terça-feira, 22 de outubro de 2013

PECADOS DE IGNORÂNCIA, DE DEBILIDADE E DE MALÍCIA




Padre Garrigou-Lagrange
Les Trois Âges de la Vie Interieur

Tradução: Rafael Horta








PECADOS DE IGNORÂNCIA

Com relação à vontade, a ignorância pode ser antecedente, conseguinte ou concomitante. A ignorância antecedente é aquela que não é de nenhuma forma voluntária e se chama “moralmente invencível”.  Por exemplo: crendo atirar contra um leão, em uma espessa selva, um caçador mata um homem, cuja presença não podia suspeitar. Neste caso não há pecado voluntário, senão unicamente material.

A ignorância conseguinte é aquela que é voluntária, ao menos indiretamente, pela negligência que existiu em inteirar-se do que podia e deveria saber; se chama ignorância vencível, porque teria sido possível livrar-se dela; assim é causa de pecado formal, indiretamente voluntário. Por exemplo: um estudante de medicina, depois de vários anos de muito vagabundar e estudar pouco, por influência ou casualidade recebe seu diploma de doutor; como ignora quase tudo pertinente à arte da medicina, um dia acontece que acelera a morte de um enfermo, em vez de curá-lo. Não há, neste caso, pecado diretamente voluntário, porém indiretamente e que pode ser grave, já que é possível chegar ao homicídio por imprudência ou grave negligencia.

A ignorância concomitante é aquela que não é voluntária, porém de tal forma acompanha o pecado, que mesmo que se não existisse, se pecaria do mesmo modo. É o caso, por exemplo, de um homem vingativo que deseja matar seu inimigo, e um dia o mata sem saber, crendo ter matado uma cabra na espessura do bosque; caso que manifestamente se difere dos dois anteriores.

Se segue daí que a ignorância involuntária ou invencível não é pecado; mas a voluntária e vencível o é, e mais ou menos grave segundo a gravidade das obrigações às que se falta. Tal ignorância não livra do pecado, porque houve negligência; unicamente diminui a culpabilidade. A ignorância involuntária ou invencível, em contrapartida, escusa totalmente do pecado, suprime a culpabilidade.

A concomitante não livra do pecado, porque mesmo se não existisse, se cometeria o mesmo pecado.

A ignorância invencível se designa com o nome de “boa fé”; para que realmente se possa chamar invencível ou involuntária, é preciso que moralmente não seja possível livrar-se dela. Não é possível tal ignorância enquanto aos mais fundamentais preceitos da lei natural: “se deve fazer o bem e evitar o mal”; “não faça aos outros o que não quer que te façam”; “não matarás”; “não roubarás”; “adorarás a um só Deus”. Mesmo que não seja pela ordem do mundo, pela vista do céu estrelado e o conjunto da criação, a mente humana possui, ao menos, a probabilidade da existência de Deus, ordenador e legislador supremo; e quando o homem chega a essa probabilidade, está na obrigação estrita de ir mais adiante nessa investigação; do contrário já não se mantém na boa fé verdadeira, ou ignorância involuntária ou invencível. O mesmo se pode dizer de um protestante que chega a convicção de que provavelmente o catolicismo é a verdadeira religião; tem obrigação de informar-se com seriedade e pedir a luz a Deus Nosso Senhor; do contrário, como disse Santo Afonso, comete pecado contra a fé, ao negar-se empregar os meios necessários para chegar a ela.

Com frequência as pessoas piedosas não consideram suficientemente os pecados de ignorância que muitas vezes cometem, por não considerar, como poderiam e como seria sua obrigação, os deveres religiosos ou os deveres de estado; ou também os direitos e qualidades dos demais; superiores, iguais ou inferiores com quem tem que tratar. Porque somos responsáveis, não somente dos atos desordenados que realizamos, mas também das omissões do bem que poderíamos ter feito se tivéssemos verdadeiro zelo pela glória de Deus e pela salvação das almas. Uma das causas dos males atuais da sociedade está no esquecimento daquelas palavras do Evangelho: “Os pobres são evangelizados”, e na indiferença dos que, possuindo coisas supérfluas, não se preocupam com os que nada têm.


PECADOS DE DEBILIDADE

Chama-se pecado por debilidade ou fraqueza o que provém de uma violenta paixão que arrasta a vontade ao consentimento. Assim se diz no Salmo VI, 3: “Miserere mei, Domine, quaniam infirmus sum: Tende piedade de mim, Senhor, porque sou fraco”. A alma espiritual é débil, com efeito, quando sua vontade cede à violência dos movimentos da sensibilidade. Perde assim a retidão do juízo prático e da eleição voluntária ou de eleição, seja por medo, ira ou qualquer outra má inclinação. Pedro, durante a Paixão, renegou cheio de medo, três vezes a Nosso Senhor.

Quando, por efeito de uma viva emoção ou paixão, nos sentimos inclinados a um objeto qualquer, logo julga a inteligência que tal objeto nos convém, e a vontade dá com facilidade seu consentimento, desprezando a lei divina (1).

Mas temos que distinguir aqui a paixão chamada antecedente, que precede o consentimento da vontade, e a conseguinte, que a segue. A paixão antecedente diminui a culpabilidade, porque diminui igualmente a liberdade do juízo e da livre eleição; isto se acha especialmente nas pessoas muito impressionáveis. Pelo contrário, a paixão conseguinte, ou voluntária, não diminui a gravidade do pecado, antes a aumenta; ou melhor, é uma prova de que o pecado é muito voluntário, posto que é a mesma vontade que suscita esse desordenado movimento da paixão, como quando alguém se encoleriza para fazer ver sua má vontade (2). De igual forma uma boa paixão conseguinte, como a Santa cólera de Nosso Senhor, ao expulsar do Templo os vendedores, aumenta o mérito, uma má paixão conseguinte aumenta o pecado.

O pecado da fraqueza é o da vontade que cede ao impulso de uma paixão antecedente; sua gravidade diminui, porém isso não quer dizer que nunca possa chegar a ser mortal. O é certamente quando a matéria é grave e vai unida a um conhecimento e consentimento pleno; tal seria o caso do homicida que comete o crime sob o impulso da ira (3).

É possível resistir, sobretudo no princípio, aos movimentos desordenados das paixões; se se não lhe opõe essa resistência, nem se reza como é devido, para obter o auxílio divino, a paixão já não é só antecedente, mas se faz também voluntária.

O pecado de fraqueza, mesmo sendo mortal, é mais digno de perdão que qualquer outro; porém “digno de perdão” de nenhuma maneira quer dizer “venial” no sentido corrente desta palavra (4).

Mesmo as pessoas piedosas devem ter muita atenção neste assunto, porque podem produzir-se nelas movimentos de inveja não reprimidos que poderia fazer cair em graves faltas; por exemplo, em juízos temerários, palavras e atos externos que foram causa de graves divisões, contrárias ao mesmo tempo à justiça e à caridade.

Seria grave erro pensar que só o pecado de malícia pode chegar a ser mortal, porque só ele contaria com a suficiente advertência e o pleno consentimento  requeridos, junto com a matéria grave, para constituir o pecado que dá morte a alma, fazendo-a merecedora da morte eterna. Semelhante erro seria o resultado de uma profunda deformação da consciência, e ainda contribuiria a aumentá-la. Recordemos que no princípio é fácil resistir aos desordenados movimentos da paixão e que devemos opor-lhes resistência e orar para fazê-lo assim, segundo as palavras de Santo Agostinho recordadas pelo Concílio de Trento: “Deus nunca nos manda o impossível, porém, ao impor-nos um preceito, nos ordena que façamos o que podemos e que peçamos o que não podemos” (5).


PECADOS DE MALÍCIA

Diferente do pecado de ignorância e de fraqueza, o de malícia é aquele que se escolhe o mal intencionalmente; os latinos diziam “de indústria”, ou seja, com intenção, expressamente, sem ignorância e mesmo sem paixão antecedente. Muitas vezes este pecado é premeditado.

Isso não quer dizes que se queira o mal pelo mal; porque o objeto da vontade é o bem e não pode querer o mal senão sob o aspecto de um bem aparente.

Mas o que peca por malícia, com conhecimento de causa e por má vontade, deseja intencionalmente um mal espiritual (por exemplo, a perda da caridade ou da divina amizade) em troca de um bem temporal. É claro que um pecado assim entendido difere, em gravidade, do de ignorância e do de fraqueza ou debilidade.

Não se deve concluir daí que todo pecado de malícia seja pecado contra o Espírito Santo. Este, que é um dos pecados mais graves de malícia, tem lugar quando, por menosprezo se rechaça precisamente aquilo que nos salvaria ou que nos livraria do mal; por exemplo; quando se combate a verdade religiosa [objetivamente] conhecida (impugnatio Veritatis agnitae), ou quando por inveja, deliberadamente, se entristece com as graças e do adiantamento espiritual do próximo.

Frequentemente o pecado de malícia procede de algum vício gerado por múltiplas faltas; mas também pode existir faltando este vício; assim o primeiro pecado do Demônio foi um pecado de malícia, porém não habitual, senão de malícia atual, de má vontade, de uma embriaguez de orgulho.

É evidente que o pecado de malícia é mais grave que os de ignorância e de fraqueza, mesmo que estes sejam mortais. Por isso, mesmo as leis humanas castigam com mais rigor o homicídio premeditado que o cometido por paixão.

A principal gravidade dos pecados de malícia provém de que não mais voluntários que os outros; de que geralmente procedem de um vício gerado por faltas reiteradas, e de que, ao cometê-los, se antepõe um bem temporal à divina amizade, sem a desculpa de ignorância ou de violenta paixão.

Nestas questões alguém pode se enganar de duas maneiras distintas. Alguns se inclinariam a pensar que só o pecado de malícia pode ser mortal; estes não compreendem bem a gravidade de certos pecados de ignorância voluntária ou de que fraqueza, nos que, não obstante, existe matéria grave, suficiente advertência e consentimento pleno.

Outros, pelo contrário, não compreendem suficientemente a gravidade de certos pecados de malícia cometidos com toda a frieza. Com afetada moderação e gesto de benevolência e tolerância, os que assim combatem a verdadeira religião e tiram aos pequenos o pão da verdade divina, podem pecar mais gravemente que o que blasfema e o que mata no ardor da paixão.

A falta é tanto mais grave quanto é cometida com mais vontade e mais conhecimento, e quando procede de mais desordenado amor de si mesmo, que às vezes chega até o desprezo de Deus.

Pelo contrário, um ato virtuoso é mais ou menos meritório segundo seja mais voluntário e livre e que seja inspirado pelo maior amor de Deus e do próximo, amor que pode chegar até o santo desprezo de si mesmo, como disse Santo Agostinho.

Assim acontece que o que ora com demasiado apego aos consolos sensíveis, merece menos que quem persevera na oração sem esses consolos, em contínua e profunda aridez; mas ao sair dessa prova, seu mérito não desmerece se sua oração procede de uma caridade igual, que agora influi felizmente em sua sensibilidade. Ademais, um ato interior de puro amor tem mais valor aos olhos de Deus que uma multidão de obras exteriores inspiradas em menor caridade fervorosa.

Em todas estas questões, quer se trate do bem quer do mal, preciso é, sobretudo, atender ao elemento que radica em nossas faculdades superiores: inteligência e vontade, ou seja, o ato de vontade realizado com pleno conhecimento de causa. E desde este ponto de vista, assim como um ato mal plenamente deliberado e consentido, como um pacto formal com o Demônio, tem formidáveis consequências, do mesmo modo um ato bom, tal como a oblação de si mesmo a Deus, realizada de maneira plenamente deliberada, consentida e frequentemente renovada, pode ter ainda maiores consequências na ordem do bem; porque o Espírito Santo é infinitamente mais poderoso que o espírito do mal, e pode mais na ordem de nossa santificação, que aquele para nossa perdição. É muito conveniente pensar nestas coisas diante da gravidade de certos acontecimentos atuais. Como o amor de Jesus Cristo, ao morrer por nós na Cruz, foi mais agradável a Deus que o tudo o que poderia desagradá-Lo todos os pecados juntos, assim o Salvador é mais poderoso para salvar-nos, que o inimigo do em para perder-nos. Neste sentido disse Jesus: “Não temais aquele que matam o corpo, porém não podem matar a alma; antes, temei ao que pode perder o corpo e a alma no inferno”. (Mt X, 28). O inimigo do bem não pode, ao menos que nós o abramos as portas de nosso coração, penetrar no intimo de nossas vontades, enquanto que Deus está dentro de nós mais intimamente que nós mesmos, e pode levar-nos com força e suavidade aos mais profundos e elevados atos livres, aqueles atos que são como uma “prévia” da vida eterna.

Notas:
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1 – Santo Tomás, I, II, q. 58, a. 5; q. 57, a. 5, ad 3; q 77, a. 2.
2 – Santo Tomás, I, II, q. 77, a. 6.
3 – I, II, q. 77, a. 8.
4 – Ibid., ad I.
5 – Conc. Trid., ses. VI, cap. II (Denz., 804), ex Santo Agostinho, De Natura et gratia, C. XLII, n° 50.

Nos Corações de Jesus e de Maria!
Rafael Horta

Sobre a Reforma, Católicos e Luteranos podem pedir perdão pelo mal causado e culpas cometidas: Papa Francisco à Federação Luterana Mundial



O Papa Francisco encara “com profunda gratidão ao Senhor Jesus Cristo” os “numerosos passos dados nas últimas décadas nas relações entre Luteranos e Católicos”, e isso “não só através do diálogo teológico, mas também mediante a colaboração fraterna em múltiplos âmbitos pastorais”.

Recebendo nesta segunda-feira, uma Delegação da Federação Luterana Mundial, juntamente com membros da Comissão Luterano-católica para a unidade, o Santo Padre recordou que o “ecumenismo espiritual constitui, num certo sentido, a alma do nosso caminho em direcção à plena comunhão”.


O Papa Francisco congratulou-se com o facto de ter sido publicado recentemente, em vista da comemoração dos 500 anos da Reforma, um texto da Comissão luterano-católica para a unidade intitulado “Do conflito à comunhão. A interpretação luterano-católica da Reforma em 2017”.


“Parece-me verdadeiramente importante para todos o esforço de confrontar-se, em diálogo, sobre a realidade histórica da Reforma, sobre as suas consequências e sobre as respostas que lhe foram dadas. 
Católicos e Luteranos podem pedir perdão pelo mal que causaram uns aos outros e pelas culpas cometidas perante Deus, alegrando-se ao mesmo tempo pela nostalgia de unidade que o Senhor tem despertado nos nossos corações e nos faz olhar em frente com esperança”. 


Fonte: Rádio Vaticana


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A unidade não é um resultado principalmente do nosso esforço, mas sim da ação do Espírito Santo

As palavras do Papa Francisco à Federação Luterana Mundial e representantes da Comissão para a Unidade Luterano-Católica





CIDADE DO VATICANO, 21 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Apresentamos as palavras do Papa Francisco à Federação Luterana Mundial e representantes da Comissão para a Unidade Luterano-Católica. 

Queridos irmãos e irmãs luteranos, queridos irmãos católicos,

De bom grado dou as boas-vindas a todos vocês, Delegação da Federação Luterana Mundial e representantes da Comissão para a Unidade Luterano-Católica. Este encontro dá continuidade àquele que, muito cordialmente, eu tive com o senhor, estimado bispo Younan, e com o secretário da Federação Luterana Mundial, reverendo Junge, por ocasião da celebração do início do meu ministério como bispo de Roma.

Com profundo sentimento de gratidão a nosso Senhor Jesus Cristo, eu olho para os muitos passos que as relações entre luteranos e católicos vêm dando nas últimas décadas, não só através do diálogo teológico, mas também da colaboração fraterna em muitas áreas pastorais e, especialmente, no compromisso de avançar no ecumenismo espiritual. Este último, em certo sentido, é a alma de nossa jornada rumo à plena comunhão, e nos permite saborear desde agora alguns frutos, ainda que imperfeitos: na medida em que nos aproximamos com humildade de espírito de nosso Senhor Jesus Cristo, temos a certeza de nos aproximar também entre nós, e, na medida em que clamamos ao Senhor pelo dom da unidade, temos a certeza de que Ele nos pegará pela mão e será o nosso guia. Temos que nos deixar conduzir pela mão de nosso Senhor Jesus Cristo.

Este ano, como resultado do diálogo teológico que já completa cinquenta anos, e tendo em vista a comemoração do quinto centenário da Reforma, foi publicado o texto da Comissão para a Unidade Luterano-Católica, que tem o significativo título "Do conflito à comunhão: a interpretação luterano-católica da Reforma em 2017".

Eu acho realmente importante, para todos, o esforço de se dialogar sobre a realidade histórica da Reforma, sobre as suas consequências e sobre as respostas que foram dadas a ela. Católicos e luteranos podem pedir perdão pelos danos causados ​​por uns contra os outros e pelas culpas cometidas diante de Deus, e, juntos, alegrar-se com o anseio de unidade que o Senhor despertou em nossos corações e que nos faz olhar para frente com esperança.

À luz do caminho das últimas décadas e dos tantos exemplos de comunhão fraterna entre luteranos e católicos, que estamos testemunhando, confortados pela confiança na graça que nos é dada em nosso Senhor Jesus Cristo, eu estou certo de que saberemos continuar a nossa jornada de diálogo e de comunhão, abordando as questões fundamentais e as diferenças que surgem no campo da antropologia e da ética. É claro que existem dificuldades, que exigirão mais paciência, diálogo, compreensão mútua, mas não nos assustemos! Sabemos bem, e quantas vezes Bento XVI nos recordou, que a unidade não é um resultado principalmente do nosso esforço, mas sim da ação do Espírito Santo, a quem devemos abrir o coração com confiança, para que ele nos conduza pelo caminho da reconciliação e da comunhão.

O beato João Paulo II se perguntava: "Como anunciar o evangelho da reconciliação sem ao mesmo tempo comprometer-se com a reconciliação dos cristãos?" (Ut Unum Sint, 98).


Que a oração fiel e constante em nossas comunidades apoie o diálogo teológico, a renovação da vida e a conversão dos corações, de modo que, com a ajuda de Deus Uno e Trino, caminhemos para o cumprimento da vontade do Filho, Jesus Cristo, de que todos sejam um. Obrigado.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Desabafo de um padre sobre missas



Celebrando a missa na Paróquia Cristo Ressuscitado em Padre Miguel - RJ

Sou padre há quase 5 anos. Fui seminarista por 7 anos. Já estive em vários lugares Brasil afora, já celebrei em tantos outros e guardo no meu coração uma tristeza profunda. Quando eu era criança na roça e ia com minha família à missa uma vez por mês eu sabia que naquela hóstia tinha Jesus. Eu sentia o cheiro da vela queimando e aprendi a me perseguinar toda vez que passava diante de uma Igreja. Eu achava tudo meio estranho porque não entendia a missa, mas, sentava no primeiro banco e respondia a todas as perguntas que o padre fazia na hora do sermão. Daí eu cresci, fomos pra cidade e eu continuava inocente. Fui pro seminário e as escamas de meus olhos caíram. A missa pela qual eu sempre nutri o maior religioso respeito
virou palco
virou show
virou passeata
virou passarela
virou camarim de estrela
virou sambódromo
virou terreiro
virou tudo e suportou tudo
menos ser de fato, missa.
Já vi tanto desleixo... alfaias puídas, vasos sagrados zinabrados, hóstias consagradas carunchadas dentro do sacrário, um sacrário no meio de uma reforma de Igreja com hóstias consagradas dentro, consagração de vinho em tamanha quantidade que as sobras Eucarísticas precisaram de um exército de MESC para consumi-las porque o padre não poderia fazê-lo sem ficar bêbado e outros tantos abusos. Quando veio a Redemptionis Sacramentum e a Ecclesia de Eucharistia veio uma lufada de ar fresco e os rebeldes da Teologia da Libertação, da Rede Celebra e das CEB`s reagiram vorazmente. O site do mosteiro da Paz que hospedava uma carta de Reginaldo Velloso eivada de críticas às necessárias mudanças na liturgia e catalizadora desta mentalidade saiu do ar, mas, encontrei-a no site da Montfort disponível aqui.

Capitaneada pelo dualismo marxista de tipo maniqueísta, a reinterpretação que a missa sofreu nas décadas que sucederam o Concílio Vaticano II seguiu as pegadas da subjetividade humana. É odioso ouvir: "ah o jeito do outro padre é diferente". Isto denota uma personalização que a missa não comporta. A missa nunca foi a missa do padre, mas a missa da Igreja!

Esta mentalidade impregnou tanto a liturgia que quando um Padre quer celebrar a missa da Igreja, aquela do Missal Romano, é chamado de retrógrado. O respeito às normas litúrgicas são sinônimo de opressão. A missa pura e simples foi esvaziada para poder ser enchida pela ideologia da enxada, da faixa, do cartaz, da freira, do padre TL... a missa se transformou...
virou manifestação e protesto contra o Governo e o Sistema
contra a Igreja
contra os padres
contra a fé católica de sempre
contra a liturgia de sempre.
Enfiaram bananeiras, berrantes, espeto de churrasco, cuia de chimarrão, pão de queijo, cachaça, coco, faca e facão, pipoca, balões e ervas de cheiro na missa, enfiaram panos coloridos para todos os lados, colocaram mães de santo manuseando o turíbulo e leigos lendo preces seminus. Para essa CORJA a missa já deixou há muito tempo de ser o sacrifício redentor de Cristo PRO MULTIS e se tornou só mais uma mesa para comensais na qual vale o discurso e não a fé, na qual o que importa é o que o homem diz aos seus iguais e não o que Deus diz ao homem. Lembro-me de um professor contando todo garboso que certa feita utilizou-se de uma Adoração ao Santíssimo Sacramento para dar uma aula de teologia ao povo - aos seus moldes é claro - porque para ele aquela hóstia era pobre de significado.

Aquela hóstia pobre...
tão pobre quanto o cocho de Belém,
tão pobre quanto a cama em Nazaré,
tão pobre quanto a casa de Pedro em Cafarnaum,
tão pobre quanto a casa de Lázaro em Betânia,
tão pobre quanto o coração do Filho de Deus,
ela só pôde se tornar Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Cristo
porque Ele se fez pobre!
Sua pobreza não comporta reduções
tampouco acréscimos desnecessários.
Ele é aquele que é e nada mais,
mas, só para quem tem fé!

Aos meus irmãos padres um apelo: que nós diminuamos e que Ele apareça. Não somos o noivo, apenas amigos do noivo! Rezemos a missa da Igreja, a missa do Missal. Que Ele fale aos corações e às mentes, inclusive às nossas mentes e corações! Que Ele toque as vidas, inclusive as nossas. Que sua voz ecoe nas consciências, também nas nossas. Que toda a nossa Liturgia seja feita Por [causa de] Cristo, Com Cristo e em Cristo a[o] Pai na Unidade do Espírito Santo. Só isso. Se fizermos isso bem feito teremos feito tudo o que nos compete nesta vida.

Excelências da Língua Latina





A língua litúrgica latina é:

1. uma língua venerável. Pois é o produto do desenvolvimento histórico e secular, consagrada pelo uso multi-secular.

2. uma língua estável. A Igreja conserva-a por saber que as suas palavras são a expressão fiel da fé católica. Tal certeza não teria com traduções continuamente reformadas e adaptadas à língua viva. Os gregos, apesar de separados da Igreja romana, guardaram a sua fé quase completamente devido em grande parte à sua Liturgia antiga.

3. Língua fixa. A língua latina é muito aperfeiçoada, com termos próprios, formados pela legislação romana.

4. Língua misteriosa e santa. É convicção geral que, para um ato tão santo como a missa, a língua quotidiana é menos conveniente. Os hereges, faltos de respeito de Deus, introduzem logo a língua vulgar na Liturgia. Seguindo o exemplo do Concílio Tridentino, Alexandre VII (1661) nem sequer permitiu a tradução do missal em francês. Hoje isto se concede; mas nega-se a licença de usar a língua vulgar na Liturgia, principalmente da missa. Existe o perigo de serem abusadas pela povo baixo as palavras que contêm os divinos mistérios.

5. Língua unitiva. A diversidade das línguas separa os homens, a língua comum une-os. A língua latina une as igrejas particulares entre si e com Roma.

6. Língua civilizadora. Todos os membros do clero devem aprender latim, e por isso podem aproveitar para a sua formação esmerada os autores clássicos antigos e a doutrina profunda dos santos padres da Igreja.

7. Língua internacional. Não só o clero entende a língua latina, mas também leigos a cultivam e empregam, por exemplo, na ciência médica, física e mesmo no comércio (catálogo) e a preferem às línguas artificiais (esperanto).

8. Mas, dizem, o povo não entende nada da missa. Responde-se: A missa é uma ação, não um curso de instrução religiosa. No Calvário não havia explicações. O altar é um Calvário. Todo cristão sabe o que significa: imolar-se.

Além disso, o Concílio Tridentino (sess. 22) encarrega os sacerdotes "que frequentemente expliquem alguma coisa do que se lê na missa". Mas "etsi missa magnam contineat populi fidelis eruditionem, non tamen expedire visum est Patribus, ut vulgari passim lingua celebraretur" - "embora a Missa contenha grandes instruções para o povo fiel, não pareceu, contudo, conveniente aos Padres que ela fosse celebrada ordinariamente na língua vulgar". (Tradução nossa).

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Pe. João Batista Reus, S. J. Curso de Liturgia. Segunda edição revista e aumentada. Rio de Janeiro: Vozes, 1944, p.47-48.


Fonte: Nos comentários de Mulher Católica

'Geração do diploma' lota faculdades, mas decepciona empresários



Há setenta anos
“Nunca tantos deveram tanto a tão poucos” – A frase de Winston Churchill foi pronunciada há 70 anos
Os “tão poucos” eram os 2900 jovens pilotos da Royal Air Force que iriam enfrentar a superioridade numérica da força aérea alemã, a Luftwaffe, nos céus do Reino Unido.
O confronto ficou conhecido como “a batalha de Inglaterra” e foi decisivo. As palavras de Churchill, a 20 de Agosto de 1940, ficaram para a História:
“Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos”.
Entre julho e outubro de 1940, a força aérea britânica impediu que o país fosse ocupado pelos nazistas.

Hoje
A guerra tomou nova modalidade e virulência: trata-se de interminável batalha psicológica revolucionária para “obter a conquista das mentes”
Em nossos dias, quais os artifícios mais aptos para obter a derrocada mental dos indivíduos?
Uma das primeiras medidas: transformar a “elite intelectual” num magma pastoso de “analfabetos funcionais”.
De fato, essa é a expressão em voga para designar os que, embora com nível superior de estudo, são incapazes de interpretar corretamente um texto comum. Melhor seria caracterizá-los como “indigentes mentais”. — Em favor destes, ninguém lança nenhuma campanha de “opção preferencial”, apesar de serem bem mais pobres do que os relativamente  pobres em bens materiais..
Multiplicaram-se as Faculdades e o saber ficou raquítico. – Relação de causa e efeito? Sintoma de uma geração embrutecida, aparvalhada, envilecida e hedonista?
Parafraseando Churchill, poderíamos hoje afirmar:
“Nunca tantas faculdades diplomaram tão grande número de analfabetos em tão pouco tempo!”
Do “analfabetismo funcional” (ou “indigência mental”) à saturação doutrinária marxista, só há um passo. Espíritos sem capacidade de refletir tornam-se presa fácil para demagogos e comunistas de todos os matizes.

Ora, desde há muito, esse passo já foi transposto por nós: há décadas, as Universidades são um valhacouto do fossilizado socialismo (científico e utópico) do século XIX! 

Raphael de la Trinité


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Ruth Costas
Da BBC Brasil em São Paulo


Número de instituições de ensino superior mais que dobrou desde 2001


Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.
Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.
"Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de "geração do diploma" é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

"Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria", diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.

Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples, ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.
"Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas", diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. "Surpreendentemente, terminamos com vagas em aberto".
Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.
É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.

Produtividade da industria aumentou apenas 1,1% na última década, segundo a CNI


Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.
"Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem", explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

Causas

Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a "geração do diploma".
A principal delas estaria relacionada à qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.
Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.
"Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim", diz Pastore.
Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.
"São mais uma extensão do ensino fundamental", diz McCowan. "E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade."
Para termos a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.

Especialistas questionam qualidade de novas faculdades no Brasil

Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.
De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos - de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. "E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda", prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.
Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.
"Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos", diz ela. "E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros."

Postura e experiência

A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.
"Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade", diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.
"Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor."
As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.
Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.
"Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra", diz Cuellar.
Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.
"Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado", acredita o consultor.

'Tradição bacharelesca'

Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a "geração do diploma" estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.


"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários." - Gabriel Rico


De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais - como administração, direito ou pedagogia - enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.
"O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes", diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.
Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: "Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing", ele exemplifica. "Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas."
Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.
"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários", diz o consultor.
Rafael Lucchesi concorda. "Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).
Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil - mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.
"Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área", acredita.


Fonte: BBC

Da morte do católico apóstata









P - Se a vida do apóstata é tão triste e tão miserável, qual não deverá ser sua morte?

R - A morte daquele que apostatou é a morte mais funesta que se pode imaginar. Nesse último momento, onde o tempo se obscurece, nesse momento terrível onde todas as ilusões cessam, nesse momento de onde depende a sorte de uma eternidade aventurada ou infeliz, a consciência recupera seus direitos e sujeita a torturas cruéis aquele que morre rebelde a seu Deus e à Igreja.


P - Donde provém este terror e esta agitação terrível do apóstata no leito de morte?

R - Ela provém de várias fontes. A primeira é a palavra infalível de Deus, que a predisse em ternos manifestos em muitos lugares das Sagradas Escrituras. Eis alguns destes oráculos: O desejo dos pecadores perecerá. O coração endurecido se sentirá mal no último momento da vidaA morte dos ímpios é horrível. É horrível cair entre as mãos do Deus vivo


P - O senhor supõe que aqueles que se fazem protestantes são estes pecadores, estes corações endurecidos, estes ímpios de quem é falado nas passagens da Bíblia que o senhor cita. Mas é realmente assim?

R - Sem dúvida. E, com efeito, qual crime é comparável àquele do apóstata? Ele traiu sua própria consciência, ele renegou sua fé e a única religião verdadeira no intuito de se entregar aos prazeres carnais ou satisfazer um interesse vil. Ele seguiu seu orgulho cego e traficou sua alma. Há um coração mais endurecido que aquele que, depois de se sobrecarregar de pecados, passa do desespero à apostasia, que resiste a todas as exortações de Deus, asfixia o grito contínuo de sua consciência e chega às portas da morte nesse estado? Há um ímpio mais declarado que aquele que persegue a Igreja em seu ódio, que lhe declara uma guerra mortal, que busca roubar seus filhos para corrompê-los por seus escândalos, seus discursos e suas manobras? Quem, portanto, é mais ímpio que aquele que detesta a Igreja, esta Esposa tão cara a Jesus Cristo, esta Esposa que ele adquiriu ao preço de tantas penas, de tanto sangue e de uma morte tão cruel? Ah! Não há palavras capazes de expressar como convém esta impiedade abominável.


P - Realmente não há o que responder: diga-me as outras razões que tornam a morte dos apóstatas medonha. 

R - Além dos oráculos divinos que predizem os horrores da morte destes infelizes, eles têm ainda um pressentimento obscuro sobre o fim horrível ao qual eles tendem. Eles sentem, no fundo de sua alma, que Deus é seu inimigo. O próprio Deus concorre, por um castigo antecipado, em lhes fazer sentir mais vivamente os terrores do tribunal inexorável diante do qual eles vão comparecer. Eu não sei se se encontrastes presente na morte de algum destes ímpios; mas creia pelo menos naquele que foi testemunha delas. Estes miseráveis tornam-se então insensíveis e mudos como rochedos: ou mais ainda, caem em acessos de furor e de desesperança, só manifestando o estado medonho de sua alma. Seus olhos perturbados e desvairados, seu rosto desfeito, suas contorções, são, como tais, indícios de sua reprovação final.


P - Mas a morte de todos os apóstatas é realmente assim?

R - Tal é, infelizmente, a morte comum destes infortunados, morte que podemos chamar justamente de um inferno antecipado. Se há alguma exceção a esta regra, ela ainda é mais funesta.


P - Não entendo: o que o senhor quer dizer por isso?

R - Eu quero dizer que a morte aparentemente mais tranquila de um ou de outro dentre eles é, na realidade, mais deplorável que aquela que eu acabo de descrever. Aqueles, ao menos, do qual lhe falei inicialmente, experimentam a atrocidade do remorso, e, portanto, se eles quiserem, eles ainda podem - absolutamente falando, com a graça de Deus, que não falha - enquanto há vida, usar estes mesmos remorsos para sua salvação. Os outros, ao contrário, mostram assaz, por sua calma estúpida, que eles perderam completamente a fé; eles se mostram incrédulos e ateus práticos, que não fazem questão da vida futura, que não pensam nem em Deus nem na imortalidade da alma, e morrem como viveram, ou seja, como animais irracionais. Para pessoas desta espécie, todos os remédios são ineficazes. 


P - Por que o senhor os chama de ateus práticos e incrédulos?

R - Porque eles realmente são isso. Diga-me: é possível que um cristão, sabendo que após a vida presente, ele deve se apresentar ao julgamento de Deus para receber uma sentença final e irrevogável, que deve decidir sobre sua eternidade, que um cristão, sabendo que ele cometeu uma ofensa grave contra Deus, morra tranquilo? Coisa parecida só pode acontecer com um ateu e com um incrédulo completo.

P - Há, ao menos, exemplos de certos homens que se arrependeram perto da morte do crime que eles cometeram ao se fazerem protestantes?

R - Sim; há os exemplos de todos aqueles que não estão completamente endurecidos contra os remorsos de sua consciência, e que não caíram, por sua falta, na impenitência final. Quando estes percebem que o mundo foge diante de si e que a vida está-lhes escapando, então a venda do que eles chamavam uma convicção profunda lhes cai dos olhos, eles reconhecem a ilusão louca que eles criaram para si mesmos e, no silenciar das paixões, eles se recordam da Igreja que eles abandonaram, e buscam se reconciliar com ela e com Deus. Estes são os verdadeiros triunfos da misericórdia divina.


P - Por que o senhor chama estas conversões dos triunfos da misericórdia divina?

R - Porque as conversões sinceras, neste momento, são um milagre, visto o abuso imenso que eles fizeram, durante a vida, das graças de Deus, graças pelas quais Ele não cessou de chamar estes pecadores à penitência. Ademais, ocorre frequentemente, por um desígnio sempre adorável, mas terrível, da justiça divina, que estes apóstatas, em sua última hora, busquem um padre católico e não podem tê-lo, seja porque este último não chega a tempo, seja ainda porque o acesso junto do doente lhe seja proibido por uma vigilância cruel. Infelizmente! Quantos exemplos de acontecimentos semelhantes eu poderia citar! Enfim, estas conversões na hora da morte são chamadas dos triunfos da misericórdia divina, porque Deus atinge frequentemente os apóstatas com a morte súbita e os transporta, assim, ao outro mundo, sem que eles percebam. A razão desta justiça assustadora, nós a encontramos na Escritura: Não se brinca com Deus, nos diz ela.



P. Jean Perrone, C.J. Le Protestantisme et l'Église catholique. Controverses à l'usage du peuple. 2e édition, H. Casterman, Paris, 1857.


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