!

"A grandeza dos sentimentos íntimos transparece no rosto, acabando por tornar-se sua expressão normal, ou atribuindo a nota característica a cada fisionomia".

"O vicio conduz ao hospital... e por que caminhos!" (L. Veuillot)




*** * ***


É POSSÍVEL VENCER ESSA GUERRA?

A DERROTA (IMPUREZA)



A derrota!
Palavra amarga!

Como caustica nossos lábios!

Para não sofrê-la, lutamos durante quatro anos...durante quatro anos, demos o sangue de nossas veias e sacrificamos nossos destemidos valentes. Para salvaguardar nossa independência!

Ora o moço, dominado pelo vício impuro, perdeu sua independência, é escravo!

É a derrota!

Palavra muito amarga!

Como caustica nossos lábios!

Ao começar a guerra, vi os jovens belgas conduzidos entre baionetas alemães. Se vivesse, cem anos (o que seria uma lástima), ainda seria capaz de recordar a expressão dolorosa dos seus rostos.

Pungente humilhação!

E, no entanto, aqueles moços não tinham de que envergonhar-se. Tinham antes o direito de se apresentarem de fronte erguida. Mas, o vencido pela paixão, deve envergonhar-se e andar de cabeça baixa. Entregou as armas, por covardia, e ao mais desprezível dos vencedores, àquele demônio que Nosso Senhor no Evangelho chama: "Homicida desde o começo".

Um soldado dos arredores de Namur [episódio dramático da Primeira Guerra Mundial] contou-me como o seu "forte" fora tomado. Tinham feito sair todos os belgas e depois, perante eles, quebram-lhes os fuzis nos rails dos carros americanos, que por ali passavam. E, com a vingança desenhada no rosto, clamava esse soldado: "Que raiva Quando vi o vencedor quebrar assim o nosso fuzil! Não podereis nunca compreender isso! Não, só quem é soldado será capaz de compreender!...".

Mais uma vez: a humilhação para aquele soldado fora puramente material e de nenhum modo infamante por ser imerecida. O vencido pelo vício sofreu, pelo contrário uma derrota infamante e merecida.

É cruel e horrível ser escravo do inimigo.

O vício é também uma escravidão.

E não é raro que os escravos dos vícios venham dizer, cobertos de vergonha: "Oh! é terrível esta tirania do vezo [costume vicioso ou criticável]! Como nos prende com pesados grilhões!".

Nenhum carcereiro guardará com maior rigor seus prisioneiros, como o vício guarda suas vítimas.

Péricles, referindo-se aos jovens caídos em combate, dizia: "O ano perdeu sua primavera!" E isto é ainda mais verdadeiro no sentido moral! Quando a luxúria leva à ruína um povo, "o ano perdeu a sua primavera".

Lemos no livro A indisciplina dos costumes, de Bureau: "diariamente se está dando grande carnificina de jovens". O autor traçava estas linhas negras, durante a guerra [Primeira Guerra Mundial], mas não se referia aos jovens mortos em combate, aludia a essa carnificina moral de jovens, que a impureza deixa arruinados.

...Cotejai as faculdades (jovens castos), uma por uma:

1) A inteligência - é viva e clara, possuindo o homem, no eu superior, uma dilatação proporcional á restrição imposta ao eu inferior.

2) A vontade - acha-se retemperada pela própria luta, mediante o esforço, que é para o caráter, uma espécie de peptonato [proteína] de ferro. Torna-se capaz de uma energia de grande voltagem e forte tensão.

3) A memória - é geralmente fiel, e por forma, que muita vez, "uma memória feliz é um indício... de pureza". (Fonssagrives: L'Éducation de la pureté).

4) O coração - guarda intactas suas reservas de afeição e de frescura de sentimentos que o perfumam...

5) O corpo - não é raro tornar-se mais elegante em razão da pureza. É lógico: o espirito aperfeiçoa o semblante...: "A grandeza dos sentimentos íntimos transparece no rosto, acabando por tornar-se sua expressão normal, ou atribuindo a nota característica a cada fisionomia".

...Assim se nos apresenta a bela geração dos castos.

Mas, há outra. Contemple-se um moço corrompido, que malbarata seus belos anos, como o insensato que voluntariamente atirasse, uma por uma, ao mar, as suas preciosas peças de ouro.

Aqui, infelizmente, quão grande é o rebaixamento que vemos!

Retomemos o exame de cada faculdade (jovens impuros):

1) A inteligência - Está, por assim dizer toldada, como se a lama imunda do coração tivesse subido à cabeça.

O filósofo Joubert não exagera quando diz: "No momento em que o moço se inflama para a carne, se extingue para toda e qualquer reflexão séria".

Por vezes, "a alma, comunicando-se aos sentidos, acaba por cair numa espécie de paralisia, que se assemelha à imbecilidade" (Pe. Janvier).

Vistes, por ventura, alguma águia numa jaula, o grande rei do azul, entre varas de ferro? Causa pena! Maior pena causa o estado de uma alma, encarcerada numa prisão carnal...


2) A vontade - Está gravemente lesada naquele jovem que não se governa mais. Repare-se neste círculo vicioso: porque cedeu, debilitou-se a vontade: porque se debilitou a vontade, cede.


3) A memória - A memória sensível tem um órgão: o cérebro. Mas, os excessos do vício, abalando o sistema nervoso, atuam sobre o cérebro e, consequentemente, sobre a memória, de um modo desastrado.


4) O coração - Coração? O pobre infeliz, por vezes, parece que já não o tem mais. "A impureza, diz o profeta, rouba o coração". (Os. 4.11)

O coração? Mas, o vício lhe corrói as fibras vitais... A impureza é a grande raptora dos corações [subtrai, tira às escondidas, fraudulentamente]... O lírio de amores castos não vegeta em canteiros onde plantas daninhas lhe absorvem toda a seiva e lhe empobrecem totalmente o solo!

5) O corpo - "O vicio conduz ao hospital... e por que caminhos!" (L. Veuillot)

A impureza é o pecado do corpo; e é, muitas vezes, punida no próprio corpo.


(Excertos do livro: A grande guerra - Pe. Hoornaert, Escola Typ. Salesiana, edição 1928)



quarta-feira, 5 de março de 2014

A NOVA BATALHA DE TERMÓPILAS?‏

DESAFIANDO O MOLOCH RUSSO DE PÉS DE BARRO
O DIREITO CONTRA A FORÇA BRUTA
480 A.C.: Batalha das Termópilas (persas versus gregos, estes em enorme inferioridade numérica) —  Um dos mensageiros de Xerxes teria tentado amedrontar os gregos falando da superioridade numérica dos persas. Esse mensageiro teria dito que havia tantos arqueiros e lanceiros no exército persa que quando eles disparassem suas flechas e lanças elas iriam "cobrir o Sol". Comentário que teria recebido a seguinte resposta do rei espartano: "Melhor, combateremos à sombra".
2014 D. C: Sebastopol, Crimeia (russos versus ucranianos, estes em enorme inferioridade numérica) — Marchando em na direção da guarda russa, estava uma coluna de 300 soldados ucranianos portando orgulhosamente sua bandeira nacional. Os russos atiraram sobre suas cabeças, mas os ucranianos continuaram marchando em linha, cantando seu hino, em desafio. Saraivadas e mais saraivadas de balas passaram sobre suas cabeças e, quando eles se aproximaram das barricadas, os fuzis dos soldados russos foram baixados. Essa base aérea em Sebastopol abriga os esquadrões de caças MIG da força aérea ucraniana.


*** * ***


O ex-coronel da KGB, Vladimir Putin, já não esconde o sonho de restaurar a extinta URSS com um disfarce novo. Sim, a ditadura soviética que provocou o holocausto de milhões de ucranianos está de volta. E tem cúmplices que o povo ucraniano não aceita.
Até observadores estrangeiros reconhecem: “a agilidade do tigre e do cinismo [é a] do patrono de Yanukovich, Putin” (Giles Lapouge, OESP, 15-12-2013); “com seu arsenal de subornos, chantagens e ameaças, Putin promoveu o atual estado de agitação social na Ucrânia, que ele descreveu como ‘não sendo realmente um Estado’ na Cúpula de Bucareste da Otan, em 2008” (Michael Weiss, Foreign Policyapud OESP 16-12-2013). 
Na hora de assinar o acordo com a Rússia em 17 de dezembro, o presidente Viktor Yanukovych piscou o olho ao ditador da “nova URSS”. Enquanto este, astutamente, se aprazia pensando no momento em que possa restabelecer seu férreo domínio sobre nossa gloriosa pátria.
Mas a Ucrânia se insurge contra essa intenção antinacional e anticristã.

Resistência ucraniana na Crimeia causa problemas à Rússia


O clima está mudando na Crimea. Na sexta-feira, os russos tomaram a região, sem sofrer oposição dos ucranianos. Talvez, após o confuso desfecho dos eventos em Kiev, os ucranianos ainda estivessem pensando a quem deveriam obedecer. Mas hoje há grandes grupos de militares ucranianos que resistem à nova autoridade na Crimeia. Eles recusam-se a render-se e entregar suas bases e navios de guerra e lentamente começam a criar problemas para os russos.

Talvez uma decisão tenha sido tomada para contra-atacar? Até agora isso tem sido feito pacificamente, mas cada vez mais as tropas testam os limites da Rússia , esperando mostrar ao mundo que os ucranianos não estão sendo intimidados por seus mestres russos. A comunidade internacional parece ter desistido da Crimeia. Mas está claro que o novo governo de Kiev não desistiu. O que nos leva aos eventos da última terça-feira.


Insultos e obscenidades



A guarda russa na base aérea de Sebastopol deve ter considerado a probabilidade de um confronto como este. Marchando em sua direção estava uma coluna de 300 soldados ucranianos portando orgulhosamente sua bandeira nacional. Os russos atiraram sobre suas cabeças, mas os ucranianos continuaram marchando em linha, cantando seu hino, em desafio. Saraivadas e mais saraivadas de balas passaram sobre suas cabeças e, quando eles se aproximaram das barricadas, os fuzis dos soldados russos foram baixados. Essa base aérea em Sebastopol abriga os esquadrões de caças MIG da força aérea ucraniana.

Por muitos dias, as tropas leais à Kiev têm sido confinadas em suas bases - mas agora os comandantes russo e ucraniano ficaram frente a frente. Os dois lados gritaram insultos e obscenidades enquanto os oficiais tentavam acalmar a situação. O oficial ucraniano pediu a realização de patrulhas conjuntas na base aérea. O oficial russo repassou o pedido a seus superiores, mas a situação chegou a um impasse.


Nó apertado



O que a comunidade internacional mais teme é um confronto que saia do controle e leve à guerra. Um prazo limite para que as forças ucranianas baixassem suas armas expirou na manhã de terça-feira. Moscou disse que o ultimato não existiu. Mas o presidente russo, Vladimir Putin, disse em sua primeira entrevista durante a crise que usar a força para proteger os russos na Ucrânia seria o "último recurso".

Não há dúvidas de que o nó está ficando mais apertado em volta de quem se recusa a submeter-se à nova autoridade na Crimeia. E o ambiente está ficando mais hostil. Ao redor das bases, os partidários da Rússia estão ameaçando jornalistas e os familiares de soldados trancados lá dentro. Até agora, muitas esposas estão conseguindo contrabandear comida para dentro, mas por quanto tempo ainda terão esse acesso?

No porto, tem havido bastante atividade. Os marinheiros ucranianos estão revestindo as grades de seus navios para evitar que russos lancem ganchos e os invadam. Na noite de segunda-feira, na antecipação de uma tática, um navio-guindaste foi manobrado para a entrada do porto. Ele pertence à frota russa do mar Negro. O bloqueio não é completo, mas a mensagem passada pelos russos é clara. Além disso, na manhã de terça-feira, cinco navios russos patrulhavam o local. (...).

Na parte leste da península, em Kerch, os russos estão reforçando suas tropas. O terminal de barcas foi tomado. Talvez mais equipamento pesado seja trazido. Na segunda-feira, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, disse que seu governo construiria uma ponte entre a Rússia e Kersh. Isso reforça o desejo do Kremlin de ficar unido permanentemente à Crimeia.

Fonte: UOL

terça-feira, 4 de março de 2014

No Altar à Hora Nona - O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional.

Mas, e a Ressurreição? Ela é o triunfo, isso é verdade. Porém, ela é o triunfo vivido de maneira oculta, por um Deus sem arrogância. Ela acontece novamente, mas em silêncio e solidão. Dentro do túmulo de pedra, de noite, ninguém estava lá, exceto os soldados que guardavam a entrada. Da mesma maneira, em uma voz mais baixa, no silêncio que permanece escondido nas profundezas das palavras do sacerdote, o “Alter Christus” no altar do Sacrifício, a Ressurreição novamente estará presente. Em silêncio e solidão. 
E assim vemos o “porquê” e o “como” o que significa “estar na Missa”, como alguém “assiste” ao Santo Sacrifício da Missa, a Missa antiga. Isso está longe da gritaria e dos aplausos, longe do comportamento frenético e da síndrome de querer ser o centro das atenções, longe os microfones crepitantes e com deformação de som, longe da inundação de fraseologia fria, longe da Missa reformada no estilo dos anos 70, uma década cheia de retórica cansativa ornada de slogans populistas que no final não têm utilidade alguma para alguém de qualquer tempo, uma das piores décadas já vividas na face da terra.

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No Altar à Hora Nona - O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional




É UMA PENA QUE POUCOS...OU TALVEZ NINGUÉM VÁ LER ESTE TEXTO.

(HOJE PODEMOS DIZER COM CERTEZA: O POVO SE PERDE POR PREGUIÇA: DE LER, DE PENSAR.... A GRANDE MAIORIA PREFERE SÓ OLHAR FIGURAS E ‘CURTIR’ BOBAGENS.

Traduzido do italiano pelo Padre Richard G. Cipolla
Fonte original: “La Cuccia del Mastino”, 14 de janeiro de 2014



No Altar à Hora Nona. O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional


Há duas facetas em particular que nos permitem uma compreensão mais profunda da Missa, especialmente, de acordo com a Forma Extraordinária, que pessoalmente prefiro: o silêncio e a solidão. O altar, antes, durante e depois do Sacrifício, é coberto em silêncio. E pela solidão: a do celebrante, o “AlterChristus.”

Mas como isso pode acontecer, alguém dirá, uma vez que a Páscoa e, portanto, a celebração são triunfos? Isso é verdade. Mas a celebração da Missa também é a renovação da Paixão e Morte de Cristo, que se desenrola no silêncio, na solidão, na traição, na negação e na fuga dos discípulos. Na Última Ceia, Cristo é traído e vendido por Judas. No Jardim das Oliveiras, na noite antes de sua morte, Cristo é deixado sozinho para suar sangue, enquanto seus discípulos dormem, em vez de rezar com Ele, a única coisa que lhes pedira. Naquela mesma noite, Pedro o nega três vezes. Ninguém tenta salvá-Lo, ninguém se oferece para suportar o peso de Sua cruz, mesmo por pouco tempo (o Cireneu foi forçado a fazê-lo). Ninguém parece conhecê-Lo ou reconhecê-Lo.


Cristo, em um momento de verdadeira dor humana, clama em voz alta ao Seu Deus, ao Abba, o abismo de miséria e solidão em que mergulha em silêncio. “Solidão”. A mesma solidão que o sacerdote, o AlterChristus, experimenta nesse momento no altar do Sumo Sacrifício, o Gólgota renovado, onde, de um modo real e mais uma vez, a Paixão de Cristo irrompe. O sacerdote está sozinho no altar. E a esta solidão soma-se a sombra protetora da solidão: silêncio. Na colina desolada do Gólgota, primeiro no Jardim [das Oliveiras] e é assim em seguidacomo no túmulo, Cristo está sozinho e em silêncio: o silêncio de sua obediência, do cálice de amarga aflição, o suor misturado com sangue. E este é o silêncio da impotência, uma impotência que por um momento parece até mesmo ser uma impotência deDeus. “Meu Pai, Abba, por que me abandonaste?” O “silêncio” de Deus, neste momento, quando a onda do abismo está quebrando sobre Cristo, parece quase como o naufrágio da Divindade no nada.


Porém, também é a impotência e a desolação que vem do primeiro e eterno “Sim”, em obediência da Maria aos pés da Cruz, ao aceitar este Filho que não era para ela conservar para Si: “StabatMater dolorosa…” Esse é o silêncio temeroso que foi experimentado pela maravilhosa Santa Teresa de Lisieux em seu leito de morte, quando ela gritou, naquele momento derradeiro de agonia e escuridão, que ela não tinha sensação da presença de Deus.


Silêncio. Assim como os discípulos estavam em silêncio, tal estava Maria, e igualmente todos os que amavam Cristo como homem e Messias.


Havia silêncio aos pés da Cruz.

Havia silêncio quando os outros se esconderam. Havia silêncio por causa da obediência.

Havia silêncio por causa da covardia.

Estavam silenciosos, paralisados pela dor.

Estavam silenciosos em confusão. Ou porque, ao final, as coisas “tinham mesmo que acabar” daquela maneira… Todos permaneceram em silêncio.

Apenas continuaram onde estavam: na Paixão e Morte do Filho de Deus.

Pelo mesmo motivo, na Missa do Sacrifício, os fiéis não deveriam “participar”, mas “assistir”, mantendo o silêncio — aquele mesmo silêncio que resguarda o sacerdote enquanto ele oferece o Sacrifício de Cristo e de si mesmo.

E, ao mesmo tempo, em estado de aceitação ativa, devem oferecer a sua parte naquilo que compõe o mistério, ou seja, no milagre, assim como prometeu o Messias, quando disse que não nos deixaria órfãos.

Entretanto, e a Ressurreição? É o triunfo, isso é bemverdade. É, porém, o triunfo vivido de maneira oculta, por um Deus sem arrogância. Na Missaacontece novamente, mas em silêncio e solidão.

Dentro do túmulo de pedra, de noite, ninguém estava lá, exceto os soldados que guardavam a entrada.

Da mesma maneira, em uma voz mais baixa, no silêncio que permanece escondido nas profundezas das palavras do sacerdote, o AlterChristus no altar do Sacrifício, a Ressurreição novamente estará presente. Em silêncio e solidão.

E assim vemos o “porquê” e o “como” do significado de “estar na Missa”, como alguém que “assiste” ao Santo Sacrifício da Missa, isto é, da Missa antiga. Isso está longe da gritaria e dos aplausos, longe do comportamento frenético e da síndrome de querer ser o centro das atenções, longe dos microfones crepitantes e do som desafinado, longe da inundação de fraseologia fria, e longe da Missa reformada no estilo dos anos de 1970 — década cheia de retórica cansativa, ornada de slogans populistas, que, em suma, nada tem de útil para oferecer, a ninguém de nenhuma época (nesta, que é uma das piores décadas já vividas na face da terra).






[O programa] ‘PORTA A PORTA’ [da RAI UNO] ‘FACILITOU’ TANTO, COMO SE FOSSE FAZER GOL SEM GOLEIRO... MESMO ASSIM, BERTONE MARCOU GOL CONTRA…


Mais atual do que nunca...
Foi mostrado por Vespa o texto manuscrito da Irmã Lúcia (reproduzido na parte de fora de  dois envelopes), que dizia: “Por ordem expressa de Nossa Senhora este envelope pode ser aberto em 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria”. 
Em várias outras ocasiões, a Irmã Lúcia afirmou que aquela data fora indicada pela Virgem. Contudo, ficamos sabendo agora (graças a Vespa), sem sombra de dúvida, que essas palavras haviam sido escritas sobre o envelope por ordem de Nossa Senhora. Ora, isso é o oposto do que assevera o Cardeal Bertone, que expressamente atribuiu à Irmã Lúcia a escolha daquela data. 
[A pergunta é imediata]: se partiu de Nossa Senhora  a indicação da data, por que  estipulou com exatidão o ano de 1960? A qual acontecimento, relacionado com a história da Igreja, sucedido na década de 1960, Nossa Senhora teria feito alusão (ainda que indireta)? 
No início da década de 1960, o Papa Roncalli [João XXIII] convocara o Concílio Vaticano II. Por isso, não seria nada surpreendente — conforme dizem os especialistas em Fátima — se o Segredo contivesse a profecia acerca de uma terrível apostasia após o Concilio (apostasia que inegavelmente aconteceu e continua em curso). Aí está o motivo pelo qual Roncalli, apavorado, tornou tudo secreto. 

A Igreja não é uma espécie de quadrilha de malfeitores, onde se impõe a lei do silêncio [omertà]. 
*** * ***
[O programa] ‘PORTA A PORTA’ [da RAI UNO] ‘FACILITOU’ TANTO, COMO SE FOSSE FAZER GOL SEM GOLEIRO... MESMO ASSIM, BERTONE MARCOU GOL CONTRA…

Antonio Socci http://www.antoniosocci.it/Socci/index.cfm  



O verdadeiro golpe de misericórdia no Vaticano, quinta feira à noite, não foi dado por Michele Santoro (com a partida, afinal de contas, “empatada” sobre os padres pedófilos), mas foi dado por Bruno Vespa, que colocou no ar o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcísio Bertone. Este, de fato,fez o mais clamoroso gol contra: demonstrou(involuntariamente)  haver uma parte explosiva no Terceiro Segredode Fátima, ainda que bem escondida. Isto simé bem embaraçoso para o Transtevere [para o Vaticano]...

Por tal serviço prestado à verdade (indiretamente, é claro), cumpre agradecer ao Cardeal Bertone. E encorajá-lo agora a dizer tudo, porque – como diz o Evangelho – “a verdade vos fará livres”.

(De tudo quanto foi antecipado pela Irmã Lúcia, por exemplo, ao Padre Fuentesse deduz que o “Quarto Segredo” contém exatamente a advertência profética feita por Nossa Senhora sobre a apostasia na Igreja, incluindo nela a terrível crise do clero que se seguiu ao Concílio e, portanto, também os escândalos, dos quais hoje se fala, como o dos “padres pedófilos”).

Resumimos os fatos antecedentes.

Em Novembro passado, saiu o meu livro “O quarto segredo de Fátima”, no qual demonstro que há uma parte do famoso “Terceiro Segredo que o Vaticano não publicou.

 Em Maio, o Secretário de Estado do Vaticano [Cardeal Bertone] publicou um panfleto contra mim, contendo alguns insultos, mas nenhuma resposta. E, ademais, acrescentando novas contradições (que coloquei em evidência nestas colunas, em 12 de maio último).

 Quinta Feira à noite, foi ao ar [na TV RAI UNO] uma mesa-redonda do “Porta a porta”, intitulada: “Não existe o quarto segredo de Fátima”.

O titulo visa a meu livro como alvo direto.

Admissível conceber uma mesa redonda “imparcial, se o assunto é apresentado, desde logo, como tese [comprovada]”? [O locutor] Vespa talvez tenha pretendido dar a Santoro uma lição de objetividade e de imparcialidade. Enquanto no programa de Santoro estavam presentes os dois lados, Vespa chamou a seu programa apenas o Cardeal Bertone e não trouxe à baila o abaixo-assinado, que, embora sendo o “alvo” central da transmissão, não foi levado em consideração, nem apresentado ao público. Com relação a mim, apresentaram apenas cenas de um filme ilustrando algumas das teses de meu livro. Desse modo, foi oferecida, em bandeja de prata, ao Cardeal Bertone, a possibilidade de me atacar sem nenhum contraditórioMas o Cardeal evitou os tons que usara em seu livro (pelo que lhe sou grato) e, sobretudo, evitou responder a qualquer contestação minha — sequer deu uma resposta a meus argumentos.

Entretanto, preferiu ir alémofereceu a prova de que tenho razão.

De fato, a certo ponto de sua exposição, o Prelado mostrou os envelopes que foram abertos no ano 2000, quando foi revelada a parte do Terceiro Segredo contendo a visão do “Bispo vestido de branco”.

Pois bem, sobre esses envelopes faltava uma coisa que absolutamente não poderia faltar: uma frase do Papa João [XXIII].  De fato, Monsenhor Capovilla, secretário de João XXIII, em duas entrevistas — a OraziolaRocca (Repubblica, 26.6.2000) e a Marco Tosatti (no livro “O segredo Não Revelado”) — relatou que, em 1959, quando o Papa Roncalli leu o Terceiro Segredo e decidiu mantê-lo secreto, disse ao mesmo Capovilla que “fechasse o envelope”, escrevendo sobre o mesmo: “não emito nenhuma opinião a respeito”, porque a mensagem “pode tanto pode ser uma manifestação do divino como pode não ser”. 
Agora, a pergunta: onde está a frase que João XXIII mandou escrever no envelope? Não estando no envelope exibido, só pode estarnoutro envelope. Naquele que o Cardeal apresentou às câmeras, positivamente não está.

Depreende-se, pois, com toda evidência, que só pode estar escrito sobre o envelope que contém o “Quarto Segredo”, cuja existência foi clamorosamente confirmada (pela primeira vez)justamente por Monsenhor Capovilla a SolideoPaolini, como relato em meu livro. Bertone não deu nenhuma explicação sobre a ausência daquela frase, e não respondeu à revelação de Monsenhor Capovilla acerca disso.

 Ademais, a dúvida de Roncalli sobre a origem sobrenatural daquela mensagem não podia referir-se ao texto da visão revelada no ano 2000, já que essa visão nada contém de “delicado”. Logo, somente poderia fazer alusão ao “quarto segredo”, que (segundo revelaram os Cardeais Ottaviani e Ciappi) falavam da apostasia e da traição das altas hierarquias eclesiásticas.

Aquele “quarto segredo” do qual João Paulo II, disse, em 1982, que “não o publicaria porque podia ser mal interpretado[SIC!]. Aquele “quarto segredo” do qual Ratzinger, em 1996, disse que, naquele momento, certos “detalhes” podiam prejudicar a fé[SIC!]. Aquele “quarto segredo” do qual o secretário do Papa Wojtyla disse a Marco Politi (que o relatou no programa de Vespa): “é preciso ter prudência para compreender o que diz Irmã Lúcia e o que diz Nossa Senhora”.[SIC!].

Mas o Cardeal Bertone, em “Porta a porta”, involuntariamente forneceu outra prova, ainda mais clamorosa, de que o “quarto segredo” existe realmente.

De fato, ele deu as medidas do envelope que contém o texto da visão: “9 centímetros por 14”. O Prelado evidentemente ignorava que desde 1982 é conservado no Arquivo do Santuário de Fátima um documento de Monsenhor Venâncio, o qual levou pessoalmente o envelope com o “quarto segredo” à Nunciatura, para enviá-lo a RomaMonsenhor Venâncio transcreveu as medidas exatas do envelope de Irmã Lúcia, que eram de 12 centímetros por 18. Portanto, pelos dados oficiais,conclui-se que aquele era outro envelope.

 Ali estava contido o papel do “quarto segredo”, que era constituído por “uma só página” com “25 linhas escritas”, como testemunhou o Cardeal Ottaviani, e não por 4páginas com 62 linhas, como é o texto da visão mostrado pelo Cardeal Bertoneo qual, embaraçadonão soube o que responder a Vespa, quando este lhe recordou as palavras de Ottaviani.

Foi mostrado por Vespa o texto manuscrito da Irmã Lúcia (reproduzido na parte de fora dedois envelopes), que dizia: “Por ordem expressa de Nossa Senhora este envelope pode ser aberto em 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria.

Em várias outras ocasiões, a Irmã Lúcia afirmara que aquela data fora indicada pela Virgem. Contudo, ficamos sabendo agora (graças a Vespa), preto no branco, que essas palavras haviam sido escritas sobre o envelope por ordem de Nossa Senhora. Ora, isso é o oposto do que assevera o Cardeal Bertone, que expressamente atribuiu à própria Lúcia a escolha daquela data.

[A pergunta é imediata]: se partiu de Nossa Senhoraa indicação da data, porque  estipulou com exatidão o ano de 1960? A que acontecimento, referente à história da Igreja, que ocorreria na década de 1960, Nossa Senhora teria feito alusão (indireta)?

No início da década de 1960, o Papa Roncallifizera a convocação do Concílio Vaticano II. Por isso, não seria nada surpreendente — conforme fazem os especialistas em Fátima — se o Segredo contivesse a profecia a respeito de uma terrível apostasia que seguira ao Concílio (apostasia que inegavelmente aconteceu e continua em curso). Aí está o motivo pelo qual Roncalli, aterrorizado, tornou tudo secreto.

Quanto à frase da Virgem que sempre foi considerada o ”incipit” do Terceiro Segredo (“Em Portugal, conservar-se-á sempre o dogma da fé, etc..), importa assinalar que vai nessa mesma direçãoEm horas e horas de conversa, o Cardeal Bertone sempre evitou perguntar à Irmã Lúcia se alguma vez ela teria escrito a sequência daquela frase [o que seria esse“ETC...”]. Ora, o Purpurado furtou-se por inteiro de explicar o sentido do [enigmático]“ETC...”. Com efeito, seria concebível que as palavras de Nossa Senhora se interrompessem com um ETCOETERA, após ter dito umas poucas palavras?

Reportando-se àquela frase, o Cardeal Bertonesimplesmente a denomina de “certa anotação” de LúciaPretenderia assim dar a entender que aquelas palavras de Nossa Senhora seriam, na verdade, uma fantasia de Lúcia, como já insinuara Roncalli?

 Se assim é, seria bom dizê-lo de público, sem embaraços, como sucedeu com todas as mensagens dessa natureza(desde 1966, Paulo VI liberou essa “literatura”).

 Por que continuar negando a existência do segredo, ao sustentar uma versão que faz água por todos os lados, expondo a Igreja a graves “ricatti” [formas diversas de chantagem]?

O Cardinal Bertone vê-se obrigado a desenvolver uma tarefa dura e ingrata. A cada dia vêm à luz fiapos de verdade que desmontam a sua versão (Em “Porta a porta”, para não mencionar outras particularidades, a história da reunião plenária do Santo Ofício, em 1960, bem como o relato que diz respeito ao envelope da tradução, referente a 6 de Março de 1967, o que não corresponde à  versão oficial). 

No fundo, o Papa, na carta publicada por Bertone, abre o caminho para a verdade, quando diz que no ano 2000 foram publicadas “as palavras autênticas da terceira parte do segredo”. Afirmando isso, subentende que existem palavras do segredo tidas como “não autênticas”.

Então, coragem; publicai tudo. “A verdade vos fará livres”.




Resposta a alguns leitores:


           Houve quem – mesmo entre leitores e admiradores – se tenha escandalizado com minha investigação sobre o Terceiro Segredo de Fátima, bem como em razão dos artigos respondendo ao Cardeal BertoneNinguém contesta os fatos e os dados, mas me objetam que, dizendo tais verdades que descobri, prejudicarei a Igreja.


Respondi que me limito a fazer o meu trabalho de jornalista, segundo os deveres indicados até mesmo pelo Compêndio da doutrina social do Pontifício Conselho da Justiça e da paz, o qual afirma: “Para quantos atuam por vários títulos no campo das comunicações sociais ressoa forte e clara a advertência de São Paulo: ‘Por isso, banida a mentira, cada um de vós diga a verdade ao próprio próximo’”.

            Escrevo aquilo que me parece ser a verdade; se escrevesse o contrário, agiria contra a consciência e – como ensina Inocêncio III, citado no Catecismo Universal(n.1790) –“agir contra a consciência conduz à danação eterna”.


          De outro lado,
como explicou o Papa em Ratisbona, a pesquisa racional da verdade não é jamais contra Deus (Veja a Fides etRatio). Mais ainda, quando se trata de pesquisar as autênticas palavras da Santa Virgem, em Fátima! Enfim, o mesmo princípio vale como resposta àqueles que presumem dever ocultar a verdade para obter alguma forma de bem. Estes, sem dúvida, se acham em total dissonância com a verdadeira ortodoxia católica. Quem diz isso não sou eu.


Mais uma vez, é o Catecismo Universal da Igreja Católica, publicado por ordem de João Paulo II e do Cardeal Ratzinger. Eis as palavras: “Jamais será permitido fazer o mal,a fim de obter algum bem”- 1789). Em suma, o mandamento “não prestar falso testemunho” vale também para os Cardeais, e não podem ser alegados motivos superiores para mentir…

         Penso, de resto, que sempre será mais conveniente dizer a verdade. O Evangelho fala muito claro. Jesus diz: “A verdade vos fará livres”. Não diz: atenção, porque por vezes a verdade pode criar-vos problemasDiz: a verdade vos fará livres (isto é também o sentido dos “mea-culpa do Papa Wojtyla). Aquela passagem evangélica indica a belíssima liberdade dos filhos de Deus. A Igreja não é uma espécie de quadrilha de malfeitores, onde se impõe a lei do silêncio [omertà]. Ao contrário, éa casa dos filhos de Deus, a casa da liberdade e da verdade de Deus, e não precisa de nossa mentira, mas sim de nossa humilde escuta e do reconhecimento de nossas misérias (mesmo por parte dos eclesiásticos).


Aconselho a todos o memorável discurso do Cardeal Ratzinger sobre a consciência e a liberdade dos cristãos,texto que se intitula “O brinde do Cardeal”. Não por acaso, o Catecismo Universal (n. 1778) cita a belíssima frase do Cardeal Newman, que diz: “A consciência é a primeira dos vigários de Cristo”.

(Tradução e destaques de Raphael de la Trinité)

domingo, 2 de março de 2014

O teólogo favorito de João Paulo II - URS VON BALTHASAR, O PAI DA APOSTASIA ECUMÊNICA



O que é, então, o ecumenismo para von Balthasar? É a "integração no todo da Católica"52, a qual "Católica" não existe ainda e no momento é "somente uma promessa, uma esperança escatológica".

Em conclusão, é importante assinalar que von Balthasar, como também Blondel e De Lubac, cultivou "sua" teologia com evidente desprezo pelo Magistério da Igreja e especialmente por São Pio X, que, na encíclica Pascendi (1907), condenou o ecumenismo, em que desemboca inevitavelmente o naturalismo dos modernistas; e por Pio XII, que em Humani Generis condena tanto as tentativas de conciliar o idealismo, e portanto Hegel, com a teologia católica como o ecumenismo, em que todos se teriam, "sim, unidos, mas em ruína geral". Em 1946, escrevia o Pe. Garrigou-Lagrange: "Para onde vai a nova teologia com os novos mestres em que se inspira? Para onde senão o caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia?" E os novos "mestres" eram Hegel e Blondel, que Fessard (da "turma" de De Lubac) chamava, não sem razão, "nosso Hegel"59. Hoje, no domínio ecumênico, mais do que na fantasia, estamos no delírio. Num dos documentos "ecumênicos" dos mais escandalosos: "Indicações Úteis para Apresentar Corretamente o Judaísmo", da Comissão para Relações com o Judaísmo, presidida pelo cardeal Willebrands60, pode-se ler que os católicos e os judeus, "ainda que partindo de pontos de vista diferentes [ler:opostos], tendem para fins análogos [sic], a vinda ou o retorno [é a mesma coisa!] do Messias". É textualmente o pensamento de von Balthasar, que, como Hegel, encontra o modo de conciliar todos os opostos, fazendo violência à realidade dos fatos:

"Pedro, o renegado, abandona o julgamento do Senhor e se solidariza [sic] com os judeus [que crucificaram Cristo] [...]; juntamente com vós, judeus, também nós, cristãos, esperamos a (re)vinda [sic] do Messias."61

O que é, então, o ecumenismo para von Balthasar? É a "integração no todo da Católica"52, a qual "Católica" não existe ainda e no momento é "somente uma promessa, uma esperança escatológica". Eis como Schönborn explica "a importância ecumênica" da "figura" de Maria em von Balthasar: "em Maria a Igreja aparece como a Igreja santa e imaculada, em quem a plena figura da Igreja, sua 'catolicidade', é não somente promessa, esperança escatológica, mas antes plenitude já realizada".Então, contrariamente à Fé constante e infalível da Igreja, repetida por Pio XI em Mortalium Animos, e contrariamente ao dogma que todo e qualquer católico tem o dever de professar (Credo Ecclesiam unam, sanctam, catholicam), a catolicidade da Igreja não é uma realidade, realizada há dois mil anos, mas uma realidade que ainda está por se realizar, uma simples "promessa, uma esperança escatológica". E o que é, então, a atual Igreja Católica para von Balthasar? Um "sistema" entre outros, uma das numerosas "configurações eclesiais", teses ou antíteses (consoante ela recusa ou é recusada), que será ultrapassada e aniquilada na "Católica", como as seitas, as religiões pagãs e idólatras e os diversos "marxismos".

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O teólogo favorito de João Paulo II - URS VON BALTHASAR, O PAI DA APOSTASIA ECUMÊNICA



Depois do Concílio - Missa na Alemanha
Depois do Concílio - Missa no Brasil 

Chegou a vez de outro representante da "nova teologia", hoje exaltado como "pedra angular da Igreja" (J. Meinvielle), o ex-jesuítasuícoUrs von Balthasar. Se Maurice Blondel encarna o tipo do filósofo modernista e apologeta, se Henri de Lubac é o tipo do teólogo modernista, UrsvonBalthasar encarna o aspecto pseudomístico e ecumenista do modernismo.

Temos em mãos a obra Urs von Balthasar ? Figura e Opera1, de Karl Lehmann e Walter Kasper, personalidades da "nova teologia". Lemos na orelha do livro: "escrito por seus amigos e discípulos [Henrici, Haas, Lustiger, Roten, Greiner, Treitler, Löaser, Antonio Sicari, Ildefonso Murillo, Dumont, O´Donnel, Guido Sommavilla, Rino Fisichella, Max Shönborn... e Ratzinger], pretende fazer redescobrir toda a importância e o valor de sua obra e de sua pessoa". Descubramo-lo também nós; é de extrema importância.

"Brilhante,  mas Vazio"

Von Balthasar foi apaixonado, desde a juventude, pela música e, como Montini, pela literatura, mais do que pelos estudos filosóficos e teológicos2. Somente a filosofia "mística" de Plotino teve o poder de fasciná-lo. Ao contrário, a filosofia e a teologia escolástica suscitaram seu horror:

"Todos os meus estudos durante os anos de formação na Ordem dos Jesuítas foram uma luta enfurecida com a desolação da teologia, com o que os homens tinham feito da glória da Revelação; não podia suportar essa figura da palavra de Deus, queria aplicar golpes à direita e à esquerda com a fúria de um Sansão, queria, com sua força, derrubar o templo e nele me enterrar. mas isso era, agora que a missão começava, querer impor meus planos, era viver com minha indignação infinita porque as coisas ficavam assim. Tudo isto eu não dizia praticamente a ninguém. Przywara compreendia tudo, mesmo sem palavras; dos demais ninguém me poderia compreender. Escrevi o "Apocalypse" com essa fúria que se propunha destruir o mundo pela violência e reconstruí-lo a partir das fundações, custasse o que custasse"3

A "missão" do futuro demolidor se esboçava. Pelo momento, o resultado foi que seus estudos na Companhia de Jesus terminaram pela "dupla licença eclesiástica em filosofia e teologia; Balthasar nunca obteve doutorado nessas matérias"4.

Em compensação, porém, o jovem von Balthasar aprendera a correr atrás dos sistemas e tendências agitadas do pensamento moderno, encorajado pelos "grandes animadores da época de seus estudos"5. Erich Przywara, da Universidade de Pullach-Munique, que o forçou a "confrontar Agostinho e Tomás com Hegel, Scheler e Heidegger"6, e Henri de Lubac, da Maison d´études de Lyon Fourvières. "Por sorte e para minha consolação", escreve vonBalthasar, "Henri de Lubac morava na casa conosco. Foi ele que, além do material de estudo escolástico, nos levou aos Padres da Igreja e com magnanimidade nos emprestava a nós todos [Balthasar, Daniélou e Bouillard] seus próprios estudos e notas."7 Foi assim que von Balthasar, "durante as aulas, com os ouvidos tapados com algodão, leu todo [Santo] Agostinho" e aprendeu, pelas notas generosamente emprestadas por De Lubac, a opor, com afetação, a patrística à escolástica, cuja linguagem rigorosa não permitia os jogos interpretativos com textos dos Padres da Igreja a que se entregavam os "novos teólogos"8. Ao mesmo tempo, vonBalthasar conhecia a poesia francesa: Péguy, Bernanos, Claudel, na tradução dos quais ele trabalhará durante vinte e cinco anos.

No fim de seus estudos, aquele que, segundo De Lubac, seria "o homem mais dotado de nosso século" (outro sistema dos modernistas consiste em criar, uns para os outros, um halo de grandeza inexistente9), leva consigo somente uma poeira, tão vasta quanto superficial, nos domínios que testemunham um verdadeiro diletantismo. O Pe. Labourdette O.P., numa tirada significativa, definiu um dos primeiros artigos de vonBalthasar como "uma página brilhante, mas vazia"10.

Com esse "defeito de origem", von Balthasar estava pronto para engrossar o número dos eclesiásticos modernistas, "que, sob as aparências de amor à Igreja, absolutamente deficientes em filosofia e teologia sérias, impregnados, ao contrário, até os miolos, de um veneno de erro recebido dos adversários da fé católica, se colocam, sem nenhuma modéstia, como renovadores da Igreja"[ 11.

Privado de sólida formação filosófica e teológica, admirador apaixonado da poesia e da música, von Balthasar misturará, com inacreditável superficialidade, a teologia e a literatura, acreditando poder criar uma teologia "dele" com a mesma imaginação com que um artista cria sua obra de arte.

"Somente mais tarde", escreve ele, "quando o brilho da vocação já me acompanhava havia vários anos e quando eu tinha terminado meus estudos filosóficos em Pullach (acompanhado de longe por Erich Przywara) e os quatro anos de teologia em Lyon (inspirados por Henri de Lubac) com meus condiscípulos Daniélou, Varillon, Bouillard e muitos outros, compreendi como seria de grande ajuda para a concepção de minha teologia o conhecimento de Goethe, Hölderin, Nietzsche, Hofmannsthal e, sobretudo, dos Padres da Igreja, para os quais me dirigiu De Lubac. O postulado fundamental de minha obra Gloria foi a capacidade de ver uma 'Gestalt' [forma complexa] na sua coerente totalidade: a visão goethiana devia ser aplicada ao fenômeno de Jesus (sic) e à convergência das teologias neotestamentárias"12

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