quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Melhor pedófilo que racista


DESTAQUE

Até onde pode conduzir a propaganda do ‘politicamente correto’ e a inversão de valores: ao desejar “proteger as minorias” de estigmas e discriminações, os fanáticos do pensamento politicamente correto acabam desprotegendo outras minorias que estariam mais bem servidas se a lei fosse igual para todos...

Mas o pensamento politicamente correto não trata os indivíduos como indivíduos. Prefere a atitude totalitária de tratá-los em rebanho, removendo-lhes a identidade — e a responsabilidade.

Eis a ironia final: aqueles que defendem a “política de grupos” são os mesmos que destroem a dignidade desses grupos.


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1.400 menores foram abusados sexualmente e traficados para prostituição pelo país inteiro por muçulmanos paquistaneses durante 16 anos.

 Por João Pereira Coutinho


Era uma vez uma pequena cidade no sul do Yorkshire chamada Rotherham. Nunca a visitei. Mas, pelas fotos disponíveis, parece uma daquelas típicas cidades do interior de Inglaterra, com o seu encantador ar de desolação e sujidade. Conheço várias.

Acontece que Rotherham passou a estar nas notícias devido a um “escândalo” que terá ocorrido entre 1997 e 2013.

Nesse período, e como tem relatado o enviado desta Folha, 1.400 menores terão sido abusados sexualmente e traficados para prostituição pelo país inteiro. Caso recusassem participar nos crimes, eram ameaçados com violências de uma inimaginável crueldade.

Perante esta novela, a pergunta lógica é saber como foi possível, durante 16 anos, violar e traficar 1.400 menores a partir de um lugarejo que fica a três horas de Londres –e não em Cabul ou Mogadíscio.

A resposta, contida no relatório do professor Alexis Jay, é de arrepiar um defunto: as “autoridades” locais – serviços sociais, polícia, até políticos– sabiam ou desconfiavam do sucedido. Alguns até receberam as vítimas – peço desculpa: as “alegadas” vítimas, que denunciavam os crimes e pediam ajuda na punição dos agressores.

O problema, como afirma o mesmo relatório, é que essas vítimas eram brancas; e os agressores – peço desculpa novamente: os “alegados” agressores eram na sua maioria paquistaneses muçulmanos, que gostavam de “caçar” carne branca.

As “autoridades” preferiram não investigar a fundo a monstruosidade de Rotherham porque, no glorioso mundo do multiculturalismo demente, parece que é pior ser racista, ou acusado de racismo, do que ser pedófilo e cafetão.

Aliás, o relatório nem precisava de o afirmar: tempos atrás, e como lembra a revista “Spectator”, os serviços sociais de Rotherham entenderam que era seu direito remover três crianças do lar familiar porque os pais eram simpatizantes do partido eurocético Ukip.

Não vale a pena relembrar que o Ukip, por mero acaso, venceu as últimas eleições europeias na Inglaterra. Democraticamente.

A verdadeira ameaça, para os serviços sociais, estava no fato dos pais daquelas crianças votarem num partido que se recusa a “promover ativamente a causa multiculturalista”. A mesma causa que condenou 1.400 menores a um regime de escravidão sexual. Desconheço se as três crianças retiradas da família também fizeram parte do circuito de violação e prostituição que não perturbou os serviços sociais.

A procissão ainda vai no adro e o temor inglês é que, depois de Rotherham, comecem a surgir por toda a Inglaterra casos semelhantes. Há até quem fale em Oxford, essa arcádia de conhecimento e solenidade, como um antro de criminalidade igual.

Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos. Por enquanto, a história de Rotherham oferece duas lições.

A primeira, óbvia, é mostrar como o pensamento politicamente correto não é apenas uma doença intelectual. Na prática, essa doença tem consequências: ao desejar “proteger as minorias” de estigmas e discriminações, os fanáticos do pensamento politicamente correto acabam desprotegendo outras minorias que estariam melhor servidas se a lei fosse igual para todos. Cega e justa.

Mas existe uma segunda lição, menos óbvia, mas igualmente importante: a covardia das autoridades de Rotherham não é apenas uma traição a gente pequena e vulnerável.

Também é uma traição para a própria comunidade paquistanesa, sobretudo para os milhares de inocentes que, como lembra o enviado desta Folha, ajudaram a construir o país e a defender o reino na Segunda Guerra Mundial.

Se os criminosos tivessem sido tratados e punidos individualmente, a comunidade paquistanesa não seria confundida com eles. Nem manchada pelos seus crimes.

Mas o pensamento politicamente correto não trata os indivíduos como indivíduos. Prefere a atitude totalitária de os tratar em rebanho, removendo-lhes a identidade — e a responsabilidade.

Eis a ironia final: aqueles que defendem a “política de grupos” são os mesmos que destroem a dignidade desses grupos.

Fonte: FSP

Simplismos no Iraque


DESTAQUE

Dick Cheney num artigo que publicou com sua filha Liz: "Poucas vezes um presidente dos Estados Unidos esteve tão equivocado, sobre tantas coisas, às custas de tanta gente. As ações de Obama, antes e depois dos recentes avanços dos jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) no Iraque aumentaram as ameaças estratégicas contra a segurança dos EUA. O presidente Obama parece estar decidido a deixar o cargo tendo degradado a América. Ele vai no caminho de assegurar que seu legado seja o de um homem que traiu nosso passado e dilapidou nossa liberdade".

Cheney dirige-se aos que já "sabem" que Obama é um péssimo presidente cujas decisões costumam ser erradas. E assim, Cheney e sua filha se unem a uma longa lista dos que oferecem "soluções" para a situação na Síria e no Iraque, soluções que, segundo os críticos, o presidente e sua equipe ignoram, não entendem, não sabem executar ou, como diz Cheney, Obama as refuta porque está empenhado em degradar a influência do país.

O interessante das recomendações para enfrentar a complicadíssima situação é que os críticos de Obama não são somente republicanos, mas também membros de seu partido. Uma das críticas mais comuns é que Obama não armou a oposição síria que enfrenta Bashar Assad.

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Os terroristas do "Estado Islâmico do Iraque e do Levante" (ISIL) estão assassinando milhares de cristãos no Iraque.




Por Moisés Naím


"Os líderes do Partido Republicano estão frustrados com o fracasso do presidente Barack Obama em encontrar uma solução para o conflito entre sunitas e xiitas. A única coisa que pedimos ao presidente na reunião foi que acabasse com essa briga religiosa que começou no ano 632. E o que nos ofereceu o presidente? Nada", afirmou, aborrecido, o senador Mitch McConnell. "Este conflito tem mais de 1.500 anos", disse John Boehner, líder dos republicanos na Câmara dos Deputados. "Isso quer dizer que o presidente Obama teve tempo suficiente para resolvê-lo", acrescentou.

A citação anterior é uma brincadeira inventada pelo humorista Andy Borowitz - que, por sua vez, foi colocada seriamente por Dick Cheney num artigo que publicou com sua filha Liz: "Poucas vezes um presidente dos Estados Unidos esteve tão equivocado, sobre tantas coisas, às custas de tanta gente. As ações de Obama, antes e depois dos recentes avanços dos jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) no Iraque aumentaram as ameaças estratégicas contra a segurança dos EUA. O presidente Obama parece estar decidido a deixar o cargo tendo degradado a América. Ele vai no caminho de assegurar que seu legado seja o de um homem que traiu nosso passado e dilapidou nossa liberdade".

A ironia de que o acusador seja um dos responsáveis pela catastrófica invasão do Iraque só é superada por sua desfaçatez. O artigo provocou uma enxurrada de reações recordando os muitos e trágicos erros de Cheney: "Não há dúvida de que Saddam tem armas de destruição em massa"; "Seremos recebidos como libertadores"; "Não precisaremos deixar muitos soldados no Iraque depois da invasão"; "Sunitas, xiitas e curdos viveriam harmonicamente em democracia"; "Os extremistas na região se verão obrigados a repensar sua estratégia de jihad"; entre outros. É evidente que o artigo se destina mais a influir na política interna dos Estados Unidos do que na política no Oriente Médio.

Cheney dirige-se aos que já "sabem" que Obama é um péssimo presidente cujas decisões costumam ser erradas. E assim, Cheney e sua filha se unem a uma longa lista dos que oferecem "soluções" para a situação na Síria e no Iraque, soluções que, segundo os críticos, o presidente e sua equipe ignoram, não entendem, não sabem executar ou, como diz Cheney, Obama as refuta porque está empenhado em degradar a influência do país.

O interessante das recomendações para enfrentar a complicadíssima situação é que os críticos de Obama não são somente republicanos, mas também membros de seu partido. Uma das críticas mais comuns é que Obama não armou a oposição síria que enfrenta Bashar Assad. 

"Armar os moderados" é o mantra dos que acusam Obama de ter abandonado a Síria. Também o acusam de ter abandonado o Iraque: os críticos insistem em que Obama não devia ter retirado todas suas tropas, mas deixado um contingente para enfrentar emergências militares. E o que recomendam fazer agora no Iraque? Atacar com drones o Isil, que invadiu o Iraque vindo do território da Síria. Propõem também depor o primeiro-ministro xiita Nurial-Maliki, substituindo-o por um líder menos sectário que provenha do consenso entre os grupos sunitas, xiitas e curdos.

Perigo. O problema dessas recomendações é que elas são de um simplismo enorme e perigoso. E todas supõem que Obama e EUA têm mais poder, capacidade e conhecimento do que a experiência recente repetidamente demonstrou.

"Armar os moderados da Síria" supõe que os EUA sabem quem são e podem garantir que as armas que vão fornecer não cairão em mãos de seus inimigos. Isso apesar de alguns efetivos do Isil terem sido vistos portando equipamentos que os EUA enviaram aos moderados. Deixar tropas americanas no Iraque ficou impossível uma vez que o governo de Maliki, por pressão do Irã, se negou a permiti-lo.

"Drones contra fanáticos" é outra ideia muito distante de ser uma solução mágica para problemas que não se resolvem com robôs. Talvez seja preciso usá-los para deter a Isil, mas, como se viu no Afeganistão, os drones não solucionam o problema e ainda criam outros.

O mesmo vale para a proposta de tirar Maliki do poder. É inevitável mas, com a sua saída, não desaparece a infernal política entre as seitas e tribos iraquianas. Segundo o humorista Borowitz, o único consenso que há entre esses grupos é que Cheney se cale.

E não é má ideia que também sejam mais sóbrios os que têm soluções "óbvias" que supõem que o governo dos EUA tudo sabe e tudo pode. Foi o fato de agir com base nessa suposição que debilitou a superpotência. / Tradução de Celso Paciornik

Fonte: ESP

Onde guardar a memória


DESTAQUE


“Como então”, pergunta Agostinho, ”podem existir esses dois tempos, o passado e o futuro, se o passado já não existe e o futuro ainda não chegou? Quanto ao presente, se continuasse sempre presente e não passasse ao pretérito, não seria tempo, mas eternidade. Portanto, se o presente, para ser tempo, deve tornar-se passado, como podemos afirmar que existe, se sua razão de ser é aquela pela qual deixará de existir?”

Seguindo o raciocínio agostiniano, quando a memória tenta relatar acontecimentos passados, ela conta apenas com as palavras que exprimem os fatos, e não os fatos em si, já que deixaram de existir. Só nos restam pegadas do passado cujo destino é se apagar com o tempo.

Isso quer dizer que os arquivos e bancos de dados com memórias cada vez mais poderosas são apenas uma fantasia de eternidade? Arquivos prefiguram o paraíso? Talvez Agostinho pensasse assim, uma vez que, segundo ele, o tempo se dá na condição de presente que dura pouco, até se esvair no esquema divino da perpetuidade.



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Por LUÍS ANTÔNIO GIRON


Física, digital ou orgânica, a memória serve tanto para a conservação do passado como para reinventá-lo


















Os bancos de memória digital gigantescos que se espalham hoje não passam da materialização das lembranças, objetos e documentos de bilhões de pessoas que já passaram pelo mundo. É como se o tempo pudesse ser congelado a partir da informação recolhida sobre determinada época ou período da história. Terceirizamos a memória. Mas será que o tempo pode ser simplesmente conservado dessa forma? Ou melhor, existe uma forma de prender o tempo da forma exata como ele aconteceu?

Não literalmente. A memória orgânica do homem procura se transformar e se fixar em evidências materiais e em registros digitalizados, até porque ela se esvai cedo ou tarde. Por ser mortal e falível, a memória ambiciona ser mantida intacta no cofre impossível da eternidade. Guardar informação em local seguro é parte da condição dos indivíduos em constante luta para vencer o tempo. A precariedade da mente e a vida efêmera encontram um refúgio ilusório nos bancos de dados. Mas o tempo não cabe na memória, nas memórias de cada um dos indivíduos que vivem ou já viveram.

Sobre o assunto disse Santo Agostinho em suas Confissões (publicadas em 398 d.C.): a condição do tempo é a sua tendência para não existir. Ao pensarmos nele, temos a impressão de que sabemos o que ele é. Mas quando nos perguntam que ele significa, não conseguimos responder: os acontecimentos caminham rumo ao futuro, embora mal se tenham tornado passado. “Como então”, pergunta Agostinho, ”podem existir esses dois tempos, o passado e o futuro, se o passado já não existe e o futuro ainda não chegou? Quanto ao presente, se continuasse sempre presente e não passasse ao pretérito, não seria tempo, mas eternidade. Portanto, se o presente, para ser tempo, deve tornar-se passado, como podemos afirmar que existe, se sua razão de ser é aquela pela qual deixará de existir?” 

Seguindo o raciocínio agostiniano, quando a memória tenta relatar acontecimentos passados, ela conta apenas com as palavras que exprimem os fatos, e não os fatos em si, já que deixaram de existir. Só nos restam pegadas do passado cujo destino é se apagar com o tempo.

Isso quer dizer que os arquivos e bancos de dados com memórias cada vez mais poderosas são apenas uma fantasia de eternidade? Arquivos prefiguram o paraíso? Talvez Agostinho pensasse assim, uma vez que, segundo ele, o tempo se dá na condição de presente que dura pouco, até se esvair no esquema divino da perpetuidade. Imagino que ele julgaria a internet, a nova biblioteca universal, como um demoníaco depósito de lixo informacional. Não é o “palácio da memória” que ele menciona nas Confissões, que impregna a mente do homem com reminiscências do motor divino primordial, do qual ele próprio não é consciente.

Muita gente pensa ainda hoje como Agostinho. É o caso de Umberto Eco. Quando visitei o semioticista italiano em seu apartamento em Milão, em dezembro de 2011, Eco me disse que o excesso de informação e de memória virtual iriam conduzir a humanidade à amnésia. “O problema é que a falta de critério de seleção gera um ambiente caótico, em que todas as informações se equivalem”, disse. “Nesse ambiente, a terceira mulher de Júlio César, a medíocre Calpúrnia, torna-se tão importante como um gênio militar como César. Vivemos os tempos do caos armazenado”.

O caos do excesso poderia levar a humanidade ao Armagedom da cultura, da arte e do saber, como quer Eco? O sociólogo catalão Manuel Castells diz que irá ocorrer o contrário – e eu tendo a concordar com ele. Em conversa recente que tivemos em um hotel no bairro de Higienópolis em São Paulo, ele disse: “Quanto mais informação guardada, maior a qualidade da aquisição de conhecimento. Uma biblioteca de 400 mil títulos é melhor do que uma de 10 mil títulos. Na internet acontece a mesma coisa: a oferta de informação só faz crescer o conhecimento do usuário. O importante é você saber o que quer. E isso os jovens que já nasceram com a internet sabem mais o que ninguém, pois eles não precisam lembrar-se dos fatos, mas identificar onde eles estão [SIC! SIC! SIC!]. Experimentamos uma era inédita de informação e conhecimento universal e acessível”.


Desse modo, o tempo e seus fragmentos poderiam ser de alguma forma aprisionados, codificados e organizados para que humanidade aprenda com eles – e reinvente o passado via ficção e fantasia. Assim como os arquivos acumulam dados, os monumentos e os museus são erguidos e as efemérides festejadAs em memória a fatos que já não estão mais aqui. São as nuvens da memória profana que Agostinho jamais cogitaria. Nelas, os homens acumulam informações para tentar triunfar sobre a morte. Não importa que percamos nossa memória orgânica, porque todos iremos perdê-la. Arquivos, museus, monumentos, bancos de dados, servidores virtuais em nuvem, tudo isso forma os cemitérios dinâmicos de almas vivas, conservadas enquanto durar a cultura.

Fonte: Época

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Como a 'Guerra ao Terror' criou o grupo terrorista mais poderoso do mundo


DESTAQUE

Sempre foi do interesse dos EUA e de outros governos que a Al-Qaeda fosse vista como tendo uma estrutura de comando e controle como um mini Pentágono, como a máfia na América. Essa é uma imagem confortante para o público porque grupos organizados, por mais demoníacos que sejam, podem ser encontrados e eliminados por meio da prisão e da morte. É mais alarmante a realidade de um movimento cujos adeptos se autorecrutam e podem surgir em qualquer lugar.
A reunião de militantes de Osama bin Laden, que ele não chamava de Al-Qaeda até depois de 11 de setembro, era só um dos muitos grupos jihadistas de 12 anos atrás. Mas, hoje, suas ideias e métodos são predominantes entre os jihadis por causa do prestígio e publicidade que ganharam depois da destruição das Torres Gêmeas, da guerra no Iraque e da demonização de Washington como a fonte de todo o mal estadunidense.

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Por Patrick Cockburn/Tom Dispatch


Estratégia estadunidense falhou porque não mirou no movimento jihadista como um todo e, acima de tudo, não mirou na Arábia Saudita e no Paquistão
  

Esse artigo, que originalmente foi publicado no Tom Dispatch, foi extraído do primeiro capítulo do novo livro de Patrick Cockburn, "The Jihadis Return: ISIS and the New Sunni Uprising" (O Retorno dos Jihadis: o Estado Islâmico e o novo Levante Sunita, em tradução livre), com agradecimento especial à editora, OR Books. A primeira seção é uma nova introdução escrita para o Tom Dispatch.



Há elementos extraordinários na política atual dos Estados Unidos em relação ao Iraque e à Síria que estão atraindo uma atenção surpreendentemente baixa. No Iraque, os EUA estão perpetrando ataques aéreos e mandando conselheiros e treinadores para ajudarem a conter o avanço do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (mais conhecido como Estado Islâmico) na capital curda, Arbil. Os EUA presumidamente fariam o mesmo se o EI cercasse ou atacasse Bagdá. Mas, na Síria, a política de Washington é exatamente oposta: há muitos opositores do EI no governo sírio e curdos sírios em seus enclaves do norte. Ambos estão sendo atacados pelo EI, que já tomou cerca de um terço do país, incluindo a maior parte de suas instalações de óleo e gás.


Membros da minoria religiosa yazidi, que fugiram de Mosul (Iraque), devido à violência do Estado Islâmico, recebem ajuda humanitária
Mas a política dos EUA, da Europa Ocidental e do Golfo Pérsico é derrubar o presidente Bashar al-Assad, que vem a ser a política do EI e de outros jihadis na Síria. E se Assad cair, o EI será o beneficiário, já que será questão de vencer ou absorver o resto da oposição armada síria. Há uma falsa ideia em Washington e outros lugares de que existe uma oposição “moderada” síria sendo ajudada pelos EUA, pelo Qatar, pela Turquia e pelos sauditas. É, apesar disso, fraca e está enfraquecendo a cada dia. Logo o califado pode se estender da fronteira iraniana até o Mediterrâneo e a única força que pode possivelmente impedir que isso aconteça é o exército sírio.


A realidade da política dos EUA é apoiar o governo do Iraque, mas não a Síria, contra o EI. Mas uma razão para o grupo ter sido capaz de se tornar tão forte no Iraque é que ele pode extrair seus recursos e combatentes da Síria. Nem tudo o que deu errado no Iraque foi culpa do primeiro-ministro Nourial-Maliki, como agora se tornou o consenso político e midiático no Ocidente. Os políticos iraquianos têm me dito nos últimos dois anos que o apoio estrangeiro à revolta sunita na Síria inevitavelmente desestabilizaria o país deles também. Isso agora aconteceu.



Ao continuar com essas políticas contraditórias em dois países, os EUA garantiram que o EI pudesse fortalecer seus combatentes no Iraque por meio da Síria e vice-versa. Até agora, Washington teve sucesso em não levar a culpa pelo crescimento do EI e em colocar toda a culpa no governo iraquiano. Na verdade, criou uma situação na qual o EI pode sobreviver e pode inclusive prosperar.



Usando a Etiqueta da Al-Qaeda



O grande aumento da força e do alcance das organizações jihadistas na Síria e no Iraque tinha, em geral, passado despercebido até recentemente pelos políticos e pelos meios de comunicação no Ocidente. Uma grande razão para isso é o que os governos ocidentais e suas forças de segurança estreitamente dizem que a ameaça jihadista é formada por forças diretamente controladas pela Al-Qaeda central. Isso os permite apresentar um quadro muito mais alegre de seu sucesso na chamada "Fuerra ao Terror" do que é a situação real.

Chanceler sírio, Walidal Mualem, fala sobre proposta dos EUA de bombardear pontos do Estado Islâmico em território da Síria


Na verdade, a ideia de que apenas jihadis com os quais é necessário se preocupar são aqueles que têm a benção oficial da Al-Qaeda é ingênua e autoenganosa. Ignora o fato de, por exemplo, o EI ter sido criticado pelo líder da Al-Qaeda Aymanal-Zawahiri por sua violência e sectarianismo excessivos. Depois de conversar com uma série de rebeldes sírios jihadis não afiliados diretamente à Al-Qaeda no sul da Turquia no começo do ano, uma fonte me contou que “sem exceção, eles todos expressaram entusiasmo pelos ataques de 11 de setembro e torceram para que a mesma coisa que aconteceu nos EUA acontecesse na Europa”.


Grupos jihadis ideologicamente próximos à Al-Qaeda têm sido reclassificados como moderados dependendo de suas ações serem consideradas de apoio aos objetivos das políticas dos EUA. Na Síria, os estadunidenses apoiaram um plano da Arábia Saudita de construir uma “Fronte Sulista”, baseada na Jordânia, que seria hostil ao governo de Assad em Damasco e simultaneamente hostil aos rebeldes do tipo da Al-Qaeda no norte e no leste.



A poderosa, mas supostamente moderada Brigada Yarmouk, noticiada como o recipiente estratégico de mísseis antiaéreos da Arábia Saudita, deveria ser o elemento de liderança nessa nova formação. Mas diversos vídeos mostram que a Brigada Yarmouk frequentemente lutou em colaboração com a Frente al-Nusra, afiliada oficial da Al-Qaeda. Já que era provável que, no meio da batalha, esses dois grupos dividissem suas munições, Washington estava efetivamente permitindo que armamento avançado fosse entregue em mãos ao seu inimigo mais mortal. Os oficiais iraquianos confirmam que capturaram armas sofisticadas de combatentes do EI no Iraque que eram originalmente fornecidas por poderes estrangeiros para forças consideradas de oposição à Al-Qaeda na Síria.



O nome Al-Qaeda foi sempre aplicado com flexibilidade na identificação de um inimigo. Em 2003 e 2004, no Iraque, enquanto uma oposição armada iraquiana se formava, oficiais dos EUA atribuíram a maior parte dos ataques à Al-Qaeda, apesar de muitos terem sido perpetrados por grupos do partido Baas e nacionalistas. Propagandas como essa ajudaram a persuadir quase 60% dos votantes dos EUA, antes da invasão do Iraque, que existia uma conexão entre Saddam Hussein e os responsáveis pelo 11 de setembro, apesar de não existir qualquer evidência disso. No próprio Iraque, e, na verdade, no mundo muçulmano inteiro, essas acusações beneficiaram a Al-Qaeda ao exagerar seu papel na resistência à ocupação estadunidense e britânica.


Uma técnica de relações públicas exatamente oposta foi usada pelos governantes ocidentais em 2011, na Líbia, quando qualquer semelhança entre a Al-Qaeda e os rebeldes patrocinados pela OTAN lutando para derrubar o líder líbio Muammar Kadafi foi minimizada. Apenas aqueles jihadis que tinham uma ligação operacional direta com o “coração” da Al-Qaeda, Osama binLaden, foram considerados perigosos. A falsidade do argumento de que os jihadis opositores a Kadafi na Líbia eram menos ameaçadores que aqueles em contato direto com a Al-Qaeda foi forçosamente e tragicamente exposta quando o embaixador dos EUA Chris Stevens foi assassinado por combatentes jihadistas em Bengasi em setembro de 2012. Esses eram os mesmos combatentes louvados pelos governos e pela mídia ocidental por seu papel no levante contra Kadafi.

Imaginando a Al-Qaeda como a Máfia

A Al-Qaeda é uma ideia mais que uma organização, e isso é o caso há muitos anos. Por um período de cinco anos depois de 1996, recrutou pessoas, recursos e campos no Afeganistão, mas eles foram eliminados depois da queda do Talibã em 2001. Subsequentemente, o nome Al-Qaeda se tornou majoritariamente um grito conjunto, uma série de crença islâmicas centradas na criação de um Estado islâmico, na imposição da charia (conjunto de leis religiosas), no retorno aos costumes islâmicos, na subjugação da mulher e no travamento de uma guerra santa contra outros muçulmanos, notadamente os xiitas, que são considerados hereges que merecem morrer. No centro dessa doutrina de guerra está a ênfase no autosacrifício e no martírio como símbolo de fé e comprometimento com a religião. Isso resultou no uso de crentes não treinados, mas fanáticos, como homens-bomba, com um efeito devastador.

Sempre foi do interesse dos EUA e de outros governos que a Al-Qaeda fosse vista como tendo uma estrutura de comando e controle como um mini Pentágono, como a máfia na América. Essa é uma imagem confortante para o público porque grupos organizados, por mais demoníacos que sejam, podem ser encontrados e eliminados por meio da prisão e da morte. É mais alarmante a realidade de um movimento cujos adeptos se autorecrutam e podem surgir em qualquer lugar.

A reunião de militantes de Osama bin Laden, que ele não chamava de Al-Qaeda até depois de 11 de setembro, era só um dos muitos grupos jihadistas de 12 anos atrás. Mas, hoje, suas ideias e métodos são predominantes entre os jihadis por causa do prestígio e publicidade que ganharam depois da destruição das Torres Gêmeas, da guerra no Iraque e da demonização de Washington como a fonte de todo o mal estadunidense. Atualmente, há uma diminuição das diferenças nas crenças dos jihadis, apesar de eles serem ou não formalmente ligados à Al-Qaeda central.

Não é surpresa que os governos preferem a imagem fantasiosa da Al-Qaeda porque lhes permite cantar vitórias quando consegue matar seus membros e aliados mais conhecidos. Comumente, aqueles eliminados ganham postos quase militares como “chefe de operações” para aumentar o significado de sua morte. A culminação desse aspecto fortemente propagandeado, mas, em grande parte, irrelevante da “Guerra ao Terror”, foi a morte de Bin Laden em Abbottabad, no Paquistão, em 2011. O fato permitiu que o presidente Obama aparecesse para o público estadunidense como o homem que presidiu a captura do líder da Al-Qaeda. Em termos práticos, no entanto, sua morte teve pouco impacto nos tipos de grupos jihadistas da Al-Qaeda, cujas maiores expansões aconteceram subsequentemente.

Ignorando os Papéis da Arábia Saudita e do Paquistão

As decisões-chave que permitiram a sobrevivência da Al-Qaeda e sua expansão posterior foram feitas nas horas imediatamente posteriores ao 11 de setembro. Quase todos os elementos significativos no projeto de lançar aviões nas Torres Gêmeas e em outros prédios icônicos dos EUA remontavam à Arábia Saudita. 

Rei Abdullah, atual líder saudita, mantém estreitas relações com Washington


Bin Laden era um membro da elite saudita, e seu pai tinha sido um associado próximo da monarquia saudita. Citando um relatório da CIA de 2002, o relatório oficial de 11 de setembro diz que a Al-Qaeda, para seu financiamento, dependeu de “uma variedade de doações e arrecadações, majoritariamente nos países do golfo Pérsico e da Arábia Saudita”.

Os investigadores do relatório encontraram seu acesso limitado ou negado ao buscar informações sobre a Arábia Saudita. E o presidente George W. Bush aparentemente nunca achou necessário responsabilizar os sauditas pelo que aconteceu.

A saída de sauditas idosos dos EUA, incluindo parentes de Bin Laden, foi facilitada pelo governo  dias depois de 11 de setembro. Foi ainda mais significativo que 28 páginas do CommissionReport -- o relatório oficial sobre o 11/9 -- sobre a relação entre os agressores e a Arábia Saudita tenham sido cortadas e nunca publicadas, apesar da promessa do presidente Obama de fazê-lo, por motivos de segurança nacional.

Em 2009, oito anos depois de 11 de setembro, 
um telegrama diplomático da secretária de Estado Hillary Clinton, revelado pelo Wikileaks, dizia que as doações da Arábia Saudita constituíam a fonte mais significativa de financiamento dos grupos terroristas sunitas mundialmente. Mas, apesar de esse reconhecimento privado, os EUA e os europeus ocidentais continuaram indiferentes aos pregadores sauditas cujas mensagens se espalharam para milhões por meio da TV por satélite, do YouTube e do Twitter, clamando pela morte de xiitas como hereges. Esses chamados chegavam conforme as bombas da Al-Qaeda estavam massacrando pessoas nos bairros xiitas do Iraque. Uma linha fina em outro telegrama diplomático do Departamento de Estado, no mesmo ano, diz: “Arábia Saudita: Antixiismo como Política Externa?”. Agora, cinco anos depois, grupos apoiados pelos sauditas têm um histórico de sectarismo extremo contra muçulmanos não sunitas.

O Paquistão, ou melhor, a inteligência militar paquistanesa representada pela ISI (Inter-Serviçios de Inteligência), era outro parente da Al-Qaeda, do Talibã, e de movimentos jihadistas em geral. Quando o Talibã estava se desintegrando sob o peso do bombardeio estadunidense de 2011, suas forças no norte do Afeganistão foram encurraladas por forças contra o Talibã. Antes que eles se rendessem, centenas de membros da ISI, treinadores militares e conselheiros foram apressadamente evacuados pelo ar. Apesar da evidência clara do patrocínio do Talibã e dos jihadis em geral pela ISI, Washington se recusou a confrontar o Paquistão e, assim, abriu o caminho para o ressurgimento do Talibã depois de 2003, que nem os EUA nem a OTAN conseguiram reverter.

A “Guerra ao Terror” falhou porque não mirou no movimento jihadista como um todo e, acima de tudo, não mirou na Arábia Saudita e no Paquistão, os dois países que fomentaram o jihadismo como uma crença e um movimento. Os EUA não o fizeram porque esses países eram aliados importantes que não queriam ofender. A Arábia Saudita é um mercado enorme para as armas estadunidenses, e os sauditas cultivaram, e, em algumas ocasiões, compraram membros influentes da classe política dos EUA. O Paquistão é um poder nuclear com uma população de 180 milhões e um exército com ligações próximas ao Pentágono.

O ressurgimento espetacular da Al-Qaeda e seus desdobramentos aconteceu apesar da enorme expansão dos serviços de inteligência estadunidense e britânico e de seus orçamentos depois do 11 de Setembro. Desde então, os EUA, seguidos de perto pelo Reino Unido, travou guerras no Afeganistão e no Iraque e adotou procedimentos normalmente associados a Estados policiais, tais como prisão sem julgamento, rendição, tortura e espionagem doméstica. Os governos travam a “Guerra ao Terror” dizendo que os direitos dos cidadãos individuais devem ser sacrificados para garantir a segurança de todos.

Face a essas medidas controversas de segurança, os movimentos contra quem elas foram orquestradas não foram derrotados, mas ficaram mais fortes. Na época do 11 de Setembro, a Al-Qaeda era uma organização pequena, geralmente ineficaz; em 2014 grupos do estilo da Al-Qaeda são numerosos e poderosos.

Em outras palavras, a “Guerra ao Terror”, que delineou o cenário político de boa parte do mundo desde 2001, evidentemente falhou. Antes da queda de Mosul, ninguém prestava muita atenção.

Fonte: Opera Mundi

Votem em mim e depois a gente vê o que faz


DESTAQUE


Dono de fina autoironia, capaz de rir dele mesmo e não se levar tão a sério como os seus concorrentes, o imortal Carlos Heitor Cony foi direto ao ponto.
"Para falar a verdade: estou ficando cheio das declarações dos principais candidatos à presidência da República. São mais ou menos óbvias, e todos constituem um Frankenstein de promessas, pedaços otimistas, mas na maior parte inviáveis, eleitoreiras e até mesmo contraditórias".
Em comum, Dilma, Marina e Aécio assumem "compromissos" variados, que aumentam as despesas e diminuem as receitas, num país que já administra uma dívida enorme e as contas nunca fecham.
Repórteres que acompanham os candidatos até já deixaram de perguntar a eles "de onde virá o dinheiro?", cada vez que enfieiram uma lista de benesses por onde passam, como se fossem animadores de auditório, no melhor estilo Silvio Santos ou Chacrinha.
"Vocês querem mais saúde, mais escolas, mais bolsas, mais salários, mais carros e mais mobilidade urbana (a expressão da moda nesta campanha), mais segurança, menos serviço e mais refresco, aposentadorias alemãs, casa, comida e roupa lavada, tudo sem aumentar os impostos?  É fácil: votem em mim no dia 5 de outubro".
As promessas variam de acordo com a plateia, mas são sempre as mesmas nos horários da propaganda eleitoral "gratuita" no rádio e na televisão. Fica até difícil saber de que partido são e que diferença faz votar num ou noutro candidato. Se marqueteiro decidisse eleição, terminariam todas empatadas.
Seria tudo até muito engraçado, se não estivessem em jogo os destinos do país nos próximos quatro anos.


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O título acima poderia servir bem não só aos três presidenciáveis, mas a qualquer candidato a qualquer cargo ou mandato, em qualquer região do país. É o popular "a solução sou eu".
Para fazer o que nossos candidatos já prometeram, se somar tudo, o orçamento nacional teria que ser maior do que o dos Estados Unidos e a população brasileira menor do que a do Uruguai.
Até pensei em dar uma folga aos leitores neste primeiro domingo de primavera, a exatamente duas semanas das eleições gerais, mas mudei de ideia depois de ler a coluna do Cony, na Folha, sob o  apropriado título "Saco de gatos", que exprime o que também sinto nesta reta final da campanha.
Dono de fina autoironia, capaz de rir dele mesmo e não se levar tão a sério como os seus concorrentes, o imortal Carlos Heitor Cony foi direto ao ponto.
"Para falar a verdade: estou ficando cheio das declarações dos principais candidatos à presidência da República. São mais ou menos óbvias, e todos constituem um Frankenstein de promessas, pedaços otimistas, mas na maior parte inviáveis, eleitoreiras e até mesmo contraditórias".
Em comum, Dilma, Marina e Aécio assumem "compromissos" variados, que aumentam as despesas e diminuem as receitas, num país que já administra uma dívida enorme e as contas nunca fecham.
Repórteres que acompanham os candidatos até já deixaram de perguntar a eles "de onde virá o dinheiro?", cada vez que enfieiram uma lista de benesses por onde passam, como se fossem animadores de auditório, no melhor estilo Silvio Santos ou Chacrinha.
"Vocês querem mais saúde, mais escolas, mais bolsas, mais salários, mais carros e mais mobilidade urbana (a expressão da moda nesta campanha), mais segurança, menos serviço e mais refresco, aposentadorias alemãs, casa, comida e roupa lavada, tudo sem aumentar os impostos?  É fácil: votem em mim no dia 5 de outubro".
As promessas variam de acordo com a plateia, mas são sempre as mesmas nos horários da propaganda eleitoral "gratuita" no rádio e na televisão. Fica até difícil saber de que partido são e que diferença faz votar num ou noutro candidato. Se marqueteiro decidisse eleição, terminariam todas empatadas.
Fiquem tranquilos: qualquer que seja o candidato vencedor, vamos ter mais de tudo e do melhor, a partir de 1º de janeiro de 2015. A vida dos brasileiros será uma beleza, um passeio no bosque.
A presidente Dilma Rousseff, prestes a completar 12 anos de poder como ministra e depois presidente nos governos petistas, agora até já admite que nem tudo está uma maravilha e ainda há muito a fazer para melhorar a vida e diminuir as desigualdades no país, mas isso só vai acontecer se ela for reeleita.
Única a apresentar um programa de governo até agora, Marina Silva se vê obrigada a ir modificando seus planos de acordo com a freguesia por onde passa. Como já constatou o filósofo político José Simão, a candidata é ambientalista porque fala de acordo com o ambiente em que está no momento, e defende as mudanças da "nova política" porque está sempre mudando de ideia.
Em busca de uma boia de salvação, Aécio Neves virou um verdadeiro candidato atleta, sempre tentando pegar uma boa onda para surfar e sair chutando para qualquer lado as bolas levantadas pela imprensa e por plateias ensaiadas, nem que seja para prometer aos aposentados o fim do fator previdenciário criado por seu mestre e mentor Fernando Henrique Cardoso.
Seria tudo até muito engraçado, se não estivessem em jogo os destinos do país nos próximos quatro anos.

Fonte: R7
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